Notas iniciais
Fala, meninas! Como eu já havia dito lá no grupo do whats sobre hoje ter atualização dessa fic. Então cá está ela! Presente de Natal antecipado. Espero que gostem. E quero já de antemão desejar um Feliz Natal a todas. Preciso agradecer pela companhia de cada uma de vocês por aqui nessa fic. E pelos comentários do capítulo anterior. Obrigada. Obrigada. E obrigada. Fiquem com o capítulo que é inteirinho dele o Sr. Gostoso.

"Escolhas erradas, planos quebrados, desejos inúteis, vontades desnecessárias. Assim que me sinto sem você, totalmente sem sentido, perdido."

(Caio Fernando Abreu)

***

Nova Jersey...

Escolhas!

Pode reparar como sempre estamos fazendo uma. Desde a coisa mais banal do nosso dia a dia até a que pode mudar nossa vida completamente, as escolhas estão ali para sendo feitas.

Escolhas!

A vida é feita delas.

Boas ou ruins.

Certas ou erradas.

Heróicas ou covardes.

Para cada uma delas há consequências. E as piores são as das escolhas erradas, porque o preço que pagamos por elas são quase sempre muito caro. Eu que o diga!

Fiz a minha maldita escolha. A pior! A mais errada! E a consequência dela não estava custando somente a minha felicidade, como também custará a minha paz pelos próximos trezentos e tantos dias que virão!

Dias de inferno!

"Se terminamos por aqui, então... Isso aqui é seu."

"Não, é seu. Eu te dei."

"Mas eu não quero ficar com elas. Dê para a mulher com quem vai se casar, que por sinal não sou mais eu."

Outra vez aquela lembrança amarga veio me atormentar. Me torturar. E me punir pela escolha que fiz.

Fechei os olhos e apertei com força a mão direita onde segurava o solitário e a aliança que Sara me devolveu na noite em que terminamos, aquela terrível noite a qual não tiro da cabeça.

Dói lembrar o quão infeliz eu fui àquela sexta. Dói lembrar dos olhos tristes e molhados de Sara. E dói lembrar que fui fraco em ceder ao pedido de Joseph.

Idiota!... Cretino!... Covarde!, Minha consciência me gritou com todas as forças por dizer "sim" ao Joseph e "não" a Sara.

Abri os olhos e como se fosse uma provocação, eles bateram certeiros no porta-retrato de vidro descansando sobre a mesa diante de mim. Nele, a foto do Joseph sorrindo parecia zombar de mim. Como se dissesse: "Está vendo? Venci! Meu desejo prevaleceu! No fim você vai casar com a mulher que eu queria."

Em um acesso de raiva bati com a mão fechada no porta-retrato, que caiu no chão se reduzindo a cacos, exatamente como eu me encontrava por dentro.

"Te odeio... Joseph Grissom!"

Era culpa dele o ódio que eu sentia tanto por ele, quanto pela escolha que fiz contra minha vontade; era culpa dele, eu me sentir infeliz e miserável por magoar Sara; e era culpa dele, a mulher que eu amo estar certamente, me odiando agora.

Joseph foi baixo comigo. Usou da minha maior fraqueza para me fazer atender aquele seu ridículo último pedido. Aposto que agora deve estar rindo feliz por me vê fazer o que tanto queria: casar com Maryane.

A lembrança do nome da minha futura esposa, trouxe-me a desagradável recordação de que em breve Maryane estaria ali para assinar o maldito contrato de casamento, que naquele momento eu encarava com desgosto puro.

Um ano!

Só um ano e eu estarei livre daquela merda toda!

Uma batida na porta e eu ergui os olhos para ver a figura de Matilde surgir empunhando uma bandeja com uma xícara.

— Tomei a liberdade de te trazer esse cafezi...

Ela parou de falar ao se aproximar da mesa e pisar nos cacos de vidro.

— O que houve com o porta-retrato do seu pai?

Ela me lançou um olhar rápido enquanto depositava a bandeja sobre a mesa, para então se agachar e apanhar a foto de Joseph entre os cacos espalhados no chão.

— Caiu! — menti enquanto guardava dentro do bolso interno do terno os anéis que eram de Sara. Eu ainda ia devolver aquelas jóias a dona. Ah, se eu ia! E ainda ia casar com aquela mulher!

— Vou pedir a uma das meninas que venham limpar isso. E providenciarei um novo porta-retrato para colocar a foto no lugar.

— Não quero a foto dele aqui. Substitua por uma da minha mãe.

— Mas...

Nem lhe dei tempo para argumentações.

— Faça o que estou dizendo, Matilde. Não quero trabalhar neste escritório e ter uma foto do Joseph me encarando. Zombando de mim. Já estou fazendo muito em ficar nesta casa pelo Lewis.

Há três dias meu irmão me ligou pedindo, ou melhor, implorando para que eu viesse passar um tempo na mansão com ele, já que Edgar teve que viajar para o México a negócios e Lewis não queria ficar só na casa.

— Você poderia cogitar a ideia de vir morar aqui depois que se casar com Maryane. Seria muito bom para Lewis ter vocês aqui.

Neguei enquanto bebericava meu café.

— Nem pensar que eu moro aqui. Meu irmão que não invente de pedir isto, porque vai levar um sonoro 'não' na cara. Depois do casamento, Maryane e eu vamos morar na minha casa na Alemanha.

— Mas esta casa aqui ainda é sua também.

— Na verdade, ela deixou de ser minha há mais de vinte anos e passou a ser do Joseph e do Lewis, Matilde. E com a morte do coroa essa casa é só Lewis, já que ele era filho dele.

— Você também era.

— Infelizmente! — retruquei antes de provar mais uma vez o café.

No papel eu era, mas não o sentia mais como meu pai. Não depois do que ele me aprontou. Jamais o perdoarei por isso!

— Por que tanta revolta e raiva do seu pai, Gil? Joseph só queria o melhor para você e aquela Sara não era, Maryane, sim!

Na mesma hora que escutei suas palavras, eu lancei um olhar nada contente a Matilde e já estava abrindo a boca para lhe responder, quando ela foi mais rápida que eu e emendou em sua fala.

— Uma moça como essa Sara, que se envolve com o namorado da irmã e que coloca um filho contra o pai, não pode ser a melhor escolha, Gil.

Meu sangue ferveu de raiva ao ouvir aquele 'argumento' ilógico de Matilde. Eu não era namorado de Maryane, tampouco Sara me pôs contra Joseph. Minha relação com o coroa nunca foi a melhor desde que me entendo por gente e Matilde bem sabe disso. Não sei porquê ela colocava aquilo na conta de Sara. Tive que respirar bem fundo para não explodir e dizer umas verdades na cara da mulher a quem me viu crescer.

— Por respeito aos anos em que está aqui e por ser como uma segunda mãe para mim, eu não vou responder ao que disse com a grosseira que merece ser respondido. Agradeço ao café, mas apreciaria muitíssimo... se me deixasse sozinho. E quanto a limpar os cacos do porta-retrato, deixe para mandar uma das meninas fazer isso depois.

Fui curto, grosso e bem direto para ela entender que falou merda. E ela entendeu.

— Me desculpe. Não queria te aborrecer.

— É, mas aborreceu com a merda que disse. Agora, por favor, saía, Matilde. E quando Maryane chegar... mande que ela venha para cá.

Percebi que ela fez menção de dizer algo, mas se deteve. Então me deu as costas e se retirou do escritório muda. Achei melhor assim, porque se ela dissesse mais alguma besteira, eu não teria tanta consideração assim. Ela não tem ideia do quão puto me deixou com o que disse. Se era para falar merda, então teria sido melhor que ela nem tivesse aberto a boca.

Pouco mais de quinze minutos depois, uma nova batida na porta e desta vez, eu imaginava quem fosse.

— Olá. Matilde disse que...

— Entra e tranca a porta. — ordenei sem muita paciência e vontade.

Uma vez alguém disse que "há um fim para cada tempestade". Infelizmente, o fim da minha estava longe, bem longe porque a tempestade estava apenas no começo!

Enquanto Maryane se dirigia da porta até a cadeira diante de minha mesa, eu a acompanhei com os olhos e só então percebi que já dava para ver melhor o volume em sua barriga. Por um segundo lembrei de quando houve a possibilidade de Sara estar grávida de mim. Se ela realmente tivesse ficado grávida, certamente, as coisas estariam bem diferentes agora. Mas quis o destino tornar tudo mais complicado. Mais difícil! Mais cruel!

Maryane era a única grávida! E apesar de aquela criança que crescia dentro de sua barriga não ser minha, eu já havia me apegado a ideia de ser seu pai. E ele/ela teria o melhor de mim enquanto sua mãe teria o pior.

— Aqui está o contrato com todas as cláusulas que você 'pediu' para acrescentar. Leia para se certificar de que tudo está aí e depois assine, porque eu já assinei. — Larguei diante dela o papel e uma caneta.

Havia assinado logo que meu advogado tinha trago tal papel mais cedo aquela manhã. Não adiantava nada ficar enrolando, protelando a assinatura. Sente a pior sensação de desgosto ao colocar meu nome ali naquele documento. Foi como se eu estivesse assinando meu atestado de morte. Uma morte com prazo de validade de um ano para ser mais exato. Um longo ano!

Maryane pegou o contrato e se pôs a lê-lo em silêncio, enquanto eu a encarava nenhum pouco contente. E pensar que há bem pouco tempo, eu cheguei a nutrir algo de bom por ela. Não foi amor, porque eu desconhecia esse sentimento até conhecer Sara. Mas posso dizer que foi um pouco de amizade, misturada com atração e certo carinho. Agora o que existe é raiva e desprezo. Não só por ela como também por Joseph e por mim mesmo.

"Seu pai foi desprezível!"

Foi mesmo! Sara tinha razão em afirmar aquilo. E no fundo, eu também fui e estava sendo tão desprezível quanto ele por atender aquele seu capricho. Porque aquilo era um capricho seu.

— É, você colocou tudo o que pedi.

Maryane não fazia qualquer questão de esconder seu maldito sorriso triunfante ao erguer os olhos do papel e me encarar. Imagino que ela se sentia a superior por ter me feito dobrar-se a sua vontade, exatamente como Joseph conseguiu.

Quem diria, Gilbert Grissom sendo submisso aos caprichos dos outros, quando na verdade sempre fora os outros, principalmente as mulheres, que se submeteram aos seus caprichos.

— E o que espera para assinar esse contrato então?

— Nossa, você está de péssimo humor, querido!

— E você só está piorando o meu humor. Assina de uma vez!

Ela o fez com a maior das satisfações e ainda sorrindo só para me irritar mais ainda.

— Pronto! Está devidamente assinado, querido. Espero que cumpra cada cláusula aí estipulada. — ela me estendeu os papéis de volta.

— Vou cumprir cada ridícula cláusula sua com o maior desprazer do mundo.

Sem lhe dar chance de réplica, já fui em seguida informando que hoje mesmo pela parte da tarde, eu levaria aquilo ao advogado e amanhã Joshua ia lavrar o contrato em cartório e mandaria uma cópia a ela. Comuniquei também que nosso casamento seria em dez dias. Eu tinha pressa de casar para assim iniciar logo a minha contagem regressiva de volta para Sara.

— Dez dias, Gil? — vi o choque tomar seu rosto. — Mas é pouco tempo para eu conseguir uma data na igreja.

— E quem disse que vamos casar na igreja?... Casaremos apenas no civil, Maryane.

Nem no meu pior pesadelo eu ia cometer a loucura de me casar no religioso com ela. Ainda não fiquei doido a este ponto.

— Mas Grissom...

— Sem essa de 'mas, Grissom'. — cortei sua clara intenção de me fazer mudar de ideia. Nem o maior de seus argumentos me convenceria daquele despautério de casamento religioso. — O casamento na igreja não está em negociação. Eu não vou jurar diante de um padre e de Deus amor a você, Maryane. Sem chance! — decretei.

Vi a pose de superioridade com a qual ela vinha se portando desde que se acomodou naquela cadeira, desfazer-se feito um castelo de cartas.

Por mais que eu tivesse perdido minha crença em Deus e nas tradições da igreja, só uma mulher me faria abrir uma exceção e me casar como manda os preceitos católicos dos quais me afastei. E esta mulher em questão não era Maryane.

— Tudo bem. Sem casamento na igreja. — ela cedeu, mas estava bem nítido sua insatisfação quanto aquilo. — Mas e quanto a festa?

— Não vai haver festa alguma! — revelei, dando outro banho de água fria em seus planos.

Não vou comemorar um casamento que nem era da minha vontade, com uma mulher que eu não queria.

— Como assim não vai haver festa? — ela quase berrou. E eu me recostei mais em minha cadeira para apreciar melhor sua segunda insatisfação. — Grissom, nós vamos casar!... Eu quero comemorar isso, convidar meus pais, meus amigos do trabalho e...

— Eu não sei se você recorda... — já fui logo cortando-a enquanto me levantava da cadeira. — Mas supostamente... eu estou guardando luto pelo falecimento do meu querido pai... — não escondi o tom irônico ao me referir ao Joseph. De querido ele não tinha nada. Muito pelo contrário. —, então não tem o menor sentido, eu fazer uma festa sendo que faz pouco tempo que enterrei Joseph. — expliquei ao me sentar na ponta da mesa e bem diante de Maryane. — Além do mais... Não há qualquer vontade em mim de comemorar esse casamento com você.

Mais claro que aquela última razão que dei, impossível.

— Você não faz qualquer questão de esconder de mim seu desprezar por nosso casamento, não é?

— Não mesmo!

Se para os outros eu terei que fingir, já que ela fez disso uma cláusula do nosso contrato de casamento. Para ela, eu ia deixar sempre muito claro o meu descontentamento e desgosto por estarmos casados.

— Vou te lembrar sempre que possível, que não era com você que eu queria estar casado!

Se eu ia viver um inferno preso em um casamento com Maryane... Ela também viveria seu próprio inferno casada comigo, porque eu ia me encarregar disto!

— Mas será comigo que casará! Não com ela. — Maryane contra-argumentou com obviedade e um prazer que saltava aos olhos enquanto se colocava de pé. — E quanto a festa? Eu vou fazer uma pequena comemoração para apenas trinta pessoas e aqui nesta casa.

— Já disse que não vai haver festa alguma, Maryane, quanto mais aqui e para 30 pessoas.

— Momentos atrás você me fez engolir o desprazer de não haver casamento religioso. Agora é sua vez de engolir o fato de que haverá sim, uma pequena comemoração pelo nosso casamento, você gostando ou não. — ela decretou, ajeitando a alça da bolsa em um dos ombros e me dando as costas para seguir rumo a porta.

— Maryane!... Volta aqui.... Maryane!... Não vai ter festa alguma.

Ela simplesmente me ignorou e saiu do escritório sem me dar direito a réplica.

— Maldita! — soquei a mesa com força e sente uma dor lasciva se alastrar de maneira instantânea pela minha mão. Porém, nem dei tanta importância a isso, pois estava com tanta raiva no momento que aquela dor era o menor dos meus problemas. — Você não perde por esperar.

Com atitudes como aquelas, Maryane só ia ganhando mais o meu ódio. E o desejo de tornar a vida dela um inferno apenas crescia em larga escala.

***

— Na primeira hora de amanhã estarei resolvendo isso no cartório, doutor Grissom.

Apenas assenti de olhos fechados, tentando ignorar a dor em minha mão, mas estava impossível de conseguir isto. Achei que a dor ao socar a mesa fosse só momentânea e que passaria logo em seguida, mas não passou, muito pelo contrário, ela só aumentou. E para piorar mais ainda, minha mão estava inchada e arroxeada. Mal conseguia fecha-la ou movimenta-la direito.

— Está tudo bem com o senhor?

Abri os olhos para encontrar Joshua me encarando de forma preocupada.

— Não. Mas vai ficar. — me ergui da cadeira. — Preciso ir. Nos falamos amanhã. Até mais.

— Até.

Saí apressado de sua sala. O caminho do escritório até meu carro pareceu longo e angustiante demais com uma mão cujo pulso latejava e os dedos formigavam. Eu não estava mais suportando aquela situação. Precisava ir a um hospital.

Então assim que me acomodei no banco do carona ao lado de Luke, lhe mandei que me levasse a clínica de um conhecido no centro de Manhattan. Em vinte minutos, eu estava sentado diante de Albert, que avaliava o estado de minha mão.

— Temos aqui provavelmente uma luxação, mas preciso de uma radiografia para confirmar. Vou te encaminhar para fazer uma, vem.

Saímos de sua sala e pelo caminho ele tentou saber como 'ganhei' aquele machucado.

— Soquei a mesa.

— Por que? O que foi que a coitada te fez? — brincou meu amigo.

— Não estou no clima para brincadeiras, Albert.

Ele pouco se importou com minha resposta atravessada e riu.

— Soube por acaso pela Catherine ontem que vai casar. É verdade?

Pelo visto minha amiga já se encarregou de espalhar a novidade!

Eu havia contado a Cath dois dias atrás. Lembro que minha amiga ficou sem entender nada quando eu contei sobre me casar com Maryane. Na mesma hora ela me indagou sobre Sara. E eu contei que terminamos.

"Você parecia tão apaixonado por ela. O que houve para terminar e já engatar em um noivado com aquela nariz em pé da Maryane?"

Catherine parecia inconformada. Por dentro eu também estava. E por um segundo cogitei abrir o jogo com ela. Dizer-lhe a verdade toda como fiz com Lewis. Só que quanto menos pessoas soubessem que aquele casamento era de mentira, melhor seria. Então me calei e inventei uma mentira a ela. Contei que não estava tão apaixonado assim por Sara e que além de Maryane e eu já termos uma relação de meses, ela se encontrava grávida de mim (também não achei bom contar sobre o bebê não ser meu). Portanto, nada mais sensato do que me casar com a mulher que espera um filho meu. Pela cara que Catherine fez, ela não pareceu engolir muita bem aquela história. Porém não ousou fazer mais perguntas. Achei um tanto melhor.

— É verdade. Eu vou casar daqui a dez dias.

Aquelas palavras causaram uma sensação amarga ao pronuncia-las, mas tive que dissimular tal sentimento, porque para os outros teria que 'vender' alegria e felicidade pelo casamento.

— Isso é algo que jamais imaginei que fosse possível acontecer. Você se casando! Logo você que não queria saber nem de namorar, quanto mais casar.

— As coisas mudam, Albert!

Naquele instante chegamos a sala de radiografia e agradeci por isso, pois só assim para aquele papo ser encerrado.

O exame acusou uma luxação nos ossos da mão e no pulso, como Albert já desconfiava.

Merda! Eu mereço!

Depois de ter a mão imobilizada em uma tala e saber que teria que ficar com aquilo por três semanas, eu ainda tive que ouvir as recomendações de Albert quanto a não forçar a mão, tomar as medicações nos horários certos e fazer o acompanhamento com o ortopedista; me despedi do meu amigo recebendo sua cobrança de que: aguardaria o convite para o casamento.

Nem me dei o trabalho de confirmar ou negar aquilo, apenas saí do seu consultório.

Na saída do hospital junto a Luke, uma grata surpresa que me encheu os olhos e o coração de alegria naquele dia até então horrível... Do outro lado da rua, eu avisto Sara e Dayse saindo do escritório de uma imobiliária, acompanhadas de um sujeito.

Sara estava tão linda. E eu me vi admitindo que já sentia sua falta imensamente, como se fizesse semanas que não a via, mas eram apenas poucos dias.

Me pergunto como farei para aguentar o longo período que viria a frente sem ela. Se apenas com uns dias eu estava péssimo. Quem dirá meses?! Vou precisar ter muita força para não enlouquecer de saudade, angústia e medo de que durante esse período separados, ela acabe se envolvendo com alguém e me esquecendo para sempre. Isto seria o pior castigo para mim. Não saberia lidar com tal situação.

Vi quando Sara sorriu mais largamente por algo que Dayse disse e involuntariamente, esbocei um sorriso também. Como eu queria saber o motivo daquele sorriso!

Amava vê-la sorrir, principalmente se eu era o responsável por aquilo. Agora posso apostar que sou apenas o responsável por suas lágrimas.

De repente seu sorriso morreu e sua expressão se endureceu no exato instante em que Sara me viu ali, olhando em sua direção. Foram segundos dela olhando para mim e eu para ela até notar seus olhos se desviarem para a mão imobilizada que sem pensar, eu já havia erguido para acenar a ela em cumprimento. Infelizmente não recebi um cumprimento de volta. Mas também o que eu queria?! Ela devia estar me odiando, jamais ia me cumprimentar.

Seus olhos retornaram de volta aos meus e a vontade que me deu, foi de desistir de tudo e fugir com Sara para a Alemanha. Lá nós íamos começar nossa vida, ou melhor, íamos retomar nossa história de onde fomos obrigados a parar.

Que se foda Maryane e aquele casamento horrível! Que se foda a Care! Que se foda tudo!

No entanto, eu não podia me dar ao luxo de mandar tudo pelos ares e nem devia. Tudo por conta do meu projeto na África que já estava apalavrado com Kaluma e da maldita promessa.

"Me prometa que vai cumprir meu pedido de se casar com Maryane, o qual estipulei no testamento. Só assim estará apto para assumir a Care."

"Então que Conrad assuma a Care, porque eu não vou prometer isso Joseph. É ridículo que tenha posto uma coisa dessas em seu testamento."

"Estou morrendo, Gilbert. E este é meu último pedido a você... meu filho."

"Agora sabe me chamar de 'filho'?"

"Sei que não fui o melhor pai do mundo... Sempre fui muito duro com você. Te cobrei demais. Exigi demais. Mas assim como quero o melhor para seu irmão... Eu também quero para você. E aquela moça não é a melhor companheira."

"Quem sabe o melhor para mim sou EU! Não é você."

"Por favor, Gil... Me conceda isso pela paz do meu espírito e... Pela memória de sua mãe! Eu te imploro."

E agora, eu estava aqui infeliz observando Sara de longe, quando eu podia estar lá ao lado dela desfrutando de seus sorrisos, dos seus beijos, da sua companhia. Me sentindo realizado e alegre por me casar com alguém que eu amo; traçando planos de uma vida a dois, depois a três, quando viesse um filho; idealizando sonhos e construindo uma vida real e não, uma mentira como a que eu iria construir com Maryane

Dayse e o outro sujeito olharem em minha direção após fazer já um breve tempo em que Sara estava me olhando. O homem pareceu dizer algo que fez Sara desviar seus olhos dos meus para lhe dizer sabe-se lá o que. Em seguida o trio entrou apressadamente no carro de Dayse e partiu dali, sem que Sara me desse um último olhar que fosse.

Suspirei.

"375..."

— Vamos embora, Luke. — anunciei colocando meus ósculos escuros após ver o carro com Sara dobrar a esquina mais lá adiante.

"...Este é o número de dias contando a partir de hoje... que nos separam de estar frente a frente de novo, meine liebe!... Espero que passe rápido."

Notas finais
Eu vivi um dilema com esse final. Uma parte de mim (boa) queria colocá-lo como uma forma de alento, porém a outra parte(ruim) não. Acabou que a boa ganhou, sorte de vocês kkkkkkk. Sobre o capítulo... Tá difícil para o Grissom como viram. Ele tá sofrendo e tá mal com a situação. Mas ele tem sua culpa, porque isso só está acontecendo porque ele fez sua escolha. Paciência! E para piorar a situação do nosso Sr. Gostoso ainda tem a Maryane se achando a tal e querendo bater de frente com ele. Grissom está bem arranjado. Bjs e até a próxima atualização.