Notas iniciais
Boa noite respeitável público! Aqui um novo capítulo, aproveitem o espetáculo.

Nos dias seguintes ao ocorrido na tenda do mágico, a Yamanaka se entregou aos estudos, começando pelas matérias, nas quais possuía maiores dificuldades.

Ocupar-se era como evitava sair com Rin, quando ela a convidava.

A Nohara fazia questão da companhia de Sakura, e Ino preferia se manter longe da Haruno.

A Yamanaka também evitava as outras garotas da turma, várias delas namoravam e programavam encontros para casais.

Você terminou com o Sai?”

Se não terminou com ele, vamos ao shopping, levarei o meu namorado.

Não suportava que ainda existisse quem acreditasse que ela e Sai tiveram algo amoroso, todavia, ao mesmo tempo, era bom que considerassem que os dois romperam, pois assim, aos poucos, as garotas paravam de convidá-la para sair em encontro de casais.

O ruim era que as que ainda não tinham namorado convidavam Ino para um programa misto, entre alunas e alunos descomprometidos, para ver se rolava algo.

O jeito era continuar estudando mais e mais.

Manter seu plano de se manter muito ocupada.

Muito mesmo.

*

*

*

Ino usava o banheiro, prestes a sair de sua cabine, ouviu um escândalo do lado de fora que a fez recuar e prestar atenção.

— Saia daqui, esse é o banheiro feminino!

A loira reconheceu facilmente a voz: Sakura Haruno.

— Não saio! Quanto tempo pretende manter essa porra? — violentamente, a porta foi fechada. — O que acontece contigo?

A Yamanaka arregalou os olhos, reconhecendo a rouca e masculina voz: Sasuke Uchiha.

— O que acontece comigo não é da sua conta! Solte-me!

— Até quando pretende seguir com esse teatrinho?!

— Não é teatrinho algum! Assumi meu namoro com Sasori há semanas!

— Que isso, sabemos que faz isso pra me causar ciúmes! Está me querendo ver desesperado.

— Ué? Está ficando? Pois você pode ficar calmo, escandaloso, feliz, raivoso, eu não tô nem aí, pois continuarei namorando o Sasori!

— Você não é assim, só precisava se acalmar... nós resolveríamos tudo como sempre fizemos.

— Nunca resolvíamos nada Sasuke, nossa vida se tornou um carrossel. Íamos fazer as pazes, porém depois eu seria ferida novamente, não suportando seu relacionamento com a Karin. Brigaríamos nova vez, voltaríamos para o ponto de partida. Nosso relacionamento só dava voltas, nunca ia pra frente. Com Sasori... eu vivo fora desse carrossel, ele me assume publicamente.

A Haruno ganhou fama através de suas pontuações, sua beleza não ficou para trás, possuía muitos pretendentes, o sucesso dela em uma ótima universidade garantia-se.

O Uchiha observou ela brilhar de longe, sem poder tocá-la.

— Me dê só mais um tempo para pensar, será meu último pedido. A voz dele saiu calma.Não podemos desistir de nós.

— Não existe mais “nós”, eu finalmente conheci o que é estar em um relacionamento saudável, e não está incluso nesse “nós”.

O silêncio predominou.

Ino nervosa subiu sobre o vaso sanitário tampado e observou por cima da porta, assistiu Sasuke roubar um beijo da Haruno, porém a rosada o empurrou logo em seguida.

— Seu beijo me enoja, como consegue beijar Karin sem se sentir culpado? Se ela fosse acreditar em mim, eu contava pra ela.

A rosada abandonou o banheiro e Sasuke ficou com os dentes cerrados e punhos trêmulos.

Ele se retirou do banheiro com emoções revoltosas transbordando.

*

*

*

A Yamanaka lançou as costas contra a parede e escorregou lentamente para baixo, dobrando as pernas até encostar a bunda no chão.

O choro compulsivo a detonou por uma hora inteirinha.

Sakura teve um caso com Sasuke...”

O Uchiha não se interessou pela Haruno do nada.

Não foi a fama de Sakura que captou a atenção dele.

Os dois tinham um rolo antes disso.

Atirando o braço para o lado socou a parede, furiosa.

Esticou suas pernas e depois cobriu as feições com as mãos.

Não sabia se seguia chorando ou se entregava a raiva.

Toneri apareceu.

— Yamanaka... — Por baixo do braço direito trazia uma pasta marrom. Seria supervisor de um grupo de matemática novo. Achou preferível permanecer no colégio após as aulas, pois aproveitaria o tempo para estudar até o começo da atividade do grupo. Você está bem? Devo leva-la à enfermaria?

Ino meneou, de modo forte esfregou os olhos.

— E-e... eu estou com problemas pessoais.... vou pra casa. — Puxou a alça da bolsa, colocando-a sobre o ombro, seguiu seu caminho.

Passando ao lado do Otsutsuki, ele a deteve.

— Yamanaka, perdoe-me importuná-la com esse assunto, mas Hinata Hyuuga pertence a sua turma, certo?

— Hai... Irritou-se por dentro, não bastava sofrer, ainda tinha que escutar o nome daquela quem roubou os seus amigos.

— Eu soube que você e Sai Hino terminaram. Eu o vejo falando muito com Hinata. Seria estranho eu perguntá-la se ele demonstra interesse por ela?

— Eles são apenas amigos. E eu nunca tive nada com o Sai, é apenas um boato... — Repentinamente, brotou-lhe má ideia, que impulsionada por desejo de vingança, decidiu mentir: — Mas já que mencionou a Hinata... acho que devo confessar, estive chorando por ela e pela Sakura.

Toneri firmou seriedade.

— Peço que me conte o motivo.

— Promete que manterá segredo? — segurou a mão dele.

— Se eu tiver que falar a alguém, não direi que foi você quem me contou.

— Se é assim... tudo bem.... confiarei em você. — Fingiu que se encorajava para revelar. Soltou-o e se virou de costas pra ele, unindo os dedos. Hinata visitou um homem fantasiado de mágico no topo da colina que tem perto do parque de diversões. Eu soube que Hinata se assustou com ele e que depois dessa visita ela mudou.

— Mudou como? — espremeu a pasta marrom sob o braço, os músculos tencionados.

— Primeiro deixe-me contar-lhe o que observei há um tempo, é importante para que entenda meu ponto de vista... Hinata usava meia-calça rasgada, suspeitei que ela não tivesse o que comer, pois recordo de um dia na sala de aula em que o estômago de alguém roncou alto, o barulho veio da direção onde ela sentava.

O Otsutsuki se lembrava de quando conheceu a Hyuuga na biblioteca.

Ouviu o barulho que Hinata inventou vir de um menino, mas o ronco pertencera a ela, ele sabia.

— “Hinata ainda não me revelou o que o pai dela faz, me disse que ele estava viajando. Ela possui uma irmã mais nova. Evita detalhar sobre a vida dela..." — Ele refletiu, passando a pasta para baixo do braço esquerdo, arrastou a mão direita pelos cabelos. Pensou em voz alta: — Pago os almoços dela....

— É compreensível, pois acho que ela é pobre. — Virou-se de frente pra ele, abraçou a bolsa contra o peito. — Depois do dia em que ela visitou o mágico... ela usou uma meia-calça nova. Os boatos que rondam a respeito do homem na colina, não são agradáveis, por isso, Hinata deve ter se assustado com ele no inicio.

O Otsutsuki pensativo desgostava do rumo que seu raciocínio tomava.

— Sakura vai ao parque quase todos os dias para ver o mágico. Temo por ela. — Falava chorosa. — Ele pode ser perigoso, ela está correndo muito perigo.... espero que Hinata não tenha voltado a vê-lo. Eu deveria agir... mas não sei o que fazer... me sinto culpada... quero muito estar errada. — Cobriu o rosto com a bolsa, fingindo grande choro, com vários soluços.

Otsutsuki passeou a mão nas costas dela, tentando acalmá-la.

— Tomarei providências... não se sinta culpada. Você só quer o bem de suas colegas.

— Arigatou... — Fingiu limpar as falsas lágrimas.

— “Investigarei sobre esse mágico... mas antes disso...” — Toneri sustentou algo em mente.

*

*

*

No seguinte dia.

Depois de tanto pensar, Hinata mudou de plano, não querendo mais adiar o momento que revelaria sobre a verdadeira vida que levava.

Um dia, depois do encontro que tiveram no parque florestal, a Hyuuga determinava-se a dar uma chance ao Otsutsuki.

Porém, primeiro quebraria seu segredo.

Confiava em Toneri!

— Toneri-san! — feliz por tê-lo encontrado na frente dos portões do colégio, sorriu abertamente com as pérolas cintilantes.

Parou diante dele, ansiosa em conversar.

O Otsutsuki observou-a por um segundo.

Segurou a mão dela, sério atravessou os portões, arrastando a Hyuuga colégio adentro e a soltou quando chegaram à biblioteca.

— Por que me trouxe aqui? Podemos entrar aqui tão cedo? O... que há? — a Hyuuga identificava a tensão em torno das feições dele, confusa pelo modo como foi levada até ali.

— Possuo a chave da biblioteca. — Toneri respondeu andando até uma das mesas espalhadas pelo salão e passou a mão levemente sobre a madeira. — Preciso tratar de um assunto importante com você.

— Nossos colegas viram... todos eles perceberam você me trazendo com força até aqui... me assustou. — Permanecia confusa.

— Perdoe-me, estou nervoso. — Admitiu. — Fui um bruto.

— Tudo bem. O que tem de importante para tratar comigo?

Ela usou de um meigo timbre.

Apoiando as duas mãos na mesa, Toneri respondeu:

— Falta a última temporada dos exames de cálculos para que os melhores alunos sejam selecionados.

A Hyuuga aliviou-se.

Então era isso. Às vezes a obsessão dele pelos estudos a preocupava.

Será que ele ao menos conseguia dormir bem?

— Não precisa ficar nervoso por este motivo. Nós dois estamos nos esforçando juntos, conseguiremos boas pontuações. — Levou as mãos unidas ao busto, sentindo as batidas suaves do coração. — Sakura, Sai e Rin, eles também estão se esforçando. Estamos planejando um horário na biblioteca para estudar, você poderia se juntar a nós.

Eram momentos preciosos que ela desfrutava com os amigos, queria que Toneri fizesse parte deles.

Toneri era e continuaria sendo mais uma pessoa para iluminar os dias dela em uma vida miserável.

Toneri....

Queria amá-lo!

Eu quero uma chance com você”.

Precisava dizê-lo!

— Eu quero u....

— Tire notas ruins nos exames, pagarei você. — Ele interrompeu se virando para encará-la.

—...

O quê?

Mas....

Como...

Por quê?

Quem era ele? Era um impostor.... não podia ser o verdadeiro Toneri.

Ela o fitava, muda. E como o silêncio a venceu, o Otsutsuki prosseguiu:

— Precisa de dinheiro, não é?

— “Então ele sabia a verdade?” — Em choque continuava silenciosa. Desceu os olhos levemente ao chão. — "Todo esse tempo... será?”

— Não precisa me responder agora, lhe darei até amanhã para me responder. Pagarei adiantado. — Colocou a chave da biblioteca em cima da mesa e saiu do lugar deixando a Hyuuga sozinha.

*

*

*

Estudava durante quase uma hora, quando começou a se desconcentrar por causa do volume da pequena TV em preto e branco assistida pela irmã.

— Hanabi vá dormir ou poderá acordar tarde amanhã, acabará se atrasando para a escola.

— Não tenho escola amanhã. — Respondeu apoiada no cotovelo, com a mão no rosto.

Entediada, assistia a tevê.

— Quê? — Hinata virou o rosto, vendo a imã de perfil.

— Amanhã é o dia da excursão escolar, avisei a professora que eu estava sem dinheiro, ela não falou nada, então vou ficar em casa hehe bom pra mim.

— Mas você não foi no ano passado, nem no retrasado. — Hinata destacou um pouco triste.

— Eh... e daí? Será uma viagem chata mesmo.

A mais velha voltou à atenção para a pequena mesa na qual seu material de estudo espalhava-se, entretanto a dedicação pelo aprendizado esvaiu-se naquele momento.

Questionava-se como seriam os dias na escola da irmã.

A professora percebia que ela era pobre? E os coleguinhas?

A menina podia dizer que a viagem seria chata, contudo, Hinata sabia que ela só falava aquilo para ocultar sua vontade de ir.

— Vá para a excursão Hanabi, lhe darei dinheiro.

— Mana, não pode gastar dinheiro do trabalho, e o aluguel?

— Tenho dinheiro a mais esse mês. Quero que vá a excursão e que se divirta com seus colegas.

Uma agitação se originou no interior da caçula.

Ela se segurou para não sair pulando pelo cômodo.

— Já que insiste.... eu irei! — desligou a TV e se jogou no colchão, ansiosa. — Então vou dormir logo para acordar cedo hehe, vou para a excursão! Yuupi!

Hinata sorriu.

— Mana, quando o mágico nos visitará novamente? — abraçou o coelho de pelúcia. — Estou com saudades dele.

—.....

*

*

*

*Diário de Hinata *On*

A senhora me perdoará? Okaa-san, eu estou vendendo minha dignidade. Há obstáculos que não posso vencer até entrar em uma boa universidade. Se um dia eu obtiver ao menos metade da fortuna que minha família possuiu no passado, a primeira coisa que farei é comprar de volta minha dignidade. Por enquanto, venderei o meu lado puro.

Serei uma pessoa suja.

Toneri, ele cortou o meu coração ao meio.

Agora entendo.

Ele se aproximou de mim esperando o dia em que me faria essa proposta imunda.

Ele quer apenas garantir a posição dele na lista, eliminando os concorrentes de todas as formas possíveis.

Acho que desde o começo ele sabia que eu era pobre, não sei como, ainda vou descobrir.

Deve estar acostumado a pagar por favores.

Sabendo da minha condição financeira, com certeza ele confiou que eu cederia.

Se Toneri tivesse se tornado meu namorado, acho que ele me faria chantagem emocional para eu errar na prova.

Ainda bem que me revelou sua outra face, pois asseguro que meu coração nunca se abrirá pra ele.

Mas eu mereci também, pois meu interesse pelo Otsutsuki se voltava ao dinheiro. Eu nunca saberia se me apaixonaria por ele verdadeiramente.

O ninho de cumplicidade que nós dois criamos na biblioteca, não passa de um lençol de falsidade.

Eu me iludi com tudo o que ele poderia me dar.

O único ponto que combinamos agora é que nos envolvemos por interesse.

*Diário de Hinata *Off*

Notas finais
Estou atendendo ao pedido de Midnight Angel para separar melhor as partes do texto. Espero que esteja bom. Novos leitores, sejam muito bem recebidos, posso demorar a responder comentários, mas respondo, com muito carinho. Deixando aqui meus agradecimentos a todos que estão acompanhando a história. Até o próximo show de capítulo!