Paris, França...

"Gil, ela não quer falar com você, cara!"

Me encosto ao guarda corpo de proteção do barco e suspiro entristecido ao lembrar das palavras de Lewis momentos atrás.

Ilusão minha achar que Sara ia aceitar falar comigo. Ela me odeia! E não tiro a razão dela. Só que dói ter esta certeza.

- Achei você!

Lanço um olhar para o meu irmão que acaba de se postar ao meu lado.

- Transmitiu meu recado a ela?

- Não foi preciso, ela te ouviu.

- E, por acaso, ela disse alguma coisa em resposta?

- Não. Sinto muito, mano!

Suspiro com tristeza, mas nada surpreso com a resposta do meu irmão. É óbvio que Sara não mandaria me dizer nada. Se ela nem quis falar comigo, quanto mais ia mandar uma resposta pelas palavras que pedi que Lewis lhe transmitisse.

- Não sinta. É tudo culpa minha mesmo. — contra argumento, encarando a bela vista que tenho de Notre Dame toda iluminada enquanto o Diamant Bleu (Diamante Azul), um barco de luxo, o qual estou, navega pelo rio Sena passando por vários monumentos magnificamente iluminados.

Não era meu plano passar o réveillon em um barco, quanto menos aqui na bela Paris, mas recebi o convite irrecusável de Joachim, um dos meus melhores clientes. E, cá estou, e ainda trouxe comigo, Maryanne, seus pais, Lewis e Edgar.

- Você poderia ter evitado isso, se não tivesse deixado a Sara para casar com a Maryanne.

- Não vou discutir isso com você de novo.

Estava cansado de Lewis sempre bater nesta mesma tecla. Toda oportunidade que ele tinha me esfregava essa escolha na cara.

- Então não reclama. É como bem disse a Sara, você só está pagando a consequência da sua escolha.

Dito isso, meu irmão se retira dali, o que acho ótimo, porque se ele continuasse no assunto, eu mesmo pediria para ele me deixar só. Desde que fiz a escolha de casar com Maryanne, que todos que são bem próximos de mim, se acham no direito de dar pitaco em minha vida.

- Gil!

Reviro os olhos em descontentamento pelo chamado de Maryanne. Hoje não é minha noite. Nem bem, Lewis tinha saído dali e me aparece agora Maryanne para me azucrinar o juízo.

- O que foi agora? — me viro para encontrá-la com uma cara nada boa em um contraste nada legal com o belo vestido que usa e a maquiagem perfeita.

O Grissom que eu costumava ser, se esbarra nessa Maryanne deslumbrante assim e não a conhecesse, certamente cairia de desejos no mesmo instante, apesar da aparente barriga de grávida. Sorte minha, que sou outro Grissom e que conheço bem o bastante a mulher grávida diante de mim, para não me deixar seduzir mais por ela.

- Ainda vai demorar para esse navio atracar? Estou enjoada com esse balanço todo.

- Não sei. Talvez ainda tenha uma hora de passeio.

- Céus! Eu não vou aguentar.

Ela passa a mão pela testa. Gostaria de me compadecer de seu mal estar, porém não consigo. Maryanne não me desperta qualquer outro sentimento senão o de raiva e repulsa.

- Eu avisei que isso podia acontecer. Mas você insistiu em vir. Agora, aguente.

- Como sua esposa, eu tenho que te acompanhar nos eventos ou esquece que somos casados?

- Impossível esquecer disso se tenho que olhar para a sua cara todo santo dia.

- Grissom dá um tempo na grosseria. Trégua, por favor.

- Nem pensar, querida. — passo por ela. — Ah! — me viro para Maryanne que faz o mesmo para me encarar. — Nem ouse me seguir. Preciso respirar um pouco melhor. E com você do lado é impossível! — me viro e sigo caminho. Felizmente, Maryanne atende ao meu pedido e não ousa me seguir, ficando lá, estática, onde a deixei.

Caminho pelo convés do barco admirando não somente a paisagem noturna como a beleza daquele navio. Primeira vez que tenho a oportunidade de passear nele e estou extasiado com sua imponência. É um barco soberbo, grande em tamanho e moderno em design, que combina sutilmente luxo e conforto.

Alguém chegou a comentar à mesa durante o jantar, que o Diamante Azul é um verdadeiro palácio flutuante, o que concordo enquanto caminho pelo lugar. Só gostaria que a minha primeira vez vivendo a passagem de Ano ali fosse divertida e inesquecível para começar bem o Ano Novo. Entretanto não está sendo nenhuma uma coisa e nem outra.

Em outros tempos, eu estaria me divertindo horrores apreciando o jantar de excelente qualidade e refinado, preparado por um chef estrelado e sua equipe; depois bebendo das melhores e mais caras bebidas enquanto me acabo de dançar as músicas tocadas pelo DJ na pista de dança deste atípico barco de luxo com ambiente ultra moderno e vista para o Sena. Tenho certeza que seria uma noite festiva que não esqueceria tão cedo e que caberia como uma luva o meu velho mantra da época da faculdade: "Nada é bom demais para esta noite onde tudo é permitido!", Costumava repetir isso aos meus amigos a cada festa da fraternidade.

- Bons tempos! — murmuro ao parar perto do guarda corpo e me debruçar um pouco para olhar as águas. Pena que eles (os velhos tempos) mudaram.

Os tempos agora são outros. Minha noite está sendo uma lástima total, apesar de estar em uma comemoração festiva em um lugar de luxo. A verdade é que meus dias e minhas noites depois que casei com quem não queria, se resumem a uma lástima pura.

"[...]ela não quer falar com você[...]", as palavras de Lewis voltam outra vez a açoitar minha mente. Essas seis palavras dele doeram ser ouvidas. Acho que uma faca cravada em meu peito doeria bem menos que essa fala.

- É o que você merece por ser um... cretino, Gilbert!

Só espero, futuramente, ser capaz de reverter essa situação desfavorável em que me meti.

***

Nova York...

- Tem certeza que está tudo bem com você?

Lanço um olhar para Doug acomodado ao meu lado dentro do Uber que pedimos para casa. Combinamos de dividir a corrida, a primeira parada seria na minha casa e a outra na casa dele.

- Cansaço apenas. — minto.

A verdade é que eu estava tentando controlar o meu nervoso por ter visto o nojento do Simons lá na boate. Estava me encaminhando para a saída com o Doug quando ele recebeu uma ligação e teve que se afastar um instante para poder falar melhor ao telefone. Fiquei só já no andar inferior da boate. Foi quando avistei o asqueroso acomodado perto do bar. Não sei se foi impressão minha, mas ele não parecia nada surpreso em me encontrar ali. Sorrindo com um copo de bebida na mão, Bryan acenou para mim e não satisfeito com isso, teve a audácia de se levantar para vir na minha direção.

Mais que depressa segui rumo a saída sem pensar duas vezes. Quando estava do lado de fora torci para ele não aparecer e fui atendida porque nem sinal dele. Coisa de três minutos Doug surgia na entrada da boate à minha procura. Inventei que vim logo porque o Uber já estava perto. Não houve tempo de ele retrucar porque o carro particular estacionou perto de onde estávamos. Era o nosso carro.

- Somos dois então. — ele sorri e o som de seu celular toma conta do ambiente. — Parece que agora que o sinal voltou todo mundo está ligando.

- E não é? — retruco rindo. — Não vai atender? — indago ao ver que Doug apenas encara a tela do aparelho enquanto o mesmo reverbera um solo de guitarra, que parece muito com um dos famosos solos de Jimi Hendrix.

- Melhor não. É um amigo chato que adora falar e, se duvidar, deve estar bêbado. Aí mesmo que ele vai falar. — comenta, encerrando a ligação. Só que nem bem o Doug guarda o celular, o aparelho volta a tocar.

- Acho melhor atender ou ele não vai parar de insistir.

- Não. Melhor eu silenciar a chama e... — ele se interrompe ao olhar para a tela do aparelho.

- O que foi?

- Vou precisar atender mesmo ou ele não vai parar. — responde com a testa franzida. — Oi! Estou indo pra casa. De lá te... Como? — observo Doug deslizar a mão pelo queixo. — Estou, por quê? — ele me olha por um instante e depois desvia o olhar para a janela do carro. — Você não podia ter feito isso! — resmunga nada contente.

Ele ainda diz mais algumas coisas em um tom mais baixo o suficiente para não ser entendível aos meus ouvidos e finaliza a ligação com o semblante mais sério do que de antes de atender a chamada.

- Está tudo bem?

- Não. Só um amigo fazendo burrada.

- Mas aconteceu alguma coisa com ele? Tipo algum acidente?

- Ah, não! Tá tudo tranquilo com ele. Só exagerou na bebida e fez besteira.

- Quem nunca?!

Sorri e Doug me imitou, desfazendo a carranca que estava após encerrar a chamada.

O restante da corrida fomos calados e percebi de canto de olho, Doug inquieto, ora sacudindo a perna, ora tamborilando os dedos de uma das mãos na coxa. Talvez fosse preocupação com o tal amigo. Pensei em comentar com ele sobre isto, mas depois decidi ficar na minha.

Assim que o carro particular parou na porta de casa, Doug pediu ao motorista para aguardar só uns instantes que ele ia me acompanhar até a porta. Eu ia dizer a ele que não era necessário, mas não tive tempo, posto que Doug logo já havia descido do veículo. Dando a volta, ele vem até a porta do meu lado e a abre. Muito educado me estende a mão para me auxiliar a sair do veículo.

- Obrigada!

- Imagina!

Subimos em silêncio os poucos lances de escada até parar diante da porta da minha casa.

- Bom... Está entregue em segurança.

- Obrigada por me acompanhar, Doug.

- Eu, quem agradeço por me permitir o prazer da sua companhia tanto na carona, quanto lá na boate. Saiba que foi muito bom passar a entrada de ano novo com você, assim como foi no natal. Que possamos repetir a dose futuramente. Eu ia adorar. — seu sorriso é largo e sincero.

- Quem sabe. — me limito em responder com um sorriso muito sem graça por suas palavras.

Não sei porquê cargas d'água Greg acha que um sujeito gentil desses possa me fazer algum mal. Certeza que é ciúmes de primo. Em nossa adolescência, ele agia igual.

- Bom... Deixa eu ir, senão já já, o motorista buzina. Descansa, Sara. — sua mão direita faz um leve afago em meu ombro.

- Pode deixar. E você também descansa. A gente se vê amanhã na editora.

- Com certeza. — ele diz piscando um olho e dando um sorrisão.

Doug parte dali e eu cuido de entrar em casa. Antes de fechar a porta ainda vejo o editor acenar para mim de lá de dentro do veículo e aceno de volta por educação, para em seguida ver o carro partir.

Fecho a porta e passo a chave. Sigo direto para o quarto, doida para deitar e dormir. Sorte que deixei a chave reserva para os meninos entrarem, porque com o cansaço que estou vou dormir que nem pedra, que certamente nem escutaria caso eles batessem na porta. Pelo caminho até o quarto vou me livrando do casaco e dos saltos que já estavam fazendo meus pés doerem. Largo as peças sobre a poltrona, assim que entro no quarto. Em seguida, já me encaminho para o banheiro com o intuito de tomar uma boa ducha quente.

Já sob os jatos de água não deixo de lembrar do desprazer de topar com Bryan. Com vários lugares badalados para curtir a virada do ano, aquele intragável acha de curtir, justamente no mesmo em que estou? É muita falta de sorte.

- Tomara que esse encontro não seja prelúdio de um ano ruim! — digo batendo na boca.

Já me bastava o ano catastrófico que passou, mais um já é demais para o meu psicológico!

***

Várias semanas depois...

Munique, Alemanha...

Estamos na antepenúltima semana de fevereiro!

Da enorme janela da minha sala da Care, observo a rua lá fora. Pessoas vêm e vão agasalhadas com casacos enormes, luvas, cachecóis, toucas, tudo para se proteger do frio. A cidade tem sido palco de dias com temperaturas máximas que variaram entre 3 °C e 5 °C, enquanto as mínimas variaram entre -4 °C e -3 °C. Houveram dias chuvosos e nevascas frequentes; o pôr-do-sol tem sido multicolorido; e as luzes do dia chegam mais cedo e vão embora um pouco mais tarde.

Dias atrás, a cidade estava um caos com polícia em todo canto e diversas manifestações por conta da 54ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), ocorrida do dia 16 (sexta-feira) à 18 (domingo) de fevereiro. Chefes de governo, ministros do Exterior, representantes de empresas e de sociedades de todo o mundo estiveram por três dias participando do mais importante fórum de política de segurança. Depois que esse evento acabou, as coisas se acalmaram e voltaram à normalidade. Do caos ao marasmo! Exatamente como anda minha vida. Só sei trabalhar e passar raiva tanto em casa quanto na empresa. Impressionante!

Se em casa tenho Maryanne para fritar meu juízo, no trabalho tenho alguns colabores incompetentes! Já mandei uns e outros rodarem daqui e, principalmente, de algumas outras filiais diferentes. Desde pessoal do operacional, passando pelo administrativo, comercial e até mesmo um membro da diretoria da época de Joseph foi demitido também e por justa causa, após apuração em inquérito judicial, no qual foi constatado que ele cometeu um ato de improbidade ao fraudar contratos. E o sujeito era da matriz, justamente onde meu pai dava expediente. Ele vinha cometendo crime embaixo do nariz dela. Sorte minha e azar o dele que coloquei a Miller lá e ela acabou descobrindo o que o sujeito vinha fazendo ao instaurar uma auditoria nos últimos contratos.

"Deve essa ao meu 'feeling', hein Gil?!"

"Devo? Achei que estava fazendo seu trabalho, não?!"

"Também!"

O sorriso do outro lado da linha me fez concluir que ela só estava brincando enquanto nos falamos após a demissão do sujeito.

"Seu primo não curtiu a demissão, não."

"Vai ver que era conivente e até tinha participação nessa história toda."

"Isso não ficou provado, Grissom. Então não podemos acusá-lo de nada."

"Ele é sorrateiro, Teri. Óbvio que não ia se expor assim. E, obviamente, que algo desse porte não aconteceria ali sem ele saber. Conrad conhece tudo e todos naquela empresa."

"Seu pai também e, ainda assim, o sujeito fez o que fez embaixo do nariz dele."

O ruído sonoro do telefone em minha mesa atrás de mim, me tira da lembrança da conversa de dias atrás com Miller.

- Was geht, Elfriede? — pergunto à ela: "o que foi?", em alemão.

- Herr Joshua ist hier ...

Nem deixo que Elfriede termine de avisar que Joshua está na recepção e já mando que ela o deixe entrar antes de encerrar a chamada.

Em segundos vejo meu advogado cruzar a porta após Elfriede lhe dar passagem para entrar.

- Kaffee, mister Grissom? (Café, senhor Grissom?)

- Nein. (Não)

Aviso em seguida a secretária para não passar qualquer ligação enquanto eu estiver reunido com o advogado, ao que ela assente em concordância.

- Me diga que tem boas notícias para mim?

- Infelizmente não. O sujeito sequer me atendeu, Grissom.

- Merda! — soco a mesa. — Continue tentando. Ele vai me vender essas ações mais cedo ou mais tarde. — digo com uma certeza que poucas vezes tive.

Meu advogado suspira e com uma das mãos alisa o queixo barbudo, provavelmente, não levando qualquer fé em minhas palavras.

- Grissom, o representante dele foi taxativo em me dizer que as ações não estão à venda nem hoje e nem futuramente. Se quiser, eu posso procurar outra empresa no mesmo ramo e...

- Eu não quero outra. Quero esta! — digo firme enquanto me recosto melhor à cadeira giratória e encaro meu advogado com o queixo erguido e a certeza de que farei de tudo para ter as ações da empresa que quero.

Há semanas decidi que quero adquirir as ações de uma grande empresa aí e desde então, não há nada que me faça mudar de ideia. Nem mesmo o fato de as ações sequer terem sido anunciadas à venda. Pelo que andei investigando, o dono, um cara setentão, viúvo e sem filhos, não fez qualquer menção de vende-las ou anúncio de venda das ações de sua empresa. Mas ainda assim, quero compra-las para futuros fins.

- Por que você quer tanto as ações dessa empresa em específico? Ela nem está à venda, Grissom.

- Questão minha! Só cumpra a minha ordem. Pressione até o sujeito ceder.

- Pelo que eu ouvi do representante dele, o dono não irá ceder. Muitos outros já tentaram e todos desistiram, porque o sujeito não quer vender.

- Aumente a oferta.

- Grissom a questão não é o dinheiro. A empresa tem ótimos ganhos e é a melhor do setor dela.

- Eu sei de tudo isso. Consegui com um contato essas informações e outras mais.

- Conseguiu como? — Joshua me encara com uma das sobrancelhas erguidas. — Deixe-me adivinhar... Suborno?

- Suborno é uma palavra forte. — comento me inclinando para frente e apoiando os cotovelos à mesa. — Eu apenas usei um capital particular para adquirir uma informação.

- Jeito mais educado de não falar suborno.

Sorrio de canto para o sujeito.

- O que posso fazer... A quantia certa faz qualquer passarinho abrir o bico, meu caro.

- Sei.

- Continue insistindo com o sujeito.

- É perda de tempo. Ele não quer vender.

- Ele vai vender.

- Grissom tem umas e outras empresas desse setor a venda no mercado. Posso conseguir para você uma por uma bagatela.

- Eu já falei que quero esta.

- Grissom isso é missão impossível.

- Então seja o Tom Cruise. — lhe dou um sorriso irônico.

- Muito engraçado.

- Joshua... Me consiga essas ações e... O escritório que ganhei do Simons, o qual deixei sob sua supervisão... É seu!

- O quê?

- Te dou o escritório como pagamento, se me conseguir a venda dessas ações. E não estou brincando. — digo encarando firme meu advogado. Eu realmente falei sério. Se ele conseguir o que tanto quero, lhe dou o escritório de papel passado e tudo. — Creio que incentivo maior que este, você não terá.

- Uau!... Ok. Tentarei o meu melhor.

- Nada de tentar... Faça o seu melhor, meu caro. Eu quero essas ações... Custe o que custar!

- Pode deixar. E já que mencionou o escritório... Trouxe o balanço mensal como me pediu.

- Ótimo! — pego de sua mão a pasta com os papéis. — Vou dar uma olhada nisso e nos falamos depois.

- Ok. Vou indo então. — ele se coloca de pé e eu o imito.

- Já vai voltar para Nova York?

- Sim. Mas manterei contanto direto com você e te atualizando sobre as tentativas de compra das ações.

- É o que espero.

Nos despedimos na porta da sala e assim que ele saí ouço meu celular reverberar lá na mesa. Vou até a mesa e apanho o aparelho. Na tela o número de Matilde e um sinal de alerta já acende em minha cabeça.

- Oi, Tilde.

- A bolsa da Maryanne estourou. Acabei de chegar com ela aqui no hospital. Venha agora para cá.