Acordo Nupcial
3 Capítulo 3 - Senhor e Senhora Cullen
Notas iniciais
—Uma decisão muito sábia, Isabella. – respondeu após longos segundos de silêncio. Contraí os lábios tentando conter a raiva que borbulhava dentro de mim. Não sei exatamente o que me deixava ainda mais irada, o ar vitorioso que ele tinha na face, ou a insistência em me chamar de Isabella. —Entre. – pediu ao liberar acesso ao seu apartamento.
O ambiente amplo que se abriu me deixou momentaneamente surpresa. O pé direito era altíssimo, o que só agregava valor as parede de vidro que seguia todo o lado direito, algumas persianas estavam abertas e olhando rapidamente percebi como tinha uma vista privilegiada do rio Michigan.
Naquela imensa sala de estar havia um belo e grande sofá quadrado cinza escuro à frente da lareira retangular que estava acesa. Fora para lá que Edward me guiara e educadamente, pediu que eu me sentasse.
—Aceita uma taça de vinho? – neguei com a cabaça, o desconforto só crescia dentro de mim. —Uma água?
—Edward, não vim ter um encontro com você. – fiz questão de deixar claro. —Vamos falar do que interessa.
A expressão em seu rosto não mudou, e seu olhar permaneceu sombrio e ardente, porém, percebi uma mudança súbita de energia. Fitei o homem sério e frio à minha frente. Para ele, tratava-se de negócios. Outra maneira de alcançar o topo. Teria que enxergar da mesma forma.
—Claro. – forçou um sorriso puxando as mangas do suéter preto que usava até a metade do antebraço. —Fico feliz por ver que reconsiderou minha proposta.
—Eu não tive muita escolha, não é?
—Nenhuma teria um resultado melhor. Você é uma mulher inteligente, sabe que o resultado final é o que importa.
Eu queria ser aquela mulher, e tentaria ser, pois era ela quem tiraria a Gamovies do vermelho.
—Tudo o que me importa são os negócios da minha família. – afirmei devagar, sentindo algemas imaginárias apertarem meus pulsos. —Antes que isso vá adiante, preciso saber do que se trata.
Edward estreitou os olhos e reclinou levemente a cabeça para o lado.
—Como assim?
—Porque está fazendo isso? Porque precisamos nos casar? Não seria mais fácil...
—Investir meu tempo e dinheiro em uma família que me tratou feito um verme anos atrás? – sua pergunta saíra mesclada na ironia e no ódio.
Recuei o corpo sentindo os resultados da sua frase. Um tapa na cara teria doído menos. Se ainda restava alguma dúvida de que ele estava fazendo aquilo para se vingar, ela fora dissolvida completamente naquele momento.
—Estou oferecendo uma solução simples, Isabella. – rompeu o silêncio, dessa vez estava mais desarmado da arrogância.
—Ah é, simples. – ironizei rolando os olhos. —Em que mundo o casamento é uma solução simples?
—Neste mundo. Alianças são feitas todos os dias com casamentos de conveniência. Você mesma já fez. – acusou usando do que sabia do meu passado contra mim.
—Nada foi concretizado. – arqueei o queixo encarando-o de cima. —Acredito no casamento por amor.
Edward me encarou fixamente, os olhos estavam ilegíveis, e os lábios desenhados comprimidos em uma linha tensa.
Porque ele tinha que estar tão lindo? Porque o tempo só lhe fizera bem?
Respirei fundo e maneei a cabeça, aquilo fora o suficiente para tirar Edward do transe.
—Romantizar uma instituição nunca me pareceu fazer sentido. – debochou apoiando os braços fortes nas pernas. Foi impossível não reparar como a calça bege de tecido importado delineava suas pernas grossas e musculosas.
Prendi o ar nos pulmões me recriminando por olhá-lo daquela forma. Por mais lindo e charmoso que estivesse, Edward jamais deixaria de ser o homem que me usou e abandonou há quinze anos.
—Tudo bem. Vamos fazer isso. – minha voz demonstrou uma certeza que eu não tinha. —Mas vamos levar esse casamento como um negócio. – Edward mordeu o lábio inferior demonstrando bastante interesse. —Quero um acordo pré-nupcial, e tenho algumas condições.
—O acordo será feito, com toda a certeza. – era bom ele concordar com aquilo. —Quais seriam as condições?
—Quero que quite todas as dívidas da minha família e que supra as necessidades dos meus pais enquanto a empresa não se estabiliza novamente. – disse tudo em um fôlego só.
Edward ergueu o corpo e após um período em silêncio maneou a cabeça em consentimento.
—Tudo bem, não vejo problemas nisso. – deu de ombros, mas pude ver o quanto aquilo lhe agradava. Edward estava visivelmente satisfeito com toda aquela situação, o que só servia para me deixar ainda mais irritada. —Algo mais?
—Sim. – respondi de imediato. —Não quero ficar presa nisso o resto da vida, então quero que tudo acabe em, no máximo, um ano.
Edward não conseguiu esconder sua surpresa e me senti bem por finalmente conseguir tirá-lo de seu estado de conforto. Ele prendeu o lábio inferior entre os dentes antes de abrir um sorrisinho cínico.
—Um ano é um período muito curto para reerguer uma empresa. – colocou calmamente. —Mas posso aceitar o prazo, desde que tenha uma garantia...
—Qual?
—Sei do que sou capaz e que em um ano a empresa vai estar começando a dar lucros... – fez uma pausa dramática e desnecessária. —Como nosso contrato vai expirar justamente nesse período, quero que me venda algumas de suas ações.
Já deveria saber que Edward não entrava em campo para perder, não sei exatamente o porque fiquei chocada com aquela “garantia”.
—Qual percentual?
—Quanto possui hoje?
—Sessenta por cento. – respondi após uma conta mental rápida.
—Certo. – maneou a cabeça se arrumando no sofá. —Quero metade.
—Metade? – minha voz não escondeu o quão perplexa estava. Ele só poderia estar brincando com a minha cara. —Está doido?
—Não que eu saiba. – debochou dando de ombros. —Quero metade das suas ações. Quer ser um dos sócios majoritários.
Aquilo era tão absurdo que precisei me beliscar para ter certeza de que não estava presa em um pesadelo. Entregar toda aquela quantidade de ações para Edward era o mesmo que passar tudo para o seu nome... Se Charlie sonhasse com aquilo certamente teria outro AVC.
—Não posso fazer isso. Não posso te dar tanto...
—Esses trinta por cento não cobre nem metade das dívidas da sua família. – jogou recostando no sofá. —Isso sem somar os gastos que a vida luxuosa dos seus pais gera.
Engoli a seco me vendo completamente encurralada.
—Preciso ter os meus lucros também, Bella. Se eu for fazer caridade, vou procurar um orfanato ou igreja. Nada é de graça.
—Eu sei. – respondi amarga.
—E então, o que me diz? – era claro que ele estava se divertindo com toda aquela situação.
—Tudo bem, Edward. Vou fazer o que você quer. – não tinha a menor escolha. —Vou te vender os trinta por cento.
—Ótimo. – forçou um sorriso frio. —Chegamos a um acordo então ou tem mais alguma condição?
—Tenho mais condições. – proferi tentando conter aquele turbilhão de sensações dentro de mim. —Não sei onde vamos morar, mas...
—Aqui, é claro! – me interrompeu com ar de superioridade.
—Mas quero um quarto só para mim. Não pretendo me enfiar em uma cama com você. – forcei minha voz para exalar o máximo de nojo possível.
Edward endureceu na mesma hora e me esforcei para conter o sorriso de prazer. Se aquele era um jogo para ver quem afetava mais o outro, não iria medir esforço para sair vitoriosa.
—Como quiser. – disse entredentes. —Algo mais? – ele já estava ficando impaciente, mas se ele estava incomodado, eu estava em paz.
—Acho que não. – não tive pressa para responder.
—Ótimo. – soltou com a cara fechada. —Agora eu preciso te dizer a minha condição.
Meu estômago ficou gelado diante o suspense que ele criara. Não sabia se iria gostar do Edward tinha para impor.
—Aqui dentro não precisamos fingir, você vai ter a sua vida e eu vou ter a minha. – concordei rapidamente. —Mas da porta para fora você vai ser a minha mulher. – o modo primitivo como ele dissera aquela frase me deixou arrepiada. Por mais que eu quisesse negar era extremamente sexy. —Espero que não se esqueça disso.
—Por um ano eu não vou esquecer. – garanti fazendo questão de lembrar o prazo.
—Perfeito, vou pedir que meus advogados deem andamento aos papéis. – concordei com a cabeça. —Agora, se você me dá licença, vou trocar de roupa para que possamos ir jantar.
—O que? – encarei-o sem entender, Edward rolou os olhos ao se levantar.
—Vou te levar para jantar....
—Não quero ir jantar com você. – a resposta saiu rápida praticamente automática.
—Eu também não quero jantar com você, mas agora somos noivos e precisamos agir como tal. – me lançou uma piscadela fazendo-me bufar. —Fique à vontade, eu já volto.
Ele estendeu a mão, acariciou meu rosto, e o calor tomou conta de cada pedacinho do meu corpo, fazendo minhas pernas ficarem bambas e os seios pesados.
Quanto tempo fazia desde a última vez que estivera tão perto de um homem? Há quanto tempo um homem não me fazia sentir daquela maneira?
Me esforcei para conter as lembranças do passado. Elas não deveriam ser desenterradas.
Edward se afastou do sofá e caminhou calmamente em direção a escada ampla e imponente que tinha os degraus iluminados por LED. Quando me vi sozinha naquela sala imensa me forcei a reparar nos detalhes da arquitetura moderna para que não caísse no poço de sentimentos conflitantes que estava sentindo.
Tudo ali era de muito bom gosto. O sofá quadrado, as mesas aparadoras retas com detalhes em ferro, o piano de calda que ficava um tanto quanto distante...
Dois corredores largos seguiam pelas laterais da escada, cada um levava a uma direção oposta e não vou mentir, estava curiosa para dar um tour completo naquele lugar que seria a minha casa no próximo ano.
Soltei um risinho irônico caminhando até as paredes envidraçadas e apreciando a vista.
Como pode a vida mudar tanto em tão pouco tempo?
Há menos de doze horas, Edward era apenas uma lembrança pouco revisitada do meu passado, e agora ele estava prestes a se tornar meu marido...
Mordi meu lábio inferior vendo os carros seguirem seu caminho pela avenida que beirava a margem do rio Michigan. Só eu sabia o quanto tinha sonhado com aquele reencontro, mas ele não fora nem um pouco parecido com tudo que minha mente de adolescente apaixonada idealizara.
Edward havia ganhado uma boa camada de músculos, a barba que antes era falhada agora estava toda preenchida, suas roupas gastas foram trocadas por peças de marca caríssimas, o orfanato fora substituído por uma mansão no alto do edifício mais caro de Chicago..., Mas, de contra partida, ele havia perdido o que tinha de mais bonito para mim: a bondade, o jeito educado, o olhar doce...
Respirei fundo enquanto chegava à conclusão de que aquele Edward carinhoso e gentil que eu conheci e me apaixonei há uma década e meia, já não existia mais. Edward Masen já não existia mais. Quem existia agora era Edward Cullen. O poderoso empresário que era distante e frio.
Sentia como se o chão tremesse sob meus pés, mas não, as luzes acima da minha cabeça estavam bem firmes, as pessoas na rua continuavam alheias ao fato de que minha vida estivesse desmoronando e que tudo em que acreditava estivesse se transformando em cinzas diante de meus olhos. Nunca pensara que me rebaixaria tanto, que faria o que fosse preciso em nome do dinheiro e do poder, e talvez não fizesse, caso fosse só isso.
Tudo parecia tão mercenário e sentia que, de alguma forma, estava vendendo meu corpo ou me vendendo.
Minha reputação e tudo pelo que sempre trabalhara estava em jogo, mas perder a Gamovies... meu pai nunca perdoaria.
Não podia aceitar aquilo e me unir a Edward era a melhor escolha, a escolha que mais beneficiaria o legado de minha família e a todos os empregados que dependiam de nossos contracheques.
—Apreciando a vista? – a voz de Edward me tirara daquele momento reflexivo. Me virei a tempo de vê-lo descer os dois últimos degraus da escada. Estava ainda mais lindo naquele momento, quando a jaqueta de couro marrom substituíra o suéter preto. A peça, por mais elegante que fosse, o deixava com cara de mau.
—Sim. – respondi enquanto me recriminava por ver beleza naquele homem frio e calculista. —É muita bonita.
Edward concordou com a cabeça e emitiu um leve sorriso, pela primeira vez, estava livre de provocações ou vaidade.
—Podemos ir? – perguntou em tom ameno e educado.
Concordei com a cabeça e peguei minha bolsa deixada no sofá antes de seguir até a porta de entrada. Edward fora mais uma vez educado ao deixar que eu saísse antes, mas não deixei iludir por aquilo. Sabia muito bem o tipo de homem que ele havia se tornado, afinal, cresci rodeada deles!
Suspeitava de que todo aquele edifício funcionava ao redor de Edward se movimentando para satisfazer todas as suas vontades, isso se comprovou ainda mais quando saímos na rua gelada e o conversível da BMW em tom verde musgo estava estacionado a nossa espera.
—Obrigado, Marcus. – Edward agradeceu ao segurança que havia me atendido mais cedo, quando o mesmo abriu a porta do carro para que entrássemos.
—É sempre um prazer, senhor Cullen.
Contive a vontade de rolar os olhos enquanto me acomodava no banco de couro que era extremamente confortável. Edward deveria ter se tornado o homem mais mimado do mundo, todos que o rodeavam aparentavam lamber o chão que ele pisava e isso só servia para inflar seu ego que já era gigante.
O percurso até o restaurante fora feito no mais profundo silêncio. Sentia que Edward estava tão incomodado quanto eu. Era difícil estar ao lado de uma pessoa que marcara tanto a nossa vida e conseguir agir com naturalidade.
Soltei o ar pela boca me sentindo bastante aliviada quando ele estacionou o carro em frente ao Flavor Great. Soltei o cinto de segurança me perguntando há quanto tempo ele planejava aquilo, visto a dificuldade que era fazer uma reserva naquele restaurante.
Desci do carro quando Edward abriu a porta do passageiro e ignorei a mão que ele estendera em minha direção, conseguia me levantar sem sua ajuda.
—Você já tinha tudo programado, não é? – acusei me encolhendo dentro do casaco, a noite estava cada vez mais fria e o vestido preto que usava não era apropriado para o frio de final de outono que fazia.
—Do que está falando? – ele me olhou rapidamente fingindo não entender o que eu tinha dito. Rolei os olhos pronta para lhe responder o quanto aquilo era ridículo, mas a chegada do manobrista me impediu.
—Boa noite, senhor Cullen. – arrumei a postura e recebi a atenção do homem de estatura mediana. —Boa noite senhorita.
—Boa noite. – Edward e eu respondemos em uníssono, ele estendeu as chaves do seu conversível ao homem e, para minha total surpresa, segurou em minha cintura. —Vamos entrar. – disse diante meu olhar repreensivo.
Respirei fundo tentando me acostumar com aquilo, com aquela proximidade e intimidade que teríamos de agora para frente. O maitre nos recebeu na entrada do restaurante, fora extremamente educado e gentil ao nos conduzir para uma das melhores mesas que havia ali.
—Trago o vinho de sempre, senhor Cullen? – perguntou enquanto nos acomodávamos nas cadeiras altas.
—Por favor, Tyler. – Edward respondeu com os olhos presos em mim.
Me reservei a olhar ao meu redor, tudo para não me perder naqueles olhos intensos olhos verdes. Nunca tinha ido naquele restaurante e não fora por falta de vontade, e sim pela exclusividade do lugar. Quando tentei fazer uma reserva a fila de esperava estava em dois meses, fora aquilo que me fizera perder o interesse.
—Já esteve aqui antes?
—Não. – neguei voltando a fitar Edward, seu rosto demonstrava o quão interessado ele estava. —Você já tinha feito uma reserva? – a curiosidade vibrou dentro de mim quando negou com a cabeça.
—Não preciso fazer reserva. – deu de ombros. —Esse restaurante é meu. – o descaso em sua voz era quase palpável, ele comentara aquilo como se fosse algo extremamente desinteressante.
—Não sabia que investia nessa área.
—Gosto de investir em todas as áreas. – sorriu com o canto dos lábios um tanto quanto orgulhoso de seu feito. —Esse é um dos segredos para o secesso: não se prender a um único negócio.
Maneei a cabeça em um consentimento debochado, e de relance encontrei olhos caramelos atentos em nossa direção. Não levei dois segundos para reconhecer a postura esguia e elegante de Ellen Richards.
—Agora esperamos Ellen Richards divulgar nosso encontro para o mundo? – encarei Edward com os olhos cerrados e um tanto quanto irritada.
Ellen era uma das maiores jornalistas de Chicago e sua especialidade era fazer fofoca da velha alheia.
—Ela ou qualquer um vai se interessar em saber por que estamos juntos e o que conversamos.
Ele se aproximou ligeiramente e lutei contra a vontade de me afastar.
Edward era atraente demais, fazia meus pensamentos se emaranharem, e não queria que ele tivesse esse poder sobre mim. Quando prosseguisse e me casasse com ele, seria sob minhas condições. Isso significava não permitir que ele me reduzisse a uma gelatina só com um olhar.
—Sua amiga está nos observando. – ele olhou na direção de Ellen. —E tem uma mesa de mulheres lá atrás no canto que nos observa desde que chegamos.
Provavelmente observavam Edward. Ele era um homem daqueles que as mulheres precisavam parar e admirar.
Tinha tudo que um homem deveria ter. Era forte e exalava segurança, e possuía um charme masculino fatalmente sexy que certamente não atrapalhava em nada.
—Provavelmente estão inventando nossa conversa. – prosseguiu ele em voz rouca, convidativa, fazendo com que quisesse me aproximar um pouco. —Provavelmente me imaginando dizer o quanto está linda, que seus lábios são mais apetitosos do que qualquer sobremesa daqui. – suas palavras eram tão sedutoras quanto sua voz. Senti o ar ficar mais pesado quando tentei respirar e aquilo me obrigou a tomar fôlego pela boca.
Edward abriu um mini sorriso ao perceber o quanto havia ficado afetada.
Merda!
Praguejei mentalmente enquanto pigarreava e me afastava na cadeira.
—Em poucas horas a cidade inteira vai estar sabendo sobre nós. – comentei tentando conter as batidas frenéticas do meu coração.
—E isso te incomoda? – Edward me olhou de cima, o semblante voltara a ser neutro.
—Sim, não contei aos meus pais sobre o casamento e não queria que ficassem sabendo através de uma notícia em site de fofoca. – ele permaneceu em silêncio enquanto me estudavam com os olhos. —O risco de eu ser deserdada aumentou ainda mais. – soltei a piada ácida juntamente de um riso irônico.
Edward cerrou os olhos esverdeados diante minha fala.
—Acha que seu pai te deserdaria só por se casar comigo? – ele tentou manter a voz indiferente, mas percebi rapidamente o quanto aquela questão lhe interessava.
Dei de ombros e estava pronta para lhe responder, mas o garçom retornou com a taça de vinho importada.
—Pode deixar a garrafa que eu mesmo sirvo. – ele proferiu impaciente diante a demora do homem.
—Tudo bem, senhor. – balançou a cabeça. —Posso trazer os menus?
—Sim. – Edward confirmou secamente enquanto servia nossas taças com o vinho tinto. —Então, acha que seu pai te deserdaria por se casar comigo?
Repetiu a pergunta e daquela vez se mostrou um pouco mais impaciente.
—Não, ele não pode fazer isso. – soltei as palavras juntamente com o ar que mantinha nos pulmões. —Charlie não está em condições de impor algo.
—Porque?
—Não importa. – dei de ombros puxando a taça de cima da mesa. —Vou falar com eles sobre o casamento. Acho que vão entender.
Edward maneou a cabeça em concordância e juntos tomamos um gole do vinho. Era doce e suave ao mesmo tempo, um sabor que explodia na boca. Realmente divino.
—Fale rápido então, estaremos casados em menos de três dias.
Precisei me esforçar para engolir o vinho diante o aviso de Edward.
—Três dias? – minha voz não escondeu o espanto.
—Qual a surpresa? Achei que tinha pressa para salvar a empresa dos seus pais. – respondeu com certa indiferença a minha reação.
—Não quando preciso me casar com você para que isso aconteça. – joguei as palavras e Edward recuou o corpo no mesmo instante.
Era bom ver que eu o afetava, já que aquela postura fria e indiferente estava me irritando cada vez mais.
—Você não está sendo obrigada, Isabella. – proferiu entredentes, os olhos verdes fervilhando.
—Eu sei, Edward. – frisei bem seu nome antes de tomar mais um gole do vinho. —Mas não é como se eu tivesse alguma escolha.
Ele manteve os olhos fixos em mim por longos segundos e enquanto travávamos uma batalha silenciosa, eu tentava não dar voz aos pensamentos sobre o quão lindo ele estava.
—Se quiser desistir, ainda há tempo. – sua voz fora pura ironia. Edward era inteligente o suficiente para saber que não havia mais tempo para desistir. Eu não podia desistir.
—Eu não...
—Edward Cullen e Isabella Swan. – a voz feminina me interrompeu. —Posso dizer que é uma surpresa vê-los juntos?
Edward e eu deixamos de nos encarar para olhar a mulher de pele dourada que estava parada ao nosso lado. Ellen intercalava o olhar curioso entre nós dois e aguardava ansiosamente por uma resposta.
—Como vai, Ellen? – Edward ficou de pé para cumprimentá-la, fora mais educado naqueles minutos do que em todo o tempo que estivemos juntos.
—Não tão bem quanto vocês. – jogou antes de rir. —Bella? Há quanto tempo não nos vemos?
—Muito. – forcei o sorriso.
Não a via desde que ela fizera o favor de espalhar para a cidade sobre o fracasso do meu último namoro. Era exatamente aquilo que me irritava nela: tripudiar em cima da tragédia alheia.
—Quer se juntar a nós? – o convite de Edward me sugou dos pensamentos.
—Não, obrigada. – contive o suspiro de alívio quando ela recusou. —Já terminei de jantar. – explicou tocando-o intimamente no ombro.
Rolei os olhos. Pelo visto continuava a mesma oferecida de sempre.
—E também não quero atrapalhar o encontro do casal. – nos lançou uma piscadela sorrindo atrevida. —Porque vocês estão juntos, não estão?
Sabia que ela vivia com aquilo, que aquela era sua profissão, mas se tinha uma coisa que me deixava impaciente era aquele jeito intrometido e nada sutil dela.
—Quer responder, Bella? – Edward voltou a atenção para mim e me vi congelada diante os dois pares de olhos claros.
Engoli a seco sentindo meu coração bater forte no peito. Ambos me encaravam com expectativa e minha demora só fazia por aumentar a pressão.
—Uh... Sim. – gaguejei. —Sim, nós estamos juntos. – proferi um pouco mais firme.
Ellen piscou enquanto me fitava, seu semblante deixou nítido que ela não estava muito convicta da minha resposta.
—Inclusive nós vamos nos casar. – completei tentando dar mais veracidade aos fatos. —Não é, amor?
Ergui meus olhos até Edward e vi um sorriso nascer no canto dos seus lábios. Ele se aproximou e acariciou meu rosto, engoli a seco enquanto sentia minha pele formigar.
—Sim, vamos nos casar. – confirmou com a voz calma. —Já pode divulgar por aí, Ellen... – fez uma pausa rápida, deixando-a ainda mais atenta. —Em breve seremos o Senhor e a Senhora Cullen.
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