Notas iniciais
Heey!
Espero não ter demorado muito para postar.
Boa leitura!

Meu queixo caiu.

— M- Mikasa? Você é a Mikasa? Mas que diabos aconteceu para você sumir do nada há tantos anos atrás? – Eu não podia acreditar. – Como a minha mãe não me disse nada? – E aí eu lembrei que ela tentou me dizer algo há algumas horas atrás.

- ... Com você. Faz tanto tempo que eu não a vejo. Você se lembra dela? Está me ouvindo, Eren? – Os meus devaneios me distraíram e eu não ouvi uma palavra do que ela disse.

— Hm? Ah, sim, lembro. – Ela não gostaria de saber que eu não prestei atenção no que ela estava falando.

– Diga a ela que eu mandei lembranças. – De quem ela está falando? – Ela vai te mostrar o colégio e te ensinar as normas de conduta.

— Bem, eu falei com a Sra. Jaeger por telefone antes de você chegar e ela disse que lhe contou sobre eu estar por aqui.

— Ah, eu acho que eu esqueci o que ela disse. – E dei um sorriso nervoso. Ela murchou. – N-Não! Não foi isso o que eu quis dizer. Quer dizer... – Parabéns, Eren. Você conseguiu desapontar a sua única amiga, se é que ela ainda é. – Na verdade, eu não prestei atenção no que ela disse. – Ela não se mexeu. – Digo... Se eu tivesse ouvido o seu nome, eu com certeza teria me lembrado. Eu estava distraído, acho. – Ela assentiu.

— Tudo bem. – Ela sorriu. – Quando os meus pais morreram, eu ia ficar morando na sua casa. De fato, eu fiquei vivendo lá por uma ou duas semanas. Depois disso, eu fui morar com a minha avó. Quando eu estava com onze anos, ela recebeu uma ligação da MHS avisando que eu tinha uma matrícula lá. E foi aí que eu vim parar aqui.

— E como eu nunca fiquei sabendo disso? – Ela ficou séria.

— Sinto muito, Eren. Eu não estou autorizada a lhe dizer.

— Como assim não está autorizada a me dizer? O que aconteceu de tão ruim para eu não poder saber?

— Eu não vou ceder, Eren. Não adianta me pressionar.

— Eu preciso saber! Eu passei mais da metade da minha vida achando que eu nunca mais iria te ver e agora você aparece e não me dá satisfações? Como você espera que eu fique? – Eu berrei. Não podia acreditar que ela negou me contar.

— Eren, se você ficar insistindo, eu saio daqui agora, você encontra o seu dormitório sem a minha ajuda e vai ficar sozinho. É isso o que você quer?

Eu já estava espumando de raiva. Mas, como eu não queria me perder nesse castelo imenso, desisti de perguntar a ela.

— Não pense que eu desisti de saber. Se precisar, vou até o fim do mundo para descobrir. – Murmurei. Mikasa fingiu não ouvir.

Eu não suporto que escondam coisas de mim. Por esse motivo, decidi perguntar à Hanji o que aconteceu quando tiver a oportunidade. Ela com certeza sabe de tudo.

Mikasa ficou me mostrando todos os lugares da escola. No térreo há a secretaria, a cantina, a enfermaria e todas as salas de administração da escola. Ela disse que há dois banheiros por andar, um em cada extremo da construção. As salas de aula e laboratórios ficam no segundo e no terceiro andar. No quarto andar estão os dormitórios do ensino fundamental e no quinto andar ficam os do ensino médio. Em ambos os dormitórios, os femininos ficavam na ala direita e os masculinos na ala esquerda. No sexto andar ficam os dormitórios dos professores e funcionários. Eu fiquei surpreso. Achei que, pelo menos, os professores dormissem fora da escola. Mikasa disse que é porque a escola é longe de tudo e seria muito ruim para os professores viajarem todos os dias para dar aulas. Eles só vão para casa nas férias, junto com os alunos.

Depois do meu tour pelo castelo inteiro (preciso dizer que eu já não aguentava mais ficar em pé?), Mikasa me levou até o meu dormitório.

— Você sabe quem será o meu colega de quarto? – Ela olhou na prancheta que carregava.

— Deixe-me ver... Você ficará com Jean Kirschtein. Ah, não... Hoje, quando ele chegou, pediu para ficar no mesmo quarto que o seu melhor amigo, Marco Bodt, que usa cadeira de rodas e tem paralisia do lado direito do corpo. Portanto, precisa do seu cuidado o tempo todo. Como Marco iria ter Armin Arlert como colega de quarto, vocês ficarão juntos. – Sorriu.

Nem consigo acreditar na minha sorte. Armin é tão legal. Que bom que ficaremos no mesmo quarto. Assim, eu não corri o risco de pegar alguém que eu não goste. E isso foi bom para ele também, pois, tímido do jeito que é, ele teria dificuldade de se enturmar com qualquer pessoa, e ele já está confortável comigo – pelo menos, é o que parece.

Chegamos à porta 512, o meu dormitório.

— Eren, é aqui que eu deixo você. Você tem a tarde livre, mas não se esqueça de comparecer à cantina às sete horas para jantar e de não sair do seu quarto depois das nove horas. Como os monitores só vêm amanhã, serão os professores quem farão a ronda e você não vai querer ser pego pelo professor de matemática, acredite. E nunca se esqueça de trancar a porta sempre que sair do quarto. Eu conheço quase todos os estudantes daqui e alguns tentarão entrar no seu quarto para destruir ou roubar objetos seus. Ah, sim, e as janelas dos quartos são grandes e não possuem grade, então mantenha sempre o vidro fechado ou, se estiver aberto, não se aproxime muito da janela. Você está no quinto andar e a queda seria muito feia. Se você não estiver muito bem, vá à enfermaria. E eu estarei no quarto 503 caso você precise de alguma coisa. Cuide para não se perder, está bem? O castelo é muito grande e...

— Eu sei me cuidar, Mikasa. – Interrompi. – Credo, você está agindo igual à minha mãe. Não precisa se preocupar comigo. Eu vou ficar bem. — Eu fiquei até enjoado em meio a tantos cuidados.

— Se você diz... Então tchau, Eren! Até mais. – E saiu.

Eu entrei no quarto e Armin já estava lá. Ele estava deitado na cama do fundo lendo um livro que eu deduzi ser sobre algum país que ele quisesse visitar. Eu sentei na cama vaga e encontrei as minhas malas ao seu lado. Havia no quarto um guarda-roupa para cada um. Eu guardei as minhas roupas no que estava vazio e deitei-me na cama.

— Ei, o que está lendo?

— Um livro sobre a Grécia. É muito interessante. Tem muitas fotos e curiosidades.

— Que legal! Eu também quero ver. – Eu fui até a sua cama e sentei-me ao seu lado. Ele ruborizou. Sério, o que há com esse garoto? Será que ele tem algum problema com temperaturas de vinte graus? Está sempre com calor. Eu devia pedir um ar-condicionado à Hanji. – Hum... Você está bem? Você não tem uma camisa mais leve? Eu posso te emprestar uma minha, se você quiser. – Ele ficou mais vermelho, se é que isso era possível.

— D-Do que você está falando?

— Você está muito vermelho. – Ele desviou o olhar. – Pensei que pudesse ser calor.

— S-Sim, é isso... Calor...

— Quer uma camisa emprestada?

— Não! – Ele exclamou. – Quer dizer, eu tenho camisas leves. Eu... Eu vou pegar uma. – Ele se levantou e vasculhou o armário, tremendo. Espere um pouco. Ele estava com frio ou com calor? Ele pegou uma camisa azul e olhou pra mim. – Quer fazer o favor de se virar? — Eu ri.

— Armin, por favor. Nós dois somos homens. Não precisa tudo isso. – Ele ficou um pouco tenso e se virou de costas pra mim. Ele começou a tirar a camisa. Percebi que ele era magro e esguio, apesar de sua estatura baixa. Ele olhou de canto para mim e, percebendo que eu o olhava, se vestiu rapidamente. – Por que toda essa timidez?

— Porque eu não gosto que fiquem me observando. É constrangedor. – Ele sentou-se na cama, mantendo uma razoável distância de mim. Eu precisava mudar de assunto.

— Então, você não vai me falar sobre a Grécia? – Ele sorriu.

Armin me ensinou muitas coisas sobre o país e suas maravilhosas praias e monumentos. Porém, cinco minutos depois já estávamos falando sobre nossas vidas e do nosso passado. Ele me contou que, quando era criança, sofria muita humilhação na escola e frequentemente apanhava de algum valentão. Eu não acreditei. Como alguém teria coragem de bater nele? Ele é um garoto tão legal e inteligente. Qualquer um teria sorte de ser seu amigo.

Depois de o assunto ter acabado, eu voltei à minha cama e fiquei ouvindo música. Fiquei muito surpreso em saber que celular era permitido, apesar de lá não haver sinal. Maravilha. Depois de uma hora, Armin acabou dormindo e eu fiquei encarregado de acordá-lo na hora do jantar.

Dei uma olhada melhor no quarto. Não era pequeno. Tinha duas escrivaninhas, uma poltrona e prateleiras na parede, onde eu planejei colocar livros, fotos e outras coisas minhas. A janela, como Mikasa falou, era bem grande. Aproximei-me dela e observei toda a paisagem. Era possível enxergar o mar e a ponte por onde passei para entrar no castelo. O terreno da escola era, praticamente, um grande bosque de árvores que eram muito próximas, impedindo a passagem de luz. Parecia um grande tapete verde e aveludado. A vista não poderia ser mais bonita. Será que era permitido adentrar o mato no tempo livre?

Quando o relógio marcou sete horas, eu chamei Armin. Que garoto de sono pesado! Eu me ajoelhei ao seu lado e comecei a sacudi-lo.

— Vamos, Armin, acorde! É hora do jantar. – Ele resmungou e se virou para o outro lado. – Você não quer ficar sem comer, não é? – Eu o virei de frente para mim de novo. Meu rosto estava a uns dez centímetros de distância do seu. Ele abriu os olhos, corou violentamente e escondeu o rosto com o travesseiro.

— Você tem que parar com isso! Não gosto que você fique me observando.

Eu me afastei, rindo, e esperei Armin se trocar – de costas, é claro. Quando ele ficou pronto, descemos juntos até a cantina.

Acredito que todos os estudantes já estavam lá. Nós nos sentamos à mesa do primeiro ano, junto com Sasha, Mikasa e outros dois garotos da nossa idade. Um deles usava uma cadeira de rodas, então só podia ser Marco Bodt. O outro eu imaginei que fosse Jean Kirschtein, pois estava lhe ajudando a cortar um pedaço de carne. Se não fossem homens, eu juraria que eles eram um casal. A maneira como Jean olhava para Marco poderia ser interpretada de maneira... Estranha. Mas eu devia estar imaginando coisas. Sasha, apesar de sua magreza, comia por três pessoas. Assisti-la comer me deixava até com um pouquinho de medo. Para onde ia aquela comida toda?

Durante o jantar, Hanji distribuiu os horários de aula de cada turma. Amanhã eu teria dois períodos de matemática – tudo o que eu precisava -, dois de educação física e um de geografia. Pelo menos de geografia e educação física eu gosto. Armin ficou animado em termos matemática e geografia amanhã, mas não gostou da outra matéria. Ele disse que não era bom em esportes, além de não ser muito ágil e forte.

Saímos da cantina às oito horas. Tínhamos um longo caminho pela frente, já que o elevador só era permitido a cadeirantes e acompanhantes. Quando Armin e eu chegamos à porta, Mikasa nos encontrou e deu mais um aviso:

— O banheiro coletivo está disponível para tomar banho durante a tarde e depois do jantar. Vocês estão livres para um banho agora, se quiserem, mas lembrem-se de voltar antes das nove horas.

— Onde ficam as duchas? – Perguntou Armin.

— Elas ficam no banheiro masculino, mesmo. Para chegar lá, vocês dobram aqui à direita, sigam em frente mais uns vinte metros e dobrem à esquerda. Vai haver uma placa indicando onde fica. – Ela sorriu. – Bem, até amanhã. Boa noite.

— Boa noite. – Dissemos juntos e Mikasa saiu.

Entramos no quarto e cada um pegou uma toalha e um pijama. Eu estava totalmente perdido para encontrar o banheiro, mas por sorte Armin encontrou o lugar rapidamente e eu o segui.

Dentro do banheiro havia uma porta que dizia: “Chuveiros”. Entramos lá e havia muitos boxes para o banho. Já havia cinco ocupados. Eu entrei em um e Armin entrou em outro. Quando Armin terminou o banho, só havia ele e eu no banheiro.

— Eren, você quer que eu te espere ou você encontra o caminho sozinho? – Perguntou.

— Pode ir, Armin, eu me viro.

— Tudo bem, então. – E saiu.

O banho estava tão bom que eu fiquei lá, parado, por muito tempo, apenas pensando sobre o dia que passou e tudo o que aconteceu. Eu não esperava ter encontrado Mikasa, muito menos ter ficado sem uma explicação concreta sobre tudo o que aconteceu. Como a família de Mikasa conhecia essa escola? E como a minha mãe a conhecia também? Será que são antigos alunos? Deve haver documentos sobre isso na biblioteca. Tenho que me lembrar de ir lá conferir. E se não houver nada lá? Será que Hanji me fornecerá essa informação? Nem sei por que eu quero tanto saber. De fato, foi estranha essa matrícula repentina que a minha mãe fez nessa escola. E por que eu acho que isso tem a ver com o meu pai? Minha mãe uma vez me disse que ele e ela eram amigos de infância dos pais de Mikasa. Talvez tudo isso esteja relacionado. O que eu estou dizendo? Agora estou aqui, sozinho, bancando o detetive. Você é ridículo, Eren.

Depois de sair do banho e de me vestir, dei uma olhada no relógio: nove e dezessete. Ótimo. Peguei as minhas coisas e me apressei para chegar ao dormitório sem ser pego. Espere: para voltar eu preciso ir pela direita ou pela esquerda? Não era para seguir reto? Oh, céus. Fiquei vagando pelos corredores na esperança de encontrar a minha porta, quando fui abordado:

— Oy, pirralho! – Disse uma voz grave e fria, porém aveludada. Eu me virei, congelado de medo, e encontrei um homem de aparência muito jovem, baixinho e de pele muito clara. Ele possuía olhos azuis intimidadores, mas cansados, cabelo muito negro, dividido ao meio e raspado atrás, e sua sobrancelha era escura e fina. Era, apesar de sua estatura baixa, muito forte e musculoso. Ele tinha no rosto uma expressão de “poucos amigos”. Era o tipo de pessoa que ninguém que tem amor à vida ousaria desrespeitar. Ele usava óculos e vestia um terno e uma gravata verde-escura listrada. – Regras são feitas para serem cumpridas, e creio que você não é uma exceção.

— Er... Desculpe, eu me perdi. – Eu engoli em seco. Ele se aproximou de mim, de maneira que a distância entre os nossos narizes era mínima, ou seja, para isso ficou na ponta dos pés, e lançou-me um olhar cortante.

— Você entende que desobedeceu a uma regra e terá que ser punido, não é? – Eu estava tremendo de medo.

— M-Mas, eu...

— Acompanhe-me até a minha sala.

Notas finais
Deixe-me feliz e comente!
Kissus!