Existiam erros.


Existiam decisões ruins.


E existia aparecer na casa de Lucian Voss à meia-noite, permitir que ele me beijasse como se pretendesse apagar meu nome da minha própria memória, oferecer dinheiro para realizar um favor e terminar expulsa de sua propriedade.


Aquilo pertencia a uma categoria própria.


Abri os olhos e encarei o teto do quarto.


Por alguns segundos, ainda naquele estado confuso entre o sono e a consciência, tive a esperança infantil de que tudo tivesse sido um pesadelo particularmente humilhante.


Então lembrei do gosto de uísque.


Fechei os olhos novamente.


— Meu Deus.


Eu realmente tinha deixado aquele homem me beijar. Não. Pior. Eu tinha correspondido. Com entusiasmo.


Enterrei o rosto no travesseiro.


Era possível morrer de vergonha? Porque, se fosse, eu estava em estágio terminal.


O celular sobre o criado-mudo marcava sete e vinte e três. Eu precisava levantar. Tinha uma reunião às nove, uma apresentação de orçamento às onze e uma pilha de problemas reais que não envolviam homens arrogantes, extremamente atraentes e supostamente criminosos.


Principalmente porque Lucian Voss não era criminoso. Pelo menos aparentemente. Mais uma informação que eu poderia ter descoberto antes de bater na porta dele como uma lunática.


Peguei o celular e fiz exatamente o que deveria ter feito dois dias antes.


Pesquisei por Lucian Voss e os resultados foram imediatos. Empresário. Investidor. Proprietário de bares, casas noturnas e vinhedos. Entrevistas em revistas financeiras. Fotografias em eventos. Matérias sobre aquisições.


Uma ou outra referência ao pai e ao passado nebuloso da família, sempre cercada de palavras como suposto, alegado e rumores antigos. Nada que dissesse: Homem disponível para intimidar perseguidores mediante pagamento.


— Idiota.


Não sabia se estava falando de mim ou dele. Provavelmente de mim. Definitivamente de mim. Joguei o celular na cama e me levantei. Eu tinha cometido uma estupidez. Ótimo. Adultos cometiam estupidez. Adultos também acordavam na manhã seguinte, vestiam roupas adequadas e fingiam que nunca tinham sido expulsos da casa de um desconhecido depois de um beijo indecentemente bom.


Era exatamente o que eu faria.



Às nove e quinze, eu já tinha decidido que trabalhar era muito mais fácil do que lidar com a própria vida.


O Greystone London ocupava um edifício histórico restaurado a poucos minutos de Hyde Park e, apesar de pertencer à minha família, eu gostava de pensar que tinha conquistado minha posição ali. Ou tentava. Ser uma Greystone significava que qualquer promoção seria vista por metade das pessoas como inevitável e pela outra metade como nepotismo.


Por isso eu trabalhava o dobro. Talvez o triplo quando estava irritada.


Naquela manhã, uma gerente de eventos descobriu isso da pior maneira.


— Se diminuirmos a equipe em dois profissionais durante o jantar, conseguimos manter o orçamento dentro do previsto — ela explicou, apontando para a planilha projetada na tela.


— E deixamos cento e oitenta convidados esperando por serviço porque economizamos dois salários de uma noite?


Ela hesitou.


— Alexandra...


— Se o cliente está pagando pelo padrão Greystone, ele recebe o padrão Greystone. Corte nas flores. Negocie o fornecedor de iluminação. Tire metade daqueles arranjos absurdos do corredor, ninguém precisa de quarenta e seis vasos para encontrar um salão de baile. Mas não corte atendimento.


O diretor financeiro ao meu lado disfarçou um sorriso.


— Quarenta e quatro — a gerente corrigiu.


Olhei para ela.


— Isso muda tudo.


Algumas risadas baixas atravessaram a sala. Ela relaxou.


— Vou refazer.


— Obrigada.


A reunião terminou vinte minutos depois.


Quando saí da sala, encontrei Benedict atravessando o corredor acompanhado de Margaret.


Margaret tinha setenta e seis anos, cabelos completamente brancos, roupas impecáveis e a capacidade extraordinária de comandar uma agenda executiva usando métodos que provavelmente tinham sido desenvolvidos durante a Guerra Fria.


Ela carregava uma pasta de couro contra o peito. Uma pasta. De papel.


— Benedict — chamou, apressando os passos. — Seu almoço com o senhor Caldwell mudou para quinta-feira.


Ben parou.


— Eu não tenho almoço com Caldwell na quinta.


Margaret abriu a pasta.


— Tem agora.


— Eu tenho reunião com Manchester.


Ela franziu a testa e começou a folhear páginas impressas.


— Um momento.


Olhei para meu irmão e Ben olhou para mim. Meu olhar voltou novamente para Margaret. Depois para ele.


— Nem comece — sussurrou baixinho.


— Ela tem setenta e seis anos.


Margaret ergueu os olhos das folhas.


— Setenta e seis e excelente audição, Lady Alexandra.


Sorri.


— E continua maravilhosa, Margaret.


— Eu sei.


Ela voltou para a pasta. Ben respirou fundo.


— Manchester é sexta?


— Quinta — Margaret respondeu.


— E Caldwell?


Ela folheou mais duas páginas.


— Possivelmente sexta.


Mordi o lábio e Ben me lançou um olhar que dizia claramente para eu não rir. Esperei Margaret se afastar alguns metros.


— Você precisa contratar outra secretária.


— Não.


— Ela acabou de trocar dois dias da sua semana.


— Ela vai resolver.


— Ben, Margaret trabalhava para o papai quando nós ainda usávamos fraldas. Ela já deveria ter se aposentado há dez anos.


— Ela gosta de trabalhar, se eu tirar esse trabalho dela, ela morre de tédio em casa. Ela ama o que faz.


— Não estou dizendo para demiti-la.


— Parece bastante com isso.


— Estou dizendo para contratar uma secretária para a sua secretária. — sugeri, meio a sério, meio brincando. — Alguém jovem, rápida e organizada para fazer o trabalho pesado enquanto a Margaret cuida de outras ocupações. Você precisa de um assistente de verdade, Ben. A empresa está crescendo e você está cobrindo buracos de secretaria em vez de focar no estratégico.


Ele parou.


— Isso é ridículo.


— É genial. Uma assistente executiva. Alguém mais jovem para cuidar de agenda digital, e-mails, viagens, sistemas, essas coisas modernas que Margaret considera uma afronta pessoal à humanidade.


— Ela sabe usar e-mail.


— Ela imprime os e-mails.


Ben abriu a boca, mas fechou logo em seguida. Seus argumentos pareciam ter acabado. Ele soltou um suspiro.


— Ela se recusou a se aposentar duas vezes.


— Então não aposente. Deixa Margaret mandar na nova pessoa e a nova pessoa impedir que você apareça no almoço errado.


— Você está se divertindo demais com isso.


— Estou tentando salvar sua empresa.


— Nossa empresa.


— Quando dá problema, é sua.


Continuei andando.


— Pense nisso.


— Não vou pensar nisso.


— Ótimo. Então pense em contratar uma secretária para pensar por você.


— Vai trabalhar, Alexandra.


Sorri.


— Amo você também.



As flores chegaram às onze e quarenta e dois.


Eu estava terminando uma ligação quando minha assistente entrou carregando um arranjo tão grande que praticamente escondia seu torso.


Meu estômago afundou antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa. Rosas brancas.


— Isso acabou de chegar para você.


Desliguei.


— Tem cartão?


— Aqui.


Ela retirou um envelope pequeno preso entre as flores. Eu já sabia. Ainda assim, minhas mãos ficaram frias quando o peguei. Abri cautelosamente.


"Você saiu tão rápido da última vez.


Ainda precisamos terminar nosso jantar.


Eu sei onde encontrar você.


Robert."


Meu peito apertou. Não era uma ameaça. Era justamente esse o problema. Não havia vou machucar você. Não havia vou matar você. Não havia nada que eu pudesse levar a uma delegacia e apontar dizendo: aqui. Isso. Faça alguma coisa.


Só palavras. Flores. Presença. Insistência.


Uma sequência infinita de gestos que, separados, pareciam banais. Juntos, faziam com que eu olhasse por cima do ombro ao entrar no meu próprio prédio.


— Está tudo bem? — minha assistente perguntou.


Dobrei o cartão.


— Sim. — A mentira saiu automática. — Pode mandar isso para algum hospital?


— As flores?


— Todas.


Ela pareceu surpresa.


— Claro.


— Obrigada.


Esperei a porta fechar. Então reli o cartão.


Eu sei onde encontrar você.


Dessa vez não consegui ignorar o arrepio. Ele sabia onde eu trabalhava. Não era exatamente informação secreta. Meu nome aparecia no site do grupo, em matérias, em eventos. Ainda assim, aquilo não parecia casual.


Peguei o celular.


Meu dedo pairou sobre o nome do meu pai. Só precisava de uma ligação. William Greystone provavelmente colocaria segurança na porta do meu apartamento antes de eu terminar de explicar. Meu irmão faria pior. Ben tinha desenvolvido uma tendência sufocante de proteger todo mundo desde que perdera a esposa. Sebastian provavelmente iria pessoalmente procurar Robert, o que poderia resultar em uma prisão e em três colunas de fofoca antes do almoço.


E minha mãe...


Minha mãe me faria voltar para casa. Talvez não ordenasse. Sylvia era inteligente demais para ordenar. Ela simplesmente apareceria com argumentos tão razoáveis, carinho suficiente e aquela expressão que fazia todos nós nos sentirmos com nove anos de idade até que eu acabasse concordando.


A liberdade que eu tinha levado anos para conquistar desapareceria em vinte minutos. Eu tinha vinte e seis anos. Morava sozinha. Trabalhava. Tinha minha própria rotina. Minha própria casa. Minha vida.


E Robert já tinha roubado coisas demais. Não levaria aquilo também. Bloqueei a tela.


Por um segundo, entretanto, a pergunta veio. Quanto valia minha liberdade? Porque dormir em paz na casa dos meus pais parecia muito menos humilhante do que admitiria em voz alta.


Talvez fosse isso. Talvez eu precisasse escolher.


Liberdade ou paz.


O celular tocou, e eu quase pulei. Número desconhecido. Fiquei olhando até que R ocou outra vez. Dessa vez, Atendi.


— Alô?


Meu coração acelerou com o silêncio do outro lado da linha. Então:


— Você recebeu?


A voz de Robert soou no meu ouvido. Apertei o celular com força.


— Não me ligue.


— Então recebeu.


— Pare de mandar coisas para o meu trabalho.


— Eu só estava sendo gentil.


— Não quero sua gentileza.


Ele riu baixinho.


— Você sempre transforma tudo numa guerra, Alexandra.


— Porque você não entende a palavra não.


— Entendo perfeitamente. Só acho que você está usando cedo demais.


Meu estômago revirou.


— Não existe cedo demais.


— Nós tivemos uma noite ruim.


— Tivemos um jantar. Um único jantar. E eu fui embora porque você é insuportável.


Silêncio se instalou mais uma vez na nossa conversa. Dessa vez, diferente, era pesado e denso.


— Você não deveria falar comigo assim.


Uma ameaça escondida dentro de outra frase perfeitamente inocente.


— Não me procure novamente.


— Alexandra...


Desliguei e após isso bloqueei o número. Minhas mãos estavam tremendo. Fiquei encarando o celular. Na noite anterior, eu havia atravessado Londres porque precisava que alguém assustasse Robert. Naquela manhã, pela primeira vez, considerei seriamente deixar Robert me assustar o suficiente para voltar para casa.


O pensamento me deu vontade de quebrar alguma coisa.



— Nova York tem inverno.


— Hum. — Respondi alheia.


— Um conceito que aparentemente escapou à sua atenção.


— Concordo.


— Eu poderia decidir me mudar para Marte.


— Sim, Marte.


Eva fechou a revista que estava lendo.


— Alex.


Olhei para minha irmã.


Estávamos sentadas em uma pequena sala reservada no hotel, almoçando tarde entre compromissos. Ela tinha o cabelo preso de qualquer jeito e uma planilha aberta no tablet ao lado do prato.


— O quê?


— Você está prestando atenção?


Franzi a testa.


— Sim.


— Porque nos últimos cinco minutos eu disse três coisas completamente diferentes e você concordou com todas.


— Não concordei.


— Eu disse que Nova York tem inverno.


— Tem.


— Depois disse que vou morar em Marte.


— Você sobreviveria.


Ela estreitou os olhos. Ser gêmea de Eva tinha inúmeras vantagens. Uma das desvantagens era que mentir para ela exigia uma quantidade absurda de energia.


— O que aconteceu?


— Nada.


— Ótimo. Agora tente de novo.


Peguei meu garfo.


— Estou cansada.


— Você sempre está cansada.


— Obrigada.


— Não foi crítica. Você trabalha demais.


— Você também.


— E ainda sei quando alguém está falando comigo.


Continuei mexendo na comida. Eva apoiou os cotovelos sobre a mesa.


— É homem?


Quase deixei o garfo cair. Ela sorriu.


— Ah.


— Não faça "ah".


— É homem.


— Não é homem.


— Seu rosto acabou de dizer que é.


— Meu rosto não disse nada.


— Somos praticamente o mesmo rosto, Alex. Eu conheço ele.


Revirei os olhos. O problema era que havia dois homens. Um estava lentamente transformando minha vida em uma prisão.


E outro que parecia o problema encarnado.


E, por algum motivo vergonhoso, era a boca do segundo que continuava invadindo meus pensamentos quando eu deveria estar preocupada com o primeiro.


Lucian Voss.


O beijo tinha sido um erro. Um erro excelente. Mas ainda um erro.


— Não tem ninguém.


Eva não acreditou não pareceu acreditar. Então para mudar de assunto falei:


— Você estava falando de Nova York.


— Estava tentando.


— Então continue.


Ela me observou por mais alguns segundos antes de aceitar temporariamente minha fuga.


— Daqui a dois meses.


Meu peito apertou de um jeito diferente.


— Eu sei.


— Parece pouco quando falo em voz alta.


— Porque é pouco.


— Mamãe já começou a me mandar apartamentos.


— Ela mandou doze para mim ontem.


Eva arregalou os olhos.


— Para você?


— Disse que eu preciso aprovar o bairro.


— Você nunca morou em Nova York.


— Expliquei isso.


— E?


— Ela disse que tenho bom senso.


Eva riu.


— Claramente está desesperada.


Sorri por que aquilo era melhor. O normal. Minha irmã mudando de país. Minha mãe interferindo. Meu irmão precisando de uma secretária para a secretária. Problemas familiares comuns.


Não flores. Não Robert. Não Lucian.


Alguns segundos depois, uma das funcionárias saiu da recepção e veio em nossa direção. Ela bateu de leve na porta de vidro antes de entrar.


— Desculpe interromper, Lady Alexandra.


Meu estômago apertou.


— Tudo bem. O que aconteceu?


A mulher hesitou por um segundo.


— Há um senhor na recepção pedindo para falar com a senhora.


Meu coração despencou. Robert. Minha mão apertou o garfo sobre a mesa.


— Ele disse o nome?


— Disse, sim.


Eva já estava me olhando com atenção.


— Quem é? — perguntei.


A funcionária ajeitou as mãos diante do corpo.


— Senhor Lucian Voss.


Fiquei imóvel. Por um segundo, tive certeza de que tinha ouvido errado.


— Desculpe?


— Lucian Voss. Ele disse que não tem horário marcado, mas que a senhora saberia quem ele é.


Ah, eu sabia. Sabia muito bem. O homem que havia me expulsado da casa dele menos de vinte e quatro horas antes estava parado no saguão do hotel da minha família pedindo para me ver.


— Alex? — Eva chamou.


Não respondi. Minha cabeça já tinha parado em um único pensamento: Que diabos ele estava fazendo ali?


E agora estava no meu hotel.


— Quem é? — Eva perguntou.


— Ninguém.


— Esse ninguém acabou de fazer você parecer que viu um fantasma.


Levantei.


— Preciso resolver uma coisa.


— Alex.


— Depois. Eu preciso ir.


Saí antes que ela pudesse me impedir.


Atravessei o corredor tentando entender que diabos Lucian Voss poderia querer comigo.


Talvez tivesse descoberto alguma coisa sobre Robert. Talvez estivesse ali para ameaçar me processar por ter oferecido dinheiro para que cometesse um crime. Talvez tivesse vindo apenas terminar de me humilhar porque aparentemente a noite anterior não tinha sido suficiente.


Quando cheguei ao mezanino e olhei para o saguão abaixo, encontrei-o imediatamente. Era impossível não encontrar. Lucian estava perto da recepção, vestindo um terno cinza-escuro perfeitamente ajustado ao corpo, uma das mãos no bolso da calça enquanto conversava com o gerente do hotel.


Absolutamente deslocado e, ao mesmo tempo, parecendo pertencer a qualquer lugar onde decidisse ficar.


Como se sentisse meu olhar, levantou a cabeça. Nossos olhos se encontraram e o desgraçado sorriu. Como se fosse ele quem tivesse todas as cartas. Meu corpo, traidor miserável, lembrou do beijo.


Desci as escadas e Lucian acompanhou cada passo. Quando cheguei ao saguão, parei diante dele. Cumprimentei rapidamente o gerente que logo nos deixou a sós.


— Você está perdido?


— Bom te ver também, Alexandra.


— Ontem você parecia bastante decidido a nunca mais me ver.


— Mudei de ideia.


Cruzei os braços.


— Que conveniente.


Os olhos verdes desceram rapidamente pelo meu corpo antes de voltarem ao meu rosto.


— Descobri algumas coisas.


Meu estômago se contraiu.


— Sobre Robert?


— Sobre você.


Isso era pior.


— Não sei se deveria ficar lisonjeada ou chamar a polícia.


— Considerando a proposta que você me fez ontem, eu evitaria a polícia.


Cerrei os dentes.


— O que você quer, Voss?


O sorriso dele aumentou.


— Fazer negócios.


Soltei uma risada incrédula.


— Você me expulsou da sua casa porque eu queria fazer negócios.


— Você queria me contratar para bater em alguém.


— Eu disse assustar.


— Distinção importante.


— Vá embora.


Passei por ele e a mão de Lucian fechou suavemente em torno do meu braço. Parei e olhei para os dedos dele que me soltou imediatamente.


— Eu posso ajudar você com o homem que vem te importunando.


Toda a irritação desapareceu. Virei o rosto devagar e Lucian já não sorria mais.


— O quê?


— Você ouviu.


— Ontem ele não era problema seu.


— Continua não sendo.


— Então por que está aqui?


Ele inclinou levemente a cabeça.


— Porque agora eu tenho um problema que pode ser seu.


Fiquei encarando aquele homem.


— Isso não fez sentido nenhum.


— Vai fazer.


— E por que eu deveria confiar em você?


— Não deveria.


A resposta imediata me pegou desprevenida. Lucian aproximou-se apenas o suficiente para baixar a voz.


— Mas você apareceu na minha casa ontem porque estava desesperada o suficiente para tentar.


Meu maxilar endureceu. Ele tinha razão. O que me irritava ainda mais.


— O que você quer?


Dessa vez, o sorriso voltou.


— Uma hora do seu tempo.


— Já desperdicei tempo demais com você.


— Alexandra. — A maneira como ele disse meu nome fez alguma coisa extremamente inconveniente acontecer no meu estômago. — Uma hora. Você escuta minha proposta. Se ainda quiser que eu vá embora depois, nunca mais apareço no seu caminho.


Olhei para ele antes de virar o olhar para o saguão cheio de funcionários. Depois para o celular na minha mão. O cartão de Robert parecia ainda estar queimando dentro da gaveta do meu escritório.


Eu sei onde encontrar você.


Liberdade ou paz.


Talvez existisse uma terceira opção. Infelizmente, ela tinha um metro e noventa, olhos verdes, pele negra e uma arrogância insuportável. Soltei o ar com força.


— Trinta minutos. — Lucian sorriu. Comecei a caminhar em direção aos elevadores. — E não me beije.


Ouvi a risada dele atrás de mim.


— Não estava nos meus planos.


Apertei o botão.


— Ótimo.


Ele parou ao meu lado. As portas se abriram e entramos. Antes que elas se fechassem, Lucian inclinou o rosto na minha direção.


— Mas, para ser justo, também não estava ontem.


Olhei para ele. O sorriso daquele desgraçado era uma provocação e naquele instante tive absoluta certeza de uma coisa: Aceitar ouvir Lucian Voss provavelmente seria a segunda pior decisão que eu tomaria naquela semana.


O problema era que a primeira tinha sido ir até a casa dele. E eu ainda não tinha certeza se me arrependia do beijo.