Notas iniciais
Depois de meses trago atualização desta fic. E com um bônus de ter o Sr.Gostoso aparecendo no capítulo. Só um aviso pra quem não ler Conectando-se, lá eu disse nas notas iniciais que faria hoje atualização de três fics e depois desta tripla atualização de história haverá um esquema básico de postagem que defini assim: eu estarei postando os capítulos apenas de Conectando-se. Acabou essa fic entra as atualizações somente de Sex Games. Finalizou SG então começo as postagens alternadas de O Golpe e After Separation. Portanto, amadas, vocês não fiquem chateadas com titia, mas a próxima atualização dessa fic vai levar um tiquinho para acontecer. Mas ela vai rolar, garanto! Agora segue abaixo o capítulo.

"Às vezes, é dos fracassos mais humilhantes que acontecem os "recomeços" mais brilhantes."

Cláudio Martins

***

Diante do espelho, eu encarava meu reflexo. Por fora eu parecia bem. Os cabelos bem escovados e brilhantes, uma roupa bonita combinada com a maquiagem feita com esmero, trataram de esconder as olheiras pelas duas últimas noites mau dormidas.

"Bola pra frente, garota. Quem perdeu foi ele!", foi o que a imagem refletida no espelho disse a mim mesma enquanto eu a encarava.

E eu tinha que concordar com o que ouvi dela. Foi Gil quem perdeu... Me perdeu, na verdade!

— Sara... Temos que ir! Está pronta? — Dayse bateu na porta do quarto, mas não a abriu.

— Estou sim, amiga. — respondi ainda de olhos focados em meu reflexo enquanto o via repetir-me sem emitir som as palavras: "Bola pra frente, garota!". Seguiria tal conselho mesmo.

Chega de chororô por quem não merece nenhuma das minhas lágrimas!

Da cama apanhei a bolsa e fui rumo a porta.

— Vamos nessa, Dayse! — falei firme e decidida após abrir a porta. A partir dali seria o meu recomeço.

***

A primeira coisa que fiz ao chegar no trabalho foi bater na porta do meu chefe, que naquele dia havia chego primeiro que eu.

— Brooke, você têm uns minutos para mim antes de começarmos o trabalho? Preciso conversar com você e gostaria que fosse logo agora.

Eu não queria adiar nosso papo para o fim do dia como Dayse sugeriu que eu fizesse durante o caminho para a editora. O quanto antes eu comunicasse ao meu chefe sobre a minha saída da editora, mais rápido Brooke poderia arrumar uma substituta. Tínhamos quinze dias para isso e esse período era curto.

— Claro, Sara. Entra aí.

Assim o fiz. Depois tranquei a porta já que não queria que fôssemos interrompidos e me aproximei de sua mesa apertando as mãos de nervoso, sendo que não havia necessidade de nervosismo com Brooke porque ele já sabia da proposta que recebi de Owen.

— Aconteceu alguma coisa? Você está meio abatida ou é impressão minha?

Achei que a maquiagem fosse disfarçar mais meu abatimento, mas pelo visto isso não rolou com meu chefe e seus olhos de lince.

— Aconteceu sim. — resolvi ser franca com meu chefe, contudo, não quis entrar em detalhes. — Só que prefiro não revelar o que foi, senão se importa. — me acomodei na cadeira posicionada de frente a mesa de Brooke.

— Tudo bem. Mas se mudar de ideia e quiser desabafar, estou aqui pra te ouvir.

Apenas assenti. Brooke era fora se sério. Um chefe incrível, além de uma pessoa maravilhosa. Se tornou um amigo que eu sei que posso contar a hora que for. Sentirei falta das nossas conversas, dos seus ensinamentos e de seu suporte que me fez crescer como profissional. Ele me incentivou, me deu liberdade, confiança e acreditou nas minhas apostas quando as pediu. Vou ser eternamente grata a ele por esse respaldo e principalmente, pelo carinho e amizade que sempre demonstrou pela minha pessoa. Eu o levarei como um exemplo de chefe ao qual seguirei.

— Mas sobre o quê veio falar?

— Então... — comecei a falar. E ciente de que não precisava fazer rodeios, fui direto ao assunto. -... Owen me fez uma proposta de emprego na BoB e me disse que você já sabe disso, porque ele mesmo te ligou antes de falar comigo. — vi meu chefe balançar a cabeça em sinal de positivo. Diante disto prossegui. — Pois bem, eu quero te comunicar que resolvi aceitar a proposta dele.

Um sorriso enorme estampou a face adorável do meu chefe galante. Logo em seguida, Brooke já estava de pé e dando a volta em sua mesa para vir me cumprimentar.

— Meus parabéns, Sara! — ele me felicitou enquanto me puxava da cadeira e me dava um abraço de urso. — Seria muita loucura da sua parte não aceitar uma ótima oferta dessas. E olha só... — Brooke se afastou um pouco para poder me olhar antes de prosseguir com sua fala. -...Mesmo sabendo que estou perdendo a melhor assistente que já tive até hoje e ganhando uma concorrente com um grande potencial no meio editorial, estou muito feliz por você, Sara. E tenho absoluta certeza de que se saíra brilhantemente no novo cargo de editora.

Suas palavras me deixaram emocionada e com água nos olhos. Ele era fofo e carinhoso demais!

— Obrigada, Brooke! — agradeci me segurando para não chorar, porque já tinha feito muito isso o final de semana todo e por um motivo bem diferente e mais doloroso. — ... Preciso te confessar que quando recebi a proposta do Owen me bateu um medo e uma insegurança de aceitar. Na verdade quase recusei a oferta dele. — seu olhar recriminatório, me fez completar rapidamente antes que meu chefe dissesse algo: — Mas Owen foi bem persuasivo e me convenceu a aceitar.

— Bom que ele te convenceu porque do contrário eu faria isso, senão teríamos problemas.

A careta que ele fez após tal fala me deixou tão confusa quanto suas palavras finais.

— Por que teríamos problemas?

Brooke deu um sorriso sem jeito e coçou atrás da orelha enquanto me olhava com cara de mea culpa. Tem coisa errada nessa história, quer vê!

— É que... — meu chefe fez uma longa pausa e em sua expressão detectei certo constrangimento e hesitação em completar a frase. Qual é o problema dele, gente?

— Brooke o que foi? — indaguei diante de sua hesitação.

— Não sei... Como dizer o resto sem talvez te chatear.

— Duvido que você vá me chatear. Fala.

— Bom, então tá. — ele cruzou os braços e se sentou na ponta da mesa. Só então começou a falar. — Quando o Owen me contou da proposta alguns dias atrás, eu meio que dei como certo que você aceitaria, até porque uma proposta desta é irrecusável. Sendo assim, poucos dias depois entrei em contato com uma agência de emprego para começarem a buscar no banco de dados deles do programa de estágio, algumas candidatas para a sua vaga de assitente editorial.

Eu arregalei os olhos tamanha foi a minha surpresa por ouvir aquilo. E só após dez segundos disse algo, ou melhor, exclamei algo.

— Uau! — precisei me sentar na cadeira atrás de mim. Sinceramente, não consegui distinguir com exatidão o que senti diante daquela revelação do Brooke. Talvez, uma mistura de profunda surpresa com choque total possam ser a melhor combinação.

— Me desculpa. Eu sei que fui precipitado, mas como eu disse, já dava como certo sua aceitação. — ele pronunciou se agachando a minha frente e tocando com uma das mãos o meu joelho.

— Pelo visto dava mesmo. — resmunguei mais para mim mesma do que propriamente ao Brooke.

— Me desculpe, Sara. Eu devia ter esperado mesmo. Bem que a Chloe me avisou para não agir sem você falar comigo primeiro, mas pra variar não ouvi a minha mãe.

— Não precisa se desculpar. Está tudo bem.

— Não está não. Você ficou chateada comigo não é? Pode ser sincera.

— Não, Brooke. — falei, repousando minha mão sobre a sua que ainda descansava em meu joelho. Não ia me chatear por ele se antecipar, até porque ele fez bem! Assim já adiantou o fato de eu ter que começar a procurar uma substituta para trabalhar com ele. — Mas admito que estou chocada com sua antecipação. — isso eu precisava deixar claro.

— Imagino.

— Mas tudo certo. Você fez bem.

— Quanto tempo Owen te deu para resolver as coisas por aqui e ir para a BoB?

— Quinze dias! E quando a agência ficou de mandar o currículo das possíveis candidatas?

— Já mandaram... há dois dias.

— E você já escolheu alguma?

Ele negou com a cabeça e em seguida explicou:

— Quero que você escolha a melhor candidata para a vaga. Se bem que acho que não existe melhor assistente que você, mas podemos tentar encontrar uma que chegue ao menos perto.

— Assim você vai me deixar sem graça.

— Mas é verdade, o que eu posso fazer. — ele deu de ombros e sorriu.

— Então se quer que eu cuide disso preciso dos currículos das assistente que a agência te mandou.

— É pra já.

Meu chefe se pôs de pé e gemeu de dor por ter ficado algum tempo agachar e levantado bruscamente.

— Céus estou ficando velho! — ele brincou enquanto dava a volta em sua mesa.

— Até parece! Olha que para um velho você ainda está bem jeitoso, sabia? — não resisti em comentar.

Brooke apenas caiu na risada do que eu disse. Então o vi puxar de uma gaveta um envelope pardo grande.

— Aqui. — ele me estendeu o envelope e eu tratei de pegar assim que me pus de pé. — Eles disseram que selecionaram cinco bons perfis. Escolha a que achar melhor. E caso não se agrade de nenhuma me diz que peço para eles selecionarem outras.

Eu involuntariamente comecei a rir do que ele disse.

— Qual é a graça? — ele me questionou com uma expressão confusa.

— Brooke quem tem que se agradar por algum perfil de candidata é você. Ela vai trabalhar com você não comigo. E se eu escolher uma que não te agrade, como vai ser?

— Confio de olhos fechados em você nessa tarefa. Sempre costuma ser certeira nas escolhas. Além do mais você me conhece e sabe como trabalho e gosto que trabalhem para mim, então não será tão difícil. Depois que tiver um nome é só ligar para a agência e eles entraram em contato com a moça para que façamos uma entrevista pessoalmente só por mera formalidade mesmo.

— Simples assim? — brinquei com ele.

— Acho que sim. — ele sorriu, fazendo sinal de positivo com as duas mãos.

Balancei a cabeça.

— Está bem.

Se ele confia em mim para tal incumbência, quem sou eu para contestar.

— Prioridade nisto ou faço depois que terminar as resenhas que havia pedido?

— Melhor deixa as resenhas para depois. Prioridade para essa substituta que quero que você já ensine tudo a ela. A gente pensa que quinze dias é tempo, mas não é nada.

— Está bem. Vou cuidar disto logo. — apontei a pasta com os currículos. — Qualquer coisa é só chamar. — avisei já me dirigindo a porta.

Segundos depois estava em minha mesa puxando do envelope pardo os currículos das candidatas a minha substituta.

— Vamos lá, Sara!

***

Escritório Care.Inc, Nova Jersey.

— Senhor Grissom, ela chegou. — pelo viva-voz a secretária me informa da chegada de Maryane.

— Espere um minuto e deixe-a entrar, por favor. — autorizo após um longo suspiro.

— Como quiser, senhor.

Ao encerrar a chamada, lanço um olhar ao envelope pardo em minha mesa. Nele está o contrato que meu advogado redigiu e deixou momentos atrás para que eu e Maryane assinemos.

Fiz questão de deixar claro a ela do contrato no sábado quando almoçamos juntos e lhe disse que terminei tudo com Sara para que nós dois nos casassemos. Maryane quis bancar a difícil e a princípio rechaçou a ideia do contrato, mas depois acabou mudando de ideia quando avisei que não haveria negociação quanto a este fato. Ou aceitava assinar um contrato e nos casávamos ou nada feito. E ela sabia bem que a não realização do casamento seria ruim tanto para ela quanto para mim. Nós dois tínhamos a perder. Sendo assim acabou deixando de teatro e aceitando a condição do contrato e agora, estava aqui para a assinatura dela.

A porta da sala se abriu e observei a secretária que outrora trabalhou para meu pai e que a partir de agora trabalharia para mim, dar passagem a minha futura esposa.

E pensar que coisa de poucos meses atrás, eu não teria qualquer problema em me casar com ela mesmo que entre nós não houvesse amor, mas ao menos havia certo respeito e uma amizade com seus benefícios. Só que agora, o respeito e a amizade se perderam quando ela começou a bancar a ex possessiva e vingativa.

— Olá, Gil!

— Sente-se. — me abstive da costumeira educação.

— Gostariam de um café?

— Não, Kimmy. Saía, por favor, agora. — mandei com seriedade e sem dar margem sequer de Maryane dizer se queria ou não café.

— Sim, senhor. Com licença.

Feito um coelho assustado e apressado, vi a secretária sair da sala em milésimos de segundos.

— Nossa, eu ia querer o café, sabia?

— Você toma café em outro lugar. Não veio aqui pra isso. O contrato. Assine! — estendi o envelope sem me dar ao trabalho de responder a pergunta que Maryane fez. Foda-se, se ela queria café.

— Quanta pressa. Antes, eu vou ler. E depois se eu estiver de acordo, aí assino. — ela disse com calma enquanto abria o envelope e puxava os papeis dentro dele.

— Maryane não me irrite. Estou pelas tampas com você. Assine! — mandei sem muita paciência e pegando uma caneta para estender a ela. Só queria que aquela mulher assinasse aquela merda de Pacto Nupcial e fosse embora daqui. E se eu poder vê-la só no dia do casamento, um tanto melhor.

— Está nervoso demais, hein?! Isso ainda é porque fui visitar sua ex-amante, que por sinal é minha irmã?

— Escuta aqui... — apoiando as mãos na mesa e ficando de pé, eu me inclinei para frente e olhei bem sério para Maryane. — Não me provoca, porque não vai gostar da minha reação.

— Calma, querido. Não quero que infarte de raiva e me deixe viúva antes do casamento.

Ia mandá-la a merda, mas respirei bem fundo e desisti. Algo me dizia que Maryane estava fazendo tudo aquilo com o intuito de me irritar mesmo. Só me pergunto se ela fará o nosso casamento este inferno que está tentando fazer agora esse nosso encontro.

— Lê de uma vez este contrato. — vociferei, retornando a cadeira giratória que foi do meu pai e agora era minha, assim como aquela sala da presidência. Na verdade ainda não era nada meu oficialmente, mas eu na cara dura e mão grande me apossei das coisas antes que o infeliz do Conrad o fizesse.

— Está bem, querido.

Por quase cinco minutos mais ou menos, eu fiquei esperando com um ódio absurdo, a boa vontade dela em terminar de ler toda a porra do contrato, cláusula por cláusula. Não era um contrato extenso com inúmeras cláusulas, apenas duas folhas e 10 cláusulas. Mas desconfio que ela estivesse lendo tão lentamente só sara me irritar mais ainda. E quer saber? Estava conseguindo.

E quando por fim Maryane terminou e eu achei que já ia assinar, fui surpreendido de maneira negativa com ela dizendo que queria que fosse incluída mais quatro cláusulas no contrato.

— Eu não vou incluir nada. — na mesma hora respondi.

— Então eu não assino.

Ela devolveu o contrato para o envelope e depositou calmamente na mesa. De um jeito debochado que estava me deixando mais ainda puto de raiva, Maryane ficou me encarando de braços cruzados.

— Você acha que realmente está em condições de impor alguma coisa, Maryane?

— Querido é você quem precisa de mim. Sem contar, que de nós dois você é o que tem menos condições de impor algo.

Ela parece tão confiante e segura de si, que desconfio que algo aconteceu para ela estar assim 'corajosa', porque em nosso almoço Maryane não estava tão confiante deste modo.

— Sábado você tinha concordado em assinar. Por que a mudança hoje?

Com um cruzar de pernas que no passado já me fez arrastá-la para cama, Maryane começou a falar muito tranquilamente.

— Me dei conta de que eu tenho o direito de estipular algumas regras a esse casamento na intenção de me preservar, assim como você está fazendo com essas cláusulas que estão aqui. Ou não é a sua intenção com um contrato deste?

— Óbvio!

Depois que tomei o conhecimento da víbora que ela era, eu tinha que me resguardar. Maryane tinha condições e regras a seguir para garantir que os benefícios do casamento lhes fossem dados.

— Então direitos iguais. Você me deixa incluir as cláusulas que quero ou nada feito, e seu primo Conrad vai ficar feliz da vida em ser o...

— Chega! — disse em alto e bom som ao mesmo tempo em que dava um soco na mesa fazendo um barulho alto que fez Maryane encolher os ombros de susto. Aquele comportamento mimado dela estava me dando nos nervosos já. — Não tem acordo. Eu não vou dar nada disso a você. Assina, Maryane! Minha paciência com você evaporou.

— Sem me dar o que quero não.

Minha raiva ganhou níveis altos a ponto de eu quebrar com um único aperto o lápis que estava segurando na mão direita.

— Qual é o seu problema, Maryane? Quer me tirar do sério? Saiba que conseguiu.

— Na verdade não quero sua raiva, apenas eu quero direitos iguais. Você estipulou suas cláusulas e eu quero o mesmo.

Ela só está conseguindo despertar meu ódio supremo e extrema repulsa por ela.

— Você sabe que bater de frente comigo não é bom pra você.

— Assim como não é bom pra você, eu me rebelar e não casar mais. Querido, você tem mais a perder do que eu.

No fundo eu sabia que ela estava com a razão. Eu perderia muito mais do que ela sem este casamento.

— Vamos hipoteticamente dizer que eu te dê o que quer. Quais seriam essas tais cláusulas que pretende incluir no contrato.

Ouvi-la não me custaria nada, apenas desperdiçaria o meu precioso tempo. Mas eu não tinha escolha se quisesse liquidar aquela assunto, teria que escutar o que Maryane tinha para dizer.

— Bom... Primeiro... — ela se levantou da cadeira e começou a circular pela minha sala como alguém que está inspecionando o lugar. -... Quero que conste no contrato que você não procurará minha prima em hipótese alguma e muito menos entrará em contato com ela seja por telefone ou qualquer outro meio de comunicação enquanto estiver casado comigo.

Esta cláusula nem era necessária!

— Sua prima já fez questão de me dizer isso com todas as letras quando terminamos e eu pretendo cumprir o pedido DELA. Portanto não precisa dessa cláusula no contrato.

— Mas eu faço questão dela.

Mentalmente contei até cinco para não estrangular aquela mulher.

— O que mais? — retruquei por entre os dentes trincados.

— Você em uma das cláusulas disse que eu estava proibida de ter um amante pelas suas costas enquanto formos casados e caso eu arranjasse um e você descobrisse, eu perderia os bens que estipulou me dar. — ela parou bem diante da parede de vidro que dava uma vista enorme para a cidade e por cinco segundos ficou muda.

— Ser corno de novo não é algo que quero repetir a dose. — retruquei e ela riu.

Então Maryane se virou e ainda rindo retomou a fala enquanto caminhava de volta pra perto da mesa.

— Vocês homens são engraçados. Não gostam de ser corno, mas adoram nos colocar nesse papel de chifruda, né? Que o diga a minha prima.

— Maryane deixa a Sara fora da conversa.

— Ok. — ela ergueu as mãos.

— Continua falando da cláusula.

— Ah, sim. Pois bem, você também fica estritamente proibido de ter outra durante o nosso casamento. E caso tente burlar isso, eu revelo a todos que esse filho não é um Grissom legítimo e que nosso casamento é uma farsa. Assim você perde tudo.

Filha da mãe!

Ela está me chantageando na cara dura.

— Terceiro.

— Perante a todos você vai me tratar como um marido apaixonado trata a esposa amada: muito bem. Nada de cara feia ou grosserias apenas sorrisos felizes.

— A quarta e última?

— Nada desse negócio de separação total de corpos. Você terá que cumprir suas obrigações de marido comigo.

Era só o que me faltava! Ela estava de brincadeira com a minha cara.

— Sério que vai querer me obrigar a transar com você?

— Não é obrigar, mas se seremos casados você tem que cumprir isso.

— Como eu não percebi antes quem de fato você era?

Ela apenas sorriu e isso foi o estopim para a minha ira ganhar níveis estelares.

— Eu não vou ceder aos seus caprichos. Nada do que você quer será incluído, muito menos este último item.

— Que pena! — ela pronunciou, apanhando sua bolsa da cadeira. — Então não casamos. E quando eu sair daqui vou direto a sala do seu primo pedir a ele para avisar aos outros sócios que não haverá mais casamento. E de quebra ainda conto, que o futuro herdeiro Grissom não é nada herdeiro. Que ele na verdade é filho do seu amigo com quem te pus chifres e que você sabia disso, mas me mandou mentir sobre a paternidade do bebê para enganar a todos e assumir os negócios da Care. Acho que eles não vão gostar nada disso.

Se ela fosse um homem, eu juro que lhe arrebentaria agora na porrada. Mas, felizmente, para a sorte dela, Maryane era uma mulher e em uma mulher eu não batia.

— Tchau, Grissom!

Eu a assisti se dirigir a porta em passos lentos. Não podia deixar que aquela mulher me expusesse deste modo aos sócios. Sem contar que havia o projeto hídrico na África que eu tinha planos de colocar em prática. Inclusive ontem mesmo já tinha entrado em contato com o sujeito que conheci em Joanesburgo e me apalavrado com ele sobre dar vida ao projeto. Essa causa ia beneficiar milhares de pessoas, eu não podia deixá-los na mão. Maryane não ia acabar com isso também. Já basta está infernizando a minha paz.

— Espera! — pronunciei assim que ela estava prestes a cruzar a porta já aberta. — Eu vou incluir tudo o que você quer.

— Olha, mudou de ideia. Que bom!

Aquele sua ironia me dava nos nervosos.

— Só estou fazendo isso por causa do projeto na África. As pessoas lá dependem desse projeto para terem uma pequena qualidade de vida. E esse projeto, infelizmente depende do nosso casamento.

— Já sei não precisa explicar nada. Você quer ser mais um empresário a fazer parte do grupo de filantropos do mundo. Acho que vai fazer um baita bem a sua imagem isso.

— Eu não farei isso para o bem da minha imagem. Farei porque quero ajudar quem precisa, no caso aquelas pessoas precisam.

— Claro!... Inclusive eu acho até bonita e louvável essa sua atitude, por mais pessoas como você. — ela bateu palmas em deboche.

— Hoje mesmo vou falar com o meu advogado. Acredito que depois de amanhã o contrato estará pronto para assinar.

— Ótimo, querido! Assim eu o assino. Agora preciso ir. Marquei de ver o vestido para nosso casamento. Estou até atrasada já. Foi um prazer negociar com você, Gil. Beijos.

Assim que ela saiu, eu dei um soco na mesa.

— Você acha que vai fazer da minha vida um inferno, Maryane, mas não vai. Pelo contrário, eu é que vou tornar a sua insuportável. Você vai se arrepender de ter casado comigo.

Notas finais
Maryane é bem cobrinha e só agora o Grissom está vendo, porque ela não está fazendo questão alguma de esconder quem de fato ela é. A guerra entre eles está armada. Bjs e até o próximo capítulo daqui a umas semaninhas.