After Separation - Livro 2
35 Capítulo XXXIII
Cheguei ao hospital em alguns pares de minutos. Por conta de compromissos de trabalho depois dos festejos de fim ano, eu tive que ficar em Munique, então trouxe Maryanne para morar comigo aqui, levando em conta que a gravidez dela estava na reta final. Não achei bom deixá-la em Berlim, justamente para o caso da bolsa estourar. Aqui em Munique, eu estaria mais perto para ir ao seu auxílio. Com ela estando em Berlim seriam horas até chegar lá.
- Alguma notícia? — já fui logo indagando ao encontrar Matilde na sala de espera.
Havia trago Tilde para morar comigo e Maryanne nessa reta final de gravidez da minha intragável esposa e também, para ajudar nos primeiros meses de cuidado com o bebê, porque Maryanne já deixou claro que ela não ficará "perdendo seu sono da madrugada, cuidando de criança", palavras dela. Isso porque ela é a mãe.
Mesmo tendo Helga que já está trabalhando há anos comigo desde que comprei meu primeiro apartamento na Alemanha, e que vinha auxiliando Maryanne em casa, fiz questão da presença de Tilde, até porque ela e Maryanne, incrivelmente, se entendem que é uma beleza. Além do mais, Tilde fez questão de auxiliar nos cuidados do "neto postiço".
Com a vinda temporária de Matilde para Alemanha, indiquei para Lewis a Helen que cuida do meu apartamento em Nova Jersey. E pelo feedback que meu irmão mandou recentemente, creio que perderei minha funcionária.
- Nada. Ela entrou em cirurgia há pouco apenas. — me informa Tilde esfregando as mãos em nervoso.
- Como assim cirurgia? — franzo a testa confusa.
Que eu saiba, Maryanne tinha rejeitado a ideia de cesárea e aceitado a muito custo ter de parto normal, porque não queria ficar com uma marca da cirurgia. Agora, Matilde me diz que ela está em cirurgia.
- É que a Mary mudou de ideia quanto a ter de parto normal. De última hora quis fazer cesárea, porque alguém lhe disse que às vezes partos normais demoram horas. Fez o maior auê para que o médico atendesse sua ordem e acabou vencendo o doutor pelo cansaço.
- Paciência com a Maryanne, viu?! Às vezes acho que ela sofre de transtorno bipolar.
- Grissom não diga isso. — Matilde me lança um olhar sério. — Se seu pai estivesse aqui estaria uma pilha de nervos com o nascimento do neto.
- Vou atrás de um copo de água, isso sim. — me limito em apenas retrucar e saio dali sem dar oportunidade de Matilde falar mais qualquer outra coisa relacionada ao coroa.
Foi no outro corredor que encontrei um bebedouro e me servi de um pouco de água. Enquanto dava um gole da bebida, me ocorreu de ligar para o meu irmão. Não sei se Matilde o avisou, caso não, eu mesmo já faria isso agora.
- Oi, mano!
- Oi, Lewis. Não sei se a Tilde te ligou antes avisando, mas... A bolsa da Maryanne estourou. Estamos aqui no hospital.
- Sério?? Que maravilha!
- Pois é . A Maryanne está na sala de cirurgia. Resolveu fazer cesariana no último instante. Assim que a bebê nascer, te aviso.
- Tá bom. E me manda foto dele também. Quero conhecer a carinha do meu sobrinho.
- Pode deixar.
- Semana que vem, Edgar e eu estaremos aí para conhecer o novo integrante da família.
- Ok!
Instantes depois estou de volta à sala de espera junto com Matilde. Foi quase uma hora de uma espera entediante e ao mesmo tempo angustiante até o médico aparecer para avisar que Maryanne e o bebê estavam bem.
- Em instantes uma enfermeira virá para levá-los ao quarto em que a sua esposa será acomodada, senhor. — ele diz em alemão.
- E quanto ao bebê? — indago. Minha preocupação é com ele, não com Maryanne.
- Está terminando de fazer alguns exames de praxe e será levado ao berçário, e posteriormente, ao quarto para ser amamentado pela mãe pela primeira vez.
- Posso vê-lo no berçário?
- Pode. Mas o senhor não prefere...
- Onde fica o berçário? — nem espero que ele termine a pergunta.
O médico explica por onde devo ir para chegar ao berçário e assim que ele termina, eu aviso a Matilde que irei para lá, e depois a encontro no quarto de Maryanne.
- Tudo bem, querido.
Peço licença aos dois e me retiro dali rumo ao berçário. Em questão de minutos já estou diante de uma parede de vidro onde do outro lado há uma sala com uma dezena de berços hospitalares, alguns vazios e outros ocupados por bebês meninos e meninas. Observo os meninos, tentando adivinhar qual seja o meu. Uma moça vestida de branco que julgo ser enfermeira, que está lá dentro, ao me ver ali parado encarando os bebês, acena e vem até próximo ao vidro.
- Qual procura? - ela indaga do outro lado.
- William Grissom. — conto.
- Ainda não trouxeram. Mais uns dois minutos e ele já está aqui.
Assinto em resposta.
Não demora quase nada e a mesma enfermeira acena de novo e avisa que o bebê acabou de chegar. Com William nos braços, a funcionária do berçário se aproxima do vidro e então, enfim, conheço o meu... Filho. Essa palavra ainda me causa certo estranhamento.
Desde sempre disse a mim mesmo e explanei aos quatro ventos, que filhos nunca estariam entre meus planos. Até porque, nunca me vi nesse papel de... Pai. Sem contar que o meu próprio pai não foi lá uma figura paterna a qual eu pudesse me espelhar para ser um ou que me despertasse o desejo de ser pai também.
Ainda tem o fato de ser responsável por alguém, por educá-lo e tudo mais, nunca ter sido algo que eu almejei, pelo contrário sempre rejeitei.
Talvez a chave tenha mudado e a ideia de ser pai tenha passado de rejeição para aceitação, quando lá atrás Sara chegou cheia de receios e apreensão, me contar sobre a possibilidade de estar grávida de mim. Ali, por incrível que pareça, a ideia não me assustou ou impactou de maneira negativa, muito pelo contrário, eu me agradei dessa possibilidade. Eu quis que fosse real! Torci para ela estar grávida, mas no final das contas ela não estava e, confesso, deu uma frustração.
E, assim como já estava na empolgação, acabei me apegando a ideia de ser o pai do bebê de Maryanne. E, agora, cá estou eu, diante de uma criaturinha que chamarei de filho. Ele é um bebê gordinho, de bochechas rosadas e boca bem desenhada. Seus cabelos não sei como são, porque está de touca azul bebê, a mesma cor das luvas que usa para aquecer as mãozinhas e do macacão que o vestiram.
Engraçado como as pessoas romantizam muito as coisas. Livros, TV, poemas e o escambau a parte, tudo fazendo a gente crer que o momento em que você vê um filho pela primeira vez, será algo mágico. Que todo o seu significado de vida muda.
Isso não está acontecendo comigo!
Eu estava normal enquanto olhava para um pequeno gremlin gordinho e rosa. Sei que a comparação é horrível, mas é assim que consigo vê-lo no momento.
As pessoas costumam dizer que nós, homens, temos o tal do "instinto paterno". Só que esquecem que o instinto materno é um conceito complexo que pode variar de homem para homem.
Acredito que o instinto paterno não "liga" automaticamente na concepção.
O amor paterno é construído a partir do interesse e disponibilidade do homem.
- Parabéns, papai!
Ouço uma voz conhecida me felicitar e nem ouso me virar, porque a pessoa logo já está postada ao meu lado.
- Qual deles é o seu filho?
- De azul claro! — informo sem tirar os olhos de Will, que a enfermeira deixa acomodada, dormindo no berço hospitalar.
- Ele é um belo garoto.
- Como soube que eu estava aqui, Kessler? — sério, eu lanço um olhar para a mulher pela primeira vez.
- Vim fazer uns exames e avistei seu motorista lá fora. Obviamente, seu cão de guarda, não quis abrir o bico quando perguntei sobre você estar aqui, mas consegui descobrir por mim mesma que a esposa do senhor Grissom tinha dado a luz nesse hospital.
- E veio me dar os parabéns? Já fez isso, agora me deixe em paz. — volto a encarar Will dormindo no berçário.
- Nossa! Ainda guarda raiva de mim pelo trote que dei na Sara?
Nem me dou o trabalho de responder sua pergunta. Aceno, chamando a enfermeira.
- Vai ficar me ignorando?
- Quando vão levá-lo para o quarto? — indago a funcionária do berçário, quando ela se aproxima do vidro.
- Em meia hora.
- Ok. Obrigado.
A enfermeira assente e volta para onde estava. Resolvo sair dali também, rumo ao quarto de Maryanne.
- Não vai falar comigo mais? — Heather se coloca em minha frente, brecando minha passagem.
- O que quer?
- Será que podemos conversar?
- O único assunto que converso com você é sobre negócios e no meu escritório. Como não estou nele, então a resposta é: não! Com licença.
Sem lhe dar brechas para réplicas, dou um passo para o lado, me desviando dela e sigo reto, deixando Heather para trás.
***
Acomodado na poltrona que há no quarto, observo a impaciência e as caretas que Maryanne faz enquanto é auxiliada pela enfermeira a como dar de mama para William, que chora porque não está conseguindo pegar o peito da mãe.
- Chega! Além de não estar saindo nada, está doendo. — Maryanne diz completamente irritada enquanto estende o bebê para a enfermeira, como se William fosse uma trouxa qualquer.
- Ele precisa se alimentar. — a enfermeira comenta embalando Will que aos poucos vai parando de chorar.
- Vocês devem ter um banco de leite aqui, para alimentar os bebês, não?
- Sim, mas...
- Então pronto. Dêem a ele de comer, porque eu não vou amamentá-lo. Isso dói horrores.
- Senhora... O aleitamento materno na primeira hora de vida é importante tanto para o bebê quanto para a senhora, pois auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. E, além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.
- Mas não sai nada. Você não viu? Ele fica sugando e isso dói.
Resolvo intervir antes que as coisas piorem.
- Enfermeira... — a moça se vira para me encarar. — Como pode ver... Minha esposa está um tanto estressada, talvez por isso não esteja conseguindo amamentar. Não seria melhor recorrer ao banco de leite? O menino está com fome.
- Tudo bem. Mas a senhora precisa fazer um esforço e amamentá-lo. É muito importante para o seu filho.
- Eu me encarregarei de que ela faça isto, pode ficar tranquila. — digo e lanço um olhar mortal a Maryanne, que apenas cruza os braços com uma expressão nada contente.
- Ok. Vou levá-lo para darem de mamar, depois o trago.
- Tem certeza que não quer segurá-lo, Gil?
- Depois, Tilde. — digo levantando da poltrona.
Confesso que estava com receio de segurá-lo. William parece tão molinho e pequeno, que tenho medo deixa-lo cair, sei lá.
Então a enfermeira sai, levando Will. Assim que ficamos apenas Matilde e eu com Maryanne, eu me aproximo da cama onde minha esposa está acomodada.
- Se era pra tratar o menino assim, não tivesse engravidado, sua irresponsável.
- Grissom!
- Grissom, nada, Matilde! — retruco irritado.
- Finja, pelo menos, para os outros que tem um mísero sentimento pelo bebê. É seu sangue, seu filho. E você vai amamentá-lo, sim, pois ouviu a enfermeira, isso é importante para o William.
- Eu falei que eu não quero este nome pra ele, Gil.
- E eu te falei que ele precisa ter o próprio nome, não "herdar" um nome que é homenagem a quem não merece. — retruco azedo.
Maryanne me veio com a péssima ideia de querer "homenagear" Joseph colocando um de seus nomes no bebê. Algo que vetei na hora! O bebê não merece essa infelicidade. E se não bastasse querer colocar "Noah", ainda queria agregar o meu segundo nome.
- "Noah Arthur" é um ótimo nome.
- Não insista. Ele irá se chamar William. Um nome forte e... Dele!
- Pelo menos ele terá meu sobrenome também? Já que você decretou o primeiro nome dele.
- Óbvio que ele terá. Não seja ridícula.
- Vocês dois querem parar?! — Matilde chama a nossa atenção. — Estamos em um hospital, gente... E Gil, sua esposa, acabou de sair de uma cirurgia, para você estar nessa discussão com ela, menino.
- Ele não tem respeito pelo meu estado, Tilde. — Maryanne encena uma cara de coitada, sendo que de coitada ela não tem nada.
- Você que não sabe o valor dessa palavra: respeito.
- Quer saber? Vou dormir um pouco, porque me sinto ainda sonolenta pela anestesia.
- É um bem que nos faz, dormindo e nos privando de sua voz.
Matilde me puxa para um canto e muito contrariada, me cochicha:
- Já deu, Grissom!
Em silêncio, vou me acomodar outra vez na poltrona e começo a mexer no celular. Há algumas mensagens de conhecidos me felicitando pelo nascimento de Will, já que quando saí do escritório avisei que se caso me ligassem ou procurassem, era para a minha secretária avisar que estava no hospital, porque meu filho ia nascer.
Tratei de responder as mensagens que chegaram. Acabei me distraindo, fazendo isso, que até me espantei quando a porta do quarto se abriu e vi de novo a enfermeira com Will de volta.
- Prontinho. Ele mamou e bem. — informa a enfermeira entregando Will a Matilde que se adianta para pegá-lo, já que minha esposa, que deveria pegar o filho, está dormindo que nem uma pedra.
- Vocês virão buscá-lo mais tarde? — Matilde quem indaga.
- Se ele não conseguir mamar com a mãe, sim, viremos buscá-lo para ser amamentado. Mais tarde, o doutor virá para ver mãe e filho.
Assentimos e a enfermeira se retira do quarto após pedir licença.
- Venha, pegá-lo, Gil.
- Não sei se é uma boa ideia.
- Por que?
- Ele é muito pequeno. Tenho medo de deixá-lo cair.
- Você não vai. Vamos, pegue seu filho.
Com William nos braços, Matilde se aproxima de mim na poltrona. Antes de me passar o bebê, ela me explica que para segurar um recém-nascido, é importante apoiar bem a cabeça e o pescoço, além de ter calma e confiança.
- Calma e confiança... Duas coisas que não tenho no momento. — retruco enquanto meio sem jeito pego William.
- Com o tempo você pega o jeito. E também descobre a posição que ele prefere ficar em seu colo. — comenta Matilde ao ajeitar Will em meu colo. — Relaxa, menino. Não precisa ficar tenso assim. — ela repousa as mãos em meu ombro e o massageia de leve, tentando fazer com que eu fique relaxado, mas a verdade é que nada me relaxa.
- É a primeira vez que seguro um bebê tão pequeno.
- E a sua afilhada, não carregou?
- Só depois que ela já tinha meses e parecia um bolo fofo pesado. — conto com um sorriso.
Catherine ficava em um ódio, toda vez que me estendia a filha para pegá-la no colo e eu me esquivava. Fui carregar Lindsey pela primeira vez quando ela já tinha quase seis meses.
- Acho que ele gostou do seu colo, menino. — Matilde me cochicha enquanto encaro William, estudando cada detalhe de seu rosto gordinho. Não consigo achar nada de Maryanne nele e, felizmente, nada de Bryan.
- Você acha?
- Sim. Ele está te olhando. É o seu papai, lindinho. — Matilde diz esta última frase com uma voz fina.
- Oi, carinha! — sussurro e seus olhinhos cor de chocolate não desgrudam dos meus. E por incrível que pareça, a semelhança na cor dos olhos me remete a Sara.
"Posso saber qual é a graça? Do quê está rindo?"
"Você acaba de me dizer que possivelmente, eu vou ser pai e não quer que eu ria?"
"Por acaso está rindo de nervoso ou porque gostou da notícia?"
"Mas é claro que é porque eu gostei. Eu adorei[...]"
"Você está dizendo isso por causa da condição que seu pai impôs, não é?"
"Não tem nada a ver com isso, Sara."
"Então?"
"Céus! Eu estou alegre porque você, a mulher que eu amo, vai me dar possivelmente um filho. [...]"
Quem sabe, se Sara tivesse engravidado na época desse diálogo que lembrei agora, "William" não fosse o nome do NOSSO filho agora.
***
Nova York...
- Você está com dezoito semanas e seu bebê está se desenvolvendo muito bem.
As palavras que vieram depois, eu não escutei mais, se tornaram algo inaudível enquanto encarava a tela escura onde imagens disformes do meu bebê passavam. É sempre uma experiência emocionante, toda nova ultrassom onde sou brindada com a imagem do meu bebê. Ainda que eu não consiga vê-lo com exatidão, sempre bate aquela emoção. É meu bebê que está ali, mostrando que está crescendo dentro de mim. Não vejo a hora dele ou dela estar em meus braços.
- Sara?!
- Oi! — olho para a médica após seu chamado mais firme. — Desculpa, viajei aqui.
- Acontecia isso também comigo nas ultra do Chris.
Lanço um olhar para Julie de pé ao meu lado na maca e a encontro me observando com um olhar doce e gentil, e um sorriso acolhedor que transmite paz. Eu havia convidado a Julie para me acompanhar na ultrassom, já que Dayse não havia conseguido liberação de Sullivan para vir comigo. Morgan queria ter vindo, mas pegou uma virose horrível, nem trabalhar está indo esses dias.
- Como não ouviu o que eu disse... — minha médica se pronuncia atraindo minha atenção. — Então vou repetir. É importante continuar cuidando da alimentação, Sara. Evite alimentos gordurosos e apimentados; procure fazer pequenas refeições ao longo do dia; consuma alimentos ricos em cálcio, como laticínios, verduras de folhas escuras e feijões secos; e inclua frutas e legumes frescos. Não esqueça de ingerir muito líquido para estabilizar sua circulação.
- E com isso ir ao banheiro uma dezena de vezes em um curto espaço de tempo. — retruco com um sorriso.
- Fazer o que, né?... E lembre-se de girar os pés para ajudar o fluxo sanguíneo.
- Ok!
- E por último... Evite álcool e cigarro.
- Álcool, eu tenho evitado desde que soube da gravidez. Quanto ao cigarro não costumava fazer uso dele mesmo, então não se preocupe.
- Ótimo! Quem me dera se a maioria das minhas pacientes fossem exemplares como você. — a doutora pisca um olho para mim em divertimento. — Pode ir se trocar. Já acabamos por aqui.
Assinto e com a ajuda de Julie levanto da maca e sigo até o pequeno banheiro que há ali na sala. Troco a bata que estava usando, pela minha roupa.
Em minutos já estou diante da médica, me despedindo dela.
- Nos vemos mês que vem.
- Com certeza.
Como ainda tínhamos mais meia hora até nosso horário de almoço terminar, então Julie e eu fomos comer alguma coisa, já que saímos da editora direto para a minha consulta.
- Te acompanhar nessa consulta só me fez lembrar das minhas. Eu adorava me consultar, principalmente a parte do ultrassom. Segundo Robinson, eu ficava com uma cara de completa abobalhada vendo o bebê.
- Ele te acompanhou em todas as consultas?
- Sim. Mesmo com a vida corrida de um dos agentes literários mais reconhecidos do país e o fato de já não estarmos mais juntos, sendo que eu descobri a gravidez dois meses depois do nosso término. Ainda assim, o Robinson fez questão de ser presente em todas as consultas. Desde a primeira até a última. Inclusive, ele chegou a me dizer certa vez, que jamais me perdoaria, caso o tivesse privado de acompanhar a gravidez.
Por um momento pensei em Grissom e em como o estou privando de estar presente no desenvolvimento do nosso bebê. Contudo, não consigo fazer diferente disso. Seria um suplício enorme tê-lo perto de mim depois do que me fez. Minha parte de contar para ele, eu farei assim que o bebê nascer. Antes disso, nada feito!
Posso até estar cometendo o maior dos erros, mas que se dane! Ele também errou comigo.
- Sara... O papai do seu bebê... Ele não...
- Julie... Eu não quero falar disso.
Por mais próximas que tenhamos nos tornado ultimamente, ainda não consigo partilhar com ela sobre este fato.
- Desculpa. Não quis ser invasiva.
- Tudo bem. Só é um assunto que não gosto de tocar.
- Sem problema. Se você não gosta, nem tocamos mais nisso.
- Obrigada, pela compreensão.
O restante do nosso papo foi sobre bebês e maternidade. É bom conversar com ela sobre esse tema. Como nenhuma das minhas amigas da NP são mães, então trocar essa ideia com Julie, que já tem experiência nesse assunto, é muito satisfatória e agregadora. Ela tem tirado muitas das minhas dúvidas de mãe de primeira viagem. Sem contar que isso acabou nos tornando mais próximas. Ela tem sido uma amiga e tanto.
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