Adultério
2 Capítulo 2 - Exposição
Notas iniciais
Capitulo rapidinho por comemoração a ótima aceitação da fic!
Bem aparentemente o Nyah fechará para manutenção, mas como vou viajar para um show e volto só domingo... provavelmente não teria tempo de dar esse pequeno presente para os leitores de Adultério em tempo hábil neh?
Então, assim que o Nyah voltar espero que gostem!
=]
Fic feita a pedido de Azummi-chan ( minha anjinha) e betada por ela também =]
WARNING: Capitulo com hentai ( homem/mulher) ... se não gosta, bem... tenta saltar essas partizinhas ahauhauah
Ainda me perguntava o que houve de errado comigo para merecer tal comportamento. Olhava minha imagem nua no espelho do banheiro e quanto mais tentava achar algo que pudesse ainda ser atrativo em mim, mais eu começava a aceitar que talvez Akiyou tivesse tomado a atitude certa.
Eu tinha confiança quando era mais jovem, mas com certeza anos e anos de casado e o desleixo, que vinham com eles, tinham feito seus estragos.
Não que seu seja feio, ou gordo, ou baixo... só que minha pele meio bronzeada de minha adolescência está realmente desbotada e pálida. Ela era bem mais atraente quando eu tinha meus quatorze anos e inventava de fingir surfar nas praias de minha cidadezinha... logo antes de eu vir para Tóquio tentar ganhar a vida e conhecer minha adorável esposa.
Meu cabelo preto era um pouco longo naqueles tempos, entretanto, desde que entrei na faculdade que o mantenho cortado acima das orelhas e sempre alinhado com gel para trás num penteado sério e executivo... realmente sem graça...
Me pergunto quando havia deixado a barba crescer e quando havia feito esse cavanhaque....
Ah sim, fiz isso assim que entrei na empresa para me dar uma aparência de mais confiável e maduro aos olhos dos stakeholders... Bem, não é atoa que recebi tantas promoções e estou onde estou agora, não que seja o patamar mais algo... mas é um ótimo patamar.... de qualquer modo, ficou muito ruim....
Eu não engordei, mas minha massa muscular parece ter se tornado flácida e sem definição devido aos anos negligenciando os exercícios físicos e atrás de uma mesa de escritório.
“Onde meus músculos foram parar?”
Com certeza meus antigos amigos em Mie nunca me reconheceriam se um dia eu voltar lá.
–Você mudou demais... – suspirei pesarosamente ao tocar o vidro espelhado e insistir em procurar algo que ainda pudesse ser lapidado e retornado forma semelhante de como era ali... foi ao identificar alguma quase imperceptível definição nos meus braços que um sorriso vergonhosamente aliviado se desenhou no meu rosto — ... ao menos a coisa ainda tem alguma salvação – ditei para mim mesmo e passei o creme de barbear no rosto.
Eu tinha que me acostumar à ideia de que logo, logo teria de iniciar a vida de um novo Yuu... um Yuu divorciado, solitário e sem nenhuma autoestima.... um Yuu que não podia se deixar chegar ao fundo por isso... não por ela... não por aquela ....
–Saindo? – perguntei ao me escorar na porta do que antes era o nosso quarto e olhar a atraente mulher, por quem um dia fui cegamente apaixonado, se arrumar impecavelmente àquela noite na qual eu havia chegado mais cedo do trabalho.
–Oh! Você estava em casa? Não te vi quando cheguei! – ela exclamou falsamente ao terminar de passar o batom vermelho nos lábios cheios – vou sair com as garotas, vamos a um chá de bebê de uma das vendedoras – falou sem lançar nenhum olhar para mim, nem sequer pelo reflexo no espelho, se munindo de um par de brincos caros, os quais havia comprado em seu último aniversário... junto ao colar que estava esperando num suporte para ser colocado em seu pescoço.
–Uma gerente tão atenciosa.... – sorri ironicamente, não que ela tenha me ouvido de fato.
–Você mais do que ninguém sabe como é importante manter um bom relacionamento com os colaboradores, afinal está há tantos anos no ramo, senhor gênio nato... – o comentário foi totalmente desinteressado, como se tivesse sido ensaiado e não espontâneo... há quanto tempo ela fingia me parabenizar daquele modo para fugir de perguntas? Há quanto tempo eu caia naquilo?
–Eu também vou sair, é sexta a noite e eu marquei com o Akira e com o Takanori de irmos beber – avisei, só para ver se ela teria algum tipo de reação, fosse estranhando minha repentina suposta programação com meus amigos ou estranhando o fato de eu ter supostamente marcado algo com algum dos caras que poderiam ser um de seus amantes.
–Que bom, querido! – ela deu de ombros, parecendo nem ao menos ouvir o que eu havia falado.
Sorri, provando acidamente da amargura que me desceu corroendo a garganta.
“O que você tem Yuu? Esperava o que ainda...?”
Finalmente ela se virou, mas também não me considerou digno de seu olhar, não antes de pegar a bolsa em cima da cama e erguer a cabeça em minha direção... provavelmente apenas porque eu estava à porta do quarto e ela teria que passar por ali para sair.
Os olhos castanhos ficaram levemente surpresos, eu pude notar, mas a reação foi tão rápida que assim que veio se findou, não parecendo dar muita atenção às pequenas mudanças em mim.
–Tirou a barba – o sorriso falso – ficou legal – assentiu de modo tão desinteressado que eu me perguntei se já nem se esforçar em fingir mais ela se importava.
–Hun – acenei de volta – se divirta – desejei de forma tão falsa quanto à dela e senti um beijo leve em minha bochecha antes que ela terminasse de passar por mim, saindo porta a fora.
Ouvi o clique da porta da sala e suspirei fundo...
–Eu também mudei o penteado....
Passei os olhos rapidamente à procura da figura conhecida e logo o identifiquei sentado no local mais discreto do bar onde eu tinha pedido para nos encontrarmos.
Ele realmente transmitia uma confiança e elegância inimagináveis... algo que jamais pensei que alguém daquele ‘ramo’ seria capaz de transmitir.
Andei até à mesa e me sentei a sua frente, de costas para a entrada. Assim que ele levantou a cabeça de uma aparente bebida quente abriu um sorriso amplo, o qual me vi correspondendo impulsivamente, sem nem ao menos notar.
–Tirou a barba e mudou o penteado, ficou bom. Está tentando ficar mais atraente? – ele questionou num humor leve e eu confesso que havia ficado impressionado em ver que um garoto de programas, com quem eu havia me encontrado apenas três vezes, tinha notado o que havia de diferente em mim enquanto a minha ‘querida esposa’, com a qual passei anos e anos de minha vida, não.
“Então é assim que ele encanta as clientes dele? Reparando bem nelas?....”
Ser notado é algo realmente bom, meche com seu ego, sabe... e o meu estava tão pequeno e fraco nos últimos dias que foi até mesmo ridículo o modo como aquele simples comentário o ajudou a se regenerar, nem que fosse pouquinho.
–Algo assim – sorri meio sem graça – quando se passa tanto tempo casado sua autoestima não fica das melhores – confessei.
–Eu imagino... – Uruha assentiu de forma compreensiva, puxando um pigarro breve e baixo logo em seguida — ...mas então, vamos aos negócios...
–Sim, é claro – concordei ao assumir uma feição mais séria, colocando minha maleta em cima da mesa de vidro e abrindo-a, passando a câmera de vídeo para ele por cima do tampo junto ao envelope que havia preparado no dia anterior durante as horas livre do trabalho – dentro do envelope está o cronograma e a agenda do que ela supostamente vai fazer na semana que vem, não acho que você precise de tantos dias para conseguir isso, mas tem até a próxima sexta para conseguir a gravação, meu advogado vai entrar com o processo de divórcio perante a corte no próximo sábado e o vídeo deve ser anexado junto com as fotos que o detetive tirou nos últimos dias desde que falei com você naquele clube.
Ele assentiu e retirou as folhas de dentro do guardador, lendo tudo de modo atencioso.
–Também fiz um relatório de coisas que ela gosta, para que você possa puxar uma conversa... não que eu ache que será necessário ... – sorri, o humor negro se tornando quase palpável em minha voz — ...pelo jeito que ela olhou para você aquele dia...
–Eu realmente não recebo uma proposta tão estranha há muito tempo... – me interrompeu ao sorrir fracamente — ...com certeza é a primeira vez que vejo um homem pagar um outro homem para dormir com a própria esposa, já vi isso acontecer com as garotas do clube, mas com um dos caras...
–Você concordou com tudo dias atrás, acaso está querendo dar para trás agora? – acusei ao erguer uma sobrancelha e ele cravou seus olhos chocolates nos meus.
–Eu só quero te dar todas as chances de cancelar nosso “acordo” antes que seja tarde demais, não é impossível que se arrependa no final de tudo isso – Uruha respondeu ao deitar as folhas de volta na mesa, assumindo uma postura que percebi ser defensiva.
Continuei sustentando seu olhar, tentando encontrar algum rastro de mentira e enganação neles... ou ele era muito bom em encantar os outros ou estava de fato sendo sincero.
–Depois de 33 anos de vida, 13 anos de casado e 14 anos em um escritório tomando decisões para uma empresa, eu posso assegurar de que nunca estive tão certo de algo como estou agora – ditei em firmeza e ele assentiu ao contrair os lábios num bico que eu desconfiava ser involuntário.
–Que cara é essa?- questionei sem conseguir me reprimir em sorrir um pouco da careta.
–Dá pra ver que você é um homem de negócios... eu te invejei um pouco agora – respondeu ao dar de ombros – ainda sonho em ser alguém assim também, depois que abrir meu empreendimento.
–Um negócio? De que Ramo? – perguntei como se fosse uma conversa rotineira de trabalho... e bem, realmente havia alguma relação comprador-vendedor ali.
–Por quê? Vai me dar consultoria? – ele brincou e eu apenas sorri em retorno.
–Se não for nada ilegal... – joguei a brincadeira de volta.
–Está brincando, sério? – questionou em desconfiança – eu nunca conseguiria pagar os serviços de alguém como você nem que voltasse a atender homens.
– Bem, eu posso fazer uma exceção especial para você – condicionei num sorriso fino e humorado.
–Ta legal... – ele sorriu e balançou a cabeça – vamos ver se você ainda vai estar tão caridoso depois que eu comer a sua mulher.
–Argh! Você falou como alguém muito vulgar agora – censurei ao bufar de lado, levantando a minha mão para chamar uma das garçonetes, pedindo um drinque qualquer do cardápio.
–Mas não era de se imaginar? – ele deu de ombros ao notar a moça se aproximar de nossa mesa -... eu não finjo ser algo que não sou – sorriu de uma forma que me pareceu um tanto quanto pensativa, alargando o sorriso para a bonita jovem – traga apenas um suco para o senhor, ele não pode beber – desmentiu meu pedido para a garçonete que praticamente se derreteu ao admirá-lo.
–Suco de uva já saindo – ela assentiu muito animada antes de sair.
–Não devia estar se intrometendo nos pedidos de seus clientes – censurei de modo curioso.
–Você não é meu cliente, sua esposa é, certo? Mas como você é o dono do dinheiro, vou me certificar de que meu “pagante” não se jogue mais na frente de um carro antes de terminarmos nossa transação, tudo bem? – ele sorriu espertamente e eu não tive como não sorrir também.
Estranho aquele sentimento... era... divertido? Leve? ... há quanto tempo eu não me sentia assim?
–Você é esperto – cumprimentei ao concordar que ele tinha um bom argumento – vai ser um bom empresário... qual o ramo do negócio que queria montar mesmo?
Kouyou voltou a sorrir e tomou mais um gole da bebida quente em sua mão.
–Eu poderia discursar o dia inteiro sobre isso, mas quebraria uma linha ética e confortável de distância que prefiro manter de pessoas com as quais faço “acordos”, se é que me entende... – começou a explicar, sincero — ... vou esperar não termos mais nenhum “vínculo trabalhista” e se acaso ainda estiver disposto a manter sua proposta de ajuda, a aceitarei com o maior prazer.
Tornei a sorrir e assenti em concordância mais uma vez.
–Linha ética e de conforto existe até nesse tipo de trabalho então... – comentei em humor.
–Isso existe principalmente nesse tipo de trabalho, posso garantir – rebateu em firmeza, voltando a pigarrear rapidamente e mirar os relatórios — ...segunda-feira tem uma boa oportunidade para me aproximar na loja em que ela trabalha e na terça-feira ou quarta-feira já posso conseguir o vídeo que você quer, edito-o em algumas horas e te informo...
–Meu número de celular... – assenti ao puxar uma caneta de minha maleta junto a um cartão, anotando o número pessoal em uma das faces — ... me mande mensagens e me mantenha informado de tudo.
–Sim – Kouyou assentiu prontamente e de algum modo... me senti um pouco... tenso de repente.
Eu estava fazendo a apresentação rotineira do planejamento mensal de divulgação de um dos nossos mais antigos clientes e acionistas quando senti meu celular vibrar no bolso. Suspirei discretamente e finalizei a apresentação, me curvando respeitosamente aos aplausos da sala de reunião e me retirando do pequeno palanque de discurso. Meu superior imediato veio me cumprimentar e eu coloquei o sorriso educado de sempre, me perguntando quando tinha se tornado tão doloroso coloca-lo ali.
–Como sempre um sucesso, prevejo que a empresa logo irá te promover mais uma vez.... – Akira falou animadamente antes de me dar um leve tapa nas costas — ... e acho que esse seu visual mais jovem pode ajudar com isso, fez os diretores do alto escalão te notarem hoje... afinal dois deles são mulheres...
–Com licença... – pedi sem realmente dar muita atenção ao que ele dizia, puxando meu celular e lendo a mensagem de um número desconhecido, mas que pelo conteúdo eu sabia exatamente de quem era.
“Ela aceitou, vamos nos encontrar amanhã. Te entrego o vídeo na quarta”.
– Yuu-san.... – me apressei em fechar rápido a mensagem na tela touch screen e guardar o aparelho no meu terno quando reconheci a voz do Takanori — ... nosso chefe quer falar com você.
–Agora? – questionei mais rudemente do que o normal, eu estava em uma situação não muito confortável ali.
–Sim – o Matsumoto assentiu ao não esconder a careta de estranheza com a minha reação – está tudo bem? Tem mais de duas semanas que você anda estranho...
–Problemas no casamento – resumi tudo em um assunto que faria qualquer pessoa simplesmente desistir de tentar se envolver e foi isso que Takanori fez, assentindo em um “Ah! Sim!” antes de abrir passagem para que eu andasse pelo corredor.
Sorri em ironia ao notar que não importava como eu olhasse para aquilo, a resposta dele... parecia não apenas deixar claro que não queria se envolver, mas também demonstrar que ele esperava aquilo. Como se eu estar com problemas no casamento fosse a coisa mais previsível da face da terra.
Ou ele sabia sobre a infidelidade da minha esposa e apenas fazia-se de desentendido, ou de fato ele fora um dos que já estivera na cama dela, fodendo aquela vadia e me apunhalando pelas costas assim como o Yutaka.
“Amigos hein...!”
Eu estou literalmente sozinho no mundo.
À noite parei num bar novamente, e por incrível que parecesse quando o garçom do balcão me perguntou o que eu beberia eu impulsivamente respondi que apenas um suco.
–Sim senhor – o senhor assentiu e eu sorri em total descrença... Uruha com certeza era bom em plantar opiniões na cabeça dos outros também.
“Bem... ele é um bom profissional sem dúvida”.
Respirei fundo e mirei a mensagem no meu celular pela milésima vez... até que tomei logo a decisão e liguei para o número fonte do torpedo.
“Shiroyama-san?” Ele atendeu em um questionamento que parecia cuidadoso.
–Sim — confirmei.
“Pensei que era apenas para nos comunicarmos por mensagem... acaso acha melhor desistir do plano?” voltou a perguntar.
–Eu...- respirei fundo mais uma vez... sim, eu estava seriamente duvidando de minha própria determinação em seguir aquele caminho... eram 13 anos de casamento... 18 anos amando-a... por mais que eu estivesse profundamente machucado e desgostoso com ela... aquilo...
“Tudo bem querer desistir, eu posso desmarcar com ela e você não vai precisar pagar mais nada, não posso te devolver o adiantamento, mas eu sei que deve ser difícil, por isso, se estiver em dúvida, apenas não hesite em parar algo do qual não tem certeza antes que seja tarde demais” a voz calma, suspirada e gentil dele invadiu minha audição e por um momento meus olhos se fecharam em reflexo, apenas aproveitando aquele som e descansando minha mente.
“Se eu fosse alguém tão encantador como ele? ... Ela ainda assim teria deixado de me amar?”
“Shiroyama-san?”
Despertei com a voz do outro lado da linha me chamando e me forcei a abrir as pálpebras, gargalhando tristemente para mim mesmo.
Vi o garçom do balcão me lançar um olhar pesaroso e minha gargalhada melancólica apenas se intensificou mais.
Pena... eu era totalmente digno de pena... vergonhoso... completamente vergonhoso!
Se ela tinha deixado de me amar, por que simplesmente não falou? Por que simplesmente não pediu para que conversássemos? Fazer isso... por tanto tempo... me humilhar, destruir totalmente meu orgulho e minha decência como homem é... cruel...
Eu sempre dei tudo a ela... e ainda assim...
“Eu não vou mais ser digno de pena!”
–Foi apenas um momento de fraqueza — respondi à terceira vez que ele me chamou — ... o plano continua, e você vai ter que me mandar o nome do motel e o número do quarto do encontro, me avise também quando terminar... o serviço – comecei a ditar com firmeza — ... eu quero assistir o vídeo sem edição antes, em tempo quase real... eu preciso confirmar tudo sem que sua educação e gentileza tente abrandar minha visão da realidade ao invés de apenas censurar sua identidade.
“Shiroyama-san...” a voz parecia preparada para argumentar, mas eu era um empresário veterano afinal, vencer argumentos era o que eu fazia de melhor... talvez a única coisa que eu fizesse bem de verdade.
–Eu sei que você iria fazer isso sim Uruha, e se o problema é dinheiro eu aumento seu pagamento, se é falta de confiança você vai estar exatamente ao meu lado enquanto eu estiver assistindo e terá a certeza de que não farei ou roubarei nenhuma cópia do vídeo – o interrompi e ouvi um suspiro totalmente carregado em resposta.
“Você quem manda...” concordou por fim “ Eu te envio o nome do motel e o número do quarto assim que ela for embora então, pode ser?”
–Sim – assenti e derrubei a ligação, olhando fixamente para o meu suco em cima do tampo de madeira – traga uma garrafa de conhaque e uma vasilha de gelo – pedi ao garçom que me dedicou o mesmo olhar de piedade de antes – e por favor, pare de me olhar como se eu fosse uma das criancinhas mortas de fome da África, se não vai ajudar, nem eu e nem elas precisamos da sua pena.
“Não devia ter vindo nesse bar!”
Muita ignorância de minha parte, vir no mesmo estabelecimento no qual desmoronei no primeiro dia em que descobri a infidelidade de Akiyou. Por que tinha ido ali? Eu realmente não faço a mínima ideia...
Voltei meus olhos para a rua e mirei alguns carros passando, um sorriso involuntário puxou de lado os meus lábios e a compreensão no meu peito cessou um pouco quando lembrei de um total desconhecido me ajudando a andar até seu carro.
–Um cara muito estranho para ser um prostituto com certeza....
Durante a tarde não consegui me concentrar nos relatórios em cima da minha mesa, e nem em nada que estava acontecendo. Me recostei na poltrona e a afastei um pouco da mesa, olhando meus colegas de trabalho através do vidro de minha sala – completamente feita no mesmo material. Todos tão absortos em suas atividades.... quantos daqueles caras também tinham suas esposas ou namoradas traindo-os enquanto eles trabalhavam como condenados?
Eu não posso ser o único idiota do mundo.
Meus olhos escaparam até a sala do chefe, ao lado da minha pequena “caixa” especial como segundo no departamento. A dele não era tão maior assim, mas ao menos tinha persianas para lhe proporcionar privacidade quando queria.
“Transparência em nossas ações e processos é o nosso mais importante valor”.
“Gostaria muito de saber quem foi o maldito que implantou essa cultura na organização...”.
O que eu não daria para ter ao menos um momento sem me preocupar com a minha “imagem” frente aos demais funcionários e apenas poder extravasar dentro dessa sala.
Voltei a girar a cadeira e foquei Akira e Takanori conversando mais ao canto do grande salão do nosso departamento... o Suzuki parecia mostrar algum projeto, mas os dois sorriam e... o olhar que trocavam com certeza me chamou atenção ... eles sempre foram tão juntos assim?
Fui tirado dos meus pensamentos quando senti meu celular vibrar em cima da minha mesa de madeira e o peguei quase que com ânsia. Eu realmente ficaria com muita raiva se fosse uma mensagem de operadora, por que tirando isso, apenas Uruha me mandava mensagens, já que assuntos de trabalho geralmente eram tratados por ligações . Não é como se eu tivesse muitos “amigos” para me comunicar.
“Red Motel, quarto 1013”
Meus olhos se alarmaram e minha respiração parou por um segundo. Reflexivamente olhei no relógio no canto direito do tampo de madeira e constatei que era apenas quatro e meia da tarde... cedo demais para gastar horas fodendo não?
Aparentemente não para a minha “querida” esposa.
Me levantei, vesti o paletó e coloquei o celular no bolso. Saí da sala e apenas deixei um aviso de “Diga ao chefe que tive que sair mais cedo hoje, problemas familiares” para que um dos outros oito funcionários daquele departamento passasse ao homem que ainda me dava algum tipo de ordem.
Eu realmente devo ter utilizado uma boa parte da potência do meu carro para chegar até ali, porque quando olhei no relógio do computador de bordo ainda eram quatro e quarenta e dois e eu já estava em frente ao motel parcialmente luxuoso chamado “Red Motel” do setor de “diversão” de Tóquio.
Respirei fundo e fechei meus olhos por um segundo antes de abri-los e sair do carro, acionando o alarme e entrando rapidamente na sigilosa e discreta recepção para que ninguém me visse.
Tinha apenas uma ante-sala média depois do hall de entrada, com algumas telas para escolha de quarto e algumas câmeras de monitoração, digitei o número que ele havia me enviado na mensagem e apareceu como “quarto já ocupado”. Olhei apenas qual era o andar e peguei um dos três elevadores na parede oposta, digitando o número do andar. A subida pareceu me tirar um pouco de ar, eu nunca tive problemas respiratórios, mas talvez fosse melhor ir ao médico e fazer um check up depois de tudo isso.
“Depois de tudo...”
Eu tinha decidido começar a vida de um novo Yuu... mas como seria exatamente essa vida... eu realmente não sei...
As portas se abriram e eu andei pelo corredor extenso, olhando os números nas portas para me orientar por onde ir até parar em frente ao número procurado.
“1013”
Senti meu peito se apertar e fechei meus olhos mais uma vez. Bati na porta levemente e não demorou muito para ouvir o barulho de “beep” das travas eletrônicas.
Como a porta não se abriu por dentro, eu apenas empurrei um pouco por fora e ela se escancarou. Adentrei o quarto iluminado e o odor de sexo chegou logo ao meu olfato, mirei a cama no centro do quarto médio completamente desarrumada e tive a certeza... tinha acontecido... eles tinham feito mesmo.
–Você veio voando? Eu mal sai do banho – a voz curiosa e um pouco cem graça dele me chamou atenção para a porta à esquerda onde certamente era o banheiro. Ele estava usando um dos roupões do motel e o cabelo estava molhado... mais uma evidência... ele tinha feito... naquela cama... ele e a minha Akiyou...
“Ela não é mais sua Yuu... ela não é mais sua há muito tempo...”
–Onde está a câmera? – perguntei atônito e ele me dedicou um olhar solidário em compaixão... não pena, mas... apenas como se pedisse desculpas.
Do que ele estava se desculpando? Fora eu quem pedira, não foi? Por que ele estava me olhando como se tivesse feito algo errado?
–Não faça essa cara, eu preciso matar de vez esse traço de sentimento que eu tenho dentro de mim, onde está a câmera? – ditei e Uruha acabou por fim em apontar para a direita, onde havia uma prateleira acoplada a parede com vários “brinquedos”. Entre eles pude ver a lente discreta brilhar, meio escondida entre dois vibradores e entre penas pomposas de umas almofadas de dardos felpudos.
–Ela não percebeu? – questionei ao andar até a prateleira, pegando a câmera em minha mão, apertando o botão de parar gravação.
–Não... ela... estava... distraída – ele respondeu, mas eu não pude saber que expressão ele estaria fazendo já que me apressei em puxar a tela do aparelho e mexer nos comandos até que conseguisse reproduzir a única gravação ali.
A boca pequena do Uruha foi a primeira coisa a aparecer, já que ele parecia estar escondendo a câmera.
“O que está fazendo?” – reconheci a voz de Akiyou no video e minhas pernas fraquejaram. Dei alguns passos até a cama desfeita e me sentei no colchão desgrenhado por medo de que realmente fosse cair.
“Quer usar algum?” o tom galanteador e sedutor de Uruha enquanto indicava provavelmente um dos “brinquedos” ali em cima.
“Não... eu disse que terei outro compromisso hoje a noite, quero estar inteira” ela sorriu e Kouyou finalmente saiu de frente da lente, revelando que minha “querida” esposa desatava o nó do roupão recém colocado, a julgar pela pele ainda úmida. “Quase não acreditei quando você apareceu lá na loja ontem... você pareceu ter me rejeitado aquela noite quando foi deixar meu “marido” em casa”
O jeito como ela falou “marido” era notavelmente com escárnio... então era assim que ela se referia a mim?
“Eu estava me sentindo mal por ele e não quis me envolver... mas você simplesmente não saiu da minha cabeça...” Ele começou ao andar em direção a ela, segurando sua cintura fina com força...a cintura que antigamente eu tinha tanto cuidado e devoção em tocar... “Eu simplesmente me considerei o maior idiota do mundo por ter deixado uma mulher tão linda passar...”. Ele beijou seus lábios... os lábios que eu fui o primeiro a beijar... que eu acreditava ser o único a beijar...
Ela se apressou em levantar a camiseta leve que ele usava e ele pareceu se virar para que ao invés de suas costas nuas serem mostradas para a câmera o foco ficasse justamente nele retirando o roupão lentamente da pele dela.... relando o corpo bonito e bem formado da mulher com a qual me casei.
Ela parecia realmente uma vadia quando deslizou os dedos para o cinto do jeans dele, quando abriu o cinto e desceu o zíper.
Provocantemente o empurrou para que ele se sentasse na cama e puxou a calça com roupa intima e tudo para fora das pernas dele... como se fosse totalmente habituada a fazer aquilo...
O engraçado era que ... era sempre eu quem nos despia quando “fazíamos amor”... ela sempre se mostrava tímida e ...
“Como eu fui idiota...”
Não demorou muito para a boca dela começar a subir e descer na ereção rosada e dura dele e eu pude notar que Uruha se esforçava para virar o rosto pro lado oposto à câmera, escondendo sua face... ele era um “profissional” afinal...
“Ao menos o dinheiro foi bem pago...” pensei ironicamente.
Repentinamente ele segurou nos cabelos longos dela, puxando-os para que ela se levantasse. Bruscamente a jogou na cama e ela sorriu, satisfeita depois de gemer e dizer algumas obscenidades que eu sinceramente não sabia que a “minha Akiyou” era capaz de dizer.
“Não temos muito tempo... meu horário de almoço vai acabar... mete logo e me faz gozar, vem...”
Uruha ainda mantinha o rosto virado pra direção oposta e o vi se esticar até um dos criados mudos e pegar uma das várias camisinhas ali em cima, desenrolando e vestindo seu pênis com o látex.
Akiyou abriu as pernas como uma verdadeira puta e gritou escandalosamente quando ele simplesmente se encaixou e a penetrou ao puxá-la pelas coxas em direção ao seu corpo. Violando o íntimo que eu acreditava que pertencia a mim e somente a mim.
Ele sabia exatamente onde apertar, como se mover, em que posições coloca-la para que ela simplesmente gritasse e urgisse em prazer...
Uma vadia, uma cadela no cio sendo esfolada por um pinto e pedindo por mais... era isso... em minutos de vídeo que eu não soube precisar, já que praticamente não me movia, não respirava e não piscava... em choque... completamente em choque...
Era verdade.... estava ali... eu seria um idiota maior ainda se não matasse o resto de sentimento que tinha por ela com aquilo...
“Mais... oh... gostoso... mais... mais forte... assim....”
Então era assim que ela se sentia quando estava gostando...? ... Eu realmente devo ter sido um péssimo homem... ela nunca gemeu tanto em nossos 13 anos de casados e 3 de namoro... nem uma vez... e eu que ficava bobo quando ela dizia um “foi ótimo amor!”.
Se não estava bom ela podia ter me dito, se eu não era bom ela poderia ter me dito, se não era suficiente ela poderia ter me dito... eu ... eu.... podia ir mais forte, mais rápido... eu....
Não sei quando tinha começado, mas de repente me fiz consciente da ereção entre minhas pernas... e sorri... sorri em completa melancolia enquanto não me segurava mais e deixava que as lágrimas caíssem...
–Meu orgulho como homem está oficialmente arruinado... – gargalhei entre choro e humor — ... não basta ter esfregado na minha cara que eu não sei nem ao menos fazer sexo... eu tenho que ficar excitado também em ver um outro cara fodendo a minha mulher...
–Shiroyama-san... – a voz que pedia desculpas novamente e eu não consegui continuar assistindo, coloquei a câmera de lado, mirando o elegante garoto de programas ainda de roupão que eu havia contratado para transar com a minha esposa...
–Não me olhe assim... eu que quis toda essa merda, no final a culpa é toda minha, certo? Se ela não tinha o que gostava em casa, era apenas normal que procurasse na rua... – o interrompi ao me lançar em mais uma gargalhada sem graça — ... uma merda de homem como eu no final merecia isso...
–Eu vou embora... – ele falou por fim, provavelmente ao perceber que não poderia fazer e nem dizer nada naquele momento... ele não era meu amigo, ele não era nada meu... ele era apenas... o cara que eu tinha contratado para foder com a minha mulher...
Andou até a câmera ao meu lado, pegando-a e guardando dentro de uma pequena bolsa própria para ela, se virando de costas e deixando o roupão cair ao chão. As nádegas modestas e alvas bem estampadas em frente aos meus olhos, e eu odiei como meu membro fisgou com isso... vestiu a boxer, o jeans e pegou a camisa jogada no chão, colocando-a também.
–Amanhã eu te aviso quando o vídeo estiver pronto – falou ao rumar para a porta – o motel já está pago, se quiser usar o quarto, ainda tem mais uma hora e meia, paguei por quatro horas – e dito isso ele passou pela porta, jogando o controle e cartão de destravar na mesinha logo ao lado da entrada, batendo a madeira suavemente e deixando apenas o “click” dela preencher o silêncio completo do quarto de motel cheirando a sexo.
Me larguei de costas na cama usada e bagunçada ainda gargalhando para mim mesmo, fechando os olhos e deixando-me chorar o quanto eu quisesse enquanto minhas mãos iam para o volume em minha calça e desabotoavam o tecido social...
Deprimente, vergonhoso... e ainda assim, lá estava eu, me masturbando no quarto, na cama onde minutos atrás minha mulher trepava com outro homem... com o Uruha...
“Deprimente Yuu... você oficialmente chegou ao fundo do poço de um homem...”
Notas finais
Mas a partir de agora a felicidade yaoi começa então o/ o/ o/
Reviews?
Quarta atualização do capitulo 3... capitulo 4 sendo escrito já! =]
Lebrando que a fic terá apenas 7 capitulos sim?
Beijo
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