Notas iniciais
Carol e Debby: http://www.polyvore.com/isso_vai_dar_merda/set?id=83683323

POV Debby

A chuva continuava caindo e eu tentava me controlar para não dar um belíssimo tapa na cara da Carol. Não são nada legais essas punições romanas, tipo cavar trincheiras na chuva. Humpf. Mas como sempre, Fortuna me odeia e então engoli toda a raiva que eu estava sentindo. Numa situação normal, eu já estaria em chamas, mas na chuva é terrível alimentar o fogo. Mas, é melhor eu contar o porquê de eu estar aqui com a irritante filha de Mercúrio. Vamos ao flashback mesmo...

~Flashback divo~

O dia no acampamento nasceu normal, ou seja, isso não vai terminar bem... Mas tentei afastar meu pensamento feliz do dia e me levantar para tomar café. Todas as minhas colegas de quarto estavam acordando. Lucky estava tentando arrumar o Feng Shui do quarto, enquanto Maria dizia o quanto ela era estúpida e quebrava uma fonte com um martelo digno de Vulcano, Rocky tentava tomar o martelo dela e Carol ficava murmurando “Minha vida é uma droga”. Mas eu sabia que “emozisse” dela só duraria até ela comer Nutella no café da manhã.

Um dia normal na Quinta Corte.

Olhei para meu antebraço e vi que a minha “tatuagem” estava borrada. Peguei o marcador reserva e pintei novamente no meu braço. Ser filha de Vulcano é osso. Acho que eu vou mandar fazer uma tatuagem de verdade...

Até aí, estava tudo bem, eu realmente achei que eu teria um dia normal no acampamento, estava fazendo sol, eu poderia tomar um banho gelado e depois ir á Nova Roma tomar um sorvete e tralálá... Mas aí, quem aparece? Vou dar uma dica. No seu nome, as letras CAROL WINGS aparecem. Caso você seja filho de Netuno, não, não é a Clarissa Rowling. Ela está de férias. É a Carol mesmo.

Ela veio toda alegrinha enquanto eu estava indo para as Casas de Banho. Obviamente já tinha comido Nutella. Pelo sorriso psicótico, foi Nutella demais. Eu pensei freneticamente: “Deu merda, deu merda, deu merda...”.

Ela me alcançou.

- Debby! Sabe que eu te amo, né? Você está linda, o que fez nesse seu cabelo para ele ficar tão perfeito?

Só pelo cabelo, eu sabia que ela estava mentindo na cara dura. Porque meu cabelo estava basicamente uma mistura de crespo, com afro e rastafári. Ele tem esse dom.

- Carol, que tipo de coisa ilegal você quer fazer? – Perguntei.

- Eu? Ilegal? Por favor, eu me converti á Concórdia, sou uma menina da paz, do amor, da tranquilidade, da...

- Carol...

- Tem um carregamento de ursos pro Octavian chegando! Eu tenho sangue falso! Ora, vamos, vai ser legal!

- Carol! Você sabe que Reyna está de olho na gente! Mas uma e ela costura a gente num saco de doninhas.

- Só se ela nos pegar...

- Você disse isso da última vez e precisamos passar o dia reconstruindo aquele templo ridículo de Pomona!

- Aquele dia foi uma exceção!

- Por quê?

- Porque eu estou dizendo que foi. Ora, vamos! Eu preciso de alguém que derreta os cadeados e saiba costurar e descosturar um Beanie Baby Pig! Nada a ver com ninguém mais querer saber de fazer pegadinhas junto comigo, se quer saber.

- O que eu ganho com isso?

- Eu... Te deixo em paz por uma semana.

- Feito.

Claro que se eu soubesse que isso iria me levar para onde me levou NUNCA eu teria aceitado. Mas lá fomos nós. No caminho, ela arrastou Drake conosco. Mas ele parecia mais empolgado em vir, obviamente nunca tinha vindo numa empreitada da Carol. Chegamos ao túnel de Caldecott em questão de minutos e vimos o um cara com uma empilhadeira deixando na foz do Pequeno Tibre uma caixa trancada com um cadeado enorme, como se dentro estivessem bombas nucleares, e não bichinhos de pelúcia colecionáveis.

Derreti o cadeado sem problema nenhum, e Carol pegou um quase galão industrial de sangue falso. Marte poderoso, onde ela arranja esse tipo de coisa? Abrimos o caixote. Tinha uns ursinhos muito fofos lá, eu fico meio bolada que eu não posso ter um, mas eu não quero deixar eles morrerem por causa do Octavian. Isso é a mais deprimente das maneiras deprimentes de morrer.

Fiquei encarando os ursinhos até:

- Vamos, lesados, vão ficar admirando eles ou vamos pegar e entupi-los de sangue? — Carol falou.

Ela juntou o máximo de fofuras que conseguia reunir. Drake (que também se pegou admirando os bichinhos) fez o mesmo e eu peguei o máximo que eu pude. Carol olhou exasperada pra mim.

- Olha, não pense em fogo. Vai torrar os ursos.

- Não pensar em fogo... — Minhas orelhas queimaram. Literalmente — Grande ajuda Carol! Estou pensando em fogo!

Freneticamente bati na minha orelha e consegui apagar. Ambos os amigos da onça tentaram não rir.

- A culpa é sua! Eu... Como eu levo? — Falei.

- Hum... — Drake tirou a jaqueta, ficando apenas com uma camiseta branca, e enrolou o máximo de bichinhos que pode. Ele me entregou. — É só encostar o mínimo possível.

Ele falou e saiu na frente. Carol deixou cair os bichinhos que estava segurando e não despregou os olhos dele. Peguei um dos ursos caídos (um Beanie Baby Lion) e bati na cabeça dela.

- Olha o foco, legionária Wings!

- Uh, claro — Ela corou e juntou seus ursinhos novamente.

Depois de nos sentarmos na ponte perto um pouco mais distante da entrada principal, Drake voltou para esconder o caixote. Eu e Carol pegamos nosso púgios e fomos fazendo furinhos e injetando o máximo de sangue falso para que não pudesse escorrer, mas Octavian e seus babadores de ovo particulares iriam levar um susto. Drake se juntou á nós e em menos de um minuto, todos os ursos estavam com nossas “surpresinhas”.

Fomos até o caixote e colocamos os ursos dentro novamente. Colocamos de volta da margem e antes que eu pudesse trancar com um novo cadeado, o projeto de cão infernal apareceu.

- O que estão fazendo com meus ursos? — Octavian falou.

- Uh, nós... Nós nada. — Tentei parecer natural, mas era impossível. Ele estreitou os olhos na Carol.

- Saiam. Da. Frente. — Ele falou e nos empurrou da frente do caixote. Ele franziu o cenho para os ursos aparentemente bem.

- Viu? — Falei me aproximando e peguei um leãozinho. — Perfeitamente bem.

- Mas o que pingou aqui? — ele falou estreitando os olhos e se aproximando do urso.

“Ops...” Pensei e fiz a primeira coisa que me veio á cabeça. Eu bati o urso na cabeça dele. O problema era que o sangue falso banhou os cabelos arenosos sebosos do augure. Ele deu o grito mais gay que eu já escutei na minha vida quando passou os dedos no cabelo e eles voltaram banhados em sangue.

- MAS O QUE FOI ISSO?! — Ele falou recuando. Carol foi mais rápida e começou a jogar mais bichinhos sangrentos no garoto, que em segundos estava completamente vermelho com o sangue. Octavian se esgueirou e pegou mais uns, jogando em nós três. — Chega! Os pretores serão contatados! Terão sorte se forem largados no templo de Baco para as Ménades lhes despedaçarem!

Ele saiu correndo deixando poças vermelhas pela ponte. Corremos para tentar alcança-lo. Alguns semideuses nos viram e gritaram como num filme de terror. Chegamos à Principia dois segundos após Octavian. Reyna e Jason estavam jogando Mitomagia sentados no chão, mostrando a importância dos pretores.

Eles notaram nossa presença e olharam estupefatos para nossos corpos banhados em sangue. Como todos os romanos são verdadeiros machos, Jason saiu gritando e escorregando no sangue.

- APOCALIPSE ZUMBI! CADA UM POR SI E QUE PLUTÃO CARREGUE O ÚLTIMO! MARTE AMADO!

Claro que Octavian contou tudo. Reyna disse que como teríamos Deathball no outro dia logo de manhã, teríamos que cavar todas as trincheiras á meia noite.

Antes de irmos para as Casas de Banho, Jason apareceu e com spathas e espingardas. Ele mirou em Octavian e quase atirou, mas Reyna o impediu. Estraga prazer.

~Flashback divo~

E aqui estamos nós, uma hora da manhã, cavando trincheiras no meio da chuva. Estou caindo de sono. Olhei por cima da minha trincheira e vi Drake cavando de um lado e Carol do outro, cambaleantes de sono também.

Passaram uma, duas horas, parou de chover, três horas e nem me lembro de dormir num corredor enlameado com Carol e Drake escorados nas barricadas da Terceira Corte. Só sei que acordei com um garoto completamente armado, apontando um escorpião de bolas de ácido para minha testa.