Notas iniciais
Olá, pessoas!
Desculpem-me o meu exagerado atraso. Espero que continuem lendo a fic e tenham paciência comigo.
Boa leitura!

— Armin, você...

— Não! É... É um problema de f-família.

— Armin, eu sei que sou um pouco lerdo, mas agora você está me subestimando. Acha que eu sou burro? Olha, não tem problema. Quero dizer, não posso negar que é estranho, mas você é o meu único amigo aqui e eu não quero deixar de falar com você só por causa disso. Vamos... Vamos esquecer isso, tudo bem? – ele assentiu e rumamos para a próxima aula.

Durante o resto da manhã nenhum de nós disse uma palavra. Não tinha como esquecer o que aconteceu. Temo que essa situação constrangedora se estenda por algum tempo. Armin é muito legal, mas o que ele viu em mim, sinceramente? Eu sou idiota, não devo ser bonito, porque ninguém se interessou por mim antes dele, sou irritante, tenho mil outros defeitos. Não vejo uma qualidade em mim.

Quando a manhã acabou, não senti fome. Aproveitei o meu tempo livre para esfriar a cabeça e pensar sobre o que aconteceu com Armin e eu. Incrivelmente, encontrei a biblioteca. Havia uma mulher sentada atrás da bancada.

— Pois não?

— Hum... Vocês têm anuários antigos guardados? – ela assentiu com a cabeça.

— Só um minuto. – ela desapareceu atrás de uma prateleira no fundo da biblioteca. – Você quer de que ano?

— Pode ser de uns vinte anos atrás.

— Aqui está. – ela me entregou um livro muito pesado.

Eu fiquei folheando o anuário em busca de alguma coisa que explique como eu vim parar aqui nessa escola. Se ela é tão escondida, como a minha mãe a encontrou? Eu passava as páginas sem prestar muita atenção quando, de repente, encontrei uma foto minha, com outros estudantes. Espere um minuto. Isso não é de vinte anos atrás? Como há uma foto minha ali? Eu li todos os nomes e vi que estava enganado. Dizia, entre tantos outros nomes, “Grisha Jaeger”. Meu pai estudou aqui? Eu não sabia que ele era tão parecido comigo quando jovem. Então eu vim parar aqui porque meu pai era estudante da MHS. Preciso descobrir mais detalhes. Talvez eu consiga entender o que aconteceu com ele. Hanji será muito útil para isso.

— Eu posso retirar esse livro?

— Claro, venha aqui fazer a sua ficha.

Eu sabia que Armin podia me ajudar com isso. Mas não sei se é uma boa ideia pedir ajuda a ele depois do que aconteceu hoje. Deixarei para perguntar a ele quando esse assunto estiver esquecido, se isso for possível.

Quando entrei em meu dormitório, Armin não havia voltado do almoço ainda. Escondi o livro no meu armário e deitei-me em minha cama. Armin chegou logo depois.

— Por que você não foi almoçar?

— Porque eu não estava com fome. Depois eu como alguma coisa. – eu notei que ele evitava olhar em meus olhos. Eu ainda tinha que resolver as questões de matemática, mas não conseguiria sozinho. – Armin, você pode me ajudar com as atividades que o professor Levi passou para mim? – ele hesitou.

— T-Tudo bem. – sentei-me na escrivaninha e ele pegou uma cadeira e a levou ao meu lado. Ao se aproximar de mim, corou levemente. Já estava me acostumando com isso. – Até onde você fez?

— Eu terminei só a primeira questão.

— Você não sabe por onde começar? – eu neguei. – Tudo bem. Temos: “x² + 2x – 8 = 0”. – ele continuou a explicar o conteúdo. Tenho que admitir que Armin explica bem. Às vezes eu me perdia no seu raciocínio maluco, mas ele retomava e explicava quantas vezes fosse necessário. Estávamos terminando o terceiro cálculo, quando olho o relógio: 13h58min.

— Oh, não! Eu vou me atrasar! Armin, muito obrigado pela ajuda. Agora eu tenho que ir. Até mais.

— Boa sorte, Eren.

Eu não entendi o sentido da frase de Armin, mas no momento eu não podia pensar. Eu tinha dois minutos para ir à sua sala, e eu nem sabia onde as escadas ficam. Saí em disparada pelos corredores e, por sorte, as encontrei. Subi um andar como se a minha vida dependesse disso – e talvez dependesse, mesmo – e parei em frente à sua sala. Verifiquei o relógio. Maravilha. Atrasado. Bati à porta. Levi atendeu, com um olhar nada amigável.

— Está atrasado, pirralho. Essa não é a primeira vez que o senhor desrespeita horários. Da próxima vez você recebe detenção, entendeu? Entre.

— Sim, senhor. – entrei na sua sala e reparei que Levi havia colocado uma cadeira do lado da sua. Sentei-me em uma das cadeiras e ele sentou-se ao meu lado.

— Muito bem. Nós paramos no primeiro exercício, certo?

— Na verdade, senhor, eu resolvi o segundo e estava quase no final do terceiro. – ele ergueu uma sobrancelha.

— Mostre-me. – dei o caderno a ele. Levi ficou um pouco surpreso. – Como você conseguiu resolver sozinho?

— Meu amigo Armin Arlert me ajudou. – Eu não consegui ler a sua expressão. Não dava para saber se era indiferença ou de desagrado.

— Então termine os exercícios.

— Mas, senhor... Eu não sei se vou conseguir.

— O seu amigo não lhe ensina matemática? Agora se vire. – e saiu da sala. Eu não entendi a sua atitude. Tentei resolver a questão. A equação estava embaralhada e eu tive grande dificuldade em terminá-la. Acredito que esteja tudo errado.

Levi entrou carregando duas xícaras de café. Será que ele não vive sem café? Parece um vício. Sentou-se e disse:

— Já fez a terceira questão? – eu assenti e ele a corrigiu. Ele deixou escapar um sorriso torto. – O que você fez aqui, Eren? Está tudo errado. Você tem que descobrir o discriminante primeiro. Depois você resolve o resto da conta.

— Mas Armin disse que dá pra fazer direto. – Ele se irritou.

— Quem é o professor aqui? Você fará da minha maneira. Se o senhor Arlert soubesse mesmo ensinar matemática, você teria acertado essa questão. Além disso, você não consegue fazer direto como ele. Você só irá se atrapalhar. Resolva passo a passo. Vai ser melhor para você. Não quero mais você tendo aulas com ele. Nós temos duas maneiras diferentes de resolver equações e você não entenderá nada aprendendo com os dois.

— Sim, senhor.

— Beba o café. Daqui a pouco ele esfria.

Ele explicou questão por questão me deu uma tonelada de exercícios para resolver sozinho. Ele, na hora de corrigir, encontrava um errinho aqui e ali, mas eu consegui acertar a maior parte das questões.

Não consigo entender como aquele homem me hipnotiza. Enquanto ele explicava o conteúdo seguinte, eu não conseguia parar de olhar aqueles lábios finos, que se encaixavam tão bem nos meus. Eren, o que você está dizendo? Controle-se! O que você sente é admiração pelo seu professor. Aquele beijo foi um acidente! Tinha que ser, não tinha? O baixinho ergueu a cabeça para me encarar e, ao perceber que eu não estava prestando atenção, Deu um tapa na minha cabeça.

— Ouça o que eu tenho a dizer, pirralho! – gritou. – Acha que eu tenho todo o tempo do mundo para lhe ensinar matemática? O mundo não gira ao seu redor, não! – eu corei violentamente, sem saber o motivo. Ele deu um sorriso torto. – Posso saber o que estava pensando? Por que estava olhando para os meus lábios? – senti o meu rosto queimar. Levi parecia estar se divertindo com isso. Eu desviei o olhar, constrangido. Senti o seu rosto se aproximar do meu. Nossos lábios estavam quase se encostando, quando a minha barriga roncou. Essa foi por pouco. Ele se afastou. – Você não almoçou? – ele agiu como se nada tivesse acontecido.

— Não, senhor.

— Eu vou buscar algo para você comer. Você não aprenderá nada com fome. Não mexa em nada.

Levi saiu novamente da sala. Alguns minutos depois, retornou com uma maçã. Eu estendi a mão para pegá-la, mas fui interrompido.

— Você já lavou as mãos?

— Não.

— Então está esperando o quê? – saí apressado da sala e procurei o banheiro. Demorei um pouco para achar. Lavei as mãos e retornei.

— Agora você pode comer. – ele entregou-me a maçã. Ele continuou a explicar o conteúdo novo enquanto eu comia. Ele me deu mais exercícios e, enquanto eu os resolvia, serviu mais café.

Em um momento eu tive que apagar um borrão. Quando afastei os farelos da borracha, acidentalmente bati o meu braço na minha xícara de café, fazendo com que ele derramasse no colo de Levi. Ele soltou uma exclamação de dor. Afinal, “aquele lugar” acabou queimado com o café. Levantei-me bruscamente.

— D-Desculpe, senhor! – gritei, aflito. Corri em direção ao seu armário e peguei o primeiro pano que apareceu na minha frente. Eu me ajoelhei à sua frente e comecei a tirar o excesso de café de seu colo. Ele deu um pulo, surpreso. Olhei para o seu rosto. Percebi que ele havia interpretado errado o que eu estava fazendo e me afastei rapidamente. Nunca fiquei tão constrangido na minha vida. O meu rosto só não ficou mais vermelho porque era impossível. – Eu vou à enfermaria pegar uma pomada para queimadura e já volto! – e saí correndo escada abaixo.

Depois de conseguir a bendita pomada, rumei escada acima. Ele não estava na sua sala. Devia estar trocando de roupa. Subi até o andar do dormitório dos professores e encontrei uma porta entreaberta. Entrei no quarto. Estava perfeitamente arrumado, então devia ter entrado no quarto certo.

— P-Professor Levi? O senhor está aí?

— O que você quer, Eren? – disse Levi, de um lugar onde não podia vê-lo.

— A sua pomada... – ele apareceu, vestindo uma calça limpa e segurando a outra na mão.

— Obrigado. – pegou a pomada e rumou para o banheiro. Ele deixou uma fresta da porta aberta, mas acredito que não tenha percebido. Baixou a calça e começou a passar a pomada. Eu não consegui desviar os olhos daquela bunda. Era tão... Perfeita. Impossível não olhar. Ele virou de lado e eu não acreditei no que estava olhando. A visão era tão embaraçosa que eu fiquei muito vermelho. Eu não sabia que aquilo podia atingir aquele tamanho. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia desviar o olhar. Eu estava ofegante. E o meu corpo não respondia aos meus comandos. A minha parte de baixo estava despertando. Isso nunca aconteceu! Eu nunca tive atração por homens! Devem ser os hormônios. Quando ele vestiu a calça eu vi que estava ferrado. Havia um notável volume em minha calça e eu não conseguiria esconder.

Levi saiu do banheiro. A primeira coisa que ele notou foi a minha excitação. Fiquei sem reação e ele ergueu a sobrancelha, extremamente surpreso. Levi olhou para a porta do banheiro às suas costas e teve o atrevimento de olhar novamente o meu volume incomum nas partes de baixo.

Ter Levi me vendo daquela maneira me fez desabar por dentro. Aquele tinha sido o momento mais constrangedor da minha vida, mas não era só isso o que me abalava. Eu tinha medo. Medo de não tê-lo mais olhando para mim. Medo de não poder ter mais aulas extras com ele. Medo de não poder vê-lo todos os dias. Medo de perdê-lo.

Perdê-lo? Eu nunca o tive, para falar a verdade. E não sei por que me importo tanto com isso. Não é normal agir assim por causa de um professor, certo? É normal se apaixonar de um dia para o outro? Se apaixonar? Será mesmo o que eu estou sentindo? Por um homem, ainda por cima devendo ter o dobro da minha idade? Talvez eu esteja mesmo apaixonado. Louco por alguém que não posso ter. E nunca terei. Por que isso é tão complicado?

Até hoje eu nunca pensei que fosse possível gostar tanto de alguém em tão pouco tempo. Amar? Creio que não. Mas o meu sentimento era forte. Ele tem um ímã, que me atrai cada vez mais. Não sei se é a sua voz aveludada ou aqueles olhos penetrantes. Aquele comportamento tão misterioso. O seu perfeccionismo. A maneira fofa como me chama – “Oy, Eren” ou “Pirralho”. A sua falta de expressão facial. O quanto se importa com os seus estudantes. Tudo me atraía.

Mas agora isso tudo se perdeu, porque essa situação é muito desconfortável. Depois de ter me visto assim, todo o pingo de respeito que sentia por mim deve ter se esvaído. Ele deve estar sentindo nojo de mim agora. E isso era, de longe, o que eu mais temia. O vazio que sempre senti em meu peito, preenchido após ter vindo a essa escola, estava maior do que nunca. O que farei se ele se recusar a continuar com as aulas de reforço? Será que eu conseguirei aguentar a falta que ele fará todos os dias para mim?

— Oy, Eren... – lágrimas silenciosas escorreram, sem que eu sequer percebesse no momento, e caíram no chão. Aquilo foi demais para mim. Não queria que Levi me visse naquele estado. Fugi dali. Como um perfeito covarde, não tive coragem de enfrentar a sua reação.

Quando entrei em meu dormitório, Notei que Armin não estava. Encostei-me na minha cama e não consegui segurar o choro. Solucei, sem parar. Chorei de vergonha, de medo, de ódio, de tristeza. Uma enorme mistura de sensações explodiam dentro de mim, e eu não pude fazer nada além de chorar. Chorar por algo que nunca tive. Patético, não?

Armin entrou no quarto.

— Eren! – veio correndo ver o que estava acontecendo. Eu não o encarei. – O que aconteceu? – Eu não consegui falar nada. A minha voz não saía. Ele afagou os meus cabelos com carinho. – Não chore, Eren. Você não sabe o quanto é horrível te ver assim. – Pode me contar o que aconteceu?

Eu contei a ele, não deixando de soluçar, tudo o que aconteceu. Ele assentiu, sem em nenhum momento parar o carinho reconfortante que estava fazendo nos meus cabelos.

— E se ele nunca mais olhar para mim, Armin? E se ele me tratar com desprezo? E-Eu não sei o que faço, Armin! Eu mal o conheci, mas dói tanto. – Ele fez um “shhh”.

— Está tudo bem, Eren. Vai ficar tudo bem. – Eu não acreditei nas suas palavras. A única coisa que eu podia fazer era esperar. Abracei-o, despedaçado, e continuei a chorar baixinho. Ele me abraçou de volta, fazendo carinho em mim. Ele foi tão reconfortante que, quando percebi, tinha dormido em seus braços. Enquanto ele estivesse lá, estaria tudo bem. Pelo menos, era o que eu esperava.

Notas finais
E aí? Como ficou? Não sei se ficou um pouco apressado demais. Por favor, deixem críticas e sugestões.
Muito obrigada.
Kissus!!