Abracadabra!

14 Romance e trabalho


Notas iniciais
MISS ANGEL agradeço por sua recomendação, espero que aprecie esse capítulo! É sério gente, minha quinta recomendação! Que orgulho! Obrigada a todos vocês!

Após o término da aula, o mágico retirou os objetos da mesa, Hinata ao perceber que ele arrumava-os em caixas, ofereceu-se para ajudar, entretanto, Naruto recusou.

Ele cobriu a mesa com uma toalha florida, distanciou-se e sumiu durante alguns instantes, ao fundo da tenda, atrás das cortinas.

Retornou, trazendo na mão esquerda, uma cesta de pães quentinhos, na mão direita, um trio de velas acesas, em um suporte prateado, e na boca prendia uma linda rosa branca.

Colocou as velas na mesa e a cesta ao lado delas.

Retirou a rosa da boca, estendendo-a para a acompanhante.

Hinata aceitou a rosa e a desceu ao pender o braço.

De sobrancelha erguida e a outra palma na cintura, perguntou-o:

— É o que estou pensando que é?

— Depende, pensa em um elefante rosa de bolinhas amarelas?

— Claro que não.

— Então é exatamente o que vê. — Correu para fechar a entrada da tenda, a iluminação das velas ganhou foco. Refazendo o caminho, parou diante à mesa, puxando uma cadeira para a aprendiza. Garboso, sorriu ao acrescentar: — Claro que se você quiser um elefante rosa de bolinhas amarelas, lhe darei um.

O sorriso dado a seguir pela colegial foi mais simples.

Voltara-se a sua bolsa e procurou dentro dela, um relógio de pulso

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— Tenho que ir pra casa. — Guardou o relógio e pôs a alça da bolsa em torno do ombro. Curvou-se educada. — Arigatou gozaimasu.

Moveu-se à saída, mas foi detida.

— Meia hora, onegai. — O mágico pediu, tocando no ombro da colegial, sobre a alça da bolsa. — Você se divertiu tanto hoje, fique só mais um pouquinho.

Hinata se preocupou com seu horário de trabalho, que seria dali um pouco a mais de uma hora e almejava reservar um tempinho com a irmã para conversar, saber como foi a excursão escolar.

Naruto colocou a outra mão no outro ombro dela, seus azuis imploradores, seu desejo inflamado de tê-la por perto, tudo se traduzia nas suas feições.

— Dez minutos. — A Hyuuga decidiu.

— Trinta!

— Humpf, me acha burra?

— hehe foi mal, achei que valia a pena tentar. — Segurou a mão dela, pedindo em meigo tom: — Vinte minutos, onegai.

— Quinze.

Naruto beijou a mão dela, retirou a bolsa da colegial pendurando-a na cadeira.

Acomodou a moça no assento e nova vez andou aos fundos, voltara de lá com garrafas de vinho e água na mão direita, e na esquerda, segurava duas taças de vidro.

Hinata deitou a rosa branca em suas coxas.

Sucedeu-se agradável clima, o mágico dizia à aprendiza onde ela falhava em realizar o truque, sua maneira divertida de dizê-la não fazia a Hyuuga se envergonhar, deixava-a ansiosa para tentar mais na próxima aula.

Quando faltavam cinco minutos para o momento se findar, perguntou-o:

— Posso... tomar vinho? — desde que o loiro terminou a primeira taça ficou curiosa para sentir o sabor.

Ele lhe serviu água sem perguntar se gostaria de um gole da outra bebida.

Mantinha seu paladar distante de bebidas alcoólicas, contudo, a ocasião jazia tão boa, que uma vontade de experimentar coisa nova lhe subiu a cabeça.

— Se você for muito nova, eu não quero lhe causar mal. — Naruto respondeu, não se sentindo bem em agir como um adulto responsável.

— Quantos anos acha que tenho? — soergueu a sobrancelha direita.

— Você parece mais velha, mas é uma colegial, então deve ter quinze ou dezesseis anos. Esperarei você se tornar adulta para nós termos nosso primeiro encontro. — Sorridente imaginou como seria quando aquele dia chegasse, desde já, brotou-lhe ansiedade.

— Isso aqui não é um encontro? — ela observou o cenário romântico.

— Lie, programamos nossa aula de mágica. Não é dentro de uma aula que teremos nosso primeiro encontro. Espera aí... — Esbanjou travesso sorriso, de indicador apontado pra ela, interrogou-a divertido: — Achava que isso era um encontro? Então aceitaria sair comigo?!

Ele esbanjou felicidade na voz.

— E-eu não considero encontro da minha parte! — explicou-se de bochechas rosinhas. — Achei que de sua parte, você considerava. Mas não há problema, é melhor que não seja um encontro.

— Doeu. — Naruto apertou o peito. Fingiu limpar uma lágrima, depois iluminou sua face com seu sorriso conhecido. — Tudo bem, como eu disse esperarei para termos nosso primeiro encontro oficial.

— De novo, falando como se tivesse certeza que acontecerá. — Hinata o repreendeu em tom calmo e lamentoso. — Me sinto elogiada que me ache tão nova, mas tenho vinte anos.

Corou no final.

Por causa das mudanças de moradia ocorridas após a falência de sua família, até reorganizar a rotina de sua vida, demorou em ser posta em uma escola sem precisar interromper seus estudos.

Naruto dilatou as pupilas.

— Por que não me avisou antes?! — ergueu-se brusco e caminhou à desentendida Hyuuga. Ajoelhou-se no chão e colocou as mãos pelos lados do rosto feminino.

As fileiras de alongados cílios de Hinata se afastaram assaz uma da outra.

Naruto pressionou seus lábios contra os dela, sem pôr a língua.

A colegial sente o cheiro de vinho.

O mágico então se afastou e ao se por ereto pôs uma mão no peito, notavelmente, aliviado.

Levou os dedos aos lábios, de olhos fechados, apreciando a melhor sensação que teve naquele dia.

— Por.... por que fez isso? — Hinata cobriu a face escarlate com as mãos, batendo os pés nervosamente no chão.

A rosa branca chegou a cair.

— Ué, se eu soubesse que você não era “de menor” eu teria dado o nosso primeiro selinho na boca, não na testa. — Colheu a rosa e a pusera atrás da orelha feminina.

— Não existe “nosso” não faça mais isso.

— Foi ruim? — preocupou-se. — Quer que eu faça melhor? — tendeu a aproximar seu rosto outra vez ao dela, mas a colegial se levantou, fazendo sinal de “pare”.

— Lie, Lie! Pare de me tratar como se tivéssemos algo amoroso. — Esfregou os olhos e revelou amuada: — Acabei de sair de um relacionamento. — A seguir completou com voz baixa: — Bem, eu achei que era um...

— Com quem? — Naruto fechou os dedos, o encanto do momento, quebrava-se.

Hinata desgostou do obscurecer dos orbes azulados.

— Não quero falar disso.

— Se ele machucou seu coração....

— Chega, nosso tempo acabou. — Agarrando a bolsa com firmeza se apressou à saída.

O mágico abandonou sua seriedade e alcançou a colegial, abraçando-a pela cintura.

— Perdão, pequena. — Abaixou a cabeça até encostar o nariz contra o topo de azulados cabelos. — Não tocarei mais no assunto, eu prometo.

A Hyuuga encarou a saída, crer que deve ir embora, entretanto estando nos braços daquele homem, tem suas defesas tomadas, quer ficar mais um pouco na companhia de quem lhe deu uma dose de alegria.

— “Assim não vale, basta me pedir desse jeito que eu cedo.”. — Pensou desapontada consigo mesma. — Só mais um pouquinho.

— Legal! — Naruto festejou e conduziu sua aprendiza de volta ao lugar dela, ajudou-a a pendurar a bolsa na cadeira e em seguida se pôs em seu lugar. Após encher as taças de ambos, ergueu a sua: — Um brinde a minha futura esposa que é um pitel.

Hinata revirou os olhos e meneou a cabeça, não adiantava pedir para ele parar com aquela certeza de que ficariam juntos.

Sorveu um gole do vinho e apreciou o sabor.

Pouco tempo depois, os dois desciam a escada.

A Hyuuga se apressou um pouco, tendo certeza que se atrasaria para o trabalho.

Seu braço foi agarrado quando quase escorregou.

Faltavam somente oito degraus para chegarem.

Ao alçar seus orbes, encontrou a zelosa expressividade do homem.

Ela agradeceu imensamente, ele lhe apertou na cintura com a outra mão.

Os pés masculinos em um degrau acima dos pés femininos.

Naruto a imobilizou até perceber que a respiração dela se normalizou.

— Deixei você muito marcado, me perdoe. — Lamentou ela se atentando às marcas dos elásticos que se tornaram mais visíveis na claridade da tarde. — Conduz a mão à face máscula. Ficou nas pontas dos pés pra conseguir encaixar suavemente a mão no rosto dele.

Naruto abaixara a cabeça pra facilitar. Acariciou a mão dela. Fechou os olhos a dizendo:

— Quem te perdeu sofrerá muito.

— Ele não pensa assim. — Quis afastar a mão, porém o loiro a pressionou contra o rosto dele.

— Não mesmo, ele não tem noção. Olha pra você... — Revelou seus azuis brilhosos. — É incrível, pequena. Incrível.

E daquela vez a certeza dita por ele não a incomodou.

— ”Como pode me querer tanto assim, seu bobo.”. — A Hyuuga poderia dizer que aceitou dinheiro sujo, que escondia sua realidade dos colegas, que comeu do lixo... ou resumir que não era perfeita. Todavia, a apreciação do mágico por ela.... — ”Só por hoje quero acreditar... que alguém além da minha irmã, me queira verdadeiramente em sua vida....”.

Silenciosos, terminaram de descer a escada.

Ele a acompanhou até a saída do parque, ela percebeu que estavam de mãos dadas.

O loiro a abraçou forte e ela correspondeu delicada, com as mãos pousadas nas costelas dele.

Toneri escondido ao longe, testemunhava a cena da despedida acalorada dos dois.

*

*

*

Hinata se culpou, chegara ao condomínio tendo menos de meia hora pra tomar banho e se arrumar para ir trabalhar.

Desculpou-se com Hanabi quem jazia animada querendo conversar sobre a excursão escolar, aparentemente, o dia da menina foi excelente.

— Quando eu voltar me conte tudo amor, se comporte. Itte kimasu! — a Hyuuga mais velha se apressou para não perder o ônibus.

De wa mata! — Hanabi exclamou da porta, acenando alegrada para a irmã.

O estabelecimento de trabalho da colegial se localizava no bairro de Kumiyama, Hinata desceu no ponto de ônibus na Avenida Higashi Oji Dori e avançou pela rua comercial Matsubara, o caminho levou ao templo Kyomizudera fundado no século VIII, muita gente que o visitava, no meio do percurso acabava parando na casa de chá.

A construção do estabelecimento compunha-se do tradicionalismo arquitetônico japonês: Janelas e portas movimentáveis para os lados cobertas de papeis transluzentes, estrutura amadeirada, um tokonoma, assim chamado o espaço reservado na recepção para obras artísticas, e o piso principal composto de cinco tatames.

A função de Hinata era se ocupar com o preparo dos utensílios para a cerimônia do chá, como organizar os lenços de seda e trocá-los quando preciso; levar o boião para o chá em pó, manter a estante e os utensílios que nela ficarão; limpos. Etc. Sem contar que depois se ocupava com a retirada do lixo e a limpeza dos cômodos da casa.

A Hyuuga entrou pelos fundos, onde encontrou sua chefa quem acabava de tomar o último gole de sakê.

Moushiwake Arimasen. — Hinata se desculpou, curvando-se.

— Aconteceu algo grave? É sempre pontual. — Tsunade não usou do tom repreendedor.

Depois que bebia uma garrafa de sakê, a loira de busto avantajado sempre se acalmava.

Usava quimono branco, faixa preta na cintura, manto verde escuro cobrindo os ombros, e seus calçados eram sandálias quadradas de madeira.

— Meu ônibus quebrou. — Hinata respondeu, com ar lamentoso.

A dona do estabelecimento exibiu o sorriso pela metade.

— Só isso? Não precisa se desculpar, venha. — Andou pra dentro da casa de chá, sendo seguida pela Hyuuga, apontou ao corredor da sala de vestimentas. — Reservei seu quimono, é o branco com faixa vermelha dentro da caixa azul.

— Aconteceu algo com o meu antigo? — Hinata questionou desentendida.

— Você não guiará a cerimônia usando o quimono comum do trabalho né. — Respondeu Tsunade, no timbre da obviedade, andou a um pendurador de ferro e pegou uma bolsa pequena de alça curta.

— Mas... mas...

— Está espantada? — cruzou os braços abaixo dos gigantescos seios sem largar a alça da bolsa. A expressão da mais nova lhe era claramente perceptível.

— Sou inexperiente pra guiar a cerimônia.

— Então por que concordou ontem? Perguntei se poderia ser a guia, tá esquecida?

A colegial se amaldiçoou, durante o trabalho, no dia anterior, estivera distraída, pensando na visita que faria ao mágico, e por aquela razão, assentia automaticamente para tudo que sua chefe dizia.

— Você não estava me ouvindo? — Tsunade perguntou um pouco incomodada, se não tivesse bebido há pouco tempo teriam veias saltando na testa.

Curvando-se várias vezes em gesto de desculpa, a Hyuuga se justificou:

— E-eu estava! É que estou ficando nervosa. Não quero estragar tudo. Acho que quero mudar de ideia... gomenasai. Por que não escolhe a Temari-san?

Temari no Sabaku era uma linda moça loira de olhos verdes e um corpo fortinho.

Ela preparava o chá e os doces servidos durante a cerimônia.

Fazia entregas de chás, doces, quimonos e presentes da casa de chá.

Tsunade franziu o cenho.

— Você não me ouviu ontem mesmo não foi?

Hinata se avermelhou.

— Não faz mal. — A loira preferiu não assustá-la. Explicou: — Uma família especial vem participar da cerimônia, é gente ricaça, um deles veio me visitar ontem de manhã perguntando se havia uma jovem com características orientais que pudesse ser a guia da cerimônia, pensei logo em você, seus olhos serão uma surpresa, pois combinam com os dessa gente, Temari nem de longe se parece com eles.

— Família rica... meus olhos combinam... qual é o sobrenome da família?

— Oshuqueoshuque. Otshuqueshuque... arf não sei pronunciar. A mulher que veio hoje aqui tem olhos da cor dos seus. — Começou a ir embora. — Estou indo, darei um pulo na loja dos tecidos antes que feche, qualquer coisa peça para Temari ajudá-la, volto em uma hora.

Hai... — O interior de Hinata congelou. Sabe que entre famílias ricas as chances do sobrenome Hyuuga ser reconhecido são maiores, no entanto, ser exatamente a família Otsutsuki se tornava tremenda sacanagem do destino. — "Quais são as chance de acontecer?

A Sabaku apareceu para apertar a faixa de Hinata, deixou o laço bem forte.

As duas restringiam a comunicação aos assuntos de trabalho, não possuíam indícios de que seriam amigas.

— Pronto, parece uma boneca. — O tom da loira não era gentil, rápido, foi se retirando do cômodo.

— Arigatou... Temari-san. — Agradeceu, enquanto se analisou no espelho, não incomodada pelo jeito da Sabaku.

A colegial entendia que a roupa precisa estar bem apertada para ajudar na movimentação recatada condizente com o cerimonial harmonioso e delicado.

— “Mas se eu não conseguir respirar, não terá cerimonia, pois morrerei...” — Conseguiu brincar mesmo estando nervosa. Seus pensamentos alimentavam temor: —“E se o próprio Toneri estiver lá?”

Espera aí...

Ele sabia do seu segredo.

Então pra que se alarmar?

Humilhação? Ela se sentiria humilhada com a presença dele?

Firmou seu olhar no reflexo. Em lentidão, moveu seus dedos até os lábios, o cheiro de vinho na lembrança parece ser inspirado no presente, sorrir.

— Os clientes chegaram.

Temari avisou, aparecendo na porta, e partiu tão rápido que quando Hinata dirigiu o olhar a ela, não estava mais lá.

Fitando-se no espelho, a Hyuuga escutou o som sereno do mágico:

É incrível

Sorrir, ele podia acalmá-la até nas lembranças.

Respirou fundo e se sentiu pronta pra iniciar a cerimônia.

Notas finais
Pessoal, perdoem-me por demorar a responder os comentários, vou respondê-los quando possível, mas estou recebendo todos com carinho.