Notas iniciais
Boa noite. Demorei na atualização, eu sei. Peço a compressão e paciência de vocês. Estou com a vida amalucada outra vez e não tenho tido tempo para sentar e escrever. Tá puxado, mas a gente vai se ajustando como pode. As atualizações sairão com atrasos, mas ela sairão. Garanto. Não posso deixar de agradecer aos comentários que deixam a cada capítulo postado. Meu mais sincero obrigada. Segue abaixo o capítulo. TRETA!

– O pessoal perguntou porquê você não foi hoje. — encarei minha amiga após erguer os olhos do prato de comida ainda intacto, que Dayse havia me obrigado minutos atrás a preparar. Era de se esperar que eles perguntassem, já que a coisa mais difícil era eu faltar ao trabalho. — E quando contei que estava doente, eles te mandaram estimas de melhoras. — ela completou diante da minha mudez.

Balancei a cabeça e agradeci dois segundos depois sem esboçar qualquer ânimo. Não tendo mais nada a ser dito, voltei a encarar meu prato enquanto passeava com o garfo em círculos pela comida.

A verdade é que me faltava entusiasmo e sobrava falta de vontade de tudo, até mesmo para comer.

— Detesto te ver nessa fossa, sabe? — tornei a encarar Dayse assim que ela voltou a se pronunciar após segundos de um silêncio, que perdurou entre nós desde o fim da minha fala anterior. — A vontade que me dá é de ir lá no Grissom e cortar o pênis dele fora como eu o ameaçei. Mas aí lembro, que o cretino deve está tão pior que você e sinto até pena de fazer isso com ele.

Ela é a segunda pessoa hoje que escuto dizer que Grissom está na pior como eu. Mas se ele está assim, eu não me importo a mínima. Foda-se o Grissom! Foda-se a possível fossa em que ele deva estar. Foda-se tudo que diz respeito àquele cretino. Foi ele mesmo quem nos causou toda esse merda e é mais do que justo que esteja na fossa. Mas bem que podia ser apenas ELE nessa situação. Eu não! Somente ele é quem devia estar arcando com a porra das consequências de sua escolha.

— Daisy, eu não acredito que aquele cretino fique por muito tempo assim. Logo essa "pior" dele passa, já que terá minha prima ao seu lado como sua esposinha para consolá-lo.

A raiva e o desgosto com o qual pronunciei esta última parte de minha fala, ficou tão escancaradamente visível que mesmo que eu tentasse, dissimular tais sentimentos, seria impossível. Inútil, na verdade!

Imaginar Grissom e Maryane juntos, vivendo como um casal, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, me dava náuseas e estraçalhava com o resto que havia do meu pobre coração já esmiuçado.

— Não acho que ele dê brecha para ela, Sara. Além do mais, ele me disse ontem antes de você chegar, que não tocará na Maryane durante o casamento, porque te ama.

Eu não queria, mas involuntariamente acabei deixando escapar uma risada alta e bem irônica.

Grissom ontem havia me dito isso mesmo que Dayse acabou de dizer. E quer saber? Não levei e nem levarei a sério aquilo. Sei o homem fogoso que Grissom é e a mulher esperta que Maryane também é. E nem de longe criarei a idiota ilusão de que durante um ano aqueles dois não terão nada.

Eu posso amar romances e trabalhar com isso. Posso ser apaixonada por aquele cretino, mas não retardada para acreditar mesmo nessa de "não haverá nada entre eles". Qual é?! Eles estarão casados, dividirão a mesma cama e não haverá nada? Tá bom!

— Por que está rindo?

Dayse parecia confusa diante da minha reação ao que foi dito por ela.

— Quantos anos você tem hein, Daisy? — parei de rir.

— Tenho a mesma idade que a sua. Por quê?

— Porque para acreditar que o Grissom não terá nada com Maryane, você só pode ser uma adolescente apaixonada e você não faz esse genêro, certo?

— Você não acredita que ele ficará imune a ela?

Não colocaria jamais minhas mãos no fogo quanto a isso.

— Nenhum pouco.

— Não acredita mais no amor dele por você?

Boa pergunta. Acho que o único amor que no momento eu acreditava, era no meu por ele. Este era sincero, já o de Grissom não sei mais se é ou foi.

— Acho que deixe de acreditar.

— Isso é a raiva falando por você.

— É a decepção mesmo.

Minha amiga ficou me olhando por um breve instante até que eu resolvi pôr fim em nosso contato visual.

— Será que ele já falou com sua prima?

— Não sei e nem quero saber. Fodam-se os dois de braços dados e alianças nos dedos.

Ouço Dayse rir e olho séria para ela.

— Desculpa, foi inevitável não rir do que disse, soou engraçado. — somente balancei a cabeça em negação. — Maryane deve ter soltado fogos de artifícios caso Grissom já tenha falado com ela. Se prepara que com certeza essa cobra vai te ligar para tripudiar de você. Ou ela já fez isso enquanto eu não estava?

— Não fez. — mas eu desconfiava que ela faria isso a qualquer momento. Minha prima não perderia a chance de tripudiar de mim, como Dayse muito bem disse.

— Você sabe que ela fará isso, não é Sara?

— É, eu sei. E ela morrerá ligando, que eu não vou atender nenhuma de suas ligações, assim como não atendi a do Lewis mais cedo.

— Espera aí. Lewis te ligou e você não atendeu? — com o movimento de cabeça confirmei. — Por que você não o atendeu, Sara? — largando os talheres no prato e me encarando de maneira firme e fixa, Dayse ficou no aguardo de uma resposta minha, que não demorei a lhe dá.

— Eu não quero ter contato com nada e nem ninguém que tenha a ver com o Grissom ou faça partida vida dele, Dayse. E infelizmente, o Lewis está incluso nisto.

Talvez eu estivesse sendo radical ou pior ainda, infantil com aquela atitude. Mas que se dane, eu não estava nem aí para isso e o que quer mais que fosse.

— Sara isso não é justo com o pobre do Lewis. Ele gosta de você, não tem culpa que o irmão tenha decidido cumprir a merda de uma promessa que o pai deles pediu antes de morrer.

Eu era mais que ciente disto, porem não conseguia agir diferente da decisão que tomei. Eu precisava me afastar, fugir do que me lembraria o algoz do meu sofrimento. Infelizmente, o Lewis, por ser irmão de Grissom, faria parte do pacote. Uma pena, porque assim como ele criou uma empatia por mim, eu criei por ele. E apesar de não achar justo rejeitar sua proximidade, esta se fazia necessária para mim e a cicatrização desta ferida aberta em meu peito.

— Dayse não quero por hora proximidade com quem é ligado àquele cretino do Grissom.

— Mas...

— E já chega de falar disso, do Grissom ou de quem tem envolvimento com ele, por favor. Pode ser?

Eu já estava ficando saturada daquele assunto. Já não bastava ter que ficar recordando de lembranças com Grissom, as quais adoraria agora arrancar da cabeça. E ter que ficar falando ainda daquele cretino, já era demais para mim.

Diante da minha fala rude e o olhar nada amistoso que fiz questão de dirigir a Dayse, a minha amiga só ergueu as mãos em rendição e não ousou mencionar qualquer palavra que fosse depois.

O restante do nosso breve almoço, foi um silêncio que só era interrompido pelos pequenos ruídos dos talheres de Dayse batendo no prato enquanto ela almoçava. Eu não consegui comer quase nada e não foi por falta de tentativa. Até tentei, na verdade, me forcei a comer um pouco que fosse, mas o máximo que consegui, foi dar apenas duas colheradas na quiche de legumes em meu prato e mais nada. Depois só fiquei passeando com o garfo pela comida enquanto observava com discrição Dayse almoçar.

Minha amiga sequer olhou para mim depois da patada que lhe dei. Não bastasse a de mais cedo antes dela ir para a editora, eu agora lhe dou outra nova patada.

Às vezes como agora, eu consigo a façanha de ser um péssimo ser humano e amiga horrível com Dayse. Ela estava sendo um amor comigo e eu a tratando com patada atrás de patada. Precisava lhe pedir desculpas pela segunda vez naquele dia. Só que antes mesmo que eu abrisse a boca a campainha ressoou e Dayse surpresa me olhou na hora.

— Quem pode ser? Seu Joel nem interfonou avisando. — Dayse largou os talheres no prato já praticamente vazio e apanhou o guardanapo para levá-lo aos lábios para limpá-los.

Involuntariamente, me veio o nome de Grissom, porque logo depois que começamos o nosso relacionamento, eu avisei ao porteiro que não precisava interfonar quando Gil estivesse na portaria do prédio querendo subir para me ver. Ele era a única pessoa que tinha passe livre para subir sem avisar. E com o nosso recente término, eu sequer tinha ainda avisado seu Joel de que a subida de Grissom estava terminantemente barrada daqui para frente.

E se fosse de fato ele, o que esse cretino ainda queria? Acredito que nada entre nós ficou pendente depois de ontem. Tudo o que era para ser dito, creio ter sido dito claramente de ambas as partes. Então que raios este homem ainda queria comigo?

— Eu acho que sei quem pode ser. — levantei da mesa e joguei o guardanapo com raiva ao lado do prato.

— E quem você acha que é?

Ouço Dayse questionar atrás de mim enquanto já saíamos da cozinha.

— Grissom. Mas eu vou botá-lo para fora daqui agora mesmo.

— Mas o que ele viria fazer aqui depois de vocês terem terminado ontem? Não faz sentido, Sara.

Não fazia mesmo. Mas Grissom era Grissom. E as vezes, ele conseguia não fazer qualquer sentido.

Abri a porta sem me dar o devido trabalho de espiar pelo olho mágico antes e tendo já na ponta da língua uma enxurrada de palavras nada gentis a dizer. Mas voilà! Tive uma surpresa bem desagradável, porque não era Gil!

Eu não sabia se ficava menos aliviada por não ter aquele cretino bem diante de mim ou mais profundamente irritada por isso, já que quem estava ali a minha frente, exibindo um sorriso triunfante e exalando uma felicidade irritante, era ninguém menos que Maryane.

Mereço!

Pelo jeito ela adivinhou que eu a atenderia e veio pessoalmente tripudiar de mim.

E por que raios o porteiro não interfonou?

Ele vai ouvir de mim depois. Ah se vai!

— Olá, irmãzinha querida!

Alargando mais seu sorriso e sem ao menos me dar a chance de mandá-la a merda com aquele irmãzinha, Maryane passou por mim e entrou no apartamento sem ser convidada.

Respirei fundo. Não a deixe lhe rebaixar! Mandou-me a consciência. Apertei com força a maçaneta da porta enquanto encarava a parede do corredor vizinho e ouvia Dayse reclamar com Maryane sobre ninguém ter lhe dado autorização para entrar no apê.

— Se recolha a sua insignificância de se manter calada que é, porque não vim falar com você, Dayse. Estou aqui para falar com a Sara.

Era óbvio que ela estava aqui por mim, para tripudiar de mim. Com aquela cara de felicidade que ela ostentava não era difícil supor que Grissom já tinha falado com ela. E, sem perder tempo ela já veio atrás de mim.

Mas eu estava sem a menor paciência e tampouco a fim de ouvi-la jogar na minha cara o que eu já suponha que ela jogaria. Sendo assim...

— Vai embora daqui, Maryane. — mandei já me virando para ela e lhe apontando com a cabeça a direção da porta aberta, a mesma pela qual minha prima entrou segundos atrás sem ser convidada.

— Nossa, você está com uma cara tão péssima, irmãzinha.

Ela não fazia questão alguma de esconder sua enorme satisfação por ver o meu estado. Quer saber? Eu podia jurar até que ela estava feliz por me ver daquele jeito. Me pergunto que espécie de pessoa ela é para se alegrar diante da tristeza de alguém que é da sua família e tem seu sangue?

Tivemos a mesma criação, recebemos os mesmos valores quanto a ser uma pessoa boa e descente. No entanto Maryane com suas atitudes e seu jeito não condiziam em nada com a boa educação que recebemos.

— Aposto que essas suas olheiras e o abatimento visível em você é bem por causa do ponto final que o Gil pôs no casinho de vocês ontem, né?

Pelo visto ela já sabia de TUDO!

— Maryane, eu não estou com paciência pra você. Então vai embora. É, a segunda vez que vou mandar.

Ignorando o que eu disse, ela seguiu até o sofá e se acomodou nele com toda a classe e a cara de pau que tinha.

— Eu estava almoçando com ele até ainda pouco, sabia? Confesso que fiquei surpresa com o convite para almoçar. Mas aceite e...

— Que parte do: "Vai embora", você ainda não entendeu, hein? — Dayse se meteu e observei Maryane sorrir.

Assim como ignorou ainda pouco o que eu disse, minha prima fez o mesmo agora com Dayse. E, então, ela prosseguiu em um monólogo que incluiu Gil lhe contando sobre o nosso término e posteriormente a pedindo em casamento, e ela aceitando porque o amava. Sei!

Ao que parece Grissom não perdeu tempo em fazer o pedido e tampouco, minha prima hesitou em aceitar sua proposta. Eles se mereciam mesmo.

— Eu te disse que não ia casar com ele, Sara. Você se iludiu porque quis, irmãzinha.

Juro, que se ela não estivesse grávida e com uma barriga que já dava pra se notar que havia um bebê ali dentro, eu a encheria de pancada.

E não duvido nada que a intenção dela era que eu revidasse com agressão as afrontas contidas em suas palavras. Da minha parte vontade é que não faltava de lhe dar uns bons sopapos. Mas sucumbir a esta vontade era lhe dar o gostinho de sair de vítima na história e eu como a vilã, algo que quase sempre foi assim entre nós.

— Por mim, você pode ficar com aquele cretino, Maryane. Ele é todo seu. Mas agora vai embora daqui.

Este era o último aviso. Se ela não acatasse, eu ia tirá-la a força dali sem qualquer cerimônia e que se dane sua gravidez.

— O casamento vai ser em quinze dias. Inclusive você está convidada. — olhei para Dayse de pé atrás do sofá em que Maryane ainda estava e minha amiga balançou a cabeça em descrença.

É muito cinismo para uma pessoa só me dizer o que Maryane disse. Minha mão coçou para lhe estapear por aquilo.

— Depois vamos morar na Alemanha e...

— Chega! — berrei e com força bati a porta que eu vinha mantendo aberta. O barulho alto que fez assustou Maryane e Dayse. E foi um santo remédio para minha prima se calar.

Para quem estava sem paciência para minha prima, eu já tinha lhe aturado até que demais.

E saturada de sua presença, de ouvir suas provocações, além de ver aquela sua cara de triunfante acompanhada daquele sorrisinho de completo escárnio, que ela não tirava dos lábios enquanto falava e falava feito uma matraca ambulante, eu fui feito um raio até Maryane e com um puxão a fiz levantar do sofá; torcendo uma de suas mãos atrás das costas fui empurrando minha prima rumo a porta de saída enquanto ouvia seus reclames de que a soltasse, porque estava machucando-a.

— Eu não sou mais obrigada a ouvir o que não quero dentro da minha própria casa.

— Você vai quebrar a minha mão assim.

— Pois eu devia era quebrar você inteira. Só não faço isso porque está grávida. — retruquei ao empurrá-la para fora do apartamento.

— Fique ciente de que não darei nenhum divórcio ao Grissom daqui a um ano.

Eu imagino que ela não dará mesmo. Mas quer saber? Pouco me importo!

— Pois não dê. É um favor que faz pra mim. Podem ficar juntos até o fim da vida infeliz de vocês e bem longe de mim. E para o seu bem, não se atreva a voltar aqui, Maryane, porque na próxima você não sairá inteira deste apartamento. — avisei antes de bater a porta com tudo na cara dela.

Ainda pude ouvi-la resmungar do lado de fora, que eu não me atrevesse a me meter com o seu futuro marido. Pois Maryane que ficasse tranquila, porque aquele erro eu não cometeria duas vezes. Do Grissom só o que eu queria era distância.

Notas finais
Se tá puxado pra mim, pra Sara tá bem pior. Coitada da nossa protagonista. Maryane tinha que ir infernizar e tripudiar da prima. Sorte dela está grávida, como bem disse Sara.