POV. Carol Wings

Paz. Essa é uma palavra tão bonita e tão difícil de alcançar, mas finalmente, o Acampamento Júpiter estava em paz. Por quê? Porque eu estava roncando na minha cama por hoje ser sábado e termos o dia inteiro livre.

Então, lá estava eu, tendo lindos sonhos com unicórnios e assaltos a uma doceria, quando senti meu pé esquerdo quente. Ignorei, deve ser só a Lucky acendendo mais uma de suas velas para restaurar o Feng Shui da coorte.

Mas meu pé esquentou ainda mais. Senti cheiro de queimado. Levantei-me e vi que a minha meia estava igual à Katnnis: Em chamas. Gritei ao ver que praticamente todo o quarto estava em chamas.

- OH MEUS DEUSES! – gritei pulando da minha cama e jogando a meia pela janela – LUCKY, A SUA MÃE É UMA VACA!

Puxei todo mundo das camas o mais rápido possível.

- DEBBY! – gritei acordando-a – VOCÊ TACOU FOGO NO QUARTO ENQUANTO DORMIA!

Ela arregalou os olhos e saiu feito uma louca puxando todo mundo com ela. Quando todas os moradores do alojamento da Quinta Coorte já estavam do lado de fora, ficamos observando nosso quarto ruir em fogo.

Então lembrei.

- AH! – gritei – MEUS LIVROS DO HARRY POTTER ESTÃO LÁ DENTRO! NÃO SE PREOCUPEM, BEBÊS, MAMÃE ESTÁ CHEGANDO!

Fui correndo para o alojamento em chamas, mas Maria me puxou pelo braço. Comecei a praguejar e a xingar todo mundo: Fortuna, Debby, Octavian (sei lá, só fiquei com vontade de xingá-lo), Debby, Reyna e Jason por não colocarem alarmes de incêndio nos alojamentos, Debby, Netuno por não ter filhos no acampamento, Debby e... Oh, sim, Debby.

Os Lares iam de um lado para o outro, agitados. Um até mesmo estava chorando histericamente por ter sido acordado de um sonho muito bom.

Jason, Reyna e Octavian chegaram alguns minutos depois, no momento em que eu xingava os Lares por não calarem a boca.

- O que aconteceu? – perguntou Jason. Ele usava um roupão felpudo azul sobre o pijama do Pikachu. Mereço.

- O QUE ACONTECEU, JASON GRACE? – gritei agitando o dedo na cara do pretor – ACONTECEU QUE MEUS FILHOS FORAM QUEIMADOS! QUE-I-MA-DOS! ISSO É UM ABSURDO!

- Seus... Filhos? – perguntou Reyna franzindo a testa.

- MINHA COLEÇÃO DO HARRY POTTER! QUAL É, EU GASTEI UM BOM TEMPO PARA ROUBAR TODOS OS LIVROS E OBJETOS DE COLECIONADOR! AGORA ESTÁ TUDO QUEIMADO!

- São só livros – disse Octavian com uma careta.

Dei-lhe um tapa na cara.

- NÃO PEDI SUA OPINIÃO, OCTAVIAN GODOFREDO ALEJANDRO JUPITER PODEROSA GLITTER PURPURINA FERNANDES OLIMPO PIRULITO PUDIM DRACO MALFOY DA SILVA MARRONE!

- Esse não é o meu...

- NÃO INTERESSA!

Foi a vez de Reyna me dar um tapa na cara.

- Se acalme, legionária – mandou – Como esse incêndio aconteceu?

Todo mundo olhou para Debby.

- Eu tive um pesadelo! – exclamou ela na defensiva – Não sabia que podia soltar fogo enquanto dormia!

- É um dragão mesmo – Octavian deu risada. Debby convocou fogo com a mão e incendiou seu roupão verde, Octavian saiu correndo e gritando.

- Bem – Jason esfregou as mãos – Acho que a única coisa justa a fazer é... Carol e Debby, vocês vão concertar o alojamento da Quinta Coorte.

- O QUE? – gritei voltando ao modo barraco-espresso – COMO ASSIM? EU PERDI MEUS FILHOS E AINDA VOU TER QUE RECONSTRUIR! EU VOU CHUTAR A SUA ASINUM, JASON GRACE!

Jason, aparentemente, já estava acostumado a ameaças a sua asinum.

- Carol, já que você está tão incomodada com a situação do alojamento, vai ajudar – ele disse – O resto de vocês, pode se oferecer para ajudar, mas não serão obrigados.

Adivinha? Ninguém se ofereceu.

- Eu me ofereço – disse Lucky timidamente.

- É o mínimo, né? – perguntei batendo o pé impacientemente no chão – Já que a sua mãe também é uma...

- Carollyn Wings! – repreendeu Reyna. Fiquei quieta. Eu morro de medo daqueles cachorros sinistros dela.

Fechei a boca e cruzei os braços, o que provavelmente pareceu uma atitude muito infantil, mas acho que é melhor do que pular no pescoço de alguém. Só não sei de quem seria o pescoço: Da Debby ou do Jason.

Lucky, Maria, Sammy e Drake se ofereceram para nos ajudar. Consegui algumas roupas emprestadas (não roubadas. Viram? Sou uma garota de Concórdia agora) de algumas amigas na Terceira Coorte e nos trocamos.

- Muito bem – falei olhando para os meus amigos construtores – Nós vamos concertar um alojamento. Primeiramente: Alguém tem o anel do Lanterna Verde?

Silêncio.

- Que pena – suspirei – Isso seria muito útil.

Dividimos-nos em dois grupos de três: Drake, Debby e eu e Lucky, Maria e Sammy. Nós ficamos com a parte de fora do chalé e elas ficaram com a parte de dentro. Subi até o telhado para dar uma olhada nos estragos.

- Carol, cuidado – disse Drake do chão – Você pode escorregar.

- Ah, não se preocupe! – exclamei – Hermes é o patrono da ginástica, ou seja, eu não vou cair.

- Você vai usar aquelas roupas coladinhas e fazer pilates? – perguntou Debby fazendo uma careta.

Revirei os olhos e continuei olhando o telhado. Estava tudo normal, além da sujeira acumulada pelos anos. A única parte danificada pelo incêndio foi um pedaço perto da ponta que desmoronou deixando um buraco com tamanho suficiente para eu ver Sammy e Maria trabalhando.

- Oi! – sorri acenando para elas.

Sammy me olhou irritada.

- Vai trabalhar, vagabunda – ela mandou.

- Affe, porque ruivos sempre são irritadinhos? – perguntei.

- Você vai ver a irritadinha quando eu pegar a minha lança.

Resolvi deixá-la trabalhar. Uma águia passou voando por cima da minha cabeça. Fiquei olhando-a, era tão bonita e...

Eu caí do telhado.

- OH DEUSES! – gritei enquanto Drake e Debby corriam desesperados até mim – SABE O QUE É ISSO? É KARMA! SE EU NÃO TIVESSE ROUBADO A CARTEIRA DAQUELE FILHO DE VÊNUS... Mas era uma boa carteira, sim.

Drake tentou me levantar, mas minha perna parecia estar pegando fogo. Não, dessa vez não era a Debby. O filho de Ceres, delicadamente, me deixou no chão como um saco de batatas.

- Você quebrou a perna – disse Debby. Jura, Capitã Óbvio?

- Cadê um filho de Vênus bonitão para me fazer respiração boca a boca? – perguntei olhando para os lados.

- Você não desmaiou para precisar de respiração boca a boca – Drake levantou uma sobrancelha.

- Oh! – fingi um desmaio.

- Idiota – Debby fez um facepalm – Vamos levá-la a enfermaria.

Debby segurou meus braços. Drake tirou a camiseta roxa e usou-a para prender a minha perna quebrada.

- Tente não encarar tanto – disse Debby baixinho.

Dei-lhe uma cotovelada.

- Eu não estava encarando – murmurei de volta. Filhos de Vulcano.

Os dois me carregaram para a enfermaria. Octavian estava lá, se recuperando da queimadura provocada por Debby. Quer dizer, era só uma queimadura de primeiro grau que formou uma bolha minúscula, mas Octavian estava esparramado numa maca como se tivesse perdido um braço.

- Oi, Otty! – sorri quando Debby e Drake me colocaram na maca ao seu lado.

- O que? Você não vai ficar na maca ao meu lado! – ele exclamou arregalando os olhos.

- Oh, sim – dei meu sorriso sinistro – Seremos companheiros de enfermaria, Otty. MUHAHAHAHAHAHA!

- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO! – gritou Octavian dramaticamente.

- Eles são sempre assim? – perguntou Drake.

- É – Debby deu de ombros – Às vezes piora.

Um filho de Apolo veio me ajudar. Um filho de Apolo feio. Affe, não mereço isso!

POV. Debby Abadeer

Ah, eu estou me sentindo muito mal. Primeiro: Taquei fogo no alojamento enquanto dormia. Isso por si já é muito ruim. Então os livros do Harry Potter de Carol foram queimados, e ela ama aqueles livros mais do que ama Nutella. E agora, ela quebrou a perna.

- Ela vai ficar bem? – perguntei ao filho de Apolo que atendeu Carol. A filha de Mercúrio estava agora provocando Octavian, que tentava se matar com o travesseiro.

- Claro – o garoto respondeu – Daqui a dois dias, ela já pode voltar às atividades normais.

Drake e eu voltamos ao alojamento e comunicamos a Sammy, Maria e Lucky que Carol estava na enfermaria.

- Vocês a deixaram subir no telhado?! – exclamou Lucky.

- Sim, por quê? – perguntei franzindo a testa.

Lucky suspirou.

- Vocês são novos aqui, eu sei, então devem saber de algumas coisas sobre a Carol – ela tirou uma lista enorme do bolso da calça – Ela tem medo de cobras, baratas, tubarões, palhaços, de ver o Octavian pelado...

- Mas hein?

Maria estremeceu.

- Acredite, uma vez isso aconteceu com a gente – ela disse – Tenho pesadelos até hoje.

- Continuando – disse Lucky – E de fantasmas e de conhecer o George R. R. Martin.

- Porque ela tem medo de um autor?

- Ela tem medo que ele a mate também – disse a filha de Fortuna – E coisas que não podemos deixar Carol fazer: Não podemos deixá-la tentar roubar os galgos de Reyna, chamar Júpiter de Gigante Gasoso, comer Nutella demais e, principalmente, NÃO podemos deixá-la subir em um telhado. Porque ela não tem a menor coordenação motora e se distrai facilmente.

- Bem, poderia ter nos avisado antes – disse Drake.

- Podíamos fazer algo para comemorar – disse Sammy.

- O fato de Carol se recuperar daqui a dois dias?

- Não, o fato de termos dois dias para aproveitar sem ela!

- UH! – gritaram Lucky e Maria.

* * *

Duas horas. Esse foi o tempo que as idiotas levaram para reunir todo o acampamento e fazer uma super festa na principia. Reyna e Jason concordaram com a festa na hora. Infelizmente, fui arrastada para a festa.

- UH! – gritou Jason entrando na festa – JASON CHEGOU TRAZENDO ALEGRIA E OUSADIA!

- Sim, mas trouxe a flor de lótus? – perguntou Maria.

- Bem... Não.

- Então vá embora!

Mereço. Sinceramente, mereço.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.