Acampamento Das Aberrações
5 Carollyn é outra aberração
POV. Samantha Hellthorne
– Como diria o sábio Coringa, “É bom saber que não sou o único fingindo ser normal” – falou – E vou te dizer uma coisa, Hellthorne. Acho que você não vai gostar de saber quem eu sou.
Vejam bem: eu sou muito curiosa, esse é meu defeito mortal de meio-sangue, isso poderia ter me matado bilhões de vezes, mas eu também sou muito astuta, por tanto ainda estou viva.
Após a citação de Carollyn — eu também amo o Coringa, meu vilão favorito — todos foram nos ajudar, Benjamin correu para ajudar Carollyn, aquele puto traidor! E outro alguém me ajudou e esse alguém quase fez eu desmaiar.
Ian Bucker é o filho de Deméter mais lindo que existe, não é só porque ele parece o Matthew Lewis, só um pouquinho, tem cabelos castanhos, pele pálida e olhos castanhos, que sempre mudavam de acordo com a estação, no momento eles estavam azuis; no inverno ficavam cinzentos; na primavera, verdes; no outono, castanhos alaranjados. Ele é uma pessoa muito sociável e engraçada, mas eu tenho medo que ele descubra meu segredo.
— Sammy, está tudo bem? — perguntou ele preocupado.
Tossi nervosamente.
— Eu estou bem. Mas preciso fazer uma...coisa. — desvencilhei-me de sua ajuda e corri para o chalé de Ares.
Abri a porta rapidamente e olhei em volta, meus irmãos me olharam surpresos, mas simplesmente ignorei-os, fui até a cama na janela e peguei uma caixa que ficava sempre debaixo da cama, coloquei a mão no cadeado e ele não abriu, merda de feitiço, eu precisava checar. Eu me lembro que minha mãe me dizia que sempre que eu corresse risco de vida, eu devia tentar abrir aquela caixa.
Pelo o que sei, a arca só abre ao meu toque junto com o de meu Cêpan, mas eu não tive um nomeado oficialmente, portanto eu sempre achei que abriria. Talvez meu Cêpan esteja nesse acampamento, mas eu não tenho certeza, demora para se localizar um de nós. Sei que estou fora da lista dos mogs, eles não sabem sobre o bebê da Estação Espacial Loriena, o Número Onze.
Olhei para as duas cicatrizes em minha perna, Número Dois e Um, mortas. Eu sei que são garotas, eu as vi.
Peguei a arca e coloquei-a em uma mochila, peguei no banheiro uma toalha e me sequei, trocando de roupa, coloquei meu casaco e puxei a mochila sobre o ombro, saindo do chalé.
No meio do caminho encontrei Benjamin que andava rumo a floresta também.
— Sammy! — exclamou sorrindo alegremente. — Você não vai acreditar!
Revirei os olhos.
— Deixa de ser viado e fala. — resmunguei.
Ele me encarou por um instante.
— Carollyn me convidou para ir com ela à floresta. — ele disse todo alegre.
Engasguei.
— ELA O QUE? — gritei.
Ele pareceu um pouco assustado, mas depois sorriu.
— Entendi! — exclamou — Você está com ciúmes.
— O que? Não! — exclamei.
— Admita que me ama. — disse ele.
— Seu filho de Atena mesquinho... — comecei, mas então me lembrei. — Você deve estar certo, mas é ciúmes de melhor amiga, sabe como é, tenho medo de que você deixe de ser meu amigo!
Ele riu e passou um braço por meu ombro até o outro me abraçando, ou melhor me espremendo contra ele.
— Ben, está me enforcando! BEN PARA! — gritei.
Ele parou.
— Desculpe.
— Tudo bem, vai para o seu encontro e aproveite.
Ele corou fortemente e foi embora, o segui discretamente e vi Carollyn conversar com ele sorrindo, passar a mão por seu braço e levá-lo para a floresta, a ela não vai matar meu melhor amigo.
Pulei de árvore em árvore seguindo aqueles dois, Carollyn e ele estavam conversando quando eu resolvi que era hora de espantar o filho de Atena.
Olhei para o céu e formei uma ventania que soprou algumas folhas das árvores, logo depois fiz cair uma grande tempestade, sério, nem a barreira do acampamento me segura.
Ben rapidamente se despediu de Carollyn como eu havia previsto e ela olhou diretamente para onde eu estava.
— Eu sei que está aí. — disse ela raivosamente.
Desci habilmente da árvore, e olhei para o céu, imediatamente a chuva parou.
— O que é você? — perguntei.
Ela riu e sentou-se.
— Acho melhor se sentar, é uma história longa.
Me sentei de frente para ela.
— Eu sou uma conjuradora, aquela que faz magia.
— Uma bruxa?
— C-O-N-J-U-R-A-D-O-R-A. — soletrou. — Enfim, cada um de nós tem um dom especial e eu sou uma Sirena, uma pessoa que pode controlar os outros com a voz, como as sereias. Quando conjuradores fazem dezesseis podem escolher se irão ser invocados pela Luz ou pelas Trevas, eu escolhi as Trevas. — fiz menção de perguntar o porquê — Não te interessa. Pois bem, é mais ou menos isso.
Eu estava perplexa. Que garota doida, eu achando que minha vida era enrolada! Essa aí é muito pior.
— Agora vai embora, eu preciso ficar sozinha! — exclamou ela.
Corri para meu chalé em choque, deitei na cama com aquela roupa mesmo e dormi. Acordei antes da corneta, de novo o descontrole, senti um leve zumbido antes de...
— Quero que tire ela daqui! — gritou uma voz.
— Senhor Zeus, Carollyn precisa de apoio — disse a voz de Quíron — Ela é uma semideusa poderosa, podemos controlá-la.
— Eu já abri várias exceções! A ruiva e o Ellen. Ambos continuam no acampamento, mas essa garota é muito! — berrava Zeus. — Quero ela fora daqui antes que mate alguém ou eu mesmo o farei.
Após a ordem, percebi que Zeus havia desaparecido.
Levantei apressadamente com a roupa do corpo e corri até o chalé de Hécate, bati na porta nervosamente, Carollyn atendeu.
— O que você quer? — perguntou mal-humorada.
— Desculpe interromper seu sono majestade, mas quero impedir que você seja expulsa do acampamento.
Ela me olhou confusa.
— Eu te explico se me deixar entrar. — pedi.
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