Notas iniciais
E aí, meninas? Tudo bem? Espero que sim. Atualização saída do forno. Hora da Sara enfrentar os pais. Será que eles vieram para apoiar ou criticar? Saberemos já já. CarOli pode apostar que vem mesmo em breve uma Sara não só poderosa, mas também arrasadora. E Ana sobre o Sr.Gostoso teremos uma aparição dele breve em um capítulo mais a frente. Depois ele fará outra 'aparição', mas fora estas duas vezes não saberemos nada sobre ele. Só mesmo quando ele de fato voltar permanentemente para a história, algo que ainda levará muitos capítulos.

Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar.

Bertrand Russell

***

— Ah, merda! Não posso acreditar nisso. — afundei mais as costas no sofá e cobri o rosto com ambas as mãos.

Em todos esses anos em que moro com a Dayse poucas vezes meus pais vieram aqui me visitar. Uma foi por causa do meu aniversário, outras três para matar a saudade mesmo e a última por causa de eu ter operado de apendicite, isso há dois anos. E, agora, cá estão eles de novo.

— Pois pode acreditar, amiga. Logo eles estarão tocando a nossa campainha.

— Eu devia ter atendido as ligações.

— Pois é. Mas agora não adianta ficar se lamentando por isso. Já foi e agora você terá que enfrentá-los. — no mesmo instante em que Dayse acabou de falar a bendita campainha toca. — E vai ser agora mesmo. Chegaram rápido hein!

Deus! Tudo o que não queria era essa conversa com eles, ainda mais, pessoalmente. Aposto que meu pai vai jogar na minha cara o que disse em Santa Mônica, quando soube do meu relacionamento com Grissom. Eu já podia até ouvir suas palavras. Céus!

— Sara, eu atendo ou você?

A campainha já soava pela terceira vez.

Retirando as mãos do rosto encarei Dayse.

— Se importa de atender pra mim? — minha coragem estava em zero para sair do sofá e ir até aquela porta.

— Não!

Ela respondeu já se encaminhando a porta para atendê-los. Enquanto isso, eu apanhei o controle remoto e desliguei a TV. Me pus de pé sem um pingo de vontade e fiquei a observar meus pais, que aquela altura já trocavam abraços e beijos de cumprimentos com Dayse, após minha amiga ter aberto a porta para eles.

— Entrem que surpresa a visita de vocês.

— Imaginamos.

— Como Sara fez o favor de não atender as nossas ligações no celular e tampouco, conseguimos contato pelo telefone fixo daqui, então tivemos que vir aqui para conversarmos pessoalmente com ela sobre algo que soubemos ontem. — de maneira séria meu pai explicou enquanto seguia minha mãe ao mesmo tempo em que ambos entravam de mãos dadas no apê.

— O telefone daqui de casa mudamos o número pouco antes do feriado de 4 de Julho. E esquecemos de passar para vocês quando estivemos em Santa Mônica. — Dayse explicou vindo atrás dos dois e me lançando uma careta sem que meus pais vissem.

Que vontade de voltar no tempo e ter atendido a ligação deles ontem, teria evitado esse confronto pessoalmente.

— Filha! — minha mãe soltou a mão de papai e veio mais que depressa até mim, abraçando-me apertado. — Como você está, meu amor? — ela sussurrou-me bem rente ao ouvido enquanto suas mãos deslizavam com carinho por minhas costas.

Tive que fazer um esforço para não render-me a vontade de chorar, que se abateu sobre mim diante de tal questionamento seu.

Eu podia muito bem lhe dizer que estava péssima, arrasada e com o coração em frangalhos. Todavia, optei por responder fingindo que não havia entendido o real motivo daquele seu questionamento.

— Surpresa com a visita inesperada de vocês, mãe. — por cima dos ombros dela lancei um olhar na direção do meu pai postado ao lado de Dayse e há curta distância de nós. A cara dele não era nada boa.

Desfazendo nosso abraço minha mãe segurou meu rosto com ambas as mãos e olhou em meus olhos

— Você sabe que não é a isso que estou me referindo, não sabe?

Baixei meu olhar do seu, pois sabia perfeitamente a quê ela se referia. E como eu sabia! Mas me reservei o direito de ficar calada.

— Maryane nos ligou ontem, Sara. — a fala de papai atraiu minha atenção e ergui os olhos para fitá-lo por sobre os ombros de mamãe. — E você pode supor muito bem o que ela nos contou, não pode?

"Sem sombra de dúvidas!"

— Sim, pai. — retruco com uns cinco segundos de retardo e tirando com delicadeza as mãos da minha mãe do meu rosto, mas mantendo-as entrelaçadas depois. — Dayse... Você pode me deixar a sós com meus pais, por favor.

Não é que eu não quisesse ter essa conversa na frente dela ou que algo dito ali fosse ser segredo à Dayse. Eu não tinha qualquer segredo com a minha melhor amiga, mas conheço os meus pais e em momentos destes, eles prezam por uma conversa mais privada.

— Claro. Qualquer coisa estou no meu quarto.

Assenti e ela se foi me deixando a sós com meus pais como havia lhe pedido. Os dois me encaravam querendo respostas e o olhar mais exigente nisto, sem sombra de dúvidas, era o do meu pai.

— Acho melhor nos sentarmos. — lhes indiquei o sofá e ambos se acomodaram lado a lado, sendo que minha mãe se manteve ao meu lado e segurando a minha mão como se com aquele gesto, estivesse reforçando que estava ali me apoiando independente do que eu fosse dizer. Foi um pequeno alento aquilo.

Mas bastou encarar o olhar duro e a expressão bastante taciturna do meu pai, para ser tomada por apreensão e nervoso. De novo o pensamento de que ele ia jogar na minha cara toda aquela situação, povoou minha mente. E, caso isto ocorresse de fato, eu teria que ouvir calada e sem contestar, porque o que ele dissesse ali não seria nada além da verdade nua, crua e dolorosa.

— Filha o que houve entre você e o Grissom? Maryane nos ligou ontem contando que vai casar com ele. Mas Grissom não ia se casar com você?

Agradeci ao fato de que foi a minha mãe com seu jeito carinho e amável, quem tomou a iniciativa da conversa e não meu pai.

— Nós terminamos anteontem, mãe, porque o pai do Grissom pediu pouco antes de morrer, que o filho casasse com Maryane e ele resolveu acatar ao último pedido do Joseph... simples assim. — resumi para ficar mais fácil de entender e evitar toda uma explicação mais extensa que só me faria mal e, provavelmente, me faria derramar as lágrimas que eu bravamente vinha segurando.

Quando terminei de contar a minha versão resumida e editada da história, percebi uma troca estranha de olhares entre meus pais. De repente um deles, mais precisamente meu pai, se exaltou de uma forma que eu não esperava.

— Mais é um desgraçado mentiroso mesmo!... Devia ter me deixado dar mais socos na cara daquele infeliz, Laura. — papai se levantou do sofá furioso.

Eu fiquei sem ação e demorei a entender o significado de suas últimas. Tanto que tive que perguntar:

— Como assim "deixado dar mais socos"? — olhei para minha mãe buscando uma explicação sua, já que papai estava de costas e ela mais acessível a responder.

Dona Laura suspirou e lançou um olhar rápido a papai que se mantinha de costas para nós. Ao retornar seu olhar para mim , ela por fim, me explicou o que pedi.

— Querida antes de estarmos aqui seu pai e eu passamos na casa da Maryane, e... Carl exigiu que ela nos levasse até o Grissom.

— Me diga que ela não levou vocês lá? — o questionamento foi mais uma súplica desesperada.

— Levou! E lá seu pai perdeu a compostura e agrediu o Grissom com dois socos.

— Pai, pelo amor de Deus! Você não tinha nada que fazer isso. — olhei para ele que naquele momento já estava virado de frente para nós duas.

— Não me diga que agora está com pena daquele sujeito? — ele abriu os braços se mostrando indignado com uma provável afirmativa minha, caso eu a desse, o que não ocorreu.

Sinceramente, eu não estava nenhum pouco com pena daquele cretino ter apanhado. Acho que no fundo Gilbert foi merecedor daqueles socos, mas isso não significava também, que eu não tivesse ficado um tantinho preocupada com seu estado depois da agressão sofrida. O que era uma droga, porque o canalha do Gilbert me magoou e eu ainda sou tola o suficiente para me preocupar com ele.

— Eu precisava dar um corretivo naquele sujeito. E se não fosse o irmão dele, sua mãe, Maryane e um outro sujeito que se meteram, eu teria dado mais socos naquele degenerado que nem ousou reagir, porque, certamente, sabe que merece aquilo e muito mais. — papai falava com tamanha raiva que nem parecia o sujeito pacífico e avesso a brigas, que na grande maioria das vezes, ele costuma ser. — Aquele tal de Grissom é um canalha. Ele brincou com você. Eu falei, Sara. — parado há uns cinco passos de distância e com o dedo indicador em riste, apontado para mim, papai dizia de cenho franzido. — Falei que ele ia te decepcionar. Tinha quase certeza disto e aí está... Acertei em cheio.

Estava demorando para ele chegar nisso. E sem ter como contra-argumentar o que ele disse, eu apenas baixei os olhos e encarei minha mão segura a de mamãe.

A sala caiu no silêncio por milésimos de segundos. E só escutei quando minha mãe se pronunciou ali.

— Não há necessidade de jogar isso na cara de Sara. Não foi para julgar ou atacar nossa filha, Carl, que eu concordei com você em virmos falar com ela. — a voz dela era dura e firme, exatamente, como a do meu pai soou ao falar comigo segundos atrás. — Muito pelo contrário, foi para nós mostrarmos o nosso apoio e darmos consolo a nossa filha que viemos, porque é disso que Sara está precisando dos pais dela.

Depois de dar essa bronca, mamãe me abraçou pelos ombros com todo o carinho e cuidado, encostando minha cabeça em seu ombro. Aquilo foi o fim para mim, eu não consegui mais segurar a vontade de chorar. Então desabei em um choro doído e fui consolada por dona Laura.

— Chore, meu amor. Chore porque faz bem. — ela dizia me embalando como se eu fosse um bebê. Certa vez, ela me disse que independente da idade que eu, Maryane e Sean tivermos, nós sempre seremos seus bebês, que ela vai embalar e dar colo toda vez que nós precisarmos.

— Eu odeio o pai do Gilbert e ele, mãe. — sussurrei em meio ao choro.

— Eu também sinto o mesmo, meu amor, por eles serem os responsáveis por magoar você. — seus lábios plantam um beijo no alto de minha cabeça.

— O que eles fizeram dói tanto, mãe.

Meu peito parecia rasgar de tanta dor e decepção, principalmente por parte de Grissom.

— Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa.*

Se aquilo que ela disse é verdade, eu acho que ainda demorarei a descobrir, pois aquela dor que sinto não acho que vá passar tão cedo.

— Sara... — senti meu pai chamar ao se acomodar ao meu lado e tocar em meus cabelos com cuidado. — Me perdoe, querida. Eu não devia ter dito nada daquilo. Mas é que... Eu estou tão revoltado com essa situação toda que este canalha aprontou, que... Acabei descontando em você, que é a maior vítima nessa história. Pode perdoar esse seu velho pai, filha.

Eu levei dois segundos para me desvencilhar de maneira gentil dos braços de mamãe, e abraçar meu pai. Ele assim como dona Laura, também me embalou em seus abraços enquanto eu lhe murmurei um "sim" ao seu pedido de perdão e começava a chorar de novo.

— Ô, minha garota! — seus braços me abrigaram mais ainda de maneira reconfortante e protetora. Mamãe se juntou a nós no abraço e eu me senti voltando no tempo alguns anos, estacionando bem na época em que era adolescente e eles me acalentaram desta mesma forma, quando sofri a minha primeira decepção amorosa aos 16 anos. Aquela foi a primeira de algumas que já passei até hoje.

— Ele não me deixou escolha, pai. — sussurrei com uma voz estrangulada enquanto meu rosto se escondia na curvatura de seu pescoço.

— A vontade que me dá é de matar aquele filho da mãe por estar fazendo a minha garotinha derramar essas lágrimas.

— Carl não diga uma coisas dessas nem de brincadeira. — ouvi minha mãe ralhar e meu pai ficar calado.

— Pai, por favor, me promete uma coisa. — me afastando dele desfiz nosso abraço.

— O que quiser, filha! — ele passou os dedos polegares abaixo dos meus olhos para enxugar a trilha molhada das lágrimas que havia deixado cair.

— Nada de procurar mais o Grissom pra lhe dar corretivo algum, por favor.

Ainda que eu ache que aquele cretino mereça mais corretivos por sua estúpida decisão, não quero ver isso acontecer pelas mãos do meu pai. O tempo vai se incumbir de lhe dar uma boa lição.

— Grissom tomou a decisão dele e não há nada a fazer para mudar isso. E ainda que houvesse, eu não o faria. Ele me magoou com sua decisão. E tudo que eu quero é distância dele.

— Faz bem em querer distância desse sujeito. Ele não merece você. — mamãe tocou meu ombro e me deu um beijo no rosto logo depois.

— Ainda que isso seja contra minha vontade, eu não farei nada mais contra ele. Mas só porque você está pedindo.

— Obrigada! — lhe abracei e ficamos assim por poucos segundos até eu desfazer nosso abraço.

Meus pais então quiseram saber como foi que Grissom e eu terminamos. E eu contei que anteontem, ele veio aqui e me comunicou sobre o pedido do pai e sua decisão de acatar o que Joseph pediu.

— Foi tão... Cruel. Tanto o pai do Grissom exigir que ele case com Maryane, quanto o Gil ter aceitado isso.

— Não foi bem essa história de que foi um pedido do pai do canalha, que Grissom e Mary nos disseram quando os confrontei.

Encarei meu pai com uma interrogação gigantesca na cabeça. Mas se aquela era a verdade, então qual tinha sido a história que eles contaram aos meus pais?

— E o que eles disseram?

Meus pais trocaram um olhar por frações de segundos, e coube a minha mãe tomar a dianteira da palavra.

— Filha ouça aqui a sua mãe... — ela segurou meu queixo e me fez olhar em seus olhos. — Não vale a pena você saber. Deixe isso pra lá é um bem que você faz a si mesma.

— Sua mãe tem razão, querida. Não importa o que eles disseram. Eu também nem devia ter mencionado o que mencionei. Às vezes tenho a boca grande demais.

— Nisso tenho que concordar.

O comentário de mamãe rendeu pela primeira vez ali sorrisos na gente. E quando deixamos de rir, eu busquei insistir com eles sobre o que Grissom e Maryane lhes contaram, mas eles se negaram veemente a isso.

Pela recusa deles, vai ver que era melhor eu não saber que mentira aqueles dois inventaram.

— Maryane veio aqui ontem tripudiar de mim e jogar na minha cara que seria ela quem casaria com Grissom. — revelei a eles após desistir de conseguir arrancar a resposta que eu queria.

— Ela não devia ter vindo fazer isso. Vou falar com ela.

— Não, mãe. Deixa. Eu não contei para que tomem as minhas dores. Só achei que deviam saber.

— Tenho dó da Mary casar com esse sujeito.

— Eu não tenho, pai. Pra mim, eles se merecem e não quero mais falar deles, se não se importam.

— Tudo bem. — papai beijou meu rosto.

— E o Sean, por que não veio? — estava achando estranha sua ausência.

— Seu irmão viajou sexta para Minnesota a trabalho. Foi cobrir junto com uma colega a etapa de Monster Jam em Minneapolis.

Meu irmão é jornalista esportivo da versão online de um jornal de expressão em Santa Mônica. Assinando uma coluna só sobre a Monster Jam, uma competição esportiva de caminhonetes gigantes, que ele me explicou certas vez rodar o país e ter até eventos fora dos EUA também.

— Ele sequer imagina que viemos.

— Como sua mãe não teve plantão ontem, então sugeri de virmos hoje cedo para falarmos com você e sabermos como estava, já que não conseguíamos contato por telefone.

— Me desculpem por não atendê-los.

— Tudo bem, querida. Talvez tenha sido melhor assim, pois podemos ver você, consolar e ainda dar um colinho.

— Quer coisa melhor que colo de pai e mãe?

Eu sorri de leve com a pergunta de mamãe.

— Definitivamente, não conheço coisa melhor que isso. — respondi, segurando na mão dos meus pais.

Mesmo que no começo eu tenha temido esse encontro, agora, eu agradecia imensamente a vinda deles. Ter meus pais ali, receber o apoio e o carinho deles estava sendo a melhor coisa.

— Vocês vão hoje ou amanhã?

— Hoje mesmo a noite. Tenho trabalho amanhã cedo no hospital. E seu pai uma reunião no banco.

Eles passaram o restante da tarde comigo e Dayse que se juntou a nós momentos depois. Aproveite a presença deles e contei logo sobre meu novo emprego. Meus pais vibraram de alegria com a notícia. Me parabenizaram com vários beijos e abraços, que até fiquei sem jeito na frente da Dayse, que apenas ria da cena.

Mas notei que o sorriso da minha melhor amiga se desfez, quando meu pai logo depois sugeriu que eu devesse pensar em me mudar para Nova York para ficar mais perto do local do meu novo emprego. Tentei argumentar dizendo que o Brooklyn não ficava assim tão distante de Nova York, mas tanto meu pai quanto minha mãe disseram que seria bom para mim mudar para lá não só pela praticidade de estar mais perto do trabalho, mas também porque seria uma ótima forma de deixar para trás o que de ruim me aconteceu. Em um novo emprego e morando em outra cidade, eu estaria, segundo eles, começando uma nova etapa da minha vida.

Pensando bem, não deixava de ser uma grande verdade aquilo. Eu iria mesmo começar um novo ciclo, uma nova fase da minha vida com aquele emprego em Nova York. Só que me mudar para lá e deixar a Dayse não era algo que eu gostaria. E a julgar pela cara dela ao me olhar brevemente após toda a alegação dos meus pais, Dayse parecia não ter ficado nada feliz com a ideia.

Quando deu umas sete da noite meus pais anunciaram que já iam. O voo deles sairia as oito e meia e eles queriam estar no aeroporto bem antes do horário.

Eles se despediram de Dayse e eu fiz questão de descer e esperar na portaria do prédio com eles, a chegada do táxi que pedi por um aplicativo.

— Filha pensa bem na sugestão de se mudar para Nova York. Vai ser muito bom para você mudar de ares.

— Eu vou pensar, mãe.

— E eu me disponibilizo junto com sua mãe a "patrocinar" a compra do imóvel que quiser. Seja casa, apartamento, flat, o que quer que escolha, nós daremos de presente a você, filha.

— Isso mesmo. Boa ideia, querido.

— Não precisa, gente. Eu tenho minhas econômias guardadas e posso bancar a compra de um imóvel pequeno com um preço razoável.

— Mas eu faço questão de presentear a minha filha. Você não, Laura?

— Com certeza.

— Viu. Será que não podemos dar esse mimo a você??

— Poder vocês podem, mas...

— Sem mas. Está combinado assim. Se você decidir mudar para Nova York, o que torço para acontecer. Sua mãe e eu compramos um imóvel lá para você morar. Nada de alugar, compraremos no seu nome, não é Laura?

— Sim. Você escolhe e nos avisa que depositamos o valor.

— Vocês não existem. — eu os abracei.

Momentos depois o táxi chegou e meus pais partiram.

Notas finais
*Citação de Caio Fernando de Abreu O pai da Sara no começo se mostrou que não tinha vindo para apoiar ou consolar a filha, mas Laura deu aquela chamada e ele baixou a bola. E no final do capítulo já até quer dar um 'mimo' a filha. Nossa protagonista vai mudar pra Nova York? Acho que a resposta tá quase óbvia né?!