Adultério

6 Capitulo 6 – Provação


Notas iniciais
Desculpem o atraso, coisas inesperadas aconteceram =/

–Então... estão morando juntos? -Takanori questionou enquanto desfrutávamos os três de uma boa comida em um restaurante modesto e aconchegante no horário de almoço naquela segunda-feira.


Sorri divertido e terminei de mastigar o arroz em minha boca.


–Com dois dias de relacionamento? – perguntei em obviedade – não, não.


–Ora! Tem o que? Um mês que se conhecem e já está se declarando para outro homem que, aliás, não transa com você apesar de ser um “garoto de programas” e ter dormido com a sua mulher – o baixinho deu ombros eu estreitei meu olhar para ele — ... convidá-lo para morar com você seria a coisa menos estranha no meio disso tudo – sorriu e eu apaziguei minha expressão ao vê-lo concluir suas palavras.


Dediquei alguns segundos de reflexão àquilo... e de fato não me parecia tão mais estranho do que tudo que estava acontecendo no último mês.


–Você acha? – perguntei ao inclinar minha cabeça em direção ao Matsumoto sentado do lado oposto da mesa e ouvi a risada divertida de Akira ao seu lado.



–O Taka está brincando, cara – o Suzuki falou num tom humorado – não importa o quão apaixonado acredita estar, não acha que está indo rápido demais? O resultado do seu divórcio ainda nem saiu, teoricamente você permanece um homem casado... – argumentou ao finalizar seu prato de carne, indo roubar alguma do menor.


As palavras de Akira fizeram minha mente estalar num raciocínio lógico... só então a onda de felicidade e alienação dos últimos dois dias pareceu se desfazer e eu me dei conta da situação em si.


“Ah! Merda!”



–Quando Kouyou veio me buscar naquela noite... – questionei aos dois a minha frente que me dedicaram sua atenção – viram se... alguém nos seguiu?


–Hã? – Takanori perguntou, parecendo não compreender bem o que eu estava falando — por que alguém os seguiria?


Xinguei mentalmente, rangi meus dentes em frustração, me depreciando em meus pensamentos enquanto jogava os hachis em cima da mesa e pegava meu celular ...


“Maldição, Yuu, como você foi tão descuidado?”


Eu havia prometido a ele que o nome dele não apareceria em nenhum processo e...depois de tudo que e ele já havia passado eu era um tremendo miserável por permitir que Kouyou recebesse parte dos meus problemas...


–Puta Merda! – xinguei, digitando com ira o número que havia feito questão de apagar do aparelho, ação que não seria tão fácil de fazer em relação a minha própria memória – como eu pude ser tão burro...


–O que foi? – Akira questionou e o primeiro toque de linha chamando se fez ouvir contra minha orelha.


–Akiyou... estava tentando conseguir algo para usar contra mim...


“Oi Yuu, imaginei que ligaria” – a voz conhecida atendeu, fazendo minha cabeça estalar em dor e meu sangue gelar. –“Não pensei que fosse conseguir arrancar alguma coisa de um palerma como você, mas depois que meu advogado me disse sobre o anexo de um vídeo de minha traição no processo, fiquei realmente curiosa para saber como você havia conseguido tal coisa...” – um riso de escárnio – “ Isso foi baixo, Yuu, foi muito baixo...”


–Como se você tivesse sido muito digna – rebati num rugido impaciente.


“Isso é o juiz quem vai decidir” — respondeu num tom aparentemente ofendido. Ela se achava mesmo no direito de se ofender?- “Te vejo na audiência de sexta, você e aquele seu amiguinho prostituto... devia pegar umas aulas com ele e aprender como se satisfaz uma mulher, imbecil”


Akiyou desligou na minha cara e eu impulsivamente arremessei o celular contra o tampo de madeira da mesa, praguejando injúrias e recebendo atenção demais pelo estrondo do aparelho contra o móvel.


– O que houve? – O Suzuki voltou a questionar enquanto Takanori encarava atravessado os curiosos para que parassem de nos olhar.



Eu respirei fundo e tentei me acalmar, pensar racionalmente nas coisas....



–Akiyou... descobriu sobre minha ligação com Uruha – confessei ao ainda tentar achar um meio de Kouyou não ser envolvido naquilo — ... ela vai com toda certeza usar isso para me incriminar e vencer o processo de divórcio, mas... Kouyou... eu prometi que o nome dele não aparecia em nenhuma ata judicial, além disso, ele já tem passagem pela polícia e...



–Passagem pela polícia?! – Takanori exclamou em indignação, mas eu não estava com cabeça para aquilo agora.


–Foi um acidente, já faz tempo... – tentei tranquiliza-lo ao tomar meu celular novamente em minha mão, agradecendo por ele não ter quebrado pela força com o qual joguei em cima da mesa, e pressionando a tela no atalho do número salvo .


Um toque.


“Merda... merda, merda... o que eu digo pra ele?”


“Droga Yuu, como pôde ser tão burro... e se ele se prejudicar?”

Dois toques.

“Merda...!”


“Yuu?” – a voz curiosa e baixa dele ameaçou rapidamente me fazer relaxar, mas eu me detive, não era momento para aquilo – “Tudo bem?”


–Kou... onde você está? – perguntei ao regrar a minha própria voz para não preocupá-lo de imediato.


“Estou saindo da aula, por quê?..”


“Takashima-san, estão procurando o senhor na direção do curso...” — Uma voz feminina e fina veio ao fundo da ligação.


“Ah sim, eu já estou indo... espera um segundinho Yuu, de quem se trata?” ele perguntou.


“É alguém do serviço jurídico pelo que entendi...”



Meu coração gelou.


“Droga!”


Não acreditava que já tinham agido tão rápido assim.


–Kou, me escuta , vai ficar tudo bem – falei contra o aparelho sem conseguir amenizar meu tom – olhe, Akiyou conseguiu alguma coisa que prove sua ligação comigo, eu sinto muito ter deixado isso acontecer amor, mas eu prometo que vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de tudo ok?



“O-o que eu faço?” a voz meio espantada dele veio do outro lado da linha e eu só queria estar perto o suficiente para poder abraça-lo.


–Provavelmente eles só vão te entregar uma intimação de comparecimento ao tribunal, eu vou ligar pro meu advogado, não fale nada se não for obrigado ou pode dizer o que você achar melhor, coloque a culpa toda em mim e diga que eu o convenci a gravar o vídeo se eles te pressionarem por algo, ok?



“Mas Yuu...”


–Isso não é nenhum crime grave Kou, o máximo que pode acontecer comigo é eu ter que dar dinheiro praquela mulher, não faça nada que possa te prejudicar, sim? – pedi numa voz mais necessitada do que autoritária em si e ele demorou um pouco antes de responder.


“Eu... vou ver o que eu faço..”



–Eu estou indo pra aí – falei por fim ao me colocar de pé – ainda que eles te liberem antes, me espere até eu chegar.


“Hun” a voz assentiu.


–Eu amo você, desculpe ter descumprido minha promessa...


“Tudo bem... eu.... também amo você... eu tenho que desligar, até mais!”



A ligação se findou e eu apenas joguei algumas notas em cima da mesa diante dos olhares espantados e indagadores dos dois ali sentados.



–Digam que eu tive algo urgente para resolver, avisem para a secretária cancelar a reunião dessa tarde – comecei a ditar para Akira e Takanori como se estivéssemos no ambiente de trabalho, pegando meu casaco para enfrentar a brisa fria que fazia aquele dia.



–Tudo bem, mas... – Takanori foi aquele a responder — ... qualquer coisa ligue pra gente.


–Hun – afirmei já de partida, andando apressado em direção à saída do restaurante enquanto pegava as chaves do carro no bolso do meu paletó.



“Não os deixe vê-lo perto dele e vamos nos reunir o quanto antes” foi o que meu advogado falou quando lhe expliquei parte da situação. Conselho que me faz esperar no carro, no estacionamento médio da faculdade onde ele havia me falado que estudava.


Meus dedos não conseguiam ficar quietos no volante e a entrada do prédio onde me informei ser aquele onde o curso dele tinha aulas havia se tornado foco da minha visão de tal modo que até mesmo piscar era raridade para mim.


Eu não estava calmo.


Eu não estava nada calmo.


Que Akiyou levasse metade do que era meu, ou mais, que se danasse, mas fazer Kouyou passar por uma situação daquela era sem dúvidas o fim da minha pouca dignidade e orgulho como homem.


Não ser capaz ao menos de proteger a pessoa que ama é... o fim. Com certeza o fim.


“Seu idiota...”


Me xinguei mentalmente e me controlei para segurar a ansiedade quando vi dois homens que saiam do prédio com maletas e entravam no carro identificado como patrimônio do fórum do centro de Tóquio. Assim que eles se afastaram o suficiente eu praticamente saltei do meu carro e corri em direção a entrada, achando um sério Kouyou lendo o documento que provavelmente seria uma intimação.



–Kou... – chamei, me adianto para si.


Ele levantou os olhos um pouco assustado e eu não dei tempo para muitas coisas, apenas peguei gentilmente a sua mão e o fiz caminhar rapidamente comigo de volta para o meu Mercedes.


Assim que estávamos protegidos pelos vidros escuros deixei minha respiração se soltar e não tive mais coragem de olhá-lo, apenas esconder minha cabeça contra o volante e pensar em qualquer coisa para dizer.


–Desculpe por isso...- pedi.


–Era uma possibilidade desde que aceitei sua proposta... só fico preocupado se meus antecedentes irão te prejudicar muito... – a voz calma e grave dele chegou a minha audição e novamente eu me bati mentalmente por não ter conseguido proteger uma pessoa tão absurdamente educada e maravilhosa quanto aquela. Eu não o merecia... – podem querer te acusar de tentativa de agressão física e moral à sua mulher, além da invasão de privacidade e difamação de imagem, já que eu tenho passagem por tentativa de homicídio e... ao me contratar...


–Por favor Kou... não se preocupe comigo – o encarei minimamente ao virar meu rosto de lado — ... se preocupe com você, eu que fui descuidado em deixar isso acontecer e não cumprir a promessa que eu te fiz...


–Eu disse que era uma possibilidade desde o começo... – ele me interrompeu e senti seus dedos finos acariciarem meus cabelos da nuca — ... eu fui ganancioso quando soube que ganharia o correspondente a um mês em apenas um trabalho, querendo ou não, eu também tenho culpa, devia ter te alertado da minha ficha também...


–Eu devia ter te protegido ... – desta vez fui eu quem o interrompeu -... eu devia ter...


Uruha abriu seu sorriso discreto e elegante, parecendo divertido com as minhas palavras.



–Yuu... eu não sou uma donzela em perigo... – ele voltou a falar, abaixando sua cabeça até a minha e estalando um selo leve em minha bochecha – eu sou um cara de trinta anos, não preciso e não desejo que você sinta necessidade de me proteger...


–Mas eu amo você.... – argumentei ao puxar sua nuca para mim e colar nossos lábios de leve –... não ser capaz de proteger a pessoa que eu amo é...


–Eu não estou desprotegido – ele rebateu, descansando sua bochecha contra a minha e liberando um suspiro aparentando cansaço — ... não é como se mais um envolvimento com a justiça fosse arruinar a minha vida, eu já não teria chance alguma de conseguir um emprego descente ainda que isso não acontecesse... por isso eu disse que irei abrir meu próprio negócio, Yuu... para isso não preciso apresentar meu nada consta criminal... ainda que fosse necessário, não é responder por captação ilegal de imagem que chamaria atenção nele.


O abracei da melhor forma que meu corpo curvado permitia e o apertei fortemente contra mim. Não importava.... eu não iria deixa-lo ir.


–Kou... fica comigo... – pedi num sussurro necessitado. Não me importava que eu não o merecesse, ou que nosso envolvimento não fosse nem um pouco convencional, ele me fazia tão bem que... eu sinceramente acharia terrivelmente difícil continuar a viver sem ele depois de tê-lo conhecido — ... eu prometi te provar que eu era um bom homem pra você e acabei estragando tudo, mas... fica comigo...


–Eu nunca contei minha história para ninguém Yuu... – a voz também respondeu num sussurro – sobre meus pais, sobre a “casa de diversões”, sobre como eu consegui minha liberdade de lá... eu nunca contei isso nem mesmo para a Nansy... se eu te falei sobre isso, pode ter certeza que sua chance de se livrar de mim acabou na hora em que você a ouviu e ainda assim disse que me amava... – uma singela risada divertida — ... não se deprecie assim por favor...


O apartei com mais força e fechei bem meus olhos, respirando fundo e acalmando toda a discussão confusa que havia se feito presente em minha mente.O afastei com cuidado e dediquei um selo nos lábios pequenos e delicados, arrumando uma mecha solda de seu cabelo atrás da orelha e estalando um beijo em sua testa.


–Coloque o cinto, temos que ir a um lugar – pedi ao me virar para frente e colocar meu próprio cinto de segurança.


O vi sorrir pelo retrovisor direito e passar a mochila média para o banco de trás antes de voltar a se endireitar no banco.


–Esse é meu primeiro namoro... – lançou em minha direção e mais uma vez eu mirei o sorriso mais lindo e sincero na face da Terra. Eu merecia mesmo o direito de me acalmar tão maravilhosamente toda a vez que o via daquele jeito? — ... sempre ouvi que quando se namora sério se enfrenta muitos problemas, mas... com certeza nossos desafios chegaram rápido demais não acha? – brincou e apesar de minha vontade mental de querer me estapear por aquilo eu acompanhei seu humor. Porque simplesmente não havia como não corresponder sorriso tão belo.


–Não é como se nosso relacionamento tivesse começado muito lentamente também... – argumentei de volta, por um segundo me permitindo esquecer dos problemas e avançar mais um passo em minha decisão em relação a ele... a brincadeira de Takanori não havia sido tão inútil e sem importância afinal.



–Depois da audiência de sexta... eu quero te fazer uma proposta – avisei ao colocar o carro em movimento .


–Vai me pedir em casamento? – ele sorriu em gozação e eu o acompanhei minimamente. Bem... se aquilo fosse possível, talvez não fosse má ideia fazê-lo também.


“Pena que não...”


–Quero ter certeza de que não te prejudicarei e de que conseguirei te proteger antes de fazê-la, mas se eu a fizer, por favor, diga sim, ok? – pedi e ele me olhou com olhos espremidos em curiosidade e desconfiança, apesar de divertido.


–Vou pensar no seu caso... quando eu ouvir do que se trata –ele respondeu num fingimento de pose difícil e importante, e eu sorri.


–Você é esperto... – pontuei — ... esperto e lindo...


Me deliciei com a visão inédita de vê-lo corar rapidamente, se constrangendo ao abaixar a cabeça e arrumar nervosamente o cabelo atrás da orelha ao me ter fitando-o tão descaradamente quando paramos num semáforo.


–Por que se constranger com um elogio? Com certeza não é a primeira vez que ouve isso – ditei em humor e novamente ele me fitou.



–É a primeira vez que ouço isso de alguém que amo... é claro que eu ficaria constrangido e feliz ao mesmo tempo – rebateu numa expressão séria e acanhada.


Meu sorriso esmoreceu e meu peito se aqueceu instantaneamente ao ouvir tal declaração. Infelizmente a buzina do carro de trás dissipou o momento ímpar e doce que nossos olhares desfrutavam e eu praguejei baixinho com o idiota apressado atrás de mim, ganhando uma gargalhada aberta e gostosa do ser lindo e maravilhoso ao meu lado.



Se eu o tivesse conhecido antes... seria eu maduro e esperto suficiente para não deixa-lo escapar? Ou o fato de ele ter aparecido somente agora em minha vida queria dizer que antes eu não estava pronto para conhecê-lo? Porque de repente... era como se eu tivesse passado os 33 anos de minha vida sem saber o que era felicidade e amor de verdade... e agora sim... eu estava conhecendo-os e experimentando-os .



– Eles te perguntaram alguma coisa, Takashima-san? — o senhor de quase sessenta anos, de nome Koga, o qual eu havia contratado para me defender como advogado começou a perguntar logo após uma breve conversa que tivemos em seu escritório.


–Tentaram, mas eu disse que se eu teria que falar tudo na frente do juiz, não tinha porque eu contar algo a eles, “eu tenho o direito de ficar calado” foi o que eu disse, assistir filmes não é tão sem utilidade assim – Kouyou respondeu ao sorrir elegantemente e eu tive minha confirmação de que aquele sorriso realmente era mágico ao notar Koga-san corresponde-lo e destencionar seus ombros.


–Fez bem – Koga-san assentiu – o senhor tem alguma passagem pela polícia, Takashima-san?


Tanto eu quanto Kouyou respiramos fundo e eu segurei sua mão entre a minha com força.


–Tenho... –ele assentiu — ... tenho uma queixa de tentativa de homicídio, mas foi arquivado como legítima defesa e... alguns boletim de ocorrência por prostituição. Houve uma vez que uma mulher quis me acusar de estupro por eu ter me negado a atendê-la, mas nada foi comprovado e foi encerrado como sem provas, só que podem querer distorcer isso e... tem uma que ... é por agressão física a um cara que tentou machucar uma amiga minha, isso foi há cinco meses atrás e, eu tive que pagar um indenização pequena a ele... posso pedir a um conhecido meu do departamento de investigação para me dar um cópia dos processos se for necessário.



Com certeza era bem mais do que eu tinha conhecimento, mas eu não tinha motivo para me sentir desinformado, já que todas eram totalmente previsíveis e tenho certeza de que Kouyou não havia tido nenhuma intenção de escondê-las de mim, apenas não tivemos tempo e nem cabeça para discutir detalhes de cada um ainda.


Apesar de que imaginá-lo agredindo alguém era totalmente impossível para mim, ainda que fosse para proteger uma amiga.


Koga-san respirou fundo e recostou em sua poltrona macia e grande, cruzando os dedos sobre a boca e nos encarando em análise.


–E o seu envolvimento com Shiroyama-san se restringe a “negócios”? Ou acaso são amigos? – questionou em seriedade.


–Neg... –Kouyou tentou responder, porém eu fui mais rápido e o interrompi.


–Somos namorados – assenti em convicção e firmeza, para o espanto não só de Kouyou, mas também de meu advogado – não parece que Akiyou conseguiu pegar muita coisa, já que aparentemente ela desconhece a extensão do meu envolvimento com Takashima-san, mas se existir a possibilidade de tal coisa, é melhor que estejamos preparados para responder a qualquer insinuação.


–Deixe-me ver se eu entendi bem Shiroyama-san – Koga-san começou a falar ao acenar um sinal de “pare” com as mãos — Você está namorando o garoto de programas que contratou para dormir com sua mulher?


–Sim – assenti.


O senhor de quase sessenta se ajeitou na cadeira, visivelmente desconfortável com o que eu havia dito, mas eu confiava em seu profissionalismo para não deixar o identificável preconceito afetar em nossa defesa.


–Pois bem... – ele retomou após uma leve tosse — ... e tal relação começou antes ou depois da...”transação” dos senhores.


–Depois... – Kouyou respondeu em meu lugar, parecendo ainda assustado e nervoso por minhas palavras de antes – foi depois...


Koga-san olhou para mim, em sinal de que preferia ouvir minha resposta.


–Foi depois que ele realizou o trabalho – eu assenti.


–Sabe que isso poderá oferecer ao advogado da sua esposa... – Koga-san começou.

–Ex-esposa – corrigi.


–Sabe que isso poderá oferecer ao advogado dela uma acusação equiparável em grau à de adultério e nosso argumento de que não é sensato continuar com o acordo de comunhão de bens será derrubada, não sabe? – retomou em seriedade – se ele fosse apenas um cara comum eu poderia jogar tudo para uma ação impensada e impulsiva de um marido traído, mas o fato dele ter antecedentes criminais deste tipo pode parecer uma premeditação e intenção de ofender fisicamente e moralmente sua...”ex-esposa”...


–Desde o começo você me disse que conseguir o vídeo era bom, mas que oferecia riscos, estávamos preparados para caso eles tentassem me acusar de invasão de privacidade – eu argumentei.


–Mas essa situação estava planejada pro caso da identidade do... “homem no vídeo” em questão permanecer em anonimato ou este não possuir ficha criminal com tentativa de homicídio, estupro e agressão física – ele rebateu e eu o fuzilei seriamente pela falta de cuidado com as palavras.


–Acaso não deseja o caso? – rugi – posso muito bem conseguir outro advogado se seu preconceito vai te atrapalhar a ser um profissional digno – censurei em seriedade e vi o senhor de quase sessenta anos se recolher e parecer constrangido com seu próprio comportamento.


–Se meus antecedentes é o motivo de tanta complicação ... – a voz calma e branda de Uruha quebrou o silencia incômodo na sala — ... eu não sei se ele aceitará, nós não somos amigos nem nada assim, ele apenas me deve “uma” e eu não sei se isso seria muito abuso, mas... eu posso pedir para o meu conhecido do departamento de polícia servir como testemunha de minha inocência nas acusações e... quanto à agressão física...


–O depoimento de alguém da polícia ajudaria muito – Koga-san o interrompeu, parecendo pedir desculpas com o olhar pelo que havia dito antes — ... não posso garantir que Akiyou-san não saia com alguma indenização, mas se tirarmos as acusações contra Takashima-san como agravantes, ao menos o acordo de comunhão de bens poderá ser anulado.


–Ótimo – assenti, ainda não totalmente contente com aquilo, se não estivesse tão próximo da audiência eu com certeza contrataria outro advogado o quanto antes, mas estando tão perto e ter que explicar a situação para outra pessoa seria desfavorável no momento...



–Desculpe pelas palavras daquele idiota – pedi ao dirigir pela cidade, mirando o horizonte anoitecer. Tinha sido uma tarde muito cansativa acertando tudo a ser dito e mantido na audiência de sexta — ... o contratei porque me disseram que ele era o melhor em casos como o meu, mas pelo visto o dinheiro foi mal investido.


–Ele é bom no que faz... – Kouyou argumentou — ... não podemos pedir para que todos compreendam nossa relação e muito menos a situação na qual ela foi construída. E eu não posso pedir para que entendam que eu não sou nenhum psicopata toda vez que souberem sobre minha ficha... eu já estou acostumado, não se preocupe com isso...


–Acostumado? – indaguei em descrença – você não pode estar acostumado a isso Kou, não mesmo...


–Eu estava ficando velho para o trabalho... – ele me interrompeu — ... minhas clientes foram diminuindo assim que completei vinte e quatro anos, só as mais fieis ficaram até hoje, querendo ou não ,um prostituto de trinta anos não é muito procurado no mercado, meu preço estava alto apenas porque eu o mantive assim para parecer que eu era algo “valioso”, ao menos a curiosidade de saber o porque do preço trazia algumas para uma “tentativa”, sabe... eu não cobrava isso das minhas clientes mais antigas. Eu estava ficando sem tempo, consegui manter até os trinta com esforço, mas sei que daqui dois ou três anos até mesmo as clientes mais fiéis acabariam deixando-me – uma respiração funda – tentei conseguir um emprego quando estava com vinte e seis e tinha ingressado na faculdade, teria que diminuir o depósito no meu fundo para o meu negócio, mas desistir logo de um tralho como este me parecia a atitude mais certa a se tomar. Eu pensei que ao menos um estágio eu conseguiria, eu já estava me graduando afinal, pensei que para algo como estagiário eles não pesquisariam antecedentes criminais, mas... foi sonhar demais.... – um sorriso fraco — ... desisti e me esforcei em me manter no “mercado da prostituição”, me planejei para conseguir o dinheiro que precisava em quatro anos, e para isso tive que diminuir a quantidade de matérias na faculdade para a mensalidade ficar mais barata, por isso ainda não me formei, tive uma grana extra no ultimo semestre e decidi adiantar uma disciplina atrasada, tudo estava na ponta do lápis e... eu, sairia dessa vida no final desse ano, ainda que você não tivesse aparecido na minha vida...


Aproveitei um semáforo vermelho para olhá-lo novamente, encarando seus olhos sérios, fixos em mim.


–Mas que bom que você apareceu... – ele sorriu e eu não liguei, o puxei para um beijo meio afoito antes que o maldito carro detrás começasse a buzinar. Sua língua se entrelaçou na minha e eu a chupei deliciosamente ao sentir o contato, desejando-o... querendo-o, eu o queria, eu o queria muito... eu realmente o queria...


Minha mão deslizou impulsivamente pra sua coxa, apertando-a, sentindo o jeans junto à carne macia entre meus dedos, indo para a parte interna...


“Não”


E de repente me lembrei de que não fazia a mínima ideia de como agradar outro homem, me lembrei que não fazia a mínima ideia de como agradar sequer uma mulher, e me lembrei principalmente de que ele não estava e nem estaria pronto para aquilo. Pareci ter esquecido que estávamos no meio do trânsito rodeados por carros e que nada poderia acontecer ali, mas como previsto a buzina do carro traseiro me trouxe a tona a realidade eu aproveitei o susto para me descolar dele e voltar com precisão para o volante, engatando a primeira e seguindo.


–Você me quer... – a voz baixa dele chegou a minha audição e eu o olhei de relance, meio constrangido.


–É claro que eu te quero – assenti – te quero ao meu lado...


– Você me entendeu Yuu... – ele me interrompeu – você quer transar... seu beijo disse isso claramente.


–Eu não quero – neguei, sabia que o fato de eu desejar algo e ele não poder me dar o faria recuar e voltar a sua postura defensiva, eu não queria aquilo... não quando estávamos indo tão bem.


–Você quer...


–Eu nem sei fazer isso...


–Mas você quer – ele cortou de uma vez, voltando seu rosto para o lado oposto e mirando a rua em movimento enquanto eu nos guiava para o endereço que ele disse morar.


–Só porque eu quero algo, não quer dizer que eu desejo tê-la – falei após alguns bons minutos naquele silêncio cortante. Já não tínhamos problemas demais? Eu ainda tinha que deixar meu corpo me trair daquele jeito? – é impossível não te querer Kou, mas... eu tenho medo de não ser bom para você, ainda que você pudesse... eu iria preferir não...por mais que eu quisesse – confessei, procurando ser sincero em minhas palavras, mas ele não me respondeu, apenas continuou a mirar a rua em movimento, perdido em algum tipo de pensamento pessoal. Eu decidi respeitar sua vontade e também me mantive calado durante o resto do percurso.



–Seria muita cara de pau te pedir para dormir lá em casa mesmo depois disso tudo? – questionei assim que estacionei na frente pequena do prédio modesto e humilde no qual ele disse morar, num bairro realmente longe do centro.


–Quer subir? – ele questionou ao ignorar a minha pergunta, sorrindo pequeno para mim como se não tivéssemos passado o resto do caminho inteiro sem nos falar – Mayumi me fez prometer que te apresentaria a ela.


–Sim – assenti, me permitindo um vestígio de esperança, ele não parecia chateado, apesar de toda a confusão do dia.


Subimos os quatro lances de escada no prédio de cinco andares a pé, já que aparentemente o elevador estava quebrado. Me constrangi por perder o fôlego só com aquilo.


“Realmente... preciso de academia já”.


Estava anos e anos fora de forma.


Kouyou sorriu do meu cansaço e pegou a minha mão assim que alcançamos finalmente o seu andar.


–Agora sei por que você tem coxas tão bonitas – brinquei e ele acompanhou meu humor, gargalhando.


Ele colocou as chaves em frente a uma porta marrom, com o número 416 nela e a girou. Eu adentrei o apartamento pequeno, retirando meus sapatos sociais e olhando a sala que ficava logo ali, pequena também, acoplada ao que parecia o balcão da cozinha logo atrás.


–Bem vindo ao meu cantinho – ele sorriu – bem diferente de um apartamento enorme no Plaza Mizuta, mas espero que não te assuste.


–Você parece esquecer que eu nem sempre fui rico também – torci a cara em um bico — ... suas roupas são caras, então não fique tentado me menosprezar por não ser humilde...


Kouyou gargalhou mais uma vez.


–Minhas roupas parecem caras – ele corrigiu.


–Shima é você? – a voz fina e melodiosa pareceu vir de um estreito corredor que provavelmente levaria aos quartos e banheiro, já que não havia porta em nenhum outro lugar ali, e por ele surgiu uma mulher realmente baixa, com feições infantis, cabelos longos e uma barriga enorme por debaixo do vestido leve – oh... você trouxe alguém... ele é o tal Shiroyama-san? – ela sorriu ao vir em direção a mim, me estendo a mão animadamente – Shima falou tanto sobre você que eu sinto que já o conheço... pode me chamar de Mayumi.


–Falou sobre mim é? – eu indaguei num sorriso ao olhá-lo de lado, correspondendo educadamente à energética mulher de aparência infantil que me cumprimentava.


–É Mika-chan, não é? Posso tocar? – perguntei ao apontar a barriga volumosa e ela assentiu rapidamente – ela chuta muito forte, vai ser pior que a mãe hiperativa quando nascer – sorriu.


E eu sorri de volta ao colocar meus dedos sobre tecido na protuberância avantajada, sorrindo bobamente quando senti de fato um chute contra meus dígitos.


–Oh! Vai jogar futebol – brinquei ao sentir outro chute e Mayumi-san gargalhou exageradamente.


Aquela mulher, era mesmo a mesma mulher da qual Kouyou havia me contato a história? Ela parecia tão nova e tão feliz para ter passado por tudo aquilo.


–Shima, quero você fora de casa essa noite de novo – Mayumi retomou assim que eu retirei minha mão de sua barriga e só então me dei conta de que Kouyou estava no balcão ali perto, parecendo cortar algo e comer.


“Argh... devia tê-lo levado para comer algo, é claro que ele estaria com fome...”



Me censurei mentalmente e me adiantei até ele, observando-o se mover com naturalidade no espaço pequeno.


–Eu só dormi um dia em casa e você já está me querendo fora? – ele censurou em humor, se movimentando para pegar uma frigideira e jogando um pouco de óleo nela, só então voltando a sua posição inicial e quebrando ovos – gosta de omelete Yuu?


–Sim – assenti, meio surpreso com o quão rápido ele fazia tudo num ambiente totalmente conhecido por si.


–Você sempre passou muitas noites fora, então eu acabei marcando todos os chás de bebê aqui– Mayumi contestou em um bico.


–Você já teve dois chás de bebê essa semana, quantos mais pretende fazer? – Kouyou sorriu.


–O suficiente para ganhar coisas necessárias para nossa Mika-chan até que ela complete cinco anos de idade – a mulher de feições infantis respondeu, parecendo empenhada em se pendurar no balcão em frente à Kouyou – foi você quem me disse que o investimento feito num chá de bebê com coisinhas simples é cerca de dez vezes menor do que o que se recebe de presentes e coisas neles... por isso eu preciso de muitos, e foi você quem me apresentou amigas também, amigas conhecem amigas que conhecem amigas sabia? Conheço muitas garotas e quero muitas coisas para a nossa Mika-chan...


–Eu falei que não vou deixar faltar nada para ela – Kouyou censurou, parecendo meio ofendido com as palavras da baixinha.


Era diferente vê-lo daquele jeito, mas... era adorável, extremamente adorável.


–Você já tinha seus próprios planos antes de eu chegar e bagunçar tudo, já usou parte de sua poupança comigo e nem sequer trabalhar eu pude para te ajudar, não vou te deixar desistir de suas ambições e dos seus sonhos por mim e por nossa Mika, ela também não vai gostar disso – a pequena contestou em seriedade, e só então de fato aquela mulher parecia realmente ser uma adulta — ... eu também tenho o meu orgulho...


Kouyou a mirou cuidadosamente e uma conversa muda de olhares entre eles pareceu se passar.


Me reprendi pela pontada de ciúme que me atingiu e pretensiosamente me meti na conversa.


–Kou vai dormir lá em casa – falei rapidamente – fique despreocupada, não vou deixa-lo atrapalhar você e suas amigas.



–Obrigada Shiroyama-san – ela veio animada e saltitante para me abraçar, e eu a correspondi, cuidadoso em não pressionar a barriga grande – e... cuide bem desse cara aí – ele falou baixinho ao puxar meu pescoço para baixo e igualar nossas alturas — ... ele merece tudo de bom no mundo, sim?


Assenti numa feição séria e firme e ela abriu um sorriso novamente.


–Mas pelo que ele me contou sobre você, tenho certeza de que você vai – Mayumi assentiu num sorriso calmo – quero vocês fora em trinta minutos, e Shima, deixa um pouco dessa omelete para mim, vou tomar um banho – ela ditou rapidamente enquanto volta para o corredor estreito e vi Uruha bufar humoradamente de lado antes de jogar a primeira mistura de ovos batidos e recheio dentro da frigideira.


–Ela é meio estabanada, mas é adorável não acha? – questionou em minha direção.


–Ela parece nova demais, quantos anos ela tem? – questionei em curiosidade.


–Vinte e oito, sempre teve essa carinha e corpinho de menina mesmo – ele respondeu – devia ver a facilidade que ela tem para fazer amigos, apresentei apenas duas garotas e de repente o club, junto com os vizinhos e o bairro inteiros estavam me perguntando como minha “esposa e filha” estavam – sorriu – foi complicado até explicar para todo mundo que não éramos casados, caso contrário me linchariam quando me vissem com minhas clientes.


–Ex-clientes – corrigi ao enlaçar sua cintura por trás, mantendo uma distância respeitosa entre nossos corpos, mas apoiando meu queixo em seu ombro enquanto ele virava a omelete com a ajuda de uma espátula – você é meu cozinheiro particular agora.



–Seu cozinheiro particular não deveria estar dormindo na sua casa ... — o comentário meio ácido veio em cheio e eu torci a cara numa careta.



–Meu cozinheiro não, mas fora do expediente ele também é meu namorado e eu gosto que meu namorado durma na minha casa – argumentei em aceitação de desafio.


–Ainda que seu namorado não consiga transar com você e você obviamente o queira assim? – ele retrucou, demonstrando um tom meio amargurado, só então percebi que... Kouyou não estava chateado comigo por aquilo, parecia mais... chateado consigo mesmo....


“Não acredito....!”



–Seu bobo... – censurei ao suavizar meu tom, apenas um suspiro – apenas dormir com você perto de mim já o bastante...


–Até quando? – ele questionou em seriedade, virando o rosto de lado apenas um pouco após colocar em um prato e primeira omelete já feita.


–Até quando eu e você, juntos, decidirmos que precisamos e que estamos prontos para mais –respondi firmemente e ele calou por um segundo, voltando a jogar mais dos ovos batidos na frigideira antes de colocar o recheio e voltar a cozinhar.


–Vamos comer e ir embora, antes que Mayumi-san nos expulse – eu sorri em intenção de aliviar o silêncio incomodo e ele apenas respondeu com um “Hun!”.



No caminho para casa recebi uma ligação de Takanori, reclamando estressado por eu não ter dado notícia, sorri em gozação e passei o telefone para Kouyou enquanto continuava a dirigir, ele sim parecia a pessoa adequada para lidar com alguém esquentado como aquele baixinho.


–Ele disse que é melhor você aparecer no trabalho amanhã, que seu chefe estava enchendo os ouvidos dos diretores contra você ... – Uruha falou assim que desligou o celular — ... você não devia ser tão negligente com seu trabalho...


–Meu chefe também dormia com Akiyou – o interrompi ao entrar na garagem subterrânea do meu prédio — ... eu não quero mais trabalhar naquele lugar, se não fosse Takanori e Akira provavelmente já teria desistido...


–Ah... – ele assentiu em compreensão.


Sai do carro rapidamente e me apressei em ir até o lado dele antes que ele se levantasse, abrindo a porta com um sorriso no rosto, mostrando o quão feliz eu estava por ele ter aceitado – meio a força, mas tinha aceitado – dormir em minha casa.


–Talvez eu também abra um negócio e seja meu próprio chefe – dei de ombros – nunca pensei direito nisso, capital e Know How eu tenho, só me falta a ideia... não quer compartilhar a sua? Podemos ser sócios...


–Acho que meu sonho de empreendimento não tem muito a ver com você – ele sorriu em gozação assim que adentramos um dos elevadores.


– Me fale, eu decido isso – ditei em fingido ultraje e ele sorriu, suspirando fundo a medida que os andares iam crescendo no visor digital.


–Acho que é meio óbvio, mas... eu quero abrir um restaurante... — ele começou num suspiro nostálgico e sonhador.


–Oh! Eu deveria ter pensando nisso... E como assim não tem nada a ver comigo? Eu amo comer.– interrompi rapidamente me fingindo e ofendido e ele sorriu novamente.



– Eu gosto de cozinhar, mas não é esse o motivo de querer um restaurante é só que... eu acho que lugares que oferecem comida mágicos sabe? – continuou a falar, finalmente se soltando nas palavras — ... e eu quero fazer algo que possa fazer as pessoas se sentirem confortáveis, ... em casa... no começo quis muito fazer um restaurante junto com um café, mas quando consegui aprender o suficiente para fazer um orçamento prévio vi que iria ficar bem mais caro do que eu pensava e como eu não tenho nenhuma credibilidade para pedir empréstimos a bancos, eu teria que conseguir meu capital todo sozinho. Com o passar dos anos e dos semestres na faculdade eu fui reduzindo o projeto, ao menos de inicio vai ser mais simples, mas... no futuro planejo deixá-lo do jeito que eu sonhei inicialmente... com música ambiente e um mini palco para apresentações... não aquela coisa barulhenta como no club, algo mais aconchegante e...até mesmo adicionar espaço especial para crianças... bem, isso eu pensei depois que a Mayumi chegou, ela não é uma criança, mas pode apostar que quando a levei para sair pela primeira vez assim que tudo se acalmou ela me fez correr muito atrás dela. Até ela ver um monte de crianças brincando nesses espaços especiais de supermercado... “Pode ir fazer compras, vou ficar aqui treinando pra nossa Mika-chan” ela disse – sorriu tentando imitar a voz fina e eufórica da baixinha mulher que eu havia conhecido aquele dia — ... foi então que pensei que espaços assim são realmente úteis... – o conduzi para fora do elevador assim que chegamos ao meu andar, ouvindo com atenção tudo que dizia — ...quando eu era pequeno, meus pais tinham uma barraquinha de comida, antes do papai começar a... bem, eu a achava mágica, as pessoas sempre vinham animadas e mamãe sempre cozinhava muita coisa gostosa... ela dizia que um dia teriam dinheiro para abrir um restaurante bem grande e animado então... provavelmente esse seja o motivo de eu querer tanto abrir um... acho que falei de mais...eu te disse para não me dar papo, eu posso passar um dia todo falando sobre isso... –balançou a cabeça ao chegarmos em frente à porta do meu apartamento e eu digitar a nova senha de entrada no painel digital da porta, ouvindo as travas se soltarem a liberarem nossa passagem.



–Não, não falou.... quero saber mais... – ditei numa fingida expressão séria — ... já fez um Plano de Negócios? Pesquisou lugares, lista de fornecedores, estratégia de divulgação...? – questionei ao novamente conduzi-lo para dentro do imóvel, batendo a porta logo atrás. Passei por sua frente e me sentei no sofá, encarando-o numa forçada expressão analítica.


Ele sorriu.


–Eu fiz um Plano de Negócios, mas com certeza não está completo e... vou ter que atualizar muitas coisas até o dia em que for realmente colocar em prática – respondeu timidamente, tentando desviar seu olhar do meu e dessa vez fui eu quem sorriu.



–Me mostre – ditei ao estender as mãos.


–Por quê? – ele recuou numa adorável expressão receosa. E eu achei completamente meigo o modo acuado com o qual ele segurou a mochila em um dos braços.


–Não seria normal mostrá-lo a seu possível sócio? Quero dar uma olhada, ora – rebati em uma quase perfeita atuação de mim mesmo no trabalho e ele me olhou meio estreito.


–Você quer mesmo ver? – perguntou.


–Me mostre logo Takashima-san – ordenei, ele abriu um sorriso completamente radiante antes de se sentar sobre os joelhos ao meu lado no sofá, como se fosse uma criança pronta para mostrar seu mais precioso brinquedo.


–Não ria muito, por favor, lembre-se que eu ainda não terminei a faculdade e que eu demoro aprender as coisas – estatuou assim que abriu um dos zíperes da mochila e retirou de dentro o notebook de uma marca desconhecida para mim, ligando-o e abrindo algum documento na tela antes de virá-lo em minha direção.


Peguei o aparelho no colo e dediquei minha atenção ao arquivo que mostrava exatamente o sonho daquela pessoa maravilhosa sentada ao meu lado. Sorri quando percebi coisas tão típicas dele e ao ler parte do amontoado de palavra, números e gráficos me senti desvendando mais um pouco sobre Takashima Kouyou...


–Você de fato tem talento... – assenti num sorriso orgulhoso, dava para ver o esforço a o trabalho colocado naquele projeto, tão bem detalhado e planejado... afinal era o sonho dele... – me ganhou, vou investir nisso, e quero que adiantemos seu planejamento de crescimento para a inauguração, se vamos abri-lo vamos abri-lo completo assim como você sonhou no começo...



–Yuu... não precisa fazer isso, esse não é o seu sonho... – ele repreendeu num sorriso calmo ao tomar o notebook de volta.


–Não sei se é, eu não tenho um sonho... – respondi sinceramente — ... mas sei que não quero ficar mais onde estou e ser meu próprio chefe e dono de um empreendimento tão promissoramente rentável assim me parece extremamente vantajoso, sabe....


–É um investimento muito alto ... – voltou a tentar argumentar e dessa e eu o cortei novamente.


–Kou, não entenda isso como ostentação, mas só esse apartamento cobre quatro vezes seus orçamentos... Não se preocupe com o capital que eu vou investir, sim? – sorri — ... além disso, sou seu sócio, não seu acionista, é claro que irei estar a frente e ao seu lado em tudo, por isso... deixe as projeções de custos e as estratégias de divulgação para mim, tudo bem?



–Por quê? As minhas não estão boas? – ele perguntou, parecendo finalmente dar o braço a torcer e se preocupar com alguma possível critica minha.


Sorri em fingida prepotência.



–Você foi bom Takashima-san... mas eu sou melhor – provoquei notavelmente em humor e ele gargalhou antes de colocar um bico de fingida ofensa.



–Desculpe se eu não trabalho numa big empresa e não sou formado e especializado em trocentas mil coisas – deu de ombros, abrindo um sorriso travesso logo depois.



O abracei pela cintura e depositei um beijo em sua bochecha, aninhando-o entre meus braços. Ele sorriu e rodeou o meu corpo, levando os dedos ao meu cabelo, dedicando um carinho ali. Grunhi em dengo e o soltei apenas para deitar minha cabeça em suas pernas, deixando-o me mimar mais um pouco.


–Você... é muito manhoso – ele provocou.


–Sim... – assenti – e você é muito incrível.... – abri meus olhos e encarei suas íris.


Tive a felicidade de novamente vê-lo corar e desviar o rosto, gargalhei discretamente com isso e voltei a me aconchegar.... aquele lugar, aquelas mãos... aquele cheiro e aquele sentimento...


Parecia que era por aquilo que estive procurando minha vida inteira.


Se eu o tivesse conhecido antes... teria sabido reconhecer que minha felicidade estava ali?



–Amanhã tenho que ir falar com o meu conhecido no departamento de polícia depois da aula, passar lá em casa para ver a Mayumi, fazer compras.... – ele começou a sussurrar baixinho num suspiro ao se deitar sobre meu braço na cama e eu não demorei em aconchegar o corpo dele a mim.



–Me mande uma mensagem quando for ver o seu conhecido, eu tiro meu horário de almoço nessa hora e vou com você, nem adianta contestar – me adiantei ao saber que ele provavelmente argumentaria – afinal é de meu interesse também, certo?


Kouyou sorriu de lado e liberou um fingido resmungo de “Você quem manda chefe”.


–Bom garoto – assenti em humor – e compre coisas pra cá pra casa também, pegue meu cartão, a senha de números é 9811... ah, amanhã quando acordarmos eu te dou ... – bocejei em cansaço e ele sorriu em divertimento.



–Sim, sim, chefinho – provocou novamente, se deitando de lado e aninhando o rosto perto do meu pescoço. Senti a respiração quente ali e meus pelos se arrepiaram numa sensação gostosa. Com minha mão livre trouxe seu queixo para cima e dediquei um selo nos lábios pequenos e macios com o intuito de ser um beijo de boa noite, porém senti seus dedos finos na minha nuca e me senti tentado a pronunciar minha língua para dentro de sua boca, coisa que fiz impulsivamente.


Kouyou enlaçou sua língua à minha, meus dedos livres involuntariamente descendo até sua cintura esbelta, apertando a pele coberta pelo tecido macio de uma regata. Minha boca se descolou da sua rapidamente, descendo por sua mandíbula até seu pescoço, salpicando um beijo abaixo da orelha numa fraca intenção de findar nossas carícias ali, mas...


–Hum... – ele gemeu manhoso contra o meu ouvido. Meu corpo todo se acendeu... uma resposta positiva a algum carinho meu era... tão bom...


Continuei pressionando meus lábios contra a tez alva dali, meus dígitos em sua cintura se movendo sem eu notar, minha mão embaixo de sua cabeça, se curvando até suas madeixas da nuca e puxando-as para liberar mais o caminho para a minha carícia.


–Bom... – ele grunhiu e eu senti seus dedos direitos em minha cintura também. Voltei minha boca para a sua e a invadi num beijo afoito e apaixonado, que de inicio ele correspondeu em mesma intensidade.


Meu corpo foi impulsivamente se virando contra o dele, eu não soube realmente em que momento eu havia ficado por cima, mas as pernas macias e longas e abriram meio trêmulas para me permitir me encaixar. Estava tão embriagado pela hipótese de estar satisfazendo-o em algo que demorei perceber a rigidez de seus músculos quando colei meu quadril ao seu... Só fui me dar conta quando seu corpo começou a tremer compulsivamente e suas mãos que antes me abraçavam começaram a me empurrar impulsivamente para cima.


Despertei de minha empolgação e me projetei para me descolar dele, foi quando, ainda que tremesse como louco, Kouyou obrigou seus dedos a me puxarem mais, me colando tão fortemente a si que chegava a ser doloroso.



–Kou... – tentei falar, mas um rosto de olhos cerrados e cenho franzido em dor tomou minha boca na sua, me impedindo de continuar.


Seus músculos estavam tensos e trêmulos, ele parecia querer gritar contra os meus lábios e ainda assim se forçava a me manter colado a si com um notável conflito interior.


Por que fazer aquilo? Por que se forçar àquilo?

Eu não queria que ele se obrigasse a fazer amor comigo.... Eu nuca quis obrigar ninguém a me amar...


“Não assim...”


Rolei para o lado, na intenção de fazê-lo fraquejar seu aperto em mim, mas seu corpo veio junto e irremediavelmente acabei deixando-o por cima. Estranhamente minhas pernas se abriram para acomodá-lo quando o peso discreto dele se fez presente e foi ao sentir a ereção rígida dentro de seu moletom contra a minha coxa que um estalo receoso inundou a minha mente.


–Kou... – murmurei assim que seus lábios pararam de se prensar contra os meus — ... não.... – tentei falar, mas o gemido ofegado contra o meu pescoço me interrompeu. Minhas palavras se calaram e o conflito entre o medo e o receio de continuar com aquilo e a satisfação onírica de tê-lo desfrutando do ato se tornou uma guerra feroz em minha cabeça e corpo.



Era claro que eu sabia como dois homens faziam... podia não conhecer nada de como agradar um outro cara, ou de como era a forma mais prazerosa de se conduzir tudo, mas... a parte principal era bem óbvia para qualquer retardado no mundo. E eu... não estava preparado para aquilo.... eu não estava, mas... se esse for o único modo de agradá-lo e não machucá-lo ....?


Eu não estava preparado... eu precisava de tempo para pensar naquilo.... Se eu iria assumir aquele “papel” eu... precisava de tempo...


Mas...



–Hum... – ele gemeu ao começar a de friccionar contra a minha virilha e ao mesmo tempo em que a tensão em meu corpo cresceu eu fui aquele que me forcei a dar fim em todos os conflitos dentro de mim e o abracei... com força... se eu estava agradando-o ... se eu era capaz de satisfazê-lo de algum modo...



“Merda...”


Xinguei mentalmente ao forçá-lo a levantar seu rosto de meu pescoço e tomar sua boca na minha novamente, me repetindo várias vezes que tudo estava bem, e que eu havia decidido estar em um relacionamento com ele, com outro homem... eu havia decidido, não havia o que temer....



Seu quadril se encaixou perfeitamente entre minhas coxas e foi quando sua mão desceu para o meio das minhas pernas, tocando minha ereção, que seu corpo voltou a tremer, seus lábios saíram dos meus e Kouyou se forçou mais alguns segundos a me tocar antes de se levantar rapidamente, descolando nossos corpos e se sentando sobre os joelhos.


Liberei um suspiro, que não soube dizer se foi de resmungo ou de alivio, me apoiando em minhas mãos e levantando meu tronco para mirá-lo.



–Eu não consigo... – Kouyou murmurou de cabeça baixa — ... eu quero, eu... eu quero muito, mas... sentir ... isso perto de mim, me assusta...


Demorei alguns segundo para compreender suas palavras, assentindo compreensivo ao entendê-las bem.



–Está tudo bem Kou... – comecei após respirar fundo — ... está tudo bem...



–Não, não está... – me interrompeu ao virar os olhos lacrimejantes em minha direção — ... eu nunca dormi com alguém que eu amo na minha vida... por que justamente quando encontro essa pessoa é a única que eu não consigo me entregar? Não é justo... eu quero te satisfazer em mim, eu quero me satisfazer em você... Merda..... eu estou duro, eu te quero e ainda assim... – rugiu ao bater os punhos contra o colchão, só então deixando suas lágrimas finalmente caírem. Meu peito se apertou e eu não sabia exatamente o que fazer e o que dizer — ... não é justo... meu corpo já foi de tantos homens por quem eu não tinha sentimento algum, já fiz tantas mulheres que eu jamais poderia amar minhas ... por que eu não posso fazer amor com a pessoa que eu amo? ....Você não tem que suportar isso... essa coisa quebrada e ridícula que eu sou....


–Não ouse se depreciar na minha frente – rugi em indignação – eu não quero que você se obrigue a me dar prazer e muito menos que finja gostar... eu não quero fingimentos e nem obrigações Kou, tem que ser bom, tem que ser bom pra você... – continuei a rugir em firmeza – ... eu não quero que se obrigue a isso, não quero te deixar infeliz... então, por favor, não se deprecie na minha frente e nem tente se forçar a nada antes que realmente isso não te machuque mais. Eu tenho tempo, eu preciso de tempo também, não precisamos apressar ou correr com nada... – suspirei em desistência ao não receber nenhuma reação sua e decidi me levantar de uma vez, precisava dar um jeito naquele membro duro entre minhas pernas -... eu vou ao banheiro...


–Não... – ele finalmente reagiu, sua mão segurando meu pulso e me impedindo de andar para longe da cama.


Kouyou então limpou suas lágrimas e andou um pouco de costas sobre os lençóis, retirando a camiseta regata e jogando-a para o lado, sentando-se sobre o colchão para retirar o moletom escuro, também se livrando deste e mostrando o corpo esbelto e completamente nu para mim. A ereção rosada e rígida, a pele completamente branca com, agora de perto eu percebia, alguns riscos vermelhos discretos pelo peito, os mamilos pequenos e eretos...


Meu membro pulsou e eu o olhei em interrogação. Por que ele tinha feito aquilo?



–Não sei se para você é provocante, mas deixe-me ao menos te ajudar a se masturbar... – a voz rouca e baixa saiu de sua garganta e eu continuei ali, de pé, parado ao lado da cama, sem compreender bem o que ele queria dizer com aquilo enquanto minha ereção urgia por alivio – contanto que eu não o toque... não machuca... então... se não for muito torturante ou broxante para você... – continuou ao se apoiar rapidamente nas mãos, levantando os joelhos e separando as pernas, se expondo. Kouyou levou uma das mãos ao membro ereto, acariciando a ponta úmida e gotejante com cuidado, demonstrando bem lentamente o prazer que aquilo o causava. Meu corpo se tornou larva e os shorts folgados que eu usava machucavam — ... se toca pra mim Yuu... ao menos isso eu posso fazer ,então... se toque... – os olhos chocolates se fixaram em mim — ... e me assista...


Entrei em transe e apertei meu membro por cima da roupa, as íris dilatadas me hipnotizando enquanto eu lentamente voltava à cama, me ajoelhando na extremidade oposta a si, perto da cabeceira. Por um momento talvez eu tivesse esquecido que Uruha de fato havia vivido uma vida “daquele ramo”... é claro que saberia seduzir, encantar e excitar como ninguém...



–Tire a camiseta –ordenou, descendo os dedos finos por sua ereção molhada com leveza, mordendo o canto do lábio inferior assim que eu levei minhas mãos a barra da camiseta leve que eu, em intenção de obedecê-lo. Deixei o tecido de lado e não demorou muito para ele ditar outra ordem – se livre dessa calça, não maltrate mais sua excitação.


O obedeci novamente, e dessa fez ele fechou os olhos assim que minhas calças abaixaram o suficiente para revelar o sexo rígido entre minhas pernas...

Kouyou de fato... tinha algum trauma em relação aquilo....


Por um breve momento desejei não possuir aquela parta íntima que tanto lhe assustava... mas...


–Desculpe não te olhar... – a voz baixa e ofegada pediu, e eu mirei seu tronco se abaixar e ele encostar suas costas nos lençóis, colocando o teto no foco de sua visão, abrindo mais as pernas e deixando sua entrada visível aos meus olhos.


Tive ímpetos de me ajoelhar e me encaixar ali, mas algo em mim me manteve completamente parado... medo? Receio? O fato de saber que isso o aterrorizaria?


Podia ser uma mistura de tudo.


Levei meus dedos à minha ereção e separei minhas pernas enquanto encostava minhas costas na cabeceira, respirando... atento ao corpo exposto, aos dedos finos no falo duro, a entrada rosada pulsando discretamente.


–Yuu... – um gemido que se transformou em choque elétrico por meu sistema, o pré-gozo já inundando a extensão do meu membro enquanto eu o felava ainda lentamente — ... chama meu nome... Yuu...


–Kou... – o chamei num tom tão desejoso e excitado que nem eu mesmo sabia que algum dia poderia ter uma voz tão luxuosamente necessitada desse jeito.


–Ah... – ele gemeu, agilizando levemente sua mão em seu íntimo e a minha no meu membro acompanhou seu ritmo em impulso — ... você... me ama?


–Com todas as minhas forças... – respondi impensadamente, incapaz de desviar meus olhos, completamente focado nele, no prazer, no calor, no desespero pelo ápice — ... eu amo você... com todas as minhas forças...



–Yuu... – mais um gemido rouco, e as pontas dos dígitos apertaram sua glande, impedindo seu clímax precoce em autocontrole — ... goza pra mim... – um timbre erótico e os dedos da mão esquerda serpentearam por sua virilha, passando pelo escroto modesto, tocando a região rapidamente antes de descer para o períneo e estimular ali — ... você gosta?


–Ah... merda... – xinguei impulsivamente ao ter uma fisgada intensa no meu baixo ventre, minha mão se agilizando de modo involuntário sobre minha ereção – Kou... – o chamei desesperadamente quando vi seu indicador se pronunciar ao redor do anus contraído, massageando em volta enquanto os dígitos direitos também aumentavam a velocidade em seu membro.


–Yuu... – seu corpo se arqueou numa parábola invertida, seus pés se apertando nos lençóis e as pernas se abrindo mais enquanto a caricia em volta da entrada pulsante continuava — ... goza pra mim... Yuu...


Não foi necessário mais nada, o líquido esbranquiçado saiu em jatos, minha mão continuando o vai e vem frenético pela extensão que começava a se amolecer sedento por prolongar o nublar de minha mente e o foco atônito dos meus olhos no corpo alvo que voltava a se deitar no colchão, enquanto os dedos rápidos se misturavam ao rosa da ereção molhada pela velocidade da carícia e um gemido longo e rouco chamava meu nome assim que o gozo fino e claro era expelido para fora.


Demorou alguns minutos para a minha respiração se regular e quando esta se regulou minha mente ainda não tinha completamente se acomodado dentro de meu cérebro, mas meu corpo agiu por instinto quando engatinhou até o corpo deitado, se colocando por cima de suas pernas, deixando-as entre o arco das minhas e de meus braços.



–Não... –ele se retesou e seu corpo voltou a tremer enquanto as iris chocolates se desesperavam por medo de minha ação.


–Calma... – eu sussurrei – eu não vou te machucar... – garanti, e ainda que ele não tenha demonstrado se acalmar com minhas palavras eu desci minha boca até os pingos de sêmen em sua barriga, provando da semente dele num ímpeto estranho... eu era algum tipo de pervertido? Como eu pude achar aquilo gostoso?



–Hum... – ele gemeu baixinho, os dedos sujos indo para os fios de meus cabelos, apertando-os singelamente enquanto guiava minha língua e meu rosto mais para baixo – ah... – um gemido mais alto assim que eu limpei a glande úmida ao chupá-la levemente, causando um estremecer modesto no membro já flácido e esgotado.


Levantei meu tronco e mirei as íris chocolates para mim... um sorriso eroticamente amplo nos lábios pequenos... uma mordida provocante no canto... satisfeito? Eu tinha mesmo o deixado satisfeito ainda que não tenha feito nada?



Provavelmente meu sorriso de retorno deve ter sido visualmente muito bobo, pois uma gargalhada saiu de sua garganta e ele se sentou repentinamente, tomando minha boca na sua num selo molhado.



–Gostoso... – um grunhido grave — ... você... é muito gostoso... – os dedos finos enlaçaram meus fios curtos novamente, puxando-os com força para um lado, expondo meu pescoço enquanto ele mordia a região próxima à minha nuca, provavelmente deixando marca pela dor fina da pressão dos dentes ali — ... e meu... você é meu... – o sussurro contra o meu ouvido. Fechei meus olhos para desfrutar do inflar que aquilo mandou para o meu ego... e também sorri... sorri ... completamente satisfeito.


–Você quem manda chefe – respondi ao lembrar de sua brincadeira mais cedo e ele voltou a gargalhar.


–Bom garoto – assentiu antes de tomar meus lábios nos seus mais uma vez.



Ainda que tenhamos que tomar banhos separados, Kouyou se deitou novamente ao meu lado, sobre meu braço e nós nos abraçamos enquanto esperávamos o sono chegar, para enfrentar mais um dia complicado numa semana turbulenta... ainda assim... naquele momento, com ele entre minhas mãos e eu entre as mãos dele... aquele lugar, aquele cheiro, aquela sensação boa e aquele sentimento...


“É de fato o que eu estive procurando durante toda a minha vida... “


“Esse é o seu lugar... o meu lugar...”



Notas finais
É isso aí, só falta um =]
Que vou tentar trazer o mais rápido possivel.
Bem, como todos sabem o Nyah irá excluir a categoria bandas até o final do ano... àqueles que perguntaram o que eu irei fazer após isso, peço para que leia meu perfil, pois coloquei lá as instruções do que fazer, caso queiram os arquivos de alguma fic minha.
E foi por causa disso que demorei, passei um tempo salvando as fics e enviando para leitores que já haviam me pedido pelo twitter, depois fiquei sem tempo devido a coisas repentinas no meio da semana em relação ao trabalho e a faculdade (além de provas). Peço desculpas novamente
=/
Mas voltando à fic.... isso pode ser contato como lemon?
*-* .... ahuahauhaua
Brincadeira, tem um inteiro no próximo (spoiler)
Se divirtam!
beijos!