Adultério
1 Capítulo 1 - Traição
Notas iniciais
Bem, essa é a fic do Uruha prosti que eu falei no final de Vijukei no Monogatari. Ela terá 7 capitulos e já possui 3 capitulos feitos. Estou postando para me pressionar a terminá-la de uma vez! o/ hauhauahua
Feita a pedido da Azumi-chan minha beta e anjinha, e sendo betada e aprovada por ela também.
É o ultimo projeto novo que postarei por um tempo, estou me aposentando até segunda ordem.
Tentarei apenas terminar a Tsumi no Batsu após isso e voltarei a ser apenas leitora aqui no nyah.
Espero que gostem. A ideia central foi tirada do filme " o preço da traição", mas com um desfecho e conclusão totalmente diferente.
Com certeza muitos falariam que estou sendo o maior idiota da face da Terra, e nem eu mesmo tenho certeza se não o sou.
Que tipo de cara estaria procurando um garoto de programas para dormir com sua esposa?
Eu pareço ser esse tipo de cara.
”Esse cabelo, esse sorriso... com certeza é ele.”
Meu nome é Shiroyama Yuu, tenho 33 anos, sou um trabalhador normal de médio escalão em uma grande empresa de marketing. Sou casado há 13 anos com a minha primeira e única namorada com a qual namorei desde os meus 15 anos.
Futaba Akiyou, há 13 anos Shiroyama Akiyou.
Infelizmente Akiyou é estéreo e por mais que tenhamos feito tratamentos ela não foi capaz de engravidar, por isso não tivemos filhos. A amava incondicionalmente e por tal motivo não me importei, ficaríamos bem enquanto tivéssemos um ao outro... era o que eu achava.
“Como sou idiota!”
Eu deveria ter estranhado o comportamento dela.
Deveria ter estranhado o cansaço que ela sempre dizia sentir do trabalho de vendedora em uma loja de roupas. Trabalho este que ela insistiu em ter cinco anos atrás, dizendo que estava cansada de ficar só em casa.
Deveria ter estranhado o fato de eu passar muito tempo fora e ainda assim ela não me cumprimentar mais animadamente como no começo do nosso casamento, ou, brigar comigo, como havia se tornado normal depois de 3 anos de casados.
Deveria ter estranhado ela ter se tornado estranhamente animada em excesso ao perguntar se eu faria hora extra ou se eu trabalharia no final de semana.
Deveria principalmente ter estranhado o fato de ela não tomar a iniciativa em querer transar... e parecer totalmente indisposta quando eu o fazia, até simplesmente se negar a fazer amor comigo nos últimos meses.
Sim, tem aproximadamente três meses que eu não transo, mesmo sendo um homem casado... fato esse que não parece ser o caso de minha amada esposa infelizmente.
Eu sempre fui o tipo de cara muito dedicado à minha mulher e casa, motivo pelo qual não tenho muitos amigos, apenas três com os quais posso contar... ou que achava que podia contar.
“Pra quantos aquela puta está dando?”
Uke Yutaka é nosso “médico”, o qual consultamos quando tentamos ter um filho e gradativamente se tornou próximo de nós, de modo que eu o tinha totalmente em mais alta estima...
Aparentemente minha esposa o tinha em mais estima ainda.
Pois foi ao ler uma simples mensagem de “a noite foi ótima como sempre” dele no celular dela — na manhã seguinte de um dos dias nos quais ela havia chegado tarde em casa dizendo ter saído com as “amigas”- que eu, o idiota, comecei a desconfiar de algo.
Eu nunca fui do tipo de marido que vasculhasse as coisas da esposa, mas a frieza dela para comigo já estava me preocupando e por isso cometi a “invasão de privacidade” de olhar o telefone dela.
Depois disso se tornou quase psicótico o jeito como eu a esperei dormir para espionar seu celular, notando que a mensagem do dia anterior havia sido apagada. Ela não teria a apagado se não achasse que fosse algo importante, teria?
Tentei me convencer de que era paranóia minha, e decidi tentar reativar nossa paixão ao sair mais cedo do meu trabalho e passar no dela, chegando bem a tempo de vê-la entrar num carro com um total estranho. Sem se dar conta que seu marido imbecil estava do outro lado da rua segurando um bouquet de rosas e um ursinho em formato de coelho que ela sempre adorou.
Isso foi semana passada e eu fui direto para um bar aquela noite. Obviamente para encher a cara.
Pensei em ligar para o Takanori ou para o Akira que eram meus amigos no trabalho, mas só em pensar que talvez eles também estivessem me apunhalando pelas costas, assim como o Yutaka, me fez me odiar ainda mais por não ter percebido aquilo antes.
De repente imaginar que ela estaria se divertindo com outros caras há meses, ou anos, tinha se tornado uma tortura mental para mim.
Pensar que aquela mulher, que apenas eu e somente eu tinha tocado, estava agora sendo manchada por outros caras...
Eu dei tudo pra ela, o que não foi suficiente?
Foi ela a primeira garota que beijei, a primeira e única com quem fiz amor... eu a amava, trabalhava como um condenado para dar uma vida digna para ela, para pagar o tratamento de gravidez... para fazê-la feliz.... lembrava de cada data, nunca deixava passar algum aniversário em branco, sempre ligava para dizer que estava com saudades... o que eu fiz de errado?
Não era suficiente?
Não dei atenção o suficiente?
Não a amei o suficiente?
Meu desempenho na cama não era suficiente?
Eu não era mais atrativo?
Eu não servia mais?
Eu não a satisfazia, era isso? Por isso ela tinha que procurar em outros caras?
Provavelmente esses não seriam os pensamentos de um adulto de 33 anos, mas quando se tem apenas uma única pessoa ao seu lado a sua vida inteira... sua autoestima pode ser bastante dependente daquela pessoa....
Como eu saberia se eu era ou não suficiente para alguém se a única pessoa que tive em toda a minha vida agora estava me traindo com um dos meus melhores amigos e com tantos outros caras que eu provavelmente não saberia quantificar?
“Eu devo realmente ser um inútil!”
Naquela noite eu gastei tudo que tinha na carteira em bebida e adormeci no bar.
Acordei com o gerente do local me escorraçando para fora dali e me deixei ser totalmente deprimente e vergonhoso ao ficar largado e jogado no meio da rua, só esperando um carro passar àquela hora da madrugada na rua e me matar de vez.
Foi quando o conheci.
Pensei que era meu fim quando ouvi o ronco do motor de um carro popular se aproximar.
“Não podia ser um Ferrari ou um Volvo, não pra um cara como eu”
Pensei inutilmente, era tão idiota e deprimente que nem morrer atropelado por um carro de luxo eu merecia.
Mas aí o pneu cantou e o automóvel parou há milímetros do meu braço. Liberei um suspiro de derrota, nem ao menos ser atropelado por um carro comum e popular eu parecia merecer.
Sorri totalmente sem humor e me sentei, tentando me erguer enquanto alguém descia do automóvel e gritava um “Você está bem?”.
Só balancei a cabeça em afirmativa pra voz masculina e comecei a cambalear em direção ao meu próprio carro estacionado há alguns metros dali...
“O meu carro é melhor que o dele, talvez eu deva pedir a ele pra usar o meu carro pra me atropelar?”
Sorri amargo novamente com o pensamento e continuei a tentar seguir o rumo de onde havia estacionado. Só quando cheguei à porta do meu Mercedes que notei a presença do cara próximo a mim, enquanto eu lutava com o botão do alarme que parecia ter simplesmente mudado de lugar naquele minúsculo quadrado da chave.
“Cara, você vai acabar matando alguém assim, deixa seu carro aí, eu te dou carona pra sua casa”.
Tentei murmurar uma negação, mas acabei desistindo quando a chave caiu ao chão e eu despenquei totalmente ao tentar me abaixar para pegá-la. Ouvi uma risada vinda do homem que eu simplesmente não conseguia visualizar direito com a minha visão turva de embriaguez e voltei a sorrir sem humor.
“Está certo... eu sou uma piada...”.
-Venha, consegue me dizer onde mora? – o cara parecia ser gentil e boa pessoa, para ajudar um estranho completamente bêbado no meio da rua. Ou ele poderia apenas ser um ladrão querendo se aproveitar... eu sinceramente não me importava, resmunguei meu endereço enquanto fazia força para me levantar com a ajuda dele e ele pegava as chaves do meu carro e as colocava no bolso... talvez fosse realmente alguém honesto e com um bom coração.
Assim que consegui me acomodar no banco duro do carona, daquele automóvel barato, tentei mirar mais uma vez o rapaz que me ajudava e consegui apenas identificar a coloração preta dos fios semi curtos com uma parte aloirada... um estilo bem diferente de cabelo. Muito diferente do meu normal corte executivo...
Yutaka tinha um corte moderno, o cara que eu tinha visto com ela também tinha um corte moderno... será que era isso? Eu era sem graça? Normal demais?
-Talvez ela transasse com você também... – murmurei quando começamos a andar, e consegui ver um sorriso de dentes pequenos para mim, eu realmente deveria estar sendo uma grande piada para ele.
-Quem? – ele perguntou.
-Minha esposa... – respondi ao fechar meus olhos e respirar fundo.
-Ah, então é casado, acho que ela não vai gostar nada quando você chegar assim em casa... – falou em minha direção, mas eu já estava me deixando cair no sono.
Acordei com um “Que vergonha, desculpe o incômodo...” dito pela voz de minha tão amada Akiyou e consegui abrir só um pouco dos meus olhos para visualizar suas costas turvas numa camisola bonita à porta da nossa casa enquanto eu me dava conta de que estava deitado no sofá.
-Ah, não tem problema, eu que quase o atropelei... – a voz do rapaz que me ajudara invadiu minha audição também e só então identifiquei que ele estava do lado de fora, provavelmente na frente dela.
-Toma meu cartão, eu sou gerente de uma loja de roupas ... passa lá e eu te dou um desconto especial pela ajuda...
Não teve como não perceber a total duplicidade na voz dela e apesar de sentir muita vontade de me levantar e fazer escândalo, meu corpo simplesmente não se moveu.
-Ah, obrigado... – ele assentiu ao pegar o cartão – vou guardar comigo, mas não acho que vá precisar do desconto, de qualquer modo agradeço – reverenciou antes de ir embora e eu percebi o suspiro de derrota dela quando fechou a porta e se virou para mim.
Fechei meus olhos e fingi ainda estar dormindo.
-Que vergonha, Yuu... – o tom ácido que ela jamais havia usado comigo — ... depois de velho fazendo um papelão desses... – suspirou pesado – ao menos o cara era gentil e bonito
Finalizou e assim que eu abri as pálpebras ela já não estava mais ali, apenas o som dos passos se distanciando para o “nosso quarto”.
Akiyou oficialmente já não tinha mais nenhum tipo de sentimento por mim.
Me pergunto se algum dia teve.
No dia seguinte eu acordei ressaqueado e liguei pro trabalho dizendo que estava doente e que não poderia comparecer. Akiyou por outro lado parecia bem animada ao maquiar o belo rosto de uma mulher de 30 anos com aparência de 25 e alinhar o vestido curto e social.
-Já acordado querido? – perguntou em uma simpatia que agora eu sabia ser falsa – que vergonha quando aquele homem veio lhe trazer de madrugada, não faça isso de novo, sim? Vai ficar em casa?
Demorei alguns segundos olhando para o sorriso dela, me perguntando quando ele tinha se tornado tão mentiroso? Antigamente ela era tão doce...
-Vou, já avisei no trabalho! – assenti em indiferença.
“Nem sequer um ‘Como você está’? ‘Por que chegou daquele jeito?’...”
-Ah, o telefone do restaurante de entrega ta na geladeira, vou voltar tarde hoje, é noite das meninas no trabalho – falou ainda de modo animado, me dando um beijo a distância e abrindo a porta do nosso apartamento luxuoso que tinha me custado meses de horas extras e finais de semana trabalhando quando ela insistiu que precisávamos morar em um bairro nobre, em um prédio de status e num imóvel de três quartos.
“... Agora eu sei pra quê ela queria tantos quartos...”.
Passei os dias seguintes fingindo não perceber nada, me distanciando rapidamente. Me mudei para um dos quartos vagos na casa e ela nem ao menos perguntou por que.
Foi quando li aquela matéria em um tlabóide qualquer numa banca.
“Marido pega mulher traindo-o e ganha processo de divórcio. Ex-esposa é processada e agora deverá indenizar marido traído.”
Eu e Akiyou tínhamos casado em comunhão de bens, assim sendo, se eu apenas me separasse dela aquela puta levaria ao menos metade de tudo. Eu não podia suportar mais aquilo... deixa-la confortavelmente feliz e bem alicerçada para que ela dormisse com quem queria enquanto eu seria apenas o corno, imbecil, velho e sem graça.
Eu nunca mais conseguiria achar algo para me fazer olhar meu reflexo no espelho novamente sabendo que ela estaria feliz com outros usufruindo dos bens que eu trabalhei tão duro para conseguir... não mesmo...
Foi aí que decidi ter alguma prova de infidelidade dela. Mas não apenas fotos saindo ou entrando em um motel que um detetive poderia me fornecer... não, eu queria que ela fosse humilhada... mais ainda, eu quero ver com meus próprios olhos o quão baixa ela é para convencer esse ser deprimente que eu sou de que a mulher para qual dei tudo que tinha e a qual amei toda a minha vida tinha se tornado uma vadia da pior espécie.
E foi ao pensar em alguém que poderia me prestar tal serviço que eu descobri sobre um clube noturno, conhecido como o local para certo tipo de ‘mercado’.
Garotas e garotos de programa usavam ali como um ponto de encontro e distribuição de seus ‘serviços’. De acordo com o que ouvi se tratava de um local onde os frequentadores eram confiáveis.
E foi por isso que vim ao tão ‘famoso’ “Desires Night Club”.
Assim que entrei parecia apenas um clube normal, os jovens de hoje devem adorar lugares como esse, música alta, bebidas, muitas pessoas, luzes piscando...
Talvez eu realmente seja um velho sem graça, pois achei tudo muito irritante.
Decidi logo fazer o que tinha vindo fazer e passar meus olhos pelo local a procura de um dos ‘garotos de programa’ que pudessem fazer o trabalho para mim. Identifiquei logo alguns deles já com algumas senhoras como clientes, enquanto umas garotas bonitas, provavelmente do mesmo ramo, estavam com alguns senhores de aparência rica num local que parecia ser mais calmo e sem barulho.
Andei até lá e respirei fundo ao tentar escolher quem seria o ‘cara de sorte’ que ganharia dinheiro para transar com a minha esposa e gravar tudo em vídeo.
Foi quando vi um cabelo conhecido, preto com uma parte loira. Estreitei meu olhar e me aproximei do cara que parecia estar conversando com uma senhora de aparência de 45 anos ou mais.
O rapaz usava uma maquiagem fraca nos olhos, e só então notei que ele era de fato bonito.
Foi quando ele sorriu que eu confirmei minha suspeita.
”Esse cabelo, esse sorriso... com certeza é ele.”
Respirei fundo novamente, tinha chegado a hora. O cara era uma boa pessoa, apesar de estar notavelmente naquele ‘ramo’, não era qualquer um que levaria um bêbado suicida em casa. Além disso, Akiyou tinha demonstrado notável interesse nele, e agora eu sabia por que ele havia a rejeitado... não faria aquilo sem receber o pagamento, certo?
“Muito bem... vamos lá Yuu!”
Assenti para mim mesmo e afrouxei a gravata do meu terno, abrindo o botão do paletó e tentando parecer mais descontraído. Peguei duas bebidas que passavam nas mãos de uma bonita garçonete e passei o cartão de consumo que haviam me dado na entrada do club.
Andei confiante até a mesa e pousei uma das bebidas a frente dele, eu era um homem de negócios afinal, convencer pessoas de algo era o meu trabalho.
-Será que posso conversar com você?
Ele me olhou em um franzir de cenho, mas abriu um sorriso humorado ao me reconhecer.
-O suicida bêbado da semana passada! – Sorriu em minha direção – estou ocupado agora, se puder esperar...
-A não, Uruha-kun... eu realmente não posso ficar muito hoje ... – a senhora assentiu ao se levantar – pode conversar com o seu amigo...
-Fukoto Darling... me deixa triste quando não podemos gastar nossa noite juntos... – o tal Uruha choramingou num galanteio, tomando a mão da mulher gentilmente e beijando-a — ... promete voltar?
-Sim, é só me estabilizar e estarei totalmente livre e bem abastada para disfrutar meu tempo com você... por isso, não fique encantando muitas clientes enquanto isso, não gosto de ter que te disputar com as outras.... – a senhora choramingou de volta e pronunciou os lábios para um beijo. Entretanto o rapaz apenas dedicou um selo demorado em sua testa e lhe sorriu gentilmente.
-Tentarei fazer o que me pede, mas não demore então... – sorriu de volta e ela assentiu também num sorriso, rumando para a saída do local.
Aquilo era real. Aquele homem de fato fazia aquilo para viver.
“Bem... não é direito meu julgar”.
Dei de ombros e me sentei à sua frente, acendendo um cigarro e oferecendo um a ele.
-A não, obrigado, parei de fumar – assentiu em gentileza, tomando fôlego e desenhando um semblante sério na face – olha, não me interessa saber dos seus problemas com a sua esposa, eu só quero dizer que não durmo mais com caras, parei com essa ‘vertente’ do serviço há muitos anos e não estou nada interessado em voltar pra ela. O que eu fiz naquela noite foi gratuito, ok? Apenas ajudei alguém que precisava de ajuda, não quer dizer que eu queira algo e muito menos que você pode cair de amores por mim ou que eu sou o amor da sua vida...
Meus olhos se alarmaram e me constrangi com o que ele estava pensando sobre o motivo de eu ter me aproximado dele, por isso tratei de interrompê-lo.
-Não, não, você entendeu errado, eu não estou aqui para nada disso... – respirei.
-Hum... – ele ergueu uma sobrancelha, pegando a bebida que eu havia lhe trazido e tomando um gole — ...se não veio agradecer e nem me contratar, pra quê veio?
-Ah, eu vim te contratar sim... – tentei explicar, recebendo um olhar franzido e ameaçador – mas não é pra mim – me apressei em esclarecer — ...é pra minha esposa...
Um olhar curioso e um sorriso de lado... ele de fato era sedutor... talvez se eu fosse sedutor como ele Akiyou não teria se tornado daquele jeito?
-Ah, são um daqueles casais que gostam de ménage a trois, desculpe senhor, mas como eu disse, não durmo mais com outros caras há anos e por isso não participo de nada que outros caras estejam envolvidos, então ménage só com duas mulheres...
-Não, eu não... – o interrompi de novo, por que ele estava entendendo tudo errado? – eu só quero que você durma com a minha esposa e grave um vídeo disso... para eu usar no processo de divórcio.
A cabeça pendeu para um lado e ele novamente estreitou o olhar.
-Neh, se descobrirem que você contratou um garoto de programas para isso o processo vai se voltar contra o senhor – o rapaz realmente parecia ter um bom coração e ser confiável... sem dúvida ele era a pessoa perfeita para aquilo.
-Ah, eu vou recolher outras provas dela com os outros amantes, vou pedir para um detetive fazer isso... mas... – respirei fundo – eu... preciso ver, sabe... eu preciso ver com os meus próprios olhos... caso contrário jamais vou cair em mim ... – levei o resto da bebida de modo nervoso à boca e engoli tudo em um gole... com certeza eu estava novamente sendo deprimente... onde foi parar toda a minha calma e poder de persuasão de um homem de negócios?
-Quer mesmo fazer isso? – Uruha me perguntou e eu ergui meu rosto para encará-lo, só então notando a cor chocolate de seus olhos... eram diferentes e... bonitos.
-Ela realmente vai cair sem nem ao menos perceber...– sorri -...quanto você cobra?
-Não é algo que eu faça, e eu mesmo editarei a gravação e censurarei o meu rosto tudo bem? – questionou num suspiro que parecia cansado, aparentemente ele não podia se dar ao luxo de recusar propostas assim, eu apenas assenti — ...geralmente cobro 20 000 ienes* por cada duas horas, pode perguntar para qualquer um do clube se quiser, e como terá o adicional da gravação sairá um pouco mais caro...
-Eu pago – assenti em convicção – metade agora e metade depois que eu tiver o vídeo – ditei ao pegar algumas notas da carteira e colocar em cima do tampo da mesa — ...pode fazer o serviço?
Uruha ainda me lançou um olhar meio torto e mirou as cédulas diante de si, respirou rapidamente e voltou a me mirar, sério.
-Posso, quando quer que eu faça? – assentiu ao pegar o dinheiro e guardar no bolso de sua calça cara, só então notei que ele também trajava algo social, mas sem paletó ou gravata, apenas um colete por cima da camisa e com alguns acessórios de metal que davam um ar descontraído à formalidade...
“Talvez se eu usasse coisas assim também... seria mais atrativo?”
-Em uma semana no máximo, já contratei um detetive para recolher as fotos com os outros amantes primeiro – assenti também em seriedade – Shiroyama Yuu... – estendi minha mão ao me apresentar.
-Pode me chamar de Uruha – ele sorriu ao estender a dele, e eu apertei os dedos finos entre os meus, impedindo-o de retirá-los dali.
-Eu realmente acho que você seja confiável, mas me deixaria mais tranquilo se me dissesse seu nome verdadeiro – pedi em uma quase ordem – se precisa de garantias de que eu também sou de confiança eu posso....
-Tudo bem... – me interrompeu numa respiração pesada – eu realmente não digo meu nome verdadeiro para clientes ou para qualquer pessoa, mas se o senhor está disposto a pagar tão bem... só digo que se meu nome aparecer em algum processo judicial eu apenas nego tudo e não terá como provar nada sobre o meu envolvimento...
-Ele não irá aparecer – garanti.
-Takashima Kouyou – assentiu em seriedade e eu balancei sua mão, finalmente soltando-a, abrindo um sorriso de lado enquanto fazia um sinal para que uma das garçonetes se aproximasse com qualquer bebida que tivesse ali.
-Posso cobrar mais um adicional se tiver que te levar em casa de novo? – a voz dele brincou ao me ver pegando mais dois copos da bandeja e passando meu cartão.
-Se não for no mesmo carro daquele dia, eu me nego a pagar para andar naquela coisa... – sorri de volta, me permitindo um pouco de humor. Ele sorriu mais amplo e bebeu mais um pouco, ainda do primeiro copo que eu havia lhe dado.
-Reclama agora, mas era aquela coisa que iria passar por cima de você – resmungou de um jeito elegante.
-Ainda bem que não passou, vou me lembrar de me jogar na frente de um Buggati ou de um Camaro da próxima vez que for me matar – sorri num humor negro que não foi totalmente acompanhado por ele, já que o sorriso em retorno foi meio amarelo e sem graça – um brinde.... à minha vida de merda... – tornei a sorrir amargamente levantando meu copo e tocando-o no dele ainda que ele não tivesse se movido para compartilhar da minha “comemoração”.
-Se você diz... – ele assentiu ao erguer as sobrancelhas e tomar mais um gole... realmente tudo nele era muito elegante e atrativo....
“Talvez se eu fosse sedutor assim... Akiyou ainda me amaria?”
Notas finais
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