Acertos E Desencontros
11 Pânico.
Notas iniciais
Pânico.
Capítulo 11
Eu simplesmente não conseguia me mexer, Clarck olhava para mim inquisidoramente. Foi aí que minha mente deu um estalo e eu comecei a reparar na semelhança que meu Nate tinha com Clarck. Meu ritmo cardíaco começou a se elevar. Mesmo olhos azuis límpidos, pele clara e cabelos escuros.
O pânico foi tomando meu corpo, não poderia ser, não mesmo. Nate não pode ser de Clarck. Meu corpo não funcionava, mas minha mente mandava eu me esconder e proteger meu bebê. Mas logo achei que fosse besteira da minha cabeça, afinal, ele era só o meu colega de classe. Foi o que tentei pôr em minha cabeça, mas o sentimento de que ele era mesmo o progenitor de Nate, ecoava em minha mente.
Eu ainda sentia o aperto forte de Edward em minhas mãos. Parecia que estávamos ali, naquela situação, nos encarando, há uma eternidade. Meu suposto amigo esperava minha resposta, entretanto, nada saia da minha boca. Na verdade, eu temia a expressão do rosto de Clarck, sua expressão facial se transformou, ele mais parecia um monstro, narinas infladas, olhar raivoso e parecia pronto para arrancar Nathan do meu colo e sair correndo. Meu corpo tremia, eu estava em pânico, acho que minhas impressões estavam certas.
— Bella? Você pode me responder? De quem é o bebê? – Clarck me questionou mais uma vez.
— Ele é meu primo Clarck. Veio passar uns dias aqui comigo. – Edward tomou a frente em responder, inventando uma situação para nós salvar. Eu dei um pequeno suspiro de alívio. Ainda não conseguiria responder nada.
Ao mesmo tempo e que a situação ocorria em minha frente, eu me lembrava das atrocidades que continham na carta da mãe do meu bebe. A maior delas rondava minha mente […] “Tinha meu primo de 20 anos que fazia faculdade à noite, eu quase nunca o via” […] Meu primo resolveu brincar de me fazer sofrer, e de todo este sofrimento, nasceu meu pequeno Nathan […].
A aflição que estes fragmentos da carta da mãe de Nate me causavam estava me deixando fora de controle. Ao meu lado, Edward me parecia firme na desculpa que dava a Clarck. Contudo, eu tremia, minhas mãos seguravam firmemente as costas do meu bebê, meu corpo reagiu instintivamente ao medo de tê-lo exposto ao perigo.
Aquela situação para ele era perigoso. Nós, um bando de universitários sem renda fixa ou relações estáveis, tinha um bebê de uma pessoa desconhecida que fora, de acordo um uma mera carta, abusada. Essa mesma pessoa, deixou a criança na porta de pessoas que não tinham a uma vida estabilizada, que não a registrara em cartório, pois não havia cabimento para tal situação. Jovens tomando conta de uma criança. Essa era a realidade que me abatia neste momento. E a realidade estava estilhaçando o meu coração junto com o medo que me abatia.
— Ah sim, Edward. Que encantador seu pequeno primo. Posso conhecer a mãe dele?
A voz zombeteira de Clarck me dava agonia, ele questionou Edward com um sorriso antipático. Eu me perguntava onde estaria meu amigo doce e gentil que eu conhecera na faculdade e estava encantada.
— Rosalie!
Edward gritou em uma voz esganiçada para dentro de casa. Eu olhei para ele sem saber o que ele faria. Tenho certeza que meus olhos estavam esbugalhados. Eu continuava sem saber o que estava acontecendo.
— Este é Nathan, tem nove meses e é filho da minha prima mais velha.
Rose apareceu na nossa frente rapidamente. Mas é como eu sempre digo: Não há nada que esteja ruim que não possa piorar. Rosalie estava com cabelo todo bagunçado, a roupa desalinhada, batom vermelho manchado em seu rosto. Parecia ter saído de uma sessão de amasso, e eu duvidava muito que não fosse isso mesmo que ela tinha feito, eu já sabia até mesmo com quem.
— Chamou, Edward?
Ela perguntou como se estive em sua aparência normal. Eu queria chorar e sair correndo.
— Hum, chamei sim, Rose. Clarck aqui, colega de Bella, queria conhecer a mãe de Nate.
— Ah, então ele já conheceu, não precisava ter me chamado…
Rose disse sorrindo e olhando em minha direção. Edward deu um gemido ao meu lado. Eu entendi seu plano, Rose tinha os olhos verdes e pele bem clara, como Nate, daria para enganar Clarck. Mas a sonsa não entendeu. Eu olhei para ela usando aquele olhar de “pelo amor de Deus, minta comigo” encarecidamente e Edward a cutucou.
— Isso mesmo Clarck, essa é a mãe de Nate, minha prima Rose veio ficar um tempo conosco…
Ele disse apontando para Rose, e ela, finalmente, entendeu o que ele queria dizer e concordou com a fala de Edward arregalando os olhos à medida que a compreensão do que acontecia ali ficava mais clara para ela.
— É, vim passar uns dias, inclusive, Nate está na hora de comer, venha bebê…
Rose pegou Nate e seguiu apressadamente para dentro de casa, eu ainda tremia de medo. Esperava firmemente que Clarck acreditaria nas palavras de Edward.
Edward ficou ao meu lado apoiando seus braços em minha cintura e encarando Clarck com uma expressão neutra. Eu ainda não tinha conseguido falar nada, e meu amigo estava me encarando com um olhar de escárnio que me fazia tremer mais ainda. Eu finalmente tomei coragem para falar, coloquei uma expressão amistosa no rosto e me dirigi a Clarck:
— Pronto, Clarck. Já conheceu a mãe do bebê… Mas agora eu gostaria de saber por que veio até a minha casa sem ser convidado?
Questionei tentando fazer minha voz ficar firme, mas falhando miseravelmente.
— Ok. Vou fingir que acredito nesta historinha barata que me contaram. Mas não fiquem pensando que ficarão livres de mim. Uma pessoa me deve muitas coisas, e eu acho que você sabe quem é, Bella. Ah, e a propósito, Bella, eu vim te chamar para sair, mas acho melhor não, né?!
Sua pergunta foi feita de forma irônica e ele continuou a me encarar.
— Ah, que pena Clarck, mas eu tenho coisas mais importantes para fazer, se você puder me dar licença…
— Com certeza. E não se esqueça, Bella, não descuide da segurança do seu bebê.
Eu fechei a porta assim que as palavras ameaçadoras saíram de sua boca. Meu corpo não parava de tremer e havia uma represa de água em meus olhos. Sai correndo em disparada para a sala, lá estavam Rose – acalmando Nate que chorava em plenos pulmões, e todos os outros que encaravam a porta aflitivamente.
Peguei meu bebê do colo de Rose e segui em disparada para meu quarto. Ouvi Emmett chamar meu nome, mas eu não parei. Nate ainda choramingava em meus braços, o desespero me assolou, todas as lágrimas que eu segurei em meu rosto escorreram dando vazão ao meu medo e desespero.
Eu apertava Nate em meus braços fortemente. Eu lutei para que ele tivesse uma vida saudável em minha casa, me esforcei para alimentá-lo e comprar roupas, frauda e tudo aquilo que ele precisasse. Cada pensamento fazia com que eu chorasse mais ainda, eu me desdobrei para cuidar dele, estudei cada vez mais pensando em nosso futuro, compactei meu tempo para que eu me dedicasse a ele. Mas o fato que mais fez chorar foi a constatação do que eu dei de bom grado para ele sem me importar, pois era recíproco, foi meu amor. Eu o amo da forma mais profunda que possa existir nesta terra.
— Eu te amo bebê, amo você com todo meu coração, não deixarei ninguém tirar você de mim.
Disse para o bebê em meus braços e percebi que Nathan tinha adormecido em meu colo, segurando firmemente em minha blusa com medo de que eu pudesse ir embora. Mas se dependesse de mim, eu nunca iria deixá-lo, se fosse preciso eu fugiria para Marte até para protegê-lo.
Edward abriu a porta do meu quarto lentamente e me viu chorando desesperadamente e abraçando Nate.
— Bella…
Olhei para ele em prantos e logo ele veio se sentar em minha cama e me abraçar.
— Edward, vão tirá-lo de mim, e eu não suportarei! Eu amo meu pequeno pedaço de felicidade.
— Shii, não vou abandoná-los, estarei ao seu lado nesta batalha. Não se desespere.
Sua mão corria por meu rosto em uma tentativa de enxugar minhas lágrimas. Mas eu simplesmente não conseguia parar de derramar lágrimas por meu rosto. Edward retirou Nate de meus braços e o colocou deitado em seu travesseirinho ao nosso lado. Meu pequeno suspirou, ressonando em seu sono tranquilo, eu observava cada movimento seu, em uma tentativa de gravar cada detalhe de sua rotina.
— Bela, tente se acalmar. Vem cá.
Edward acolheu em um abraço gentil e doce, me encolhi em seus braços apoiando meu rosto em seus ombros. Derramei mais algumas lágrimas enquanto sentia o conforto de seus braços e de suas palavras.
— Eu ficarei ao seu lado, lutarei por Nate por você, seja preciso fazer o que for, mas estarei com você.
Sua voz suave ecoava em meus ouvidos acalentando meu coração de mãe, sim, mãe desesperada. Ele passava seu nariz de forma carinhosa por minha orelha e meu pescoço. Meu choro se acalmava aos poucos e Edward me apertava cada vez mais em seu abraço confortável.
— Isso, Bella, acalme seu coração estou do seu lado, estou com você.
Edward repetiu suas palavras enquanto segurava meu rosto delicadamente, o que fazia com que eu pudesse enxergar a veracidade das palavras em seu olhar.
— Estou aqui com você e por você…
Sua testa foi encostando-se levemente com minha, ele repetia suas palavras enviando força e segurança para mim. Estávamos tão próximos que eu já podia sentir o ar escapando de sua boca, tão naturalmente quanto sua atitude de me consolar, foi o momento em que seus lábios encontraram-se com os meus.
Suave. Doce. Carinhoso. Seguro. Reconfortante. Sentimental.
Seus lábios movimentavam-se junto ao meu de forma cálida e apaixonada. Ele sussurrava, a todo o momento, que estava ao meu lado, e por mais que ele repetisse a mesma coisa várias vezes, isso me dava uma injeção de segurança, seu toque era reconfortante.
A suavidade do toque de seus lábios nos meus durou por mais algum tempo, até que nos mesmos sentíssemos reconfortados, um se apoiando no outro. Um novo sentimento e relação nasciam e fluíam livremente de nós dois naquela hora. Encerramos o beijo com pequenos selinhos e não precisamos de palavras para conversar ou descrever aquele momento. O clima e os sentimentos que ultrapassavam nossos gestos e olhares, explicavam-se por si só.
Deitamos em minha cama, quão próximos conseguíamos, de mãos dadas, olhares fixos um no outro, sentindo o cheirinho de bebê que emanava de Nate em seu sono tranquilo em nosso meio. A tranquilidade nos chegou e assim adormecemos, dando força e segurança um ao outro para os próximos momentos que viriam.
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