After Separation - Livro 2
31 Capítulo XXIX
Nova York...
Natal!
Tempo de renovação e esperança, de sentimentos de fechamento e início de ciclos.
Mesmo com as desilusões sofridas da metade do ano para cá, não perdi o encanto pela data festiva. É bem verdade, que posso não estar lá nada animada para a ocasião, apesar de ser meu primeiro natal na casa nova, mas na vida tudo se renova. Dores perdem a sua força e o amor renasce, porque no Natal é tempo de alegria, mas acima de tudo de reflexão. De analisar o caminho que estamos trilhando e verificar se não é hora de mudar, de escolher novos horizontes e abandonar tudo que nos prende e nos impede de ir adiante, deixando para trás as bagagens que apenas nos atrapalham nessa jornada. De que problemas passarão e que as adversidades do hoje, só irão nos derrotar, se assim, permitirmos.
De descobrir a força que sempre houve dentro de cada um de nós e usá-la para vencer as tormentas que se apresentarem. De ter ousadia e trilhar novos caminhos, de cuidar das próprias asas e descobrir que se é capaz de voar, desde que se acredite no seu próprio potencial. De esquecer o que não deu certo e batalhar por novos ideais, de levantar, sacudir a poeira e prosseguir. E, acima de tudo, confiar que sempre teremos uma nova oportunidade, que o fim não existe e tudo na vida se renova.
Olhando para trás meu ano foi uma montanha russa de acontecimentos intensos e adversos, principalmente da metade para cá. E, talvez, só talvez, seja hora de se deixar ser inundada pelo espírito natalino e colocar na prática todas essas reflexões, mais precisamente a que diz "perdoar e deixar as bagagens ruins para trás".
Mas, para falar a verdade, isto ainda é difícil para mim. A mágoa e o ódio estão fortes o bastante para me impedir de evoluir a este ponto, de perdoar quem me machucou. Sei que os sentimentos de raiva e ódio só adoecem o meu espírito e até o meu físico, contudo, no momento não consigo mudar isto ainda.
Quem sabe futuramente!
Quem sabe muito futuramente, Grissom se torne tão insignificante para mim que eu não consiga sentir absolutamente nada por ele. Nem mesmo a raiva que hoje ainda habita dentro mim.
Quem sabe futuramente tudo que hoje dói, não doa mais. Este é o meu desejo de Natal, se assim posso chamar e o qual repito mentalmente enquanto me encontro parada diante do espelho checando uma última vez meu visual: cabelos soltos e escovados, maquiagem bem feita; um justo vestido midi vermelho de alças finas, tecido grosso e que modela o corpo muito bem, marcando a minha barriga que já começa a ficar mais aparente em roupas coladas como esta.
Muito em breve terei que revelar sobre a gravidez no trabalho, porque já ficará difícil esconder o pequeno volume arredondado da minha barriga.
Me impressiona como cresce rápido. Assim como cresce de forma vertiginosa meu amor por este ser que ainda nem sequer vi, mas por quem já sou capaz de dar a vida sem pensar duas vezes.
Curioso, mas antes de ficar grávida, eu não sabia que era possível amar tanto alguém que ainda nem conheço. Porém, a gravidez veio para me mostrar que, sim, isto é muito possível.
E pensar que quando descobri que estava grávida fiquei apavorada. Hoje me encontro em estado de graça e cada dia mais apaixonada por essa novidade!
Eu, mãe!
Li em um recente artigo de um site intitulado de "mães de primeira viagem", o qual tem se tornado meio que meu guia, juntamente, com uns livros indicados por minha médica, que "Estar grávida é transportar no ventre o maior tesouro da vida!". Sinto que de fato é bem isso. E me sinto mais especial do que nunca, porque estou gerando uma vida!
Esse bebê vai nascer de mim e eu renascerei graças a ele! Ou melhor, já renasci quando soube da sua existência em meu ventre. E enquanto ele vai crescendo, vai me fortalecendo ao mesmo tempo. Por ele ou ela, eu enfrento o mundo!
Uma batida leve na porta e vejo no reflexo do espelho dona Laura surgir linda em um conjunto social verde.
— Seus convidados já chegaram, querida. — mamãe me avisa pela pequena abertura da porta.
Eu tinha convidado Morgan, Memo e Doug. Os dois primeiros, eu chamei após saber que eles não tinham nada planejado para a noite de Natal. Já o Doug foi Morgan, quem insistentemente sugeriu de chamar, já que ela soube que o editor de artes passaria a data festiva sozinho em casa.
"Vai, chefinha, convida o Doug! Ele tem sido um doce com você. Até te trouxe chocolate daquela vez que você teve desejo. Seria uma ótima forma de retribuir."
"Ok, Morg. Você me convenceu.", me dou por vencida depois da insistência desmedida de minha assistente.
Depois da confraternização da empresa ocorrida no final do turno de trabalho de ontem, fiz o convite para Doug que aceitou na hora e não escondeu a empolgação por eu tê-lo chamado.
"Nossa! Já estava conformado em passar sozinho em casa!", ele disse. "Obrigado, Sara!"
"De nada! Te espero lá em casa amanhã."
"Estarei lá, sim!"
Uma pena Dayse não poder vim, já que foi intimada pela mãe a passar com a família, mas minha amiga me garantiu que viria amanhã.
— Vamos lá! — digo a mamãe, me afastando do espelho após borrifar um pouquinho apenas de perfume para não enjoar.
Ultimamente tudo tem me enjoado!
Mas segundo minha obstetra, a qual me consultei recentemente, isso é mais frequente no primeiro trimestre, logo diminuirá e em alguns casos até passa. Espero que eu esteja inserida neste caso, porque tem sido difícil esses enjoos. Sequer consigo fazer uma refeição descente, principalmente a matinal.
— Você está linda, querida! — dona Laura me elogia após me olhar de cima a baixo ao sair do quarto.
— Obrigada! A senhora também.
Mamãe e papai haviam chego dois dias atrás. Sean não tinha vindo, pois passaria o Natal com a família da namorada. Mas a virada de ano, ele me garantiu que vinha passar comigo. Já decretou até que sairemos e passaremos a entrada de ano curtindo na Times Square. Achei ótima a ideia, porque ano novo não quero passar em casa.
Dona Laura e eu seguimos para o andar inferior da casa e encontramos papai e os meus três convidados de conversa na sala.
— Ai, chefinha, você está glamourosa nesse vestido vermelho de arrasar quarteirões. — Morgan como sempre toda exagerada, vem toda esfuziante me cumprimentar com abraços e beijos.
— Obrigada! Mas sem esse "chefinha". Não estamos na editora. — peço ao desfazermos o abraço.
— Ai, é o costume já, mulher. — ela diz toda sem jeito. E logo em seguida me apresenta oficialmente Memo, que até então, eu só conhecia por foto e com quem só tinha falado algumas vezes por telefone mesmo.
— Olá, Memo! Seja muito bem-vindo. — lhe estendo a mão em comprimento.
O homem alto, de barba rala, olhos claros, sobrancelhas marcantes, muito bem vestido em um blazer social escuro, aceita meu comprimento com um sorriso de dentes perfeitamente alinhados e brancos como a pouca neve que cai lá fora.
— Obrigado. Agradeço pelo convite. Trouxe um vinho em agradecimento. Sei que você não está bebendo no momento, mas mesmo assim trouxe para que aprecie em outra ocasião especial.
— Obrigada. — pego de sua mão a garrafa de vinho enfeitada com um laço vermelho. — Pode apostar que eu a apreciarei em uma ótima ocasião.
— E ainda trouxemos isso, Sara. — Morgan pega de cima da mesa de centro dois embrulhos e me estende. — É um mimo para você e outro para o seu bebê.
— Ah! Obrigada! Não precisava, gente. — entrego a garrafa de vinho para papai ao meu lado e pego os presentes da mão de Morgan.
— Um Cabernet Sauvignon. — papai lê em voz alta no rótulo da garrafa, atraindo minha atenção e dos demais após seu assobio. — Ótima escolha, rapaz.
— Se ele elogiou, então fique bem feliz, porque papai é um ótimo conhecedor de vinhos.
— Obrigado, senhor. — meio tímido, Memo acena com a cabeça. — Também aprecio bastante de vinhos.
— Já gostei de você. — papai diz com um sorriso, que sei ser tão sincero quanto suas palavras.
— Sar... Espero que goste dos mimos. — Morgan menciona, apontando para os embrulhos.
— Certeza que vou gostar.
— Deixe eu colocar embaixo da árvore, filha. Depois, você abre. — entrego à mamãe os dois embrulhos.
Então me direciono a Doug que até o momento está calado, observando minha interação com Morgan e Guillermo, e esperando sua vez de me cumprimentar.
— Olá, Doug! Que bom que veio! — digo ao lhe abraçar.
— Oi! Falei que vinha. Aqui estou! — ele diz ainda abraçado à mim.
Felizmente desta vez, ele não está usando o mesmo perfume enjoativo que me fez passar mal na sua presença.
Na verdade, eu tenho notado que em todas as vezes que precisamos conversar na editora depois do dia que passei mal, ele não usou o perfume. Acredito que nem use mais, porque não sente a fragrância nele.
Nós desfazemos o abraço em seguida e sou surpreendida com ele também me trazendo presentes, dois também.
— Poxa! Não precisava, Doug.
— Mas fiz questão.
— Ainda bem que comprei lembranças a todos, senão olha o mico. Vocês trouxeram presentes e eu não daria nenhum. — comento e todos riem.
Na sequência apresento os meus pais aos convidados e vice-versa. Logo depois estamos todos conversando acomodados no sofá, apreciando nossas bebidas. Enquanto meus convidados se deliciam com um Pinot Noir chileno legítimo, que papai trouxe de sua adega, especialmente para a data festiva (que por sinal, é um dos meus vinhos preferidos, pena que não posso apreciá-lo). Eu me reservo o direito de apreciar um cálice de Eggnog* polvilhado com um pouco de noz-moscada moída, que mamãe havia preparado pela manhã e deixado na geladeira, gelando até agora noite.
Acomodada entre mamãe e papai, observo as conversas. Morgan como não podia deixar de ser, é quem faz a alegria da noite com sua animação e espontaneidade. Só ela mesma e seu jeito alegre para dar um ar animado àquela noite.
Confesso não estar lá animada pela data. Inclusive minha intenção era não fazer nada especial. O plano inicial era passar a noite de Natal comendo besteiras e maratonando séries. Porém quando meus pais ligaram, avisando que vinham para a minha casa passar a data festiva comigo, tive que buscar um pouco de ânimo para recebê-los. Até porque, não queria que eles percebessem que estava desanimada e pior, que deduzissem que aquele meu estado fosse por ainda não ter superado aquele cretino.
"E será que um dia tu vai conseguir isso, insolente?"
"Claro que sim!"
"Primeiro de Abril já passou faz tempo, só para você saber, insolente!"
"Me erra, inferno!"
As conversas seguem animadas. Meus pais parecem ter amado meus convidados. Mamãe visivelmente encontrou entrosamento de cara com Morgan. Já papai parece ter se dado muito bem com Doug, apesar de ter em comum com Memo o gosto por vinhos.
Ali na roda de conversa, eu, eventualmente, falava uma coisa ou outra. A verdade é que eu estava mais mesmo para espectadora e ouvinte dos papos mais aleatórios que rolavam e que eram puxados por Morgan. Talvez se ela não estivesse ali, as coisas fossem mais monótonas e até sem graças.
Quando faltava pouco para a meia noite, mamãe e eu fomos colocar algumas comidas da ceia para aquecer.
— Você fez a ceia?? Pensei que não soubesse cozinhar bem. Pelo menos foi o que você comentou comigo certa vez.
— E não sei. Foi mamãe quem preparou a ceia. Fui apenas uma assistente dela. — comento com Morgan já de volta da cozinha.
— Assistente bem desastrada, diga-se de passagem.
— Olha quem fala, dona Laura!
— A verdade é que nenhuma delas é tão boa assim na cozinha. — papai comenta em um tom falsamente baixo.
— Carl!
— Pai!
Nossos convidados caem na risada diante da minha insatisfação e de mamãe.
Alguns instantes depois já é meia noite e é chegado o momento de desejar "Feliz Natal".
Vou às lágrimas ao receber um abraço apertado de meus pais, seguido de palavras de carinho e alento. Eles têm sido tão incríveis comigo.
Toda situação que envolveu Grissom, eu e nosso término, além é claro da vinda de um neto, só fizeram com que os vínculos com meus pais se fortalecessem ainda mais.
— Obrigada pelo apoio incondicional que vocês vêm me dando nos últimos tempos. — sussurro aos dois com lágrimas nos olhos.
— Você é nossa filha, querida. E sempre terá nosso apoio.
— Você e nosso neto podem contar conosco para tudo, Ju. — papai endossa.
Foi a melhor coisa de se ouvir.
Quando descobri a gravidez, eu achei, de verdade, que eles fossem rejeitar meu bebê por ser filho do Grissom. Inclusive já estava preparada para isto, mas, felizmente, não foi este o caso. Eles aceitaram meu bebê e me acolheram como não achei que pudessem acolher.
— Obrigada de verdade.
— Não tem que agradecer nada, minha filha. — mamãe diz secando com delicadeza minhas lágrimas. — Só estamos fazendo o nosso papel de pais, que é apoiar e cuidar de você.
Assenti feliz por ver que eles estão comigo para o que precisar.
O celular da mamãe toca e ela avisa que é Maryane. Pedindo licença, ela se afasta junto com papai para atender a chamada da minha prima.
Foi só meus pais se afastarem de um lado e Morgan se aproximar do outro para me felicitar toda saltitante como não pode deixar de ser Morgan Brody.
— Feliz Natal, chefi... Quer dizer, Sara. — ela se conserta rapidamente ao meu olhar de recriminação. — Que todos os seus desejos se transformem em realidade, e que cada dia do próximo ano seja repleto de paz e luz na sua vida e desse bebezinho que está aí na sua barriguinha. — Morg me abraça e sinto os olhos se encherem de lágrimas por seu discurso.
— Obrigada, querida. — digo com voz trêmula de emoção.
Outra coisa que tenho ficado é uma manteiga derretida. Qualquer coisa já estou com os olhos cheios d'água e a voz já embarga, para logo em seguida está me desmanchando em choro. São os benditos hormônios!
— Feliz Natal pra você! — me afasto, desfazendo nosso abraço. — Ou melhor, Feliz Natal aos dois, meus queridos. — estendo a outra mão para Memo que a segura no ato. — Desejo do fundo do coração, tudo de bom a vocês, que sejam muito, mais muito felizes juntos e que a alegria do Natal invada a casa de vocês e faça morada por todos os dias do novo ano.
— Obrigado, Sar! — Morgan agradece com os olhos marejados.
— Tudo isso em dobro a você também, Sara. — Guillermo fala apertando e balançando levemente minha mão. — Saiba que tem aqui em nós, dois amigos com quem pode contar sempre que precisar.
— Agradeço! E vocês também podem contar comigo. E saibam que... Vocês se tornaram em tão pouco tempo pessoas especiais na minha vida, que espero levar pra sempre comigo.
Sou agradecida demais pelo fato de alguém lá encima ter colocado Morgan em meu caminho. Minha alegre assistente, sem sombra de dúvidas, tornou minha adaptação na BoB muito mais fácil, rápida e melhor. E de bônus ainda ganhei a amizade gratuita de seu namorado como o mesmo acabou de deixar explícito.
— E seus pais aonde foram? Quero desejar "Feliz Natal" a eles também.
— Minha prima ligou e eles foram atendê-la. Daqui a pouco estão de volta.
— Aquela prima? — Morgan cochicha e com uma careta assinto em confirmação.
Um pigarro é ouvido por nós.
— Será que agora posso cumprir a dona da casa e desejar "Feliz Natal" a ela também?
— Ai, claro! Desculpa por monopolizar a Sar. Pode cumprimentá-la agora, homem. — Morgan se afasta sorrindo junto com Memo.
— Bom, minha vez de te felicitar. — Doug se pronuncia após ficarmos só os dois enquanto Morgan e seu namorado estão mais afastados. — Quero desejar um Feliz Natal pra você, Sara! Que a felicidade seja seu presente mais valioso hoje e sempre, depois é claro, desse bebê que carrega na barriga. — ele sorri, lançando um rápido olhar para o pequeno volume arredondado em minha barriga, para logo depois abrir os braços em um pedido de abraço, que eu aceito de bom grado lhe conceder.
— Feliz Natal pra você também, Doug. — respondo, deslizando as mãos por suas costas enquanto ainda estamos abraçados. — Obrigada pelas palavras e pela presença, de verdade. Desejo tudo de melhor na sua vida, de coração.
— Obrigado! Que este seja o primeiro de muitos Natais que passamos juntos. — ele cochicha.
— Quem sabe, né?! — retruco já desfazendo nosso abraço e encontrando Doug com um sorriso largo.
Sobre a mesinha ouço meu celular apitar e noto uma enxurrada de mensagens começando a cair. Pela barra de notificação, vou vendo o nome de Dayse, alguns dos meus amigos e antigos companheiros de trabalho da NP, Owen, Washington, Brooke, John, Li e até Louise, de quem me aproximei nas últimas semanas lá na editora. E um nome a mais nessa lista aparece por último e me deixa tensa: Lewis. Algo me diz que não deve ser ele, e sim, aquele cretino do irmão dele. Quando Grissom irá me deixar em paz?
— Algum problema aí, Sara?
Ergo os olhos do celular para encontrar Doug me encarando de modo curioso.
— Ah, nada de mais. — devolvo o celular à mesinha.
Mais tarde, com calma, respondo a cada um que me enviou suas felicitações e resolvo se vou abrir ou não a de Lewis. Por hora, irei me concentrar em meus convidados, ainda que agora, depois de ler o nome de Lewis, isto se torne uma tarefa difícil.
Mamãe, juntamente com papai retornam para perto de mim e Doug, assim como Guillermo e Morgan. Alguém sugere abrir os presentes e agradeço, pois certamente, irá me distrair com isso, e é o que fazemos. Momentos mais tarde, estamos à mesa desfrutando da ceia.
***
— Meninos, obrigada de novo pelo presente. Eu amei.
Eles haviam me presenteado com um lindo colar com um pingente cravejado. E para o bebê, uma girafa de pelúcia, que achei a coisa mais fofa.
— Que bom que gostou. Eu também adorei o meu presente. — Morgan pula toda empolgada
Como soube que ela adora espetáculos da Broadway, então consegui arrumar com um contato um par de ingressos VIP para a estreia de "Pretty Woman — The musical"**, no teatro Nederland, que ocorrerá em fevereiro do ano que vem.
— E eu o meu, Sara. — Memo se pronuncia.
Para o presente dele precisei sondar Morg com discrição para não levantar suas suspeitas, sobre o que o namorado gosta. Assim, descobri dias atrás, que o homem gosta de livros e vinhos. Então optei por um livro que fala sobre vinhos: Guia Essencial do Vinho, escrito por uma Sommelier respeitada e de fama internacional, segundo diz a contracapa do exemplar, lançado esse ano.
— Fico contente!
Trocamos mais algumas palavras ali na porta antes dos dois partirem dali para a casa deles. No segundo seguinte é de Doug que me despeço.
— Foi um prazer passar o Natal com você e conhecer seus pais, Sara. Obrigado, pelo convite, mais uma vez.
— Que isso. Sou eu que agradeço por ter vindo.
Trocamos um abraço em seguida e depois Doug se vai levando seu presente que comprei: uma camiseta.
— Muito boas companhias, seus convidados, filha. — ouço mamãe comentar assim que me viro após fechar a porta.
— São mesmo. — confirmo e faço uma careta.
— Que foi, querida?
— Um pouco enjoada. Acho que exagerei na ceia.
— Melhor subir e se deitar, filha.
— Não. Vamos ajeitar as coisas aqui.
Tinha a louça para lavar, recolher os papéis de presente, guardar a ceia, enfim essas coisas que sempre sobra para fazer depois que os convidados se vão.
— Não se preocupe com isso. Seu pai e eu cuidamos das coisas.
Eu pensei em contestar e dizer que eles são visita, mas o embrulho em meus estômago fez com que me calasse e acatasse a sugestão de mamãe.
Me despeço deles com abraços e beijos, e sigo para meu quarto, onde tomo uma boa ducha, visto meu pijama quentinho e então me acomodo sob as cobertas com o celular em mãos, ainda sentindo o leve enjoo desconfortável.
Como não estava com sono ainda, resolvi ler as mensagens e responder algumas. Umas eram breves, enquanto outras eram quase um texto mas todas belas e expressando lindas palavras.
Deixei por último a mensagem que, supostamente, seria de Lewis. Não tenho certeza se é dele mesmo e, menos ainda, se quero abrir. Uma parte está curiosa para descobrir se de fato foi Lewis o remetente, enquanto a outra receia ver que seja do irmão cretino dele.
— Melhor não abrir. — decido pelo bem da minha sanidade, posto que se for Grissom, sei que isso irá mexer com minha mente. — Sinto muito, Lewis. — digo enquanto excluo a mensagem sem sequer abrir.
"Fala, safada?! Como está sendo o Natal por aí?"
Sorrio da mensagem de Dayse. Mando então um áudio para ela contando a noite agradável com meus pais e meus convidados.
Ficamos de papo por algum tempinho até que o sono bateu e eu me despedi da Dayse, com ela reforçando que mais tarde estaria ali em casa e traria surpresas, assim mesmo no plural. Tentei barganhar com ela sobre que surpresas seriam essas, mas nada feito! Ela não quis me dizer. Só me resta esperar mesmo.
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