Acordo Nupcial

1 Capítulo 1 - Edward Cullen


Notas iniciais
Oi, meninas!
Quem me acompanha há um tempo já sabe que é do meu costume começar uma nova fanfic quando estou encerrando outra... Nessa nova história vamos ter um pouquinho drama e aquele relacionamento "gato e rato" que eu sei muito bem que vocês adoram hahaha
Espero que gostem, boa leitura ♥

Encarei a tela do computador sem conseguir acreditar no que estava vendo. Os resultados do último mês exibidos na planilha mostravam uma piora desesperadora, e conforme analisava as linhas a apreensão crescia dentro de mim.

Soltei o ar pela boca e deixei os ombros caírem cansados.

Nada havia me preparado para aquela realidade assoladora, por mais que aquela fosse uma tragédia anunciada há muito tempo, ainda esperava que pudesse salvar os negócios da família...

Afundei o corpo na poltrona macia e cobri o rosto com as mãos, queria chorar, gritar, quebrar algum objeto... Fazer qualquer coisa para liberar ao menos um pouco de todo aquele desespero que sentia.

Um dos principais mantras do mundo corporativo é a necessidade de inovar para não ser passado para trás, e fora justamente aquilo que meu pai esquecera de fazer com a Gamovies Swan.

Caminhar pelos corredores quase vazios, onde as conversas sobre o futuro incerto da empresa não saíam da boca dos últimos funcionários, era tão terrível quanto calcular o prejuízo que só crescia.

Era difícil acreditar que uma empresa tão próspera havia afundado tão rápido. A Gamovies Swan Entertainment Company começou como Gamovies Video em Chicago, Illinois, em dezenove de outubro de mil novecentos e oitenta e cinco, fundada por Harry Clearwater.

O velho Harry fez o negócio crescer e o tornou público antes de passar a administração para Charlie Swan, meu pai, que rapidamente transformou o negócio em uma corporação bilionária, a qual fez muito sucesso entre a década de mil novecentos e noventa e começo dos anos dois mil.

Uma das suas grandes inovações foi a locação por 48h e as caixinhas para devolução, pois, o aluguel era pago antes.

Sobrevivemos a transição do VHS para o DVD, porém, Charlie ignorou um concorrente, ainda tímido, e que hoje em dia domina o mercado de streaming: a Topflix, que à época funcionava como uma locadora que entregava em casa os filmes. Nosso concorrente até propôs uma oferta de parceria entre as duas empresas, mas Charlie recusou.

Resultado: a Gamovies sobreviveu ao DVD, mas sucumbiu diante dos serviços de streaming.

É claro que Charlie tentou correr atrás do prejuízo, tentou inovar explorando o caminho online, mas já era tarde demais... As dividas só cresciam, enquanto os faturamentos estavam cada vez mais baixos...

Soltei o ar pela boca recostando o corpo no parapeito de metal. O galpão do primeiro andar estava praticamente vazio, somente dez mesas ainda eram ocupadas e todas elas por funcionários antigos, os quais Charlie não teve coragem de demitir.

Quanto mais parava para pensar naquela situação, mais me sentia deprimida, e sabia que fora toda aquela amargura que provocara o derrame de Charlie.

—Bella? – girei a cabeça assim que meu nome fora clamado.

—Oi, Ângela. – me virei para poder falar com ela, seus olhos claros me estudaram e logo se compadeceram. Pelo visto minha aparência era equivalente ao modo com que eu me sentia: desanimada, vencida pelo cansaço.

—O senhor Cullen acabou de chegar, já posso manda-lo subir?

—Sim, por favor. – concordei rapidamente. —Leve-o até a minha sala e peça para ele aguardar uns minutinhos, só vou ao toalete retocar a maquiagem e já o encontro.

—Pode deixar. – sorriu ao acatar meu pedido.

—Ângela, ofereça um café ou uma água para ele, ok? – pedi antes de nos afastarmos. —Trate-o muito bem, ele é nossa última chance.

—Claro, vou trata-lo como um rei. – me lançou uma piscadela antes de seguir seu caminho.

Respirei fundo e prendi o ar nos pulmões tentando me animar com a presença do poderoso empresário. Pelo o que havia lindo, Edward Cullen havia estourado há poucos anos no ramo de tecnologia e sua empresa seguia um rumo oposto à nossa: prosperava cada dia mais.

Quando sua secretária entrara em contato e esboçara um ligeiro interesse dele em firmar uma parceria, não pensei duas vezes antes de marcar uma reunião, esta que, devido a sua agenda lotada de compromissos, levara mais de um mês para acontecer.

Nossa situação há um mês atras era um pouco mais suave da que se encontrava nos dias atuais. Tínhamos conseguido pagar algumas parcelas das dividas com a venda dos carros e propriedades que ainda nos restava, contudo, o derrame de Charlie viera para nos afundar ainda mais.

Felizmente não fora fatal, mas fora forte o suficiente para deixar sequelas e necessitar de tratamentos especiais, os quais eram absurdamente caros. E foi assim que conseguimos chegar ao fundo do poço.

Constatar aquilo me deixava ainda mais nervosa, no fundo, sentia que Edward Cullen iria descartar qualquer proposta de parceria quando visse os dados da nossa empresa, porém, estava disposta a insistir. Meus pais haviam me ensinado a ser persuasiva e iria usar aquilo ao meu favor!

Retoquei o batom rosado nos lábios e soltei o cabelo, garantindo através do reflexo no espelho que meu vestido preto não estava amarrotado.

Vai dar tudo certo! Vai dar tudo certo! Vai dar tudo certo! Vai dar tudo certo!

Repeti várias vezes em um mantra positivo enquanto tentava conter a ansiedade através da respiração. O que eu menos precisava naquele momento era me descontrolar.

Ângela Saiu da minha sala assim que entrei no corredor que dava acesso a porta de entrada, quando me viu, abriu ainda mais o sorriso e praticamente saltitou em minha direção, os olhos brilhavam através das lentes dos óculos de grau.

—Bella, que homem é aquele! – suspirou com a voz estremecida. —Me deu até calor!

—Ai, meu Deus! – rolei os olhos enquanto ria de suas palavras. —Só você mesmo.

Ângela era uma das pessoas mais engraçadas que já havia conhecido, seu ar cômico ia desde seu jeito meio estabanado a suas tentativas repetitivas de flertes. Era bom tê-la por perto, principalmente em uma fase onde a maioria dos meus “amigos” tinham se afastado de mim.

Maneei a cabeça espantando aqueles pensamentos irrelevantes da minha mente, precisava focar no que realmente importava: a reunião com o senhor Cullen.

Tomei fôlego pela boca antes de entrar na sala, mantive o sorriso cortes nos lábios enquanto o identificava, estava sentado em uma das cadeiras que ficava a frente da minha mesa. A postura reta realçava ainda mais o terno marinho de corte fino, o cabelo estava bem cortado e bem penteado, e seu perfume másculo preenchera todo o cômodo.

—Me desculpe pela demora. – pedi enquanto me aproximava, ele permaneceu parado ainda de costas para mim. —Precisei ir ao...

A voz sumiu da minha garganta assim que consegui alcancei um ângulo que me permitisse ver seu rosto.

De repente parecia que o mundo estava girando em câmera lenta. Podia sentir cada uma das contrações do meu coração bombeando o sangue gelado para todo o meu corpo trêmulo. Enquanto me questionava sobre a veracidade do que estava vendo, precisei tomar fôlego pela boca e me apoiar na mesa de madeira maciça.

—Edward? – perguntei debilmente após piscar várias vezes e me certificar de que ele estava realmente ali.

Seus olhos verdes buscaram os meus e quando nossos olhares se encontraram tive a mais absoluta certeza. Sim, era ele. Era Edward. O meu primeiro amor. Meu primeiro beijo. Minha primeira decepção amorosa.

E, aparentemente, o homem que estava querendo se associar a empresa da minha família, e que agora me encarava de forma hostil.

—Como vai, senhorita Swan? – perguntou ao se levantar e estendeu a mão em minha direção.

Não sei exatamente o que me chocou mais: ver como o tempo havia sido generoso com ele, ou o modo indiferente que ele se dirigira a mim.

—Por favor, me chame de Bella. – pedi ao ignorar sua mão. Minhas pernas bambearam quando caminhei até a poltrona atrás da mesa. Precisava me sentar. —Apesar de tudo, somos velhos amigos.

—Velhos amigos? – ele sorriu, com um som agradável que fez meu sangue ferver. —Eu não pensava em nós desse modo, mas, se você insiste, Bella, assim será.

Seu sotaque diminuíra desde a última vez que eu o vira, quinze anos atrás, mas ainda falava meu nome como sempre, fazendo-o soar tremendamente sexy. Os anos fizeram bem a ele, e aos trinta e poucos estava mais atraente do que aos dezoito. O rosto um pouco mais anguloso, os ombros mais largos.

As diferenças não paravam por aí. O terno que ele usava era de grife, o relógio dourado no pulso gritava os milhares de dólares que valia, o cabelo estava perfeitamente cortado e arrumado em um topete elegante... Edward estava exalando poder.

—O que está fazendo aqui? – é claro que eu sabia a resposta, mas o que eu queria entender era o motivo que o levara até a minha mesa.

Porque ele teria interesse em comprar a empresa do meu pai? A empresa do homem que um dia o expulsara da minha casa?

—A resposta é um pouco óbvia, não é? – ironizou abrindo um sorriso frio. —Vim tratar de negócios.

Contraí os lábios sentindo a raiva assumir o lugar da surpresa.

—Já entendi. – espalmei a mão na mesa enquanto seus olhos brilhantes me observavam. —Veio até aqui para tripudiar em cima da desgraça que anda acontecendo na minha vida...

—Isabella, o que acontece na sua vida não é do meu interesse. – me cortou com certa impaciência. —Vim aqui para tratar de negócios. – repetiu se arrumando na cadeira. —Estou interessado em comprar algumas ações da Gamovies.

Encarando-o repassei suas ultimas palavras algumas vezes. Edward aguardava minha resposta em um silêncio paciente, seus olhos não saíam de mim, assim como o sorriso indiferente não abandonava seus lábios cheios e desenhados.

Estava difícil assimilar qualquer coisa que não fosse a sua presença ali, depois de tantos anos sem notícias, de tantos anos de afastamento... Edward estava ali, bem na minha frente!

—Não esperava que fosse ficar tão surpresa ao me ver. – ele me olhou como se esperasse que ficasse furiosa, indignada ou algo parecido, mas eu não lhe daria esse prazer.

Contive a onda de raiva.

—Talvez o fato do seu sobrenome estar diferente tenha feito com que eu não ligasse os pontos. – rebati forçando um sorriso. —Ou então porque você não tinha onde cair morto quando nos conhecemos. – disse calmamente pronunciando palavra por palavra e esperei vê-lo tão afetado quando quis que eu ficasse, mas aparentemente ele se controlava tão bem quanto eu.

—Você deveria saber que o mundo dá muitas voltas. Quando nos conhecemos sua família era uma das mais poderosas do país, e olha só onde estão hoje. – caçoou com um prazer visível.

Cerrei os dentes sentindo uma vontade imensa de estapear aquele rosto que estava ainda mais bonito depois de uma década e meia. Se antes eu achava que ele estava ali para tripudiar em cima da atual situação da minha família, agora eu tinha a mais absoluta certeza.

—Mas não vim aqui para falar do que éramos e do somos. Quero avaliar o atual momento da empresa e ver qual a melhor proposta a ser feita.

Ele parou por um momento, dando um sorriso cruel, sem humor, mas devastador como sempre.

—O que te faz ter interesse em se associar a nós?

—Eu poder ser dono de uma partes da Gamovies Swan, o fato de uma empresa tradicional como essa poder passar tão facilmente para as mãos de um novo-rico. É o sonho americano, não é?

Olhei nos olhos dele, cheios de emoção e com um brilho tão sombrio e profundo que senti o ar ser sugado de meus pulmões. Percebi que caíra em uma armadilha. Naquele momento, tudo o que mais desejava era ir embora. Queria que Edward fosse nada mais do que uma lembrança indigesta.

Mas não podia, era minha responsabilidade. Era minha bagunça a ser arrumada, de mais ninguém.

“Depende de você, Bella. Sem você, tudo vai por água abaixo.”

As palavras de Charlie ecoaram na minha cabeça, consumiam e incentivavam.

—Então é por diversão? Algo para satisfazer sua ironia? – perguntei fazendo-o rolar os olhos.

—Eu não tenho tempo de fazer coisas só por diversão, Bella. Não cheguei aonde estou agindo assim. Não recebi meus negócios em uma bandeja de prata.

Não havia dúvidas de que ele se achava superior a mim por isso. Tudo bem, podia desdenhar, mas a Gamovies não fora me dada em uma bandeja de prata. Na verdade, era mais uma algema de prata trancada. Aceitei de bom grado o encargo, pela família e, principalmente, por Charlie.

—Por que então? – voltei a indagar.

—A Gamovies está falindo, Bella, sei que sabe disso. Seus lucros caíram tanto nos três últimos anos que estão totalmente no vermelho.

Minha resposta padrão, que sempre dava aos acionistas, estava na ponta da língua e saiu facilmente.

—Essas coisas acontecem, são cíclicas, principalmente com a economia do jeito que está.

—O problema não é só a economia. Vocês estão presos ao passado. Os tempos mudaram, e a Gamovies não.

—Se a Gamovies está tendo uma morte lenta e dolorosa, por que está interessado em investir seu dinheiro nela?

—Apareceu a oportunidade. Aproveito todas as oportunidades disponíveis.

Meu estômago deu um nó e fixei o olhar nele, o significado de suas palavras parecendo quase erótico na penumbra. Eu realmente precisava sair mais. Era sempre a mesma coisa, estava sempre presa naquele escritório. E a situação estava começando a parecer desesperadora. Era assim quando alguém estava na direção de uma empresa falida.

Que sorte a minha por Edward, ex Masen, Cullen ter visto isso como uma oportunidade. Que Deus me ajudasse.

—E o que te faz pensar que não posso reerguer essa empresa?

—O fato de que está metendo os pés pelas mãos. A empresa está em queda desde que foi nomeada.

—Eu tenho trabalhado no planejamento.

—Por três anos? Estou surpreso que seu pai ainda não tenha voltado atrás e tomado de volta o controle.

—Ele não pode. – a resposta viera rápido, mas o complemento ficara entalado na minha garganta. Aparentemente, Edward não sabia dos problemas de saúde de Charlie e não era do meu interesse dividir aquilo com ele.

Quando Charlie estava de bom humor, ficava feliz com o que eu fazia, mas quando não estava... nem chegava perto dele, pois ele próprio tentaria me derrubar. Nas últimas semanas ele havia se afastado totalmente da empresa e aquilo me dava certa folga para pensar e agir.

Tinha me formado em administração, mas não um prodígio. Sabia disso, mas fiquei na Gamovies por dever e lealdade à família, com o único intuito de fazer meu pai feliz.

O que mais poderia fazer? Infelizmente meus pais resolveram ter apenas uma filha!

—Fica difícil competir com a mudança no mercado. Não seguimos o rumo da internet, perdemos um pouco de mercado, mas estamos empenhados em conservar o restante das lojas para manter os empregos.

—Isso é idealismo. Não há nada de prático ou funcional aqui. Quem aluga DVD hoje em dia? – sua pergunta saíra cheia de incredulidade e ele tinha razão, eu sabia disso.

Soube no momento em que tomei posse do cargo na empresa. Estava lutando há três anos uma batalha perdida. Não queria eliminar todos aqueles postos de trabalho. A maioria dos empregados estava na empresa há mais de vinte anos, e não admitia tirar isso deles. Eram, de certa forma, amigos, minha responsabilidade.

Obviamente, se a empresa deixasse de existir, seria irrelevante.

—Talvez não, mas não tenho nenhuma ideia melhor.

Doeu ter que dizer aquilo e admitir minhas deficiências.

—Se eu fosse um dos poucos acionistas que restam, estaria bem preocupado em ouvir isso. – alertou correndo a mão pelo cabelo despreocupadamente, mas exageradamente sexy.

Porque ele tinha que estar tão lindo e tão gostoso? Já era castigo demais ele aparecer querendo comprar uma parte da empresa da minha família...

—O que quer de mim, Edward? – soltei o ar pela boca e apoiei o rosto na mão. Não tinha muitas opções a não ser aceitar que meu ex, meu primeiro amor, estava na melhor fase de sua vida.

—De você? Nada. Mas fico feliz pelo destino da Gamovies estar em minhas mãos. – ele sorriu vitorioso, dando o xeque-mate que faltava para encerrar aquele jogo.

Senti como se tivessem jogado um balde de água fria na minha cabeça. Fiquei estática com o choque, mantendo a expressão inalterada apesar da afronta.

—Talvez a melhor pergunta a fazer para você seja: trata-se de negócios ou isso é algo pessoal? – em meu íntimo, já desconfiava da resposta, no entanto, não podia deixar de fazer aquela pergunta.

—Trata-se de negócios, mas também é uma interessante ironia do destino, não é? Há um tempo atrás, seu pai me disse que eu não era bem-vindo na sua casa, na sua família. Que eu não tinha decência suficiente para estar junto da filha dele. Não tinha dinheiro... Agora eu poderia comprar seu pai dez vezes. – Edward estava muito satisfeito em dizer aquilo, e por mais que suas palavras tivessem sido como tapas em meu rosto, não podia dizer que ele estava errado.

Engoli a saliva como se fosse uma porção de pregos e me arrumei na poltrona sentindo o desconforto crescer dentro de mim.

—Então você só quer ser nosso senhor com todo esse poder recém-descoberto?

—Do mesmo modo que seu pai fez com outras pessoas? – rebateu no mesmo segundo, seus olhos desafiavam os meus.

Prendi os lábios entredentes sentindo-me acuada. Conhecia meu pai e sabia que era um pouco difícil. As coisas mais importantes para ele eram o nome da família, a empresa e sua posição na sociedade. Suas preocupações eram continuar ocupando seu lugar como um dos pilares da cidade, em sua cadeira favorita no clube e com seus charutos... E quando tudo isso começara a ruir, Charlie sucumbira junto.

Eu não colocaria tudo a perder, não naquele momento. Não poderia arriscar a vida do meu pai.

—Sei que ele não é perfeito, mas já é velho, e a Gamovies é sua vida.

Nós já havíamos perdido coisas demais. Carros, propriedades, joias... Não podíamos perder mais nada. Dependia de mim que isso não acontecesse.

—É claro que o lucro é o mais importante, mas nós, minha família, somos a Gamovies. Somos a alma da empresa, a razão por que ela existe há tanto tempo. Sem nós não seria a mesma coisa...

—É claro que não. Seria atual, moderna, coisa que, definitivamente, seu pai não é. Você está administrando com base nas práticas introduzidas por ele há pelo menos trinta anos. Estão extremamente desatualizados. – daquela vez Edward dissera tudo em um tom extremamente profissional, o que de maneira surpreendente me deixou ainda pior.

Perceber que ele entendia a gravidade da situação, desconsiderando todo o passado de mágoas que existia entre nós dois, não era uma boa coisa para mim. Não enquanto CEO da Gamovies.

Fiquei com um nó na garganta, e meus ombros tensionaram. Meu esforço para manter a compostura era evidente.

—Eu não sei mais o que fazer. – admiti ela, com a voz calma, e Edward e percebeu o quanto me custou aceitar aquilo, mas não demonstrou surpresa.

— É possível recuperar a Gamovies. Eu sei exatamente o que fazer.

—Sabe? – tentei não me apegar a sua promessa, mas ouvir aquilo diante a atual situação era um tanto quanto reconfortante.

— É claro que sei. Minha especialidade é o mercado online, que é justamente o que falta aqui..., Mas você deve saber disso.

—Levando em conta os constantes perfis que a Forbes faz de você, eu seria cega se não soubesse.

Mas fui cega ao não me interessar em ver ao menos uma foto do empresário em ascensão.

Somente um retratinho teria me deixado mais preparada para aquele momento, até porque eu o reconheceria na mesma hora. Reconheceria aqueles olhos brilhantes, a boca desenhada, o maxilar quadrado...

—Eu posso arrumar a bagunça. – afirmou rompendo minha bolha de pensamento.

—Com a nomeação de alguém novo. – supus tamborilando os dedos sobre o tempo da mesa.

—Ou não. – deu de ombros.

—Sendo caridoso de repente? Eu não compro essa, não quando já estava com a faca no meu pescoço. – deixei claro erguendo os ombros.

Edward cerrou os olhos e me estudou por alguns segundos. Tentei não deixar explicito o quanto estava abalada... A verdade é que o ver depois de tanto tempo fez com que certos sentimentos e lembranças nascessem dentro de mim. Ou simplesmente acordassem.

Meu coração pulou uma batida quando ele se colocou de pé. Tinha me esquecido o quão alto ele era e preciso confessar que a camada de músculos que cobrira seu corpo o deixara ainda mais sedutor.

Caminhou calmamente em minha direção enquanto eu congelava na poltrona. Ao mesmo tempo que queria sair correndo, queria me levantar e encará-lo.

Edward parou ao meu lado, recostou na mesa e girou a poltrona onde eu estava sentada pelo braço. Engoli a seco prendendo a respiração quando senti seu perfume. Tudo o que eu não precisava era ser embriagada por aquele aroma másculo e viciante.

—Eu vou ajudar você, Isabella. – disse sem tirar os olhos dos meus. —Com uma condição.

Com o coração batendo disparado dentro do peito, ergui o queixo para encará-lo melhor.

—Diga seu preço. – minha voz saiu trêmula, seguia o compasso do meu corpo. Edward sorriu ao perceber aquilo e eu quis me estapear por demonstrar aquelas fraquezas.

Ele se aproximou, segurou meu queixo e fiquei completamente chocada com a onda de energia que ainda existia entre nós dois. Ele ainda tinha poder sobre o meu corpo, mas, a julgar pela palidez do rosto e tremor nos lábios dele, eu também.

Não tive tempo de apreciar aquele fato, visto que Edward se recompôs rapidamente e então soltou a resposta quadrissilábica.

—Casamento.

Notas finais
Sim, é clichêzinho... Masss comigo nada segue a linha do comum kkk
Vocês vão se surpreender muito, eu garanto!
Comentem muito e me digam qual foi a primeira impressão que tiveram dos nossos personagens, quero saber o que acharam!
Por enquanto é isso, nos vemos em breve!
Se cuidem ♥