Acampamento Júpiter
11 Capítulo XI
Notas iniciais
Look Carol: http://www.polyvore.com/carol_wings_01/set?id=80166561
POV. Debby Abadeer
Dormi feito uma vítima da Medusa: Como uma pedra. Amanhã seria um dia cheio e eu já estava tontinha depois de pegar o estandarte. Não é foi fácil soltar aquela bola de fogo enquanto escorregava para a morte. Sabe quando do nada chega uma ideia idiota que tem cinco por cento de chances de dar certo e dá mesmo? Essa foi a primeira vez, mas admito que a sensação seja boa.
Rocky me deu roupas novas, já que eu só tinha uma mochila mínima com meus pertences. Ela disse que foram as melhores roupas que achou, mas eu parecia uma mecânica. Macacões, chapéus e coturnos... Preciso de denários urgente.
Depois de dormir feito uma pedra, acordei com o som de uma corneta. Todo mundo acordou de repente e Carol acordou gritando:
– Maurício! Maurício! – Pareceu confusa — Cadê meu pônei Maurício?
– Carol, você estava sonhando. – Maria falou.
– Ah... – Ela falou desapontada.
Depois de me vestir com as “lindas” roupas que Rocky me deu, sai do dormitório para dar uma olhada na região. Acabei confusa porque Gwen e Dakota usavam lençóis... Tipo, lençóis de cama. Como eu nunca entendi de moda mesmo, nem me incomodou muito.
Saímos para o senado em fila desorganizada (é a prima doida da fila indiana) e chegamos à Nova Roma. Era tão linda, jardins suspensos, cúpulas e prédios. Faltavam mais duas pessoas na minha frente, Maria e Rocky, logo atrás de mim, Carol e Lucky. Estava realmente empolgada de entrar naquele lugar até que comecei a escutar um barulho estranho...
– Debby! Sua orelha tá pegando fogo! – Lucky gritou.
– Ahn... – Joguei meu cabelo por cima do fogo e ele apagou – Tudo... Bem.
Okay. Aquilo foi constrangedor. Ter uma orelha em chamas em um lugar público é realmente mortificante. Fiquei na frente de Términus, uma estátua problemática e sem braços.
– Woa, você não vai entrar – ele disse imediatamente.
– Mas eu não estou com nenhuma arma!
– Você é uma arma!
– Okay, mas eu preciso entrar!
– Hum... Pois coloque isso no seu bolso.
– Isso o que?
– Isso que eu estou apontando.
– Mas você...
– Eu?
– Nada...
Tentei olhar para onde ele olhava. Vi um pequeno extintor vermelho de pó químico, aqueles portáveis que se colocam em ônibus de excursões escolares.
– Ah, não. – eu respondi de imediato.
– Ah, sim. – Carol falou, pegou o extintor e me empurrou para dentro. Chegamos ao Senado e nos sentamos na fileira mais baixa na esquerda. Drake havia aparecido agora e se sentou perto de Bruno e de outro garoto. Octavian tomou a frente da reunião e todos continuaram conversando.
– O que acha de... – Olhei para Carol, ela tinha um olhar perdido. Ajeitei minha cabeça do lado da dela e olhei para onde ela olhava. Não focalizei muito tempo, porque Octavian começou a gritar.
– SILÊNCIO, IMPRESTÁVEIS! – Todos se calaram, Carol murmurou alguma coisa como “Bicha escandalosa”. Octavian pigarreou – Muito obrigado. Romanos, estamos aqui para discutir alguns problemas. Primeiro, eu criei um prédio que poderia nos ajudar contra os Graecus. E desenhei o diagrama aqui.
Ele puxou uma lousa preta e quando a mostrou para o Senado, todos caíram na gargalhada. Estava escrito bem grande na lousa: JASIAN 4EVER e Jas♥n te Love. Pelo canto do olho, vi Carol deslizar um pincel para dentro do bolso.
– Mas quem?! – Jason perdeu a cor – Vai ficar querendo...
Ele se levantou e saiu sem trocar olhares com o Octavian. Awn, deu até pena. O áugure deu um olhar irritado para Carol, que olhava inocentemente para suas unhas prateadas descascadas.
– Jason, volte! – exclamou um garoto da Terceira Coorte – Não abandone Octavian! Nós aceitaremos o amor de vocês!
As pessoas voltaram a rir. Octavian respirou fundo algumas vezes e contou até dez.
– Chega! Vamos pular isso... – Ele empurrou a lousa para fora. – Vamos nomear uma nova integrante para ser legionária e blábláblá... Debby Abadeer, filha de Vulcano.
Levantei-me e quase tropecei, mas aqueles coturnos eram muito pesados. Parecia uma teletubbie andando. Podia morrer que eu continuava em pé. Cheguei á frente dele e Octavian puxou meu braço.
– Aceitamos Debby Abadeer, filha de Vulcano, para a Décima Segunda Legião Fulminata por seu “ato valoroso” e essas coisas todas. Você promete se comprometer com o senado e o povo de Roma?
– Era pra eu dizer sim?
Octavian me olhou impaciente.
– Sim, eu prometo.
– Senatus Populusque Romanus! – bradou Octavian, como se dissesse algo muito importante.
– Senatus Populusque Romanus! – respondeu o resto do Senado.
Meu braço entrou em combustão, o que é até normal. Quando as chamas cessaram, meu braço continuava limpo e normal.
– Uh, era pra acontecer alguma coisa? – perguntei.
– Mas que... – Octavian franziu a testa — Fogo nela!
O fogo caiu de novo. Nada. Octavian tentou mais duas vezes e já estava com sono.
– Posso ir embora?
– Não até essa droga queimar direito!
Fogo choveu do céu em Octavian. Olhei para seu braço e tinha uma queimadura em forma de punho fechado como dedo médio erguido (ai, que deuses mal educados). Ele bufou e pegou o pincel da lousa.
– Pronto, aqui está! – E desenhou dois T’s cruzados e uma linha torta no meu braço.
– O que era pra ser isso?
– Sua tatuagem.
A tatuagem ficou tão pateticamente patética que resolvi deixá-la no meu braço, só para Octavian calar a boca. Como aquele garoto pode ser parente do deus da arte?
– Okay, depois resolveremos isso. – Reyna falou – Vá sentar. Centuriões e legionários liberados. E, por Marte, alguém traga o Jason de volta, não quero que ele tente comer um grampeador de novo.
Saímos da principia. Carol queria ficar dormindo numa praça de Nova Roma, mas Lucky insistiu que elas deveriam ir ao treino com lanças.
– Por quê? – perguntou a filha de Mercúrio – Eu odeio lanças!
– Todo romano luta com lança.
– Eu odeio romanos!
– Você é romana.
– Eu odeio o mundo!
– Carol, você acordou emo hoje? – perguntou Maria suspirando.
– Só um pouquinho – concordou Carol.
Acabou que Maria teve que carregar Carol nas costas até o local do treino. Eu decidi ir para as forjas. Lá, pelo menos, eu não vou incendiar ninguém (espero). Enquanto eu caminhava pelas ruas de Nova Roma e pensava sobre a vida, começou a ventar um pouco. Meus cabelos voavam para trás, e eu me senti em um videoclipe – tipo, oi? Qual a minha idade mental mesmo?
E, do nada, alguma coisa veio e bateu no meu braço. Olhei e vi um pacotinho de sementes feito de papel, tire-o dali e examinei. Eram sementes de flor de lótus.
– Ah, obrigado! Reyna ia me matar se eu perdesse essas sementes! – exclamou um garoto se aproximando.
Ele tinha cabelos castanhos, olhos marrons com toque de amarelo e um sorriso bonito. Não seja estranha, Debby, não seja estranha...
– Isso é seu? – perguntei estendendo o pacote para ele.
– É sim – ele pegou o pacote – Obrigado mesmo.
– Porque você está plantando flor de lótus? – perguntei – Você não vai se drogar, vai?
– O que? Não! – ele exclamou – Flor de lótus era uma planta muito comum na Roma Antiga, ela era usada para decoração. Reyna me mandou plantar algumas delas nas praças de Nova Roma. A propósito, eu sou Leonardo Bellucci, filho de Vertumno.
– Quem? – perguntei. Eu não quis parecer mal educada, mas quem, pelos deuses é Vertumno?
– Vertumno é o deus dos jardins e pomares, ele preside à mudança das estações, particularmente ao Outono – afirmou Leonardo – É um deus menor, quase ninguém lembra-se dele mesmo.
– Uh, sou Debby Abadeer, filha de Vulcano.
– The Girl On Fire? – ele perguntou sorrindo – É, todo mundo está falando de você na minha Coorte. Eu sou da Quarta. Muito legal aquela bola de fogo para derreter a porta da fortaleza.
Ah, pare, vou corar!
– Obrigada – sorri – Então... Eu tenho que ir às forjas como toda boa filha de Vulcano. Boa sorte com as suas plantas alucinógenas, Leonardo.
– Pode me chamar de Leo – ele informou rindo – E até mais.
Leo virou as costas e saiu andando, de volta para a praça. Agradeci silenciosamente a minha orelha por não pegar fogo e não me fazer pagar o maior mico da minha vida.
* * *
Entrei no meu dormitório e me joguei na cama decidida a não fazer nada. Cinco segundos depois, me levanto. Rocky entra de supetão.
– Vamos logo, Debby, temos que ir pras forjas, todo mundo já foi!
– Fazer o que lá?
– Você é filha de Vulcano ou o que? Vamos construir coisas!
– Woa, vocês não vão querer ficar na mesma sala que eu.
– Deixa de ser idiota e vamos!
– Um segundo, podemos tomar um banho romano antes? – Falei implorando. Eu não era muito fã de banho, mas a água da minha casa era barrenta e uma vez, verde, então o banho romano é um grande avanço pra mim.
– Se for bem rápido...
– YEY!
Olhei para as minhas roupas e peguei o um macaquinho (ainda parecia uma mecânica, mas pelo menos parecia uma garota mecânica), uma blusa branca e all stars. Corri para as casas de banho e tentei ser bem rápida. Como toalha é para os fracos, foi só passar uma camada de fogo por todo o meu corpo e prontinho, seca e ainda com o cabelo escovado.
– Demorou muito – Rocky falou irritada.
– Não demorei nem cinco minutos. Vamos logo.
Apenas atravessamos a Via Principalis e Octavian passou esbarrando em mim.
– Aew, meu filho, eu ainda quero meu braço!
– Cala a boca que eu não to afim!
– Que foi? Tá no cio?
Ele girou os calcanhares e voltou.
– A culpa é da sua amiguinha, filha de Mercúrio! A Lucy não fala comigo achando que eu sou gay! – Ele falou gritando.
– Amém, Júpiter – Rocky falou – Ela tem um cérebro.
Octavian bufou e cruzou os braços. Se ele não é viado, imagine quem é. Cheguei perto dele e dei um tapa.
– Você é um homem ou um verme?
– Eu sou um homem?
– Está me perguntando? – Dei outro tapa – VOCÊ É UM HOMEM OU UM VERME?
– Um homem!
– Pois vá lá e prove isso á ela!
– Eu vou! – E saiu correndo. Coitada da Lucy.
Entramos no galpão imenso decorado com o rosto de Vulcano. Acho que não durmo mais de noite. Entramos e logo vi a turma desorganizada de Vulcano. Tinha gente de todo o jeito. Não era como os filhos de Vênus, que são bonitos, ou os filhos de Marte, que parecem lutadores de vale tudo, mas todos os filhos de Vulcano eram fortes, tinham cicatrizes de queimadura e pareciam que só tinham essa carranca. Senti-me perdida, eu sou magricela, desajeitada, desastrada e na maioria das vezes acho que vou incendiar alguém só com a minha respiração (será que isso é possível? Vou tentar com o Octavian).
– Irmãos! – Rocky pigarreou – Temos aqui uma nova irmã, filha de Vulcano, que acabou de entrar para a legião. Mostre a sua tatuagem.
Olhei para o meu braço. A “tatuagem” estava borrada e agora era uma grande mancha azul. Vish.
– Ér, acho que ela foi pelo ralo.
– Mas como? – Ela olhou para meu braço e rolou os olhos – Isso é tatuado a fogo!
– Daí que eu não me queimo?
– Mas os filhos de Vulcano se queimam!
Fui até a fornalha onde colocavam o metal para derreter e pus meu braço dentro. Nada aconteceu.
– Viu?
– Mas... Você tem pirocinese?
– Piro-o-que?
– Mas isso é impossível!
– Parabéns, Genius.
– Você... – Ela pegou meu braço e enfiou num balde de querosene, depois pegou um maçarico e acendeu meu braço.
– Para... – Comecei a rir – Faz cócegas!
Balancei o braço e apaguei as chamas.
– Sim, o que eu faço?
– Uh... Vamos... Construir uma espada.
– Okay.
Ela achou uma bancada de trabalho vazia e me sentei com ela.
– Um minutinho.
Ela saiu e foi até um amontoado de caixas e pegou duas chapas de ouro, duas outras de outro metal lá e mais algumas pedras preciosas. Voltou e jogou tudo em cima da mesa de trabalho.
– Okay. Faça a espada. – Rocky falou.
– Como eu faço a espada? – Falo.
– Te vira. – E foi embora. Na certa ela acha que como eu sou filha de Vulcano, eu tenho que ter instinto e fazer tudo como meu pai faz. Ou ela está com inveja e não quer que eu brilhe mais para ofusca-la. Fico com a segunda opção.
Pego a chapa de metal. O que eu faço com isso? Olhei para o lado e tinha um garoto afiando a espada e já pronta. Olhei para outro resfriando o metal. Mas como eu monto?! Vi um garoto começando a montar e tentei imitá-lo. Afiei a ponta, usando meu dedo fundi ao punho. Consegui montar a lâmina, apesar de ter derretido um pouco demais em quatro pontos e deixei reto. Ficou parecendo que tinha arrancado quatro pedacinhos dela. Na ponta, pus um rubi redondo. Não sei de onde tinha tirado a imagem da espada, mas ela me pareceu familiar. Tanto faz.
http://www.polyvore.com/cgi/set?id=80415310&.locale=pt-br
Rocky apareceu uns quinze minutos depois de eu começar a afiar a espada.
– Uh, fez sozinha? Como vai chamá-la?
Olhei para ela. Como uma surpresa que te afoga.
– Acho que... Contracorrente!
– Que nome estúpido!
– Hum... É, tem razão. Acho que Exitialis. Corrija meu latim.
– Hum, mortífera, ou fatal.
– Prefiro Exitialis.
Notas finais
Lucy: O Octavian é perfeito, mãe!
Todos: Hãn ham...
Octavian: u-u Toma essa, Jason.
Jason: Eu também namoro uma filha de Vênus! - Afrodite, no caso, mas enfim.
Reyna: #boladíssima com a situação
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