Across Realms
9 Capítulo 8 – When you lose the one you love
Notas iniciais
Regina sentiu como se fosse seu próprio coração que estava sendo esmagado naquele momento, quando viu Emma levar a mão até o peito e soltar um grito de dor. A morena viu os olhos da amada se encherem de lágrimas ao ver a própria mãe – que não tinha nenhuma lembrança dela – esmagar seu coração de forma tão lenta e tortuosa.
“NÃO!” ela gritou com toda força que tinha, e correu até a espada de Emma, largada sobre a mesa em que estavam sentadas anteriormente. A morena ergueu a arma na direção da Rainha e correu até ela.
Snow desfez o aperto do coração de Emma e sumiu em uma fumaça roxa, fazendo Regina desferir o golpe contra o ar e perder o equilíbrio. A morena caiu e soltou a espada, o metal batendo contra o chão de pedra. A Rainha reapareceu atrás de si e soltou uma gargalhada sonora.
Regina virou-se e viu que Emma ainda respirava, a mão firme em seu peito enquanto tentava controlar a respiração.
“Eu estava doida para matar vocês duas o mais rápido possível” a Rainha disse, observando Regina tentar se levantar e alcançar a espada. Girando o pulso, a arma sumiu e a morena suspirou frustrada. “Mas vendo a forma como uma tenta defender a outra, tão passionalmente... Oh, eu tenho uma ideia muito mais divertida” sorriu maliciosa.
“O que você tem em mente, vossa majestade?” Charming se aproximou, a mão firme na espada em sua bainha, pronto para defender sua Rainha a qualquer custo.
“Eu vou acabar com a pessoa que você mais ama” a Rainha disse, olhando diretamente para Regina. “Assim como você fez comigo” completou, amargura presente em cada palavra proferida. “Mas acredite, minha querida, você vai sofrer muito mais do que eu.”
“O que você vai fazer?” sua voz saiu rouca de medo.
“Amanhã à noite, você terá o prazer de ver sua amada ser executada diante de todo o Reino e não poderá fazer nada para salva-la. Mas você viverá, minha cara Regina. Viverá com o fardo que é ter a pessoa amada tirada de você de forma tão trágica” falou com um sorriso sínico nos lábios e a amargura ainda presente em sua voz. “A culpa irá lhe corroer cada vez mais, até que um dia se tornará insuportável. E eu estarei lá, acompanhando cada segundo da sua miséria e do seu sofrimento. Você irá morrer com a culpa das suas próprias ações, Regina.”
“Não...” a morena falou baixinho, cada palavra a atingindo como uma faca no peito. Emma não.
“Amanhã, ao pôr do sol” avisou com um sorriso de canto. “Espero você para o espetáculo” disse por fim, girando o pulso e sumindo com Charming, levando Emma como sua prisioneira.
Os sete anões, que a acompanhavam, saíram da taverna sendo guiados pela loba.
Regina observou aquela cena em silêncio, impotente, e sentiu suas pernas fraquejarem. Caiu de joelhos contra o chão frio da taverna e escondeu o rosto nas mãos, pondo-se a chorar, sem se importar com as dezenas de olhares que lhe acompanhavam.
Henry correu até a mãe e jogou-se no chão à sua frente, a abraçando com força e deixando que lágrimas escapassem de seus olhos também. Sua avó havia acabado de levar sua mãe como prisioneira e a ameaçado de morte. Aquela realidade estava virada de cabeça para baixo e no momento eles não podiam fazer nada para muda-la. Estava tudo errado. Tudo.
“Nós vamos salva-la, mãe” Henry disse firme, se desfazendo do abraço.
“É tudo minha culpa” Regina se entregou ao choro novamente, ela soluçava e sentia uma dor indescritível no seu peito, como se uma parte do seu coração tivesse sido arrancada.
“Não é, mãe. Você não tem culpa do que aconteceu-”
“Você não sabe” ela gritou, se afastando. “É minha culpa!” o rosto da morena estava contorcido em uma expressão de dor e ela não aguentou o olhar de pena de todos sobre ela. Regina saiu correndo para fora da taverna.
Henry não pensou duas vezes antes de seguir Regina. “Mãe!” gritou, indo atrás dela. “Mãe, nada do que aconteceu é sua culpa” disse de forma carinhosa, colocando a mão sobre seu ombro.
“É sim!” ela virou-se exaltada. “Eu atrasei nossa chegada até o casamento. Estamos presos aqui por minha culpa” deixou que tudo saísse de uma vez, uma confissão em um momento de desespero.
Henry arregalou os olhos, assustado com a declaração. Não era possível.
“P-por que você fez isso?” ele perguntou decepcionado, sentindo a voz falhar.
“Eu sinto muito, Henry” Regina baixou o tom de voz. “O mundo de onde vocês vieram é incerto pra mim. Nós poderíamos ser felizes aqui. Eu, você e Emma” sua voz falhou ao pronunciar o nome da loira. “Mas deu tudo errado, e agora ela pode morrer” as lágrimas voltaram a queimar sua face.
“Mas nós já éramos felizes em Storybrooke” tentou argumentar, acompanhando as lágrimas da mãe.
“Mas Emma namora o pirata” disse baixinho, e então todas as suspeitas de Henry se confirmavam. Regina estava apaixonada por Emma.
“Você... Você ama minha mãe?” ele perguntou por fim, já sabendo a resposta.
“Sim... Talvez... Eu não sei” sacudiu o rosto. “Eu sinto algo muito forte por ela, como eu nunca senti antes... Eu só queria que fossemos felizes, sem nada para nos atrapalhar. Eu achei que se ficássemos nessa realidade, isso seria possível.”
“Bem... Agora não temos tempo para lamentações” o garoto disse, secando as lágrimas. “Nós temos que arrumar um jeito de salvar minha mãe.”
“Você tem razão” Regina também limpou o rosto.
“Eu sempre tenho razão” disse sério. “E quando Emma estiver a salvo, nós vamos conversar sobre sua irresponsabilidade” falou como um pai, repreendendo a filha por uma malcriação. Regina abaixou o olhar, envergonhada.
“Me desculpe” disse baixinho.
“Eu estou muito decepcionado, mãe” falou triste. “Mas vamos deixar isso para depois. O importante é salvar Emma.”
“Como vamos fazer isso?”
“Vamos precisar de ajuda” disse, pensativo. “Vamos procurar por Hook.”
“O pirata falsificado não” Regina negou com a cabeça e franziu o cenho.
“Não é hora para ciúmes” arqueou uma sobrancelha na sua direção, incrédulo. “Nós vamos concertar seu erro."
“Regina!” eles ouviram uma voz ao longe. “Está tudo bem?” Zelena se aproximou, preocupada e segurou as mãos da morena.
Regina continuava com uma expressão triste no rosto, e apenas assentiu sem forças. A ruiva a puxou para um abraço, o qual Regina não recusou. Era bom um pouco de conforto naquele momento, sem ser julgada.
“Eu sinto muito pela Emma. Eu vi o quanto vocês se amam” Zelena falou segurando as mãos da morena. “Robin se ofereceu para ajudar no resgate dela. Vocês vão resgata-la, certo?” falou intercalando o olhar entre Regina e Henry.
O garoto assentiu. “Toda ajuda será bem-vinda.”
“Aquela Rainha Floco de Neve vai se arrepender de ter estragado minha festa de casamento” falou entre dentes, conseguindo um pequeno sorriso dos lábios de Regina.
~*~*~
Henry ficou ainda mais bravo com a mãe quando alcançaram o porto da Floresta Encantada em menos de três horas. Claro que agora eles estavam a cavalo – que Robin dera para os dois irem mais rápido –, mas mesmo assim, poderiam ter chegado mais cedo ao casamento caso Regina não tivesse desviado do caminho.
Mas ele respirou fundo e tentou colocar os pensamentos em ordem. Não iria agir como uma criança mimada ficando sem falar com a mãe, ou emburrado com ela. Ela estava apaixonada por Emma e faria qualquer coisa para ficar com a loira. Mas ele sabia, que caso ela lembrasse de tudo, nunca faria aquilo. Aquela Regina havia vivido uma realidade diferente, ele não podia culpa-la pelas suas atitudes.
Porém, ele precisava ser duro com ela, porque apesar de tudo, o que fizera foi errado. E agora eles estavam enfrentando as consequências desse erro.
Os dois desceram dos cavalos e olharam ao redor do cais, à procura do Jolly Roger. O navio não estava mais lá. Hook havia partido.
“O que vocês estão fazendo aqui?” a voz conhecida, fez os dois se virarem assustados.
“Hook!” o garoto gritou animado. “Que bom que você não foi embora.”
“Nem tinha como” disse com a expressão cansada. “Assim que alcancei o cais, o Jolly Roger já velejava em alto mar. Alguns pescadores me disseram que o Barba Negra acordou raivoso, mas quando viu seu navio ali, pegou a tripulação de volta e voltou ao mar.”
“Henry” Regina colocou a mão sobre o ombro do garoto. “Deixe que eu converso com o Hook, sim!?” pediu com delicadeza, e Henry assentiu, hesitante.
A morena puxou o pirata pelo braço, para um canto mais afastado. Onde ela pudesse conversar com ele a sós, mas ainda assim mantivesse o olhar sobre Henry. Não suportaria se perdesse o garoto também.
“O que está acontecendo? Onde está Emma?” ele perguntou confuso, olhando ao redor.
“Ela foi sequestrada pela Rainha Snow” falou, sua voz saindo em um fio, quase inaudível.
“O que?” ele arregalou os olhos. “Como isso foi acontecer?”
“Isso não interessa agora. Nós precisamos salva-la” disse séria. “E precisamos da sua ajuda para invadir o castelo da Rainha.”
“Eu farei qualquer coisa para salvar minha amada” falou convicto, erguendo o queixo em um gesto heroico.
“Sua amada!?” a morena ergueu uma sobrancelha na sua direção.
“Vocês podem ter se beijando, mas eu e ela namoramos no mundo em que ela veio.”
“Isso não- O QUE?” o tom de voz de Regina saiu mais alto do que ela esperava. “Você viu a gente se beijar?”
“Bem...” ele ficou vermelho ao se dar conta do que acabara de confessar.
“Meu Deus! Quanto tempo você ficou nos vigiando?” Regina passou as mãos pelos seus cabelos negros, irritada. “Você tem algum problema mental? Nós ficamos mais de meia hora conversando e você escutou tudo? E ainda viu o beijo?” a morena cerrou os punhos.
“Eu sou curioso” disse mexendo as mãos nervosamente. “Eu escutei toda a conversa e então vi vocês se beijarem... Talvez se eu não fosse tão covarde e tivesse beijado Emma, nós estaríamos em casa agora” completou, pensativo.
Regina franziu o cenho. “Do que você está falando?”
“Beijo do amor verdadeiro” deu de ombros. “Emma pode ter dito que não sabia se me amava. Mas o beijo de vocês não nos levou de volta para a realidade deles. Porque ela também não te ama. E talvez ela só esteja confusa quanto ao que sente por mim, porque você ficou tentando seduzi-la desde a primeira vez que se encontraram. Você é a culpada de tudo. Se eu a beijasse, tudo estaria resolvido” falou, como se usasse toda a lógica do mundo.
“Ela me ama” Regina afirmou. “Eu vi nos olhos dela.”
“Então porque o beijo de vocês não nos levou de volta?” inquiriu, arqueando uma sobrancelha.
“E-eu... Eu não sei” disse baixinho, sentindo seus olhos arderem. E pela primeira vez, Regina pensou nisso. Ela estava tão absorta nas sensações que a loira lhe causava que ao menos parou para pensar sobre beijo de amor verdadeiro. E se o pirata tivesse razão? E se Emma não a amasse?
Mas nada isso importava, porque ela a amava. Agora tinha certeza, porque só de pensar em uma vida sem Emma seu peito doía e um vazio imenso tomava conta de si. E Regina tinha cada vez mais certeza disso. Ela também sabia que precisava salvar Emma a qualquer custo e leva-los de volta pra casa. Porque mesmo que elas não ficassem juntas, era lá que estava a felicidade da loira, e isso era tudo o que importava, afinal.
“Isso não importa agora” respirou fundo e secou as lágrimas. “Nós precisamos salvar Emma” sua voz saiu firme, com convicção. “Estamos correndo contra o tempo. Você está dentro ou não?”
“Eu darei a minha vida se for preciso, para salvar a dela” o pirata disse, estufando o peito.
Regina segurou a necessidade de revirar os olhos. Querendo ou não, ela precisava da coragem do pirata naquele momento. Ela apenas assentiu e chamou Henry, para que eles seguissem viagem até seu destino.
~*~*~
Henry e Regina cavalgaram com toda a velocidade possível enquanto Hook se segurava firme na cintura da morena, tentando não cair do cavalo. Já era meia-noite quando eles alcançaram a ponte de entrada ao Reino Encantado – que de ‘encantado’ não havia nada, desde o governo de Snow White.
Eles pararam e observaram um grupo de homens montados em cavalos aproximarem-se deles.
“Regina. Henry” Robin Hood os cumprimentou com um menear da cabeça. “Trouxe o meu bando para nos dar suporte nessa missão” o homem disse, apontando para o grupo de homens atrás de si e para a mulher morena que acompanhava o bando.
Regina logo simpatizou com a mulher de traços orientais. Ela tinha uma postura imponente e séria.
“Meu nome é Mulan” ela se apresentou, aproximando-se com seu cavalo. “Não faço parte do bando” explicou.
“O que faz aqui, então?” perguntou curiosa.
“A Rainha tem como prisioneira uma pessoa muito importante para mim” respondeu. “Ofereci meu auxílio aos Merry Men, para que, assim, minha entrada no castelo da Rainha fosse facilitada e eu pudesse resgatar Aurora.”
Regina sorriu, simpática. “Nós a ajudaremos a salvar Aurora também, Mulan” ela afirmou.
“Obrigada” a guerreira agradeceu, fazendo um leve gesto com a cabeça.
“Agora que estamos todos aqui...” o ex-ladrão começou. “O plano é o seguinte...” Robin puxou um papel velho do bolso. “Esse é o mapa do Castelo...”
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