Notas iniciais
Não, vocês não estão tendo uma alucinação, é uma atualização da fic mesmo. Salve, salve, meus amores! Depois de uma longa espera estou aqui para dar continuidade a fic do Sr. Gostoso. Bora lá?

"Quanto tempo leva para a gente se refazer de um tombo que nos quebrou em mil pedaços?... De quantos meses a gente precisa para recuperar o movimento das nossas asas, ora atrofiadas, mas que um dia nos fizeram voar?... Em que capítulo da nossa história podemos considerar cicatrizadas as feridas abertas no cerne da nossa alma?... Não dá para saber. Não há como prever. Cada qual sabe o tamanho da sua tristeza e a dimensão da dor que sente."

(Autor desconhecido)

***

Tudo o que eu não precisava era dar de cara com aquele cretino parada do outro lado da rua, me encarando com seus olhos azuis e um semblante abatido.

Que merda viu!

Justamente hoje que estava tão empolgada e alegre por ir ver os imóveis, cujo um deles tem total chance de ser o meu novo lar doce lar, vem esse encontro inesperado com Grissom quando estava saindo com Dayse e George do escritório do corretor, para roubar no mesmo instante a minha empolgação e alegria.

Por que o destino gosta de zombar da minha cara assim?

O que eu fiz de tão ruim assim para merecer essas pedradas da vida?

Só gostaria de saber quando que irei superar esse cretino. Sei que ainda é cedo para isso, pois o término está recente, mas bem que eu adoraria supera-lo em um estalar de dedos, para me privar do sofrimento que tem sido desde que ele me deixou.

— Sar tá tudo bem?

Ouço Dayse me indagar baixo enquanto olho pela janela do carro guiado pelo corretor.

— Você sabe que não. — resmungo.

— Que puta azar dá de cara com ele.

Apenas suspiro sem tirar os olhos da janela peliculada do carro.

— O que será que houve com a mão dele? Reparou que estava imobilizada?

— Dayse... — viro o rosto para encarar minha amiga, acomodada ao meu lado no banco de trás do SUV de George. Tínhamos ido até o escritório no carro da Dayse, mas decidimos deixar o carro dela no estacionamento do prédio onde fica o escritório e irmos no carro de George conhecer os imóveis que ele tinha para me mostrar. — Para de falar dele. Não me interessa o que houve com a mão daquele infeliz ou com ele. Foda-se aquele cretino. Ele pode se arrebentar inteiro, que não me interessa.

De canto de olho observo que pelo espelho retrovisor, George está espiando nossa conversa, mas logo o corretor foca sua atenção na pista quando lhe encaro séria pelo espelho.

Logo que entramos no carro alguns minutos atrás, George se mostrou empolgado ao saber por Dayse e sua boca grande, que nós conhecemos Grissom. O corretor então revelou que também o conhecia e que foi o responsável por lhe conseguir um belo apartamento ali em Nova York (que eu conheço por sinal, muito bem) e mais uns blá blá blá, que tratei de cortar dizendo que não me interessava saber. E assim ele não deu mais um pio sequer.

— Caramba! Esse breve encontro com ele te abalou em um grau enorme, hein, para falar desse jeito comigo.

Só então me dou conta que fui rude até demais com a minha amiga.

— Desculpa, Dayse. Eu...

— Tudo bem. — ela me interrompe. — Eu é que peço desculpas. Não tenho nada que ficar falando nele. Esse... — Dayse chega mais perto e em um cochicho completa: — Cretino não merece que falemos nele.

— Não mesmo!

Não temos oportunidade de continuar a conversa, porque George anuncia que chegamos no primeiro dos quatro imóveis que eu conheceria aquela tarde. Na verdade seriam três: apartamento no bairro do Chelsea, casa no Upper West Side e outra casa no West Village. Mas o George disse que havia um apartamento no Greenwich Village que eu poderia até gostar, então topei incluir este na lista dos que eu veria.

— Bem-vinda ao Chelsea Stratus. — anuncia George ao abrir a porta do apartamento.

De cara já me deparo com uma sala ampla com dupla exposição (janelas do chão ao teto e vista aberta). O piso de madeira contrasta com perfeição com o mobiliário e as paredes e o teto branco.

— Nossa! É um belo cartão de visita. — comento observando o ambiente.

— Bota belo nisso. — Dayse diz se jogando no sofá branco maior.

George em um tom bem profissional começa a falar para a gente um pouco sobre o apartamento enquanto nós leva para conhecer os outros cômodos: a pequena varanda que há na sala, depois a cozinha com balcão para café da manhã e de proporções graciosa, podendo facilmente acomodar uma área de jantar separada; os dois quartos (ambos com janelas do chão ao teto e ar condicionado central), sendo que o principal possuí ainda banheiro privativo com janela, chuveiro e banheira. E em TODOS os cômodos o piso é de madeira com mobiliário e paredes brancas.

— E aí, o que achou dele, Sara?

— Eu gostei. É bonito, bem decorado e fica bem localizado.

O único defeito ali é o preço salgado do imóvel, mas também o que eu queria? O Chelsea Stratus fica bem no coração do bairro do Chelsea.

— Eu também amei esse. Que vista se tem daqui hein. — elogia Dayse parada em frente a uma das duas porta/janela que há na sala. — Vem ver, amiga.

Vou até onde ela está e realmente a vista é linda.

— É uma bela vista mesmo. — ouço George comentar ao parar do meu lado.

— No entanto ainda temos mais três para ver.

— Eu sei, Dayse. — lanço um olhar para minha amiga. — Por mim, podemos ver o próximo imóvel, George.

— Como quiser, Sara.

— Mas que fique claro que este apê já tem meu coração. — Dayse diz enquanto nós encaminhamos para a saída do apartamento.

O próximo lugar que visitamos é outro apartamento, este no Greenwich Village. A residência ultramoderna é grande! Segundo George aquele imóvel na 111 Fourth Avenue é o resultado da combinação de dois apartamentos que foram reformados de maneira elegante e com proporções de loft. A luz solar entra por três janelas de 10 pés de altura espalhadas pela sala de estar ampla, inundando todo o imenso lugar com a luz natural. Dois quartos ladeiam à sala. O quarto principal possui duas janelas enormes e closet verdadeiramente gigante com prateleiras embutidas personalizadas, prateleiras suspensas e espaço para se movimentar. O banheiro privativo também é impressionante e possui pias duplas e um armário de linho embutido personalizado. Porcelanato tipo mármore reveste o espaço.

Uma escada elegante e de tamanho normal leva da sala até o loft no andar de cima, que inteligentemente foi dividido em dois quartos (sendo um o escritório e o outro área para tirar um cochilo, com puffs e almofadas enormes).

Voltando ao andar inferior, temos a cozinha, logo à direita da entrada do apartamento. Ela possui eletrodomésticos de primeira linha, incluindo lindas bancadas brancas e belos armários brancos unindo a cozinha e o banheiro social com maestria.

Em todo o apartamento, magníficos pisos de madeira e tijolos aparentes equilibram perfeitamente os acabamentos contemporâneos e criam uma atmosfera acolhedora.

— Este imóvel é uma jóia e está localizado a poucos quarteirões da Union Square, algumas lojas fantásticas e restaurantes incríveis, Sara. — comenta George.

— É, ele é incrível. Lindo. Moderno. Uma verdadeira jóia mesmo. Mas também é grande demais para mim. — digo, virando para encarar George postado perto do sofá bege.

— Resumindo: ele é carta fora do baralho da minha amiga, George. Vamos para o próximo endereço. — Dayse diz dando tapinhas leves no ombro do corretor.

Os outros dois imóveis restantes são ambos casas. Uma em West Village e a outra no Upper West Side. Sendo esta última casa a ganhar minha predileção, começando por sua fachada estilo vitoriana. Já dentro do imóvel, a mescla de móveis de diferentes épocas e cores com o branco como tom predominante (aparecendo em um mix com preto, marrom e metálico), dá um ar reconfortante a casa de dois andares. O piso de taco, os tapetes, o pé direito alto e a lareira reforçam essa sensação, além de serem outro ponto a ganhar a minha predileção.

— De todos os imóveis que vimos, Sara... — George fala enquanto seguimos para a saída da casa. -... Este é o que fica em um dos bairros mais tranquilos para se viver. Sem contar que está em uma área nobre, essencialmente residencial e que tem o Central Park logo aqui perto.

Tudo isso que George cita só faz com que minha escolha seja por aquele imóvel, aquele bairro. Eu adorei o primeiro imóvel que vimos no Chelsea, apesar do preço salgado, mas aquela casa no Upper West Side ganhou meu coração.

— Não precisa dizer mais nada, George. Eu quero esta casa!

— Então posso mandar redigir o contrato?

— Pode! — confirmo sem titubear, pois para mim havia encontrado o meu novo "lar doce lar".

***

— Eu achei que você fosse optar pelo apê no Chelsea. Achei que tinha mais haver com você. — Dayse comenta assim que entramos no carro do George enquanto o corretor está ainda do lado de fora do veículo falando ao celular.

— Mas eu amei essa casa aqui. — digo lançando um olhar para o meu em breve novo endereço. — Quando vi a fachada já gostei, depois que entrei mais ainda gostei e já a quis. E a medida que fui conhecendo seu interior isso só foi se reforçando. Fora que ela estar situada em um lugar mais tranquilo e que lembra o Brooklyn também contribuiram na escolha.

— Eu ainda acho que o do Chelsea é melhor. Aquela vista da janela da sala é um sonho.

Rolo os olhos com a fala de Dayse. Ainda bem que George entra no carro impedindo que qualquer outra coisa seja diga.

Durante o trajeto até o escritório da corretora onde George trabalha, o sujeito foi explicando passo a passo para a aquisição do imóvel, o que para mim foi um tedioso blá blá blá. Em resumo, ele disse que em sete dias, eu poderei me mudar para o meu novo endereço, já que pedi para que ele agilize ao máximo a burocracia toda, pois tenho pressa para fazer a mudança.

— Pode deixar comigo, Sara. Vou agilizar tudo. — ele diz enquanto trocamos um aperto de mão na frente do escritório.

Apenas assinto e nos despedimos com a promessa de em breve estarmos frente a frente de novo para a assinatura do contrato.

Notas finais
Até a próxima atualização. Xero.