Adagas
1 prologo
Noite de céu limpo e estrelado, e num píer, um homem aguarda.
– Por que me chamou aqui? – o sorriso maldoso de vitória do calhorda se abriu ao ver a silueta dela. – não me diga que aceitou minha proposta.
– Na verdade... – a voz aveludada precedia o caminhar felino em sua direção – vim dizer que não aceito. E vim dizer para não me procurar mais. Não presto mais serviço a você Adalto.
– Como é? – a ira lhe veio em súbito. Subindo pelos calcanhares até sua cabeça – O que você disse?!
A ira dele é tamanha que lhe dá um tapa. Ela lambe os lábios e os toca com os dedos percebendo que o golpe lhe tirou um pouco de sangue.
– Não faz diferença. – Se vira e sai. Com andar furtivo e felino que entrou – eu não vou mudar minha idéia e só vim até aqui para lhe avisar.
– Se pensa que vai ficar por isso mesmo, está enganada Julia! – ele grita olhando na direção em que ela foi, mas já não a vê.
Das sombras, sai uma figura morena e de cabelos pretos, vestindo camiseta branca, jeans e sapatos. Por cima da camiseta um coldre.
– Mate ela e o cretino que a fez tomar essa decisão estúpida! – disse num grito para logo em seguida dizer num sussurro – mas mate ele antes, na frente dela. Me entendeu, Tasso?
– Está feito. – e ele se retira.
Horas depois vem a notícia. Tasso conseguiu achá-los. Matou André, e pelo que tudo indicava, chegou a ferir Julia. Mas agora estava morto. Um aviso a Adalto foi deixado, fixado no peito de Tasso com o punhal predileto. Este dizia: “Não me procure. E tem sorte por André ter me convencido que a vida que eu levava não era para mim. Me esqueça. E isso é um aviso”.
– Como aquela vaca ousa! – Adalto não se controlava mais – primeiro me rejeita e agora ameaça! Quero ela morta!
Passaram-se dias após terem chamado a pessoa qualificada para dar cabo a Julia. Tinha que ser uma pessoa esperta e rápida o suficiente para lhe dar com ela e com os “amiguinhos” que ela tinha feito no meio.
Assassinos. Todos eram inimigos, mas quando firmavam amizade, essa era inquebrável. Julia tinha conseguido alguns poucos, mas fiéis amigos. O que lhe deu certa vantagem uma vez que esses a ajudaram a escapar e desaparecer do mapa.
O tempo passou. Primeiro semanas. Depois meses, anos. Na verdade dois, mas o ódio de Adalto não diminuiu. A única coisa que mudou era a impaciência dele pelo desfecho, que aumentava a cada dia sem uma resposta definitiva para a dor de cabeça que estava se arrastando por quase três anos.
Sentado na mesa de seu escritório, agora em penumbra, Adalto está sentado. Fumando seu charuto e degustando seu uísque. Já estaria tudo consumado a aquele horário. Uma batida na porta o retira de seus pensamentos.
– Senhor, — Libério entra com o semblante sério – não temos notícia alguma do enviado. Acho que não podemos mais contar com ele.
– Impossível. – Adalto põe seu copo sobre a mesa com tanta violência que o quebra – ela não pode ser tão ardilosa assim. É o segundo!
Como era possível? O matador que ele tinha mandado antes, havia sido encontrado morto com um tiro exatamente entre os olhos. E agora mais um?
– Não é possível uma coisa dessas! – diz isso observando o sangue escorrer pelos seus dedos. – O que ela fez?
– Não sabemos senhor. – Libério não se move. Pois sabe a periculosidade de Adalto quando tem raiva. – ainda não o encontramos.
– E como pode me falar que acha que ele foi abatido?- Adalto está com raiva.
– Não temos certeza, mas ele não entrou em contato... – o pobre coitado olha para o chão, com medo de encarar a fera. – já fazem três dias. Ele não é de ficar sem entrar em contato.
– Aquela vadia! – Adalto joga seu charuto em sua lareira – tratem de localizar ele! Não posso ficar perdendo meus melhores homens!
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