Acampamento Júpiter
1 Capítulo I
Notas iniciais
O dia amanheceu lindo no Acampamento Júpiter, o acampamento dos semideuses romanos. E eu, como toda boa filha de Mercúrio, estava esperando para ver a minha pegadinha se desenrolar.
Acho que devo me apresentar, não? Sou Carol Wings, filha de Mercúrio, integrante da Quinta Coorte.
– AH! – ouvi o grito afeminado vindo do alojamento da Primeira Coorte.
Ah, como eu sou malvada.
Octavian saiu correndo para fora de seu alojamento, com o cabelo todo levantado graças á cola e o rosto rabiscado com frases comprometedoras, como por exemplo, “Bellona Sedução”.
– Sua diabinha – disse Maria MkLeen rindo, ela é filha de Marte e uma das minhas melhores amigas. Maria tem olhos e cabelos castanhos e pele bronzeada.
– Obrigada – disse sorrindo – Agora, vamos ver a cara de Reyna quando o augúrio do acampamento aparecer com o nome da mãe dela tatuado na cara.
– O que aconteceu? – perguntou Lucky Steves, filha de Fortuna, sonolenta enquanto esfregava os olhos – Ouvi um grito...
Lucky tem cabelos ruivos e olhos castanhos brilhantes. Já ouviu dizer que ruivos são beijados pelo fogo e que são sortudos? Então, Lucky é a prova viva disso.
– Se troca logo – disse ficando de pé e espreguiçando-me – Hoje eu quero ir á cidade.
– Términus está bravo comigo – disse Maria.
– Por quê? – perguntei.
Maria revirou os olhos.
– Ele diz que não se pode atravessar a Linha Pomeriana usando óculos de sol – respondeu – Como é que eu vou usar óculos de sol como arma?
– Sei lá – respondeu Lucky, já com a roupa trocada (ela é um ninja) – Você é filha de Marte, pode fazer tudo virar uma arma.
– Não, é porque ela é desastrada mesmo – respondi – Os óculos podia voar da cara dela e acertar o olho de alguém. Isso já aconteceu, lembram?
Maria suspirou.
– Bem que sua mãe poderia me dar um pouquinho de sorte, Lucky – disse a filha de Marte se levantando e olhando pela janela – Olha! Reyna está chegando! Vamos lá!
Nós três corremos para fora do alojamento e vimos os pretores do acampamento, Jason e Reyna, se aproximarem.
– Reyna! Jason! – chamou Octavian tentando abaixar o cabelo, os campistas olhavam e riam – Olhem o que me aconteceu!
Jason ia abrir a boca para responder, mas Reyna falou primeiro:
– “Bellona Sedução?”
– Acho que alguém está apaixonado – gritou Maria para todos ouvirem, oque deu certo, já que o acampamento riu muito. Até os Lares olhavam e riam.
– Que escândalo! – disse Vitallus, o nosso Lar – Na minha época, os augúrios não declaravam seu amor por deusas nem passavam gel nos cabelos...
– Na sua época não havia gel – observou Lucky.
– Hãn... Octavian – disse Jason – Acho... Acho que você deve voltar para o seu alojamento e se limpar...
– Quero saber quem fez isso enquanto eu dormia! – exclamou Octavian, então ele olhou em minha direção – Foi aquela praga dos Campos de Punição! Os augúrios me disseram para não confiar em Mercúrio!
Revirei os olhos. Esse garoto é insuportável, que Mercúrio me ajude a não estrangulá-lo.
– Octavian, meu caro, eu sou da Quinta Coorte – disse com um pequeno sorriso cínico – E você é da Primeira. Eu não tenho como entrar no seu alojamento durante a noite.
– Será que não? O que você faria lá, hein? – gritou um filho de Vênus arrancando risadas.
– Cale-se, seu engomadinho – disse – Agora, se me permitem, eu irei voltar á dormir, afinal, temos mais uma hora antes do café da manhã.
E voltei para dentro do alojamento ouvindo os gritos irritados de Octavian.
* * *
– Atenção – disse Reyna levantando-se na hora do almoço e chamando a atenção de todos – Quero informar que hoje após o almoço teremos jogos de guerra. A Primeira e a Segunda Coorte irão defender, as demais irão atacar.
– UHU! – comemorou Maria junto com todos os outros filhos de Marte espalhados pelo refeitório.
– Vamos arrasar – disse Lucky confiante – Com uma filha do deus da guerra e uma filha da deusa da sorte, vamos acabar com a Primeira e a Segunda.
– Filha do deus dos mensageiros rejeitada, ok – disse erguendo as sobrancelhas.
– Ah, não se preocupe – disse Valentine ao meu lado – Elas também se esqueceram do deus do amor.
Valentine Sweetheart era filha do Cupido. Tinha pele de pêssego, olhos num tom claro de rosa e cabelos negros, que usava preso em uma trança sobre o ombro.
– Ah, Val, não fique triste – disse Maria – Nós gostamos do Cupido, só é bem estranho ele usar fraldas...
– O Cupido não usa fraldas e nem parece um querubim – disse Valentine irritada – Quer que eu vá pegar minhas flechas de novo, Maria?
– Não, não – respondeu a filha de Marte imediatamente – Está tudo bem. Desculpe-me.
Valentine sorriu vitoriosa e voltou sua atenção para o prato de macarrão á sua frente. Isso era realmente estranho, a filha do deus do amor ameaçando a filha do deus da guerra, mas ninguém gosta de ficar por perto quando Val pega suas flechas do amor (coisas ruins acontecem).
– Será que as garçonetes vão ficar bravas se eu pedir mais um prato de pudim? – perguntei.
– Já comeu quantos pedaços de pudim? – perguntou Lucky.
– Hãn... Sete...
– Sete? – perguntou Maria – Você está comendo tanto quanto a Rocky!
Rocky Smith levantou os olhos de seu prato. Ela era filha de Vulcano e era muito calada, mas, cuidado, não a irrite (digamos apenas que filhos de Vulcano são os piores inimigos para se ter). Rocky tinha pele morena, olhos negros e cabelos castanhos escuros, que estavam presos num rabo de cavalo.
– Não é minha culpa se eu trabalho o dia todo nas forjas e fico com fome – rebateu – E os campistas não param de pedir encomendas em ouro imperial.
– Que horrível, odeio gente folgada – disse – Falando nisso, já terminou meu púgio de ouro imperial?
Rocky acenou com mão em minha direção, num claro gesto de Viram do que eu estava falando? A filha de Vulcano virou-se para a bolsa que carregava e tirou um púgio de ouro imperial, que brilhava intensamente.
– Que os deuses te abençoem – disse sorrindo ao pegar o púgio – Ficou fantástico como sempre, Rocky.
Rocky bufou.
– É claro que ficou. – disse – É um púgio feito por uma filha do deus dos ferreiros.
– E que nem é metida – disse Lucky.
Rocky revirou os olhos rindo.
– Tudo bem, Srta. Sorte – disse — Eu entendi a indireta.
– Milagre! – exclamou Valentine.
A trombeta dos jogos de guerra soou através do acampamento.
– Marte Todo Poderoso! – exclamei.
– Oi? – perguntou Maria erguendo uma sobrancelha.
– Vamos logo – disse Lucky – Temos um jogo para ganhar.
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