Acampamento Meio-sangue
1 Thomas
Thomas
Quarta-feira as sete e meia da manhã, um ótimo dia para visitar o museu de história natural. Pelo menos era isso que a minha professora de artes pensava. Era a minha terceira escola nos últimos quatro anos, eu não podia ser expulso de novo, tinha que me comportar. O problema é que eu não me dava bem com passeios escolares, sempre acontecia algo de errado e se não fosse minha culpa eles iriam achar um jeito de o jovem problemático estar envolvido, era uma perseguição.
Pelo menos eu tinha feito alguns amigos nessa escola nova, a Paindhellm Academy. Um deles era Vincent, que eu me acostumara a chamar de Vinny.
Ele tinha pele morena olhos bem escuros que quase não dava pra distinguir onde era a pupila dele, era quase da minha altura e era muito bom com skate, ele usava um tênis surrado e uma calça jeans escuro que combinava com o moletom cinza e um boné de aba reta.
Ah cara, que merda. Essa professora doente quer fazer a gente vir aqui nesse museu chato, olha que horas são. — Vinny disse apontando pro celular. 6:59, realmente ele estava certo.
Pois é, essa mulher é uma idiota mesmo, vamos esperar o Greco, senta aí.- sentamos na escadaria da escola junto com outros colegas, enquanto esperávamos nossa professora e meu outro melhor amigo, Greco.
Fiquei observando os meus outros colegas, fazia quase meio ano que estudava e não conhecia alguns, olhei para um em especial, João, ele viera do Brasil e tinha um problema de hiperatividade, acho que ele passou ilegalmente pela fronteira, com a cara dele ele poderia ser facilmente confundido com um animal silvestre.
A professora Nelly chegou, é nome estranho, ela subiu no ônibus e começou a berrar da porta.
Subam aluninhos, subam, hoje será um grande dia. — claro, um ótimo dia.
Tom, o Greco não chegou, ele vai rodar só por não ir nesse passeio. — tinha que concordar com Vinny.
Greco não o tipo de aluno estudioso, mas quando chegava no fim do ano ele conseguia se salvar, porém desprezava artes, e esse era a última chance de aumentar a nota, se ele não fosse iria repetir a sétima série com certeza.
Provavelmente ele não quis pagar as 5 pratas do passeio, sabe que ele é mão de vaca.
É, tu tem razão.
Subimos no ônibus, eu sentei na janela.
Quando o motorista ligou o motor, e começamos a nos mexer, ouvi uns gritos vindos de fora e uns tapas na lataria do veículo, olhei pela janela e era Greco, com um copo de suco do Mc Donald's e uma calça de veludo com as pontas rasgadas.
Para essa porra! Para caralho! — ele bufava um pouco e corria de um jeito estranho, ele bateu tanto na lataria que o motorista parou, ele subiu correndo e ficou resmungando.
Esse motorista doente aí, tá louco e vocês seus doente, não me viram correndo ali, não?
Ele sentou em um banco vazio no fundo do ônibus e começou a tomar seu suco. Era meio desengonçado, uma hora dizia que tinha problemas no joelho, outra que tinha uma perna menor que a outra, ele mentia demais, mas era um bom amigo, usava um casaco cinza com verde e tinha um cabelo liso e olhos castanhos comuns.
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Depois de alguns minutos percorrendo pelas ruas da Manhattan chegamos ao museu. Estava totalmente lotado, provavelmente todas as escolas da cidade tinha levado ao menos uma turma lá, estavam com uma exposição nova sobre dinossauros, e como hoje era a “Quarta maluca” o ingresso saia pela metade do preço.
Descemos e ficamos conversando um pouco na frente do museu enquanto Nelly organizava a turma com a guia. Como sempre nós sobramos e ainda por cima com João, tivemos que ser encaixados com um grupo de outra escola.
Vinny mexia seus dedos freneticamente, ficava ajeitando pequenas peças de seu skate de dedo, trocava as rodas e outras peças com uma velocidade incrível, enquanto Greco xingava um garoto qualquer por ter jogado uma maçã mordida no lixo reciclável e ficava o ameaçando levantando as mãos de um jeito idiota.
A guia se aproximou com um grupo de outras quatro pessoas, e falou que iríamos junto com eles.
Um garoto loiro com uma camiseta qualquer e uma calça jeans que se chamava Chris, um garoto com cabelos pretos que iam até o ombro e usava óculos e moletom, se chamava William.
Observei, havia uma garota com um moletom azul com o símbolo da escola e uma calça jeans surrada. Tinha cabelos castanhos que no começo eram lisos mas no final cacheavam um pouco, usava um óculos parecido com o da penélope charmosa da corrida maluca e tinha o rosto muito bonito, o nome dela era Marie.
Fiquei observando Marie por algum tempo, até Greco começar a se abraçar com o outro garoto do grupo do qual eu não havia reparado. Ele era idêntico a Greco, porém um pouco mais alto e usava uma camiseta marrom e calças de veludo também.
Tom, Vinny, esse é o meu irmão Greg! — disse Greco com um sorriso idiota na cara. Não bastava um.
Eaí, como vocês estão? meu irmão fala muito de vocês. — falou Greg, que tinha a voz parecida com a de Greco
Sério? Nem sabia que o Greco tinha irmão. -perguntei espantado sobre pensar o que o Greco falava de nós.
Não, cara, ele nunca falou de vocês, era mentira. — Ele olhou com uma cara séria enquanto Greco olhava pra baixo.
A guia, que se chamava Tracy, nos puxou pra dentro do museu, ela explicava sobre aquela chatice de dinossauros enquanto a dupla dinâmica, Greg e Greco ficavam fazendo piadinhas sobre qualquer coisa.
Vinny me puxou pra um canto, próximo ao Tiranossauro rex, que ficava no centro do salão, embaixo dele havia uma placa em que se lia “Ossos reais”.
Cara, tem algo errado com aquela guia.
O quê? Como assim?
Não reparou no jeito que ela fica farejando o ar, e olhando pra gente? Principalmente pra você.
Cara deixa de ser paranoico, continua mexendo no teu skate e... — Ouvi um ruído atrás de mim, quando me virei, aconteceu algo muito estranho, O tiranossauro que antes estava parado no centro do museu ganhou vida, deu dois passos largos até a porta e depois se desfez em uma pilha de ossos, todos olharam instintivamente pra mim, novamente eu era o culpado. Mas eu sequer encostei no animal, Tracy, a guia veio correndo e me puxou pela manga da camisa.
Você precisa tomar jeito garoto, não ouviu sobre os avisosss de não tocar em nada? — ela me puxava para a sala do diretor do museu, enquanto Vinny me encarava com um cara de tristeza, provavelmente eu seria expulso da escola e ele perderia o único amigo que tinha. Infelizmente esse era o menor dos meus problemas.
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