Acaso ou destino
14 Capítulo 13 - A testemunha
Leah permaneceu sentada junto à fogueira enquanto Sue examinava seu ombro.
As marcas da mordida haviam desaparecido quase completamente. Restavam apenas pequenas linhas avermelhadas no local onde os dentes do vampiro perfuraram sua pele.
O veneno também desaparecera.
Carlisle confirmou do outro lado da fronteira que não havia qualquer sinal da substância no organismo dela. A temperatura voltara ao normal para uma metamorfa, e os tremores haviam cessado.
Sarah continuava próxima de Jacob.
O ciclo permanecera ativo durante toda a cura. A força passara pelo corpo dela, alcançara Leah e retornara através do vínculo sem provocar tontura, queda de pressão ou perda de consciência.
Era a primeira vez que utilizava o poder sobre uma lesão grave sem sofrer consequências.
E todos haviam testemunhado.
— Como se sente? — Sarah perguntou.
Leah movimentou o braço com cuidado.
— Como se não tivesse sido mordida.
— Ainda sente dor?
— Apenas um pouco de sensibilidade.
Sue abraçou a filha.
Leah resistiu durante alguns segundos antes de retribuir o gesto.
— Obrigada — disse a Sarah.
A palavra pareceu difícil para ela.
Sarah compreendeu.
— Você teria feito o mesmo por mim.
Leah olhou para Jacob, que ainda segurava a mão de Sarah.
— Ele não permitiria que alguém chegasse perto o suficiente para descobrir.
— Provavelmente não — Sarah concordou.
Jacob não negou.
Do outro lado da fronteira, Eleazar permanecia pensativo.
— A remoção do veneno confirma a possibilidade de reversão — disse.
Rosalie voltou-se para ele.
— Não necessariamente. Leah não é vampira. O corpo dela ainda estava lutando contra a substância.
— É verdade — Carlisle concordou. — Existe uma diferença entre retirar o veneno recente e reverter uma transformação consolidada.
— Mas o princípio é o mesmo — Eleazar insistiu. — Sarah reconheceu a parte morta dentro de um corpo vivo e a expulsou.
Jacob lançou-lhe um olhar.
— Não transformaremos isso em outro experimento.
— Ninguém sugeriu tal coisa — Carmen respondeu com delicadeza.
— Ainda.
Sarah apertou a mão dele.
— Jacob.
Ele olhou para ela.
— Estou bem.
— Desta vez.
— Porque você estava comigo.
A resposta diminuiu parte de sua resistência.
Ateara observou os dois. A cada manifestação, a antiga lenda parecia ganhar um novo significado. A Filha da Lua não fora destinada apenas a curar. Seu poder existia no espaço entre a vida e a morte, capaz de reconhecer uma sem destruir a outra.
Alistair permanecia afastado dos dois grupos.
O vampiro nômade entregara a acusação dos Volturi e agora parecia ansioso para partir.
— Aro não lhes dará tempo suficiente para reunir uma defesa — advertiu. — O julgamento é apenas uma forma de tornar a sentença aceitável diante das testemunhas.
Billy segurava a carta.
— Então precisamos desmontar as acusações antes que ele chegue.
Edward aproximou-se da fronteira, sem atravessá-la.
— A primeira afirmação é que Sarah ameaça o segredo do mundo sobrenatural.
— Nunca contei nada a ninguém — ela respondeu.
— Os funcionários do hospital viram a luz — Carlisle lembrou. — Mesmo que aceitem a explicação da falha elétrica, Aro usará o episódio.
— Selene provocou tudo — Jacob argumentou. — Ela entrou no hospital e feriu seres humanos.
— E negará — Edward disse. — Os Volturi escolherão testemunhas leais à própria versão.
— Existem gravações — Sarah recordou. — O hospital possui câmeras.
Carlisle balançou a cabeça.
— O sistema foi danificado. O pouco que restou mostra apenas interrupções e imagens distorcidas.
— Conveniente — Leah comentou.
Billy voltou a ler a carta.
— A segunda acusação afirma que a matilha matou mensageiros protegidos pelas leis de Volterra.
Sam cruzou os braços.
— Eles invadiram nosso território e atacaram primeiro.
— Aro dirá que não reconhece nossa fronteira — Carlisle respondeu.
Rosnados percorreram os lobos.
— Ele não precisa reconhecer — Jacob afirmou. — A terra é nossa.
— Concordo — Carlisle disse. — Mas o objetivo será demonstrar isso diante dos outros clãs.
— E a terceira acusação? — Sarah perguntou.
Ateara leu:
— Os Cullen pretendem utilizar o poder da Filha da Lua para criar uma nova espécie.
Esme olhou para o marido.
— Como poderíamos provar que isso é mentira?
— Não podemos provar uma intenção que nunca existiu — Edward respondeu. — É justamente por isso que a acusação foi formulada dessa maneira.
— Então não temos defesa — Seth concluiu.
— Temos a verdade — Sarah disse.
Alistair soltou uma risada amarga.
— A verdade é uma arma fraca contra os Volturi.
Ela olhou para ele.
— Apenas quando todos têm medo demais para usá-la.
O nômade sustentou seu olhar por alguns segundos.
— Você realmente acredita que pode enfrentar Aro?
— Não sei. Mas não entregarei minha vida apenas porque ele escreveu uma acusação em um pedaço de papel.
Jacob ficou ao lado dela.
— Nem eu.
Carlisle observou as testemunhas reunidas dos dois lados da divisa.
— Aro espera encontrar a matilha e nossa família isoladas. Não espera encontrar outros clãs dispostos a questioná-lo.
Tanya assentiu.
— Os Denali testemunharão que não existe qualquer plano de criação de uma nova espécie.
— E nós testemunharemos que os Volturi ofereceram recompensa por Sarah — Sam acrescentou.
— Precisamos de alguém que comprove o que aconteceu no hospital — Sarah disse.
Carlisle ficou imóvel.
— Thomas.
— O paciente que curei.
— Ele não sabe o que aconteceu — Jacob argumentou.
— Mas os exames anteriores e posteriores à parada demonstram uma recuperação impossível.
Carlisle considerou a proposta.
— O prontuário médico comprova que houve fibrilação ventricular, parada prolongada e retorno sem qualquer lesão cardíaca.
— Então os próprios registros demonstrariam o poder de Sarah — Bella observou.
— Aro já sabe que o poder existe — ela respondeu. — Esconder não nos protege mais.
Jacob não gostou da ideia.
— Não envolveremos um humano nessa guerra.
— Ele já está envolvido. Foi atacado no hospital por causa de mim.
— Thomas não sabe sobre vampiros.
— Nem precisa saber tudo. Apenas precisa confirmar que os Volturi colocaram pacientes em risco.
Carlisle retirou o telefone do bolso.
— Pedirei autorização para consultar o prontuário e conversarei com ele.
— Não por telefone — Edward advertiu. — Se os Volturi estiverem monitorando o hospital, interceptarão qualquer contato.
— Então iremos pessoalmente — Sarah decidiu.
Jacob se voltou para ela.
— Você não vai ao hospital novamente.
— Não estarei sozinha.
— Foi o que disseram da última vez.
— Jacob...
O telefone de Carlisle vibrou.
Todos ficaram em silêncio.
Ele atendeu.
— Doutor Cullen.
Uma mulher falava do outro lado. Mesmo sem a audição dos vampiros e metamorfos, a preocupação em sua voz era perceptível.
Carlisle fez algumas perguntas.
Sua expressão mudou.
— Quando isso aconteceu?
Sarah sentiu o medo surgir antes mesmo de ouvir a resposta.
Carlisle encerrou a ligação.
— Thomas desapareceu.
— Como assim? — ela perguntou.
— A esposa chegou ao hospital pela manhã para levá-lo para casa. O quarto estava vazio. Um enfermeiro afirmou que dois homens o transferiram durante a madrugada, mas não existe ordem registrada.
Jacob soltou um rosnado.
— Os Volturi.
Edward fechou os olhos, procurando alguma informação nos pensamentos de Carlisle.
— Eles o levaram porque sabiam que usaríamos os exames na defesa.
— Ou pretendem usá-lo contra Sarah — Bella acrescentou.
Alice ficou imóvel.
Jasper aproximou-se.
— O que vê?
— Uma estrada.
— Onde?
— Ao sul de Forks. Um veículo escuro seguindo em direção a Olympia.
— Thomas está dentro? — Sarah perguntou.
— Sim. Está sedado.
A visão mudou.
Alice segurou o braço de Jasper.
— Há dois vampiros no carro e um terceiro seguindo pela floresta.
Sam se voltou para a matilha.
— Conseguem interceptar?
Jacob calculou mentalmente a distância.
— Se sairmos agora.
— Eu vou — Sarah afirmou.
— Não — Jacob e Carlisle responderam ao mesmo tempo.
— Thomas foi levado por minha causa.
— É exatamente por isso que não irá — Jacob disse. — Eles esperam que tente resgatá-lo.
— E se precisarem de meu poder para mantê-lo vivo?
— Carlisle irá.
— Carlisle não pode restaurar o que meu poder alterou.
Jacob se aproximou.
— Você não vai se entregar em uma estrada.
— Não estou sugerindo me entregar.
— Então qual é o plano?
Sarah olhou para Alice.
— Eles sabem que você consegue ver as decisões?
— Selene provavelmente contou.
— Então escolheremos o caminho apenas no último instante.
Edward compreendeu.
— Dividiremos os grupos. Alice acompanhará os futuros possíveis sem saber qual deles será executado.
— E Sarah continuará dentro da reserva — Jacob insistiu.
Ela segurou a mão dele.
A proteção prateada surgiu discretamente entre os dedos.
A mente de Jacob desapareceu para Edward. O futuro se apagou para Alice.
— Agora eles também não conseguem prever nossa decisão — Sarah disse.
Alice sorriu.
— Isso pode funcionar.
Jacob não pareceu satisfeito.
— Qual decisão?
Sarah olhou para os dois grupos.
— Que eu irei.
O plano foi definido sem que Sarah soltasse a mão de Jacob.
Enquanto o ciclo permanecesse ativo, Alice não enxergaria o futuro dos dois, e Edward não ouviria seus pensamentos. Se Selene estivesse conectada a algum objeto relacionado à linhagem, também encontraria apenas a luz.
Sam dividiria a matilha em três grupos.
Carlisle, Edward, Emmett e Jasper seguiriam pela estrada principal. Tanya, Kate e Garrett cercariam a rota leste. Os lobos avançariam pela floresta.
Sarah e Jacob usariam um caminho secundário conhecido apenas pelos moradores da reserva.
— Permaneceremos atrás dos outros — Jacob determinou.
— Até localizarmos Thomas — Sarah concordou.
— Se houver qualquer sinal de armadilha, voltaremos.
— Sim.
— Sem discutir.
Sarah ergueu uma sobrancelha.
— Não exagere.
— Isso não foi uma resposta.
— Faremos o possível para evitar uma armadilha.
Jacob soltou o ar.
— Às vezes esqueço que é incapaz de fazer uma promessa simples.
— Promessas simples costumam ignorar situações complicadas.
Billy interrompeu:
— Vocês dois terminaram?
— Não — responderam juntos.
Apesar da tensão, Billy sorriu.
Ateara abraçou a neta antes que ela partisse.
— Seu pai faria exatamente o mesmo.
— Isso deveria tranquilizá-lo?
— De forma alguma. Benjamin quase me matou de preocupação durante toda a vida.
— Voltarei.
— Traga Jacob também.
Sarah olhou para ele.
— Pretendo.
O veículo que transportava Thomas deixou a estrada principal quarenta minutos depois.
Alice viu a mudança, mas perdeu a visão no instante em que o futuro se aproximou de Sarah e Jacob.
Carlisle informou a Sam por telefone.
Os lobos mudaram a rota.
Jacob dirigia por uma estrada estreita entre as árvores. Sarah permanecia ao seu lado, segurando sua mão enquanto ele controlava o volante com a outra.
— Isso não é seguro — ela comentou.
— O quê?
— Dirigir com uma mão.
— Possuo reflexos melhores do que os humanos.
— Continua sendo contra as regras de trânsito.
— Estamos perseguindo vampiros que sequestraram um paciente, e você está preocupada com as regras de trânsito?
— Alguém precisa preservar algum senso de normalidade.
Jacob quase sorriu.
O telefone vibrou.
Era uma mensagem de Sam.
“O carro parou em um depósito abandonado. Três frios. Thomas está vivo.”
Jacob estacionou antes da curva seguinte.
— Ficará aqui.
Sarah abriu a porta.
— Não.
— Combinamos que permaneceria atrás.
— E estou atrás. O depósito fica a quase um quilômetro.
— Isso ainda é perto demais.
— Se Thomas precisar de mim, perderemos tempo voltando.
Jacob segurou seu braço.
— Sarah.
— Confie em mim como eu confio em você.
Ele fechou os olhos.
— Fique no carro até eu chamar.
— Está bem.
— Tranque as portas.
— Vampiros conseguem arrancar portas.
— Tranque mesmo assim.
Sarah obedeceu.
Jacob correu para a floresta e se transformou.
Poucos segundos depois, desapareceu entre as árvores.
O depósito estava vazio havia muitos anos.
As janelas estavam quebradas, e parte do telhado desabara. O carro escuro permanecia no interior da construção, escondido da estrada.
Thomas estava amarrado a uma cadeira.
O vampiro de cabelos castanhos que escapara do hospital permanecia atrás dele. Dois nômades vigiavam as entradas.
— Ela virá — disse um deles.
— O lobo não permitirá.
— Não precisa permitir. O humano morrerá se ela não aparecer.
Thomas começava a despertar.
— Onde estou?
O vampiro colocou a mão sobre seu ombro.
— Em uma posição muito útil.
Do lado de fora, os lobos cercaram o depósito.
Os Cullen e os Denali se aproximaram pelas outras entradas.
Edward ouviu os pensamentos dos três sequestradores.
— Há explosivos — informou em voz baixa. — Pretendem derrubar o prédio se forem cercados.
Emmett observou as estruturas enfraquecidas.
— Consigo retirar Thomas antes da queda.
— Não se o vampiro quebrar o pescoço dele — Carlisle respondeu.
Sam mostrou os dentes.
Jacob ouviu a estratégia pela mente coletiva.
Edward entraria primeiro e distrairia os vampiros. Kate usaria seu dom para imobilizar aquele que estava atrás de Thomas. Emmett retiraria o paciente.
Jacob permaneceria do lado de fora, protegendo a rota até Sarah.
O ataque começou.
Edward atravessou uma das paredes.
Os vampiros reagiram.
Kate surgiu pela entrada lateral e tocou o primeiro sequestrador. A corrente elétrica percorreu o corpo dele, paralisando-o.
Emmett avançou em direção a Thomas.
O vampiro de cabelos castanhos segurou a cabeça do paciente.
— Mais um passo e ele morre.
Todos pararam.
— Queremos a mulher — declarou.
— Ela não veio — Carlisle respondeu.
— Mentira. O cheiro dela está na floresta.
Jacob sentiu a raiva atravessar a matilha.
O vampiro também percebeu.
— Traga a Filha da Lua ou quebrarei o pescoço dele.
Thomas tentava compreender o que acontecia.
— Doutor Cullen?
— Vai ficar tudo bem — Carlisle garantiu.
— Quem são essas pessoas?
— Não importa.
O vampiro apertou a cabeça dele.
— Dez segundos.
Jacob tomou a decisão.
Correu de volta para a estrada.
Sarah o viu surgir entre as árvores já na forma humana, vestindo rapidamente a bermuda.
— O que aconteceu?
— Eles sabem que está aqui.
— Thomas?
— Vivo. Mas um deles ameaça matá-lo.
Sarah saiu do carro.
— Então vamos.
— Não.
— Jacob...
— Eles querem você exatamente onde estão.
— E conseguirão se matarem Thomas.
— Encontraremos outra maneira.
— Não há tempo.
Jacob segurou os ombros dela.
— Não posso levá-la para uma armadilha.
— Não está me levando. Está vindo comigo.
— Sarah.
— Você disse que sobreviveríamos juntos.
— Isso não significa caminhar voluntariamente até três vampiros.
— Significa não deixar um inocente morrer porque temos medo.
O conflito no rosto dele durou apenas alguns segundos.
— Ficará atrás de mim.
— Sim.
— Não soltará minha mão.
— Não soltarei.
— Ao primeiro movimento, voltamos.
— Ao primeiro movimento contra mim.
— Contra qualquer um.
Sarah percebeu que não conseguiria mais concessões.
— Está bem.
Os dois correram pela floresta.
Quando Sarah entrou no depósito, todos os olhares se voltaram para ela.
O vampiro atrás de Thomas sorriu.
— Sabia que viria.
Jacob permaneceu diante dela, segurando sua mão.
A luz prateada começou a envolver seus pulsos.
— Solte o paciente — Sarah exigiu.
— Aproxime-se.
— Primeiro solte Thomas.
— Não está em posição de negociar.
— Você também não.
A luz se expandiu.
Kate sentiu seu dom aumentar. Bella, do lado de fora do depósito, projetou o escudo sobre todo o grupo.
Edward deixou de ouvir os pensamentos de Jacob e Sarah, mas continuou captando os dos sequestradores.
— Ele pretende quebrar o pescoço de Thomas assim que Sarah se aproximar — avisou.
O vampiro reagiu.
Seus dedos se moveram.
Sarah estendeu a mão livre.
A luz atravessou o espaço.
O corpo do vampiro ficou imóvel.
Não paralisado.
Vivo.
Um único batimento surgiu dentro de seu peito.
Tum.
A surpresa fez com que soltasse Thomas.
Emmett avançou e retirou o paciente da cadeira.
Jacob transformou-se e atingiu o vampiro antes que o segundo batimento acontecesse.
A luta tomou conta do depósito.
Os lobos atravessaram as paredes. Os Cullen e os Denali imobilizaram os outros sequestradores.
Sarah correu até Thomas.
Ele estava consciente, mas seu coração batia de forma irregular.
— Doutora Ateara...
— Estou aqui.
— O que eram aquelas coisas?
— Depois explicaremos.
A pulsação dele enfraqueceu.
O sedativo usado pelos vampiros estava provocando uma arritmia.
Sarah sentiu a centelha oscilar.
— Jacob!
O lobo avermelhado abandonou imediatamente a luta e correu até ela.
Transformou-se atrás de uma parede quebrada e retornou já vestido.
Segurou a mão de Sarah.
— Faça.
Ela colocou a outra mão sobre o peito de Thomas.
O ciclo se abriu.
A luz passou por Sarah, alcançou o coração do paciente e retornou através de Jacob.
O ritmo cardíaco se estabilizou.
Sarah permaneceu forte.
— Funcionou — murmurou.
Jacob beijou sua testa.
— Eu sei.
Uma explosão atingiu a lateral do depósito.
Os sequestradores haviam ativado os dispositivos antes de serem imobilizados.
— Precisamos sair! — Emmett gritou.
Jacob tomou Sarah nos braços. Carlisle carregou Thomas.
Todos correram enquanto o teto começava a desabar.
Alcançaram a floresta poucos segundos antes de o depósito ruir.
A poeira se espalhou entre as árvores.
Thomas abriu os olhos nos braços de Carlisle.
Viu os lobos.
Viu os vampiros saindo ilesos dos escombros.
E viu a luz desaparecer das mãos de Sarah e Jacob.
Não havia mais como esconder a verdade dele.
— Eu morri no hospital, não foi? — perguntou.
Sarah se aproximou.
— Por alguns minutos.
— E você me trouxe de volta.
Ela não respondeu.
Thomas olhou para as criaturas reunidas.
— É por isso que me levaram.
— Sim.
Ele respirou fundo.
— Então serei sua testemunha.
Carlisle ficou sério.
— Thomas, ainda não compreende o perigo.
— Compreendo que fui sequestrado e que a doutora Ateara arriscou a vida para me salvar duas vezes.
Ele olhou para Sarah.
— Se essas pessoas querem condená-la pelo que fez por mim, terão de ouvir o que realmente aconteceu.
Jacob voltou à forma humana e se aproximou.
— Aro usará você.
— Ele já tentou.
Thomas se levantou com a ajuda de Carlisle.
— Agora é minha vez de escolher.
Sarah compreendeu que o homem deixara de ser apenas um paciente.
Era a primeira testemunha humana de seu poder.
E, talvez, a única capaz de provar diante dos clãs que os verdadeiros responsáveis por ameaçar o segredo sobrenatural eram os próprios Volturi.
Ao longe, a lua começava a surgir entre as nuvens.
Faltavam seis dias para o julgamento.
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