Notas iniciais
PRÓLOGO Ele caminhava entre as ruas distintas e escuras de Winter Castle, ele iria a um reencontro. Ele está caminhando um pouco inseguro, aquela noite ele iria declarar a si mesmo o fim de sua sanidade por completo, quer dizer, ele sabia que já havia feito mal antes, mas para ele aquilo era um simples joguinho de criança. Há pouco tempo atrás, ele estava ali naquelas mesmas ruas, quando a encontrou. A pobre menina que foi humilhada, ela chorava muito, Mitchell cuidou bem dela e propôs um acordo, quando estivesse pronto retornaria e se vingaria de cada um que a humilhara, ela não entendeu bem, mas aceitou. Mal, sabia ela que Mitchell já estava ali com aquela ideia, amaldiçoados sejam eles, ele havia dito a ela. Os dois haviam planejado uma pequena diversão, os trancou em sua sala de aula escura e juntos começaram acertar pedras pelas janelas, eles ficaram apavorados. Mitchell sempre achou que iria iniciar aquilo tudo sozinho, mas estava enganado ele iria ter a ajuda dela. Mitchell avistou a encostada em uma árvore, com seus longos e cacheados cabelos loiros. Mitchell a considerava uma garota bonita, mesmo que seus olhos castanhos não combinassem muito com o tipo de cabelo que ela tinha. Ela era magra, mas não muito e sua pele era branca, mas não muito. Ela olhou para ele e sorriu alegre, como se não estivesse crendo que ele viria. — Achei que no final das contas você não viria, mas vejo que me enganei. — ela falou num tom de deboche. — Você acha que iria brincar com você? — ele deu um sorriso um tanto cafajeste. — Está na hora de você saber o meu real motivo de estar aqui, você ainda tem chance de desistir... — Eu não quero desistir, Mitchell, quero ser sua aliada. — Então, você realmente está pronta.

A brisa calma tomava conta de uma desconhecida cidade chamada Winter Castle¹. Winter Castle era dividida em quatro territórios. Na parte leste da cidade, habitavam-se os moradores que tinha uma vida econômica acima da média, assim dizendo os fundadores da cidade, junto disto ficava o ponto turístico da cidade, o enorme Castelo de Inverno². Se seguisse mais adiante se chegava a outro território, a montanha. A montanha de Winter Castle dava várias voltas até que se chegassem à parte oeste da cidade, na praia local ou até em então ao topo da montanha, onde uma das famílias fundadoras (Os Grey) tem posse. O terceiro território era ocupado com os enormes prédios de Winter Castle, o centro da cidade assim dizendo. E o último território é onde os moradores vivem, além de ser o território maior de Winter Castle, muitos preferem a cidade grande, a aquele tanto de árvores.

O mês de novembro acabara de começar e para Sophie Camille Grey que andava vagarosamente pela calçada, nada disso era prioridade em sua vida. Ela caminhava sem rumo, pensando em como sua manhã havia sido estranha, acordara e não havia motivos para chorar. Faz muito tempo desde que Sophie chorava pela separação dos seus pais, talvez algo dentro dela houvesse se conformado que aquele era o melhor. Eles não estavam em um casamento feliz, o que ela podia fazer? Nada. Mas, algo ainda dentro dela, jogava palavrões e coisas horríveis de que ela era a culpada pela separação dos pais, ela, seu pai não iria querer alguém como ela, iria procurar alguém que pudesse chamar de filha, sem ter vergonha. Sua mãe diz todas as vezes que esta foi à melhor escolha da sua vida, mas Sophie desconfiava que no fundo, sua mãe falava mal por ter ficado com a responsabilidade de cuidá-la.

Sophie se achava feia e gorda, mesmo quando não era nada disso. Seus longos e lisos cabelos vermelhos davam destaque para sua pele branca demais, os olhos verdes claros puxados de seu pai, Robert Grey. Ela não era gorda, era magricela até demais, seu peso eram 40 kg, algo considerado abaixo do ideal para a idade dela, ela não era muito alta. Para se livrar desta “gordura”, Sophie tinha um segredo. Algo que nenhum morador de Winter Castle iria desconfiar, ela tinha bulimia. Cada coisa que comia ou que fosse demais ela pegava a escova de dente ou próprio dedo e o colocava na garganta. Isso já fez Sophie ter vertigens e até ter desmaios. Ela faz isso desde a separação dos seus pais, ou seja, faz quase três anos que Sophie força o vomito.

A brisa continuava calma, Sophie fechou seus olhos e parou de andar. Aquilo a fazia acalmar, algo que não conseguia explicar. Mesmo com seu problema com a bulimia, nunca se tornou uma pessoa tímida, muito pelo contrário, ela era direta até demais e fria. Isso a fez se tornar uma garota arrogante como dizia sua tia Anna. Sophie não ligava muito para isso, seu maior medo era que seus pais se separassem, e isto já aconteceu agora o medo de que alguém descobrisse seu segredo era a pior das coisas que podiam acontecer.

Sophie abriu os olhos calmamente, e então viu de longe um garoto sentado debaixo de uma árvore, ela sabia bem quem era ele, todos sabiam quem era. O garoto estava com a cabeça enfiada entre os joelhos, e ele tremia como se estivesse chorando, Sophie jamais iria lá e perguntar o que ele tinha, por que ninguém chegava perto dele. Matthew Auguste Richards era o tipo problemático da cidade, toda cidade tem um. Mas, a curiosidade de saber o que se passava com ele era de matar, na verdade para alguns, os outros simplesmente o maltratavam e riam pelo seu jeito de ser. Talvez Matthew fosse apenas alguém como Sophie, alguém que precisasse de ajuda.

Os olhos de Sophie analisaram Matthew sentado debaixo da árvore chorando, e viu um garoto em suas lembranças que não havia mudado nada ao longo dos anos. Na segunda série, Matthew havia se mudado para mesma escola que Sophie, ele já chegou calado e quase sempre alguém o via chorando, havia dias que os seus olhos estavam da cor natural, o azul claro, que significava que ele não havia passado uma noite chorando, e em outros dias chegava vermelhos de tanto chorar. Sophie sabia disto, porque ela conhecia os olhos molhados em lágrimas. Mas, porque ele sofre desde pequeno? Qual é o motivo dele ser assim? Sophie passou a ter bulimia com seus treze anos, mas ele era assim desde que Sophie tinha oito anos. Quando pessoas não ficavam perto dele e outras faziam brincadeiras de mau gosto, Matthew passou a perceber a rejeição dos colegas de classe. E foi na quarta série, que ele apareceu com marcas profundas, alguns pareciam arranhões no pulso. E então tudo piorou para Matthew quando todos da escola souberam que ele se cortava.

Sophie também já teve vontade de se cortar uma vez, quando seus pais se divorciaram. Ele deve ter algum motivo para fazer isso... Eu acho, pensou ela. Mas, o que ela poderia fazer para ajudá-lo? Ela pensou mais um pouco e sabia a resposta, ela não podia fazer nada. Ela suspirou e começou a caminhar deixando os pensamentos para traz.

Matthew levantou o rosto que já estava vermelho por ter chorado demais, o motivo desta vez era o mesmo. Seus pais brigando com ele, sem ele poder fazer nada. Porque seus pais o viam como uma rejeição e não o abortaram? Seria mais fácil... Seria melhor para todo mundo. Por isso, Matthew se cortava, desde pequeno seus pais brigavam muito por causa dele, sua salvação foi sua avó, Anita ter levado ele para morar com ela, mas quando completou sete anos teve que voltar a morar com os pais.

Ninguém entendia bem ele, apenas ele se entendia. No começo quando ele se mudou achou que podia ser bom, mas logo vieram as brigas, tudo o que ele fazia era apenas chorar por isso, até perceber que ninguém na sala onde ele estudava, queria ficar perto dele, ele sempre achou que tinham medo dele. E isso fez Matthew aprender a se cortar.

Matthew havia trazido com sigo um pedaço de vidro, ele olhou para o vidro e olhou o garoto de cabelos marrons e lisos que se não fossem cortados com o tempo, logo tampariam seus olhos azuis. Sua pele estava rosada por ser branco demais. Ele via um garoto sem salvação. Na verdade via o que todos viam: alguém que não merecia nem existir. Matthew pegou o caco de vidro e pressionou contra seu pulso, logo o sangue saia em formato de bolinhas pequenas. Se cortar com vidro não era um dos seus favoritos para se aliviar, mas era tudo o que tinha no momento. O sangue escorria vagarosamente de seus pulos.

Matthew escondeu rapidamente os cortes e olhou para cima. Uma garota de cabelos compridos, seus cachos marrons caia bem em sua pele morena, o olhava. Matthew analisou os olhos verdes claros da garota e seu coração vacilou. Aquela era a garota dos seus sonhos, dos seus sonhos impossíveis, Madeline Kristine Evans.

Ele sabia que era um sonho impossível porque Madeline nunca olharia da mesma forma para ele, mesmo quando a esperança em seu peito dizia completamente o contrário. Ele então se levantou e foi para casa.

Madeline observou Matthew ir para casa, ela não conseguia ver maldade nele, apenas que era um garoto incrivelmente perturbado.

— Olhando novamente esse garoto? — perguntou Craig, o irmão caçula dela, bisbilhotando dentro do quarto de Madeline novamente.

— Sai do meu quarto agora! Já disse que não quero você dando opinião na minha vida! — disse Madeline fechando a porta de seu quarto.

Madeline voltou a se sentar perto da janela. Ela tinha praticamente a vida de uma garota normal na idade dela, só havia um único problema. Anthony Evans, seu pai. Ele era um problema justamente por ser uma pessoa rígida, principalmente quando o assunto era Madeline. Havia regras que ela deveria seguir, e a principal era nada de garotos. Ela era o tipo de pessoa que gostava de quebrar as regras. Ela namorava Christopher Moore escondido fazia cinco meses.

Seu medo em questão era que seu pai descobrisse isso. Christopher nunca pressionou Madeline a contar a verdade, porque todos os garotos sabiam como o pai dela era.

Seus olhos rapidamente se viraram para uma garota de cabelos pretos que batia nos ombros, havia mechas rosa na sua nuca, a garota corria em direção à casa da frente, ela era Charlotte Anastasia Jones. Todos conheciam Charlotte, ela já foi um dia a garota mais popular do Winter Castle High School, mas depois que ela passou a fazer a mesma coisa que o Matthew, se cortar, perdeu sua popularidade. Antigamente ela era uma verdadeira nojenta como dizia Madeline, agora se tornou uma pessoa estranha até.

Logo após, Madeline viu outra garota de cabelos pretos, curtos e lisos correndo em direção à casa de Charlotte, era a sua amiga Emma Rosie Green, a antissocial da escola. Ela era uma das únicas amigas de Charlotte, a outra, Isabelle Martin estava viajando. Madeline pegou uma toalha e foi tomar banho, deixando seus pensamentos de lado.

Emma correu em direção ao banheiro, onde Charlotte acabara de se trancar.

— Abre a porta! Agora! — gritava batendo na porta. Só estavam as duas em casa. A expressão de Emma era de preocupação, seus olhos castanhos escuros estavam fechados. Emma sempre tinha a mesma mania quando queria controlar sua paciência, seus olhos se fecham. Ela bateu novamente quando ouviu um gemido de dor de Charlotte.

— Vá embora! Posso me cuidar! — exclamou Charlotte tentando conter o sangue que saía de seus pulsos, claro não conseguindo. A essa altura a pia do banheiro estava toda cheia de sangue.

— Não vou embora coisa alguma! Charlotte você quase cortou uma veia! Vamos abra a porta, se não conto para sua mãe!

— Tudo bem... — sussurrou ela abrindo a porta, mas não pela “ameaça” de Emma, mas sim porque não estava conseguindo conter o sangramento.

Seu pulso estava cortado, o motivo desta vez foi ouvir Brandon Rogers, o garoto que ela gostava, dizer coisas horríveis para ela. Ela se declarou para ele, e ele apenas disse “Como eu vou gostar de uma garota como você?! Você mancharia minha imagem sua monstra!” e outras coisas bem piores. Ele havia colocado Charlotte lá no chão e pisado em cima dela, como se fosse uma formiga.

— Não liga para aquele idiota, ele não sabe o que está perdendo. Aquele desgraçado! Quando você me contou o que ele disse, me deu vontade de ir lá e falar merda para ele! E qual foi nosso trato?! Esqueceu? Eu deixo fazer o que você quiser com teu braço, mas apenas não se corte por garotos idiotas como ele! Poxa! — disse Emma cuidando do corte da Charlotte. Ela sabia bem que Emma não teria coragem de dizer nada para Brandon, muito menos para sua mãe, na verdade com ninguém.

Assim que Brandon falou essas atrocidades, Charlotte ligou abalada para Emma, mas já havia se cortado.

— Me desculpa sério... Não vai acontecer de novo...

Apenas Emma sabia os motivos de Charlotte se cortar, ela passou por uma fase difícil em sua vida, com sua mãe e seu pai. Eles se separaram, e Charlotte passou a cuidar do seu irmão, sozinha e de si própria. Sua mãe e ela vivem brigando também, por sua mãe não entender as decisões dela.

— Venha... Vamos dormir lá em casa. Ligo pra sua mãe quando chegarmos lá.

Emma se juntou com ela, quando Charlotte parou de ser popular. Ela era antissocial por motivos que ninguém conhecia, e nem Charlotte sabia.

Logo depois de Emma limpar a pia, as duas saíram de casa, quando viram a garota em que elas não gostavam muito, na verdade odiavam. Depois que Charlotte deixou de ser popular, Natasha Evelyn Carter se tornou a mais popular do colégio. Tinha qualquer garoto aos seus pés. Elas não gostavam dela, simplesmente por acharem que ela era metida e por fazer outras pessoas sofrerem. Elas então foram para casa de Emma. Natasha usava o bullying como suporte da sua popularidade.

Natasha viu as duas estranhas do outro lado da rua, sorriu e pegou o seu celular e ligou para sua melhor amiga, Jasmine April Clark.

— Jasmine? Oi. — disse Natasha.

— Oi Nath. — disse Jasmine.

— Adivinha quem eu acabei de ver? — disse Natasha rindo.

— Matthew? — perguntou ela. Natasha sempre brincava com a cara do Matthew. Uma vez, ela pediu para uns valentões encurralarem ele e baterem nele. E foi isso o que houve.

— Não. As duas estranhas do rock.

— Fiquei sabendo do que você e o Brandon aprontaram! — Jasmine nunca aprovou as atitudes de Natasha, ela sempre oferece um método de popularidade sem praticar o bullying.

— Ela se cortou novamente, por causa do que o Brandon disse. — Natasha sorriu.

— Natasha não é nada legal brincar com a cara das pessoas!

— Credo, pareceu minha mãe agora. Vou desligar estou indo ao shopping. — Natasha então desligou o celular e seguiu seu caminho.