Acaso ou destino
13 Capítulo 12 -O elo de prata
A mensagem enviada ao telefone de Carlisle eliminou qualquer dúvida.
Os Volturi não desejavam apenas Sarah.
Queriam Jacob também.
Durante alguns minutos, ninguém falou. O silêncio dentro da antiga clínica era interrompido somente pelo movimento do cão na sala ao lado e pelo som das asas do pássaro curado, ainda pousado sobre o armário.
Sarah releu a mensagem.
“Não separem a lua de seu lobo. Aro deseja receber os dois.”
As palavras pareciam uma ordem.
Pior.
Pareciam demonstrar que Aro conhecia a ligação entre eles antes mesmo que Sarah e Jacob tivessem tempo de compreendê-la.
Jacob retirou o telefone das mãos dela.
— Ele pode desejar o que quiser.
— A questão não é o desejo de Aro — Carlisle respondeu. — É o que está disposto a fazer para satisfazê-lo.
— Ele não entrará em La Push.
— Talvez não pessoalmente — Edward ponderou. — Mas pode enviar outros.
Sam se aproximou da mesa onde os mapas da região estavam abertos.
— Então levaremos Sarah para dentro da reserva. A casa dela fica fora de nossas fronteiras e possui muitos acessos pela floresta.
— Minha casa está protegida — Sarah argumentou.
Jacob olhou para ela.
— Três vampiros entraram no hospital apesar de toda a vigilância.
— O hospital é um local público.
— E sua casa está isolada.
— Não quero abandonar tudo sempre que surge uma ameaça.
— Não será para sempre.
— Foi o que minha mãe provavelmente disse quando deixou La Push.
Ateara segurou o braço da neta.
— Sophia estava sozinha quando precisou fugir. Você não está.
Sarah olhou para o avô.
— Para onde eu iria?
— Minha casa.
— É pequena demais para toda essa proteção.
Billy respondeu:
— A casa dos Black possui mais espaço ao redor e fica no centro da reserva. Jacob estará lá, e a matilha poderá patrulhar sem chamar atenção.
Sarah virou-se para Jacob.
— Na sua casa?
— Você pode ficar no quarto de Rachel.
— E onde Rachel ficará?
— Na casa de Paul.
Paul sorriu.
— Apoio completamente esse plano.
Rachel atingiu seu braço.
— Você ficará na casa de Sam.
O sorriso desapareceu.
— Retiro meu apoio.
Apesar da tensão, algumas pessoas riram.
Sarah não.
— E o hospital?
— Carlisle poderá assumir seus plantões por alguns dias — Billy sugeriu.
— Não vou abandonar meus pacientes.
— Depois do que aconteceu, o hospital permanecerá parcialmente fechado até a conclusão dos reparos — Carlisle explicou. — Os casos graves serão transferidos. Você não teria condições normais de trabalho mesmo que insistisse.
Sarah cruzou os braços.
— Todos já decidiram.
Jacob se aproximou.
— Não. Estamos apresentando a opção mais segura.
— Que por coincidência é exatamente a opção que você deseja.
— Sim.
A franqueza dele a irritou e, ao mesmo tempo, impediu que o acusasse de fingir neutralidade.
— Se eu aceitar, será temporário — Sarah determinou.
— Até a lua cheia — Billy respondeu.
— Depois voltarei para minha casa.
Jacob não concordou, mas também não discutiu.
Sarah apontou para ele.
— E ninguém mexerá nas minhas coisas sem autorização.
— Apenas levaremos roupas e o material necessário — Jacob garantiu.
— Eu mesma escolherei o que levar.
— Combinado.
— E não haverá alguém parado do lado de fora da porta enquanto eu dormir.
Paul abriu a boca.
Rachel o atingiu antes que qualquer palavra saísse.
Jacob manteve a expressão séria.
— A casa será protegida pelo lado de fora.
Sarah estreitou os olhos.
— Isso significa que ficará embaixo da janela?
— Talvez.
— Jacob.
— Discutiremos quando chegarmos lá.
— Não foi o que combinamos.
— Ainda não combinamos essa parte.
Sarah soltou o ar.
— Você é impossível.
— E você está viva.
A resposta encerrou a discussão.
A mudança aconteceu naquela mesma tarde.
Sarah insistiu em retornar à própria casa para organizar as malas. Jacob, Sam, Embry e Quil a acompanharam. Carlisle e os demais Cullen permaneceram fora da propriedade para verificar os rastros deixados pelos invasores.
Nenhum vampiro havia entrado recentemente.
Ainda assim, Sarah sentiu a casa diferente.
A sala onde deixara caixas abertas e móveis pela metade já não parecia um começo. Parecia um lugar interrompido.
Ela subiu para o quarto e colocou algumas roupas sobre a cama.
Jacob permaneceu no corredor, respeitando a exigência de que não entrasse sem ser convidado.
— Pode entrar — disse por fim.
Ele apareceu na porta.
— Precisa de ajuda?
— Não.
Jacob encostou-se ao batente.
Sarah dobrou uma blusa e a colocou na mala com mais força do que o necessário.
— Está com raiva.
— Minha vida foi novamente colocada dentro de malas.
— Eu sei.
— Não sabe. Esta casa foi a primeira decisão que tomei depois da morte de minha mãe. Escolhi cada móvel antes de chegar porque precisava acreditar que construiria alguma coisa aqui.
Jacob observou o quarto.
— E vai construir.
— Estou indo embora depois de dormir nela apenas duas noites.
— Está se protegendo por alguns dias.
— Foi assim que começou com minha mãe. Ela deixou La Push para me proteger e nunca retornou.
Jacob entrou no quarto.
— Você vai retornar.
— Como pode ter certeza?
— Porque eu trarei você.
Sarah olhou para ele.
— E se os Volturi vencerem?
— Não vão.
— Isso não é certeza. É teimosia.
— Às vezes são a mesma coisa.
Ela sentou-se na beirada da cama.
— Estou com medo.
A admissão saiu baixa.
Jacob se aproximou, mas não a tocou imediatamente.
— Eu também.
Sarah ergueu os olhos.
— Você?
— Aro sabe que sou parte do seu poder. Se conseguir me afastar, pode usar sua preocupação para obrigá-la a obedecer.
— E pode usar você para me manter viva enquanto força meu poder.
— Sim.
— Então talvez devêssemos nos afastar.
O rosto de Jacob se tornou duro.
— Não.
— Se o vínculo estiver menos fortalecido...
— Não.
— Jacob, pense. Se não estivermos juntos, talvez eu deixe de ser capaz de usar você como cura.
— E ficará vulnerável sempre que precisar do poder.
— Mas Aro não precisará capturar você.
— Ele já sabe quem sou. Afastar-me não apagará isso.
— Pode diminuir o vínculo.
Jacob se ajoelhou diante dela.
— É isso que quer?
Sarah sentiu a pergunta atravessá-la.
— Quero manter você vivo.
— Não foi o que perguntei.
Ela permaneceu em silêncio.
Jacob sustentou seu olhar.
— Quer se afastar de mim?
— Não.
A resposta saiu antes que o medo pudesse impedi-la.
A tensão nos ombros dele diminuiu.
— Então não use a proteção como desculpa para fugir.
Sarah levou a mão ao rosto dele.
— Minha mãe fugiu porque amava meu pai e queria proteger o que restava dele.
— E passou o restante da vida sozinha.
— Tinha a mim.
— Mas não tinha com quem dividir o medo.
Ele segurou a mão dela.
— Divida comigo.
Sarah fechou os olhos.
Durante toda a vida, vira Sophia resolver tudo sozinha. Aprendera que amar alguém significava protegê-lo até mesmo da verdade.
Talvez existisse outra forma.
— Está bem — concordou. — Não vamos nos afastar.
Jacob beijou a palma de sua mão.
O pingente aqueceu.
— Juntos — prometeu.
— Juntos.
A casa dos Black recebeu Sarah como se sempre houvesse existido um lugar para ela.
Rachel retirara algumas roupas do antigo quarto, mas deixara fotografias, livros e pequenos objetos sobre as prateleiras. Sue levara roupas de cama limpas, e Ateara colocara uma fotografia de Benjamin e Sophia sobre a mesa de cabeceira.
Sarah parou diante da imagem.
Era a mesma praia registrada na fotografia guardada por sua mãe, mas aquela parecia ter sido tirada alguns segundos depois. Benjamin beijava a testa de Sophia, e ambos sorriam.
— Encontrei em uma caixa antiga — Ateara explicou. — Pensei que gostaria de ter.
Sarah abraçou o avô.
— Obrigada.
— Seu pai dormiu neste quarto muitas vezes quando era jovem. Ele e Billy eram quase irmãos.
Billy, parado no corredor, sorriu.
— Benjamin era melhor em entrar pela janela do que pela porta.
— Por quê? — Sarah perguntou.
Ateara soltou uma risada.
— Porque costumava voltar depois do horário permitido.
Sarah olhou para Jacob, que carregava sua mala.
— Espero que certas tradições não continuem.
— Eu uso a porta — ele respondeu.
Billy ergueu as sobrancelhas.
— Usava a janela quando era adolescente.
— Isso não é relevante.
Sarah sorriu pela primeira vez desde que decidira deixar a própria casa.
À noite, depois que todos foram dormir, ela permaneceu acordada.
A lua aparecia parcialmente entre as nuvens. Faltavam oito dias para que estivesse cheia.
Sarah tentou fechar os olhos, mas a lembrança do hospital retornou.
Selene.
Os gritos.
O corpo de Jacob atravessando a parede.
E a voz de Aro escondida dentro de cada ameaça.
Levantou-se e abriu a janela.
Um enorme lobo avermelhado estava deitado no quintal.
Sarah apoiou os braços no parapeito.
— Eu disse que ninguém ficaria debaixo da minha janela.
O lobo ergueu a cabeça.
— E você disse que discutiríamos quando chegássemos.
Jacob soltou um pequeno som.
— Isso foi uma resposta?
Ele inclinou a cabeça.
Sarah contemplou a pelagem molhada pela garoa.
— Entre.
O lobo se levantou.
— Na forma humana — ela acrescentou rapidamente.
Jacob desapareceu entre as árvores e retornou alguns minutos depois, já vestido. Usou a porta da frente, como prometera.
Quando entrou no quarto, Sarah estava sentada na cama.
— Não consegue dormir? — perguntou.
— Quando fecho os olhos, volto ao hospital.
Jacob sentou-se ao lado dela.
— Eles não estão aqui.
— Ainda.
— A matilha está cercando a casa.
— Isso não impediu Selene de entrar no hospital.
— Aqui é diferente.
Sarah observou a porta.
— Pode ficar até eu dormir?
— Posso.
Jacob se acomodou na poltrona.
— Não aí.
Ele a encarou.
Sarah afastou o cobertor do outro lado da cama.
— Apenas para dormir.
— Sarah, esta é a casa do meu pai.
— E o quarto de sua irmã.
— Isso não melhora.
Apesar do nervosismo, ela sorriu.
— Você enfrentou vampiros, mas está com medo de Billy?
— De Billy, de Rachel e principalmente de seu avô.
— Ninguém precisa saber.
— Os lobos possuem audição sobrenatural.
— Então deite e pare de falar.
Jacob hesitou antes de se acomodar sobre o cobertor, mantendo uma distância respeitosa entre os dois.
Sarah virou-se de lado.
— Está desconfortável?
— Muito.
— Posso sentir.
— Não ajuda quando diz isso.
Ela riu baixinho.
O som relaxou Jacob.
Depois de alguns minutos, Sarah fechou os olhos.
O medo ainda estava presente, mas já não dominava o quarto.
Durante o sono, ela se aproximou instintivamente. Sua cabeça encontrou o peito de Jacob, e uma das mãos repousou sobre seu coração.
Ele permaneceu completamente imóvel.
A marca sob o pijama emitiu um brilho fraco.
O pingente aqueceu.
Uma luz prateada envolveu os dois, tão suave quanto o luar.
Sarah adormeceu profundamente.
Jacob passou o restante da noite observando-a.
Não por vigilância.
Por gratidão.
Na manhã seguinte, o treinamento foi transferido para uma clareira junto à fronteira.
Os Cullen permaneceram fora das terras quileutes. Sarah, Jacob, Billy e Ateara ficaram do lado da reserva. A linha invisível entre os territórios separava os dois grupos, mas não impedia o diálogo.
Os Denali também estavam presentes.
Kate se oferecera para testar a capacidade de proteção de Sarah. Seu dom permitia produzir uma corrente elétrica através da pele, forte o suficiente para incapacitar até mesmo outro vampiro.
— Não gosto disso — Jacob afirmou.
— O choque será dirigido a mim — Bella explicou. — Sarah permanecerá atrás do meu escudo.
— Então por que ela precisa participar?
Carlisle respondeu:
— Queremos descobrir se a presença de Sarah amplia a barreira de Bella de maneira consciente.
Sarah segurou a mão de Jacob.
— Estaremos ligados durante todo o teste.
— Ao menor sinal de dor, paramos.
— Combinado.
Bella projetou o escudo ao redor de Sarah e Jacob.
Embora a barreira fosse invisível, Sarah sentiu sua presença como uma superfície fria envolvendo-os.
Kate aproximou-se.
— Começarei com pouca intensidade.
Ela tocou o limite do escudo.
Uma corrente azul percorreu o ar e desapareceu.
Sarah sentiu a energia atingir a barreira.
Instintivamente, respondeu.
A marca aqueceu e a luz prateada surgiu ao redor de sua mão unida à de Jacob.
O escudo de Bella tornou-se visível por uma fração de segundo, expandindo-se como uma redoma luminosa.
Kate aumentou a força.
A corrente elétrica atingiu a barreira.
Dessa vez, a luz não apenas bloqueou o ataque.
Absorveu-o.
A energia azul percorreu a redoma, transformou-se em prata e retornou para o solo sem atingir ninguém.
Eleazar observava com atenção.
— Sarah não amplia apenas os dons.
— O que ela faz? — Carlisle perguntou.
— Purifica a energia. Retira dela a capacidade de ferir.
Kate tocou novamente o escudo, agora com maior intensidade.
Nada aconteceu.
— Não sinto meu próprio poder — disse.
Sarah soltou a mão de Jacob.
A luz desapareceu imediatamente.
Kate recuou.
— Voltou.
Jacob tornou a segurar Sarah.
— Então, juntos, podemos neutralizar os dons dos Volturi.
— Alguns deles — Eleazar respondeu. — Jane provoca dor através da mente. Alec retira os sentidos. Chelsea manipula vínculos. A proteção de Sarah pode impedir todos esses ataques.
— E Demetri? — Edward perguntou.
— O dom dele rastreia a essência mental de uma pessoa — Eleazar explicou. — Se Sarah remove a mente do alcance dos dons, talvez consiga impedir que ele os encontre.
— Então podemos desaparecer — Sarah concluiu.
— Apenas enquanto o ciclo estiver ativo — Carlisle advertiu.
Jacob apertou a mão dela.
— Permanecerá ativo.
Um uivo interrompeu o treinamento.
Sam surgiu entre as árvores na forma de lobo, acompanhado por Leah.
Havia sangue na pelagem cinzenta dela.
Jacob se transformou antes que qualquer pessoa perguntasse.
As vozes da matilha invadiram sua mente.
Leah fora atacada durante a patrulha.
O vampiro escapara, mas conseguira mordê-la antes de fugir.
O veneno queimava em seu ombro.
Leah voltou à forma humana atrás das árvores. Sue correu até ela com roupas.
Quando surgiu na clareira, estava pálida e tremia.
Uma marca de dentes atravessava seu ombro.
A pele ao redor começava a escurecer.
Carlisle parou junto à fronteira.
— O veneno precisa ser retirado imediatamente.
— Como? — Sue perguntou.
— O organismo dos metamorfos normalmente consegue expulsá-lo, mas a quantidade é grande.
Leah soltou um grito.
Seu corpo caiu de joelhos.
Sarah correu até ela.
— Não atravesse! — Jacob ordenou, ainda em forma de lobo.
— Ela precisa de ajuda.
— O veneno pode ferir você.
— Então venha comigo.
Jacob se transformou e vestiu rapidamente a bermuda.
Ajoelhou-se ao lado de Sarah.
Leah apertava os dentes para não gritar.
— Consigo sentir — Sarah disse.
A centelha de Leah era forte, mas o veneno se espalhava como uma mancha escura.
— Pode retirar? — Sue perguntou.
— Não sei.
Jacob segurou a mão de Sarah.
— Não faça se não tiver certeza.
— Se esperarmos, o veneno continuará avançando.
Carlisle orientou do outro lado da fronteira:
— Concentre-se apenas na substância estranha. Não tente curar todo o ferimento ao mesmo tempo.
Sarah colocou a mão livre sobre o ombro de Leah.
A dor atravessou seu braço.
Não era dela, mas parecia queimar dentro de seus ossos.
A luz prateada surgiu.
Jacob sentiu o ciclo se abrir.
O poder passou por Sarah, alcançou o veneno e encontrou resistência. A substância vampírica parecia viva, lutando para permanecer dentro do corpo de Leah.
Sarah fechou os olhos.
— Está tentando se espalhar.
— Isole — Carlisle instruiu. — Como faria com uma infecção.
Ela imaginou a luz envolvendo a mancha escura.
O poder respondeu.
O veneno começou a recuar.
Leah gritou.
Jacob sentiu a força de Sarah oscilar e aumentou o contato, segurando também seu braço.
A luz percorreu os dois.
A marca brilhou através da roupa.
O veneno foi puxado para fora da ferida como um líquido negro. Ao entrar em contato com a luz, evaporou.
A pele de Leah recuperou a cor.
As perfurações começaram a se fechar.
Sarah retirou a mão.
Leah caiu nos braços de Sue, respirando com dificuldade, mas livre da dor.
— Acabou — disse Carlisle. — Não há mais veneno.
Sarah olhou para Jacob.
Não estava fraca.
O ciclo mantivera sua energia intacta.
Eleazar se aproximou da fronteira.
— Agora compreendo.
— O quê? — Jacob perguntou.
— Por que Aro teme os dois juntos.
Sarah se levantou.
— Ele não teme. Quer nos controlar.
— Desejo e medo podem existir ao mesmo tempo — Eleazar respondeu. — O veneno é a base da transformação. Você acabou de destruí-lo sem ferir a pessoa contaminada.
Carlisle compreendeu antes dos outros.
— Se Sarah consegue retirar o veneno de um metamorfo...
— Pode retirá-lo de um vampiro — Eleazar completou.
Bella ficou imóvel.
— Reverter a transformação.
— Exatamente.
Um movimento surgiu na extremidade da floresta.
Edward virou-se.
— Há alguém nos observando.
Os lobos se espalharam.
Uma figura encapuzada saiu lentamente de trás das árvores, mantendo as mãos visíveis.
Era um vampiro.
Seus olhos dourados indicavam que não se alimentava de humanos.
Carlisle o reconheceu.
— Alistair.
O nômade parou longe da fronteira.
— Não vim lutar.
— Então por que está aqui? — Jacob perguntou.
Alistair retirou do casaco um envelope marcado com o selo dos Volturi.
— Porque Aro já está reunindo testemunhas para o julgamento.
Entregou a carta a Carlisle.
— E porque as acusações foram definidas.
Sarah sentiu um novo peso no peito.
— Que acusações?
Carlisle abriu a mensagem.
Seu rosto se tornou grave.
— Os Volturi afirmam que você representa uma ameaça ao segredo do mundo sobrenatural, que a matilha assassinou mensageiros protegidos pelas leis de Volterra e que os Cullen pretendem usar seu poder para criar uma nova espécie.
— Nada disso é verdade — Sarah disse.
— A verdade não é o objetivo — Alistair respondeu. — Aro precisa apenas de uma razão que pareça suficiente diante das testemunhas.
Jacob se colocou ao lado dela.
— Qual será a sentença?
Alistair olhou para as mãos unidas dos dois.
— Se Sarah e Jacob se entregarem, serão levados a Volterra.
— E se recusarmos? — Billy perguntou.
O vampiro demorou a responder.
— A guarda recebeu autorização para destruir todos que os protegerem.
A lua cheia surgiria em sete dias.
E, pela primeira vez, a guerra possuía uma sentença antes mesmo de começar.
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