Abracadabra!

4 Você acredita em magia?


Notas iniciais
Boa noiteee respeitável público! Não sei se foi uma grande demora, para quem estava acompanhando a fic pelo social spirit sabe que excluí a história lá sendo que aqui está tendo resultados melhores. Eu editei os capítulos da fic, coloquei as imagens, aqui no nyah, eu soube que pode postar uma imagem por capítulo.

~20: 00h

Empolgadas, as duas irmãs jantaram o macarrão instantâneo.

Vestiam pijamas, conjunto de calça e camisa de mangas aos pulsos.

O da pequena era um amarelinho, com pedaços de panos cujas cores variavam.

O da maior, um azul claro, tendo sete traços de costura espalhados pela parte de cima e de baixo.

A colegial mal acreditava que possuía alimento farto, no mesmo dia que conseguiu trabalho.

Assistir Hanabi exibir tanto apetite a agradava assaz.

Tanta felicidade naquela noite chegava a lhe despertar o pior dos temores, o destino cruel podia se incomodar e lhe enviar castigos, pois parecia que ela ser feliz era proibido naquele mundo.

— Me conta sobre seu trabalho, mana! — Hanabi pediu felicíssima, estourou de alegria quando soube da novidade, e queria ouvir mais, muito mais.

— É uma loja de conveniência, ela faz conjunto com uma grande lanchonete e eu tomarei conta da limpeza. O pagamento é bom, não nos trará luxo, mas teremos mais roupas para vestirmos. — Respondeu sonhadora com dias melhores.

Manteria segredo sobre seu propósito de pedir ajuda ao tal mágico, não era garantido que ele podia ajudá-las, então não elevaria esperanças à irmã.

— Obaaa! Maaaas... limpeza? Mana, é muito inteligente, pode conseguir um emprego que pague mais. — A menor falou, entre mastigadas.

— É verdade, porém para eu alcançar um emprego maior eu preciso concluir meus estudos e me formar em uma faculdade. — Franzindo ligeiramente o cenho repreendeu-a: — E não fale de boca cheia, peixe.

— Humpf! — Hanabi fez bico, não gostando de quando a irmã a chamava de peixe. — Mana não precisa passar por tantos estudos, basta provar o que pode fazer e o chefão a contrata.

— Eu também gostaria de ir direto para um grande emprego. Porém há coisas que ainda tenho que aprender que faz da faculdade muito necessária, e antes da facul terminarei o colegial, são as regras. — Pegou um lenço e limpou a boca de Hanabi. — Coma devagar, o macarrão não fugirá de nós.

A menor sorriu encabulada.

Em meio à tranquilidade do jantar, alguém bateu na porta.

As irmãs miraram a entrada.

Não existia uma parede a dividir a sala da cozinha.

Os dois cômodos se uniam em um quadrado, o banheiro era o único espaço do lar que se separava por paredes.

Novas batidas.

A carinha da caçula começou a murchar, as visitas ao lar raramente eram boas.

— Continue comendo. — Hinata pediu alegre, evitando que o clima harmonioso falecesse. — Quando terminar ganhará sobremesa.

A caçula arregalou seus olhinhos que cintilaram.

— Sobremesa? O que é?!

— É vermelho, brilhante e maior que sua mão! — Hinata animadamente deu pistas do que seria.

O pirulito jazia escondido em sua bolsa.

— Yuupii, ficarei pensando!

A colegial se contentou pela caçula se despreocupar com quem estava do outro lado da porta.

Hanabi agitada deu continuidade ao jantar, sugando o macarrão, tentando incansavelmente adivinhar o que seria a sobremesa.

Respirando fundo, Hinata só abriu um pouquinho, permitindo que somente o seu rosto fosse visto pela visita.

Oyasuminasai. — Cumprimentou o homem jovem, cabelos castanhos escuros, lisos e bagunçados.

Ele usava calça de cintura baixa e camisa folgada de mangas longas.

Chinelas rasteiras e um cachecol verde musgo no pescoço.

— Hayate-san, oyasuminasai.

— Telefone. — Ele avisou, e rápido refez seu caminho, entrando na primeira porta perto da saída do condomínio, manteve sua quietude do começo ao fim.

Hinata vagou para dentro de seu cômodo e arranjou uma sacola, colocou a embalagem do pacote de lamen e alguns papéis velhos que encontrara pelo chão.

— Colocarei o lixo para fora, não demoro. — Usou como desculpa para sair. — Ah, e vá pegar a água no congelador.

— Pode deixar, mana!

Hinata encostou a porta, antes de chegar à saída do corredor, dobrou à esquerda e entre os três telefones públicos na parede, há um fora do gancho. Ela o pegou e murmurou palavras previsíveis, ditas somente para a única pessoa que se comunicava de ligação telefônica com ela:

— Alô... otou-san.

~03/02/2010

~Quarta-feira

~07: 00h

A Hyuuga preparada para outro dia no colégio, segurava a maçaneta e olhara para a irmã que calçava os sapatos. A pequena sentada na cadeira, curvou-se para realizar os nós nos cadarços.

— Saia daqui às sete e meia em ponto, ouviu Hanabi? Não quero saber de atrasos na escola. — Falara alto e em timbre grosso, determinando que sua ordem não fosse descumprida sob qualquer possibilidade.

— Hai! — a menor colocou a mão na testa, em continência militar. Concentrara-se de novo em amarrar os cadarços. — Droga...

— Quer ajuda?

Lie! — Hanabi negou instantaneamente. — Vá andando mana, eu consigo amarrar meus sapatos, já tenho oito anos! Tire mais notas boas hoje pra comermos lamen, dessa vez escolha o de galinha.

— Se tiver prêmio hoje, eu trago. — Hinata respondeu sorrindo e então encostou a porta.

Passando em frente do apartamento de Hayate, a colegial se deteve ao ouvir o som da porta dele abrir.

Aparecendo no marco da porta, o homem cruzou os braços, colocando o ombro contra o batente.

A Hyuuga se virou lentamente para encará-lo e colocou a bolsa na frente do corpo, segurando com as duas mãos, as alças unidas.

Ohayo Hayate-san.

— Tá... ohayo. — Ele coçou a cabeça. — Então, falou com seu pai ontem. Tenho que cobrar o aluguel.

— Você estendeu o prazo para o mês que vem. — Ela o lembrou, em um ímpeto de desespero.

— Cofcof... — Hayate tossiu, colocando a mão fechada na frente da boca. — Aconteceram imprevistos... — Sustentou imensas olheiras, era um homem visto frequentemente cansado. — Eu não queria, porém....

Onegai, Hayate-san, começarei a trabalhar na próxima semana.... otou-san disse que chegaria hoje a noite.

Ele fechou às pálpebras, apertando com o polegar e o indicador a região entre os olhos.

Uns segundos assim, aprofundou a respiração. Afastando a mão da cara, retornou a fitar a jovem, descrente.

— Você ainda acredita nas promessas do seu pai?

— …. — Ela mirou o chão, incapaz de continuar encarando Hayate.

A resposta estava óbvia.

— Não entendo como um homem como ele tem uma filha tão esforçada quanto você.... cofcof... sinto muito Hinata, seu pai me trouxe muitos prejuízos. Vou esperar por hoje à noite, se eu não obtiver o dinheiro.... descontarei no seu depósito... cofcof....

Ele retornou para dentro do apartamento.

Os olhos perolados, duas luas desamparadas, sem brilho algum, permaneceram mirando o chão.

*

*

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*Diário da Hinata *On*

Otou-san foi um empresário intransigente, sustentava a família Hyuuga com vigor, fazia nosso sobrenome ser sinônimo de orgulho entre a elite de Yokohama. Eu não percebia o quão mergulhado ele era no mundo dos negócios porque sempre quando estava comigo, com Hanabi e com você okaa-san, eu só enxergava o homem amoroso que eu admirava.

Depois que a senhora nos deixou, ele mudou completamente.

O negócio nas empresas faliu gradualmente até ele desistir, mudou de rumo, o pouco que restou do dinheiro, ele investiu em uma fábrica de brinquedos.

*Diário da Hinata *OF*

*

*

*

Colégio Konoha

~07: 47

Hinata mantinha a visão no seu livro aberto, embora aparentasse imensa concentração nele, seus pensamentos são convergidos ao mágico, sua ansiedade em visitá-lo era incontida e a esperança de tempos melhores festejava em seu coração.

— Sra. Hyuuga, poderia revisar a questão quarenta e oito? — Sai pediu, encimando seu caderno de exercícios, na mesa dela. — “Se ela me ajudar, eu serei muito grato e será possível começarmos uma amizade”. — O Hino planejava uma forma de se aproximar de Hinata, desde que ele concluiu que ela era pobre mesmo, decidiu que a ajudaria de algum modo. — “Ela é muito tímida, tenho que chegar o mais cauteloso possível...” — Se fosse direto com ela sobre suas intenções, correria o risco de constrangê-la.

Hai. — Os olhos perolados pousaram firme na questão, entretanto, sua mente prosseguia centrada no tal mágico. — Gomenasai, não consigo resolver. — Desistiu depois de cinco minutos.

— Entendo, é um problema difícil até para você que tem um ótimo desempenho nessa matéria. Ainda bem que não é nenhum dever de casa... esse caderno de exercício pertence a um curso... não foi uma questão elaborada por mim.... — Sai informou, recolhendo seu caderno.

A Hyuuga o estranhou, o Hino se demonstrava falante demais.

Não que se incomodasse, pois ele até o momento era o único que puxava assunto com ela na sala de aula.

Apenas sentia que ele não se comportava naturalmente.

— “Eu ainda não o conheço muito, não devo tirar conclusões antecipadas...”. — Discorreu em sua cabeça, logo mergulhou nova vez em seu anseio de conhecer o mágico da colina.

~

— Ino! Não está me escutando de novo! — Rin bradou irritada, sentada, esticava suas pernas e batia os calcanhares no chão.

— Ham? — a loira assustada voltou o olhar à amiga. Sentara-se em cima da mesa de Rin. — Foi mal, viajei de novo.

— É justamente esse o problema Ino! Você se distrai bastante! Karin não é uma boa companhia pra você, o professor Kakashi flagrou as duas de blábláblá ontem.

— Ficou tudo bem no final, não precisa fazer esse auê. — A loira cruzou as pernas, pondo as mãos no joelho que ficou por cima. — A Karin pelo menos falou comigo naquele momento, você fingiu que eu nem existia quando me zoavam.

— Eu só fiquei quieta no meu canto. Você sabe como a galera da nossa turma é… — Rin se defendeu, cutucando os dedos indicadores um no outro, envergonhada.

— Cabum!!! — Kiba adentrou na sala causando excedidas risadas no seu grupinho de amigos. — Desculpe aí pessoal, hoje estou explodindo em zoeira.

— O explosivo da turma é o Deidara! — um amigo dele apontou para um loiro cabeludo em outro grupo de amigos.

Katsu!!! — exclamou Deidara ao ouvir o mencionar de seu nome. — Zaku seu lindo, não foi Kiba quem começou a querer tomar minha fama explosiva. — Acarinhou suas madeixas loiras a caírem por cima dos ombros. Lançando seu olhar para a Yamanaka do outro lado da sala: — Ino meu bem, além de copiar meu penteado ainda quer ter uma palavra de efeito como o meu famoso “Katsu”? Arranje algo melhor que o “cabum” HuHuHu!

Ino revirou os olhos, ignorando a procedência de mais risos pela sala de aula.

Não entraria na provocação de Deidara.

Quando a galera da zoeira a deixou em paz, pousou seus topázios em Hinata mantida de cara no livro e alheia ao que os colegas conversavam em volume alto.

Sai vez ou outra chamava a atenção da Hyuuga para dizê-la algo.

— “Outro buraco na meia-calça...” — A Yamanaka notou.

— Ciúmes do namorado? — Rin provocou, percebendo que o Hino trocava algumas palavras com Hinata.

— Sai não é meu namorado.

— Você não se esforça para acabar com os boatos, espertinha.

— Boatos? — o alerta vermelho de Ino ecoou.

— Quando o pessoal vê você e Sai, Karin e Sasuke em grupo... acreditam que é uma dupla de casais. Sai é um esquisito, ele é bem conhecido em nossa turma e nos acostumamos com o jeito diferente de se comportar, não achamos algo impossível de ele namorar. E sua personalidade meio que dá um equilíbrio na dele.

— Grrr que ódio! Viu só? Se você aceitasse almoçar comigo eu não teria que escolher o Sai. Agora há quem comece a crer que ele tem algo comigo!

— Almoçar com você junto com Sasuke e Karin? Nem pensar! Iria parecer que nós duas estaríamos segurando vela. Ah vá, e você e Sai são bonitinhos.

— Não se atreva a falar isso de novo. — Ino apontou na cara da amiga, ameaçadora.

Rin deu uma risada curta.

Alguém parou no lugar vazio ao lado, o mesmo lugar que a Yamanaka sentara no dia anterior, antes de ir para o fundão da sala.

Uma jovem rosada de lindos olhos esmeraldinos que chamou bastante atenção dos colegas e que pousou uma mochilona na mesa.

— Como vai Ino? — ela reconheceu a pasma loira.

— Ino, você conhece essa bonitona?! — Rin agarrou o braço da Yamanaka.

— Hahaha obrigada pelo elogio. É um prazer, sou Sakura Haruno. — A rosada se aproximou de Rin e estendeu a mão. — Conheço Ino desde criança, éramos vizinhas até eu me mudar depois que terminei a última série.

— Sou Rin Nohara. — Apertou a mão da rosada e corou. — Que mão macia a sua... Ino por que nunca me falou dela?

A loira saiu da mesa, pedindo licença e caminhando para seu lugar de cara enfezada.

— O que deu nela? — Rin bufou, agarrando a cintura.

— “Ela não esqueceu” — Pensou a Haruno, sentando em seu lugar.

~15: 15h

O caminho se tornou mais assustador a cada degrau avançado.

A escadaria de pedra construída horrivelmente não recebia quem cuidasse dos reparos, o mato ultrapassava os lados do caminho e muitos dos degraus são cobertos pelas plantas espinhentas, plantas mortas e folhas secas.

Não teme rasgar a meia-calça, comprará uma nova no caminho de volta para o lar.

*

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*Diário da Hinata *On*

Fábrica de brinquedos, um negócio armado por adultos voltado para crianças.

Quando o novo ramo do otou-san faliu, ele conservou a mentalidade infantil que cultivou após você nos deixar, okaa-san.

Ele abandonou a seriedade de quando era empresário.

Com as peças que sobrou da falida fábrica, otou-san montou inúmeros brinquedos para mim e Hanabi.

Na época, eu não me importava de ter uma vida pobre, contanto que estivéssemos juntos, eu e minha irmã acreditamos que daria tudo certo.

Nossa alegria durou pouco.

A miséria se desenvolveu, mostrando sua face mais cruel no avançar dos meses e devastou nossas vidas.

Desfizemo-nos de todos nossos pertences, tivemos que vendê-los.

Mudamo-nos varias vezes. Moramos em abrigos, casas de alguns dos nossos poucos conhecidos, apartamento barato, etc.

Quando eu tive a consciência que era sustentada por dinheiro sujo, quando as dívidas que o otou-san colecionava se tornaram um gatilho, quando eu e minha irmã corríamos perigo pelos erros do otou-san, eu abri meus olhos e entendi que nossas vidas precisavam de salvação: Fugir do caminho que o senhor Hyuuga trilhou.

Eu não permitiria mais que Hanabi vivesse daquele jeito. Dei ao meu progenitor uma escolha: Continuar com a vida nos jogos ou ficar com as filhas.

Ele escolheu a primeira

*Diário da Hinata *Of*

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Punia-se por ainda aceitar coisas de seu pai quando o mesmo surgia.

Aceitava no ato de desespero, quando a situação era crônica, não suportando ver sua irmã sofrer.

Fazia quase um ano que Hanabi se recuperou de um grande estado de desnutrição, por conta disso, encontrava-se atrasada nos estudos.

Um dia, quando estivesse no auge de sua carreira, a colegial determinou que pagaria ao Sr. Hyuuga todo o dinheiro que aceitou dele e o faria prometer nunca mais surgir na vida dela e da caçula.

Eu não me importo de viver de caridade, melhor do que viver do dinheiro de apostas”.

Preservaria o pouco da dignidade que lhe restava.

Terminou os degraus, findando a agonia de lembrar-se do homem que um dia admirou.

Estática, aguardou sua respiração se normalizar.

Seus pulmões ardiam e seu peito doída.

Entregou atenção para trás.

A escada parecia ser infinita.

Só de pensar em descer tudo aquilo lhe aumentava o cansaço.

Levantando a cabeça, fitou o parque de diversões, conseguia vê-lo todo do topo da colina.

O céu não estava todo branco e nem acinzentado, ele dava espaço para o leve azulado.

Os raios de sol não eram fortes, mas amenos como quando ficavam cedo de manhã.

A roda gigante era o maior destaque do parque.

A Hyuuga a achava esplêndida, e lembrar que no dia anterior estivera ali... tão alto…

Seu medo de altura lhe enviava ondas de náuseas, recuou acelerada, afastando-se da beira da escada.

Voltou-se para a tenda de circo, observou as bandeiras triangulares, existia uma delas ao lado de cada nó de corda responsável por esticar a lona.

— Olá?

Entrando na tenda, temeu o breu com o qual se deparava.

Avançando uns três passos, cessou.

— Alguém?!

O silêncio que tornou tudo mais amedrontador a convenceu em se retirar.

Girando nos calcanhares, parando de frente à abertura da tenda, alguém jazia a dois passos adiante bloqueando o caminho.

As luzes se acenderam!

Loiro de olhos azuis.

Três riscos em cada lado do rosto.

Cabelos arrepiados.

Cartola preta.

Luvas brancas.

Uma gravata laranja.

Ele colocou o dedo indicador, verticalmente, contra os lábios e perguntou à visitante:

— Você acredita em magia?