Ady Nower.

7 Capítulo 6


Notas iniciais
Caros Leitores, tenho alguns avisos:
Caso vocês não apareçam nesse capítulo, eu estarei dando meu ultimato e deixando de continuar Ady Nower. Adoro escrevê-la, no entanto, confesso que sou movida a críticas- seja qual for - e, ainda assim, não vejo ninguém aqui.
Este capítulo é UM DOS MAIORES- de verdade- que escrevi e, considero eu, o melhor também - embora não ocorra praticamente nada - minha possível despedida caso ninguém ressurja.
Thalía.

Capítulo VI

A menina, por sinal, ficou a pensar se quando Dylan mencionara não precisar encontrar com outra menina significava que, provavelmente, ele seria noivo. Balançou a cabeça em negativa, retirando as ideias. Não era fútil como sua mãe que havia se casado por causa do dinheiro e depois aprendido a amar seu pai- mesmo que agora a mulher sofresse com a escolha errada que havia feito – contudo, considerava processar como sua avó. Queria se casar com quem amasse – e isso não significava, tampouco, que ela amasse o mocetão, — nem que provavelmente viesse a mendigar por ser caseiro de alguma casa, como seus avós –que na verdade só conseguiam pagar sua escola de moças por sua avó ainda ter seus contatos.

Ainda assim, Thalía como “toda” garota, não era tola o bastante para sonhar com o amor verdadeiro. Por mais que valorizasse obras literárias como Senhora, ela tampouco acreditava que a sorte sucumbia aos erros, e, por vezes, acreditava que a solidão como Primo Basílio deixou em sua Prima, poderiam vir acalentar sua alma caso se desvirtuasse de seu pensamento realista. Ora, a mentalidade feminina mesmo presa numa redoma de espinhos, encontra furos o bastante para sucumbir ao pensamento romântico e a garota, por sua vez, não conseguia identificar como seu pensamento ora ou outra remetia a Dylan e ao encontro inesperado.

Corou ao lembrar-se das palavras dele. Ao que ele mencionara eles se conheciam de outros tempos, onde sua preocupação momentânea não dizia respeito a não sujar o vestido e os adultos ainda não achavam necessário separar as crianças das brincadeiras cotidianas. Talvez o pai do garoto tivesse achado até normal que ele andasse pouco mais de dois quilômetros para vir brincar com a criança enquanto a avó colocava a chaleira no fogão e sua mãe ocupava-se em dar o dinheiro para comprar os ingredientes para o bolo- quando ainda era rica para isso.

Sentia que, de alguma forma, conhecia o garoto. Foram poucas as vezes que ela visitou a avó, ainda assim e ele poderia estar confundindo-a, afinal, havia muitas famílias que trabalhavam para a família dona das terras.

Não tardou para que Thalía estivesse entediada com o colégio. Estudar Frances, artes –material este que era obrigada pela professora a ser boa, já que havia uma contínua valorização por mulheres artísticas pelos maridos, no entanto, que seu coração só conseguia dar espaço para a música, donde pintar as almas com suas canções compunha o cenário interior. Tinha aulas de como se comportar, sociedade e afins, danças e por último, porém não menos importante –pelo contrário, sua espera maior – introdução aos instrumentos clássicos. Piano, Violino, violoncelo, flauta transversal e outros afins.

Aproveitando a aula mais descontraída, algumas meninas se aproximaram dela. Pareciam as típicas garotas que eram as primeiras a serem convidadas pelos pares quando havia um sarau na academia. Thalía ficou se perguntando qual era a chance de uma delas possivelmente ser noiva de Dylan e se culpou por estar se preocupando com coisas fúteis se comparados ao seu estudo. Olhou as meninas distinguindo –ou tentando – uma da outra.

A líder parecia ter os cabelos loiros quase platinados, os olhos verdes brilhavam sob o rosto, uma tonalidade mais azul — mar, e, conseqüentemente, inferior ao de Thalía – que brilhava num tom bruxuleante e hipnotizador. A garota usava um vestido azul claro que caia levemente pelo corpo, embora fosse perceptível o tecido de Mussolini que arqueava o vestido, bem como as anáguas que sobrepunham um delicado a mais. Parecia esta um pouco avançada para a sua época, o vestido pouco acima da batata da perna, demonstrando sapatinhos de boneca em preto, e o tornozelo que seria inconcebível ser visto- símbolo de sedução aos rapazes.

Ao redor da mesma parecia ter duas gêmeas e uma irmã mais nova que, embora menor tinha o rosto bem parecido com a das outras. Por sinal, ambas – a mais nova e a mais velha das gêmeas- pareciam ter um porte superior – os cabelos vermelhos caíam eriçados, contudo como chamas a queimar sob o vestido salmão – que era feio, e, ainda assim, levantado como a da líder. A outra gêmea, a provável que quase havia morrido no parto – face a sobrevivência quase nula dos gêmeos no século descrito – tinha os olhos de cor diferente da irmã gêmea, na verdade, não a cor, se olhasse-se bem, todavia o brilho que este exprimia era mais escuro no verde, o que fazia Thalía conseguir diferenciar uma da outra – além, de claro, ela ser a única delas que não havia diminuído o tamanho do vestido salmão.

–Olá Thalía. Chamo-me Megan e estas são: Lauren – apontou para a gêmea mais velha – Molly –Apontou para a outra gêmea – e Susan — apontando para a irmã mais nova. Tocas algum instrumento? –A líder perguntou. Thalía exprimiu uma carranca reprimida, se perguntando se Megan era assim tão burra quando o instrumento encontrava-se em seu colo. Parecia que por detrás da beleza aguçada, a cultura e a inteligência estivessem em falta, mesmo que a jovem soubesse que muitos maridos preferiam a ignorância da mulher para que não questionasse nada e pudesse fazer seu papel sem reações abusivas. Ainda que a maioria dos homens ricos preferisse mulheres troféus, que além de bonitas conseguiam demonstrar inteligência para discursos. Ora, se a mesma segurava um violino ela tocava o que? Harpa? Tímpano?

–Toco violino. Vocês tocam? –Perguntou olhando as quatro. Megan sorriu jogando o cabelo para trás. O cheiro de geléia de uva impregnou o local por alguns segundos.

–Não gosto muito de tocar não. Mas sei tocar a marcha nupcial no piano. Canto mais que me valoriza. –Esboçou ela como se fosse uma dádiva. Thalía se forçou a não revirar os olhos por agora entender como Megan era burra. Não sabia tocar nada era motivo de desvalorização e chacota, não era qualquer família que aceitava. Cantar, por sua vez, esboçava que você era uma possível candidata aos bordéis da cidade. Ainda assim, ela parecia ser de família influente, provavelmente não passaria por esse tipo de problema. –Lauren toca flauta e Susan também. Molly já toca piano. –Molly se encolheu. As meninas pareciam não ligar muito para o que ela fazia. Thalía poderia ter tocado um pouco de piano em sua vida, mas sabia o bastante para conseguir tirar uma música da partitura para seu violino – similares em boa parte desta.

–Toco piano e estou aprendendo harpa. Quer ver? –Perguntou Molly. A voz soou como um fraquejo do som, um pio. Thalía deu um sorriso que iluminou todo o seu rosto.

–Gostaria de te acompanhar. Alguma sinfonia em especial? –Perguntou a Molly que assentiu mostrando a partitura. Beethoven. Thalía posicionou o instrumento sob os ombros, colocando o pescoço na altura correta.

A professora sorriu ao ver a iniciativa das duas, enquanto chamava as alunas para apreciarem. Molly posicionou as mãos, Thalía encostou o arco sob as cordas. Partiram. Havia quem olhasse e imaginasse que tocavam e compartilhavam da melodia há tempos, pois cada uma sabia o compasso em que cada uma entraria, onde as notas pareceriam unidas numa mesma canção. A aptidão de tocar nas almas dos errantes parecia ser um dom adquirido por Thalía e seu companheiro, cada vez que uma nota saía, parecia formar-se um poema. Os percalços que o piano transpunha, lançando sua solidão funesta sob o dedilhado solitário rumo ao amigo fiel –o violino – respaldavam a alma num lamento tão lamurioso quanto o fado, contudo, tão esplendido e glorioso como um hino de guerra.

Não demorou a que terminassem. Foram aplaudidas de pé até ambas corarem. Após isso, uma a uma foram para suas respectivas casas, menos Thalía, que esperou sua professora sair de sala para conversar com outra professora, curiosa pela leitura da carta que há tanto esperava por ler. Saiu da sala um pouco afobada e encontrou o gramado em frente ao colégio, sob o qual se sentou abrindo a carta.

Sentiu o leve aroma de orvalho misturado com terra, parecia algo árido e ao mesmo tempo frio, como se ela novamente estivesse encostando-se à mão do garoto, ou talvez fosse o outono sob as árvores. Rapidamente viu uma linda caligrafia se formar por entre o papel. As letras tão bem desenhadas, a visão dos deuses. Começou então a leitura:

Cara Thalía,

Escrevi a carta em questão com a agilidade de um lutador. Não quero assustá-la caso esteja parecendo um maníaco – tampouco gostaria de parecer como um tal. Foi agradável conversar contigo, embora o tempo corra a cada segundo. De qualquer forma não vejo maneira mais fácil de conversar com vossa senhorita sem o intermédio deste meio enquanto não te encontro por estar ruas – ou a ser atropelada, novamente. Deixe o livro com a resposta embaixo da raiz do salgueiro da esquerda, perto da acácia. Breve encontrar-te-ei. Afinal, imagino que saiba por que faço isso. Resume-se este acontecimento entre as palavras: Seu avô e meu avô se odeiam. Imagino que se lembres porque – ou que seja inteligente o bastante para adivinhar, caso não saiba, não é mesmo Senhorita?

De qualquer forma, o tempo para mim se acaba e as dúvidas que retenho sobre ti ainda continuam. Por favor, não se acanhe nas respostas, aceitarei também vossas dúvidas. O quão se sente ao ouvir uma música? Mesmo sendo tocada por vossa senhorita? (Já que suponho que toques.)

PS: Tirei minhas próprias conclusões através do violino.

Agradeço se houver respostas. Sinceramente,

DGR.

===========Fim do 6 Cap=============

Notas finais
Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.