After Separation - Livro 2
10 Capítulo VIII
Notas iniciais
Minhas próximas duas horas se resumiram em analisar e fazer algumas ligações para checar as informações descritas nos currículos de cada uma das cinco candidatas postulantes a minha vaga.
Ouvi só coisas boas a respeito de cada uma. E apesar de serem de cursos diferentes (duas eram de Jornalismo, uma de Marketing, outra de Letra e a última de Produção Editorial), todas possuíam estágios no meio editorial.
Confesso que foi uma tarefa bem difícil eleger uma somente. Todas de um modo distinto, reuniam os predicativos à vaga de assistente, não a toa que tinham sido as indicadas pela agência de estágios. Em vista disto, se dava a minha enorme dificuldade em escolher uma.
Analisei e pesei qual seria a melhor opção para trabalhar com o meu chefe, e por fim cheguei a minha eleita. Com o currículo dela nas mãos, bati na porta da sala de Brooke. Ao seu consentimento, eu entrei.
— E aí? Temos um nome? — ele me indagou com certo entusiasmo.
— Temos! — estendi o currículo da candidata. — Joanne Murphy, 22 anos, estudante de Produção Editorial.
— Hum... Produção Editorial!... E eu achei que ia puxar sardinha para sua colega de curso. — Brooke me olhou, estampando um sorriso brincalhão.
— Vontade não faltou... Mas a Joanne me pareceu ser a melhor escolha, visando os projetos editoriais voltados exclusivamente para as mídias eletrônicas e digitais, que a NP está se engajando com mais foco. Na Lions, aquela editora independente, sabe? — Brooke assentiu com a atenção voltada a leitura do currículo da sua futura assistente. — O estágio da Joanne foi exatamente com enfoque nesse campo.
— Interessante. — ele disse, ainda observando o currículo em suas mãos. — Você falou com o chefe dela na Lions?
Tinha sido uma das primeiras coisas que fiz antes mesmo dela ser a minha eleita.
— Com certeza. Ele disse que a moça é um talento nato no ramo Editorial e que sabe trabalhar muito bem com Marketing Editorial, apesar desta não ser sua área de formação.
— Bom... Se é assim já temos a assistente. — Declarou Brooke largando sobre sua mesa a folha de papel com os dados de sua futura funcionária. — Já ligou pra agência?
— Ainda não. Queria primeiro te informar da escolha e receber sua aprovação antes de ligar. Vai que você não curte a minha eleita.
— Sara, eu te dei carta branca pra escolher. Portanto, o nome que você trouxesse, ia passar fácil pela minha aprovação.
— Sendo assim, já vou ligar para a agência.
— Faça isso. E peça para mandarem a moça de preferência amanhã de manhã para a entrevista, que é na verdade uma mera formalidade.
— Pode deixar, chefe.
Saí da sala do Brooke e retornei para minha mesa. Logo já estava ligando para a agência e falando com uma educada atendente que me avisou que entraria em contato com Joanne para amanhã a moça vir a editora para a entrevista com Brooke.
— Estaremos a espera dela então. — disse antes de me despedir da atendente e finalizar a chamada. — Substituta: missão cumprida!
Com a escolha feita, eu foquei meu trabalho em cuidar de ir liquidando devagar todas as minhas pendências (que não eram muitas, diga-se de passagem porque eu não era de deixar acumular trabalho). Até o horário do almoço, eu só trabalhei direto.
***
— Ainda não acredito que vai mesmo nos trocar pela concorrente, Sara!... Meu pobre coração está sangrando com isso. — Bolton colocou ambas as mãos sobre o lado esquerdo do peito e fez uma expressão fake de choro.
— Não seja dramático, Bolton. Isso não combina com você.
Meu amigo abriu um sorriso e os demais caíram na risada juntos.
Eu tinha aproveitado o horário de almoço em que nosso grupo estava reunido, para os comunicar da minha saída da NP.
— Ah, confesso que fiquei triste e ao mesmo tempo feliz com a notícia, Sara. — Trent me abraçou pelos ombros e me deu um beijo no rosto. Ele era sempre carinhoso. Um doce de pessoa.
— Acho que todos nós ficamos com esses mesmos sentimentos, Trent, não é pessoal? — Nina se pronunciou e o restante do pessoal respondeu em coro.
— Mas todos estamos de acordo também que você merece essa oportunidade e te desejamos toda a sorte do mundo nessa nova fase da sua carreira, Sara.
— Obrigada, gente. — agradeci com um nó já se formando na garganta e os olhos ficarem embaçados pelas lágrimas que se acumularam. — Vocês não fazem ideia do quanto vou sentir falta de cada um aqui e dessas nossas reuniões no horário do almoço! — passei o dedo pelos olhos e sequei as lágrimas antes que elas rolassem por meu rosto.
— Ah, a gente também, Sara. — Cristina esticou o braço por cima da mesa e tocou minha mão.
— E a Dayse pelo visto mais ainda. Olha a cara de velório dela. Vai ficar sem a sua tampa né, Dayse? — Bolton provou minha amiga que lhe me mostrou o dedo do meio em resposta, causando risadas a mesa.
— Mas a Sara só vai sair do emprego. Vão continuar morando juntas. Até porque Manhattan é logo aqui.
Dayse e eu trocamos um olhar após a fala de Cristina. Eles ainda não sabiam que além de mudar de emprego, eu também mudaria de endereço, mas tratei de situa-los disto também.
— Na verdade, não vamos mais morar juntas — um silêncio tomou conta da mesa enquanto o pessoal me olhava como se eu fosse um bicho de duas cabeças. — Eu vou me mudar pra Manhattan. Vai ser bom pra mim. Sem contar que eu ficaria muito mais perto do meu novo emprego.
— Cara, então você tem toda razão de estar com essa cara de velório, Dayse. Super te compreendo agora.
— Ai, Bolton, me erra!... — Dayse tacou em nosso amigo uma bolinha de papel que fez com seu guardanapo.
— Isso é agressão. Vou prestar queixa disso no DP hein.
— Ai, que medo! Vai lá então. — Dayse mostrou a língua para Bolton.
Eu ri da cena. Parecem duas crianças aqueles dois quando achavam de implicar um com o outro. Ia sentir falta desses momentos também. Foram mais de cinco anos convivendo com aquele pessoal. De simples colegas de trabalho, viraram amigos queridos, que levarei para sempre comigo.
— Sara falei como meu pai e ele já me deu o contato do corretor. Em casa te passo o número.
Assenti. O quanto antes eu precisava ver isso da casa. Hoje mesmo já ligaria pra ele.
— Ei, já que vai ter casa nova, vai nos chamar pra fazer uma festinha de inauguração, né?
— Antes preciso primeiro encontrar a casa, Bolton. Assim que achar uma e me mudar, chamo vocês para uma festa pequena.
— Já digo de antemão que eu levo as bebidas.
— Só isso que você sabe levar né, cachaceiro número um? — Foi a vez de Dayse provocar Bolton.
— Saí daí, que você também, cachaceira número dois.
A risada foi geral, até mesmo Dayse não se aguentou.
***
No dia seguinte Joanne veio para a entrevista com Brooke. Por quase meia hora, ela ficou reunida a portas fechadas com meu chefe. Depois Brooke me chamou para ir até a sala dele. Lá ele me avisou que amanhã Joanne já começaria a vir para ir pegando o ritmo do trabalho e se inteirar dos projetos que temos em aberto.
— Ela se mostrou ser boa! Cheia de ideias. Raciocínio rápido. Gostei dela. — Brooke comentou após Joanne deixar a sala para ir ao Departamento Pessoal a fim de acertar sua contratação.
— Que bom que acertei então na escolha.
— Pelo jeito sim. Você tem o dedo bom para isso.
"Pena não poder dizer o mesmo quando se trata de escolher os homens com os quais me envolvo. Dedo mais podre para isso do que esse meu, não existe."
— Vou voltar para a minha mesa.
— Vai lá.
Assim que me acomodo, escuto o celular tocar sobre a mesa. Apanho o aparelho e vejo na tela que se tratava de uma chamada do corretor.
— Alô!
— Oi, Sara. Estou ligando para avisar que acabei de te mandar por email algumas fotos de casas e apartamentos para que dê uma olhada.
Nossa quanta rapidez e eficiência! Falei com ele ontem a noite e hoje de manhã, já tinha conseguido o que pedi. Mas isso era bom tendo em vista que eu tinha urgência em ver esse lance da casa logo. O prazo estava curto e eu precisava correr.
— Vou dar uma checada no email e entro em contato com você o mais breve possível, para dizer se algum me agradou e agendar uma visita aos imóveis. Todos são mobiliados, né?
Não ia perder tempo ainda comprando móveis e decorando casa, mas prático comprar uma mobiliada e depois com o tempo, eu ia ajeitando tudo ao meu modo.
— Com certeza, como você pediu. Mobiliada, não muito grande e situada em bairro residencial.
— Ótimo!... Te ligo então, George.
— Fico no seu aguardo. Até mais, Sara.
— Até.
Aproveitei que não estava tão ocupada para 'passar o olho' nas opções que George me enviou. Abri meu email e a mensagem do corretor encabeçava minha caixa de entrada. Cliquei nela e baixei o anexo que ele me mandou. Em segundos já abria o arquivo.
George havia me mandado fotos de três belas casas e três ótimos apartamentos. Havia fotografias de todos os cômodos dos imóveis. Uns tinham dois quartos, outros apenas um; com cozinha interligada à sala ou não; em tons neutros ou mais vivos; mobiliário moderno, ou mais rústico, ou uma mistura perfeita dos dois; com lareira para os dias frios ou sem; casas de dois andares ou apenas um;
— Céus! Não faço ideia de qual escolher. — ri de nervoso ao ir rolando as imagens dos imóveis para baixo.
Ia precisar da Dayse para me ajudar nessa tarefa.
***
— Nossa, é um mais lindo que o outro. — Dayse comentou antes de levar a boca um pedaço de salmão.
Estávamos sentadas no sofá, vendo as fotos dos imóveis, onde possivelmente um ia ser futuramente meu, enquanto nos deliciavamos com a comida japonesa que compramos no caminho para casa.
— Nem me fale. Mas eu preciso escolher dois ou três para visitar. Não quero ir em todos, pois não sei se terei tempo pra isso.
— De cara já exclui logo esse apartamento e esta casa aqui. — Dayse apontou na tela a imagem dos dois imóveis em questão.
— Por que? — olhei sem entender direito.
— Só tem um quarto. Onde vou dormir quando for te visitar?... Tem que ter um quarto só pra mim.
— Abusada.
— Não. Eu vou manter seu quarto aqui para quando vier me visitar. Então você tem que ter um pra mim na sua casa, nem vem.
Me desmanchei em risadas.
— É sério, não ri, não.
— Ok!... Então esses dois estão excluídos.
— Restaram esses quatro aí. Eu super curti esse apartamento no Chelsea e a casa no Upper West Side, principalmente a casa com essa fachada de estilo Vitoriano. Acho super bacana.
— Lembra um pouco algumas casas aqui do Brooklyn.
— Verdade! Nem me atentei para isso.
— Essa casa no West Village também me agradou.
— Visita as três então. Vou com você.
— Aí, de você se não fosse mesmo.
Dayse riu.
No outro dia, pela manhã, durante uma pequena pausa entre o horário de trabalho, eu aproveitei e liguei para George avisando que dos imóveis que ele me mandou, eu queria visitar três. Marcamos para a tarde do dia seguinte a visitação. E eu esperava que fosse fácil escolher após as visitas, pois não tinha tanto tempo assim. Precisava ter meu novo endereço logo, já que em dez dias começaria na BoB.
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