Across Realms
5 Capítulo 4 – But can’t you see?
Notas iniciais
“Emma?” arregalou os olhos ao ver a loira à sua frente, estática. Regina manteve a posição de ataque por um tempo, ainda em choque, antes de abaixar o arco e flecha, relaxando os músculos. “O que você está fazendo aqui?” soltou um suspiro, guardando a arma de volta nas costas.
“Eu vi que você não estava mais no acampamento e... Eu fiquei preocupada” confessou, abaixando a cabeça e balançando o corpo pra frente e pra trás, claramente nervosa.
“Ficou?” os olhos de Regina brilharam e um sorriso singelo formou-se em seus lábios.
Emma levantou a cabeça e também sorriu ao ver aquele sorriso tão sincero e perfeito. A morena estava tão fofa fazendo aquela carinha que Emma teve uma enorme vontade de abraça-la e nunca mais soltar.
Mas ela se limitou a concordar com a cabeça.
“Bem... Não precisava. Eu sei me virar sozinha” cruzou os braços sobre o peito, tentando se fazer de difícil.
“Claro que sabe” respondeu, como se estivesse lidando com uma criança. “Mas você é mãe do meu filho, eu não consigo evitar de me preocupar com você.”
Regina sorriu novamente, um sorriso menor, porém não menos sincero.
“E então... Como vamos fazer para voltar? Para sua realidade, quero dizer” perguntou, mudando de assunto.
“Você acredita?” os olhos de Emma se encheram de esperança.
“Estou tentando” deu de ombros.
“Já é um começo” sorriu alegre. “Henry disse que assim que os sinos tocarem, será o fim do livro em que estamos presos. E uma vez que isso acontecer, vamos ficar presos nessa realidade para sempre” disse com calma, lembrando-se das palavras do garoto. “Os sinos são os do casamento de Robin e Zelena, então tudo que temos que fazer é impedir o casamento deles.”
“E então tudo vai voltar ao normal?” a morena arqueou uma sobrancelha.
“Bem...” Emma encolheu os ombros. “Se os sinos não tocarem o livro não acaba, o que nos dá tempo para o próximo passo...” hesitou em continuar e só então percebeu como não queria dizer aquelas próximas palavras. “O beijo do amor verdadeiro.”
“Entre mim e Robin Hood, certo?” a morena perguntou e Emma concordou com a cabeça, não muito contente em pensar naquilo. “Henry me disse a mesma coisa, e é a história mais ridícula que já ouvi. Além do mais, achei que tínhamos combinado que eu não beijaria o ladrão” cruzou os braços de novo, dessa vez sua expressão representando a de uma criança birrenta.
“Eu sei, mas... É o único jeito.”
“Então porque você não beija o pirata falsificado?” perguntou em um tom de desafio.
“Hook?” a loira a olhou espantada.
“Quem mais?”
“Por que você diz isso?”
“Você não o ama? Um beijo de amor verdadeiro entre vocês não resolveria tudo?” perguntou, com desgosto na voz.
“Eu... Eu não sei. É complicado” foi tudo que conseguiu responder. Sua cabeça começando a doer de repente. Ela namorava Hook e sentia um enorme carinho por ele, mas poderia isso ser classificado como amor? Nunca lhe passara pela cabeça compartilhar um beijo de amor verdadeiro com o pirata. “E por que você acha que eu o amo?”
A morena tentou dar de ombros. “Pelo jeito que você olha feito uma boba pra ele, talvez!?” respondeu com ironia.
“Você não é muito boa em julgar isso. Afinal, você achou que nós duas fossemos um casal” comentou sarcástica e a lembrança da sua confusão em relação ao relacionamento das duas, fez Regina corar novamente.
“Em minha defesa, nós dividimos um filho” tentou argumentar.
“Certo” a loira assentiu, divertida ao ver a vermelhidão no rosto da mulher. “Nós poderíamos ser um casal.”
“Poderíamos?” os olhos de Regina arregalaram-se e ela tentou não demonstrar, mas sua voz era carregada de esperança.
Era a vez de Emma sentir o rosto queimar e sua face ficar rubra. “E-eu quis dizer... Aos olhos de outros, sabe... Não que eu queria... Na verdade eu não me importaria... É só que...” a loira se enrolava com as palavras e gesticulava com as mãos, totalmente nervosa.
“Nesse outro mundo...” a morena a cortou, dando um passo à frente e diminuindo a distância entre elas. “Você acha que a gente daria certo?” usou toda sua coragem para fazer aquela pergunta e ainda manter os olhos firmes sobre os da loira. “Como um casal?”
Se ainda era possível, o rosto de Emma ficou mais vermelho. “É complicado...” foi tudo o que conseguiu pronunciar.
“Tudo parece complicado demais nesse mundo. Não sei se quero fazer parte dele” comentou.
“Se você se lembrasse, sentiria tanta falta de Storybrooke como eu sinto” disse com nostalgia em sua voz.
“O que diabos é Storybrooke?” Regina arqueou uma sobrancelha na sua direção, o assunto entre as duas tomando outro rumo. A morena queria pedir se tinha alguma chance com aquela mulher misteriosa, mas ela parecia desconfortável toda vez que tocava no assunto.
“A cidade onde moramos.”
“É um nome bastante estúpido” disse soltando um risinho.
“Nem me diga... Você que escolheu quando lançou a maldição-” e as palavras morreram na sua garganta assim que percebeu o que havia falado e a cara de espanto de Regina. Ela não havia se dado conta de que aquela Regina não lembrava de nada, e aquele esforço de mantê-la afastada do conhecimento sobre ser a Rainha Má estava se esvaindo. Porque ela sabia que o coração da Regina daquela realidade se quebraria em mil pedaços caso soubesse da verdade, e ela não queria que isso acontecesse.
“Que maldição? Do que você está falando?” sua voz saiu falha. Uma maldição não podia ser coisa boa. Mas por que Emma falaria isso? Ela não poderia estar inventando, certo? E agora ela queria saber a verdade. E de repente, a ideia de que a realidade em que viviam fosse uma mentira parecia mais verdadeira do que nunca, porque ela falava com tanta convicção. Mas ao mesmo tempo ela não queria que fosse, porque ela não queria ser o tipo de pessoa que lançava maldições.
“Esqueça isso... Não é nada” a loira desviou o olhar, e quando abriu a boca para desviar do assunto, Regina a interrompeu.
“Como não? De que maldição você está falando?” a fitou, e agora a curiosidade dominava sua voz. A loira nada respondeu e deu as costas para ela, tentando escapar daquilo. “Emma” sua voz saiu autoritária e, o tom presente nela, lembrou o timbre da Rainha Má. Ela sentiu todo seu corpo arrepiar-se e interrompeu seu trajeto.
Emma virou-se para fita-la novamente, receosa. “Eu não devia te falar isso.”
“Agora que você começou, termine” disse com a voz dura. “Eu preciso saber” e a frase saiu mais suave, mais fraca e mais vulnerável.
“Okay...” a loira hesitou. Não seria nada fácil despejar aquele peso nas costas de Regina, mas ela também sabia que a morena não desistiria até saber da verdade. “Nessa realidade, os papéis estão invertidos. Os heróis são vilões, e os vilões são heróis. E bem... No nosso mundo, você foi a Rainha Má e queria se vingar da Snow White, que destruiu o seu amor verdadeiro. Você lançou uma maldição que mandou todos para Storybrooke onde permaneceram presos no tempo por 28 anos, sem seus finais felizes. Até eu, a Salvadora, aparecer e quebrar a maldição.”
Regina ouviu tudo com atenção, cada palavra proferida pela loira a horrorizando mais e mais. Foi difícil absorver toda aquela informação e ela permanecia em choque, a mão sobre a boca e sentiu seus olhos começarem a arder.
Ver a morena daquela forma, era como uma facada no coração de Emma. Ela não se lembrava de sentir tamanha dor. Era horrível vê-la daquela maneira, tão quebrada por ouvir a verdade. A loira só queria abraçar Regina e dizer que tudo ficaria bem, mas ela não conseguiu se mover.
“Meu Deus! Isso é horrível” ela finalmente conseguiu falar, a voz embargada e ainda carregada de horror.
“E- eu sinto muito. Eu-” a loira tentou falar algo, lhe acalmar, mas ela mesma sentia seus olhos começarem a arder e ela sabia que se não fosse forte, choraria junto com Regina.
“Eu sou uma pessoa horrível” interrompeu a loira, alheia ao que ela dizia. Ela não ouvira sua última fala. Tudo o que conseguia pensar era sobre o quão terrível ela havia sido.
“Não, Regina... você-”
“Então é por isso que você me odeia, não é?” voltou a fita-la, o rosto contorcido em dor e os olhos brilhando pelas lágrimas que insistiam em aparecer, mas ela as segurava o máximo que podia.
“O que?” Emma se assustou com a pergunta, que pareceu mais uma afirmação. “Não. Regina, eu não-” tentou explicar para ela, mas a morena a cortou mais uma vez.
“Eu devo ter destruído a vida de todo mundo, inclusive a sua...” as últimas palavras saíram em um fio, e agora ela não era mais capaz de controlar as lágrimas, que escorriam pelo seu rosto, brilhando sob a luz do luar.
“Eu não te odeio, Regina” disse rapidamente, antes que ela a interrompesse mais uma vez. Emma segurou sua mão, fazendo a mulher prestar atenção em si. “Eu nunca poderia te odiar” disse com convicção, olhando bem fundo em seus olhos castanhos.
“Pois deveria.”
“Não, não deveria” reafirmou. “Você mudou, se redimiu. É uma pessoa diferente agora, uma pessoa melhor. Uma heroína” Emma lhe ofereceu um pequeno sorriso, e apertou mais as mãos de Regina nas suas.
“Eu sou?” ela perguntou insegura, querendo se agarrar à aquela declaração o máximo que podia, porque ao menos ela saberia que havia alguma coisa de boa dentro dela.
“Sim” afirmou e sorriu com orgulho. Emma soltou suas mãos e deu um passo à frente, limpado as lágrimas da morena com seu polegar. O toque era tão suave que fez Regina fechar os olhos ao contato. “Por que você acha que o Autor fez sua vida ser tão miserável nessa realidade? Como a de todos os heróis, porque você faz parte disso agora.”
“Minha vida não é tão miserável assim” disse baixinho, recuperando a calma que havia sido levada pelo choro. “Foi por um bom tempo. Mas... não é mais” sorriu fraco na direção da loira.
“Como assim?” ela perguntou confusa.
“Eu tenho Henry... E você” sussurrou, com medo das próprias palavras e de como elas poderiam soar para Emma. “E eu tenho medo que isso acabe” confessou por fim, incapaz de fitar os olhos verdes da loira.
“Por isso você não quer acabar com o casamento do Robin? Você quer continuar nessa realidade?” perguntou, finalmente se dando conta do que se passava na cabeça de Regina.
E a morena meneou a cabeça, afirmativamente. “E se você voltar para esse mundo de onde veio e eu ficar sozinha novamente?” sua voz era carregada de medo e insegurança, e seus olhos finalmente se encontraram com os de Emma.
“Você voltaria junto com a gente, Regina. Porque você faz parte dele também” tentou argumentar.
“Mas não seria a mesma coisa, seria?”
“Poderia ser, é só você querer. No nosso mundo, você já tem Henry, e tem o amor de Robin. E à mim, nós somos amigas agora” falou baixinho. Por que a palavra ‘amigas’ nunca soava como deveria? Por que parecia que faltava algo no relacionamento das duas? Como se apenas amigas não fosse o suficiente?
“Não, não é isso que eu quero” sacudiu a cabeça, lágrimas descendo pelo seu rosto mais uma vez e a morena de um passo pra trás. “Não assim” a voz saindo em um fio, quase que inaudível.
“Eu não entendo-”
“Será que você não consegue ver, Emma?” interrompeu a mulher, que a fitava um tanto surpresa com aquela reação de Regina. Sua voz estava mais elevada e levemente alterada. “Eu não quero somente sua amizade. Eu quero você. Eu quero você por inteira, de corpo e alma. Eu quero seu amor” despejou tudo de uma vez, incapaz de controlar seus sentimentos.
Emma arregalou os olhos com aquela declaração. Ela sentiu seus músculos enrijecerem, ao mesmo tempo que suas pernas começaram a falhar. A loira simplesmente não sabia como reagir. Ao menos encontrava a força necessária para montar uma frase completa.
“Regina, eu-” tentou falar, mas sua garganta estava seca e seu coração batia tão forte que parecia que sairia pela boca.
“Eu estou apaixonada por você, droga” vociferou novamente, as lágrimas correndo soltas. Tudo que ela queria era que a loira expressasse alguma reação. Que dissesse que também a amava ou que a odiava ou que queria somente sua amizade. Qualquer coisa. Ela podia lhe beijar ou lhe dar um tapa na cara. Mas ela queria uma reação. E Emma permanecia em estado de choque, sem saber o que pensar ou falar.
Aquilo estava irritando Regina. Ela se declarava, abria seu coração e se mostrava tão vulnerável na frente da loira para não merecer ao menos um comentário? Seu coração batia descompassadamente, ela ao menos sabia da onde tirara coragem para falar tudo aquilo. Ela iria preferir que Emma saísse correndo, que fugisse dela, ao ficar ali parada, apenas a olhando em choque.
“Quer saber!?” disse por fim, limpando as lágrimas do seu rosto. “Esquece. Eu vou pegar minhas coisas e seguir meu rumo. Eu fui uma tola em acreditar em tudo que você disse” soltou uma risada amarga. “Esse é o mundo real, e eu nunca vou encontrar felicidade nem aqui, nem em qualquer outro reino ou realidade.”
Deu as costas para Emma e começou a dar passos apressados na direção oposta. Ela só queria ficar sozinha. Ao ver a morena se afastando, Emma finalmente conseguiu comandar seu corpo e se mover. Ela não podia deixar Regina fugir daquele jeito, não depois de tudo que falara e não depois de tudo aquilo refletir a forma como ela se sentia em relação à morena.
Quer dizer... Ela não sabia se era amor. Mas aquela atração extremamente forte deveria significar alguma coisa. Assim como a forma que Emma se sentia completa toda vez que elas faziam magia juntas, ou como seu coração se aquecia quando a morena lhe lançava aqueles sorrisos fofos e sinceros. Ou como seu coração acelerava e seu corpo se arrepiava com seus toques suaves e discretos ou com sua aproximação.
Droga! Eram muitas sensações para serem ignoradas.
Regina sentiu a mão da loira pressionar ao redor do seu pulso. Emma era forte, e o corpo da morena foi puxado para trás, suas costas indo de encontro com a textura áspera de uma árvore. Tudo foi muito rápido, em questão de segundos.
Emma apoiou as mãos no tronco, uma de cada lado da cabeça de Regina, a prendendo entre a árvore e seu corpo. E encarou a mulher por instantes, que pareceram perdurar uma eternidade. Seus corpos não se tocavam, mas a intensidade do olhar da loira fora o suficiente para embaçar os sentidos de Regina e fazer seu ritmo cardíaco aumentar consideravelmente.
“Emma...” sua voz saiu rouca, em excitação e surpresa.
A loira inclinou o rosto na sua direção, capturando seus lábios macios com calma. O toque resultou em correntes elétricas percorrendo os corpos de ambas as mulheres. Regina segurou a cintura de Emma e puxou seu corpo de encontro ao dela, as duas gemendo contra a boca uma da outra. A loira entrelaçou os dedos nos cabelos negros de Regina e passou a língua sobre seus lábios. A morena prontamente concedeu passagem, aprofundando o beijo.
O beijo era calmo e sensual, cada uma levando seu tempo explorando e se deliciando, procurando fazer o contato durar o máximo possível. Porque aquele toque levava as duas às nuvens de uma maneira que nenhuma havia sentido antes. As mãos possessivas de Regina puxavam Emma cada vez mais, tentando aumentar o contato.
A loira quebrou o beijo, relutante, quando a busca por oxigênio foi necessária. Seu corpo ainda pressionado contra o de Regina, o gosto delicioso da boca da morena ainda presente em seus lábios, e tudo que ela queria era voltar a prova-los. De novo, e de novo.
Sorriu em meio a respiração descompassada. “Posso confessar uma coisa?” sussurrou contra os lábios da morena.
“Uhmm” Regina meneou levemente com a cabeça, os olhos ainda fechados. Ela umedeceu os lábios, ainda sentindo o toque suave de Emma contra ela.
“Eu... Eu sempre quis saber como era beijar sua boca” disse um pouco hesitante e observou Regina abrir os olhos, corando em seguida.
“Mesmo?” um sorriso meigo se desenhou em seus lábios. “E você acha que eu também queria? Quero dizer... A Regina do mundo em que você veio.”
“Eu gosto de acreditar que sim” sorriu.
“E como vai ser quando a gente voltar? Vamos nos lembrar do que aconteceu aqui?”
“Eu... Eu espero. Não quero esquecer do gosto delicioso da sua boca” sorriu maliciosa para Regina.
“Nem eu” sorriu de volta, dando um selinho na loira. “Isso significa que você quer ficar comigo?” perguntou um tanto insegura.
Emma afirmou com a cabeça. “Eu estou confusa... Em relação ao que eu sinto. Mas, esse beijo...” disse baixinho, passando os dedos sobre seus lábios e em seguida sobre os da morena, passando o polegar sobre sua cicatriz. “Eu nunca me senti assim antes, Regina... Eu acho que-”
“Não” a cortou e Emma a olhou sem entender. “Não fale o que você não sabe. Nem eu mesma sei... Eu te conheço há um dia” soltou uma risada, que saiu um pouco forçada. Porque ela sabia o que estava sentido. E ela tinha certeza que estava apaixonada pela loira. “Mas eu sinto como se te conhecesse há mais tempo, entende!? Talvez porque tudo isso que você fala é verdade... E nós somos amigas, nessa outra realidade, certo!?” Emma concordou com a cabeça. “Vamos apenas levar isso com calma, pode ser? Eu não quero perder você, porque se isso acontecer eu sei que uma parte de mim vai ficar faltando.”
Emma percebeu toda a vulnerabilidade em sua voz.
“Você não vai” afirmou, segurando seu rosto com ambas as mãos e olhando profundamente em seus olhos castanhos.
“Promete?” os dedos de Regina pressionaram mais sua cintura, porque ela tinha medo que, caso lhe soltasse, Emma desapareceria.
“Prometo” sorriu com ternura e voltou a inclinar seu rosto na direção de Regina. Seus lábios se encaixando perfeitamente mais uma vez, em mais um beijo profundo, calmo e sincronizado.
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