Acampamento dos sonhos ( ou pesadelos )

2 Capitulo 2: Atividades do Acampamento


Notas iniciais
Espero que estejam gostando... E aqui está o segundo capítulo

Após umas quatro partidas de xadrez e estarmos cada um com duas vitórias o mordomo sinistro surgiu não se sabe de onde e fez com que eu e Log nos assustássemos. Aquele cara era sinistro, aquele smoking todo preto nesse calor infernal desse acampamento. Achei que ele fosse morrer desidratado assim, mas ele parecia nem se incomodar. Após o susto ele nos encarou por alguns segundos e falou:

– Senhorita Ravenwood e Senhor Wayne, vocês poderão escolher as atividades agora, mas se vocês começaram uma e não terminarem vão ter que sofrer uma punição.

Eu e Logan nos encaramos, ele parecia assustado como eu. Respiramos fundo e com uma troca de olhares decidimos quem perguntaria o que queríamos saber, ele se encarregou disso. Logan olhou para o mordomo e falou:

– Qual punição?

– Dormir aqui fora na varanda. — ele disse tranquilamente. — Vamos escolham vocês podem escolher duas atividades hoje.

Eu e Logan começamos uma discussão silenciosa, não trocamos uma palavra, mas parecia que estávamos conversando. Foi aí que eu percebi que estávamos falando um com o outro apenas pelo pensamento. Eu me assustei e falei por pensamento:

– Log, a gente está conversando sem usar palavras.

– O que? Não, mas eu estou te ouvindo. — ele não mexeu a boca. — Ah! Estamos falando por pensamento! Como é possível?

– Não sei, mas pode ser útil. Vamos escolher o que? Não quero dormir aqui fora, esse lugar já é sinistro de dia, imagina a noite. — disse pela nossa comunicação secreta.

– Downhill e escalada? Pelo menos eu mando bem nisso e você? — ele falou.

– Pode ser. — falei.

Olhei para o mordomo e falei normalmente:

– Downhill e escalada.

– A escalada fica naquela direção e as bicicletas vão estar atrás dela, depois é só subir aquela colina lá e ai vocês descem pelo outro lado. — o homem falou.

– Você não vai conosco? — Logan perguntou.

– Não, mas eu vou saber se falharem. — ele disse com um tom sinistro e desapareceu.

– Mas como? — As minhas palavras ficaram no ar.

– O que foi isso? Como a gente consegue se comunicar pela mente? — Logan falou.

– Você acha que eu sei? Estou tão surpresa quanto você. Mas vai ser engraçado, não? Ninguém sabe que fazemos isso. Às vezes funciona em longa distancia. — falei.

– Nossa, vai ser muito foda se funcionar em longa distancia. — ele falou. — Vamos as nossas atividades!

Nós andamos até a parede de escalada. Estava em péssimas condições e não havia equipamento de segurança. Logan me encarou e eu falei:

– Temos mesmo que fazer isso? Se cairmos machucamos feio.

– É isso ou dormir na varanda. — ele falou.

– Vamos lá. Espero que a gente sobreviva. — falei.

Começamos a subir. No início estava indo muito bem, mas lá pelo meio eu já estava me cansando e não aguentava olhar para baixo, eu tinha certo medo de altura. Logan estava bem acima de mim. Eu parei, respirei e voltei a subir. Estava me aproximando de Logan quando um lugar que eu apoiei o pé cedeu e ele caiu, eu me segurei com mais força. Senti meu coração disparar e eu começar a tremer. Logan olhou para baixo e falou:

– Tudo bem aí? Vê se não morre e me abandona sozinho aqui. — ele disse.

– Quase tudo bem. Pode deixar. — falei.

Nós continuamos a subir, ele chegou primeiro no topo e quando me aproximei do fim ele estendeu a mão e me ajudou a subir. Estávamos bem longo do chão, olhei ao redor a procura de algum lugar para descermos. Não vi nada, mas logo Logan me chamou e apontou para um lugar onde havia dois cabos de aço e dois cintos engatados no cabo, era uma tirolesa. Se era segura nós não sabíamos, mas era o único jeito de descer. Logan amarrou um cinto nele e me ajudou com o meu. Eu me virei para ele e falei:

– Tem certeza que é seguro?

– Não, mas é o único meio. — ele fez uma careta. — Segura minha mão e nós descemos juntos.

– Tá. — falei.

Segurei a mão dele, mentalmente fizemos uma contagem regressiva e descemos. Por sorte os cabos aguentaram e os cintos nos seguraram, chegamos vivos ao chão. Desatamos os cintos e nos dirigimos para a parte de trás da parede de escalada. Havia duas bicicletas, ambas péssimas, mas era o único jeito. Montamos cada um em uma e fomos em direção à colina. A bicicleta era pesada e não tinha marcha, ou seja, foi uma subida lenta, cansativa e cruel. Chegamos mortos de cansaço no topo e quando vimos à trilha que teriamos de descer eu quase chorei, era íngreme, cheia de obstáculos, buracos e pedras.

Descansamos alguns minutos e começamos a descida. O sol estava se pondo e a minha visão estava péssima, eu torcia para não cair e me machucar. Em um determinado momento ouvi Logan gritar:

– Essa merda tá sem freio. — eu ouvi claramente mesmo ele estando longe, ele estava falando mentalmente.

– Sem freio? E agora? — falei com ele.

– Desce com cuidado. — ele falou.

Eu fiquei mais preocupada agora, a bicicleta descia desenfreada pelo morro, as pedras eram pontiagudas, começaram a surgir arvores e eu tinha que me desviar, Logan sumiu das minhas vistas. Eu estava tão concentrada em não bater nas árvores que até me esqueci que eu poderia me comunicar com ele, só percebi que tinha como conversarmos quando ouvi a voz dele dizer:

– Em, cadê você? Eu estou olhando para trás e não te vejo.

– Eu estou descendo em meio às árvores e você? Do nada eu perdi você de vista. — falei.

– Estou descendo em meio às árvores também, mas não vejo nada se movendo aqui perto. — ele disse.

– Espera, será que é possível que nós estejamos invisíveis um ao outro. — opinei achando absurda a minha própria ideia.

– É possível. Vamos testar. — Logan falou.

Nessa hora vi um monte de pássaros voarem de uma árvore a menos de 1 metro de distancia de onde estava e logo Logan falou:

– Viu isso?

– O que? Os pássaros voando? Sim, estou a pouco menos de um metro atrás daquilo. — falei.

– Fui eu que fiz isso. — Logan falou. — Estamos invisíveis um ao outro, mas como e por quê?

– Eu não sei explicar, só sei que alguma coisa quer nos separar. Mal sabe essa coisa que nós podemos nos comunicar assim. — ri enquanto falava com ele.

– Pois é.

– Ei, a trilha está acabando e eu to vendo você reaparecendo. — quase gritei.

Logan olhou para trás e sorriu, finalmente voltamos a nos ver. Eu me distraí e quase bati de cara em uma árvore, por sorte só meu braço esbarrou. Eu senti arder meu braço e uma coisa quente e viscosa escorrer. Ótimo, era sangue, eu havia me cortado. Logo sangue, eu odeio ver sangue.

A bicicleta só parou pouco a frente de Logan, eu praguejei e olhei para o meu braço, fechei os olhos e olhei para outro lado. Logan se aproximou e falou:

– Eu dou um jeito no seu braço, vamos voltar para o quarto que lá tem tudo que eu preciso. — ele sorriu. — Você detesta sangue não é?

– É... — falei.

Levamos as bicicletas até a parede de escalada, encostamos as bicicletas ali e ele foi me distraindo para eu não olhar para o meu braço. Subimos as escadas sem nem perceber, chegamos ao corredor do quarto, entramos e eu assentei na minha cama. Ele pegou algo na mala e assentou do meu lado esquerdo, o lado do meu braço machucado. Ele pegou um algodão e falou:

– Melhor olhar para o outro lado e vai doer.

– Isso não vai ser le... Ai! — falei e fui interrompida por uma dor no meu braço, estava ardendo.

Ele limpou o machucado, espirrou algum remédio e fez um curativo. Eu só olhei quando senti que havia um curativo. Ele sorriu e disse:

– Pronto, Em. Vai passar logo.

– Obrigada, Log. — sorri.

– Por nada. — ele falou. — Vamos jantar?

– Vamos. — falei.

Descemos para o jantar. A mesa estava posta na varanda, como sempre. Eu e Logan começamos a jantar e quando terminamos nos levantamos e assentamos na varanda para conversar. Falamos sobre varias coisas que gostávamos, sobre nós, começamos a nos conhecer melhor. Tínhamos apenas algumas coisas em comum, havia grandes diferenças entre nós, não éramos tão parecidos quanto achávamos ser. Pouco antes das 22h00min o mordomo sinistro apareceu e disse:

– Meus caros hóspedes, os pais dos senhores ligaram avisando que terão de ficar mais dias aqui, mais um mês.

– Como podem ter ligado, não tem energia e nem pega celular aqui. — Log disse.

– Tem telefone que funciona. — o mordomo falou. — E está na hora de irem dormir.

– Essa historia está mal contada, mas vamos dormir. — falei.

Log e eu subimos as escadas discutindo através de nossa comunicação particular sobre o assunto dos nossos pais terem ligado falando que ficaríamos as férias todas ali. O que foi muito estranho. Quando chegamos à porta do quarto havíamos chegado à conclusão que isso era muito suspeito e que esse lugar parecia mais mal assombrado a noite.

Entramos no quarto e fechamos a porta. Eu peguei meu pijama e fui em direção ao banheiro, fechei a porta o máximo possível e coloquei meu pijama. Escovei meus dentes e saí do banheiro. Log tinha trocado de roupa também e entrou no banheiro assim que eu saí. Um tempo depois ele voltou, eu deitei na minha cama e ele na dele. Eu olhei para o lado e vi uma vela acesa no candelabro. Olhei ao redor e vi outras velas, bufei e me levantei. Logan ficou encarando eu apagar as velas, deixei uma acesa e a deixei no meio entre nossas camas. Ele ficou me olhando e eu falei:

– Que foi?

– Nada. — ele disse.

– Como nada? Você fica me olhando de um jeito estranho. — falei.

– Estranho? Não percebi isso. — ele pareceu sincero

– Hum... Acho que eu vou dormir, estou morta de cansaço. Posso apagar a vela? – perguntei

– À vontade. Boa noite. — Log falou.

– Boa noite, Log. Até amanhã.

– Até. Bons sonhos — ele riu. — de verão.

– Cala a boca, idiota, que eu quero dormir. — falei rindo.

– Desculpa, não resisti. — ele falou

– Tudo bem, mas vê se agora você fica quieto. — briguei com ele.

– Você que manda princesa. — ele falou.

– Boa noite, Logan. — virei para o lado oposto ao que ele estava.

– Boa noite, Emily. — ele falou depois de um tempo.

Eu dormi rápido, mas antes senti um pouco de dor no meu braço esquerdo e senti dor no meu corpo todo pelos exercícios. Belo primeiro dia de acampamento, um machucado e eu morta de cansaço. Ainda teriam 59 dias assim... Mas que merda! 59 dias confinada nesse lugar terrível. 59 dias de banho frio, esportes arriscados e sobrevivência, mas ao menos eu não estava sozinha, Logan também estava no mesmo lugar que eu e na mesma situação. Seria bem pior se eu estivesse sozinha e sem ninguém para me fazer rir com piadas idiotas ou falar sobre coisas em comum. Logan era legal e era boa a companhia dele.

Acordei no dia seguinte com dor no meu braço, olhei para o relógio, eram oito horas já. Logan ainda estava dormindo, eu peguei meu travesseiro e bati nele. Ele acordou assustado e falou:

– Emily! Na melhor parte do sonho você me acorda. — ele pareceu estar com raiva.

– Desculpa. Tava sonhando com o que para ser tão interessante? — falei.

– Não te interessa. — ele falou.

– Nossa que mau humor, nunca mais te acordo. — falei.

– Desculpa, Em. Mas você dormiu bem? — ele falou.

– Sim, exceto pelo braço e você? — falei.

– Sim. Doeu muito? — ele falou.

– Não, só me incomodou um pouco. — falei.

– Vamos fazer algo menos arriscado hoje, só para evitar maiores acidentes. — Log sorriu.

– Certo. Vamos tomar café? — perguntei.

– Sim. Só temos que trocar de roupa. — ele falou. – É... — falei.

Peguei uma blusa do Iron Maiden e uma calça jeans. Entrei no banheiro e troquei de roupa. Eu saí e encontrei Logan me esperando, ele estava com uma blusa do Iron Maiden também, só que era de estampas diferentes. Nós rimos e ele falou:

– Banda legal essa da sua blusa, não?

– Tão legal quanto essa da sua. — falei e nós rimos.

Saímos do quarto e descemos os 14 cansativos lances de escada. Chegamos ao térreo e andamos até a varanda, assentamos na mesa e comemos. Esperamos que o mordomo aparecesse, mas ele não apareceu e nós entendemos que era para nós escolhermos o que fazer e pronto. Escolhemos quatro atividades e fizemos elas durante o dia todo. Sobrevivemos a isso e a noite voltamos para o quarto, eu fui tomar banho enquanto Logan ficava no quarto. Eu saí do banho e deitei na cama, Logan entrou no banheiro e eu dormi antes que ele voltasse, eu estava muito cansada.

Notas finais
comentem o que estão acahando