Across Realms
7 Capítulo 6 – Wedding Bells
Notas iniciais
“Você acha que algum soldado da Rainha possa ter pegado ele?” Emma perguntou enquanto caminhavam pela mata a procura de qualquer sinal de Hook.
“O que a Rainha iria querer com o pirata falsificado?” devolveu a pergunta com ironia e irritação pela constante preocupação de Emma. “Aposto que ele ficou com medo de seguir viagem e machucar o rostinho bonito dele e fugiu” deu de ombros.
“Você não está sugerindo que desistamos dele, está!?” perguntou incrédula.
A morena estava com ciúmes pela insistência de Emma em procurar pelo pirata. Qualquer um que visse Hook pela primeira vez, constatava a covardia do homem. Mas por outro lado, a procura pelo pirata atrasava o percurso deles até o casamento. Regina sabia, pela tradição, que os casamentos da população mais humilde aconteciam algumas horas antes do sol se pôr. Se seguissem direto até a Floresta de Sherwood, chegariam lá antes da cerimônia começar. Então, se a morena quisesse que o casamento acontecesse, precisava atrasar ao máximo o percurso deles. Hook era uma excelente desculpa para tal feito, e ela sabia que já se aproximava da metade do dia.
Assim, um brilho diferente tomou conta de seus olhos. “Claro que não, ao contrário. Não devemos parar até encontrarmos o pirata” disse de forma confiante, como uma líder.
“E o casamento?” Henry perguntou incerto.
“Creio que o pirata seja mais importante que isso” Regina disse, para o espanto de Emma. “Não concorda!?”
A loira a fitou confusa por alguns segundos. Jurava ter visto um breve lampejo da Rainha Má. Ela tivera o ‘prazer’ de conhecer a pior versão de Regina, por breves instantes, durante a maldição da Snow Queen.
Ela sacudiu a cabeça, expulsando tais pensamentos. Ela estava enganada. Aquela Regina era como a atual que ela conhecia, em Storybrooke. Mas sem o passado sombrio que lhe atormentava ou a tendência à escuridão. E claro, que mais aberta em relação aos seus sentimentos. Se não fosse pela declaração da morena na noite passada, Emma seria capaz de passar a vida toda reprimindo aquilo que ela sentia por Regina. E aquela declaração foi a melhor coisa que aquela realidade poderia ter trago para ela.
“Certo” Emma assentiu, ainda desconcertada com a mudança repentina de opinião da morena. “Vamos continuar procurando por ele.”
O trio caminhou por aproximadamente uma hora, vasculhando cada canto possível e gritando pelo nome do pirata.
“Killian!?” Emma gritou, mas tudo que ouviu foi alguns pássaros se assustando e voando para longe, batendo contra as folhas das árvores.
O silêncio tomou conta da floresta por meros segundos.
“Socorro!” ouviram uma voz masculina ao longe. “Me ajudem!” gritou desesperado.
Os três trocaram um breve olhar entre si antes de correr na direção da voz. Hook continuava a gritar por ajuda quando eles finalmente lhe alcançaram.
Ao ver o estado do pirata, Regina não se conteve e caiu na gargalhada.
Killian havia caído em uma armadilha montada na floresta e estava suspenso no ar, preso em uma rede feita de cipós, que balançava devido ao seu esforço falho de tentar sair dali. Entre pontapés contra a rede, ele continuava a gritar sem perceber que o trio o observava. Só se deu conta de que o acharam, quando as risadas de Regina aumentaram, ecoando pela floresta.
Emma soltou um suspiro aliviado e sorriu de canto, tentando conter a risada com a situação patética em que o pirata se encontrava. Henry acompanhava sua mãe nas risadas, mas as suas eram mais baixas.
Hook parou de se sacudir dentro da rede e cruzou os braços, emburrado. “Me tirem daqui” exigiu e recebeu um olhar reprovador de Regina. “Por favor” completou.
Regina soltou mais uma gargalhada e tirou uma faca que carregava presa na cintura. A morena se aproximou da corda que sustentava a rede no alto. “Com todo prazer, capitão” disse com sarcasmo, cortando a corda em seguida.
O pirata não teve tempo nem de pensar no que estava acontecendo, apenas sentiu a força da gravidade o empurrar com violência para baixo e cair sentado contra o chão. Ele soltou um gemido de dor com o forte impacto.
“Oh, desculpe” a morena disse com ironia, tentando segurar a risada.
Emma a repreendeu com o olhar e Regina deu de ombros, observando a loira se aproximar do pirata e ajudá-lo a se livrar da rede. “Você está bem?” perguntou enquanto Killian se levantava e tirava a sujeira de sua roupa.
“Estou” disse seco, se soltando de Emma. “Agora se me dão licença, preciso continuar minha viagem de volta para o porto” o homem se virou sem mais explicações e começou a caminhar.
“De nada!” Regina gritou sarcástica vendo o pirata se afastar. “Aliás... O porto é para o outro lado!”
Hook parou a caminhada e a morena soltou uma risada. Ele se virou emburrado e voltou na direção deles. Antes que pudesse passar pelo trio, Emma segurou seu braço e arqueou uma sobrancelha na sua direção.
“O que você está fazendo, Killian? Achei que fosse seguir viagem com a gente” comentou, um pouco desapontada com a atitude do pirata.
“Vocês não precisam de mim. Sou apenas um pirata covarde” disse em um suspiro.
“Isso é verdade” Regina comentou, se escorando em uma árvore de braços cruzados e observando a cena que o homem fazia.
“Você não está ajudando, Regina” a loira lhe lançou outro olhar reprovador e Regina revirou os olhos. Emma não estava gostando da atitude dela perante o pirata, mas o que ela podia fazer se o ciúmes falava mais alto?
“Ela tem razão” disse triste. “Eu não posso ajudar em nada... Nem com um maldito beijo de amor verdadeiro” puxou o braço, que Emma segurava.
Ao ouvir a frase, Regina rapidamente se colocou em alerta. Ela aproximou-se dos dois, o olhar fuzilando sobre Hook. Henry assistia a cena sem entender nada.
“Você viu...” afirmou em um sussurro, para que o garoto não pudesse ouvir. “Você estava nos vigiando?” o olhou incrédula.
“Eu só fui ver se vocês estavam bem, porque demoravam demais” explicou-se. “Quando cheguei lá vocês estavam conversando sobre como voltar pra casa e sobre beijos de amor verdadeiro. E que nós somos namorados mas você ao menos me ama” disparou na direção de Emma, que o olhou abismada.
“Céus! O quanto da conversa você escutou?” Regina franziu o cenho.
“O suficiente pra descobrir que você é a Rainha Má!” gritou na direção de Regina, que se encolheu à menção daquele título horrível, que aparentemente lhe pertencia. “Se você prefere a ajuda de uma vilã, pois fique com ela” disse para Emma novamente.
“Não fale assim da Regina” o reprendeu e respirou fundo, tentando manter o controle. Ela não podia simplesmente deixar o pirata à própria sorte no meio de uma floresta desconhecida. “Nós precisamos da sua ajuda” a loira disse com a voz calma.
Regina ainda estava em choque, ela nunca se acostumaria em ser a Rainha Má. Ela sentiu uma mão tocar-lhe o ombro.
“Tá tudo bem, mãe. Você não é mais má” o garoto disse com a voz suave. Regina olhou para Henry e sorriu com carinho. Pela primeira vez, não se importando em ser chamada de mãe.
Emma tentava convencer o pirata a ir com eles, mas ele continuava a se negar.
“Deixe o pirata ir, Emma” a morena se aproximou dos dois. Puxou um pedaço de papel velho que tinha preso no cinto. “Aqui” o entregou para o pirata que a fitou confuso.
“O que é isso?” perguntou desconfiado.
“É um mapa. Siga reto por esse caminho” apontou para a trilha por onde haviam caminhado. “As árvores estão marcadas, é só segui-las. Quando chegar na clareira, siga o caminho indicado no mapa” apontou para um tracejado em tinta vermelha. “Isso vai te levar direto para o porto.”
“O-obrigado” disse um pouco constrangido por ter se exaltado com ela, anteriormente.
Emma sorriu para Regina, orgulhosa do seu gesto. “Leve algumas frutas com você” ela ofereceu e entregou um saco de pano, com mantimentos, para o pirata. “Quando nós voltarmos para nossa realidade, a gente conversa” disse sorrindo e dando um beijo de leve na bochecha do pirata, que corou imediatamente.
Regina sentiu seu sangue ferver com tal ato. A morena rangeu os dentes e cerrou o punho, os nós de seus dedos esbranquiçando com a força. O pirata voltou-se para Henry e lhe sorriu.
“Nos vemos por aí, garoto” lhe disse.
Henry sorriu e ergueu a mão, para que Hook batesse contra ela em um high-five. O pirata olhou confuso para o gesto do garoto e apenas ergueu a mão brevemente, lhe imitando. Ele sorriu mais uma vez e começou a se afastar do grupo.
Regina revirou os olhos mais uma vez. “Vamos continuar a viagem” disse ajeitando-se, e caminhando na direção oposta por onde o pirata havia ido.
~*~*~
“Ainda falta muito, mãe?” Henry olhava constantemente para o céu, tentando observar a posição do sol.
“Um pouco...” disse simplesmente, caminhando mais à frente dos dois.
“Por que você tanto olha para o céu, Henry?” Emma perguntou curiosa, observando o filho.
“Antes da mamãe queimar o livro” disse e Regina encolheu os ombros, envergonhada. “Tá tudo bem...” completou com um sorriso. “Então... Eu consegui ler o final, e dizia que os sinos tocavam acompanhando o pôr do sol” ele explicou e apontou para o céu. “Parece que em uma hora ou duas vai começar a anoitecer. Nós precisamos nos apressar.”
Regina mordeu o lábio inferior com força, escondendo o rosto entre os cabelos e continuou a caminhar, sem fitar nenhum dos dois. Ela conhecia aquela floresta como a palma da sua mão. E além do caminho normal – que fora fechado pela Realeza –, haviam mais duas opções por onde poderiam seguir para chegar até Sherwood. Uma delas levaria no máximo uma hora para chegar. Mas o plano para chegarem atrasados continuava em pé, ainda mais agora que estavam livres do pirata falsificado. O caminho pelo qual Regina guiava Emma e Henry era o mais longo. Eles já caminhavam há cerca de três horas desde que se separaram de Hook. Pararam por uns dez minutos para descansar e agora seguiam viagem novamente. Pelos seus cálculos, seguindo aquele ritmo, eles chegariam exatamente ao pôr do sol.
Ela continuava envergonhada com sua atitude, mas seguiria firme. Na sua cabeça, era a única solução.
“Posso ser sincera?” Emma perguntou ao seu lado, assustando a morena. Ela olhou para Emma e em seguida para trás, onde Henry caminhava um pouco mais afastado, se deliciando com algumas amoras. “Eu nunca achei que o Robin te merecesse” disse colocando as mãos atrás do seu corpo e acompanhando os passos de Regina.
“Não foi isso que pareceu um dia atrás” comentou irônica. “Quando você estava empurrando ele pra mim.”
“Eu só fiz isso porque achei que você estivesse apaixonada por ele... E eu prometi que traria seu final feliz.”
“Eu não quero mais pensar em finais felizes” disse pensativa e Emma a olhou confusa. “Quero pensar em começos felizes... Ou recomeços” voltou a olhar para a loira e lhe sorriu. “Quero pensar em nós” sussurrou.
Emma sorriu abobada para a morena. Ela, realmente, queria um bom começo feliz ao seu lado.
“E eu sinto muito pela forma que lidei com o pirata” disse por fim, desvencilhando o olhar do da loira.
“Eu entendo que ele estava chateado, mas não precisava ter falado as coisas que ele falou... Ou ter escutado nossa conversa...” disse suspirando. “Você não acha que ele viu o nosso...” Emma olhou para trás e viu que Henry continuava distraído. “Beijo!?” sussurrou.
“Eu espero que não” Regina comentou. “Mas porque você acha que o Robin não me merecesse?” perguntou curiosa e viu o rosto da loira se contorcer. Ciúmes?
“Você vai entender quando chegarmos em casa” disse entre os dentes. “Você é mais esperta nessa realidade, sabia? Percebeu logo que ele não era sua alma gêmea.”
“Tá dizendo que sou burra no seu mundo?” perguntou fingindo indignação e deu um leve soco no braço de Emma.
“Hey” reclamou, passando a mão sobre o local. “Burra não... Cega talvez!?” encolheu os ombros e deu um passo para o lado, quando sentiu o olhar fuzilador de Regina. “Mas só porque você nunca notou o quanto eu sempre me importei com você” disse por fim, arrancando um sorriso singelo de Regina.
A morena logo desviou o olhar, um sentimento de culpa começando a corroer seu peito. Em breve o sol começaria a se pôr e os sinos tocariam. Não havia mais volta. Mesmo que contasse para eles e apressassem o passo, não chegariam a tempo. Regina respirou fundo e seguiu o percurso em silêncio.
~*~*~
Quando o trio chegou no pequeno vilarejo de Sherwood o céu começava a ser pintado de um vermelho alaranjado. O sol estava prestes a se pôr e os sinos a tocarem. Regina apertou os lábios e seguiu Emma e Henry, que corriam na direção da pequena capela que alguns camponeses indicaram.
“Nós conseguimos” Henry exclamou contente observando a capela. “Os sinos ainda não tocaram.”
Emma sorriu. “Vamos?” perguntou na direção de Regina.
A morena sentiu seu coração acelerar em antecipação. Ainda havia tempo de impedirem o casamento e voltarem para casa. Ela engoliu em seco e sentiu suas pernas falharem. Regina ainda podia fazer a coisa certa.
O sorriso de Emma murchou ao ver a hesitação da morena. “Regina!?”
“Vamos” ela disse por fim, tomando coragem e dando um passo à frente.
E então, no exato momento em que o sol começava a se esconder atrás das montanhas, eles ouviram o badalar dos sinos.
Fale com o autor