Adultério
4 Capitulo 4 - Confissão
Notas iniciais
Espero que gostem
Betado por Takashima Azumi =]
Oie Gente,eu Azumi invadindo aqui,boa leituraaa *-*
Capitulo 4 — Confissão
Os lábios pequenos e macios, a respiração ofegada e o gruído baixo...
Não acredito que eu o beijei.
Um homem... um garoto de programas. O cara que eu paguei para dormir com a minha mulher...
–Yuu-san? – despertei da lembrança da semana passada, só então me dando conta de que Takanori provavelmente estivesse me chamando por um tempo considerável enquanto eu aproveitava para sonhar acordado e fumar em meu horário de almoço no terraço sem graça do prédio no qual trabalhava.
–Fale – assenti ao por uma feição mórbida e tragar mais da nicotina para os meus pulmões.
–Estão comentando... – o baixinho continuou, me lançando um olhar pesaroso... ele acreditava mesmo que eu cairia no teatrinho de amigo preocupado com as fofocas que circulavam pela empresa em relação a mim? “A época do Yuu idiota acabou” — ...que você descobriu sobre a infidelidade da sua esposa....
Gargalhei compulsivamente antes de jogar o resto do cilindro entre meus dedos no chão, pisando-o para que se apagasse.
–“Infidelidade” da minha esposa? – rebati em escárnio – não seja cínico Takanori, minha mulher deve ter dado pra metade dos homens dessa cidade, em especial para os dessa empresa pelo visto... inclusive você.
–Oe, porque eu comeria aquela vadia? Eu tenho bom gosto – o Matsumoto se prontificou em uma postura ofensiva e indignada.
Estranhamente meu corpo se moveu em reflexo para segurá-lo pelo colarinho da camisa social, levantando-o do chão num impulso impensado. Aparentemente, ainda que ela tivesse feito o que fez, algo dentro de mim ainda sentia o urgir de defendê-la.
–Ei, ponha-o no chão agora – ouvi a voz conhecida de Akira às minhas costas e olhei a feição franzida por cima do ombro antes de retornar o baixinho ao solo, ajeitando meu paletó e gravata.
Estranhei o modo protetor com o qual o Suzuki se adiantou para o pequeno, tocando-lhe o ombro e se certificando de que o outro estaria bem.
–Te disse para não se intrometer, se ele quisesse nossa ajuda ele mesmo viria nos pedir – Akira censurou o menor.
–Ele acha que a gente também comia a mulher dele, Aki, esse idiota nunca iria pedir ajuda pra gente – Takanori bufou ao me lançar um olhar terrivelmente enfadado.
Suzuki também me lançou um olhar semelhante e suspirou pesarosamente ao balançar a cabeça.
–Yuu, cara... – começou – você nos conhece desde que entramos aqui como estagiários, e isso faz quanto tempo? Dez anos? Somos seus amigos, como iríamos fazer algo assim?
–Primeiro: não me trate tão informalmente, eu ainda sou seu superior aqui, e; Segundo: até onde eu sei, eu não tenho nenhum “amigo”, já que estes “amigos” se não estavam comendo a minha esposa, estavam a par da infidelidade dela e não tiveram a decência de me avisar. Foi divertido rir da minha cara? Foi divertido caçoar do corno idiota aqui?Hein? Me diga... – minha voz se alterou sem que eu percebesse e por um segundo deixei explodir um pouco do bolo que ainda estava entalado em minha garganta.
Takanori abaixou a cabeça em aparente constrangimento, mas Akira manteve seus olhos pequenos sérios e focados em mim.
–Se você acha mais fácil culpar os outros por sua própria cegueira e fantasia sobre seu casamento, então tudo bem, mas tente fazer um levantamento racional das coisas, Shiroyama-san, como convencer um homem que colocava a esposa no mais alto altar de pureza e que jamais se aproximava dos “amigos” o suficiente, por dedicar-se exclusivamente ao casamento e ao trabalho, de que a vida dele não era nada perto de perfeita e de que sua mulher na verdade transava com o chefe, e com quem mais aparecesse na frente dela? – O Suzuki cuspiu em ponderação e seriedade — ...nós tentamos te avisar assim que Akiyou-san tentou flertar com um de nós há três anos atrás, mas você simplesmente não dava brecha para uma conversa, era sempre “Minha adorável esposa” , “Meu trabalho”, “Meu casamento”.... aceitamos o fato de que você preferia viver no seu mundinho fantasioso de felicidade, porque sinceramente... ela não se esforçava muito para esconder.
Um choque mental pareceu ter me acertado com aquelas palavras e ainda que no fundo eu quisesse negar e assumir de que eles também eram culpados de algo... eu sabia... eu sabia que o que Akira dizia era sem dúvida a coisa mais lógica que eu já tinha ouvido nos últimos dias...
“No final o culpado de tudo sempre fui eu mesmo...”.
Me permiti um breve momento de desconforto por aquela situação e a compreensão de estar em falta com aqueles dois atingiu meu peito de modo incômodo.... aparentemente, aqueles dois, eram de fato pessoas preocupadas comigo...
E eu havia os julgado mal.
Não podia me dar o luxo de perder as já inexistentes pessoas preciosas para mim.... eu não queria ficar sozinho... a solidão é... cruel demais.
–Desculpe... – pedi após respirar fundo e dar de mão do inútil orgulho que de algum modo eu ainda conseguia ter — ... eu... – tentei procurar palavras para argumentar uma explicação, mas também desisti disso... eu não conseguia achar nada.
–Está puto da vida com o mundo, a gente pode imaginar – Akira sorriu amigavelmente, erguendo a mão para bater de leve em minhas costas — ... pode deixar, nós somos seus amigos, entendemos que sua situação não é nada agradável, vamos relevar o fato de você ser um idiota... – provocou em humor e eu me peguei sorrindo de volta. Possivelmente aliviado por ainda poder contar com alguém no meio de tudo aquilo.
–Ao menos agora você vai dar mais atenção pros amigos – Takanori se pronunciou ao cruzar os braços – era sempre “minha esposa” pra cá “ minha esposa” pra lá... fala sério, me desculpe Yuu-san, sei que você é nosso chefe, mas às vezes você era um pé no saco.
Novamente sorri e me permiti desfrutar daquele momento leve de vexação comigo mesmo... estranho, mas... não doía, rir de minha própria ignorância não doía mais.
–Obrigado por ainda estarem aqui – assenti assim que voltei a me recompor — ... desculpe pela camisa Takanori – pedi ao notar a gola do tecido social com um pequeno rasgo.
–Ah, tudo bem, você vai me comprar outra depois – o baixinho assentiu de modo firme, dando de ombros, e eu e Akira sorrimos divertidos com a “ordem” dele para mim.
Takanori sempre foi o tipo de pessoa que naturalmente emanava autoridade... tinha esquecido que fora aquilo que me fizera contratá-lo para o departamento no qual eu trabalhava, junto com Akira, logo depois que venceram seus contratos de estágio.
Como eu havia esquecido uma história tão antiga? Será que eu nunca tinha dado atenção àquilo? Será que eu nunca tinha reparado nos meus ditos “amigos” realmente?
– Vamos sair hoje à noite para beber – o Suzuki estatuou de forma animadora e eu tive que sorrir da jovialidade que ele transmitia ao fazer aquilo. Aquele homem não era tão mais novo que eu... já devia ter completado seus trinta e parecia um adolescente perto do meu “humor” atual....
“Trinta anos neh...”
–É sexta-feira – balancei a cabeça em negação – todos nós temos que vir trabalhar amanhã.
–Cara... eu e o Taka marcamos nossa folga para amanhã, marque a sua também e emende com o domingo como a gente, combinamos de ir ver aquela competição de carros.
–Marcar folga depois das últimas semanas e com o chefe do departamento apenas esperando qualquer coisa para me difamar ainda mais? – questionei numa leve risada, sem humor negro ou ironias, apenas...falando.
–Yuu-san, você sempre mandou mais naquele departamento do que ele, ele é só um idiota baba-ovo dos diretores, mas você ainda assim é o preferido da diretoria, ele pode fazer o que quiser, mas é você quem consegue os contratos milionários e é você quem vai ser promovido para assessor mês que vem, com fofocas, sem fofocas... é simplesmente óbvio que a empresa jamais abriria mão da galinha de ovos de ouro dela, e essa galinha é você – Takanori estatuou em seu tom altivo de sempre e novamente eu gargalhei em diversão.
–Eu sou uma galinha? – inquiri em provocação.
–Você me entendeu – ele rebateu ao rodar os olhos e mais uma vez eu sorria, sorria como há muito tempo não fazia...
–Vamos sair hoje à noite – assenti.
–Geralmente ela quem flertava com quem a interessava, mas isso de dormir com o chefe do departamento foi totalmente iniciativa dele... – o Matsumoto falava em tom baixo antes de virar um pouco do copo de alguma mistura doce de bebidas em suas mãos — ...ele praticamente implorou, porque querendo ou não... aquele cara não é nada atraente ...
Eu sorri, já me sentindo meio alto depois do quinto copo de conhaque... estranhamente falar dos amantes de minha ex-esposa não me causava mais nada a não ser boas crises de risadas.
–Ela não vai levar nada, não é? Me diga que você não vai deixá-la com nada – o baixinho questionou em impaciência em minha direção e eu novamente sorri com o quão ele parecia mais revoltado com a minha situação do que eu mesmo no momento.
–Meu advogado deu entrada nos papéis no sábado, eu contratei um detetive e consegui fotos dela com alguns amantes, além de uma prova em vídeo da traição ... meu advogado disse que provavelmente, se eu quiser, possa até pedir indenização por danos morais, mas eu só quero que ela não leve nada do que trabalhei para conseguir mesmo – respondi a inquisição do menor entre risos alternados, parecendo deixá-lo parcialmente satisfeito.
–Eu tirava até a roupa que ela usa dela... mas assim já está bom — Takanori deu de ombros e eu e Akira nos entreolhamos antes de cairmos na gargalhada, talvez não fosse apenas eu que já estivesse alto ali.
–Não riam, eu estou falando sério – o menor bufou em enfado.
–E eu não sei? – o Suzuki rebateu ao mirar o pequeno com olhos um tanto quanto curiosamente brilhantes.
Quando aqueles dois tinham se aproximado tanto assim? Me lembro que tinha tido um trabalho considerável em entrosá-los assim que os contratei para a minha equipe justamente por eles não se darem muito bem.
–Vocês... estão bastante próximos... – pontuei meu pensamento, a bebida fazendo seu efeito em inibir minhas restrições.
–V-você acha? – Akira gaguejou ao virar seu olhar em minha direção e parecer estranhamente nervoso com minha fala.
–Não me digam... – sorri ao levar mais um gole goela abaixo... — ...tanta briga no começo acabou revelando que na verdade os dois se amavam e hoje vivem felizes para sempre... FIM – brinquei ao me deixar acometer por uma gargalhada, chamando um pouco da atenção dos clientes mais próximos do bar parcialmente cheio.
Estranhei quando não fui acompanhado pelas risadas e ainda que estivesse provavelmente embriagado, algo de raciocínio se fazia presente em minha cabeça. Parei se sorrir e liberei uma tosse rápida, mirando as feições sem graça dos dois, arqueando uma sobrancelha em curiosidade.
–Não me diga que é mesmo isso... – inquiri num tom baixo e discreto, olhando ao redor para me certificar que não haviam intrometidos ouvindo nossa conversa.
Akira e Takanori trocaram um olhar longo, daqueles olhares que parecem ser um diálogo mudo que apenas poucas pessoas conseguem ter... e eu me permiti estatuatificar enquanto esperava uma resposta.
Aparentemente o Matsumoto foi aquele a finalizar a decisão e se pronunciar.
–Algo como isso... – Takanori assentiu ao meu questionamento e eu apenas me mantive imóvel, deixando claro minha surpresa com aquilo- ...não planejávamos esconder de você, até porque de certo modo foi você quem nos “uniu”, e apesar de nossa relação chefe-subordinado, sabíamos que você acabaria entendendo e não nos discriminaria por isso, é só que...manter segredo é meio que procedimento padrão quando se tem um relacionamento deste tipo, muito mais no ambiente de trabalho, por isso... não nos leve a mal, e nem ache que estávamos te enganando ou algo do tipo.
Não sei quanto tempo passei absolvendo a informação, mas aparentemente aquilo não me chocou tanto quanto imaginei que chocaria. Apenas uma repreensão por não ter percebido aquilo antes, se fazia presente em minha mente... até porque... eu jamais fui preconceituoso com algo... apenas muito bem resolvido quanto a mim mesmo... ou não mais tão resolvido assim, já que...
“Uruha...”
O nome e a imagem dele surgiram em minha cabeça mais uma vez, como já havia surgido constantemente aquela semana, e eu involuntariamente sorri discreto.
–É melhor? – questionei ao sorrir para os dois a minha frente.
– O que? – Akira questionou.
–Se relacionar com outro homem... é melhor do que com uma mulher? – completei a pergunta e gargalhei baixo para o surpreso Takanori cuspindo um pouco de sua bebida para fora.
Akira tossiu nervosamente, e parecia incômodo em discutir sobre aquilo, mas ainda assim se prontificou a responder.
–Você quer dizer... afetivamente ou fisicamente? – o Suzuki inquiriu em constrangimento e eu deixei minha gargalhada se amplificar quando vi o menor desferir um tapa enfadado na nuca do maior.
–Afetivamente, a coisa física não importa para mim – respondi em divertimento – trauma pelo meu “péssimo desempenho” pelo visto – caçoei de minha própria falta de estima.
–Cara... você precisa transar mais, alguém dizer que tem trauma de sexo não é normal – Akira balançou a cabeça em negação – ...respondendo sua dúvida, chefe, depende do ponto de vista... eu e o Taka nos entendemos bem, mas às vezes dois egos masculinos juntos causam certos conflitos... – lançou um olhar aparentemente significativo ao menor que fuzilou o maior em resposta, me arrancando mais uma risada divertida — ... um dos dois acaba tendo que ceder às vezes e diminuir a imposição de macho alfa... mas o excesso de falta de ego masculino também dá um problema... – Takanori novamente desferiu um tapa, dessa vez mais forte, contra a nuca de Akira e meu estômago já estava se contorcendo de dor por tanto sorrir.
Aqueles dois sempre tinham sido tão divertidos assim?
–Por que a pergunta? Interessado em mudar de time? – o Matsumoto mudou o foco do assunto espertamente e eu me peguei sorrindo mais discreto, enchendo mais um copo de conhaque com a garrafa que havia pedido e misturando um suco qualquer junto com cubos de gelo.
–Talvez... – afirmei e sorri para os pares de olhos surpresos. Pelo visto eles não esperavam uma confirmação daquilo.
Takanori bateu palmas de modo lento e forte, balançando a cabeça em afirmação, como se estivesse orgulhoso de algo.
–Estou feliz por ter superado rápido o casamento mal sucedido, mas saber que é por outro homem me deixa mais orgulhoso ainda... – o pequeno sorriu — ...quem é? Nós conhecemos? – se curvou sobre o tampo da mesa, como se fosse uma criança pronta pra ouvir um segredo.
Sorri e balancei minha cabeça em negação, deixando o copo de bebida sobre o tampo de vidro e metal.
–Não... – respondi – ele...é o garoto de programas que eu contratei para transar com Akiyou e gravar um video para anexar às provas do processo.
Gargalhei para os rostos mais surpresos ainda com as minhas palavras e terminei de virar a bebida num gole só.
–Yuu-san... gostar de um prostituto é... – Takanori começou e eu lhe lancei um olhar censurador sem nem ao menos perceber.
–Ele não é “um prostituto”, ele é uma boa pessoa... faz isso porque precisa do dinheiro para abrir um negócio pelo que percebi — estatuei em enfado — ...por que o preconceito?
–Não, não é preconceito, mas é que pessoas desse ramo não são confiáveis... – Akira tentou argumentar, me deixando mais irritado ainda... Como assim eles estavam falando aquilo do Uruha?
Eles não o conheciam, não tinham o direito.
–Ora essa, para informação de vocês, assim que eu descobri sobre a infidelidade de Akiyou eu tentei me matar me jogando na frente do carro dele. Além de me salvar, ele ainda me levou em casa, um completo estranho suicida, porque eu não conseguia nem enfiar a chave na porta do carro de tão bêbado que estava – o interrompi, falando daquilo como se fosse um mérito de alguém a quem estimava muito... como se tivesse orgulho de Uruha ser tão absurdamente educado e cordial.
Não sabia se os silêncios e os olhares sérios deles eram por minha alteração ou por eu ter dito tão descuidadamente o fato de ter tentado me matar, mas foi estranho o modo como eles me fitaram e suspiraram sincronizados ao dar de ombros.
–E qual é o nome desse garoto de programas que pareceu sair maravilhosamente de um filme? – Takanori questionou e eu sorri para ele.
–Kouyou.... – respondi, o nome saindo com prazer e doçura dos meus lábios, desde quando meu peito se aquecia ao falar dele? – Takashima Kouyou... o chamam de Uruha, mas... o nome verdadeiro dele é Takashima Kouyou... – sorri bobo, eu provavelmente já estivesse bêbado demais – eu tenho mensagens dele aqui, querem ver? – questionei numa estranha empolgação ao tirar meu celular do bolso e espremer meus olhos para procurar o comando rápido de mensagens, entregando o aparelho para os dois.
“PS.: Eu realmente sinto muito por tudo, desculpe causar algum incômodo. Espero que esteja bem”
Akira leu em voz alta.
–Do que ele ta se desculpando? – perguntou.
–Ele, de algum modo, se sentiu culpado por eu ter pirado e chorado vergonhosamente quando o obriguei a me mostrar o vídeo sem edição de ele transando com Akiyou– sorri sem graça — ...fui eu quem pedi, fui eu quem o pagou para isso e ele tentou me dar todas as chance de desistir antes de chegar o dia, ainda assim Uruha sempre vinha educadamente me olhando como se pedisse desculpas ainda que não fosse culpa dele... ele é elegante e educado demais para ser o que é... ele é.. bonito, sabe falar bem, é sincero e bondoso... ele é tão ... perfeito... – suspirei, sentindo minha cabeça latejar em tontura e apoiando minha bochecha no tampo de vidro, suspirando audivelmente e sorrindo mais uma vez....
“Eu sou muito idiota...”
–Cara... acho que você está apaixonado – a voz de Akira chegou ao meu ouvido após alguns segundos de silêncio e eu novamente sorri, mais discreto...
“Ah... então é isso?...”
Fazia tanto tempo que eu havia me apaixonado – paixão esta dedicada à minha “adorável” ex-esposa – que provavelmente não soubesse como de fato era sentir isso...
–Não seja burro, Aki, ele conhece o cara há quanto tempo? Três semanas? – Takanori contestou — ... além disso o garoto é um prostituto... Yuu-san, ouça, você está confuso, muita coisa aconteceu e você está se sentindo perdido, você nem sabe se é capaz de estar com um homem... acaso você transou com ele?
–Não... – respondi, me tornando terrivelmente consciente do frescor do vidro gelado contra o meu rosto e exagerando em um bico enfadado — ... ele disse que não faz mais programas com homens há muitos anos... apenas mulheres...
–Vai ver o cara não gosta da fruta mesmo – desta vez reconheci a voz de Akira e de repente o semi reflexo de minha face contra o tampo da mesa tinha se tornado algo muito interessante, se tornando merecedor de meu dedo tintilar pelo vidro onde minha imagem era refletida – “consumidores” homens são bem mais fáceis de achar do que mulheres...
–Ele não odeia – censurei ao fechar meus olhos e respirar numa leve irritação. Por que eles continuavam montando estereótipos de Kouyou como se fosse simples assim? Kouyou não era nada dentro de nenhum padrão... ele era... especial... especial? – a gente se beijou... e ele estava correspondendo muito bem, mas... por algum motivo ele me empurrou e ficou me encarando como se eu fosse a coisa mais assustadora do mundo...- ergui minha cabeça para mirar os dois a minha frente, sentindo-a girar pela embriaguez — ... eu sou tão feio assim?
Era aquilo que eu escondia no fundo da minha mente?
Akira e Takanori sorriram e balançaram suas cabeças em negação.
–Yuu-san com certeza devia ficar bêbado mais vezes... tão fofo! – o Matsumoto comentou e eu estreitei meu olhar, tentando me lembrar se alguma vez já tinha me permitido estar tão vergonhosamente descomposto na frente deles...
Não... eu não tinha.
Aparentemente eu não tinha direito de chamá-los de “amigos” tanto assim... no final eu apenas havia lhes dado um título... e nada mais...
Sorri bobo com a vexação deles e levantei meu copo vazio para um brinde...
“Antes tarde do que nunca...
Estou feliz por ainda ter tempo de recuperar aquilo que não vivi...”
Os lábios pequenos e macios, a respiração ofegada e o gruído baixo...
Ah! se eu pudesse voltar naquele momento e não ter deixado-o ir...
–Kou-you
Um odor bom chegou ao meu olfato, um pequeno agrado antes da dor de cabeça me acertar em cheio e meu corpo protestar pela fadiga de uma ressaca.
Onde eu estava?
Senti o macio de um colchão em minha cabeça e costas, abrindo meus olhos com dificuldade e mirando o teto familiar... era o meu quarto e de Akiyou... não... agora era apenas meu... ela não tinha mais nada ali.
Quem havia me trazido? Eu havia dormido no bar? Akira e Takanori tinham me levado em casa?
Fiz grande esforço para me sentar, sentindo meu corpo se convulsionar em ânsia de vômito, mas não chegando a expelir a bile, aparentemente não havia nada no meu estomago. Provavelmente eu já tivesse vomitado antes? Eu não me lembrava.
Levei minha mão direita à testa, certo de que provavelmente um elefante deveria estar dançando flamenco dentro dela. Franzi o cenho e resmunguei pela dor, levantando meus olhos em linha reta... me surpreendendo ao identificar algo entre minha visão embaçada que começava a se focar.
Sentado em uma poltrona de leitura perto da porta de entrada do quarto, adormecido e largado como se não tivesse tido a intenção de dormir ali... estava ... ele.
Kouyou... Uruha...
O que ele estaria fazendo ali?
Não fazia a mínima ideia, mas tal dúvida não me importou, eu apenas me forcei a vencer o mal estar e me por de pé, andando devagarzinho para não cair e não fazer barulho enquanto me aproximava da figura elegantemente e belamente adormecida.
Ele realmente... é... perfeito...
Parei a poucos centímetros do corpo sentado e dediquei algum tempo apenas a olhá-lo dormir antes de tirar meus dedos direito de minha testa e estendê-los para tocá-lo. Deixei as pontas dos meus dígitos correrem muito levemente pela bochecha macia, chegando aos lábios pequenos... desde quando eu os achava tão atraentes?
“Cara... acho que você está apaixonado...”
Uma lembrança meio desfocada das palavras de Akira naquela noite passou por minha mente e instintivamente eu afastei minha mão de sua pele... assustado...
Poderia mesmo ser aquilo?
Eu estaria sentindo algo por outro homem... e por um homem como ele?
Continuei a mirá-lo, como se aquilo fosse me ajudar a compreender a confusão em minha mente e o calor em meu peito... era diferente de quando eu me apaixonei por Akiyou há dezoito anos atrás? Quando ela não passava de uma menina que acabava de completar 13 anos e eu era apenas um menino há poucos anos chagado de Mie , e por completar 16 anos de idade?
Voltei a pronunciar meus dedos para tocar o seu rosto, e desta vez não me importei de deixar minha palma acariciar sua bochecha, quando dei por mim já estava curvando meu corpo, fechando os meus olhos e direcionando minha boca à sua.
Um toque leve nos lábios macios... meu peito quente e minha mente se acalmando...
Podia mesmo ser paixão...
Podia até mesmo ser amor...
Senti a respiração funda contra meu rosto e abri meus olhos em tempo de ver os orbes chocolates dele se abrirem em susto, os braços reflexivamente me empurrando com força e fazendo o já tonto eu cambalear para trás e quase cair.
Uruha se levantou da poltrona, parecendo desorientado, olhando para os lados antes de parar os olhos em mim, não assustado, mas estranhamente receoso.
–D-desulpe – gaguejou em nervosismo – eu peguei no sono, foi sem querer... seus... amigos me ligaram e pediram para que o trouxesse, o porteiro me reconheceu do outro dia e ao te ver vomitando no hall de entrada me deixou subir.... eu, eu.. usei as chaves no seu bolso, eu não toquei em nada, juro, apenas te ajudei a vomitar e te coloquei na cama... – começou a explicar nervosamente, enquanto ia dando passos para trás, como se quisesse fugir — ...eu juro que eu não fiz nada, eu só fiquei preocupado se você daria febre e decidi esperar um pouco, mas a poltrona estava tão confortável que eu... eu juro que eu não fiz nada de mais, eu sei que você não deve estar querendo ver minha cara, eu sinto muito... eu vou...
–Kouyou – o chamei em um semi grito mais rude do que eu gostaria, mas a dor de cabeça não estava me ajudando a ser muito gentil e educado naquela hora.
Uruha congelou por um segundo, me fitando de modo sério.
–Isso não está certo Shiroyama-san... – ele falou em minha direção, parecendo ler algo em meu olhar — ...essa situação estranha e confusa... não está certa.
–Que situação? – questionei ao ousar dar um passo em direção a ele, e ele rapidamente recuou um passo também.
–Olhe, eu me descuidei um pouco ao cair no sono em sua casa, mas se você já está bem, eu acho melhor eu ir embora e...
–Fica – pedi ao segurar seu pulso num movimento rápido, apesar de meu corpo visivelmente reclamar, fadigado e dolorido.
Meus olhos voltaram a encontrar os seus e mais uma vez eu parecia demonstrar algo em meu olhar que provavelmente não era intencional, mas fizera-o parar momentaneamente e se desfazer de sua postura defensiva em um suspiro fundo.
Imperceptivelmente fui trazendo-o para mim de modo lento e gentil, e ele não mais se afastou ou me impediu, apenas me deixou passar meus braços por seu corpo e abraçá-lo em um enlace fraco que fora gradativamente se apertando. Por um momento me fiz ciente de que ele, apesar de magro, era alguns centímetros mais alto que eu e sorri, sorri singelamente antes de deixar que minhas narinas inalassem o cheiro gostoso de uma colônia masculina e eu me desse conta de meu peito já ter decidido e esclarecido tudo dentro de mim.
–Fica comigo Kouyou... – sussurrei contra seu cabelo.
Poderia ser apenas minha carência natural de um órfão recém-divorciado urgindo por algum sentimento... e nesse caso eu estaria sendo extremamente egoísta, mas... eu sabia que tinha algo mais... não passaria por cima de minha certeza quanto a minha sexualidade se fosse apenas carência... e eu não estava nem ao menos colocando aquilo como um fator desvantajoso eu... queria ser amado, eu queria amar... eu queria que desse certo...
–Por quê? – a resposta dele veio em um questionamento também sussurrado, e os braços dele em nenhum momento corresponderam à minha carícia.
–Porque eu me apaixonei por você... – respondi, apertando-o mais, acariciando minha face nos fios escuros enquanto desfrutava da sensação morna dentro de mim com um fechar de olhos — ...porque você me faz bem...
–Um prostituto que transou com a sua mulher? – ele inquiriu de forma ácida e ainda assim eu não recuei... por algum motivo ele era como um livro aberto aos meus olhos, eu sabia que ele estava se esforçando para me fazer desistir. Ora, se ele quer me fazer desistir significa que ele mesmo não se sente inclinado a me rejeitar, por isso precisa que eu seja o primeiro a negar que de fato, talvez desde o primeiro momento que tenhamos nos visto, de algum modo uma simpatia natural havia entre nós.
Talvez tenha sido ela que o fizera me levar em casa, talvez tenha sido ela que me fizera me lembrar dele quando o vi naquele clube... talvez tenha sido ela que me fizera confiar nele cegamente, e não seu “talento” em conseguir a confiança de pessoas... talvez tenha sido o aprofundamento dela que me fizera beijá-lo e provavelmente fora algo bem mais forte que ela que me fizera passar a última semana com ele em minha cabeça a todo o momento...
–Não foi a forma mais normal de nos aproximarmos... – sorri um pouco divertido, aparentemente estar junto a ele amenizava meu mal estar significativamente — ...mas isso não muda que sim... eu provavelmente esteja inegavelmente apaixonado por você.
–E o que o faz pensar que eu o corresponderia? – voltou a questionar numa voz que notavelmente se forçava a ser rude e apesar do meu peito fisgar em dor e minha voz mental me chamar de idiota por acreditar que alguém me amaria eu me senti inclinado a dar ouvidos ao meu raciocínio anterior.
–Você sente algo... já que ao invés de me rejeitar apenas se esforça para me fazer desistir – rebati num rompante de coragem e num patamar de vitória contra a minha falta de estima.
Kouyou se manteve em silêncio por segundos longos, que me deixaram preocupado em esperar uma reação, mas assim que eu senti seus braços se moverem e corresponderem meu abraço de um modo fraco e temeroso me permiti sorrir discretamente sem nem ao menos me dar conta.
–Eu não consigo... – a voz grave sussurrou perto de minha orelha.
–Não consegue o quê? – questionei ao afastar minha cabeça da sua e fitar as íris chocolates que aparentemente tremulavam num olhar receoso... como se estivesse exposto e frágil demais.
–Estar com outro homem... eu não consigo mais... – ele respondeu ao virar o rosto para um dos lados e eu senti seus dedos tremerem em meus ombros enquanto ele falava...
Seria algo difícil para ele? O que exatamente ele queria dizer com aquilo?
–Eu não entendo... – confessei ao ousar tocar seu queixo com minha mão e voltar a trazer seus olhos para os meus — ...você quer dizer que não consegue gostar de outro homem?
–Não... – ele balançou a cabeça — ... eu... consigo me apaixonar por um homem, na verdade não sou capaz de amar dessa forma uma mulher, mas... é o contrário quando se trata de um relacionamento físico.. por mais que eu o ame eu... não consigo me relacionar fisicamente com um homem, não mais...
Demorei alguns segundos em compreender todas suas palavras e uma enchente de dúvidas e perguntas voavam em minha mente, ansiosas por desvendarem completamente àquela pessoa diante de mim.
–Por quê? – perguntei e o notei morder levemente o lábio e olhar desorientado para os lados, como se quisesse fugir – por favor... me conte, eu... gostaria muito de saber.... – assegurei.
–Por quê? Não está mais apaixonado se não posso transar? – uma voz ácida junto a um olhar franzido. Ele realmente não iria me fazer recuar, estava estampado no rosto dele o quão difícil era para ele estar agindo daquele modo.
Eu sorri, e ele me lançou um olhar completamente confuso com a minha reação.
–Não estou te pedindo um relacionamento físico Kouyou – assegurei — ... eu jamais estive com outro homem antes, e se sou péssimo nisso até com mulheres seria me arriscar demais te propor algo assim e acabar te fazendo correr com o meu desempenho lamentável, não acha?
Ele franziu o cenho para mim novamente e eu voltei a sorrir, estava bem por depreciar minha própria pessoa. Ao menos minha falta de confiança e minha desgraça masculina me serviria de benefício ao menos uma vez na vida.
–Contanto que você possa estar comigo... eu verdadeiramente não acredito que seja necessário estarmos desse modo a não ser que você precise e queira me ensinar... – assenti em um humor e o alívio me percorreu ao vê-lo sorrir — ... se não te machucar me beijar, ouvir minhas lamentações e dividir as suas comigo... eu sinceramente acredito que você deveria me aceitar – ditei em uma pose falsamente séria, muito parecia com uma atuação de mim mesmo em uma reunião e ele gargalhou, abaixando a cabeça em negação e voltando a me olhar depois de algum tempo.
–Dá pra ver que você é um homem de negócios... – Uruha rebateu em um bico humorado — ... sabe que isso é loucura, não sabe? Nos conhecemos há três semanas, mal sabemos coisas um sobre o outro, e ainda tem essa situação estranha... não é normal sentirmos algo.
Dei de ombros e não respondi.
–Mas eu realmente não posso... o meu trabalho ... você sabe... – me encarou em um suspiro.
–Você não pode ou não quer? – questionei.
–Não posso... – ele garantiu ao liberar mais um suspiro — ...não se rebaixe, por favor, você não sabe o quanto é especial e o quanto te quero, mas...
–Se você quer, o resto é o resto – assenti – eu já tenho 33 anos Kouyou... acha que eu vou perder tempo me privando de fazer aquilo que quero? Vivi 33 anos acreditando em um caminho que se desfez diante dos meus olhos como um passe de mágica... qualquer planejamento foi pelos ares e me restou apenas a desorientação de por onde seguir... não vou mais me focar nos resultados esperados, apenas... acredite que possa dar certo também e... o resto... é o resto... – continuei ao abraça-lo novamente, colando sua testa na minha.
–Não é tão fácil... – ele começou.
– Não é tão complicado também. – o interrompi.
O silêncio, um suspiro... nossos olhos voltaram a se encararem e aquela conversa muda de uma continuação de argumentos se fez presente. Até meu estômago se contorcer em um ronco de fome e nos fazer sorrir do quão anormal toda aquela situação era.
–Vá tomar um banho, está fedendo a vômito – ele sorriu ao me afastar de si — ... tem algo que possa ser preparado na sua cozinha?
– Acho que sim – assenti em um sorriso bobamente contente, tentando me focar no caminho até o banheiro enquanto ele se dirigia para a porta do quarto – você não vai embora, vai? – questionei ao me deixar dominar por um rápido tremor.
O sorriso divertido nos lábios pequenos se abriu.
–Não seja tão medroso – foi a única resposta que ele deu antes de bater a porta gentilmente.
Eu inclinei minha cabeça para o lado, em dúvida do que aquilo realmente significava e decidi por ir tomar um banho logo... realmente... estava fedendo a vômito.
Um cheiro bom me chegou ao nariz quando me aproximei da porta da cozinha e irremediavelmente me deixei invadir o cômodo, mirando com certa alegria a silhueta alta e elegante em frente ao fogão.
Como todo homem tradicional, ter alguém cozinhando para mim e ver suas costas enquanto faz isso é... algo que me faz derreter completamente.
Há quanto tempo eu não sentia esse sentimento agradável?
Antes de tudo isso acontecer fazia anos que Akiyou não cozinhava para mim num momento em que eu pudesse olhá-la.
Onde exatamente eu tinha deixado aquela felicidade simples e ainda assim terrivelmente importante para mim se tornar algo dispensável?
–Encontrei algumas coisas para fazer uma sopa, não deve ser algo muito bom de se comer às seis e meia da manhã, mas... – ele começou a falar assim que notou minha presença.
–Está ótimo – assenti sem reprimir meu sorriso completamente bobo... como diabos eu poderia estar tão feliz?
Me sentei comportadamente à mesa no centro do cômodo amplo e apoiei meus cotovelos no tampo de madeira, deixando meu rosto repousar em minhas mãos enquanto continuava a admirá-lo bobamente.
De fato... ele era muito elegante.
Seu rosto se virava de lado e seus olhos me fitavam de esguelha, parecendo meio incomodado com o meu olhar de admiração para si, ainda assim ele não disse nada, apenas terminou de cozinhar e trouxe a panela para cima de um suporte da mesa, pegando a tigela a minha frente e preenchendo-a com o conteúdo culinário por meio de uma concha.
–Pronto – assentiu ao retornar a tigela para mim e pegar outra, começando a enchê-la para si mesmo.
A mesa era para quatro pessoas e ele se sentou ao meu lado, ao invés de à minha frente, provavelmente tentando fugir do meu olhar direto e totalmente descarado para si. Aparentemente ele não era acostumado a ser observado. Será que eu tinha o assustado?
–Hum... delicioso! – elogiei assim que coloquei a primeira porção da sopa em minha boca, fechando meus olhos e inconscientemente me apressando para comer mais.
–É só uma sopa, e às seis da manhã, não pode estar tão gostoso – ele sorriu.
–Está uma delícia, prove – incentivei e ele voltou a puxar os lábios para os lados antes de pegar a tigela em sua mão e comer uma pequena porção ao aproximá-la dos lábios e movimentar os hachis dentro dela.
–Está normal – ele respondeu ao pousá-la na mesa novamente e eu torci a cara para ele.
–Foi feita especialmente para mim, está simplesmente perfeita... – censurei – “normal”... só se for...
Ele gargalhou.
–Akiyou-san não cozinhava para você? – ele questionou e eu tentei engolir mais rápido para não falar de boca muito cheia.
–No começo do casamento sim, depois gradativamente os pedidos de restaurantes foram se tornando mais frequentes até que ela achou melhor ter uma cozinheira, mas quando começou a trabalhar a dispensou já que nenhum de nós dois comia muito em casa... raramente cozinhávamos... isso que você achou provavelmente deve ter sido comprado pela empregada que vem uma vez por semana – respondi – por quê?
– Por nada... – ele deu de ombros.
–Por que está curioso sobre Akiyou? – voltei a inquirir num olhar franzido — ...acaso sente algo por ela?
Uruha novamente gargalhou e por pouco não derramou a tigela em sua mão.
–Você é ciumento... – ele pontuou num olhar esperto.
–Ah... cala a boca vai – rugi em desagrado, eu sabia que tinha feito um papel terrivelmente idiota naquele momento.
–E grosso também... – ele rebateu num sorriso divertido.
–Eu não vou fingir ser o que eu não sou – utilizei de uma modificação de sua frase favorita para contra argumentar e ele sorriu mais discretamente, me olhando com olhos que eu realmente gostei de ver em seu rosto... eram olhos... apaixonados.
–E sua mãe, não cozinha pra você? – voltou a perguntar, disfarçadamente pegando mais uma porção de seu prato para provavelmente ocultar sua curiosidade ansiosa em saber mais sobre mim.
–Meus pais morreram em um acidente quando eu tinha 9 anos – respondi, sabendo que ele teria parado de mastigar e teria se sobressaltado por minha resposta, Akira e Takanori também tiveram a mesma reação quando lhes contei anos atrás – já faz muito tempo, não dói mais, pode acreditar – tentei amenizar a inegável compaixão que as pessoas tinham quando eu lhes falava isso — ... fui criado por alguns tios junto com os meus primos numa cidadezinha chamada Mie, como me destacava na escola consegui passar para um bom colégio daqui antes mesmo de entrar no colegial, vim para Tóquio com quatorze anos e fiquei um tempo na casa de amigos dos meus tios, conheci Akiyou no ano seguinte e consegui um trabalho de meio período na loja do pai dela, começamos a namorar e eu acabei conseguindo um emprego melhor antes de conseguir uma bolsa na faculdade de Administração... entrei como estagiário na empresa na qual trabalho hoje no meu segundo semestre e depois de seis meses de contrato eles me contrataram, seis meses depois eu já estava me casando com Akiyou e o resto bem... é previsível.... – sorri.
Uruha manteve seu olhar fixo em mim e eu coloquei minha mão sobre a sua em um apertar leve.
–Não precisa se constranger em me perguntar nada, eu disse que não vou fingir ser o que não sou – assegurei — ...espero que possa dividir sua história comigo também.
Sua mão escapou da minha e ele desviou seus olhos do meu.
–Eu... tenho que ir... vou me atrasar – ditou de repente ao se levantar e colocar sua tigela na pia, ligando a torneira para lavá-la.
–Se atrasar? – questionei.
–Faculdade – ele respondeu – estou cursando pela manhã.
–Até no sábado? – perguntei.
–Sim, estou pegando mais matérias esse semestre – voltou a responder, passando pela porta da cozinha muito rapidamente, como se quisesse fugir. Eu só não sabia o motivo, o que eu tinha falado de errado?
–Administração? – questionei na intenção de manter algum diálogo ainda que ele parecesse apressado em sair.
Ele murmurou um “Uhum” finalmente parando assim que colocou a mão na maçaneta da porta de entrada, hesitando por um segundo.
–Volte para cá quando sair, sua aula deve acabar após o meio dia certo? – continuei insistindo -... eu tirei o dia de folga, tinha planejado sair com os meus amigos, mas posso ligar para cancelar, seria bom passarmos o dia juntos se não for te incomodar...
Repentinamente ele se virou e me vi tendo meus lábios pressionados contra os seus enquanto uma mão segurava a lateral do meu rosto e uma língua adentrava minha boca sem resistência alguma. Fechei meus olhos para aproveitar o beijo, porém, assim que o fiz ele finalizou o ósculo com um selinho e se afastou. Sorrindo para a minha face de interrogação.
–Eu volto sim – ele assentiu antes de abrir a porta e fechá-la atrás de si.
Fiquei um tempo que não sei precisar quanto parado no hall de entrada, extasiado pelo beijo, confuso pela ação. Até que reconheci o toque do meu celular vindo de algum lugar da direção do quarto onde eu estava, me movendo para ir até ele.
–Oi Akira – atendi após mirar o alerta do nome conhecido no visor.
“Gostou do presente?” a voz brincalhona sorriu “ele ainda estava aí quando você acordou neh?”
Sorri em descrença.
–Sim, ele estava – confirmei.
“É... eu e o Taka imaginamos que ele ficaria, pelo modo como ele praticamente brotou no bar quando ligamos para ele dizendo que você estava mal e pelo quão preocupado ele ficou quando te viu totalmente desacordado de bêbado...” Akira continuou “ Você tem razão... ele parece bondoso e educado demais para ser o que é...”
–Eu te disse – resmunguei em um tom convencido.
“ E então... o que ele disse quando você acordou?”
–Muitas coisas... – respondi em preguiça de explicar toda a situação – aliás... eu não vou poder sair com vocês hoje...ele vai vir para cá depois que sair da faculdade...
“Ele estuda?”
–Aparentemente sim.
“Hum... vou relevar só porque sei que ainda está na fase da conquista e essa é a mais complicada, mas vê se não nos joga pra escanteio de novo e não sufoca o garoto, ok?”
Respirei fundo e deixei o comentário me acertar em cheio... de fato... eu não podia cometer os mesmos erros novamente. Será que eu me mostrei muito sufocante para ele?
– Sim – afirmei antes de me despedir e desligar o celular, gastando alguns bons minutos tentando refletir se eu de fato era alguém que me focava demais em uma pessoa ao ponto de colocar as outras de lado e sufocá-la com minhas expectativas...
Aparentemente eu havia descoberto o motivo da ruína do meu casamento... e realmente... a culpa era totalmente minha...
“Já não importa mais...”
“Só espero não cometer o mesmo erro dessa vez.”
Notas finais
Beijos... até o proximo q talvez venha na quarta
Azumi-chan: Oiiii meus anjinhos eu ja estava com saudades de vocês sabiam????Então nem sei como dizer o quanto amo cada um de vocês que ja acompanham as fic's da Mini e os leitorezinhos novos que vem lendo as fic's!
Então o que acharam do cap?Deixem reviews!*------*
Review deixa a gente muuuuuito feliz,o cap 05 da fic já está comigo se não vier review eu não beto e ai nada de cap quarta!kkkkkkkk-q [/brinks
Até o próximo cap meus amores,beijinhooooos da Azumi-chan ♥
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