Os começos de manhã em Winter Castle sempre eram agitados, assim como qualquer outra cidade. Essa agitação se definia bem também para as manhãs da Winter Castle High School. O colégio estava completamente animado aquele dia. As líderes de torcida formavam um grupo para fofocar dos jogadores de futebol. Havia também o grupo da natação, assim como os jogadores de xadrez, nerds, etc.

Quando se tratava de Matthew, ele era considerado um nômade. Aquele que não tem um grupo fixo, ou como Natasha diz que ele faz parte do grupo dos depressivos que se cortam para chamar a atenção ou o grupo dos esquisitões. Matthew tentava ignorar Natasha tanto quanto seus pais, mas com ela era diferente. Tudo em relação à Natasha era complicado.

Matthew ajeitou seus óculos de leitura e caminhou em direção à sala de aula. Sua primeira aula era biologia II. Ele sempre era o primeiro a chegar à sala, já que não tinha nada para fazer. Mesmo com todos os problemas, Matthew era um excelente aluno, tirava as melhores notas. Ele estava quase chegando quando Natasha entrou em seu caminho. Ela mascava um chiclete. Uma vaca mastigando capim, ele pensou e tentou não sorrir com aquele pensamento.

— Fiquei que se cortou de novo, esquisito. — ela deu um sorriso, umas garotas estavam ao seu lado tentando imitar o sorriso de Natasha. Jasmine não estava lá, geralmente ela conseguia salvar Matthew de Natasha.

— E você? Quebrou alguma unha novamente? — ele resmungou tentando passar, Natasha tocou seu peito com o dedo para que impedisse dele passar, logo que Matthew parou, ela limpou o dedo como se tivesse nojo de ter tocado nele.

— O que eu já disse sobre essa sua língua? — Natasha sorriu se lembrando de ter colocado cola no lanche de Matthew, quando ele a chamou de vadia.

— Você nunca se cansa de me perturbar? — Matthew suspirou cansado. — Acho que você é secretamente apaixonada por mim. — Ele sorriu sarcasticamente. As garotas olharam para Natasha que ficou vermelha de raiva, mas se controlou e deu uma gargalhada mais sarcástica.

— Você caiu da cama? Eu nunca me apaixonaria por um esquisito como você! Acho que ninguém, não é mesmo? — As garotas balançaram a cabeça afirmando como se fossem um cachorrinho. Nessa hora, Madeline havia passado e retribuído um olhar de pena para Matthew. Ninguém nunca confrontava Natasha.

— Posso ir agora? — ele murmurou.

— Só mais uma coisinha. — ele fechou os olhos sabendo o que ela ia fazer. Natasha o fez derrubar seus livros no chão, as pessoas ao redor sorriam como idiotas em um circo. Ele se abaixou para pegar os livros na mesma hora em que Emma, assim seus dedos se tocaram.

— Não precisa ajudar. — ele murmurou.

— Tudo bem... — ela disse o ajudando. Aquilo era difícil para Emma, principalmente por ter medo de se aproximar das pessoas. A pessoa que mais tinha medo era Matthew, mas ao mesmo tempo era a pessoa que era secretamente apaixonada. Nas últimas semanas, ela quis tentar espantar esse medo. Como poderia se apaixonar por alguém que tem medo?

— Obrigado. — ele sussurrou, antes de ir embora. Charlotte olhou para Emma, com o mesmo olhar de sempre.

— Eu sei... — Emma suspirou olhando Matthew ir embora. — É melhor não me meter com ele, se não Natasha iria para cima de mim também.

— Tenho pena dele. — Charlotte murmurou. — No começo eu era assim também, as pessoas riam e brincavam comigo, mas tentei não me importar. Ele se importa.

Quando Matthew entrou na sala de aula dois, onde era aplicada a matéria de sociologia, ele viu a bolsa de Natasha sobre a mesa. Ela não estava na sala. Matthew sabia que Natasha tinha um pequeno diário. Seu coração estava na boca naquele momento. Ele poderia se vingar, se o diário estivesse lá. Mas, se ele fizesse isso, ela iria se vingar duas vezes pior.

Ele sentou-se ao lado de Connor Adams, que era seu parceiro nas aulas de sociologia. Ele ouvia música nos seus fones de ouvido. Connor sempre foi solidário com Matthew.

Matthew segurou na ponta da mesa com força. Seu coração martelava rapidamente. Ele estava tremendo. Connor notou e tirou um dos fones.

— Você está bem, cara? — ele perguntou. Matthew assentiu a cabeça. — Então, você terminou o trabalho? — Matthew suspirou e tentou se acalmar. Ele puxou o trabalho que estava dentro do caderno e entregou para Connor. — Ficou ótimo cara.

Matthew se levantou e foi em direção à mesa de Natasha. Ele abriu a bolsa dela e vasculhou. Ele sentiu os olhares em suas costas. Uma mão tocou seu ombro. Ele foi pego por ela. Ele fechou os olhos e se virou.

— Não faça isso. — Madeline sussurrou. Matthew se engasgou, achou que fosse Natasha.

— Porque não? — ele gaguejou.

— Você vai se arrepender depois. — ela sussurrou.

— Então se arrependa comigo. — Matthew não soube de onde tirou coragem para falar aquilo. Ela olhou para ele e em seguida para a porta.

— Ela nunca fez nada para mim.

— Você sabe? — ele sussurrou.

— Não, mas... — Madeline pensou um segundo sobre aquilo. E se lembrou de algo. — É o diário dela que vai pegar?

— Sim.

— Me deixe vê-lo. — Matthew vasculhou novamente a bolsa e encontrou o pequeno caderninho rosa. Ele entregou para Madeline, que logo que abriu procurava algo como se soubesse onde ficava. Ela parou em uma das primeiras páginas. Matthew se juntou com ela, ele sentiu o cheiro do perfume dela. Era um aroma doce e bom. A data referente era algo que ocorreu há dois anos, quando estavam na sexta série.

Querido Diário,

O dia de hoje começou ótimo. Papai me disse o quanto estava bonita – Bonita até mais que Charlotte! – eu sei isso pode parecer impossível, mas é a mais pura verdade. Troquei meu guarda-roupa todo. Logo depois, fiz algo que nunca achei que fosse capaz de fazer. Fiz uma armação. Madeline Evans era a única pessoa que eu tinha em vista... Meu dia foi de sorte, avistei Madeline aos beijos com Pietro Knight! Eu rapidamente fui a casa dela e contei para o pai dela e depois espalhei para todos!

Matthew se lembrou daquele tempo, quando Madeline vinha para a escola e ia para a casa com o pai. Matthew havia visto manchas roxas pelo braço de Madeline. Ele então soube que o pai dela havia batido nela.

— Madeline... — ele tentou dizer, mas ela tremia de raiva.

— Faça isso, Matthew. — ela disse determinada.

Matthew assentiu com a boca aberta e puxou o diário para ele, e procurou algo revelador. Ainda na mesma página havia uma. Ele sorriu daquilo. Correu até o quadro e pegou um canetão e escreveu:

“Quando anoiteceu naquele dia, me encontrei com um garoto que eu nem me lembro de mais o nome. Ele me levou para dentro do carro dele. E bom... Sim, eu não sou mais virgem!” – Natasha Carter.

As poucas pessoas da sala sorriram e gritaram surpresas. Charlotte e Emma estavam rindo daquilo, enquanto Sophie estava com a boca aberta, como se não acreditasse naquilo. Madeline sorriu para Matthew, ele sorriu de volta timidamente. E procurou algo mais.

Na página do dia anterior, viu algo e olhou para Charlotte. Ela percebeu e foi até ele puxando o diário para ela.

Querido Diário,

Ontem eu e Brandon armamos contra Charlotte Jones. Ela se declarou para ele! Pode isso? Eu já sabia faz tempo daquele segredo inútil dela e planejei com Brandon várias semanas atrás que se ela se declarasse que ele a humilhasse. E foi o que ele fez. Resultado: A idiota se cortou novamente. Nunca gargalhei tanto!

Charlotte olhou para Matthew com a mesma expressão de Madeline. Raiva. Na mesma hora, Natasha entrou na sala e todos começaram a rir da cara dela. Ela olhou horrorizada para eles, não entendendo nada. Uma de suas amigas cochichou para que olhasse para o quadro.

— Você! Seu esquisito! — ela berrou avançando para cima de Matthew. Madeline e Charlotte se puseram na frente dele.

— Você vai fazer o que com ele? — Charlotte perguntou.

— Não é da sua conta, sua idiota! — Natasha tentou empurrá-las, mas Madeline foi mais rápida e a empurrou contra o chão. Natasha gritou de raiva e se levantou.

— Acho que é a minha vez! — Charlotte disse batendo no rosto de Natasha, enquanto Madeline puxava seus cabelos. — Como pode fazer aquilo comigo?!

Emma correu em direção a Charlotte, tentando separar a briga. Enquanto Matthew sorria, Sophie chegou ao seu lado com uma expressão dura no olhar.

— Não deveria ter feito isso. — ela murmurou.

— Está do lado dela? — ele murmurou.

— Não estou do lado de ninguém! — ela se estressou. — Você quer que ela aprenda a lição desse jeito?

— Quem é você, mesmo? — ele perguntou.

— Não interessa. — Sophie resmungou, naquele instante soube que não tinha nenhum pingo de pena dele.

— Ora, então porque está aqui? — ele perguntou confuso. Nem ela sabia bem, apenas quis intervir aquilo.

— Para acabar com essa briga ridícula! — Ela pegou o apagador e apagou o que Matthew havia escrito. Ele puxou o braço dela.

— Pare com isso! — ele gritou. E então o diário caiu no chão. Matthew se agachou para pegar e a data chamou-lhe a atenção.

Querido Diário,

Matthew Richards é o garoto mais babaca que existe! Sério! Aquele monstro deveria morrer! Ele me fez tirar um zero na prova de Biologia II! Ele contou que eu havia colado! Uh! Eu não pude deixar isso barato, meus pais brigaram muito comigo! Por isso, mandei uns colegas meus baterem naquele otário!

Matthew olhou para aquilo incrédulo. Ele se lembrava daquele dia como se fosse ontem, havia pegado um atalho para ir pra casa, quando cinco garotos impediram seu caminho e o bateram, sem nenhum motivo. Agora ele sabia qual motivo era. Natasha. Sempre é a droga da Natasha, ele rosnou em pensamentos. Antes que pudesse entrar naquela briga também, o diretor Murilo entrou na sala, enquanto todos gritavam “BRIGA! BRIGA!”.

— Que diabo está acontecendo aqui?! — ele gritou. Charlotte e Madeline pararam de bater em Natasha, Emma conseguiu afastar Charlotte e Sophie pegou o diário da mão de Matthew e guardou na jaqueta. — Os seis para a direção!

— Mas, diretor! — Natasha se queixou ajeitando o cabelo. — Foram eles que começaram!

— AGORA! — ele gritou saindo bufando da sala de aula. Os seis então relutantes foram para a diretoria.

Como punição os seis deveriam ficar na biblioteca e arrumar todos os livros. Um cargo que nem a própria bibliotecária queria. Os seis caminharam em direção à biblioteca, enquanto os outros iam embora. O diretor já avisou os pais de cada um.

— Eu não acredito nisto! — Natasha reclamou. Desde que entraram na diretoria, só o que ela sabia era reclamar, dizendo que era inocente. — Eu tinha planos para hoje!

— Que pena, vai ter que desmarcar. — Charlotte deu um risinho para ela.

— Isso é culpa de vocês! — ela parou, assim como os outros.

— Isso é culpa sua! Sua otária! — Madeline gritou. — Se não fizesse tudo o que fez, não estaríamos nem aqui para começo de conversa!

— Claro! Eu só dei para o seu pai a informação que todos já sabiam! Que você é uma grande Vadia!

— Parem com isso. — Sophie disse pela primeira vez, desde que saíram da diretoria. — Eu quero ir logo para a casa.

— Por que você entrou na briga? — Natasha olhou para ela, se perguntando mentalmente quem era ela.

— Eu tentei separar. — Sophie ficou corada.

— Okay, podemos ir? — Emma perguntou timidamente que não saiu de perto de Charlotte nenhum segundo.

— Sim. — Matthew murmurou. E logo todos foram em direção a biblioteca, menos Emma e Charlotte.

— Está pensando o mesmo que eu? — Charlotte perguntou.

— Sim. — Emma suspirou. — Essa será uma longa noite.