Acordo Nupcial
2 Capítulo 2 - Eu Aceito
Notas iniciais
Recuei o corpo na poltrona de couro, tentando ignorar a raiva que embrulhava meu estômago, ao encarar o homem alto de terno slim parado à minha frente. Edward continuou com seus olhos claros em mim, mas deixou de me tocar ao perceber o espanto em meu rosto.
Ficou evidente, pelo desprezo, que ele me via apenas como um negócio, um possível plano de vingança.
—Você está louco? – minha voz saiu em um sussurro falho e completamente pasmo. Ainda não podia crer que tinha ouvido aquilo dele
—Nem um pouco. – respondeu abrindo um lindo sorriso convencido.
Empurrei a cadeira com os pés afastando-a de Edward, minhas penas estavam um tanto quanto trêmulas, mas eu precisava manter uma distancia segura dele. E daqueles olhos, e perfume, e corpo... Se aos dezoito anos, com pelo menos quarenta quilos de músculos a menos, Edward já era um tesão, olhá-lo agora era uma tentação quase irresistível.
Minhas bochechas queimaram enquanto algumas imagens impuras passavam por minha mente, instantâneas e vívidas.
Pigarrei ao olhar através de Edward para o quadro na parede, tentando evitar aqueles olhos conhecidos. Sentia que eles me observavam, fazendo meu sangue ferver mesmo depois de tanto tempo, o que quase me levou de volta ao verão dos meus dezesseis anos, onde me envolvi com aquele garoto alto, com quem não tinha permissão nem para conversar e que, em última análise, me inspirou a quebrar regras sagradas.
Quase.
—Estou falando sério, Edward. Por acaso você não bateu com a cabeça nos últimos quinze anos? Apesar de nunca ter sido sofisticado, parecia ao menos lúcido quando o conheci. – tentei afetá-lo tanto quando ele havia me afetado. Era perturbador que aquele moleque tivesse se tornado um homem com o poder de ainda fazer meu coração disparar mesmo depois de uma década e meia, e depois daquela proposta parecia que ia explodir.
—Estou perfeitamente lúcido. – afirmou secamente. – Não finja que lhe é estranho o conceito de casamento por conveniência.
Obviamente não era.
Havia uma razão por que todos os meus ex-namorados tivessem sido apresentados por seu Charlie. Porque, geralmente, havia no escritório dele alguma pasta com o nome da pessoa carimbado. Aquele com quem me casasse deveria ser da família certa, de boa reputação, com boas credenciais.
Algo que eu nunca desejara. Uma parte minha, a qual eu mantinha a sete chaves para que ninguém pudesse perceber, ainda era a menina romântica de dezesseis anos que acreditava no amor, que queria ser amada por quem era e não por meu extrato bancário.
É claro que, para Charlie, nada daquilo tinha importância.
—É claro que conheço o conceito, mas não quer dizer que eu queira fazer parte dele. – minha voz saíra ríspida. E era verdade, casamento de qualquer forma sempre me parecera um enorme problema, a salvo em um futuro longínquo, e não algo que desejasse. —Na verdade, eu não quero me casar com você. – acrescentei por precaução.
—Desde quando é uma questão de querer? Você acha que quero me casar e me amarrar para sempre? É uma necessidade. Eu já sei há tempos que preciso fazer um bom casamento para ter um pouco mais de respeito nesse... Meio. – qualquer outra pessoa que ouvisse aquilo poderia achar um absurdo, mas era a mais pura verdade.
Às vezes, nem mesmo o dinheiro bastava. Para alcançar a parte mais nobre da sociedade americana, era preciso ter uma boa família, ou no mínimo, boas relações.
—Não tinha pensado em você, mas agora acho que será perfeita. Considere-se um passaporte ambulante para a alta sociedade.
—Você tem certeza de que não teve um traumatismo craniano, Edward? – voltei a perguntar.
—Toda certeza. – confirmou após rolar os olhos.
Encarei-o por longos segundos, pelo visto não era apenas sua aparência que tinha mudado.
—Não me lembrava de você ser tão canalha. – analisei em tom mais baixo e frio.
Edward desencostou da mesa e arrumou a postura ao me encarar de frente.
—As pessoas mudam com o tempo, Isabella. Certamente sabe disso. Você também não é mais quem era, ou é?
—Não.
Talvez ainda fosse.
Estar tão perto de Edward me fazia ter sensações que achava ter deixado para trás há muito tempo. E aquilo definitivamente não era uma coisa boa.
—No meu ponto de vista, Isabella, você tem poucas opções se quiser que a Gamovies sobreviva. – o pior de saber que Edward tinha razão, era perceber que ele também tinha consciência disso. O que só servia para me deixar ainda mais encurrala-la e inflar seu ego gigante.
—Não, eu não vejo casamento como um negócio. – batei o pé ao cruzar os braços.
—Acho difícil de acreditar. – assobiou arrumando o blazer caro à frente do corpo.
—É mesmo? – minha voz destilou cinismo, minha raiva voltou a intensificar assim que ele assentiu com a cabeça. —Realmente lamento que não acredite, Edward, contudo, não estou disposta a me casar com você.
Ele cerrou os lábios e pressionou os lábios assumindo uma postura pensativa.
—Sei muito bem que está usando esse papinho de fazer um bom casamento para camuflar suas verdadeiras intensões...
—E quais seriam minhas verdadeiras intensões? – seus olhos verdes se mostraram desafiadores e interessados.
—Se vingar de mim e da minha família. – respondi sem titubear. —Não sou a menininha inocente que você conheceu há quinze anos.
—Tenho certeza que não. – fora extremamente impessoal.
—Ótimo. – abri um sorriso irônico. —Se era só isso que tinha a me dizer, já pode ir. – gesticulei em direção a porta mantendo meus olhos nos seus.
Edward prendeu o lábios inferior entredentes e se aproximou de mim com passos lentos.
—Você já foi mais educada, sabia? – provocou ao parar poucos centímetros a minha frente. —Eu vou embora, mas vou deixar meu endereço com sua secretária. Tenho certeza que vai mudar de ideia.
Entreabri os lábios para manda-lo deixar seu endereço com o capeta, mas ele fora mais rápido ao ergueu a mão e acariciar meu rosto. O ato fora simples e rápido, mas intenso o suficiente para me deixar completamente desestabilizada.
Ainda afeta por aquele reencontro e proposta, o vi sair da minha sala tranquilamente. Não precisei de muito tempo sozinha para começar a duvidar que tudo aquilo tinha acontecido.
Estava começado a ter certeza de que aquela ultima meia hora fora apenas um delírio da minha cabeça, mas fora na internet que constatei que tudo fora real. Não precisei procurar muito, Edward estava presente na maioria das reportagens sobre finanças e negócios em ascensão.
—Com licença. – a voz de Ângela seguiu as batidas na porta.
Desviei os olhos do computador para encará-la, ela adentrou a sala sorrindo de orelha a orelha, e deixou a minha frente um papel rabiscado.
—O senhor Cullen pediu para deixar com você...
—Ângela eu quero que você rasgue esse papel em mil pedaços e depois coloque tudo na lixeira mais distante que encontrar. – a interrompi verdadeiramente irritada.
—O que aconteceu? – ela demonstrou não entender minha reação e com o semblante contraído pela dúvida, me viu levantar da poltrona e recolher minhas coisas.
—Quero distância desse homem. – queria que ele ficasse enterrado naquele passado longínquo que eu nunca visitava. —Vou ir embora mais cedo, quero ir visitar meus pais. Se alguém perguntar por mim, peça para me procurar amanhã.
—Tudo bem. – concordou ao me ajudar a vestir o casaco de couro pesado.
Nem mesmo os corredores vazios do prédio conseguiram me incomodar mais. Nada me incomodava mais do que a petulância daquele homem. Era óbvio que ele havia me procurado para se exibir, e aquele pedido, nada mais era do que uma piada com a minha cara.
Quanto mais pensava em tudo aquilo, mais raiva eu sentia.
O que eu tinha feito para Deus me castigar tanto?
Corri a mão pelo rosto e respirei fundo na vaga tentativa de me acalmar. Era incrível como situações ruins podiam piorar ainda mais.
O que faltava acontecer para melhorar meu dia?
Encarei o céu nublado que cobria Chicago, aproveitando o sinal vermelho para colocar meus pensamentos em ordens.
Era esperar demais que um milagre caísse dos céus?
O vibre do meu celular me despertou daquele momento de esperança e aclamação. Prendi o ar nos pulmões ao ver que era Renée quem me ligava. Dar a ela a notícia que a nossa ultima esperança havia escorrido pelo ralo não seria nada fácil... A verdade é que eu queria guardar todos aqueles problemas para mim. Meus pais não mereciam tanto sofrimento.
—Oi, mãe. – atendi antes de acelerar o carro pela avenida ás margens do rio Michigan.
—Bella, precisamos conversar. – nada me assustava mais do que aquelas palavras. Ultimamente elas sempre vinham acompanhadas de péssimas notícias, e tom preocupado de Renée deixou claro que não seria diferente aquela vez.
—Aconteceu alguma coisa? – o aquecedor do meu carro estava ligado e funcionando perfeitamente, contudo, nada era capaz de me aquecer. Todo meu corpo estava gelado. Acho que era o medo que me deixava daquela maneira.
—Sim, filha. – lamentou com o timbre choroso. —Pode vir aqui em casa?
—Sim, já estou indo. – confirmei rapidamente pisando fundo no acelerador. —O que está acontecendo dessa vez? Não é nada com a saúde do meu pai...
—Não, seu pai está bem. – aquilo me deixou um pouco mais aliviada. Bem pouco. —Te explico tudo quando chegar, ok?
—Ok. – não queria concordar, queria que ela abrisse o jogo de uma vez, mas quando minha mãe pedia para falar pessoalmente era porque a coisa estava verdadeiramente tensa.
A rua Lincoln Park estava na mesma calmaria de sempre. Quando passei com o carro pelos portões de entrada da casa de pedra branca dos meus pais, senti meu coração contrair dentro de mim ao ver a grama do jardim mais alta do que de costume.
O senhor Thompson havia sido demitido há quase um mês e desde então os jardins da casa estavam sem cuidados. Era, além de preocupante, triste vê-los daquele jeito. Era como se as lembranças mais felizes da minha infância estivessem sendo destruídas junto daqueles ambientes.
—Boa tarde, senhorita Bella. – Linda desejou assim que abriu a porta da frente para que eu entrasse.
—Boa tarde, Linda. – ela foi gentil ao me ajudar a tirar o casaco e segurá-lo para guardar. —Tudo bem por aqui? Onde estão meus pais?
—Sim, está tudo bem. – sorriu exibindo suas covinhas na bochecha. —O senhor Charlie está a fisioterapia, e a senhora Renée está repousando na grande suíte. – informou abrindo a porta do armário do de casacos do hall de entrada. —Ela pediu que a senhorita fosse encontrá-la quando chegasse.
—Obrigada. – agradeci sorrindo gentilmente.
Subi a grande escada de pedra branca em direção ao andar superior, e enquanto apoiava no corrimão de ferro forjado, me lembrei das várias vezes em que havia o usado como escorregador. Meus pais odiavam que eu fizesse aquele tipo de “molecagem”, mas achava extremamente divertido.
Suspirei profundamente enquanto seguia até o quarto dos meus pais. Tudo o que eu queria era voltar a ser criança para que pudesse me livrar de todos aqueles problemas.
—Mãe. – chamei ao abrir a porta do quarto que se encontrava parcialmente escuro. —Tudo bem? – perguntei ao vê-la deitada sobre a cama.
Renée se sentou e usou o controle das persianas para abri-las um pouco mais. A luz natural que entrou no quarto revelou a face vermelha e os olhos inchados. Meu coração pulou uma batida e um frio intenso domou meu estômago.
—Mãe, o que aconteceu? – praticamente corri em sua direção.
—Uma desgraça! – sua voz saiu chorosa. —Você não sabe o que... O que o seu pai fez. – gaguejou olhando-me com desespero.
—O que foi agora? – perguntei em sussurro, mas a verdade é que eu não queria saber a resposta.
—O Billy esteve aqui agora pouco, veio me contar que seu pai hipotecou nossa casa. – fungou alto. —E... E como não pagou a dívida com o banco, estão querendo.... Querendo....
—Tomar a casa?
Não sei exatamente como tive forças para dizer aquelas palavras. E quando Renée desesperada confirmou com a cabeça, tive a reposta de mais cedo, era exatamente aquilo que eu precisava para melhorar meu dia.
—Não posso acreditar! – minha voz externou toda a perplexidade que eu sentia.
—Nem eu.... Estou absolutamente sem chão. – mamãe afundou o rosto nas mãos e soluçou alto. —O que é que falta para chegarmos na rua da amargura? Já não temos mais nada...
—Se acalma, mãe. – pedi ao passar o braço por seus ombros tentando reconforta-la com um abraço. —Nós vamos dar um jeito...
—Que jeito, minha filha? – seus olhos cor de mel voltaram a me encarar. —Já não temos mais nada. – repetiu, dessa vez, um pouco mais aflita. —Vendemos tudo! Tudo! – fez uma pausa para limpar o rosto com o lenço. —A única coisa que nos resta são os carros e a casa. – respirou fundo algumas vezes para conter o choro. —Quero dizer, agora não temos nem a casa mais.
A situação era verdadeiramente desesperadora, mas se deixasse mamãe perceber que partilhava do mesmo sentimento, ela só ficaria pior.
No entanto, tudo só ia de mal a pior. No começo vendemos as joias, os quadros, as estátuas, qualquer coisa de “menor valor”. Depois vieram as casas, os apartamentos. As ações em outras empresas... Agora não tínhamos mais nada, a não ser um acúmulo de dívidas que a empresa falida nos deixara.
—O papai já sabe?
—Não. – Renée maneou a cabeça em negação. —Quando Billy chegou, ele já estava na fisioterapia.
Esfreguei a mão no rosto na doce ilusão de que aquilo fosse me fazer despertar daquele pesadelo.
Porque tudo tinha que ser tão difícil? Como nossa família se afundou na lama assim?
—Sabe o que é pior, filha? – a pergunta de Renée me deixou com o coração disparado. Não conseguia imaginar o que podia ser pior que tudo aquilo. —Não temos dinheiro nem para continuar o tratamento do seu pai. – seus olhos cor de mel estavam inundados na amargura.
—Não vamos deixar de pagar o tratamento do papai. – aquilo não era uma opção, Charlie havia ficado com sequelas graves e precisava de todo o cuidado. —Vou ver se ainda tenho alguma joia, algum quadro ou objeto de valor...
—E mês que vem? E a casa? E a dívida? E a empresa?
Corri a mão pelo rosto ao ser metralhada por aquelas perguntas das quais não tinha nenhuma resposta. A verdade é que estávamos em um beco se saída que se apertava cada vez mais. Por mais que quisesse negar com todo meu ser, sentia que a minha única opção era aceitar a proposta de Edward.
—Mãe, tenho certeza que vamos dar um jeito. – assegurei enquanto afagava sua mão. —Confie em mim, as coisas vão melhorar.
—Queria ter essa fé, querida. Contudo, já não vejo mais saída para os nosso problemas. – seu sorriso triste me deixou com o coração ainda mais apertado.
Toda aquela situação era difícil para mim, mas sabia que era ainda pior para os meus pais. Eles se dedicaram tanto a empresa, não era justo que tudo acabasse daquela forma. E o que eles iriam fazer se decretássemos falência? Eles já haviam passado dos cinquenta, como iriam trabalhar? Charlie mal conseguia mexer as pernas....
—Confie em mim, mãe. Vai dar tudo certo. – disse aquilo na esperança de atrair boas vibrações. Só me restava acreditar que tudo ficaria bem, me desesperar não adiantaria nada naquele momento.
O término da fisioterapia de Charlie obrigou Renée a secar as lágrimas e agir como se nada demais estivesse acontecendo. O médico já tinha nos alertado que emoções fortes seriam extremamente prejudiciais ao meu pai, então nós duas precisávamos segurar a barra.
—Como você está? – perguntei assim que Jared o acomodou na cama. Era difícil vê-lo tão debilitado e abatido. Além das sequelas do derrame, ele havia emagrecido muito e estava bastante pálido.
—Cada dia melhor. – respondeu e, apesar da dificuldade, era possível notar uma melhora em sua fala. —E a empresa? – aquela era a maior preocupação de Charlie, nada era mais importante que seus negócios.
Prendi o ar nos pulmões recebendo seu olhar de expectativa.
—Melhorando. – menti. —Estou fechando acordo com um novo investidor e tenho certeza que vamos prosperar.
Ele sorriu satisfeito, os lábios levemente tortos para o lado esquerdo que fora afetado.
—Você nunca me decepciona. Sempre soube que daria conta de cuidar de tudo. – sua voz deixava nítido todo o orgulho que sentia. Aquilo me deixava ainda pior. —Vou ser sincero, não sei se iria querer ficar vivo para ver a empresa afundar..., Mas agora que está tendo boas respostas, mal vejo a hora de me recuperar para voltar ao trabalho.
Engoli a seco e forcei um sorriso, ao meu lado, Renée ficou ainda mais tensa.
—Não pense em negócios agora, querido. – pediu arrumando os edredons sobre as pernas de Charlie. —Você precisa descansar.
Me despedi de Charlie com um rápido abraço antes de sair do quarto. Renée me encarou com olhos repreensivos assim que fechou a porta.
—Você perdeu o juízo, Bella? Tudo bem não falar a verdade, mas inventar que encontrou um investidor já demais...
—Não inventei. – a cortei enquanto tirava o celular da bolsa. —Recebi uma proposta hoje e vou aceita-la.
Renée estreitou os olhos e cruzou os braços, não tive tempo de reparar em sua postura analítica já que toda minha atenção estava voltada para os meus contatos.
—Que proposta? Porque não me disse nada?
—Mãe, não tenho tempo para conversar agora. – proferi pressionando o celular contra a orelha. —Preciso resolver isso o quanto antes, mais tarde eu te explico tudo.
Lhe lancei um beijo no ar antes de sair em disparada pelo corredor. Desci rápido os degraus da escada e agradeci a Linda com um sorriso quando ela me ajudou a vestir o casaco.
—Oi, Bella. – Ângela atendeu com o mesmo tom animado de sempre.
—Angie, me diga que não fez o que eu pedi e que não jogou fora o endereço do Edward... Cullen. – assemelha-lo aquele sobrenome me causava bastante estranheza. Para mim se tratava de duas pessoas diferentes: Edward Masen, o meu primeiro namorado e Edward Cullen, o empresário poderoso.
—Sabia que iria se arrepender. – soltou um risinho e respirei aliviada enquanto saía com o carro pela rua calma. —Vou te enviar o endereço por mensagem.
—Ok, obrigada. – estava verdadeiramente agradecida por ela não ter me ouvido.
Coloquei o endereço no GPS e me surpreendi ao ver que Edward morava em Gold Coast. Enquanto seguia o caminho sugerido pelo aplicativo até o endereço me perdi nos pensamentos e na ironia do destino.
Quem diria que aquele menino alto, magro e órfão, se tornaria um homem forte e tão poderoso? Que se tornaria minha salvação em meio a todo aquele caos?
Estacionei o carro em frente ao edifício negro de alto luxo, que continha o metro quadrado mais caro da cidade, e me vi completamente amargurada. Sentia que estava me vendendo, mas o que mais poderia fazer?
—Boa noite. – desejei ao segurança que me encarou com curiosidade. —Eu sou Isabella Swan, vim visitar um amigo.
—Quem seria? – indagou com os braços atrás do corpo.
—Edward Cullen. – seu semblante ascendeu assim que disse o nome. Ele maneou a cabeça e pediu para que eu esperasse um instante.
O começo da noite estava um tanto quanto frio, e sabia que aquilo era um mero presságio do inverno que estava por vir.
—O senhor Cullen vai te receber, senhorita. – disse assim que atravessou as portas giratórias. —Quer que eu peça para guardar o seu carro?
—Obrigada, mas não é necessário. Não vou demorar.
Ele gesticulou com a cabeça e liberou minha entrada. O hall de entrada do prédio era magnífico, o pé direito alto permitia que lustres imensos fossem pendurados e eles refletiam com esplendor no chão de mármore preto. Tudo era muito moderno e luxuoso, uma arquitetura impecável.
—Senhorita Swan? – uma moça na recepção me chamou assim que me vi perdida na imensidão daquela entrada. Eram tantos caminhos, tantos elevadores...
—Sim? – respondi um pouco desconexa enquanto me aproximava do balcão alto e imponente.
—Precisa de ajuda para chegar até o senhor Cullen? – sua voz era cordial.
—Na verdade eu preciso sim. – sorri amarelo.
—Se dobrar a esquerda, vai encontrar o elevador privativo, a porta é um pouco mais escura que as outras. É só pressionar o botão da cobertura. O senhor Cullen já está a sua espera.
Repassei suas coordenas algumas vezes, a informação de que Edward já estava a minha espera me deixou um tanto quanto incomodada.
Ele deveria estar cheio de si. Sabia que era minha única opção, sabia que eu o procuraria.
Pressionei o botão claro em direção a cobertura me sentindo completamente irritada.
Porque tinha que ser ele? Porque não podia ser qualquer outra pessoa?
Soltei o ar pela boca e me recostei na parede espelhada. Não estava nem um pouco satisfeita, mas não havia para onde correr... Ou aceitava os termos de Edward, ou aceitaria a falência e enterrava de vez meu pai.
As portas se abriram em uma sala pequena, de paredes e piso claro. Havia uma pequena mesa redonda no centro e uma estátua de pedra negra.
Tomei fôlego pela boca seguindo até a porta imensa que deveria ter mais de três metros de altura.
Vai ficar tudo bem.
Garanti a mim mesma quando a vontade de sair dali correndo preencheu meu peito. Ergui a mão para pressionar a campainha, mas a porta se abriu um segundo antes.
Levei uns segundos para reconhecer a figura alta parada a minha frente. Os olhos eram tão prepotentes quanto o sorriso vitorioso que ele mantinha nos lábios.
O ódio cresceu dentro de mim, a vontade que eu sentia de estapear aquele rosto bonito só aumentava... Respirei fundo mais uma vez e tentei deixar tudo aquilo de lado.
—Eu aceito me casar com você, Edward. – disse em único fôlego usando da pequena dose de coragem que possuía e vi o sorriso aumentar em seu rosto.
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