Notas iniciais
Desculpem a demora, pessoal, mas ta aí o capítulo!

Eu estava? Quero dizer... sendo uma criança de 5 anos? Tá, eu tinha um ponto fraco com birra e com desafios. Eu odiava que me subestimassem. Mas eu não fiz nada de errado – pelo menos eu acho. Posso ter caído na provocação de uma garotinha irritante, mas... Eu nem encostei nela! Ela caiu na própria armadilha.

- Ora, só porque ela é a presidente do seu fã-clube idiota, não quer dizer que essa criança seja uma anja, Percy. Essa garota é louca! Ia me empurrar na lagoa, e eu só já não estou molhada, porque você me segurou.

— E toda essa cena só porque a Annie estava perto de você. – Hazel me apoiou.

— É verdade... – Francisco disse.

— Vamos comer, Hazel. – dei uma última olhada para Percy e àquela criatura.

Sentamos na toalha xadrez e Hazel abriu a cesta. Eu estava sem fome e apenas fiquei observando as irmãs e as crianças comerem.

— É cada maluca que aparece... – Hazel comentou.

— Nem me fale... – revirei os olhos.

— Vamos entrar na lagoa hoje? – Bianca perguntou, mastigando um pedaço do sanduíche de mortadela com maionese.

— Acho que hoje não é dia. – Hazel respondeu.

— Vamos sentar ali, então... – Bianca nos chamou, ainda com o sanduíche na mão, para sentarmos na beira da lagoa.

Sentamos lá. Fiquei descalça e tirei a blusa, para não ficar com marca das mangas no braço. O sol não estava tão quente, pois havia algumas nuvens no céu, o encobrindo.

— Sabe... Esse lugar é lindo. – Bianca apreciou a lagoa.

Concordamos. A paisagem era realmente maravilhosa. A lagoa era totalmente transparente. Dava para escutar o som da cachoeira, que despencava ali perto. Pássaros diversos passavam de um lado para o outro, voando.

— Não, Laura! – ouvi Percy gritando de longe.

Em seguida, senti algo me empurrar. Depois, fui perceber que eu estava dentro da lagoa, que por sinal estava gelada. Não senti o fundo, tentei voltar logo à superfície.

— Pronto. Estamos quites! – a loirinha disse da beira da lagoa, rindo.

Contraí meus músculos, com raiva. De repente, senti os músculos da perna repuxarem e veio aquela dor insuportável. Eu estava tendo cãibra, nas pernas, dentro da água, e não sabia nadar direito.

— Ai, to com cãibra! Hazel, Bia! – eu pedi socorro enquanto estava na superfície.

Não consegui mais mexer as pernas pela dor. Tentei me concentrar em como fazer a cãibra diminuir e depois passar. Mas eu entrei em desespero. Ora, qualquer um entraria em desespero naquelas condições! Fiquei submersa. Nada da cãibra passar. Meu fôlego (que não é muito bom) foi se encurtando até que meus pulmões ficaram em brasa. Por instinto, abri a boca, mas só veio água.

Bem, eu nunca tinha pensado na possibilidade de morrer afogada por uma cãibra. Nunca.

Um flash de imagens antigas e recentes veio pela minha cabeça – era isso que as pessoas viam antes de morrer? Eu sempre acreditei que todos tínhamos uma alma, e que ela era eterna. Bem, pelo menos eu saberia o que viria após a “morte”. O céu? Outra dimensão?

Quando eu já estava sem forças para pensar em algo, alguém me agarrou com força e foi me levando até a superfície. Será que eu já estava em outra dimensão?

Senti que não estava mais dentro d’água, mas eu já não sabia como voltar a respirar.

— Vamos, Annabeth! – possivelmente era meu anjo, batendo nas minhas costas.

Finalmente, cuspi um pouco de água, e consegui respirar. Respirei com todas as minhas forças – se é que eu ainda tinha alguma.

— Cuspa mais! – meu anjo falou.

Tossi algumas vezes. Foi aí que me lembrei da cãibra. Estranho, nunca tinha pensado que eu teria cãibra depois de ir para o céu, ou seja lá o que fosse. Minha visão estava muito ruim, embaçada. Meu anjo deitou-me em algo que lembrava grama.

— Annie! Oh meu Deus! – alguém falou.

Percebi várias vozes perto de mim. Meio que abafadas. Talvez fossem outros anjos – quem disse que só temos um anjo protetor?

— Annie, você está me ouvindo? – o anjo salvador falou.

Eu queria falar, mas não saía um som da minha garganta. Nem um gemido. Acho que eu estava em estado de choque. Olhei para meu anjo, e as feições foram ficando mais nítidas até que reconheci Percy. Han?

Pegaram nas batatas das minhas pernas e começaram a massageá-las. O músculo foi relaxando. Mas meu foco estava nos olhos de Percy, que estava inclinado do meu lado.

— Annie, por favor diz alguma coisa! – ele pediu.

Ok, eu tinha que saber o que estava havendo.

— Você morreu? – perguntei num murmúrio afobado.

- O quê? – ele arregalou os olhos.

- Você morreu também?

Ele colocou sua mão quente na minha testa.

- Annie, você está bem?

- Estou. Quer dizer, agora que já mudei de dimensão... Só não sabia que você estava aqui. Como chegou até aqui?

Alguém riu.

- Annie, eu estou vivo e você também.

Eu estava viva? Na Terra? Pelo jeito, sim. Eu não estava no meio de anjos alados de outra dimensão. Eu estava no meio de outros anjos. Meus amigos.

Merda – não pelo fato de estar viva e sim pelo fato do que eu tinha falado.

- Ela engoliu muita água. – identifiquei a voz de Bianca.

- Eu... Estou viva, claro. – tentei consertar alguma coisa.

- Graças ao Percy! – Hazel disse.

Percy me olhava fixamente. Eu sorri e ele me abraçou.

- Nunca mais faça isso. – ele sussurrou.

- Obrigada. — eu tossi — Mesmo.

Notas finais
Será que esse é o início de Percabeth? Hm, não sei não. Reviews?? :D