Acampamento Júpiter
10 Capítulo X
Notas iniciais
Espero que gostem!
POV. Carol Wings
Só tem uma coisa que eu amo na vida mais que roubar coisas legais: Comer. Devo ter comido uns três pratos de macarronada durante o jantar, Lucy me olhava de um jeito estranho.
- Tenha educação – ela disse – Até Debby está se comportando melhor, e olha que é ela é filha de Vulcano!
Debby olhou-a com uma sobrancelha erguida.
- Algum problema com o meu pai? – perguntou.
BRIGA! BRIGA! BRIGA! BRIGA! BRIGA!
- Nenhum.
Ah, sem briga... Queria ver Debby incendiando aquela camiseta ridícula que Lucy ganhou do Octavian “Meu namorado é o áugure e ele nos vê juntos no futuro”. Depois eu sou a sem educação.
Drake Bell estava sentado numa mesa junto com Bruno e alguns filhos de Apolo. Ok, admito que ele é bonito, mas não tem uma carteira muito cheia. Não dá para roubar nada.
E eu apoiei Debby por que... Não sei, ela lembra-me muito do meu tempo de probatio, quando eu era uma ingênua e pura garotinha e... [N/Maria: Você já foi ingênua e pura? Quando? Você roubou a carteira do Octavian enquanto ele lia seus augures!] Ah, bons tempos!
O refeitório estava movimentado e animado, com todo mundo conversando ao mesmo tempo, faunos roubando comida aqui e ali e os Lares flutuando por entre as mesas.
- Então – Debby pigarreou – O refeitório é sempre essa zona?
- Normalmente, não – comentei enquanto limpava a boca com um guardanapo – Só hoje, porque temos jogos de guerra.
Ela me olhou perplexa.
- Jogos de guerra? Porque não fomos avisados? – exclamou.
- Porque todo mundo sabe que sexta feira é dia de Jogos de Guerra – disse Maria dando de ombros.
- Eu não sabia.
- Agora sabe, fia!
A corneta soou do outro lado do refeitório. Os oficiais na mesa dos pretores se levantaram – inclusive Dakota, totalmente chapado com Tang vermelho.
- Os jogos vão começar! – exclamou Jason sorrindo.
- A Primeira e a Segunda Coorte vão defender, e a Terceira, a Quarta e Quinta vão atacar – anunciou Reyna solenemente, mas acho que ninguém a escutou sob o barulho dos gritos dos campistas.
- Atacar? – perguntou Debby – Isso é bom, não é?
- Mas é claro que é! – exclamei – Temos um cosplay de Katniss Everdeen e um elefante, quer algo melhor que isso? Vamos lá, Girl On Fire, temos que matar o Presidente Snow!... Digo, vencer os jogos...
* * *
Depois de levar Debby até as termas (sim, admito que dei uma olhada nos filhos de Apolo sem camisa. Como é que alguém como Octavian pode ser parente de gente maravilhosa como aquela?!), nós seguimos os centuriões. Eu usava a armadura completa, um gládio na bainha, dois pilos nos dois lados do quadril e coturnos de couro. Debby lutava para carregar o pesado escuro de metal, quase ri.
- Você quer um escudo, sério? – perguntei – Garota, você produz fogo. Tem noção de como isso é legal/assustador/irado? Aqueles chatos da Primeira Coorte vão sair correndo!
Assim que saímos do acampamento, a Quinta Coorte formou duas fileiras atrás de Gwen e Dakota, então marchamos para o Campo de Marte, a parte mais ampla e plana do vale. Olhei para os lados e achei Drake conversando animadamente com Bruno. Puff. Ele vai trocar minha orientação por uma de um filho de Latona? Ridículo!
Olhei para o forte que teríamos que invadir. Os engenheiros haviam construído um forte de pedras com a porta levadiça de ferro, torres de vigilância e canhões de água.
- Hum... – disse Sammy considerando – Podemos tentar derrubar as torres de vigilância, depois é só invadir.
- Não tem um jeito de... Sei lá... Vencer sem matar ninguém? – perguntei.
- Puff. Por favor, Carol, você é grega ou romana?!
- Romana.
- Então temos que matar alguém, dã!
E dane-se a lógica!
- Ér... Não temos só que pegar os estandartes? – perguntou Debby.
- Sem matar? – perguntou Sammy indignada – Então qual é a diversão?
Debby e eu trocamos um olhar. Nota mental: Nunca irritar uma filha de Bellona, elas são medonhas. Depois de eu tropeçar umas duas vezes na marcha esquerda-direita, paramos no meio do Campo de Marte. A Terceira e a Quarta haviam se reunido bem longe de nós (eles ficaram incômodos pelo meu brilho, obviamente).
Gwen e Dakota voltaram da conferencia com os oficiais.
- Hey, pessoal! – exclamou Gwen – Vamos à frente para amaciar as muralhas, sim?
Todos gemeram de desgosto.
- Porque ninguém quer fazer isso? – sussurrou Debby.
- Porque nós sempre perdemos – respondi – As únicas pessoas da Quinta Coorte que tem uma Coroa Mural, ou seja, uma medalha por invadir primeiramente o forte inimigo, são os filhos dos deuses da guerra e... Bem, eu. Ganhei a minha semana passada, mas só com ajuda da Lucky.
Debby assentiu, franzindo o cenho. Quase perdi desculpas por metê-la nessa droga que é a Quinta. Mal ouvi o discurso de Gwen, porque sei que no final vai acabar como sempre: Com os nossos campistas sendo afogados, queimados ou enterrados...
QUEIMADOS OU ENTERRADOS!
Reuni a minha gangue (uau, isso soou muito legal): Lucky, Carol Que-Não-Sou-Eu, Maria e os recém chegados Drake e Debby.
- É o seguinte – eu disse animada, sentia os dedos do pé formigando de animação (sim, meus dedos do pé formigam quando estou animada, me processem) – Vamos nos dividir em dois grupos: Lucky, eu e Carol e Debby, Drake e Maria. Cada um de nós vai por um dos lados do forte e, quem conseguir entrar, perfeito. Vitória da Quinta!
- Uh, não deveríamos estar ouvindo o discurso da centuriã? – perguntou Drake coçando a nuca. Ele também segurava um escudo de metal enorme e tinha uma foice (que medo, o que ele vai fazer? Plantar arroz no meio do Campo de Marte?)
- Não seja tão certinho – repreendeu Carol. Ela tinha uma aljava perfeitamente cheia e segurava o arco em suas mãos.
Uma corneta soou e Reyna gritou de seu pégaso:
- E que os Jogos comecem!
Vish, Jogos Vorazes?
POV. Maria MkLeen
Lucky, Carol 1 e Carol 2 correram para um lado enquanto Debby, Drake e eu íamos pelo outro. Drake estava meio confuso em relação o que fazer, então eu decidi situá-lo a nossa atual situação.
- Drake, querido – eu disse sorrindo amigável – Vê aquela muralha? Temos que invadi-la. Se você não correr e não derrubar qualquer um que não seja da Quinta, aquilo acontece contigo.
Apontei para um garoto que estava levando um tiro do canhão de água. Drake engoliu em seco. Acho que ele entendeu. Já Debby já estava mais ligada na ação, mas era tão desastrada que parecia nem conseguir ficar de pé.
- Nesse ritmo nunca vamos chegar lá! – exclamei abaixando-me para desviar de uma flecha.
Debby olhou para o chão, depois para Drake, depois para a fortaleza de pedra. Ela deu um sorriso tão radiante quanto Apolo. Quase tão radiante.
- Ceres é a deusa da agricultura, mas não terra, então você pode controlar plantas? – perguntou Debby a Drake, ele assentiu – Perfeito. Temos dois escuros que mais parecem placas de geladeira e um carinha que controla plantas, perfeito!
Ela não parecia sarcástica, então não entendi seu plano.
- Conjure algo como um pequeno morro de uns sete metros daqui até a porta da muralha – instruiu Debby a Drake – Com velocidade de pelo menos cinco quilômetros por hora (isso, por cima!), vou poder arrebentar aqueles portões, ter uma entrada triunfal e pegar os estandartes!
... Filha de Vulcano ou abençoada de Minerva?
Drake concentrou-se e, abaixo dos nossos pés, cresceu um monte feito de trigo. Estavamos a oito metros do chão. Os que lutavam pararam o que faziam para olhar aquele absurdo. A trilha de trigo foi diminuindo até chegar aos portões da fortaleza. Debby ajeitou seu elmo com um grande sorriso.
- Agora fica interessante!
Debby colocou seu escudo imenso no chão, sentou-se na ponta e nos mandou sentar atrás dela. Drake e eu apoiamos o outro escudo imenso sobre a cabeça. Debby deu um empurrão.
Já andou de trenó na neve? Bem, foi mais ou menos isso, só que estávamos com armaduras romanas, carregando um escudo de uma tonelada e, ao invés de neve, trigo voava na nossa cara.
O escudo que carregávamos, apesar de pesado, era muito útil para evitar as flechas vindas dos arqueiros da Primeira e da Segunda Coorte. Ah, quero só ver a cara do Octavian. Quem são os fracassados agora?
Quando estávamos a vinte metros de nos esborrachar contra o portão de ferro, Debby juntou as mãos e conjurou uma bola de fogo.
- HADOUKEN! – gritou ela soltando a bola de fogo – que aumentara incrivelmente de tamanho – contra o portão.
O portão derreteu com o fogo.
- AI MEU JÚPITER DO CÉU! – berrou Drake no meu ouvido – ISSO FOI MEDONHO E IRADO! FOI MEDORADO!
Mereço esse retardado?
Passamos voando no meio daquele buraco no ferro e caímos rolando no chão da fortaleza. Os guardas vinham correndo em nossa direção.
- Vai – disse empurrando Debby – Pega os estandartes, nós paramos esses imbecis.
- Paramos? – repetiu Drake num guincho.
Dei uma risada contagiante quanto Debby saia correndo em direção aos estandartes.
- Ah, com certeza paramos – sorri sacando o gládio.
POV. Debby Abadeer.
Oh Meu Marte! Oh Meu Marte! Oh Meu Marte! Aquilo foi fantástico! TOMA ESSA, PRIMEIRA E SEGUNDA COORTE!
Saí correndo para os estandartes e ninguém tentou me parar. Talvez momentaneamente cegos pelo meu brilho, ou porque eu estava pegando fogo. Nunca vou saber. Dei uma olhada de esguelha e vi que Carol saiu de algum lugar, e agora lutava com Octavian. Aquela era uma disputa tão boa que me dei o luxo de parar por um segundo.
Octavian estava ainda mais branco de medo e tentava revidar os golpes com o pilo, mas Carol era rápida como toda filha de Mercúrio. Um chute, e Octavian saiu voando da fortaleza, para ser pego pelas águias — ou se espatifar no chão, tanto faz.
- Ops – Carol soltou uma risadinha sacana como só uma filha do deus da idiotice, digo, dos ladrões sabe fazer.
Ri, fiz o fogo dos meus braços sumir, peguei os dois estandartes e ergui-os para cima. Jason sorriu de seu pégaso e gritou para todo o Campo de Marte:
- Vitória da Quinta Coorte!
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