– Então o plano é o seguinte – disse enquanto eu e minha amigas íamos para o Campo de Marte – Eu cavo um buraco na terra e me escondo até o fim dos jogos de guerra. Vocês deem seus jeitos.

– Carol – disse Maria séria; estranho – Todas nós temos uma coroa mural.

– Obrigada por me lembrar – resmunguei.

– É a sua vez de ganhar uma, Carol! – exclamou Lucky.

– Filhos de Mercúrio não ganham coroas murais – disse com raiva – Filhos de Marte, de Fortuna, Júpiter e todos os outros ganham, mas os de Mercúrio não. Nós nascemos para ser os bobos da corte.

– Carol, nunca mais diga isso – falou Lucky – Hoje, você vai invadir aquela fortaleza, vai derrubar aqueles idiotas e vai ganhar uma coroa mural!

– Sua mãe vai me ajudar? – perguntei.

– Eu vou te ajudar – disse sorrindo – Eu também posso atrair sorte, sabia? E Maria vai lutar conosco.

– Uma chance de detonar alguns otários? – perguntou Maria – Estou dentro, bitches.

– Então, repita comigo – disse Lucky – Eu vou ganhar a coroa mural.

– Eu não vou ganhar a coroa mural – disse num suspiro.

– Carol!

– Certo, certo – disse – Eu vou ganhar a coroa mural.

– Ótimo – sorriu Lucky – Que armas você trouxe?

Eu estava carregando o elmo debaixo do braço, o gládio preso á direita da cintura, dois pilos nos bolsos do casaco e o púgio no lado esquerdo da cintura.

– Ótimo – disse Maria aprovando – Uma filha de Mercúrio fortemente armada, ninguém tem chance.

Ri enquanto colocava o elmo na cabeça e checava se minha armadura estava devidamente amarrada. Jason e Reyna estavam circulando no céu com seus pégasos; Reyna estava rindo de alguma piada que Jason contara.

– Valentine acertou em cheio ali, hein? – perguntou Maria com um sorriso de canto.

– É – concordou Lucky – Eles realmente são fofos juntos.

– Boa sorte, Wings – disse Octavian passando com mais alguns dos amiguinhos idiotas – Vai precisar.

– Querido, não sei por que você se acha tanto – disse colocando as mãos na cintura.

– Nossa! – exclamou Lucky – Chamou de querido, vai rolar barraco!

– Se eu bem me lembro – continuei – A semideusa aqui sou eu, você é só um legado.

– Eu sou o áugure do acampamento – defendeu-se Octavian.

– Ah sim! Isso é tão importante – disse – Você mata bichinhos de pelúcia.

Octavian rolou os olhos e saiu andando junto com os seus idiotas de estimação.

– Maldito Cosplay de Malfoy – disse entre os dentes.

– É o que de quem? – perguntaram Maria e Lucky juntas.

Joguei o cabelo para trás.

– Affs, esses trouxas – disse – Me irritam profundamente.

– Sem Harry Potter, por favor – pediu Lucky.

– É, nós estamos indo lutar. Sem Harry Potter – disse Maria.

– Eu vou aproveitar que meu pai é carteiro e vou pedir para ele me dar a carta de Hogwarts – disse com os olhos brilhando.

Lucky e Maria reviraram os olhos enquanto Jason gritava para todos:

– Os jogos vão começar em cinco minutos! Ajeitem-se e façam suas estratégias!

– Têm algum plano que não envolva o fracasso da Quinta Coorte, de novo? – perguntei.

Maria estudou o campo e a fortaleza de pedra com seus olhos castanhos. Eu mesma comecei á olhar naquela direção, então...

– Achei – disse com um sorriso – Uma falha na defesa da muralha. Eles estão tão confiantes que deixaram aquele canto sem proteção. Eu sou rápida, Lucky vai nos dar sorte e Maria vai derrubar qualquer um que entrar na nossa frente.

Lucky sorriu orgulhosa.

– Agora parece uma líder – disse.

Trombetas de guerra cruzaram o acampamento. Os da Quinta Coorte avançaram, os da Terceira e Quarta simplesmente ficaram olhando com desprezo e rindo. Os canhões de água explodiam, jogando campistas para os lados.

– Lucky, acho melhor sua mãe estar de bom humor – disse.

Saquei o gládio e comecei á correr com Lucky e Maria. Como filha de Mercúrio, eu era extremamente veloz e consegui me desviar dos tiros dos canhões de água e das flechas (claro, Lucky estava nos dando muita sorte, porque não tive que lutar com ninguém).

– Maria, Lucky, peguem Aníbal – mandei confiante.

– Você vai sozinha? – perguntou Maria.

– Vou – disse – Vão logo!

Ouvi Lucky e Maria subirem em Aníbal, que deu um grito alegre, mas não olhei para trás. Corri até o ponto sem proteção, somente para descobrir que aquela desgraça tinha sim proteção.

Assim que pisei, a terra desabou e cai em um poço de terra de pelo menos cinco metros de profundidade.

Dampnas! – praguejei em latim enquanto dava um murro na parede de terra — Quod primum et cohortis secundae explodere! Maledictus filii Gorgones!

– Nossa – ouvi uma voz lá de cima – Que boca suja. Quem está aí?

Dois olhos azuis como o anoitecer apareceram na abertura do buraco.

– Oh! – disse Bruno – Olá Carol!

– BRUNO ME TIRA DESSE POÇO! – gritei.

– Ah, infelizmente eu não posso – respondeu Bruno – Eu sou da Segunda Coorte, lembra?

– Me tire daqui se não vou mandar a Lucky tirar toda a sorte da sua vida! – ameacei.

– Tudo bem, tudo bem – respondeu jogando uma corda – Não fique brava.

Bruno DarkLight era filho de Latona, deusa do anoitecer. Ele tinha olhos azuis escuros, pele pálida e cabelos negros.

– Obrigada – disse me levantando e pegando meu gládio – Não vai tentar me deter?

– Não, estou cansado do Octavian se gabando – disse Bruno dando de ombros – Vai lá e ganha essa parada.

– Valeu – agradeci voltando á correr.

Depois de passar pelo túnel debaixo da fortaleza, eu escalei os muros.

– Ei! Olhem ali! – gritou um – O que ela está fazendo ali?

– Abram fogo! – ouvi a voz risonha de Octavian. Ah, eu ainda mato esse aí.

Comecei a escalar mais rapidamente enquanto desviava de flechas e tiros de água. Águias gigantes estavam circulando o céu, na esperança de que eu não ia conseguir e elas teriam que me levar.

– Ah, eu vou conseguir, seus urubus gigantes – murmurei ficando de pé em cima da muralha e abaixando para escapar de uma flecha flamejante.

Comecei á lutar com os que estavam ali; a maioria estava perplexa demais para se defender direito. Derrubei todos, dando ás águias algum trabalho.

Olhei para baixo, para o campo. Todos estavam me encarando perplexos.

– Estão esperando o que? – gritei, minha voz ecoando por todo o campo – Ataquem!

– Ataquem! – gritaram Dakota e Gwen repetindo a ordem.

Os integrantes da Quinta Coorte soltaram um grito de guerra e avançaram.