Acampamento Das Aberrações

4 Um sorriso aqui, um monstro ali... Que maravilha.


Notas iniciais
Desculpem a demora, pessoal! Espero que gostem!
/Carol

POV. Carollyn Black (Anteriormente conhecida como Harley Black)

Qual é o problema daquela garota? Eu não preciso da ajuda dela! Na verdade, eu não preciso da ajuda de ninguém!

E como assim ela não é só uma semideusa? Ela é o que? Um E.T? [N/Autora: E.T. é ofensivo u.u]

Entrei no meu chalé e deitei na cama. Meu companheiro de chalé, (não, não consigo chamá-lo de irmão) Lou Ellen, já estava no sétimo sono. Resolvi seguir seu exemplo e dormi. Acordei na manhã seguinte com uma corneta soando.

- Por mil infernos, o que é isso?! – perguntei irritada sentando-me na cama.

Lou já estava acordado e com o uniforme do acampamento.

- É a corneta que acorda os campistas – informou. Parei um segundo para vê-lo melhor, tinha cabelos negros caindo sobre a testa, olhos azuis escuros e sardas nas bochechas. Bonitinho. Eu até pegava se não fosse incesto.

Levantei-me, troquei de roupa, coloquei os óculos escuros e saí andando para o Refeitório. Assim que entrei ali, todos me olharam com medo.

Estão ficando espertos.

Sentei-me na mesa do Chalé 20 e comecei a comer um sanduíche de presunto. Então, um ser sem noção se sentou ao meu lado.

Era aquele garoto loiro que tinha um poço de baba quando me viu.

- Oi – ele cumprimentou sorrindo.

Coloquei meu sanduíche no prato e o encarei descrente. Loiro, olhos cinzentos, pele pálida... É, dá pro gasto.

- Oi – respondi friamente.

- Você não deve estar me reconhecendo, mas eu sou Benjamim, filho de Atena – disse ele – O melhor amigo da Sammy.

Opa, ficou mais interessante agora. Ele vai ser muito útil para descobrir mais sobre aquela ruiva estranha.

Fiz meus olhos voltarem ao azul, tirei os óculos e dei meu sorriso doce.

- Jura? Que legal! – exclamei animada – E a quanto tempo vocês se conhecem?

Benjamim pareceu prestes a ter um desmaio. Que patético.

- Desde que ela entrou no acampamento, a dois anos – respondeu – Antes disso, Sammy vivia num orfanato em Manhattan. Pelo o que eu sei, a Sra. Hellthorne trabalha muito longe daqui. Sammy gosta de sorvete de flocos e de ouvir rock, suas três atrizes favoritas são Isabelle Fuhrman, Susan Coffey e Crystal Reed; é Potterhead estudante da Grifinória, apaixonada por Mathew Lewis e seu tipo sanguíneo é A-.

Okay, informação demais.

- Fantástico – sorri. Benjamim sorriu debilmente de volta – Ei, sabe o que seria legal?

- O que?

- Se você saísse comigo hoje – fiz uma cara fofinha – Eu queria alguém para me mostrar o acampamento... Você pode fazer isso para mim?

- Claro!

Claro que pode, idiota.

- Me encontre no Chalé 20, ás seis horas da tarde – pisquei – Espero você lá, Ben.

Ele assentiu sorridente e foi para a mesa do Chalé 6. Não pude conter um riso ao voltar a pôr os óculos e comer meu sanduíche. Mortais... Desde os tempos antigos caem no conto de sorrisos e piscadelas. É deprimente.

Uma vez, no orfanato, um garoto que tinha sido adotado voltou somente para dar rosas para uma garota. Uma garota feia, por sinal. Achei ridículo. Porque se dá rosas vermelhas a quem se ama? Para mim, a rosa é uma coisa fascinante. Ao mesmo tempo em que é bonita e suave, é perigosa e – em alguns casos – mortal.

Exatamente como eu.

Terminei meu café da manhã e fui em direção ao lago. Aula de canoagem. Quem administraria a aula seria Perseus Jackson, filho de Poseidon.

Perseus, Perseus, Perseus... Cara, dizer isso é muito foda!

- Oi, Harley! – gritou Tony aproximando-se trotando – Tudo bem?!

Todos me encararam. Ninguém verbalizou, mas tenho certeza que estavam pensando “Mas o nome dela não é Carollyn?”.

Maldito bode.

- Tony, eu já disse que meu nome é Carollyn – falei olhando-o através dos óculos.

- Não, seu nome era Harley – disse Tony – E, do nada, virou Carollyn! Não entendo isso!

Dei um sorriso do tipo cala-a-boca-seu-cabrito-nojento.

- Eu nunca te contei, mas meu nome completo é Carollyn Harley Black – falei – Harley é meu nome do meio.

- Ah, entendi! – exclamou sorrindo – Então é Carollyn mesmo!

- Exato...

Percy apareceu com uma prancheta em mãos e começou a dizer os pares para a aula.

- Eu e Annabeth, Clarisse La Rue e Connor Stoll, Travis Stoll e Katie Gardner, Chris Rodriguez e Benjamim Jones, Nico Di Ângelo e Leo Valdez, Carollyn Black e Sammy Hellthorne...

Vá para a Drew que pariu! [N/Sammy: Pela primeira vez, concordo com ela] Não vou fazer a aula de canoagem com aquela idiota com cabeça de pimentão! [N/Sammy: Agora não concordo mais...]

Hellthorne e eu nos encaramos por um momento e bufamos. Fomos para a canoa mais próxima e entramos. Como eu não dei o menor sinal de que iria remar, Sammy fez o serviço.

- Tire os óculos escuros – mandou ela – Não está sol.

- Está sim, tenho olhos sensíveis – respondi.

A filha de Ares olhou rapidamente para cima e nuvens cobriram o sol. Meus olhos ficaram azuis e eu tirei os óculos, encarando-a.

- O que você é, garota?

- Não te interessa.

Ah, é? Sorri e perguntei novamente, mais melodiosamente.

- O que você é, Sammy?

- Um... Legado – respondeu ela, lutando para permanecer em silêncio. Em vão. – O Número Onze... Sou um legado de Lorien. Um extraterrestre, se preferir. Tenho diversos poderes, entre eles está o poder de controlar o clima. Minha mãe é uma guardiã de meu planeta natal.

... Poha, e eu achando que ela era entediante.

Hellthorne sacudiu a cabeça e me encarou com raiva.

- Você também não é humana! Nenhum semideus normal tem esses poderes de persuasão! – acusou.

- Eu nunca disse que era normal – brindei-a com um dos meus sorrisos de deboche.

Ela diria mais alguma coisa irritante, mas um tentáculo agarrou nossa canoa e nos puxou para dentro do lago.

Cadê aquele filho de Poseidon quando se precisa dele?

O monstro tinha segurado Sammy e me puxado para o fundo do lago. Abri os olhos e comecei a nadar para fora. Que se dane aquela idiota, vai ser um peso a menos para mim. Porém ela segurou meu braço enquanto eu saía, de forma que eu não pude ir embora.

Peguei a faca que estava dentro do meu casaco e enfiei no olho do monstro. Ele berrou dentro d’água. Fiz cortes profundos que fizeram a água tingir-se de vermelho. Meus pulmões pareciam que iam explodir.

Mas mesmo assim, ele não nos soltou. Nadei até seu olho não esfaqueado e gritei com meu último fôlego:

- SOLTA!

O monstro nos soltou na hora e nadamos para a margem oposta onde estava a multidão. Quando nos sentamos na grama, com todos vindo em nossa direção, Sammy me olhou, arregalou os olhos verdes ao ver os meus dourados e disse:

- E você, Black? O que você é?

Apesar de estar cuspindo água, respondi com um dos meus sorrisos enquanto meus olhos ficavam azuis.

- Como diria o sábio Coringa, “É bom saber que não sou o único fingindo ser normal” – falei – E vou te dizer uma coisa, Hellthorne. Acho que você não vai gostar de saber quem eu sou.