Abracadabra!

13 Aprendiza do mágico


Notas iniciais
KIKAJIMO! Valeu por sua recomendação, que seja agraciado com esse novo capítulo! SHOW! o grande espetáculo são vocês queridos leitores! Aproveitem mais um capítulo.

De volta à biblioteca, entre as estantes de livros, os dois se fitavam gravemente.

— Aceito. — Ela respondeu de frio modo ao Otsutsuki.

— “Nem tentou se defender... se explicar...” — Pensou ele decepcionado. Esperou tanto que fosse um mal entendido. Escondeu o que sentia, por trás de sua cara enrijecida e entregou à Hyuuga, o embrulho a conter o pagamento. — Essa quantia é boa?

Os perolados tremeluziram ao verificar a quantia.

—Muito. — Ela confirmou, guardando o embrulho dentro da bolsa. — O quanto quer que eu seja ruim nos exames?

— Acerte em torno de cinquenta questões.

— Entendi. — Precisava tirar uma dúvida. — Por que optou por esse método depois de tanto estudar? Com sua média sei que alcançaria o primeiro lugar entre todas as turmas.

— É para garantir, conheço o seu potencial.

— É errado ganhar desse modo.

— Você concordou mesmo assim. Se quiser desistir...

—Seguiremos em frente.

Segunda decepção do Otsutsuki quem no fundo quis muito que ela voltasse atrás.

A Hyuuga se curvou brevemente e a seguir se afastou dele.

— “Ele não me impede, nem tenta me ajudar de outro modo. Sequer quis conversar a respeito do meu problema...”. — Seus pensamentos a detonavam.

Tratavam-se como dois estranhos.

Se Hinata não tivesse chorado silenciosamente por muito tempo na última madrugada, teria se desfeito em lágrimas no presente.

— “Sayonara, Toneri...” — Embora fosse vê-lo de novo, despedia-se para sempre do Toneri que idealizou em sua mente.

*

*

*

Sentava dentro da xícara giratória, o brinquedo imóvel.

Observava ao redor, contemplando cada detalhe do parque de diversões.

Pensou se o velho apareceria e lhe daria uma nova caixa de macarrão.

Gostaria de saber o que ele fazia.

Estranho seu desejo de conversar com ele.

Não...

Nada de estranho.

Era o desespero de falar com alguém.

Encontrava-se despreparada para se abrir com Sakura e Rin sobre sua realidade e o que aconteceu entre ela e Toneri.

Existe um medo de que elas não sejam amizades verdadeiras.

Teve desapontamento com o Otsutsuki depois de tantos dias acreditando que ele era diferente.

Se elas não forem o que eu penso...”.

Seria mil vezes mais difícil retornar à solidão.

Como dói...

Sentia a garganta doer, contudo, engoliu a súbita vontade de chorar, praticando um rápido exercício de respiração.

Puxou o zíper da bolsa largada no assento ao lado, pegou o embrulho dado por Toneri e conferiu novamente o dinheiro.

O que torna esse dinheiro diferente do dinheiro que meu pai ganha? Não abandonei minha irmã, mas estou me vendendo. Estou trapaceando. Devo me sentir melhor por que o que faço não é tão grave quanto o que meu pai faz?”.

— Vamos brincar? — Naruto surgiu sorrindo, sentando do outro lado, frontalmente, à Hyuuga.

Nos próximos instantes a colegial se silenciou, aguardando confirmar se a presença do homem de cartola não era fruto do seu imaginário causado pelo desespero de ter uma companhia.

Confirmando ser real, declarou-o:

— Não é você quem eu quero ver.

As palavras dela eram inatingíveis à animação do loiro.

— Quero vê-la feliz. — Ele declarou, segurando na barra de ferro circular, no centro da xícara, o movimento giratório do brinquedo se dava inicio.

A Hyuuga guardou o embrulho dentro da bolsa, apressada fechou o zíper e agarrou a barra com força temendo escorregar.

Moveu apressadamente a cabeça, procurando pelo velho do parque, achando ser ele o responsável pelo funcionamento da xícara.

Não enxergava ninguém perto da máquina do brinquedo.

Naruto pediu:

— Conversa comigo?

— Sobre magia? Não quero ouvir.

— A convido ir ao meu parque, o que te mostrei no dia que me visitou na tenda.

Emudecida, a colegial observava a alegria que o mágico não parava de alastrar, por meio da agitação do corpo.

O último momento que se viram se apossava da memória da Hyuuga.

Naruto sequer mencionava o assunto.

— Seu rosto está sem nenhuma marca. — Ela se desviou do convite. A surra que o mágico levou persistia nos seus sonhos, apesar disso, enquanto acordada, descartava se importar com ele, mas a preocupação continuava ali, em alguma parte escondidinha do seu coração. — “Estou aliviada que ele esteja bem...”. — Reconheceu para si mesma. Porém, era de se esperar de qualquer pessoa empática. — “Ele me ajudou, é normal me importar que ele esteja recuperado.”.

— Vamos fazer mágica juntos? É divertido e assim você passará menos tempo entristecida. Ensinarei tudo o que sei! — apertou a cartola que quase escapuliu da cabeça. — Opa, hehehe! — riu de dentes cerrados e olhos bem apertados.

Hinata o assistiu, durante alguns segundos.

Queria acreditar que aquele sorriso fosse falso ou a risada forçada, contudo, saíam tão naturais quanto à luz solar, do vento soprando nas faces de ambos ou a cor da imensidão azulada acima de suas cabeças.

— Se sustenta fazendo seus truques baratos? — com suas palavras ácidas, tentou expulsá-lo do brinquedo.

As voltas da xícara começavam a enjoá-la.

— Consigo criar um arco-íris. — Ele revelou, não dando importância ao que foi dito por ela.

A conversa não dava em nada.

Eles não se respondiam.

Ela desconversava e ele simplesmente se empolgava.

Naruto se lembrou de algo:

— Posso dar alguns presentes a você, tenho uma boneca linda que serve para a Hanabi.

— Quer me comprar com presentes?

— Lie, os presentes são agradecimento. Os darei mesmo que não queira fazer mágica comigo.

— Agradecimento do quê?

Os pequenos pedaços rotundos de céu, do homem de cartola, elevaram-se, e quando eles cintilaram emocionados, respondeu-a:

— Quando você entrou na tenda, sua luminosidade me atingiu. Sou atraído por pessoas assim, de coração puro. Meu dia melhorou. — Colocou-se de pé e conseguiu se curvar, tirando sua cartola pra fazer uma reverência. — Arigatou.

— Senta logo, você vai cair. — Hinata pediu preocupada, em nenhum segundo desgrudou seus dedos da barra circular ferrosa. Algumas mechas azuladas caíam-lhe na face. Ao vê-lo sentar com ar gracioso, disse-o incrédula: — Como pode querer me presentear? Você foi surrado por minha causa e... o dispensei.

Naruto... se sente grato só por me conhecer?

— Foi sincera e eu gosto disso. Quero atravessar essa barreira que você insiste em pôr entre nós. Tenho que curar o seu coração, não posso perder sua luz para a escuridão desse mundo.

— A escuridão que você se refere é a realidade?

O loiro uniu as mãos diante os olhos perolados, encaixou os dedos seguramente, em seguida, separou-os fazendo surgir um lírio.

O encanto a estampou.

O mágico se inclinou sobre a barra circular e alcançou os cabelos azulados, enfeitando-os com a flor.

— Que linda! Seus olhos combinam com o lírio. — Admirado, confessara-se: — É muito fácil amá-la, Hinata. Tenho sorte de carregar esse sentimento por ti.

O rubor surgiu na face angelical da Hyuuga.

O mágico convencia com a sinceridade em suas palavras.

Sinceridade que soa mais verdadeira que a de Toneri.”.

O brinquedo lentamente cessou o girar.

A colegial retirou o lírio da cabeça e passou a tocá-lo com as pontas dos dedos, acariciando.

— “O que eu digo... o que eu digo...” — Ao pôr a visão sobre o homem de cartola, viu-o abrindo os braços pro lado e ficando de pé novamente, ele respirou fundo e soltou o ar, ficou distraído, observando ao redor. — “Não está esperando que eu responda a declaração dele...”.

— Conhece o velho que trabalha no parque? Às vezes ele fica sozinho testando o funcionamento dos brinquedos.

— Ele me ajuda, leva objetos para a minha tenda.

O mágico saiu primeiro da xícara e ofereceu a mão para ajudar a sua companhia a descer.

A colegial segurou a mão dele, no momento que seus pés tocaram o solo, foi puxada contra o torso dele.

Os braços do mágico envolveram suas costas, ela podia sentir o quão eram musculosos.

A altura dela mal chegava ao peito do homem.

Ele abaixou a cabeça e delicadamente afastou os fios azulados da testa de Hinata, e ali beijou-a.

O beijo na testa durou cinco segundos, os dois últimos segundos, Naruto usou para inspirar o aroma da moça.

— Vou esperá-la na minha tenda. — E a soltou com todo cuidado. Caminhou pelo parque na direção da colina. Parou de repente e olhou para trás vendo que a Hyuuga estava estática pelo beijo que dera. Acenou exclamando: — Onegai! Quando você se apaixonar por mim não me esconda!

Ela o assistiu correr e sumir de sua visão.

Devagar, levou a mão até a testa, tocando o lugar onde o beijo foi dado.

*

*

*

*Diário da Hinata*On*

Toneri age educado comigo, de igual forma como age a qualquer outra pessoa no colégio, mas não passamos mais tempo juntos.

Sakura e Rin não perceberam nada de diferente em minha relação com ele, acreditam apenas que ele se ocupa demais.

O que não deixa de ser verdade, pois fiquei sabendo que Toneri se sobrecarregou de reuniões no Conselho Estudantil.

Com o pagamento de Toneri, agora tenho o que comer em todos os intervalos antes das férias.

E o resto da quantia ajudará em uma boa poupança.

Okaa-san, depois de tudo eu acho que enlouqueci.

Aceitei visitar Naruto para aprender mágica com ele.

Decidi encontra-lo durante a última semana de aulas. Assim que saísse do colégio, eu iria direto à colina.

*Diário da Hinata*Off*

*

*

*

Dentro da tenda, os dois se separavam por uma mesa quadrada.

Hinata pendurara a bolsa pela alça na cadeira.

Procurava em constância descruzar seu olhar com o do mágico, uma vez que quando fitava aqueles azuis, sentia-se estranha em como era apreciada por eles, não transmitiam segundas intenções, inabitados de malícia, só expunham o contentamento de vê-la. E aquilo a deixava sem jeito.

O belo homem loiro usava calça bege clara de suspensórios a passarem pelos ombros largos, sapatos de bicos redondos marrons escuros e camisa branca de mangas curtas.

A cartola, a capa, o terno e a calça do visual de mágico descansavam em um pendurador amadeirado, no fundo da tenda.

— “Ele estando vestido mais simples, continua bem atraente...” — Com a beleza que ele ostentava, até um pedaço de pano velho seria atraente nele.

— Fico feliz que tenha vindo. Estive aguardando ansiosamente. — Naruto quebrou o silêncio, com a sua comum e alegre natureza.

Os perolados fitavam as mãos sobre o colo, perguntando-o:

— O que me ensinará primeiro?

O loiro apertou o queixo, pensativo.

Na mesa, existiam vários objetos, escolheu um elástico de cabelo que possuía pequena flor.

Prendeu a pontinha do elástico entre os dedos da mão direita.

— “Desaparecer”. Pequenos objetos somem diante os olhos do público. – Sacudiu a mão e ao pará-la, o elástico sumiu. – “Aparecer” o efeito contrário, quando quiser que objetos surjam do nada. – Sacudiu novamente e o elástico reapareceu. – Como eu fiz com o lírio.

Os perolados piscaram rápidos.

O elogio escapou dos femininos lábios:

— Isso foi legal.

"Se eu aprender a fazer isso divertirei bastante a minha irmã.".

Naruto apontou:

— Veja! Quem está na entrada?

A Hyuuga mirou na direção apontada, porém não viu ninguém.

Retornando seu campo de visão ao mágico, ele segurou um espelho circular.

O reflexo mostrava que na orelha esquerda da colegial o elástico pendurava-se.

— Como... – Retirou o elástico, impressionada. – Eu nem senti...

Deitando o espelho na mesa, o homem sem cartola explicou:

— É uma distração que se faz com o público, enquanto a atenção das pessoas estiver em outro lugar, executa-se a mágica. Sei que pensa serem apenas truques, mas... é porque você apesar de ter um coração puro, é inexperiente, não está com o coração totalmente destrancado para a magia, então, por enquanto, vou lhe ensinar técnicas básicas até que esteja preparada para despertar a verdadeira mágica.

A Hyuuga não compreendeu do que ele falava.

— Naruto... continuo não acreditando em magia. Incomoda-se?

— Nunca me incomodarei com você. – Assegurou severo. – Quanto a sua descrença sobre magia, mudará em breve.

Ela se irritou com a certeza dele.

— Considerou que eu posso jamais acreditar em magia? — pousou o elástico no centro da mesa, de forma bruta.

Quase derrubara um conjunto de cartas.

— Por que não espera que o tempo responda? Ficarei ao seu lado de qualquer jeito. – Segurou a mão dela, por cima da mesa. – O amor é a maior magia que existe.

O toque dele era acalorado, a Hyuuga sentia, depressa se acalmou.

A seguir, lembrara-se do beijo dado em sua testa.... o coração palpitando forte.

— Deixe-me tentar.... – Afastou a mão para pegar o elástico, tentar se concentrar na aula antes que ficasse toda vermelha, esperava que o mágico não percebesse o que as ações dele lhe causavam. – Coloco o elástico desse jeito e...

Quando sacudiu a mão, sem querer, atirou o elástico na cara do loiro que brevemente soltou uma série de risadas.

Uma marquinha se formou atravessando o nariz de Naruto.

A Hyuuga se preocupou inicialmente, todavia, vendo-o responder com a gargalhada descontrolada, o acompanhou em risos.

— Yeahs!!! — Naruto festejou, retirando sabe se lá da onde, um mini foguete de confetes.

POW

A colegial cessou a risada, conservando pequeno sorriso, enquanto assistia a chuva colorida.

— Eu falhei, pare de comemorar.

— Comemoro por vê-la rir.

Ela escondeu o lábio inferior olhando para o elástico na mesa.

Era muito bom estar ali, leveza abraçava sua mente, seus problemas perdiam espaço em seus pensamentos. Como era bom se divertir. Com Sakura, Rin e Sai, se tornava mais telespectadora da diversão, ali na tenda participava da diversão. E era bom demais.

— Estou... feliz por rir desse jeito, arigatou.

Naruto foi todo aquecido pela gratidão da delicada figura feminina.

A aprendiza do mágico passou as mãos nos cabelos tirando os confetes que caíram neles, e enquanto o fazia, era contemplada pelo homem sem cartola.

O loiro apoiou uma mão na mesa e se impulsionou pra frente, alcançando com a outra mão, um confete grudado no lado das feições femininas.

A colegial prendera a respiração, a aproximação dele lhe causava reação mais forte comparada quando ele simplesmente lhe olhava.

— Tentarei de novo! — sem querer a Hyuuga exaltou a voz, foi o desespero de desfazer a proximidade física entre os dois.

O mágico voltou ao lugar dele com o confete na ponta do dedo indicador, contém o sorriso de notar o efeito que causou na sua aprendiza.

— Ih errei...

— Ops! Errei de novo.

— Droga, de novo!

— Minha nossa, desculpe!

— Agora vai.

— Não, agora!

Hinata dizia algo a cada tentativa que se totalizou vinte duas vezes, e em quase todas, o elástico voou acertando a cara do mágico quem ficou com várias marcas vermelhas.

A colegial foi vitimada pelo novo ataque de risos.

Os dois terminaram a primeira aula em muitas risadas.

A Hyuuga permitiu-se desfrutar do divertimento e descobriu que queria voltar a vê-lo mais e mais.

*

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*Diário de Hinata*On*

“Okaa-san, peguei o hábito de sempre pôr a minha mão na testa, quando lembro dos lábios de Naruto contra ela.”

*Diário de Hinata*Off*