Acampamento Júpiter
13 Capítulo XIII
Notas iniciais
Carol: http://www.polyvore.com/carol_deathball/set?id=83817665
POV. Carol
Cavar trincheiras na chuva de madrugada é a melhor maneira de se apaixonar. Uau, isso soou poético, gostei.
Drake, Debby e eu tivemos que ficar naquela chuva por causa da bicha escandalosa do Octavian. Deuses do Olimpo, um dia eu ainda o amarro pelos pulsos e tornozelos e o lanço no templo de Afrodite para ser usado como rato de laboratório das maquiagens dela.
Depois de cavar as trincheiras, ficamos tão acabados que caímos no sono nas barricadas da Terceira Coorte. Acordei na manhã seguinte e vi que dormi de mãos dadas ao filho de Ceres, e tirei minha mão rapidamente.
Olhei para o lado e vi um garoto apontando um escorpião de bolas de ácido para a testa de Debby. E fiz o que qualquer filho de Mercúrio faria:
- A GENTE TÁ LIMPO, TIO! – gritei colocando as mãos para cima – NÃO TEMOS NADA DE ILEGAL!
O garoto colocou a arma no ombro e me encarou.
- Eu não sou da polícia – ele disse.
- Ah, ainda bem – suspirei aliviada.
Drake acordou no meio da confusão e ficou encarando a todos.
- O que eu perdi? – perguntou.
- Nada – revirei os olhos. Lerdo.
Debby esfregou os olhos e encarou o garoto.
- Você não tinha que ir plantar suas flores alucinógenas ao invés de apontar um escorpião para a minha cabeça?
- Eu estava brincando – sorriu o garoto.
- Obviamente, eu adorei acordar com uma arma apontada para a minha cabeça – ela se levantou com a ajuda do garoto.
Ele tinha cabelos castanhos, olhos marrons com toque de amarelo e um sorriso do tipo “Há-há, trollei você”.
- Você é filho de Mercúrio? – perguntei.
- Não, sou filho de Vertumno – ele respondeu – Sou Leonardo Bellucci, aliás. Da Quarta Coorte.
Levantei-me e ofereci minha mão para ajudar Drake a se levantar. Uma ideia surgiu na minha mente.
- Então... Leo – coloquei meus braços em volta dos ombros de Debby e Leo e sorri-lhes – Já conhecia minha querida Girl On Fire?
- Já – ele franziu a testa – Quer dizer, ela me ajudou semana passada e...
- Ajudou? – dei um sorriso ainda mais largo.
Debby, que já sabia que filhos de Mercúrio colocam malícia em seis de dez palavras que falam, deu um tapa no meu braço e se soltou.
- Vamos embora, temos que nos arrumar para o deathball – disse ela irritada – Até mais, Leo.
- Até, Debby – ele deu um sorriso fofinho. EU ME SINTO A VALENTINE PERTO DESSE CASAL!
A filha de Vulcano puxou Drake e eu para fora das barricadas da Terceira Coorte. Sua orelha pegou fogo, mas ela não pareceu se importar.
- Nunca mais faça isso – ela sibilou quando empurrou Drake para dentro das casas de banho – Um dia desses, você ainda me mata de vergonha.
- Essa é a intenção – gargalhei.
Ela revirou os olhos e nós entramos nas casas de banho. Saí meia hora depois (o que? Eu tenho que fazer meu show musical antes de tomar o banho propriamente dito). Fizemos a fila com todos os legionários e marchamos no ritmo esquerda-direita até o Campo de Marte atrás de Dakota e Gwen.
- Atenção, romanos! – exclamou Reyna sobrevoando o campo com seu pégaso – O objetivo do jogo é proteger seus centuriões dos tiros da equipe adversária. Cada Coorte deve proteger seus centuriões e tentar acertar os outros. A última Coorte que continuar com seus dois centuriões, é a vencedora.
- E tentem não se matar – aconselhou Jason.
- Mas aí não vai ter graça! – gritou Maria.
- Ao meu comando – disse Reyna – Três, dois, um e... Vão!
Abaixei a viseira do meu elmo, apoiei o escorpião no meu ombro e disparei quatro bolas de ácido contra a Terceira Coorte. Abaixei-me para evitar uma bola de fogo. Gwen e Dakota se esconderam atrás de uma barricada de madeira e os legionários os cercaram para proteger.
- Eles se esqueceram de que nós também temos que atacar?! – exclamou Sammy.
- Atacar é a melhor parte – disparei uma bola de fogo contra a Primeira Coorte (tipo, eu nem queria acertar o Octavian nem nada).
- Façamos assim – Debby levantou o escudo para não levar uma bola de ácido na cara – Drake, Carol e eu vamos tentar acertar a Quarta e Terceira. Sammy, Maria e Lucky, vocês cuidam da Primeira e Segunda. Ah, e tentem acertar o Octavian na cara, por mim.
- Seu desejo é uma ordem! – sorriu Maria. As três se foram em direção as duas primeiras Coortes.
Corri com meus dois acompanhantes e me joguei atrás de uma barricada de borracha. Quem fez uma barricada de borracha? Isso aqui vai pegar fogo em um piscar de olhos e... OH MEUS DEUSES, EU SOU GENIAL!
- Debby – sussurrei para ela – Pode tacar fogo nessa barricada?
- Eu posso tacar fogo nesse acampamento.
- Por hora, isso não vai ser necessário – respondi – Incendeie essa barricada e, Drake, faça sua macumba das plantas e arremesse-a para a Terceira Coorte.
A mão de Debby pegou fogo e ela encostou-a na barricada, que foi engolida pelas chamas. Drake conjurou as plantas e arremessou a barricada em chamas contra a Terceira Coorte. Os campistas gritaram ao ver a barricada em chamas e saíram correndo, deixando seus centuriões sozinhos pegando fogo. Acho que eles vão ficar bem – ou não.
- Ah, Carol – chamou Debby.
- Sim?
- Acho que tem uma pequenina falha nesse seu plano.
- Tem? Nós já eliminamos os dois centuriões da Terceira.
- É. Mas agora estamos desprotegidos no meio do Campo de Marte.
Oh... Eu deveria ter pensado nisso.
- OLHEM ELES ALI! – gritou Octavian apontando para nós. Uma bola de lama o atingiu na têmpora direita e o jogou no chão, e um grito de comemoração de Sammy foi ouvido. Bolas de ácido choveram sobre nós.
- Droga – praguejou Drake.
Saímos correndo feito três abobados e nos escondemos nas trincheiras que nós mesmos cavamos na noite anterior. Drake atirou nos pés dos legionários da Quarta Coorte e conjurou trigo como uma lona para nos proteger.
- Ah, claro – Debby ergueu uma sobrancelha – Porque trigo vai nos proteger do ácido.
- Calada – resmungou o loiro com uma careta.
Apoiei meus cotovelos na aberta da trincheira, recarreguei o escorpião com bolas de fogo, lama e ácido e mirei nos centuriões da Quarta. E lá estava o garoto das flores alucinógenas.
- Oh – exclamei – Debby, se importa se eu atirar no seu namorado?
- ELE NÃO É MEU NAMORADO!
Dei um risinho e disparei uma bola de lama contra as costas de Leo Bellucci, jogando-o de cara no chão. Não joguei fogo, afinal, ainda quero ir ao casamento dos dois. Agora só faltava a garota. Pelo o que me lembro, seu nome é Astrid Jones, filha de Marte, eu acho.
- Eu já sei como derrubá-la – disse Drake triunfante.
- Ela é filha do deus da guerra – falei – Sabe mesmo como derrubá-la?
- Claro! – ele sorriu – Fiquem aqui, deixem o homem trabalhar.
- Que homem? Tem um homem aqui? – perguntou Debby olhando para os lados. Drake revirou os olhos e subiu de volta para o Campo de Marte. Debby e eu ficamos espiando para ver o que o louco ia fazer.
Drake largou o escorpião no chão, soltou um grito de guerra (“PELOS CEREAIS MATINAIS!”) e foi correndo desarmado até Astrid. Os campistas pararam a guerra e ficaram observando aquele absurdo, até a própria Astrid estava com uma cara de WTF?
O filho de Ceres colocou a mão de seu próprio casaco e tirou de lá uma aterrorizante, amedrontadora, chocante, assustadora, ameaçadora, temível, atemorizante, intimidante... Barrinha de cereais integrais.
- Ele está morto – resmungou Debby batendo a mão na testa.
Drake correu e arremessou a barrinha em direção a Astrid, que assistia a cena de boca aberta. A barrinha entrou na sua boca e a garota tossiu, engasgada. Afinal, o cereal de Ceres é muito ruim.
- UH! – gritou Drake comemorando – PODER DO CEREAL!
Alguns tiros foram ouvidos e Jason anunciou para o Campo de Marte:
- VITÓRIA DA QUINTA!
- UH! – Sammy surgiu – OFUSQUEI A PRIMEIRA COORTE COM O MEU BRILHO! BRILHO MAIS QUE JÚPITER ON THE SKY!
- Acho que foi o seu cabelo vermelho que os ofuscou – disse Maria.
- Calada.
Esse foi o pior jogo de deathball que eu já vi na minha vida, mas pelo menos me ensinou uma coisa: Barrinhas de cereal são letais.
Fale com o autor