Notas iniciais
A brincadeira só parou no dia em que um homem estranho, alto e imponente, apareceu. Ele chegou voando no ar com uma capa negra, um chapéu enorme na cabeça, e assim que atingiu o chão fez uma reverência para mestres e crianças e falou em voz alta que estava chegando do “Mundo de D” para lecionar naquele lugar. Em seguida, levantou um braço e puxou um ovo, pediu para Aninha soprar nele e imediatamente o ovo “desapareceu” e no seu lugar uma ave vermelha saiu voando pelo ar. A seguir, converteu um lenço num ramo de flores, depois ele puxou do chapéu três coelhinhos, e também transformou uma vara numa cobra de três metros. Quando todas as crianças estavam encantadas, aplaudindo com admiração, o estranho falou que lhes ensinaria a fazer tudo isso com algumas condições.

A gangue infantil

A

ninha entrou na Escola Infantil, da mesma maneira que sua irmã Evita, sentada ao lado de Nestor, irmão caçula de Adão, mas diferente dele em tudo. Era loiro de olhos azuis cristalinos, cabelo arrepiado, tinha um brinco na orelha e uma tatuagem no braço. Também mastigava “chiclete”, uma goma de mascar trazida de um Mundo Inferior por um viajante interespacial. Como Ana nunca gostasse dele, deu pouca bola para esse loiro convencido, e só por educação respondeu algumas palavras. Além do que, assim que Nestor desceu do carrinho frente da Escola, ele foi levado direto para uma “Reunião de mestres”.

O Diretor o abraçou com carinho, e depois o fez sentar no centro de um círculo de 20 professores. E ele escutou as mesmas coisas que um dia lhe foi falado ao seu irmão, da importância e responsabilidade que um gênio desse mundo carregava sobre os ombros. Enquanto o Diretor discorria, os outros mestres leram a mente do Nestor, como num livro aberto, e falaram para o Diretor em onda telepática 50: — Adão lhe ensinou tudo o que aprendeu conosco, dentro de casa!

Enquanto o “Conselho de mestres” discutia o que fazer com Nestor, ele entrou numa aula de idiomas e ficou apreciando as mulheres. Droga! Somente guria mimada! Depois olhou para os machos e sorriu. Havia 20 guris iguais a ele mesmo. Caminhou firme e sentou entre meio de todos eles.

Em pouco tempo, Aninha recebeu na testa uma borracha voadora, sem dor. Ela girou a cabeça em busca do culpado e mandou a borracha com força de volta para Nestor, que ria a gargalhadas histéricas. Imediatamente, todos os guris lançaram elementos variados por cima das gurias, e elas devolveram tudo, incluindo sapatos no rosto. Assim que o mestre mandou parar com a bagunça, Nestor pulou pela janela, dando um grito de guerra, convidando a turma a fazer a baderna fora da sala. Lógico que todos saíram que nem pássaros voadores pelo lado das vidraças, e continuaram a fazer guerra com água, pedras, comidas trazidas de casa, enfim.

O Conselho de mestres foi consultado às pressas, e o Diretor achou que a melhor coisa a fazer com a “Turma de Nestor” era trazer um Mestre do “Mundo de D”. E por enquanto essa turma teria natação no lago, passeios nas montanhas e lanches rápidos no meio do mato bem longe das Oficinas de Arte e dos laboratórios.

E depois desse dia, essa escola viveu seus dias mais conturbados.

A “Gangue selvagem”, ou, “A turma do Nestor”, quando entravam na Escolinha pulavam dos carrinhos ainda andando e entravam nos jardins fazendo corrida e gritando alto, enquanto os bichos se escondiam nas tocas, pois até as panteras sabiam que, desta vez, os selvagens desse lugar eram os humanos. Os fofoletes eram os únicos animais que não se amedrontavam com os moleques. Corriam no meio deles pelo mato, faziam competição de força de um fofolete contra 20 guris, e quando um sem-vergonha puxava-lhes as orelhas, eles davam-lhe uma trombada, que custavam machucados e sangramentos.

Quando os primeiros feridos começaram a aparecer, o Diretor pediu aos mestres colocar na cabeça de todos os meninos capacete de proteção e um cinto que levitava a criança evitando tombos e feridas.

E essa atitude sábia resultou ser mais um desastre!

Nestor e sua turma escalavam coqueiros com até 50 metros de altura e depois pulavam no vazio imitando gritos de pássaros e batendo os braços como palhaços. Também subiam em telhados, saltando por cima das construções, ou batiam um contra o outro, pois tanto o capacete quanto o cinto os protegiam contra ferimentos.

A brincadeira só parou no dia em que um homem estranho, alto e imponente, apareceu.

Ele chegou voando no ar com uma capa negra, um chapéu enorme na cabeça, e assim que atingiu o chão fez uma reverência para mestres e crianças e falou em voz alta que estava chegando do “Mundo de D” para lecionar naquele lugar. Em seguida, levantou um braço e puxou um ovo, pediu para Aninha soprar nele e imediatamente o ovo “desapareceu” e no seu lugar uma ave vermelha saiu voando pelo ar. A seguir, converteu um lenço num ramo de flores, depois ele puxou do chapéu três coelhinhos, e também transformou uma vara numa cobra de três metros. Quando todas as crianças estavam encantadas, aplaudindo com admiração, o estranho falou que lhes ensinaria a fazer tudo isso com algumas condições. Teriam que estudar alguma coisa. O que eles quisessem. Também teriam que prometer não quebrar mais nada nessa escola, respeitar a bicharada e entrar na Escola caminhando, como humanos que eram.

E como Nestor aprovou, todos acharam justas as condições do mestre. E dessa maneira, as aulas finalmente começaram. A única coisa que eles continuaram a fazer foi pular pelas janelas. Um dia, Nestor errou o alvo e atravessou um vidro que feriu Ana na testa. Depois disso, ela passou a ignorá-lo “para sempre”.

Enquanto Nestor e Ana enlouqueciam os professores dessa escola, Adão e Evita entraram nas aulas de esporte no grande Ginásio de Atalanta.

O gigantesco edifício era redondo, com salas onde havia quadras para esportes coletivos, como basquete, futebol e voleibol, salas para luta de Box, kung fu, karatê, sumô, além de salas para duelos com espada. No coração desse Ginásio, estavam as trilhas para competição de corridas, saltos, e lançamento de disco. Havia caminhos de pedras naturais, pistas de areia, e estradas de lama, que eram as mais difíceis de percorrer. E no centro de todas as pistas de corrida, estava a piscina-aquário para nadar, mergulhar e dar saltos de altura.

Adão entrou nos jogos coletivos, onde foi desclassificado em pouco tempo, por causa de falta de concentração. Mas em compensação, nas aulas de sumô, esgrima e Box, foi imbatível desde o primeiro dia em que entrou nessa Escola. Evita, por sua vez, foi campeã de tênis e natação, batendo todos os recordes de permanência embaixo da água.

Cada vez que Evita ganhava um jogo, Adão ficava nas bancadas olhando para ela e fazendo-lhe torcida. Quando Adão recebia uma medalha, ela ficava assustada, pois geralmente ele ficava ferido. Um dia quebrou o nariz numa luta de Box, ficando com uma cicatriz e um desvio que ele se negou a operar.

Além de praticar esportes, Adão e Evita gostavam de passear pela praia com Belzier, o cavalo branco de Adão, e as panteras negras. Todos juntos mergulhavam no mar, nadavam, ou, faziam corridas com as ondas de água batendo nos tornozelos.

Como Adão também gostava de fazer escultura em pedra, ele realizara obras lindas ao lado de Evita, que tecia em tear e pintava como profissional dentro do seu ateliê de casa. Essas obras de arte passaram a ser exibidas em Exposições Coletivas da Escola de Esportes, e, um dia, um viajante interespacial levou 5 tapetes de Evita para o “Mundo de E”, onde os homens faziam panos bem parecidos com esses. Também Evita ganhou medalha de ouro com um mural de 10m pintado nas paredes da Escola de Esportes. A TV Interplanetária fez um documentário contando a história de sua vida, e ela se tornou famosa em todos os Mundos civilizados do Sistema BETA.

E os anos transcorreram sempre iguais, na doce rotina.

João e Dina olhavam as filhas crescerem, mudarem de Escola, rindo do fato de Evita ser a única filha apaixonada desde a infância. Joana, considerada a mulher mais bela da cidade, era cega frente aos homens. E Mariuska e Thatiane esperavam, entre suspiros, um “príncipe de outro mundo”. E a caçula Aninha não estudava nada de nada, e só gostava de dançar.

Num dia de festas e alegria, quando Ana e Nestor se formaram em “coisa nenhuma” na Escola Infantil, num encerramento onde só houve show de Magia, Adão, sentado perto da jaula dos leões, deu para sua namorada um anel de diamante, o símbolo máximo do amor, e pediu-a em casamento eterno, para todas as vidas que existissem no Universo. E Evita aceitou. Jurou que seria o único homem a amar, nesta vida, e em outras encarnações, e que o seguiria para onde for que ele fosse. Adão, rindo, respondeu-lhe:

— Por enquanto, não vamos a lugar nenhum... Mas, assim que pudermos, vou raptá-la para bem longe...

— Vai ter que hipnotizar meu pai...

— Pois é! Já tentei várias vezes... Mas seu velho tem a cabeça mais dura que conheço...

Depois se beijaram docemente, e só pararam as carícias quando a voz telepática de João os chamou para voltar para casa...

Notas finais
O estudo num mundo superior é obrigatório, mas, cada criança estudará apenas aquilo que for de seu interesse. E para incentivar a sapiência, os mestres farão de tudo, até truques de magia.