After Separation - Livro 2
23 Capítulo XXI
Notas iniciais
A nossa sorte é que Owen outra vez tinha acabado de parar em um novo semáforo, porque seria certeiro que ele enfiasse o pé no freio de modo brusco, porque foi deste mesmo modo brusco com qual sua cabeça se virou para mim e assim, me encarou de olhos arregalados.
— Grávida?
— Sim... Do Grissom — completo após uma breve pausa.
Owen assente e fica calado, talvez digerindo a notícia.
— Ele já sabe?
Seu questionamento vem quase um minuto depois quando ele já tinha retomado a direção e guiava o carro pela rua movimentada. Tanto que quando ouvi a pergunta me assustei de leve, porque achei que ele fosse ficar calado pelo restante do trajeto.
— Não. Você está sendo a primeira pessoa a quem conto. — revelo.
— Uau! Fico feliz pela confiança então.
Lanço um olhar para ele e sorrio de modo forçado, sem qualquer pitada de alegria ou entusiasmo.
— Chegamos. Lá dentro a gente conversa melhor sobre isso se quiser.
Apenas assinto em resposta.
Enquanto descemos e depois nos dirigimos para o interior do restaurante, eu vou me questionando outra vez se devo ter essa conversa com Owen. Quero falar mesmo com a Dayse, mas Owen está mais acessível no momento e eu preciso desabafar logo ou me sufocarei com aquilo.
O garçom nos acomoda em uma mesa e nos estende os cardápios. Owen então pede duas limonadas para tomarmos enquanto escolhemos nossos pedidos.
— E então? Quer conversar sobre isso? — ele me lança a questão poucos segundos após o garçom nos deixar a sós.
— Eu ainda estou desnorteada com essa notícia.
— Imagino. Você disse que ele ainda não sabe. Quando pretende contar?
— Não sei se pretendo. — externo sem me dar conta do que falo.
— Como?
Observo Owen me encarar por cima do cardápio de olhos arregalados.
— Quê? — pergunto sem entender sua expressão assustada.
Antes que ele me responda o garçom chega com nossas limonadas. E é somente quando ele se retira que Owen se pronuncia outra vez.
— Você não pretende contar ao Grissom sobre o bebê?
Então me dou conta de que acabei contando para ele o que tinha pensado. Não era para ter dito aquilo em voz alta, mas se foi... Foi!
— Por que eu deveria? — retruco com outra pergunta e sentindo um pouco de raiva.
— Porque ele é o pai, não é óbvio? — ele baixa o cardápio e o deposita sobre a mesa para me.encarar de modo mais incisivo.
— Ele me abandonou pra casar com a minha prima por dinheiro. — retruco com raiva mais explícita. Desde o término o sentimento que me remete ao Grissom quando mencionam o nome dele é unicamente de: raiva.
— Sar... — ele junta as mãos como se fosse fazer uma prece e só então procede. — Independente do motivo dele ter te deixado. De ele ter sido errado como foi com você. Te magoado um bocado, mas é direito dele saber.
Eu não vejo deste modo. Para mim, ele não merece saber. Provavelmente é a raiva falando isso por mim, mas no momento é o que sinto. Grissom não é merecedor de saber da vinda dessa criança. Não depois do que me fez.
— Pra quê? — indago encarando Owen nos olhos. — Pra mulher dele dizer que fiz isso para destruir o casamento deles?
Vejo o meu amigo/chefe alisar o maxilar liso e ficar me encarando por segundos, antes de se inclinar para frente e em um tom mais sério, me diz:
— Sara... Dane-se o que a mulher dele vai dizer. Não pague o mal com o mal. Grissom foi um escroto com você, mas não seja assim também. Conte para ele sobre o bebê.
É muito fácil dizer isso, quando não foi ele o abandonado, magoado e com quem Grissom foi escroto.
— Owen... contar ao Grissom, consequentemente vai implicar em tê-lo perto de mim e não quero isso. Não o quero perto de mim depois de tudo que houve... Do estrago que ele me causou.
A ferida causada por aquele cretino ainda dói demais para eu suportar Grissom perto de mim.
— Imponha limites então. Dê as cartas, Sara. Se imponha. Sabe o que eu percebi só ouvindo as poucas vezes que você me contou sobre sua relação com o Grissom?
— O quê?
— Que você sempre foi submissa demais a ele e às vontades dele. Está na hora de mudar isso. Se você não o quer por perto, deixe isso explícito para ele. Não sei como isso será possível com um bebê no meio, mas externe sua vontade e lute por ela. E o Grissom terá que respeitar o que você quer.
Ele tem razão, mas eu conheço aquele cretino. Duvido muito que ele mantenha distância de mim depois que souber desse bebê. Porém não custa tentar e me impor como bem disse Owen.
— Você está certo. Pensarei em um modo de mantê-lo longe ser viável, caso eu resolva contar para ele.
— Como assim, "caso resolva contar para ele"?
— Eu não estou certa se quero contar ao Grissom.
— Mas...
— Por favor, Owen... — digo, interrompendo-o. — Não me agrada a ideia de contar para ele, mas devo reconhecer que, infelizmente, você tem razão quando diz que o Grissom tem o direito de saber. Porém entenda o meu lado também. Ele me magoou de um jeito que ainda dói muito. Eu sinto raiva do simples fato de falar com ele, quanto mais de tê-lo por perto, porque ele vai querer acompanhar essa gestação.
— Porque é direito dele.
— E o meu direito de não querê-lo perto não pode ser levado em consideração?
Owen dá um longo suspiro. Sua mão vem repousar sobre a minha.
— Sim, claro. Me desculpe, Sar. — ele pede, afagando de modo carinhoso o dorso da minha mão. — Eu não queria te aborrecer. Mas pense com cautela nessa situação. Não tome uma decisão no calor do momento. Sei que há muita mágoa da sua parte e não é para menos, Grissom errou feio com você. Até eu peguei raiva dele por você. Só que não o prive dessa criança. Pense assim, e se fosse o contrário? Você não gostaria que te informassem que você seria pai? Seja sincera.
— Sim! — resmungo.
— Pois então. Mas... Quer seja a sua decisão, saiba que estou aqui para ajudar. Pode contar comigo. — ele pisca um olho e sorri.
— Obrigada!
— De nada!... Agora, vamos pedir, porque já já o nosso horário de almoço acaba.
A comida dali é algo surreal de boa. Por sorte não enjoei e comi tudo com muito gosto. Nosso almoço foi regado a conversas sobre o bebê. Owen, inclusive, já se intitulou padrinho do bebê e até já faz planos para levá-lo para assitir jogos de basquete.
— Não sabia que gostava de basquete?
— Gosto e vou levar o bebê para assitir o melhor time da liga o New York Knicks.
— Quero vê se for menina!
— Vou levar do mesmo jeito, ora. Ser menina não impede nada. — ele dá de ombros e caímos na risada, porque realmente ele está certo.
***
— Eu sabia... eu sabia... eu sabia...
Mesmo com os dedos indicadores tapando os ouvidos, eu ainda sou capaz de ouvir com perfeição o escarcéu de Morgan após lhe contar sobre a gravidez. Eu até tentei fugir da conversa, mais aquela peste não me deu sossêgo enquanto não abri o bico. Dayse vai comer meu fígado, porque ela será só a terceira pessoa a saber daquilo quando deveria ser a primeira. Mas também quem manda não atender o celular e estar ocupada.
— Grávida. A chefinha está gravidinha.
— Fala mais alto pro prédio todo ouvir, criatura.
— Ai, é pra ser segredo?
— Por enquanto sim.
— Mas logo a barriga vai...
— Eu sei. Mas por hora não é pra saberem. Portanto, bico fechado, Morgan.
— Você fala como se eu fosse uma fofoqueira que vai sair espalhando tal notícia. Eu hein?! Não sou assim, chefinha.
— Eu sei que não. Desculpa, amiga.
Me levantando da cadeira vou até Morg que está parada do outro lado da mesa, com os braços cruzados e uma carinha de triste; lhe dou um abraço e um beijo na bochecha.
— Me desculpe. Não quis ofender você.
— Ok, chefinha. — ela me dá um beijo de volta. — E o papai quem é?
Por sorte sou salva de responder isso pelo toque do meu celular.
— Alô! — sem ver quem está ligando, atendo a chamada bem diante de Morgan, que sinaliza com a boca que vai para sua mesa. Assinto agradecendo mentalmente por sua saída.
— Olá, Sara, amiga do Bolton!
— Quem é? — questiono estranhando aquele modo de se referirem à mim, e principalmente, a voz que se pronuncia do outro lado da linha.
— Nossa! Já esqueceu de mim. O seu babá quando tomou um porre algumas semanas atrás.
— John? — arrisco incerta antes de afastar o celular da orelha rápido e constatar que de fato é ele, já que seu nome está na tela do aparelho.
— Parece que alguém lembrou agora. — ouço sua leve risada. — Pensei que lembraria pela forma que te chamei, já que foi você mesma quem salvou seu contato assim no meu celular.
Deus como fui esquecer da voz dele, principalmente o modo pelo qual se referiu à mim, já que como ele bem disse, fui eu quem salvei o meu contato deste modo em seu celular.
— Desculpa. Eu estou um tanto avoada hoje.
O que não deixa de ser uma verdade. A notícia da gravidez me deixou com um turbilhão de sentimentos.
— Sem problemas. Tá ocupada?
Lanço um olhar para um manuscrito recém chegado e alguns papéis que Morgan me trouxe, que preciso despachar o quanto antes. Adoraria ignorar aquelas coisa, mas não posso, infelizmente.
— Um pouco.
— Ah, então não vou te atrapalhar. Em outro momento ligo pra gente conversar. Estou na cidade de novo.
— Como assim de novo? Não estava antes? — indago, me acomodando em minha cadeira.
— Estava no México a trabalho. Retornei ontem.
— Ah, sim.
— Mas logo viajo outra vez. E antes disso a gente podia marcar de sair pra jogar conversa fora. E, a Dayse precisa ir também senão não tem graça. — ele sorri do outro lado da linha enquanto franzo a testa. — Vou ficar na cidade por duas semanas. Depois vou ao Brasil.
— Ok, vamos marcar alguma coisa antes de você viajar. Talvez lá em casa, já que você me deve uma ida lá.
— Verdade. Então pode ser na sua casa.
— Eu te ligo para marcar.
— Tá bom. Vou ficar no aguardo então. Não vou mais te atrapalhar. Beijos.
— Beijos. — digo antes de encerrar a chamada um tanto surpresa com a ligação dele. Não falei mais com ele desde que me deixou em casa no dia da minha mudança. Nenhuma mensagem sequer trocamos, talvez porque ele estivesse ocupado demais lá onde estava a trabalho. Mas que bom que ele apareceu.
***
Quando ouço a campainha tocar, salto em um pulo do sofá e corro para atender a porta ciente de quem seja.
— Oi, Sa...
Nem deixo Dayse completar a frase e já me atiro em seus braços aos prantos.
— Amiga o que houve?!
Ouço sua pergunta em tom assustado e me agarro mais forte a Dayse, chorando copiosamente. Eu não havia lhe avisado que iria ao médico hoje. Achei melhor contar depois de ter ido, porque tinha esperanças de que a gravidez fosse negada, o que não ocorreu.
E por falar na gravidez não planejada, a descoberta dela me deixou em completo pânico e por mais que para Morgan e até mesmo Owen, eu tenha disfarçado isso. Para Dayse, eu não precisava e com isso, estava deixando extravasar através daquelas lágrimas todo o meu pavor com a situação.
— Sara, você está me assustando.
— Eu estou grávida do Grissom! — revelo entre soluços do choro.
— Quê?! — ela berra.
— É isso que ouviu. E eu tô desesperada.
— Vamos entrar, amiga. E lá dentro a gente conversa melhor.
Dayse me guia para dentro de casa após fechar a porta.
Feito uma autómata sou posta no sofá por Dayse.
— Vou pegar uma água pra você. Em seguida me conta direito essa história.
Só sou capaz de assentir ainda aos prantos. Parece que abriram a torneira dos meus olhos e as lágrimas não param de jorrar.
Vejo minha amiga sumir em direção à cozinha e voltar instantes depois empunhando o copo de água.
— Bebe, amiga!
A água estava com um gosto adocicado, que me deixou levemente enjoada no terceiro gole, por isso logo parei de beber.
— Não quero mais. Isso está me dando enjôo.
— Ok. Não bebe mais. — ela toma o copo da minha mão e o deposita sobre a mesinha de centro.
— Isso não podia ter acontecido, Dayse. — resmungo após um par de segundos de um silêncio que se estabelece entre nós.
— Você tem certeza?
— Fui ao médico hoje e fiz o exame de sangue. Deu positivo.
— Ah, merda!
Minha amiga resmunga enquanto afunda ao meu lado no sofá.
— Tudo o que eu não precisava era uma gravidez agora, ainda mais daquele cretino.
— Pensei que tivesse dito que não ia mais descuidar de tomar a pílula, depois daquele susto da primeira vez que desconfiou estar grávida dele.
— Pois é. — é a minha vez de afundar no sofá, me juntando à Dayse. — Aconteceu tanta coisa que acabei em algum momento parando de tomar.
— E agora, Sara?
— Não tenho a menor ideia do que fazer. Ainda estou tão perdida com essa descoberta, amiga. — as lágrimas que alguns instantes havia deixado de cair, voltam a rolar por meu rosto.
— Ô, amiga! — ela me abraça apertado. — Você sabe que pode contar comigo pra tudo, não é?
Apenas consigo balançar a cabeça em confirmação enquanto meu rosto está escondido na curvatura do pescoço da Dayse. Ela é a segunda pessoa que me diz isso.
— Pois é. Estou aqui com você para o que der e vier. E para o meu afilhado também.
— Afilhado? — indago me afastando um pouco de Dayse e, com isso, desfazendo nosso abraço.
— Eu acho que será um menino. Um pirocudinho que nem aquele cretino do Grissom.
— Argh, não me fale esse nome. — reclamo retorcendo o rosto em desagrado e enxugando as lágrimas com ambas as mãos. — Eu não podia ter cometido a burrice de engravidar dele. Parece castigo.
— Ei, não fala isso! Criança não é castigo. Parece minha mãe quando falava comigo na época que eu era criança. — Dayse chama a minha atenção de modo sério.
— Desculpa. Você tem razão. Essa criança não tem culpa.
— Exatamente. E não seja com ela o que minha mãe foi comigo: uma péssima mãe, porque eu também não fui planejada. Acho que é por isso que a minha mãe não fazia questão de exercer seu papel e a Nana tomou esse posto, com excelência diga-se de passagem.
— A Nana é uma mãezona pra você.
— E eu sei que mesmo com esse pânico todo... você também será uma mãezona pro meu pirocudinho.
— Para de chamar o bebê assim. — reclamo. Termo mais horrível esse que ela resolveu dar. — Além do mais, pode ser uma menina.
— Uma periquitinha como você.
— Meu Deus, Dayse! Olha sem condições pra você.
Ela começa a rir e eu acabo rindo junto com ela. Só essa louca para me tirar um sorriso diante dessa situação aterrorizante em que me encontro.
— Brincadeiras a parte, amiga... — Dayse diz cessando o riso gradativamente. — Sei que não quer falar daquele cretino...
— Ah, não, Dayse. — a corto. Não quero mesmo falar de Grissom agora.
— Sara não adianta empurrar para baixo do tapete. Quando pretende contar pra ele?
Outra pessoa que me faz essa pergunta em menos de 24hs.
— Eu não quero contar. Para mim, o Grissom não merece saber desse bebê.
Vejo Dayse suspirar.
— Realmente, ele não merece mesmo. Foi um escroto com você. — diz cruzando os braços e com cara de poucos amigos.
A revolta é gritante na fala da minha amiga. A mesma revolta que grita dentro de mim e por cada poro meu.
— É verdade. — concordo com a Dayse. — Só que o Owen disse que ele pode ter sido errado como foi comigo. Ter me magoado um bocado, mas é direito dele saber. — lanço um olhar a Dayse para saber sua opinião que não tarda nada em vir.
— Não queria ter que dizer isso, mas... o sósia do Damon Salvatore tem razão... infelizmente!
O pior de tudo é que sei disso. Só que não me agrada a ideia de contar ao Grissom. Por mim esse bebê ficaria em total desconhecimento dele, mas isso não é possível. Então, talvez eu conte quando essa criança nascer. Ou mais depois, ou quando eu estiver pronta para suportar a presença de Grissom perto de mim sem sentir raiva, se é que isso algum dia será possível.
— Espera aí... Owen?... Seu chefe soube primeiro que eu que sou sua melhor amiga?
— Ai, Dayse, não é hora para isso! Eu queria ter contado a você primeiro, mas você não me atendia e eu precisava desabafar. Owen foi a pessoa mais acessível no momento, porque o encontrei por coincidência na saída da clínica.
— Sei!
Nem vou falar nada que minha assistente também soube antes dela senão o surto dela será maior ainda.
— Pelo menos fui a segunda pessoa.
— Já prevejo a Maryanne surtando e dizendo que fiz de propósito. — digo, ignorando o comentário de Dayse.
— Não duvido que ela diga isso mesmo. Mas sabe o que prevejo também?
— O quê?
— O cretino do Grissom surtando de alegria com a notícia, porque uma coisa que ele deixou bem claro quando houve a possibilidade de você estar grávida da outra vez, é que ele queria ser pai de um filho seu.
Suspiro.
— Eu não o quero por perto! — murmuro, mas não o suficiente para não ser ouvida por Dayse.
— Meio impossível, porque você o conhece e sabe que assim que contar sobre esse bebê. Aquele cretino pega o avião dele e vem brotar aqui na sua casa.
— Ele não sabe onde moro!
— E você acha que aquele psicopata não descobre isso em dois tempos? Se duvidar ele até já sabe que você se mudou e não mora mais comigo.
Arregalo os olhos assustada.
— Não me olhe assim que você sabe que isso é bem capaz.
Pior que é verdade. Se ele descobriu daquela vez a boate que eu estava, não ia descobrir sobre meu novo endereço, se duvidar até do meu novo emprego.
— Quando pretende contar para ele?
— Não tenho ideia.
— E aos seu pais?
— Puta merda! Ainda tem eles! — cubro o rosto com as mãos.
Deus! Como será que eles vão reagir? Continuarão ao meu lado dando o suporte como tem sido, ou me virarão às costas?
— Pois é tem. Se eu fosse você começava por eles e depois contava ao cretino do Grissom.
— Farei isso!
Aquela noite Dayse dormiu ali em casa. Ficamos conversando mais sobre o bebê até noite adentro. Dayse se mostrava mais empolgada que eu. Traçando já planos sobre enxoval, nome do bebê e por aí vai. Talvez o susto ainda não me deixe curtir a gravidez e vê-la com essa energia elétrica e feliz com a qual minha amiga vê.
Há medo, dúvidas, incertezas de como as coisas serão; de como contar àquela cretina a notícia e quando contar; de como mantê-la longe de mim mesmo que tenha esse bebê para fazer o efeito contrário, caso eu decida contar antes do seu nascimento Porque como bem disse Camilla, eu conheço a Sarah bem. E posso quase garantir que se eu contar, ela virá até mim assim na hora. Certeza até que vai querer acompanhar a gestação, mas eu não a quero perto. Não depois da escolha que ela fez. Não depois de eu e o nosso amor não termos sidos preteridos por ela, e sim o patrimônio da família dela.
***
Alguns dias depois...
— Entrega especial para a minha chefinha gravidinha.
Vejo Morgan adentrar em minha sala balançando uma sacola de papel de uma confeitaria conhecida.
Abro um sorrio.
— São as que nem do folden?
— Mas é óbvio! Não quero seu bebê nascendo com cara de rosquinhas de limão com cobertura de creme.
— Até parece que isso é verdade, criatura. Não passa de lenda, Morg. — retruco já pescando de sua mão a sacola de papel com as rosquinhas. Meu primeiro desejo de grávida foram essas benditas que vi em um folden na mesa do Morgan. Na hora que meus olhos bateram na imagem das rosquinhas no papel de uma doceria no centro, a boca se encheu de água e eu quis aquelas rosquinhas de limão com cobertura de creme. Minha assistente se prontificou no mesmo instante em ir atrás delas, por conta dessa tal lenda.
— Lenda ou não, é melhor não arriscar.
— Hum... — resmungo já dando uma mordida no doce, que está uma delícia.
— Está bom?
— Divino!... Céus! Isso é de outro mundo. — digo antes de dar outra mordida na rosquinha. A massa é leve e chega a derreter na boca. E o que é aquela cobertura de creme com raspas de limão? Uma coisa de louco!
— Que bom que gostou. Quando tiver outro desejo é só me avisar!
— Vou me lembrar disso quando for de madrugada. — digo com um sorriso malvado escapando do canto dos lábios.
— Aí, você já quer me lascar, né chefinha?!
Caio no riso da cara de indignação da minha assistente, que para a minha satisfação não ousou mais perguntar sobre o pai do bebê. Não quero ficar alardeando por aqui sobre o nome do Gilbert, até porque, não sei quando pretendo contar para ele. E se é para aquele cretino saber que seja por mim e não por terceiros, porque fofoca é uma desgraça, uma hora ou outra acaba caindo no ouvido errado. Mesmo que Grissom esteja em outro continente à milhas e milhas de distância, essa fofoca pode chegar no ouvido dele sem que seja por mim. Sendo assim, quanto menos pessoas souberem que ele é o pai dessa criança que carrego, será melhor. Apenas só saberão quem eu sei que em hipótese alguma farão com que chegue nele essa informação que não seja por mim.
— Estou brincando, Morgan.
Para isso eu tenho a Dayse. Ela mesmo disso com todas as letras que se eu sentir algum desejo maluco pela madrugada que é para ligar para ela. Quero só vê quando isso acontecer se ela vai cumprir.
— Ah, antes que eu me esqueça... o gostoso do editor de artes pediu para você ir lá com ele vê o que acha do esboço da capa de um livro.
— Hum... e por que o Doug não traz aqui?
— Se quiser peço pra ele.
— Por favor, peça. Não estou muito disposta a descer até a sala dele.
— Sim senhora. Vou agora mesmo.
— Obrigada, Morg. Por isso e pelas rosquinhas.
— De nada, chefinha!
Devoro a outra rosquinha logo após a saída de Morgan. Tão logo acabo de comer e meu celular toca sobre a mesa. Na tela vejo a palavra mãe piscar.
Cinco dias já haviam se passado da descoberta da gravidez e até agora não tinha criado coragem de ligar para eles e contar sobre o neto que eles vão ganhar.
— Oi, mãe?! — atendo com certa hesitação.
— Oi, meu amor. Como está?
Grávida!
— Bem e vocês?
— Estamos bem também. Sei que está no trabalho então serei rápida, até porque também estou no hospital.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada demais. É só que... Você sabe que o dia de Ação de Graça é na próxima quinta-feira, né?
Jesus! Dali à cinco dias. Nem tinha me dado conta. Logo meu estômago começa a embrulhar, porque eu começo a supor o motivo da ligação dela. O dia de Ação de Graças é uma data que meus pais adoram que a família esteja reunida. E tudo o que eu não preciso no momento é dar de cara com o casal Grissom e Maryanne.
— Mãe, eu não acho uma boa ideia minha presença. Não quero topar com a minha prima e o marido dela. — digo sem rodeios.
— Não se preocupe, querida. Eles não virão, justamente para não ter esse mal estar. Então queremos você aqui e não aceitamos que falte.
— Ok! — respondo ainda sem acreditar que minha prima não estará lá. Ela sempre faz questão de estar com meus pais nessa data. — Maryanne não irá mesmo, mãe?
— Não, querida. Ela e Grissom irão passar com Lewis e Edgar, que vão para Alemanha visitá-los.
Respiro mais aliviada. Em seguida penso em como aquela será uma ótima oportunidade para contar a eles sobre o bebê.
— Estarei aí então.
— Te aguardaremos, querida. Venha um dia antes, assim fica mais dias em casa conosco.
— Tá bom. Se eu conseguir voo para antes, irei. Senão no dia mesmo estarei aí.
— Ok, querida. Beijos. Amo você.
— Também te amo, mãe. Beijos.
Após a ligação encerrar, me recosto à cadeira e suspiro. Acho que no primeiro momento eles não receberão bem a notícia devido as circunstâncias e o fato de quem é a outra mãe daquele bebê. Mas creio que depois ficarão felizes, já que sempre externaram o desejo de serem avós. Pelo menos, eu quero crer que assim será. Do contrário, será uma decepção para mim.
Fale com o autor