Admirável Mundo Cão

4 03 - Analise de causa -parte1


Notas iniciais
Gente! desculpa não ter postado semana passada. Estou estudando para o mestrado e está uma correria louca! Esse capitulo é dividido em dois, pois o próximo é um desdobramento desse. Espero que gostem!

– Sirius, o que "vooê teem"? disse James com a boca cheia de ovos mexidos, pão e nem sei mais o que, porque ele tem — tinha — essa mania de comer um milhão de coisas ao mesmo tempo.

Ele disse isso porque eu estava calado durante todo café da manhã. Eu estava calado porque estava pensando em outras coisas. No outro dia, eu tinha ido dormir logo que cheguei. Fiquei pensando no que a Snaler tinha falado. Ele fez com que eu parecesse um idiota completo. Um cara que fica "chegando nas mulheres" ,pra cima e pra baixo, sendo inconveniente e esse tipo de coisa. Ta' eu não era o mais esclarecido dos homens, e tinha a mania irritante de achar que quase todas as mulheres estavam de uma forma ou outra interessadas em mim. Um dia sabe o que eu pensei? Que a Lily estava afim de mim. Sim, eu pensei essa loucura.

Era um dia de verão, e nós estavamos jogando snap explosivo perto do lago. Lily era muito boa, embora tivesse aprendido só há um ano. Estavamos então, no final do quinto ano. Minha amisade com ela tinha começado há pouco tempo. Nós nunca brigamos realmente, como ela e James faziam. Até fizemos dupla as vezes em algumas matérias e iamos a biblioteca. Mas eu não era próximo como o Remo por exemplo. Mas depois de muitas conversas e problemas que foram resolvidos com o auxilio dela (sim, estou falando de Remo lobisomem), os laços foram se estreitando.

– Sirius, eu tenho certeza que você trapaceou!

– Ah é, por quê? Eu falei fazendo uma falsa cara de superioridade.

– Porque eu conheço essa jogada, e você me pegou desprevinida! — Ela respondeu como se isso fosse uma afronta. — Acho que você mudou alguma coisa quando eu estava distraida.

– Você estava distraida com o que, posso saber? Eu debochei.

– Com os seus lindos olhos azuis. Disse Lily colocando a mão no queixo e fazendo cara de "apaixonada". Logo depois ela riu e eu também. Até ai tudo bem.

Só que depois ele bagunçou meu cabelo e deu um sorriso tão maroto quanto eu poderia dar. Eu ri de volta, e disse que ela deveria aceitar a derrota de cabeça erguida.

Dai pra frente eu comecei a pensar que alguns gestos dela e formas de agir poderiam ser uma especie de "mole", ou algo do tipo. Claro que não falei nada para o James. Ela ia ficar arrasado. Não ia brigar, nao ia falar nada, nem comigo nem com ela. Mas ia ficar arrasado.
Anos depois, eu comentei isso com ela, de forma distraida, como uma brincadeira. Ela disse que sempre me achou muito solitário, e gostava muito de mim, por isso passou a me dar mais atenção do que dava para outros quando nos tornamos amigos. Mas o que ela disse — a proposito ela disse isso uns três meses antes dessa fatidica aula com a prof. Snaler- começou a me abrir os olhos para isso. Que a minha solidão aliada a minha popularidade na escola, tinham feito crescer em mim uma prepotência que por vezes era irritante.

– Jay, você acha que eu sou babaca? — Eu perguntei e ele riu enfiando mais duzentas coisas na boca. — Digo, com as mulheres?

–Siim. — Ele respondeu e depois deu uma boa golada no seu suco de abobora. — Quer dizer, as vezes. Mas eu fui babaca com a Lily algumas vezes. Mas hoje sou uma pessoa melhor, feliz e recuperada! Ele terminou, como se fosse um testemunho.

– Hum.

–Você está pensando na professora, né?

– Sim. Quer dizer, não. Não exatamente. — Eu respondi pensando no assunto. — Mas eu não queria que ela me achasse um idiota pra sempre.

– Que tal você… — Ele começou sério, mas depois puxou os oculos para a ponta do nariz e me olhou de canto. — Não ser? E depois riu da minha cara, já pegando uma maça para comer.

– Obrigada pelo conselho amigo, vou seguir. Eu falei, dando um riso fraco. — depois de um tempo, me lembrei e perguntei — Você falou com ela?

– Professora Snaler? Ele perguntou confuso.

– Não, anta! com a Lily.

– Ah, isso. _ ele fez, e ficou interessado na sua maça por um tempo. — Eu não sei, quer dizer, não sei como dizer isso pra ela. A Lily não gosta de nada muito romântico, mas também um "e ai, vamo casar?" não ia ser muitoo legal. Então fico aqui, quebrando a cabeça.

– Jay, quando você tiver que pedir, vai saber como fazer. Lembra que você passou no terceiro ao quinto ano chamando ela pra sair, ai quando relaxou, desencanou e realmente se empenhou para ser um cara melhor , como você mesmo disse agorinha, as coisas aconteceram naturalmente? Pensa assim.

Posso contar essa história?
Acho que posso né. Quer dizer, um pedaço dela. James e Lily brigavam muito. Eram parecidos em muitas coisas, mas brigavam muito. Principalmente porque James nunca soube os limites para brincadeiras e Lily não tinha o menor senso de humor quando envolvia outras pessoas sendo machucadas/humilhadas. Vendo isso pela perspectivas de hoje, acho que ela estava certa. Embora o Snape com certeza merecesse, e os meus amados primos Black também, nem todos mereciam. Mas enfim. Com quinze anos eu não entendia e achava tudo normal.
Eu disse ai em cima que as coisas começaram e ficar mais amigáveis entre eu e Lily, mas isso é porque ela não sabe que eu era muito, muito pior que o James. Mas o pontas tem essa cara e esse jeito de lider. Muitas vezes eu e Pedro — ta vendo um momento que eu sou obrigado e citar ele? — aprontávamos e a culpa caia sobre ele. Não me orgulho disso, mas me orgulho de reconhecer isso hoje em dia.
Pois bem. James salvou Snape no salgueiro lutador, como você que está lendo provavelmente já sabe. Se não sabia, agora ta sabendo. Lily não soube que nós armamos a brincadeira, mas ela soube que James salvou. E isso fez ela olhar para ele com outros olhos.

Na verdade, sejamos sinceros, ela já vinha olhando. Apesar de não jogar quadribol, ela era uma grande fã. E até conversava com isso sobre ele as vezes. Mas ele sempre dava um jeito de estragar a conversa no meio… E ela também admirava muito a habilidade de James na aula de poções e eles tinham sido dupla para estudo no quinto ano. Então, apesar de não admitir, o que ela não gostava mesmo mesmo eram as brincadeiras não tão saudáveis da nossa galera, e o fato de James ser exibido. E isso ele era mesmo. Mas depois de saber sobre Remo e logo após acontecer esse fato do salgueiro, as coisas melhoraram.

Ai teve esse dia (Pouco tempo depois de eu ter percebido que ela estar "afim" de mim era uma viagem louca), em que Lily trouxe para a escola uma televisão e um vídeo cassete, que ela fez funcionar sem as tais "tomadas". Foi uma sensação na sala comunal. Vários nascidos bruxos pararam em frente ao equipamento, ficando pasmos. Eu já tinha ido ao cinema e tudo mais (por causa de James), só que muitos ali tinham familias bem tradicionais, ou moravam em lugares afastados e nunca tinham visto nada como aquilo.
Lily levou dois filmes que tinham sido sucesso no ano anterior. "Tubarão" e "Um estranho no ninho" É claro que a maioria dos adolescentes se encantou com o primeiro, que foi também o primeiro a ser visto. Mas uma boa parte não conseguiu entender direito o segundo filme. Mas ficaram assitindo, pela emoção na novidade. James por sua vez, estava realmente vidrado na história. Nem piscava. Eu observei isso. E Lily também.
No final, depois que todos comentavam como era legal ver filme na televisão, suas possibilidades , ficaram poucas pessoas na sala comunal. James perguntou pra ela se ele poderia ver "um estranho no ninho" de novo, e ela disse que sim, que podia deixar com ele a televisão.

– Essa coisa da loucura... Eu sempre achei bem relativa. As pessoas tem maneiras diferentes de pensar e agir. E isso não deveria ser crime, né? O filme está certo, afinal, uma sociedade doente, produz pessoas doentes. — Lily ficou escutando com os olhos arregalados. Eu pensei que ela ia beijar ele ali mesmo.

– Exatamente. — foi o que ela disse no primeiro momento. — Eu vou mandar uma coruja para os meus pais, pedindo que eles mandem outros filmes que eu tenho lá. Acho que você deveria ver, Jay. Ela falou e sorriu. Depois disso, ela guardou os objetos na sua bolsa expandida, e subiu.

– Você ouviu o que ela disse? Comentou James quando ela desapareceu de vista.

– Sim, que ela vai te emprestar mais filmes. Irado!

– É, isso também. Mas ela me chamou de Jay. JAY.

– É… Temos um avanço amigo. Eu disse rindo de canto.

Era sobre isso que eu estava falando com ele. Porque quando não tentava se exibir e premeditar muito, James era uma pessoa maravilhosa. E era sobre esse cara que eu estava falando. Era com esse cara que Lily namorava, então, ser espontâneo, era o melhor que ele podia fazer para pedir ela em casamento.


– Black. Ronda! Eu ouvi me chamarem ao fundo. Era Carl Morgan, o guarda gente boa. Bruxos eram chamados no dia da ronda, e isso era porque os dementadores não eram mito amigáveis fazendo isso. Não que eles realmente se preocupavam com a gente. É que se estivessemos fazendo alguma coisa de "errado", eles provavelmente não observariam, apenas dariam um beijo e pronto. Sem testemunhas, sem provas, fatos concretos, nada. Não que o sistema jurídico dos bruxos seja justo. Não, longe de mim dizer isso… Mas eles tem seus momentos.

Há boatos que Grindewald fez sua própria varinha na sela, com um pedaço de graveto e pelo de unicórnio que ele tinha guardado no canto de uma unha durante três anos. Não sei se é verdade, mas o cara era tenso. Não vou duvidar. Uma vez eu perguntei a Dumbledore qual tinha sido a sensação de derrotar um bruxo daquele porte. Foi no final de uma reunião da ordem. Ele assumiu uma curiosa expressão melancólica e disse:

– Devastador. Horrível.

Até hoje não entendi direito, mas acho que ele quis dizer que uma guerra nunca é boa. Ele tem dessas, o Dumbledore. Sempre quis deixar claro que não há beleza nem glória na guerra. Os dois lados sempre perdem. Devemos apenas lutar por ideais que acreditamos e tentar buscar um mundo onde as guerras não sejam necessárias. Acho que concordo, mas não vejo uma saída no horizonte.

Sai do meu devaneio e olhei e dei um meio sorriso amarelo para Carl.

– Você está muito magro Sirius. Ele sussurrou enquanto vasculhava minha cela com a ponta da varinha acesa.

– São seus olhos. Eu respondi com um falso sorriso. Ele deu uma risadinha e balançou a cabeça.

– Vê se come. — Ele disse, como se fosse uma ordem. — Ta tudo limpo! Ele gritou, e os dementadores passaram, arrastando a capa nojenta e me sugando um pouco. Malditos. Eu estava tendo um dia bom.

– Dessa vez chegou cedo demais. Disse Katherine quando eu entrei na sala. James foi esperar Lily, e eu achei que seria legal deixar os dois a sós. Vai que ele tomasse coragem? Katherine estava sentada lendo um livro. Sério, não sei como ela me viu.

– Desculpa. Eu disse simplesmente. Sem realmente saber o que dizer. Ela levantou os olhos e deu um risinho de canto.

– Estou brincando Black. Não sou tão má assim. Ela disse, parecendo sincera.

– Você sabe se o Potter vem hoje? Eu queria discutir o texto dele.

– Sei sim, não sabia que somos um casal? moramos juntos. Eu falei, e dei uma risadinha no final.

– Nossa, um triangulo amoroso. Que bacana. Katharine respondeu entrando na onda.

– Um triangulo bem... Desigual, pois só o James consegue as duas partes. Eu finalizei como se estivesse refletindo. Ela riu e fez um movimento com a varinha, que fez voar outro livro para a sua mesa.

– Vocês moram juntos mesmo? Ela perguntou com interesse.

– Sim. — Eu falei incerto se devia ou não falar a história toda. — Eu me mudei para a casa dos Potter quando tinha 16, e agora viemos juntos para o beco diagonal.

– E a sua família? Ela perguntou.

– Ué, você não sabe tudo sobre mim? Eu respondi com uma certa raiva. Juro, juro que não foi intencional. Mas basta eu pensar naquela família infernal que meus nervos ficam em fúria. Até hoje. Ela me olhou friamente e senti que tudo que eu tinha avançado até então, na tentativa de parecer uma pessoa melhor, tinha ido por água a baixo.
Mas, ao contrario do que eu pensei, o semblante dela se tornou de repente… Piedoso? É, acho que essa é a palavra. Piedoso!

– Desculpe, não vou mais tocar nesse assunto. Ele disse voltando a atenção para os livros. Eu fiquei atordoado com aquela reação. Me levantei e fui até mais perto dela. Katherine me encarou.

– O que é isso? Legilimência? Eu falei, mais rápido do que pensei. Ela sorriu.

– Sabe guardar um segredo, Sirius?

Ela me chamou de Sirius. Por um segundo eu entendi o James, sobre a Lily ter dito o nome dele. Estranho essas coisas…

– Você nem faz ideia…

– Pois bem. Só porque você é meu aluno e eu não deveria ter feito isso com você, eu digo. Sim, legilimência. Mas um tipo diferente. Eu nasci com isso. O meu esforço é para parar de invadir a mente das pessoas, não para entrar.

Eu fiquei pasmo. Isso explicava muita coisa. Como o nosso primeiro encontro e o fato dela ser tão jovem e já ocupar um cargo desse. Mas uma coisa acima das outras me intrigou.

– Por que você me contou isso?

– Porque perguntar se você podia guardar um segredo foi retórico. Eu li tudo ai dentro. Você sabe muito bem guardar um segredo.

Atônito, eu nem tinha pensando em nada pra dizer, quando três alunos entraram na sala conversando alto, e seguidos por James, Remo e Lily que também entraram conversando.

O único pensamento que martelou durante toda a aula foi: Por que ela leu minha mente toda?

E eu tinha que perguntar isso para ela



Notas finais
desculpe mais uma vez a demora. Obrigado a todos que tem acompanhado. Sou uma autora curiosa e quero saber, o que estão achando?