Notas iniciais
pessoal, agora é hora d falar serio aslas estao começando e eu ja vou avisando q é bem provavel da fic entrar em hiatus pq? pq além da escola na parte da manha eu vou ter cursinho na parte da tarde e a noite sera reservada pra deveres, estudo pras provas da escola e pra dar aulas pra uma amiga minha q n vai largar a escola por causa d problemas financeiros... finais d semana serao quando eu poderei me dedicar a minhas atividades extracurriculares entao SE EU CONSEGUIR ARRANJAR TEMPO vai ser so nesses dias...

LEIAM AS NOTAS INICIAIS

Sentada na beirada da cama, as pernas abertas, os cotovelos apoiados no joelho e minhas mãos sustentando minha cabeça, encarava fixamente o calendário na parede. Hoje era dia 31 de dezembro e o relógio marcava exatamente 13 horas e 37 minutos.

Por falar nisso, agradeci mentalmente a escolha de Charlie por um relógio de ponteiros ao invés de um digital, pois o barulho constante do ponteiro dos segundos preenchia o quarto o dia inteiro e, apesar de monótono, era reconfortante... Mostrava que o tempo não havia parado.

Diferente de todos os outros dias, Charlie dessa vez não veio de manhã trazer o meu café, ou seja, eu estava com muita fome... Se bem que, considerando as outras vezes em que passei fome nesses últimos tempos, não estava em uma situação tão desesperadora... Na verdade, meu estômago apenas roncava e doía. Pois é, não era tão ruim.

Conformada, decidi parar de pensar nisso e levantei-me. Tomei um banho, escovei os dentes e penteei meus cabelos... Acho que nunca estive tão limpa na vida e meu dentista ficaria orgulhoso em ver meus dentes... Já que essas são as únicas coisas que posso fazer aqui, eu acabo fazendo-as umas cinco ou seis vezes por dia.

Fiquei deitada de lado na minha cama olhando para os ponteiros do relógio se mover e o calendário com os dias que haviam se passado rasgados... O calendário já estava rasgando... Será que Charlie me daria um novo ano que vem?

Então um pensamento veio a minha cabeça. Charlie sempre vinha no mesmo horário trazer minha comida e eu sabia o quanto metódico e organizado ele era com compromissos... Por que motivo ele não trouxe o meu café ou o meu almoço?... Será que alguma coisa havia acontecido com ele?

Sentei na cama assustada. Isso era péssimo por vários motivos. Charlie provavelmente era o único que sabia da minha localização e ele era o responsável por me alimentar, ou seja, se algo acontecesse com ele, eu ficaria sozinha aqui passando fome até finalmente morrer. Enterrada viva. E ninguém nunca saberia o que aconteceu comigo...

E havia outra coisa... Bom, para começar, Charlie era o único ser humano com quem eu falava a mais de duas semanas, ele era responsável pelo meu único contato humano... Odeio admitir isso, mas estava preocupada com ele... Não queria Charlie longe de mim mais... Não se isso significasse ficar confinada a fome e a solidão...

Mordi os lábios. Isso não era lá a coisa mais comum a se sentir por um sequestrador... Eu poderia estar suspeita a tão famosa Síndrome de Estocolmo, mostrada de forma tão romântica nos livros?

Não, acho que não. Eu não aceitava o que ele havia feito. Eu queria ir para casa, eu queria minha família e meus amigos. Eu não queria passar o resto da minha vida com ele. Se um dia eu conseguir fugir daqui, a última coisa que vou fazer é encontrá-lo. Nunca mais vou querer nem sequer ouvir o nome dele.

— Eu irei matá-lo quando sair daqui.

Eu disse com convicção para o nada.

Cinco segundos depois me assustei com isso.

Eu acabei de dizer que iria matar alguém... Tudo bem, alguém que me sequestrou, estuprou e torturou, mas ainda assim, era um ser humano. E eu disse isso com tanta seriedade e parecendo ter tanta certeza... Eu disse que cometeria um assassinato!

Comecei a apertar minhas mãos nervosamente... Pouco mais de duas semanas nesse lugar e eu disse que cometeria um crime... O que mais eu seria capaz de fazer? Daqui a um mês ou dois, será que eu estaria de fato matando alguém? Será que estaria matando Charlie a sangue frio?

Céus, precisava sair daqui. Precisava sair daqui rápido!

Lá pras nove horas da noite todas as luzes de repente se apagaram. Estiquei a mão e apertei o interruptor da lanterna à pilha em cima da minha cabaceira. Depois daquele dia em que Charlie disse que eu carregava um olhar idiota, as luzes passaram a se desligar diariamente e ele trouxe para mim a lanterna, pois eu disse que não gostava do escuro.

A lanterna não me deixava com menos medo ou menos incomodada, mas já era alguma coisa. E eu preferia essa alternância de luminosidade, pois assim podia ter pensamentos mais complexos e eles me ajudavam a passar o tempo.

Eu sentia falta do sol. Há quanto tempo não via o sol? Ficar ao ar livre, sentir a grama e a terra sob meus pés, ouvir o vento batendo nas folhas das árvores, o leve pio dos pássaros e a sensação de calma e acolhimento que o sol me fornecia... Prazeres tão simples e a mercê de todos, foram negados a mim...

Virei de lado na cama e mirei a lanterna acesa para o calendário. No topo do mês de Dezembro havia uma imagem de uma cachoeira no meio de um bosque. Respirei fundo e encarei a gravura, imaginando na minha cabeça o som da água caindo e batendo nas pedras no fundo do rio, o barulho que os peixes faziam ao nadar e darem pulos na superfície, os insetos ao redor estalando, os sapos coachando, o vento soprando... Ouvia aquilo tão intensamente que parecia real.

Assim, adormeci ouvindo os sons da floresta.

Não sabia quantas horas eram ou quanto tempo havia passado, mas em algum lugar entre o véu dos sonhos e a realidade, senti um sopro no meu ouvido e um sussurro baixinho:

— Acorde, pequena Emily. Tenho uma surpresa para você.

Despertei-me lentamente, espreguiçando-me. Estava com sono e provavelmente ainda era noite, pois as luzes do meu quarto ainda não haviam sido acesas. Ao me virar na cama, dei de cara com Charlie. A luz da lanterna apontava para ele que se vestia socialmente e todo de branco, seu cabelo estava perfeitamente arrumado e ele exalava um perfume forte e cítrico. Será que estava em algum tipo de festa de ano novo?

Esfregando os olhos e bocejando eu me sentei na cama. Senti quando ele pousou algo em cima de mim e mandou que eu vestisse.

Já tinha aprendido a não negar as ordens de Charlie, então eu me levantei e fiz o que ele havia me mandado usando a luz da lanterna. Apesar de ser uma roupa íntima era linda e elaborada. A babydool era branca e ia até o fim da minha bunda, havia delicadas rendas no busto e na barra e uma fita em tom pérola amarrada abaixo dos seios (link nas notas finais ). Depois que havia me vestido, Charlie se inclinou aproximou-se de mim e disse:

— Agora, nenhuma gracinha, ouviu bem?

Eu nada disse, apenas afirmei com a cabeça. Ele pediu que eu lhe desse minhas mãos e quando as ofereci ele as prendeu com algemas prateadas. Depois se inclinou na minha frente e fez o mesmo com os pés para logo depois soltar a minha tornozeleira... A última vez que ele havia feito aquilo foi para me trazer aqui... Será que ele iria me levar de volta para aquele porão frio e escuro?! Mas eu tinha feito tudo certo! Eu estava sendo uma boa menina do jeito que ele queria! Ele não podia fazer aquilo comigo de novo?!

Minha voz saiu carregada de medo quando eu disse:

— P-pra onde vai me l-le-levar?

Charlie ficou em pé na minha frente de novo, sorriu e disse:

— Não se preocupe.

Ele tirou uma grossa fita branca de seda do bolso e deu a volta em mim. Senti-o colocando a fita sobre os meus olhos e amarrando com força atrás da minha cabeça, apertando mais que o necessário e puxando alguns fios de cabelo.

Não conseguia ver nada daquela forma, então tomei um susto e enlacei o pescoço de Charlie quando senti meus pés abandonando o chão e ele me segurando no colo. Sua respiração batia do lado da minha cabeça e eu o ouvi dizendo:

— Apenas precaução.

Ele começou a andar e meu coração acelerou no peito quando percebi que estávamos saindo do quarto. Mexia a cabeça para todos os lados tentando soltar a fita de mim para poder identificar o caminho qual ele tomava e saber a localização do meu cativeiro, mas não consegui.

Ele estendeu meu corpo e percebi que passava por um local pequeno e apertado. Fui deixada em um chão frio e úmido e ouvi alguns barulhos ao meu lado, provavelmente Charlie tentando passar pela mesma passagem que eu. Depois fui colocada novamente no colo e subimos um pequeno lance de escadas. Os passos de Charlie começaram a emitir um barulho diferente e agora parecia que o chão era feito de algum tipo de metal. Pouco tempo depois percebi que o ar ficou mais fresco, percebi que o cômodo em que estávamos agora era constantemente aberto, diferente dos outros, e o material do qual o chão era feito mudou novamente para o que percebi ser madeira, pois era o mesmo da minha casa.

Ouvi um barulho metálico de algo se arrastando atrás de mim e alguns bipes e cliques. Recomeçamos a andar e viramos em vários lugares, meu coração batia cada vez mais rápido e minha respiração cada vez mais ofegante. Eu me encolhia no colo de Charlie com medo do que me aguardava.

Então ouvi uma porta se arrastando na minha frente e logo fui chocada com um vento forte e um frio tremendo. Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram, meus dentes começaram a bater e eu instantaneamente fiquei em alerta. Onde estávamos?

Charlie deu mais alguns passos e me pousou no chão... Era macio e pinicava um pouco, parecia um tapete.

Senti-o atrás de mim desamarrando a fita e de repente meus olhos não estavam mais cobertos... A visão era de tirar o fôlego.

Estava em uma espécie de quintal e, como suspeitava, era de noite. O céu era negro e havia milhares de pontinhos brancos brilhantes, estrelas, a lua estava alto no céu na forma de um fino “C”.

Olhei para baixo e percebi estar pisando em grama! Era gelada e estava molhada de orvalho. Mexi com os dedos dos pés e tentei enterrá-los na terra. Que sensação deliciosa!

Eu parecia estar em um sítio, pois não via quaisquer construções humanas ao meu redor, apenas arvores e vastas campinas. A minha frente a grama se estendia até um pouco a frente e depois havia três degraus de pedra branca que se expandiam e viravam um chão que circundava uma grande e iluminada piscina. Após a piscina, havia uma extensa área de grama bem aparada e ao fim um lago com um píer.

Queria passear por aquele belo lugar, mas quando dei um paço, senti as algemas apertando e puxando a pele do meu tornozelo e eu tropecei e caí como se tivesse pisado em um cadarço desamarrado.

Tentei amparar a queda com as mãos, porém elas também estavam presas e acabei me atrapalhando e caindo de cara. O chão não era tão duro por estar coberto de grama e terra, mas ainda assim, senti meu cérebro chacoalhando dentro da minha cabeça.

Vi os pés de Charlie ao lado de minha cabeça, senti sua mão me pegando por um dos braços e me puxando com força pra cima. Com a voz neutra ele disse:

— Você não pode sair daqui.

Eu também não disse nada, apenas confirmei com a cabeça. Fiquei olhando para o chão enquanto o sentia retirando folha e terra dos meus cabelos e alisando minha roupa meio suja.

Meus olhos arderam querendo derramar lágrimas... Minha mente me alertava que apesar de parecer que eu estava livre e do lado de fora do meu cativeiro, era mentira... Porque a prisão de Charlie se estendia até muito além das paredes do meu quarto no subsolo... Estendia-se além da tornozeleira de ferro presa em mim... Sua prisão estava em minha mente e em meu coração... Meu corpo estava enjaulado por barras invisíveis dos materiais mais resistentes do mundo... O pânico, o temor e o medo...

Antes de perceber eu estava chorando e soluçando no meio do jardim. Eu não sentia mais Charlie tão próximo de mim, mas sabia que ele estava em algum lugar, espreitando, vigiando, tomando cuidado para não perder de vista seu brinquedinho...

Ajoelhei na grama e coloquei as mãos nos olhos, deixando que as lágrimas rolassem soltas pelos meus olhos... Como se não aguentasse o peso do meu corpo, desabei e colei minha cabeça na terra abaixo de mim.

O vento gélido de dezembro batia nos meus braços e pernas descobertos me causando calafrio, sentia meu estômago roncar e revirar clamando por comida, meus olhos ardiam e meu nariz estava entupido...

Não fiquei muito tempo daquele jeito, só sei que comecei a me sentir desconfortável. O espaço era tão grande, tão sem limitação... Eu queria as paredes, elas me deixariam seguras... Elas me faziam pensar que Charlie só tinha controle físico sobre mim.

Aqui fora, sob o luar, sem seu corpo perto de mim e ao ar livre... Eu sabia que seu controle também era psicológico... E isso me assustava... Puta merda, como me assustava...

Minha voz saiu baixa e engasgada quando eu disse:

— Me tira daqui. Quero ir para o meu quarto.

Como num passe de mágica, de repente, o corpo de Charlie estava acima de mim. Alto, forte e, na minha visão, invencível... Ele era o homem mais poderoso do mundo... Do meu mundo... Ele controlava quando eu andava, quando eu comia, quando eu pensava, quando eu saía... Tudo... Ele me controlava.

Senti quando ele apertou a venda nos meus olhos e quando me pegou no colo novamente. Não falei nem protestei em todo o caminho de volta para minha “cela”. Quando ele tirou a fita de seda, ela estava molhada por ter entrado em contato com minhas lágrimas.

Também não ouvi nenhuma palavra sua e não tive coragem de lhe pedir que me trouxesse comida antes que ele saísse do quarto.

Só sei que naquela noite de ano novo, fui deitar tremendo de medo, soluçando e chorando, com fome e pensando o que minha família estava fazendo e se estavam sentindo minha falta... E desejando com todas as forças que estivessem.

Era a única coisa que me mantinha viva aquela altura... Eu queria estar viva para eles. Se eu fosse forte e aguentasse por eles, logo meu sofrimento pararia e eu reencontraria minha mãe e minha irmã que ficariam orgulhosas de mim... Sim, elas ficariam.

Assim, caí no sono.

Notas finais
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