Notas iniciais
Atualizando está também como um presente pra vocês. Apreciem.

Minhas próximas duas horas se resumiram em analisar e fazer algumas ligações para checar as informações descritas nos currículos de cada uma das cinco candidatas postulantes a minha vaga.

Ouvi só coisas boas a respeito de cada uma. E apesar de serem de cursos diferentes (duas eram de Jornalismo, uma de Marketing, outra de Letra e a última de Produção Editorial), todas possuíam estágios no meio editorial.

Confesso que foi uma tarefa bem difícil eleger uma somente. Todas de um modo distinto, reuniam os predicativos à vaga de assistente, não a toa que tinham sido as indicadas pela agência de estágios. Em vista disto, se dava a minha enorme dificuldade em escolher uma.

Analisei e pesei qual seria a melhor opção para trabalhar com o meu chefe, e por fim cheguei a minha eleita. Com o currículo dela nas mãos, bati na porta da sala de Brooke. Ao seu consentimento, eu entrei.

— E aí? Temos um nome? — ele me indagou com certo entusiasmo.

— Temos! — estendi o currículo da candidata. — Joanne Murphy, 22 anos, estudante de Produção Editorial.

— Hum... Produção Editorial!... E eu achei que ia puxar sardinha para sua colega de curso. — Brooke me olhou, estampando um sorriso brincalhão.

— Vontade não faltou... Mas a Joanne me pareceu ser a melhor escolha, visando os projetos editoriais voltados exclusivamente para as mídias eletrônicas e digitais, que a NP está se engajando com mais foco. Na Lions, aquela editora independente, sabe? — Brooke assentiu com a atenção voltada a leitura do currículo da sua futura assistente. — O estágio da Joanne foi exatamente com enfoque nesse campo.

— Interessante. — ele disse, ainda observando o currículo em suas mãos. — Você falou com o chefe dela na Lions?

Tinha sido uma das primeiras coisas que fiz antes mesmo dela ser a minha eleita.

— Com certeza. Ele disse que a moça é um talento nato no ramo Editorial e que sabe trabalhar muito bem com Marketing Editorial, apesar desta não ser sua área de formação.

— Bom... Se é assim já temos a assistente. — Declarou Brooke largando sobre sua mesa a folha de papel com os dados de sua futura funcionária. — Já ligou pra agência?

— Ainda não. Queria primeiro te informar da escolha e receber sua aprovação antes de ligar. Vai que você não curte a minha eleita.

— Sara, eu te dei carta branca pra escolher. Portanto, o nome que você trouxesse, ia passar fácil pela minha aprovação.

— Sendo assim, já vou ligar para a agência.

— Faça isso. E peça para mandarem a moça de preferência amanhã de manhã para a entrevista, que é na verdade uma mera formalidade.

— Pode deixar, chefe.

Saí da sala do Brooke e retornei para minha mesa. Logo já estava ligando para a agência e falando com uma educada atendente que me avisou que entraria em contato com Joanne para amanhã a moça vir a editora para a entrevista com Brooke.

— Estaremos a espera dela então. — disse antes de me despedir da atendente e finalizar a chamada. — Substituta: missão cumprida!

Com a escolha feita, eu foquei meu trabalho em cuidar de ir liquidando devagar todas as minhas pendências (que não eram muitas, diga-se de passagem porque eu não era de deixar acumular trabalho). Até o horário do almoço, eu só trabalhei direto.

***

— Ainda não acredito que vai mesmo nos trocar pela concorrente, Sara!... Meu pobre coração está sangrando com isso. — Bolton colocou ambas as mãos sobre o lado esquerdo do peito e fez uma expressão fake de choro.

— Não seja dramático, Bolton. Isso não combina com você.

Meu amigo abriu um sorriso e os demais caíram na risada juntos.

Eu tinha aproveitado o horário de almoço em que nosso grupo estava reunido, para os comunicar da minha saída da NP.

— Ah, confesso que fiquei triste e ao mesmo tempo feliz com a notícia, Sara. — Trent me abraçou pelos ombros e me deu um beijo no rosto. Ele era sempre carinhoso. Um doce de pessoa.

— Acho que todos nós ficamos com esses mesmos sentimentos, Trent, não é pessoal? — Nina se pronunciou e o restante do pessoal respondeu em coro.

— Mas todos estamos de acordo também que você merece essa oportunidade e te desejamos toda a sorte do mundo nessa nova fase da sua carreira, Sara.

— Obrigada, gente. — agradeci com um nó já se formando na garganta e os olhos ficarem embaçados pelas lágrimas que se acumularam. — Vocês não fazem ideia do quanto vou sentir falta de cada um aqui e dessas nossas reuniões no horário do almoço! — passei o dedo pelos olhos e sequei as lágrimas antes que elas rolassem por meu rosto.

— Ah, a gente também, Sara. — Cristina esticou o braço por cima da mesa e tocou minha mão.

— E a Dayse pelo visto mais ainda. Olha a cara de velório dela. Vai ficar sem a sua tampa né, Dayse? — Bolton provou minha amiga que lhe me mostrou o dedo do meio em resposta, causando risadas a mesa.

— Mas a Sara só vai sair do emprego. Vão continuar morando juntas. Até porque Manhattan é logo aqui.

Dayse e eu trocamos um olhar após a fala de Cristina. Eles ainda não sabiam que além de mudar de emprego, eu também mudaria de endereço, mas tratei de situa-los disto também.

— Na verdade, não vamos mais morar juntas — um silêncio tomou conta da mesa enquanto o pessoal me olhava como se eu fosse um bicho de duas cabeças. — Eu vou me mudar pra Manhattan. Vai ser bom pra mim. Sem contar que eu ficaria muito mais perto do meu novo emprego.

— Cara, então você tem toda razão de estar com essa cara de velório, Dayse. Super te compreendo agora.

— Ai, Bolton, me erra!... — Dayse tacou em nosso amigo uma bolinha de papel que fez com seu guardanapo.

— Isso é agressão. Vou prestar queixa disso no DP hein.

— Ai, que medo! Vai lá então. — Dayse mostrou a língua para Bolton.

Eu ri da cena. Parecem duas crianças aqueles dois quando achavam de implicar um com o outro. Ia sentir falta desses momentos também. Foram mais de cinco anos convivendo com aquele pessoal. De simples colegas de trabalho, viraram amigos queridos, que levarei para sempre comigo.

— Sara falei como meu pai e ele já me deu o contato do corretor. Em casa te passo o número.

Assenti. O quanto antes eu precisava ver isso da casa. Hoje mesmo já ligaria pra ele.

— Ei, já que vai ter casa nova, vai nos chamar pra fazer uma festinha de inauguração, né?

— Antes preciso primeiro encontrar a casa, Bolton. Assim que achar uma e me mudar, chamo vocês para uma festa pequena.

— Já digo de antemão que eu levo as bebidas.

— Só isso que você sabe levar né, cachaceiro número um? — Foi a vez de Dayse provocar Bolton.

— Saí daí, que você também, cachaceira número dois.

A risada foi geral, até mesmo Dayse não se aguentou.

***

No dia seguinte Joanne veio para a entrevista com Brooke. Por quase meia hora, ela ficou reunida a portas fechadas com meu chefe. Depois Brooke me chamou para ir até a sala dele. Lá ele me avisou que amanhã Joanne já começaria a vir para ir pegando o ritmo do trabalho e se inteirar dos projetos que temos em aberto.

— Ela se mostrou ser boa! Cheia de ideias. Raciocínio rápido. Gostei dela. — Brooke comentou após Joanne deixar a sala para ir ao Departamento Pessoal a fim de acertar sua contratação.

— Que bom que acertei então na escolha.

— Pelo jeito sim. Você tem o dedo bom para isso.

"Pena não poder dizer o mesmo quando se trata de escolher os homens com os quais me envolvo. Dedo mais podre para isso do que esse meu, não existe."

— Vou voltar para a minha mesa.

— Vai lá.

Assim que me acomodo, escuto o celular tocar sobre a mesa. Apanho o aparelho e vejo na tela que se tratava de uma chamada do corretor.

— Alô!

— Oi, Sara. Estou ligando para avisar que acabei de te mandar por email algumas fotos de casas e apartamentos para que dê uma olhada.

Nossa quanta rapidez e eficiência! Falei com ele ontem a noite e hoje de manhã, já tinha conseguido o que pedi. Mas isso era bom tendo em vista que eu tinha urgência em ver esse lance da casa logo. O prazo estava curto e eu precisava correr.

— Vou dar uma checada no email e entro em contato com você o mais breve possível, para dizer se algum me agradou e agendar uma visita aos imóveis. Todos são mobiliados, né?

Não ia perder tempo ainda comprando móveis e decorando casa, mas prático comprar uma mobiliada e depois com o tempo, eu ia ajeitando tudo ao meu modo.

— Com certeza, como você pediu. Mobiliada, não muito grande e situada em bairro residencial.

— Ótimo!... Te ligo então, George.

— Fico no seu aguardo. Até mais, Sara.

— Até.

Aproveitei que não estava tão ocupada para 'passar o olho' nas opções que George me enviou. Abri meu email e a mensagem do corretor encabeçava minha caixa de entrada. Cliquei nela e baixei o anexo que ele me mandou. Em segundos já abria o arquivo.

George havia me mandado fotos de três belas casas e três ótimos apartamentos. Havia fotografias de todos os cômodos dos imóveis. Uns tinham dois quartos, outros apenas um; com cozinha interligada à sala ou não; em tons neutros ou mais vivos; mobiliário moderno, ou mais rústico, ou uma mistura perfeita dos dois; com lareira para os dias frios ou sem; casas de dois andares ou apenas um;

— Céus! Não faço ideia de qual escolher. — ri de nervoso ao ir rolando as imagens dos imóveis para baixo.

Ia precisar da Dayse para me ajudar nessa tarefa.

***

— Nossa, é um mais lindo que o outro. — Dayse comentou antes de levar a boca um pedaço de salmão.

Estávamos sentadas no sofá, vendo as fotos dos imóveis, onde possivelmente um ia ser futuramente meu, enquanto nos deliciavamos com a comida japonesa que compramos no caminho para casa.

— Nem me fale. Mas eu preciso escolher dois ou três para visitar. Não quero ir em todos, pois não sei se terei tempo pra isso.

— De cara já exclui logo esse apartamento e esta casa aqui. — Dayse apontou na tela a imagem dos dois imóveis em questão.

— Por que? — olhei sem entender direito.

— Só tem um quarto. Onde vou dormir quando for te visitar?... Tem que ter um quarto só pra mim.

— Abusada.

— Não. Eu vou manter seu quarto aqui para quando vier me visitar. Então você tem que ter um pra mim na sua casa, nem vem.

Me desmanchei em risadas.

— É sério, não ri, não.

— Ok!... Então esses dois estão excluídos.

— Restaram esses quatro aí. Eu super curti esse apartamento no Chelsea e a casa no Upper West Side, principalmente a casa com essa fachada de estilo Vitoriano. Acho super bacana.

— Lembra um pouco algumas casas aqui do Brooklyn.

— Verdade! Nem me atentei para isso.

— Essa casa no West Village também me agradou.

— Visita as três então. Vou com você.

— Aí, de você se não fosse mesmo.

Dayse riu.

No outro dia, pela manhã, durante uma pequena pausa entre o horário de trabalho, eu aproveitei e liguei para George avisando que dos imóveis que ele me mandou, eu queria visitar três. Marcamos para a tarde do dia seguinte a visitação. E eu esperava que fosse fácil escolher após as visitas, pois não tinha tanto tempo assim. Precisava ter meu novo endereço logo, já que em dez dias começaria na BoB.

Notas finais
Sara tomando devagar as rédeas de uma vida nova, sem o Sr. Gostoso. Bjs