Notas iniciais
depois de uma looooooooooooooonga viagem eu voltei meus amoures mais um capitulo pra vocês ♥

Quando eu tinha 9 anos, roubei uma seringa do laboratório, nela tinha um liquido que, se aplicado em pouca quantidade causava uma “morte falsa” por 4 minutos. Eu estava desesperada para saber como seria morrer, porque me lembro de ver algumas pessoas na TV morrendo e ver em seus olhos um brilho, a alma saindo do corpo e indo para algum lugar melhor.

Eu queria aquele lugar melhor.

A seringa estava cheia, mas eu só precisava de 2ml para sentir a morte chegar, larguei a seringa em cima da cama e cai no chão. Meus pais achavam que aquela hora eu estaria dormindo, mas eu estava experimentando a morte.

Alguns acham que a morte é alguma coisa, uma luz branca ou uma criatura vestida de preto te guiando, mas é um nada. Simples escuridão, sem som ou luz, nenhuma criatura para te acompanhar até seu julgamento. Eu experimentei isso por 4 minutos quando tinha 9 anos. Ainda guardo a seringa para quando precisar.

O dia passou rápido demais, não vi meus pais ou meu irmão depois da discussão, mamãe não chamou para o almoço, apenas colocou um prato na frente das portas com alguns biscoitos,frutas e suco. Passei as horas mordiscando a comida na cama, encarando o teto e desejando que eu pudesse falar novamente com meu irmão.Mas por algum motivo, achei que não devia sair.

Então ouço vozes vindo da sala, mais vozes do que o normal e eram todos homens.

Não.

Pego uma mochila e encho de roupas e tento abrir a janela. Trancada.

Tento a porta.Trancada.

Começo a bater na parede para ver se Dorian me responde, mas nada vem do seu quarto, nem sequer uma voz.

–-Dorian,Por favor se você tá aí me responde.—Sussurro contra a parede fina que separa nossos quartos.

Então ouço gritos vindo da sala.

–-Ele é o único, não temos outra criança.—Ouvi minha mãe gritar.

–-Seu marido nos informou de duas cobaias, nós vamos encontra-la. Levem o outro daqui—Eu ouço uma voz masculina desconhecida falar.

–-Vocês, procurem no andar superior, os outros vão para os cômodos inferiores. Vocês, venham comigo, vamos vasculhar esse lugar mesmo.

–-AMAYA, SE VOCÊ ESTÁ AÍ, FUJA.—Ouço Dorian gritar.

–-Viu? Tem outra cobaia, senhora Merrick, está esquecendo seus próprios filhos? Não usa sua própria criação para manter a memória boa?—A mesma voz masculina de antes dessa vez soa debochada.

Ouço botas baterem contra a escadaria e me escondo em uma das paredes falsas.

Quando eu e Dorian tínhamos 13 anos nós amávamos brincar de esconde-esconde, e para deixara brincadeira menos chata, pegamos papel de parede e criamos nós mesmos cabines falsas nos quartos que se misturavam com as paredes e com a mobília. Dorian me ajudou a fazer um no chão e outro na parede, imitava apenas uma elevação como as outras 5 que tinham no meu quarto onde eu costumava pendurar fotos e desenhos.

A parede falsa era completamente fechada, não existia espaço para o ar entrar ou sair, então quando ouço a porta ser aberta, estou dentro das paredes automaticamente.

–-Vasculhem tudo, ela não pode ter saído da casa.—Ouço mais botas baterem contra o chão de madeira, ouço meu guarda roupa ser revirado e a porta do banheiro ser arrombada.

Eles levaram 10 minutos revirando meu quarto até saírem. No estante em que os ouvi no quarto seguinte abri a porta para respirar. Corri para debaixo da cama e encontrei aquela seringa antiga dentro de um isopor, eu trocava o gelo constantemente, eu queria manter aquela seringa. Puxei minha manga e apliquei dois ml. Apaguei antes que meu ultimo suspiro fosse liberado.

–-Blade, faça a ultima vasculha na casa. Nós vamos levar os outros.—Ouvi uma voz feminina desconhecida. Recuperei a consciência rápido demais e me sentia cansada. Deve ser normal estar cansada depois de experimentar a morte por alguns minutos.

–-Sim,senhora.—Ouvi uma voz masculina e grossa vindo da sala.

–-Depois, pegue seu veículo e se direcione imediatamente para a clinica especial da Agencia.—Novamente ouvi a voz feminina, comecei a me erguer e me apoiei na cama, eu tinha que pensar rápido.

–-Sim Senhora.—Ouvi a porta bater e botas baterem contra o chão no andar debaixo.

Eu devia me esconder de novo na parede falsa, voltar para debaixo da cama e me fingir de morta novamente, todas as opções funcionariam bem para eu fugir. Mas uma onda de coragem subiu até meu cérebro e eu me escondi atrás da porta assim que ouvi os passos se aproximarem.

–-Vem,filho da puta.—Eu sussurrei para eu mesmo e a porta se abriu. O homem era pelo menos 15 centímetros mais alto que eu, seu corpo musculoso quase o dobro do meu tamanho, mas ele só teve tempo de agarrar meu braço enquanto eu aplicava nele a morte pela seringa. Ele caiu e quase levou meu braço junto, o chutei algumas vezes para ter certeza que não levantaria.

–-Ok,Amaya você tem 4 minutos para elaborar seu plano.—resmunguei.

Peguei cordas de treino e amarrei os pulsos e pés dele. Mas para ter mais certeza, peguei outras duas cordas e amarrei-o contra o pé da minha cama.

Ele era da Agência que levou minha família, ele era uma peça importante agora. Ele pode ceder informações ou morrer de novo, só que dessa vez pra valer. Eu tinha mais alguns segundos, então corri para a cozinha e peguei duas facas, no caminho peguei um revólver que meu pai escondia em uma prateleira secreta embaixo da mesa.

Me sentei de pernas cruzadas na frente do agente enquanto ele resmungava e balançava a cabeça em completa confusão. Ele não disse nada, apenas forçou as mãos e pés e suspirou seu cabelo que estava perfeitamente escovado para trás caiu para frente.

–-Que ótimo,você ainda estava aqui.—Ele disse, sua voz grossa fazendo com que minhas mãos se tornassem geladas e por um momento, eu senti o suor escorrendo pelo meu rosto.

–-Vocês são péssimos agentes.—Eu respondi e peguei uma das facas.

–-Você não foi fácil,garota. Vai ser bem mais doloroso quando eu te levar daqui.—Ele disse.

–-Ah,querido. Quem está amarrado ao pé de uma cama rosa e quem está com uma faca na mão?—Eu respondi, ganhando confiança.

–-Você quer rever sua família não quer? Que garotinha assustada, sozinha no mundo...—Ele debochou e começou a rir. Fiz um som de desaprovação e ele olhou em meus olhos, seus olhos eram negros, assim como sua alma. Coloquei a faca em seu rosto e fiz um corte. Ele nem se mexeu.

–-Olha só, resistente a dor. Quantos cortes até você não ter mais um rosto?—Eu disse fazendo uma linha em sua bochecha, agora duas linhas vermelhas escorriam em direção a sua roupa preta. Percebi que sua mão se mexia em direção a um bolso, fui mais rápida e arranquem dele um canivete.

–-Você é esperta.—Ele deu um meio sorriso.

–-E você é um idiota. Para que bases levaram minha família?—Eu disse, enquanto tirava as outras armas que se escondiam em sua roupa.

Ele se tornou quieto por 10 minutos ou mais, eu sabia que ele não ia contar, mas se ele quisesse sair vivo eu tinha que receber uma informação.

–-Que tal um acordo?—Ele finalmente falou.

Notas finais
ei amoures, não esqueçam de um comentário ali embaixo, ou talvez um fave. Gosto de saber quem acompanha por aqui :3